Sesshoumaru Pov's
Sua respiração foi ficando cada vez mais lenta e quando desmaiou já a havia pego nos braços, sabendo que em alguma hora isso iria acontecer devido ao orgulho da humana. Segurando seu corpo mole senti pequenas descargas de energia, ignorei.
Seu cheiro invadia e nublava meus sentidos, ele me lembrava às flores de cerejeira que desabrocham toda manhã em meu lar e não podia negar que, mesmo para uma humana, seu cheiro era extremamente agradável.
Ouvi um murmúrio de Rin e a observei descansando sobre as costas de Ah Un, o verme andava ao seu lado. Percebi que se continuássemos nesse ritmo acabaríamos nos atrasando, algo que este sesshoumaru detesta.
-Jaken, iremos voando._ mandei ao verme me impulsionando para frente, organizando a posição da humana e suas coisas, flutuando em seguida. Agora que não teria que esperar as humanas, planejava chegar as minhas terras em dezoito horas, chegaria em quinze horas nesta velocidade.
A curiosidade me movia, havia eras que minha genitora não me dirigia à palavra, quase trezentos anos que não nos víamos e quase trezentos e cinquenta que não nos falávamos. Isso me fazia pensar no que seria tão importante para minha genitora sair de suas terras ao Sul e viajar para o Oeste, somente para falar comigo, porém creio que já não tínhamos mais assuntos a tratar.
Voamos por cerca de duas horas quando notei a humana se encolhendo e agarrando meu kimono. De começo achei estranho, mas vi que estava muito alto e, portanto, frio para ela. Pensei no quanto deveria estar frio para Rim e diminui a altura, mas não a velocidade. Ela se encolheu em meu peito e uma sensação estranha me subiu, algo quente, que logo tratei de ignorar desviando meu pensamento para minha futura conversa.
Poucos minutos depois olhei novamente a miku em meus braços, já que não mais sentia as pequenas descargas de energia que, inconscientemente ela me lançava. Meu olhar se fixou em sua face, as caretas e murmúrios noturnos que ela fazia sempre que estava em sono profundo já haviam começado e me pus a ouvi-los atentamente, como normalmente fazia todas as noites.
Normalmente ela murmurava nomes desconhecidos, que julguei ser da era que ela veio, tinha vezes que ela murmurava o nome dos seus antigos companheiros e tinha vezes que ela murmurava o meu nome. Ela nunca sonhava as mesmas coisas duas noites seguidas, mas ela sempre sonhava com as mesmas pessoas e hoje, ela esta sonhando com meu odioso meio-irmão ou pelo menos, murmurava o seu nome.
Irritado por ter que ouvir seu nome bastardo, procurei pensar noutras coisas, como por exemplo, o modo como ela me evitou o dia todo.
Sabia que havia, de algum modo, machucado a humana por não ter dado explicações, mas essas explicações mostrariam minha fraqueza e este Sesshoumaru nunca iria admiti-las, principalmente para uma humana.
Porém é obvio que devo tê-la confundido, iludido... un, esse sesshoumaru não deveria se importar. Deve ser pelo fato de ter me rebaixado a brincar com uma criatura inferior, nunca me passaria pela cabeça se eu a magoaria e devo admitir, não gostaria de realizar o mesmo.
Tem vezes que penso, em solitário e normalmente aos banhos, no quanto ela deve ter se esforçado, para se manter por tanto tempo sem demonstrar tristeza, magoa, moleza, somente se manteve em seu "normal" por todo tempo, mesmo se estivesse exausta.
Como por exemplo, agora.
Deve ter sido de um grande esforço para manter as três barreiras por tanto tempo, uma de proteção, uma de camuflagem e outra de anulação e ainda pôde manter a de Rin mais densa do que as outras. Isso era muito cansativo, mas porque ela fez questão de manter a barreira da menor, mais densa?
"Do que será que ela queria protegê-la?" deduzi lhe encarando quando havia murmurado o meu nome e pensei nisso durante toda noite.
Já era quase dia, ela devia estar prestes a acordar, mas diferente do que sempre fazia ela abriu os olhos, me olhou por um tempo e apagou novamente. Acho que esta é a segunda vez que o faz e depois que adormeceu não murmurou mais. Nesse momento percebo que ela havia recolocado as barreiras, uma em Rim e outra ao nosso redor.
Perguntei-me como ela havia conseguido se manter de pé por tanto tempo, com as barreiras no auge ela deveria ter se esgotado em uma ou duas horas, diferente das seis horas que aguentou e agora, recolocar as barreiras... Por quê?
Somente conclui uma coisa:
"Humanos, tão peculiares" pensei vendo-a franzir as sobrancelhas e cerrar os lábios, balbicando algo que não pude compreender.
Não, nem todos os humanos, somente ela. Ela é peculiar, diferente.
.
.
.
Kagome Pov's
Quando abri os olhos já não me via mais andando e sim voando, já era dia, mas não sei que horas. Na verdade eu mal abri os olhos, somente espiei para confirmar minha suspeita: as barreiras haviam se desfeito, tratei de repô-las para depois confirmar que Sesshoumaru me carregava e, tendo certeza disso pude voltar a dormir. Não sei de onde surgiu tanto cansaço, talvez por ter mantido várias barreiras, mas meus olhos pesavam tanto que mal podia abri-los.
Quando acordei pela segunda vez já era tarde e ainda estava voando no colo de Sesshoumaru. Espreguicei-me de modo que não caísse, o que era fácil já que estava acostumada a ser carregada e bocejei procurando por Rim que estava acordada e voava alguns metros atrás de Sesshoumaru, mas longe o suficiente para que me não ouvisse.
Então somente fiquei observando a paisagem mudar e fiz isso por muito tempo, talvez ate algumas horas até me cansar e encarar um ponto fixo no queixo de Sesshoumaru. Perguntava-me se iríamos descansar ou algo do tipo, mas não disse nada ate por que eu me sinto muito desconfortável em sua presença. Principalmente quando ele me toca, me fazendo lembrar-se de coisas que eu gostaria de esquecer.
"O que o fez me beijar?" pensei e continuei lhe observando tentando encontrar alguma explicação lógica, por que sei que deveria haver alguma!
Ao notar que eu o observava há certo tempo Sesshoumaru me fita e ergue uma das sobrancelhas levemente perguntando por que eu o observava. Bom, pelo menos é o que eu acho, já que ainda não consigo decifrá-lo.
"Seria tão mais fácil se ele FALASSE!" pensei um pouco irritada, recebendo um olhar indiferente, mas curioso de Sesshoumaru. Ergui minha sobrancelha perguntando o porquê ele me encarava e ele desviou o olhar, voltei a observar a paisagem me perguntando o porquê de sesshoumaru querer viajar e o quanto ainda faltava para chegarmos ao nosso destino.
Algum tempo se passou e, de repente, um som constrangedor atingiu meus ouvidos, não pude evitar corar quando o maior voltou a me observar com uma sombra de um sorriso nos lábios.
-esta com fome?_ a voz de Sesshoumaru me despertou e logo tratei de negar.
-lie._falei o vendo ficar serio
-não minta._mandou, seu tom autoritário não teve efeito.
-lie.
-eu disse para não mentir._falou novamente, desta vez levantando meu rosto para encará-lo, como se olhar- lhe nos olhos mudasse alguma coisa.
-nã . ._ disse lentamente, pondo a prova seu orgulho e sorri vitoriosa quando ele desviou o olhar. Porem, não esperava que ele me soltasse a não sei quantos metros de altura por pura teimosia.
O choque foi tão grande que não conseguir gritar, somente ficar parada vendo o chão se aproximando e sentindo o vento em meu rosto, tão forte que chegava a machucar meus olhos. Não podia acreditar na tamanha infantilidade do youkai, me soltar para dar uma lição? Por favor! Ele vai me pegar em alguma hora.
"bom, pelo menos eu acho" pensei quase desistindo ao notar que falava pouco mais de vinte metros para alcançar o chão.
Foi quando estava a uns cinco ou seis metros de altura, quando achava que o lado sádico de sesshoumaru havia ganhado e que eu morreria daqui a uns três segundos que senti Sesshoumaru me segurando pela cintura e me erguendo em seus braços. Em nenhum momento pedi para que ele me salvasse, preferia morrer ao ter a vida salva novamente por ele.
-Eu não estou... Mais com fome._ lhe disse como se isso bastasse para lhe agradecer de me ter salvado dele mesmo.
-hm.
Quando chegamos aos outros Rim gritou, aliviada e perguntou se eu estava bem.
-Eu só me desequilibrei, não precisa se preocupar pequena._ lhe disse sorrindo e o resto da viagem foi feita em silêncio e não durou muito.
Já de longe pude ver a enorme e tradicional casa que se destacava em meio ao campo florido que a cercava. Seus muros altos contrastavam com o estilo clássico da casa, mas creio que sesshoumaru, sendo como é, prefere um pouco mais de privacidade e com uma casa tão grande isso seria um pouco difícil, vendo que qualquer um poderia vê-la num raio de duzentos metros.
Voltei os olhos para Sesshoumaru, imaginava castelos macabros, pontes com levadiças e um crocodilo, um templo obscuro, mas não uma casa ao estilo tradicional japonês. Mas quando vi seu rosto, notei que estava tenso, sua expressão parecia ainda mais fechada e seus dedos pressionavam meu corpo com um pouco mais de força que o normal.
Perguntava-me o que o fazia ficar deste jeito em sua própria casa ou o que deve ter acontecido para ele ficar desta forma, pois, se algo somente preocupava sesshoumaru, qualquer um deveria morrer de medo e pavor.
Assim que pousamos sesshoumaru me pôs no chão, Rim veio de encontro a mim me convidando para ir ao jardim principal. Não querendo entristecer a garota eu concordo, ainda preocupada com sesshoumaru. Não, não com ele e sim como que lhe preocupa.
Andamos por alguns metros e o majestoso portão, de madeira escura e totalmente talhado a mão, foi aberto por dois youkais, quando o fizeram eu notei o forte miasma que vinha de dentro dos muros, miasma que antes não era sentido. Não era maligno, era somente o conjunto de vários miasmas, de diferentes tipos de youkais.
Os dois guardas reverenciaram Sesshoumaru e olharam de soslaio para eu e Rim, quando o portão se abriu por completo pude ver a fila de empregados se formar num segundo, todos youkais. Assim que entramos todos se ajoelharam e desejaram as boas vindas a Sesshoumaru, que nada fez e pude sentir os olhares voltados para nós. Olhares de desprezo, desprezo por humanos, olhares que fizeram Rim se esconder atrás de mim e que me fizeram erguer o queixo e continuar andando. Se havia algo que eu odiava era isso, o ódio sem sentido que eles possuem dos humanos e se eles esperam que eu tenha medo, estão enganados.
Ao ver que Rin estava assustada eu parei de andar e me ajoelhei, era um absurdo Sesshoumaru não notar os sentimentos da pequena já que ele tem tanto apreço por ela!
-Ei Rim_ chamei a menor que evitava olhar para os lados e a abracei tentando escondê-la dos olhares.
-yo._ a ouvi murmurar e sussurrei em seu ouvido:
-não tenha medo querida, ninguém vai tocar em você. Eu prometo.
-mas eu não gosto do olhar deles!_ ela disse me abraçando e escondendo o rosto no meu pescoço. Passei o braço por suas costas e a segurei em meus braços, lhe erguendo e andando com ela até a porta principal.
-então fique assim ate eu dizer que pode olhar certo?_ perguntei fazendo cócegas para ouvi-la rir.
-certo haha... Para haha okaasan!_ ela gargalhou e sorri, beijando sua bochecha, passando pelos youkais como se eles não estivessem ali.
Assim que entramos na porta principal a fila se desfez, uma youkai apareceu oferecendo-se para ajudar em qualquer coisa, mas soube que a pergunta foi dirigida a sesshoumaru então fiquei quieta. Coloquei Rim no chão e lhe disse que estava tudo bem agora.
-quero que providencie roupas adequadas para as duas, ficaremos durante uma semana. Também providencie quartos para as duas, próximos ao meu.
Ele parou de falar e ela se foi, mas não antes de encarar a mim como se fosse superior. Ignorei esta ultima parte e pedi para Rim me levar ao jardim principal já que ela queria tanto ir lá. Alegre a pequena sorriu e me puxou correndo pelos corredores, nossos passos ecoavam, não parecia haver ninguém na casa. Por isso não fiquei receosa por correr com a pequena.
Ao chegarmos ao jardim principal pude ver o porquê de ser chamado jardim principal. Ele ficava no centro de toda a casa, mas quando se entrava nele você se perdia em meio à diversidade de flores e arvores ali. Vi no meio deste um pequeno lago cheio de karpas das mais diversas cores e tipos, havia uma pequena queda d'água ali, de modo que a água nunca ficasse parada. A pequena ponte que cortava o lago era o suficiente para duas ou três pessoas ficarem lado a lado nesta. Perto do lago havia diversas pedras como que, para protegê-lo.
Rim soltou minha mão e foi direto para o lado onde havia tulipas, flor que notei ser uma das suas preferidas. Ela não arrancou nenhuma, somente se sentou num banco posto no meio delas, assim como tantos outros e se pôs a admirá-las.
-Eu adoro esse lugar!_ ela exclamou me olhando sentar ao seu lado
-por quê?
-porque esse é o meu jardim!_ disse orgulhosa
-Sesshoumaru fez para você?_perguntei observando melhor ao redor, sentindo um ou dois youkais ali ou aqui, mas nunca os vendo.
-hai!
-é muito bonito, Rin._ elogiei e a menor olhou para frente. Como se tivesse perdido algo. Preocupada com sua expressão eu levanto e me ajoelho a sua frente, forçando-a me olhar.
-O que houve Rin?_perguntei e ela me olhou como se quisesse me pedir algo
-Okaasan, o senhor Sesshoumaru esta estranho-
-ele parece preocupado?_lhe cortei e ela assentiu me abraçando
-eu sei pequena_ disse e lhe fiz cafuné.
"eu sei"
Nota: Não falarei nada pois tenho medo do que irão me crucificar, então né? gostaram? o que será que a mãe do sesshy vai falar? desculpa pela demora! Meu pc só pega quando quer então quando terminei o cap não consegui postar. Bom, espero que tenham gostado do capitulo e vou tentar melhorar, somente tentar pq não posso fazer milagres!
Obrigada pelos reviews lindas, amei! Serio mesmo, eu adoro ler cada um, posso não responder(n sei responder XP) mas eu agradeço por ccada um deles!
Até a próxima.
Bjus Bjus Bye
