_Isso poderia te dar processo por assédio sexual, você sabia? – Santana comentou caminhando com as amigas rumo a aula de Adivinhação - _Poucas vezes vi uma situação tão auto-humilhante, você tá de parabéns, amiga. Quero ver como vai ser sua monitoria com ele hoje. Se eu fosse o beiços-de-jegue ia sair correndo com medo de você querer que ele apalpasse seus peitos ao invés das bolas de cristal.

Quinn não falou nada mas a cabeça dela latejou só de pensar que ia ter que passar uma aula inteira fingindo desinteresse nele. Depois de todo seu orgulho ter ido por água abaixo a vergonha tinha acertado ela em cheio, não sabia como iria encara-lo. Continuou seguindo em direção a sala pela escada de caracol. Puck estava lá, mas preferiu fingir que não as tinha visto. Pela primeira vez. Alguém estava com o rabo preso na ratoeira, ela pensou.

Rachel sentiu Finn observando-a. Aquilo daria mais estímulo para ela seguir com seu plano. Finn se aproximou do grupo delas, mas no momento em que chegou, Rachel se deslocou para o lado de Puck, com um bom dia tão estridente quando a cara de susto do garoto.

Quinn fez menção avançar mas Santana a puxou pelo braço. O plano era óbvio e simples, mas genial. Apenas fingir que nada anormal tinha acontecido. Finn os observou com os olhos cerrados e foi quando Firenze chegou galopando com alguns livros nas mãos.

_Bom dia, alunos, reúnam-se com seus referidos monitores/orientandos, hoje veremos...

Quinn e Sam se entreolharam e logo desencontraram seus olhos propositalmente. Quinn sentiu o rosto corar só de lembrar da cena da noite anterior, eles se aproximaram timidamente e Quinn colocou seu banco praticamente do outro lado da mesa redonda enquanto fingia ouvir as instruções do professor.

_Sa...Evans, sobre onde lhe devo minhas desculpas, eu não sei onde estava com a minha cabeça, acho que bebi demais – mentiu ela, tentando juntar os cacos de dignidade que ainda lhe restavam.

_Ah, tudo bem... você não fez nada sozinha - Sam a olhou de esguela e voltou a distanciar os olhos da garota - _Não foi nada, a gente só finge que nada aconteceu.

Fingir que nada aconteceu era o que ela estava tentando fazer desde o dia em que pegou ele se atracando com Kitty. Fingir que estava tudo bem, fingir que não se importava, fingir que ela já havia superado, fingir que continuava a mesma. Por que ele respeitava Mercedes e não a respeitou? Era óbvia a culpa contida na voz dele.

Mercedes acenou para eles mais ao longe, mandando um beijo para Sam de longe, que retribui com um tchauzinho tímido. A garganta de Quinn deu um nó e ela se remexeu no banco, segurando a bola de cristal e empunhando a varinha para recitar algum tipo de encantamento. As notas dela sempre foram das melhores, ela não aceitava notas baixas porque em sua mente tinha que ser o exemplo da sua casa. As pessoas a admiravam e queriam ser como ela por uma razão, além de ser linda e rica, e essa era sua inteligência. Poderia jurar que facilmente cairia na Corvinal se sua determinação e ambição não fossem maiores que sua inteligência. Mas a frustação a atingiu em cheio quando nem resquícios de névoa apareceram no centro do objeto. Ela tentou novamente. Nada.

_Posso tentar? – perguntou Sam, trazendo a bola para mais perto dele, que também falhou. Ele abaixou sua varinha robusta e olhou Quinn.

_Hmm... seria bom se viesse mais para perto, quero dizer, o exercício é em dupla – ele falou, observando que o banco dela estava praticamente colado ao de Santana e Brittany nas costas da garota.

_Meninos, a atividade é em dupla por um motivo... esse exercício requer a união das energias de vocês, se fosse uma atividade individual vocês estariam separados... – Quinn sentiu Firenze lançar um olhar a eles dois e retomou as anotações em sua prancheta.

Sam levou seu banco até a direita de Quinn mantendo o banco dele a dois palmos de distância do dela.

_Assim está bom para você? Digo, se estiver mais próxima da sua amiga...

_Sim, obrigada, Santana tem ótimas dicas sobre esse exercício – mentiu ela mais uma vez e Santana os olhou discretamente afirmando com a cabeça. Se tinha uma pessoa mais vagabunda que Santana em Hogwarts, ela desconhecia. A morena era do tipo de só estudar nas vésperas das provas. E olhe lá. Tinha costume de passar os dias de folga batendo perna com quem a chamasse para a farra. Ela frequentemente tinha problemas tentando explicar a ausência da amiga nas aulas, não saberia quantas vezes mais Longbottom iria engolir a doença crônica da garota. Lábia ninguém poderia negar que ela tinha. E nem deixe Quinn começar a explicar sobre os métodos revolucionários de cola. Os gêmeos Weasley estavam perdendo um talento.

_Ok, então vamos tentar de novo, certo? – Sam empunhou a varinha e apontou para a bola de cristal - _Repita o movimento comigo, certo? Não, olha, está segurando errado – ele pegou a mão dela e a pôs na posição certa, o que fez o coração dela acelerar, poderia jurar que a qualquer momento avançaria para cima dele e ficaria agarrada até alguém tira-la dali a força. Ela sentiu o rosto corar e Mercedes a perfurar com um olhar marcante, que até Sam pareceu notar e recuou.

_Aqui – Sam pegou a mão dela e apertou junto a dele, e assim repetiram o encantamento. Nesse momento a bola de cristal se encheu de névoa em uma espiral turbulenta, como um redemoinho muito intenso, os dois observaram um raio e a névoa se tornou densa, enegrecida, puderam jurar ter ouvido relâmpagos mas algo curioso aconteceu em seguida, a bola clareou e tudo o que viram foi um azul céu no centro do objeto.

_Vejo que ao menos uma dupla conseguiu, viram? Falei que a atividade de hoje não seria fácil. Parabéns Fabray, Evans... – Firenze bateu palminhas, seguido pela turma, muito menos entusiasmada que o professor. Quinn não havia percebido que segurava a mão de Sam na mesa até Mercedes lhe lançar outro olhar não muito agradável.

Fora muito difícil passar aquela manhã. Era verdade. Não se dá valor ao que temos até perder. Ela frequentemente esquecia que Sam tinha traído ela e esse fora o motivo pelo qual ela e ele tinham terminado. Mas e se... Puck tivesse algo a ver com tudo aquilo? Ele já havia feito o garoto esquece-la... Quinn se remexeu no canto, esperando as amigas terminarem a tarefa quando Mercedes Jones parou exatamente a frente dela. Uh, isso não vai ser uma conversa agradável. Logo quando elas tinham conseguido a se acertar...

_Você escuta. Eu falo. Não me conteste. – Mercedes pôs a mão no quadril e levantou o dedo - _Fique longe do Sam. Eu vi como você olha para ele, como fica perto dele, não é difícil perceber quando sua cara fica toda vermelha. Mas, pra você, ta aqui uma novidade: ele émeu.

Aquelas palavras acertaram Quinn no âmago, mas ela não deixou transparecer – ou ao menos esperava. Não sabia que tinha dado tanta bandeira quando tinha tentado ao máximo agir normalmente. Ela sorriu e ajeitou o brasão da Sonserina no peito, fingindo mais interesse em lustra-lo que em Mercedes.

_Parece que não é tão segura quando quer mostrar, Jones – ela deu um sorrisinho premeditado e forçado, tirando os cabelos dos olhos - _Acho que o Samuel é grande o suficiente para ter discernimento dos atos dele, não acha?

_Já está avisada – Mercedes cerrou os dentes.

_Está me ameaçando?

Mercedes seguiu adiante, lançando um último significativo olhar para ela. A face de Quinn corou, mas dessa vez de raiva, uma onda de ódio a invadiu. Ela tinha que resolver aquela situação, aquilo era humilhante demais. Fechou os punhos e sentiu os polegares se estalando quando fez isso. "Não vai passar de hoje" pensou ela. As pessoas não pertencem umas as outras, já dizia Audrey Hepburn. Mas Sam Evans e Quinn Fabray pertenciam um ao outro.

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Estava tudo combinado. Santana já tinha enchido os bolsos com vidros de veritaserumroubados do armário de Sue Sylvester como Helena havia indicado. Rachel passou de mãos dadas com Puck para o armário das vassouras, acenando discretamente para Santana e Quinn.

Puck parou e puxou Rachel para ele bruscamente.

_Eu não consigo parar de pensar em você, Rachel Berry, eu já fiquei com tantas garotas mas... não sei, com você foi diferente – ele começou, parecendo sério, então passou os dedos no rosto dela. Rachel sorriu nervosa, querendo desviar os olhos dele.

_Você nunca me viu firmar namoro com ninguém, né? Nem com a Quinn, mas eu firmaria com você, eu estou disposto, eu... o que sinto por você é diferente.

Pela primeira vez alguém parecia ter tirado a voz da tagarela Rachel Berry. Quinn se surpreendeu a notar que não sentiu nada além de raiva a ouvir isso, que ele não ousasse tocar em Rachel. Ele a faria mal, como fez a ela. Ela jamais permitiria isso.

De longe, Santana e Quinn viram Puck beijar Rachel. As duas fecharam a cara para a cena, desgostosas.

_Mas o que Rachel está fazendo? – perguntou Quinn, com rugas na testa, reforçando os dedos em volta da varinha.

_Estupefaça! – Santana saira detrás do bloco de pedra, acertando o feitiço perfeitamente no meio do moicano de Puckerman.

Rachel soltou um gritinho e mergulhou no solo para ver o garoto que havia desmaiado.

_Para de ser ridícula, garota! – Santana correu a passos longos pegando Puck pelas vestes e o arrastou para o armário de vassouras. Com dificuldade, ela, Quinn e Rachel puxaram o rapaz para o armário de vassouras, com grossas cordas amarraram as mãos dele e o desarmaram.

_Não faça essa cara, RACHEL! Não estou reconhecendo você – Santana deu mais uma volta com as cordas ao redor das mãos, pés e corpo de Puck, verificando se o arranjo estava firme. Pelo menos para algo aquelas aulas forçadas de escoteiro serviram.

Santana puxou o rosto dele e abriu a boca do garoto, enfiando dois vidrinhos de veritaserum goela abaixo, então Quinn deu uns tapinhas na cara de Puck e ele foi acordando aos poucos.

A primeira visão que ele teve foi de Santana e Quinn a frente dele com os braços cruzados, enquanto Rachel estava curvada ao canto e tentava desviar os olhos dele.