Capítulo nove

Era apenas um jogo de xadrez, Edward repetiu para si mesmo, talvez pela centésima vez. Bobagem se deixar incomodar pela idéia de que Miss Swan havia perdido de propósito, em uma tentativa calculista de obter os seus favores. Ela era uma hábil e experiente jogadora, mas excessivamente descuidada. Edward se perguntava se ela não estava brincando com ele o tempo todo. Que idéia irritante, pensar que alguém poderia tê-lo manobrado e levado a melhor sobre ele! E justo uma mulher inoportuna, provocante e temperamental. Mais irritante ainda era a idéia de algum pretendente idiota lhe ensinar sinuca, e o fato de essa imagem lhe afastar a cabeça do trabalho. Nos últimos três dias, ele havia deixado Miss Swan nas mãos capazes de Alice e da duquesa de Tremore, e tinha enchido a sua própria agenda com questões internacionais, inclusive os preparativos para a visita de estado do príncipe Charlie, mas, na melhor das hipóteses, conseguira apenas manter parte da atenção nessas tarefas. Participou de reuniões em Whitehall, sede do Ministério Britânico das Relações Exteriores, e jantou com os enviados italianos e os embaixadores prussianos, mas, enquanto isso, sua cabeça o insultava com imagens de Lorde Eric ou Lorde James mostrando a Miss Swan como segurar um taco de sinuca, tocando a mão dela, inclinando-se de encontro ao seu corpo. Edward sabia o que eles estariam pensando, sentindo, querendo. Ah, sim, sabia muitíssimo bem. Tinha tentado manter-se ocupado com seus deveres, mas naquela noite deu por si com uma noite livre. O ministro espanhol estava resfriado. Cancelados os planos para o jantar, Edward voltou cedo para Portman Square, mas a casa estava vazia. Jasper , Alice e Miss Swan tinham ido para a festa aquática de Tremore no Tâmisa. Edward entregou o casaco e o chapéu ao criado, subiu para a biblioteca e tentou trabalhar. Um diplomata sempre tem pilhas de correspondência para pôr em dia, e nas horas seguintes ele tentou cuidar disso, mas fez pouco progresso. Seu olhar se voltava a toda hora para a mesa de sinuca do outro lado da sala. A única razão que a motivava a querer que ele lhe ensinasse sinuca era a sua recusa em fazê-lo. E também porque ela era uma garota inoportuna e provocante, que usava aquele corpo perfeito para atormentar os homens, só para se divertir. Edward forçou-se a voltar a atenção para o trabalho, mas assim que conseguiu concentrar-se na carta que escrevia, foi interrompido exatamente pela pessoa que tinha passado os últimos dias tentando esquecer.

- Alguém já lhe disse que o senhor trabalha demais? Ele não levantou os olhos.

- Boa noite, Miss Swan - disse, continuando a escrever. - A senhorita gostou da festa aquática da duquesa?

- Sim, gosto de iatismo.

- Fico contente em saber disso. Jasper e Alice voltaram com a senhorita?

- Sim, mas apenas para me trazerem para casa. - Ela entrou na biblioteca e fechou a porta atrás de si. - Eles foram para outra festa.

- A senhorita não quis acompanhá-los?

- Não. Lady Tanya também foi convidada, e eu não gosto dela.

- Lady Tanya é convidada para muitas festas. Mesmo que a senhorita não deseje se casar com Lorde Mike Newton, não conseguirá evitar a prima dele o tempo todo.

- Sei disso. - Ela fez uma pausa e então disse: - As irmãs de Lorde Eric foram com ele para a festa aquática hoje. O senhor estava certo sobre ele, Sir Edward. Ele é um bom homem, muito agradável.

Edward parou de escrever à menção de Eric, e sua mão apertou a pena.

- Excelente! - disse ele, tentando continuar a carta, mas sem conseguir lembrar onde tinha parado. Leu rapidamente o último parágrafo. - "E, portanto, Sir Gervase" - murmurou ele, retomando a escrita. Naturalmente, ela tinha que se sentar sobre a mesa de trabalho mais uma vez. Isso já estava se tornando um hábito - um hábito enlouquecedor, diga-se de passagem. Era impossível trabalhar com aquele cheiro de flor de macieira flutuando no ar. - Miss Swan - disse ele sem interromper a sua tarefa - a senhorita se incomodaria de sair da minha mesa? Preciso consultar a carta sobre a qual a senhorita está sentada.

Ela não fez o que lhe era pedido. Pelo contrário, inclinou-se sobre um dos quadris, erguendo ligeiramente o outro, como que a lhe indicar que puxasse o documento. Edward levantou os olhos rapidamente, na expectativa de que ela estivesse caçoando dele novamente, mas estava enganado. Ela olhava fixamente o espaço, sem lhe dar atenção, os pensamentos sem dúvida em outra parte. Edward estendeu a mão para a carta que Sir Gervase lhe enviara da Anatólia. Tomou cuidado para não tocar nela, mas as costas de sua mão roçaram o tecido do seu vestido, e um calor intenso lhe tomou o corpo de assalto. Ele puxou a carta com um gesto brusco, como se tivesse sido queimado. O som do papel roçando o tecido aparentemente chamou a atenção dela de volta para ele.

- O que o senhor está escrevendo? - perguntou ela. - Ou é segredo? O trabalho dele parecia um assunto suficientemente neutro.

- Estou escrevendo uma carta para Sir Gervase Humphrey. E o embaixador que foi enviado para Constantinopla no meu lugar, para que eu pudesse vir para cá. Ele me escreveu dizendo que os turcos estão causando problemas. Como eu já trabalhei naquela região, ele me pede conselhos.

- E que conselho o senhor lhe dá?

- Estou lhe dizendo que intimidar os turcos não funciona. Sugeri que ele tente outra coisa.

- O quê?

- Diplomacia. Ela riu.

- O senhor não gosta de Sir Gervase, não é?

- Não. - Edward assinou seu nome e estendeu a mão para pegar o mata-borrão. - Ele é um tolo. Ela se manteve em silêncio enquanto ele dobrava e selava a carta. Quando ele pôs a carta de lado e estendeu a mão para pegar outra folha de papel, ela voltou a falar:

- Não seja severo demais com ele. Ele está tentando se mostrar tão capaz quanto o senhor, e isso é difícil para qualquer pessoa.

- Bobagem.

- Não é bobagem. O seu irmão sente isso, acho, pois é mais jovem que o senhor. O senhor é o bom filho, ele é o travesso. É por isso que o senhor e ele nem sempre se dão bem.

Edward mergulhou a pena no tinteiro.

- Jasper é um compositor. Ele tem um temperamento artístico. Ele e eu vemos a vida de formas muito diferentes. - Ele começou a endereçar uma carta para o príncipe da Suécia. A reserva dele não a desencorajou nem um pouco.

- E verdade que os dois são como óleo e água - concordou ela. - Ele é divertido. O senhor é insípido. O senhor sempre foi assim?

- Não sou insípido - protestou ele. - Quanto a Jasper , ele sempre foi rebelde, sempre fez o que quis e, de alguma forma, sempre conseguiu se safar. Eu nunca pude me dar a esse luxo.

- Seu pai esperava mais do senhor, sem dúvida, já que era o filho mais velho. Isso é uma carga, a expectativa dos outros. Uma memória muito antiga lhe brotou na mente, espontaneamente, e ele parou de escrever. "Como você pôde envergonhar a família com esse fracasso? Onde está o seu orgulho? Onde está a sua honra em relação ao nome da sua família? Meu Deus, Edward, você me desanima. Realmente, estou desanimado."

- Pode ser uma carga - admitiu ele, com a voz do pai ecoando nos ouvidos. Pousou a pena e se recostou na cadeira. - Lembro-me de um ano em Cambridge em que fui reprovado nos exames - ele deu por si dizendo -, e meu pai ficou tão decepcionado comigo e tão enfurecido com a minha falta de atenção aos estudos que não falou comigo nem me escreveu por um ano.

- Um ano? É uma punição cruel.

- Foi o tempo que levou para eu fazer os meus exames novamente.

Bella se reclinou para trás sobre a mesa de trabalho dele, as palmas das mãos contra a superfície, o peso sobre os braços.

- O que provocou a sua falta de atenção aos estudos? Jogo? Bebidas?

- Uma arrumadeira muito bonita.

- O que faz exatamente uma arrumadeira? Edward balançou a cabeça, voltando ao presente.

- Isso não é assunto próprio para conversas. Eu não deveria ter dito nada sobre isso. - Ele pegou a pena e retomou o trabalho. Mas Bell não pretendia deixar o assunto morrer assim tão facilmente.

- O senhor disse que ela era bonita. Ela era sua amante? - Diante da falta de resposta dele, ela se inclinou para a frente, virando-se de lado sobre a mesa até ficar praticamente sentada sobre a carta que ele escrevia para o príncipe sueco. - Pode me contar. Ele se mexeu desconfortavelmente na cadeira.

- Não seria apropriado. Bella se inclinou para a frente, aproximando o rosto do dele.

- Não vou contar para ninguém - prometeu ela, com um sussurro provocador, inclinando a cabeça e tentando olhar nos olhos dele. - Será o nosso segredo. Ela era sua amante?

- Não. Em Cambridge há muitas arrumadeiras trabalhando nos dormitórios masculinos. Ela fazem as camas.

- E às vezes as desfazem, não? - Ela não esperou a resposta e imediatamente fez outra pergunta: - O senhor estava apaixonado por ela?

Um par de olhos cor de avelã e um sorriso radiante passaram rapidamente pela mente de Edward.

- Não é da sua conta.

- O senhor queria se casar com ela?

Ele respirou fundo, pensando em Angela Weber e nos sonhos impossíveis de dezesseis anos atrás.

- Eu sou um cavalheiro, Ang era uma criada. Não daria certo.

- Isso não responde à minha pergunta. O senhor queria se casar com ela?

- Meu pai nunca me deu essa oportunidade. Ele pagou uma boa soma para se livrar dela, e ela se casou com outra pessoa. Ela ficou bem contente com o arranjo. - Com uma certa raiva na voz, ele perguntou: - Isso satisfaz a sua curiosidade?

- É como eu com o meu ferreiro - disse ela gentilmente. - O senhor amava muito essa Ang, acho.

Mulher infernal! Ela conseguia desencavar os segredos até de uma pedra.

- Tenho que terminar essa carta, e a senhorita está sentada sobre ela - disse ele. - Por favor, afaste-se. Ela pulou da mesa e se afastou, mas, se Edward pensava que tinha encerrado o assunto do seu passado, estava enganado. Do outro lado da sala, ela voltou a falar:

- Essa moça, Ang, é o motivo real por que o senhor nunca se casou? A pena escorregou dos dedos dele e a tinta escorreu por sobre a carta, estragando-a. Ele teria que começar de novo. Completamente frustrado, Edward jogou a pena de escrever e se levantou.

- Meu Deus, a senhorita faz as perguntas mais impróprias! Em todo o tempo que passou nas escolas de etiqueta francesas, nunca lhe ensinaram boas maneiras? Ela olhou para ele de olhos muito abertos e cheios de surpresa diante daquela explosão. Depois de um momento, comentou:

- O senhor é impressionante quando está com raiva. Sabia disso? - Sem esperar por uma resposta, continuou: - O senhor deveria ficar com raiva com mais freqüência. O senhor seria menos insípido se... - Ela se interrompeu, abanando uma mão no ar, como que se em busca das palavras certas: - Se desabafasse um pouco.

- Não preciso desabafar e não sou insípido. Eu meramente observo os modos da sociedade, o que significa que não investigo a vida particular das outras pessoas. - Ele lhe deu uma olhada rápida e severa. - Ao contrário de algumas pessoas.

- Insípido e seco como um galho - continuou ela, avaliando o caráter dele com total pouco-caso pelos seus protestos ou a sua censura. - O senhor não aproveita a vida.

- Isso é absurdo.

- E mesmo? - Ela tirou um taco do porta-tacos da parede e o estendeu, como se estivesse examinando minuciosamente a sua linha reta. - O senhor obedece a todas as regras - continuou ela - e faz todas as coisas certas. - Ela apoiou o taco no chão, ao seu lado, e pressionou a mão livre sobre o coração. - O senhor guarda todos os seus sentimentos presos aqui. Isso não é bom. O senhor nunca se diverte?

- Naturalmente que me divirto.

- Eu nunca vi. O senhor trabalha o tempo todo. Nunca tira uma folga para se divertir. - Ela levantou o taco nas mãos novamente. - Eu tenho que usar o taco para atingir a bola, não é? - Sem esperar resposta, ela experimentou o taco desajeitadamente, tentando descobrir o modo adequado de segurá-lo.

Edward a observava enquanto ela se inclinava sobre a mesa. "Rapariga atrevida e provocante", pensou ele com a garganta seca, sem conseguir tirar os olhos de Bella. Ela empurrou o taco com força por entre os dedos e conseguiu atingir a bola branca - mas, em vez de deslizar sobre o feltro, a bola pulou por sobre a borda da mesa, voou para fora, por pouco não atingiu o vaso favorito de Alice , de porcelana francesa, e por fim pousou no tapete com um som surdo.

- Continue assim e você vai acabar quebrando alguma coisa - disse ele.

Ela rodeou a mesa e pegou a bola do chão.

- Não se o senhor me ensinar a forma certa. Ele não devia. Mas ia. Bem lá no fundo, sempre soubera disso. Começou a andar na direção de Isabella , sentindo-se como se estivesse se dirigindo para a beira de um abismo sem conseguir parar.

- E a senhorita me concede a revanche no xadrez, para tirar a prova?

- Naturalmente. Eu sempre cumpro a minha parte de um acordo.

Edward foi para o lado da mesa de sinuca onde ela estava e pegou o taco e a bola das mãos dela. Demonstrou como segurar o taco corretamente, devolveu-o para ela e a observou enquanto ela tentava imitar o que ele havia feito. Depois de um momento, ficou claro que, pelo menos nisso, ela não estava mentindo. Ela nunca tinha segurado um taco de sinuca na vida.

- Não - disse ele, aproximando-se. Lembrando a si mesmo que era extremamente impróprio tocá-la, ele pôs a mão sobre a de Bella e moveu os dedos dela por sobre o taco. - Segure assim. – A pele dela era quente e macia como cetim. Edward forçou-se a tirar a mão e ela bateu de leve na bola com o taco. A bola bateu na vermelha e as duas rolaram quase meio metro antes de parar. Ele se inclinou sobre a mesa para recuperar as bolas, para que ela tentasse de novo. Ao fazer isso, sua coxa roçou o quadril dela em um contato breve e torturante, que o deixou à beira da loucura. Edward lutou para recuperar o equilíbrio. - Use um pouco mais de força - aconselhou, colocando o par de bolas de sinuca novamente na frente dela -, mas não muita, senão a bola voará da mesa. Ele não conseguia compreender como podia falar com uma voz tão calma. Os quadris dela imprimiam uma marca de fogo indelével contra o corpo dele, queimando-o, fazendo-o perder o juízo. Ele precisava de uma bebida.

- Dê algumas tacadas para praticar.

Edward se afastou e foi se servir de um copo de vinho do Porto de um dos decantadores do bar de Jasper . Sempre soubera que isso ia acabar acontecendo. Ao voltar para o lado da sala em que ela estava, ficou na outra extremidade da mesa, mas até isso era uma tortura: toda vez que ela se inclinava, ele tinha uma vista esplêndida do que estava fora do seu alcance. O sorriso que ela lhe dirigia toda vez que conseguia dar uma tacada certa era como um toque que o alcançava do outro lado da mesa. Em uma tentativa desesperada de pensar em outra coisa, ele começou a lhe explicar as regras básicas do jogo.

- Então, a sinuca, ou bilhar inglês, é um jogo de pontos - disse ela, quando ele terminou. Fez um gesto em direção à mesa. - Se eu enterrar a bola vermelha no buraco e não deixar a bola branca cair junto, farei três pontos? Ele fez que sim com a cabeça, e ela se inclinou sobre a mesa. Ele se concentrou no rosto dela, observando as sobrancelhas escuras se vincarem, em sinal de concentração. Ela prendeu o lábio inferior nos dentes, fez mira e deu a tacada. A bola branca jogou a vermelha direto para o canto da mesa onde ele estava, em um movimento rápido, mas, em vez de cair na caçapa, ricocheteou e voltou para o lado da mesa em que ela estava. A bola desacelerou e deslizou exatamente para o canto à frente dela, parando bem à beira da caçapa, mas sem entrar.

- Ma no! – Bella se inclinou sobre a mesa e assoprou a bola, empurrando-a assim por aquela última fração de centímetro e fazendo-a entrar na caçapa. Era um absurdo tão grande e, ao mesmo tempo, tão fiel à natureza dela, que Edward caiu na risada.

- Finalmente! - gritou ela, endireitando-se. - Pelo menos eu o fiz rir! - ela lhe disse, rindo também. - Eu já começava a pensar que o senhor não sabia rir. Isso o pegou de surpresa.

- É claro que eu sei rir.

- Eu nunca o tinha visto rir. O senhor tem uma bela risada. E profunda e rica, como deve ser a risada de um homem.

- Ora, muito obrigado. - Ele se inclinou para ela. - Isso significa que a senhorita mudou de opinião sobre mim? Ou eu ainda sou insípido?

Ela não respondeu imediatamente. Pôs com cuidado o taco sobre a mesa e andou até onde ele estava. Quando Edward olhou diretamente para o rosto dela, Bella o estudou por um longo momento, como se estivesse pensando seriamente na pergunta dele. Então, sem nenhuma palavra, fez algo totalmente inesperado: estendeu as duas mãos e passou os dedos pela cabeça dele, despenteando-lhe mais o cabelo. Edward congelou ao toque das mãos dela. As pontas dos dedos de Bella pareciam irradiar sensualidade diretamente para a corrente sanguínea de Edward, enchendo-lhe o corpo com todo o calor do verão italiano. Ele não conseguia se mexer, não conseguia respirar; só conseguia ficar olhando fixamente para o rosto dela, voltado para cima, enquanto ela brincava com o seu cabelo. A atenção dela estava na tarefa que realizava, mas a dele estava nas fantasias eróticas e impossíveis que lhe passavam pela cabeça como um relâmpago. Sonhava puxá-la para o tapete, tirar os grampos e fazer cair em desordem o longo cabelo negro, deslizar as mãos por baixo das saias dela e sentir a pele macia e quente contra as palmas das mãos.

- Não tão insípido agora - murmurou ela, sorrindo, mas sem abaixar as mãos. Pelo contrário, continuou a brincar com o cabelo dele, roçando a parte interna dos pulsos contra o rosto de Edward, enquanto ele ficava totalmente imóvel e duro como pedra, à beira de um abismo. Não havia ninguém ali para ver a queda dele, a sua ruína. A porta estava fechada. Era tarde. Jasper e Alice estavam fora. Os criados estavam na cama. Não havia ninguém para ver a honra dele reduzida a pó. Ninguém a não ser ela - mas ela aniquilaria a determinação de um santo e se deleitaria com a ruína dele. E Edward não era santo. O desejo começou a tomar conta dele, ameaçando fazê-lo esquecer que era um cavalheiro.

Era o que ele sempre tinha sido; ele não sabia ser outra coisa. Agarrava-se à honra que havia ditado as suas ações por toda a vida, mas era como agarrar-se ao ar rarefeito. Pois naquele momento ele desejava ser outra pessoa, alguém indômito e temerário - como ela, como Jasper , como todas as pessoas que faziam o que lhes agradava e pegavam o que queriam, que aproveitavam os prazeres da vida sem se incomodar com as conseqüências. Se ele pelo menos conseguisse ser assim! O desejo escuro e secreto que sempre existira dentro da sua alma sussurrava ao seu ouvido, no compasso das batidas do seu coração. Se apenas... se apenas...

Edward inclinou a cabeça um pouquinho, inalando o cheiro do cabelo dela, sentindo a textura sedosa dos pulsos dela contra o seu rosto. Ele se agitou, aproximou-se ainda mais, tão perto que os seios dela roçaram o peito dele. Esse contato fez com que um prazer intenso se irradiasse pelo seu corpo, tentando-o além do limite que um homem deveria ter que suportar, e ele inclinou mais a cabeça, tocando os lábios dela com os seus. A boca de Bella se abriu imediatamente, macia e doce como uma cereja. O fruto proibido era o mais doce, e ele, ávido por mais, intensificou o beijo. Se apenas...

Era um desejo ávido e inútil. Ele agarrou os pulsos dela, forçou as mãos dela para baixo e a empurrou firmemente para longe dele.

- Meu Deus - ele explodiu, furioso consigo mesmo por querer o que não poderia ter, furioso com ela por despertar tudo isso -, a senhorita é a mulher mais impiedosa que existe. O diabo a leve por brincar com os sentimentos dos outros!

Ele lhe deu as costas, foi até a mesa, arrancou o casaco das costas da cadeira e o vestiu, tentando não olhar para ela. Se olhasse, se tivesse um único vislumbre daquela boca deslumbrante, seria o fim da honra dele e da virtude dela. De costas para ela, Edward ajeitou os punhos da camisa, alisou as mangas do casaco e penteou o cabelo com os dedos, lutando para restabelecer a ordem no meio do caos do desejo que atacara violentamente o seu corpo.

- Desculpe-me - disse ele quando se sentiu no controle o suficiente para falar novamente -, mas tenho que ir. Estão me esperando no meu clube. Edward virou-se e, a passos largos, passou por ela e saiu da sala. Saiu da casa do irmão sem esperar que a sua carruagem fosse chamada e andou pela calçada na quente noite de julho, respirando fundo. Andou até o Brooks's Club, com a intenção de tomar um copo de vinho do Porto, comer um bom pedaço de carne e ler o Times. Mas mesmo no seu clube, cercado por todo o aparato dos honrados cavalheiros britânicos, ele ainda cobiçava o fruto proibido - ainda ansiava pelos beijos quentes e doces de uma moça italiana.


tchantchan, ate que enfim eles se beijaram neh, ja nao era sem tempo, vamos ver o que acontece daqui pra frente :D ate sexta :D