Vários dias depois, Mione chegou à Casa Potter pontualmente ao meio-dia, preparada para um dia de compra de vestidos. Se havia algo que ela abominava, era comprar vestidos. Sendo assim, levou reforços na forma de Mariana, que, além do amor anormal que sentia pela Bond Street, estava consumida de curiosidade a respeito da misteriosa irmã mais nova do marquês Potter.
– Nunca estive na Casa Potter! – sussurrou Mariana, animada, conforme se aproximavam da porta.
– E nem deveria – observou Mione, cerimoniosamente. – Até a chegada da irmã do marquês, este certamente não era o lugar de jovens solteiras.
"Nem de velhas solteiras, mas isso não a impedira de visitá-lo." Mione ignorou a vozinha em sua cabeça e começou a subir os degraus até a porta da frente. Antes de chegar ao topo da escada, a porta se abriu de supetão, revelando uma Juliana ansiosa.
– Olá! – disse, sem fôlego de tanto entusiasmo.
Atrás da porta, Jenkins estava de olhos arregalados, parecendo totalmente escandalizado pelo fato de a moça não ter esperado que um lacaio abrisse a porta e anunciasse a chegada das visitas. Sua boca abriu uma fração e logo se fechou, como se não soubesse bem como lidar com uma violação tão flagrante de conduta.
Mione engoliu um sorriso, certa de que o estoico mordomo não veria o humor da situação. Mariana, no entanto, absorveu a cena antes da irmã e caiu na gargalhada.
Batendo palmas de alegria, passou pelo vão da porta, pegou carinhosamente as mãos de Juliana e disse:
– A senhorita só pode ser Juliana. Sou a irmã de Mione, Mariana.
Juliana fez uma pequena reverência – a maior reverência que podia fazer sem usar as mãos – e cumprimentou:
– Lady Mariana, é uma honra conhecê-la.
Mariana balançou a cabeça com um grande sorriso.
– Podemos esquecer o "Lady". Pode me chamar de Mariana. Não vê que seremos excelentes amigas?
Juliana retribuiu o sorriso animado.
– Então a senhorita também deve me chamar de Juliana, não?
Mione sorriu diante da imagem que formavam, as cabeças já curvadas como se trocassem confidências. Atrás delas, Jenkins olhava para o teto. Mione não tinha dúvidas de que o mordomo estava com saudades dos dias em que não havia residentes femininas na Casa Potter.
Com pena dele, virou-se para as moças e sugeriu:
– Que tal partirmos?
Em instantes, haviam se enfiado na carruagem Granger e estavam a caminho da Bond Street, onde passariam grande parte da tarde. Mas, em meio à aglomeração de carruagens e consumidores, chegar ao seu destino não era tarefa das mais fáceis.
Enquanto a carruagem se arrastava, Juliana ficou em silêncio, espremendo o nariz contra a janela para ver o burburinho do lado de fora: multidões de aristocratas entrando e saindo de lojas, lacaios enchendo carruagens de caixas e pacotes, cavalheiros cumprimentando com o chapéu ao passarem por grupos de damas tagarelando.
Não havia nada como aquela rua no início da temporada.
Mione podia imaginar que Juliana fosse achar toda a experiência de fazer compras em meio à alta sociedade um tanto assustadora. Sinceramente, não podia culpá-la por isso.
Mariana pareceu sentir o nervosismo da outra jovem e tagarelou alegremente:
– Vamos começar, é claro, com madame Hebert. – E pousou a mão na de Juliana, inclinando-se para o outro lado da carruagem para sussurrar, entusiasmada: – Ela é francesa, claro, e a melhor costureira de Londres. Todo mundo a quer… mas é muito criteriosa a respeito de sua clientela. Se usar as roupas dela, vai ser o assunto da temporada!
Juliana virou os olhos arregalados para Mariana e perguntou:
– Se ela é, como diz, criteriosa, por que me aceitaria como cliente? Não tenho título.
– Ah, ela vai aceitá-la, sem dúvida! Primeiro, está fazendo todo o meu enxoval, então não vai poder recusar uma amiga minha. E, se isso não fosse o bastante – acrescentou, pragmática –, Potter, além de marquês, é tão rico quanto Creso. Ela não vai rejeitá-lo.
– Mariana! – exclamou Mione, chocada.
Mariana lançou à irmã um olhar sincero.
– Bem, é verdade!
– Mesmo assim! É vulgar discutir as finanças do marquês.
– Ah, bobagem, Mione. Todo mundo faz isso entre amigos. – Mariana dispensou o assunto com um gesto e lançou um sorriso para Juliana. – É verdade. Imagino que tenha vestido várias amantes lá.
– Mariana! – A voz de Mione ficou estridente.
Juliana riu, obtendo um olhar de advertência de Mione.
– Não a encoraje!
A carruagem parou e Mariana ajustou o laço do chapéu, amarrando-o em um ângulo elegante debaixo do queixo.
Lançou uma piscadela travessa para Juliana e saltou da carruagem, gritando de volta:
– É verdade!
E, com outra risada, Juliana juntou-se a ela e a dupla correu à frente, para dentro da loja da modista.
Mione as seguiu, divertida. Mari fora uma ótima ideia, o acréscimo perfeito para a saída – sua exuberância natural combinava com a de Juliana –, e Mione estava bastante orgulhosa de si mesma por criar uma dupla tão maravilhosa.
Harry ficaria feliz em saber que sua irmã rapidamente se tornara amiga da futura duquesa de Rivington; não havia dúvidas de que uma aliança como essa facilitaria a entrada de Juliana na sociedade. Presumindo, é claro, que ele nunca descobrisse que Mariana estava mais do que disposta a discutir os assuntos particulares dele – todos eles, evidentemente –, sem se importar com a discrição.
Mione só podia esperar que a própria irmã do marquês fosse ligeiramente mais cuidadosa com as palavras. Mari estava, é claro, certa. A maioria dos homens da sociedade londrina mantinha suas amantes bem alojadas e bem-vestidas.
O marquês não seria diferente.
Ao pensar nisso, uma lembrança veio à mente de Mione – Harry em seu quarto escuro naquela primeira noite, quando tudo havia começado, listando as coisas que dera à sua amante no final de seu relacionamento. "Você fica com a casa, as joias, as roupas."
A visão a deixou fria. Não devia ser uma surpresa, claro, mas… a pontada de ciúme que sentiu ao pensar nele comprando roupas para outra mulher foi feroz. Quantas tinha havido?
– Lady Hermione!
As palavras a sobressaltaram de seu devaneio mórbido, e ela virou-se para encontrar o barão Wesley se aproximando, do outro lado da rua. A calça justa de camurça e o sobretudo azul-escuro eram contrabalançadas por um colete carmim, que combinava perfeitamente com o castão de sua bengala e os saltos de suas botas – cujo brilho só rivalizava com o de seu sorriso largo e branco.
Wesley era o auge da moda. "Tirando o fato, claro, de ter acabado de gritar por mim do outro lado da cidade."
– Lady Hermione! – repetiu, enquanto saltitava pela rua para se juntar a ela nos degraus de madame Hebert. – Que sorte tremenda! Ora, estava exatamente pensando em fazer uma visita à Casa Granger… e aqui está a senhorita!
– Sem dúvida – comentou Mione, resistindo ao impulso de perguntar ao barão por que estaria interessado em visitar a Casa Granger –, aqui estou! – Como Wesley continuou a sorrir e não respondeu, ela acrescentou: – Está um dia adorável para fazer compras.
–Só ficou mais adorável ainda com a sua presença.
Mione franziu o cenho na mesma hora.
– Ah. Bem. Obrigada, milorde.
– Talvez eu possa tentá-la a deixar de lado as compras para tomar um sorvete de frutas.
Ele estava flertando com ela?
– Ah, não posso… Sabe, minha irmã está lá dentro. – E fez um gesto para indicar a loja da modista. – E está me esperando.
– Tenho certeza de que ela entenderia.
Ele lhe ofereceu o braço e, com um sorriso largo, piscou para ela.
Mione ficou petrificada diante do gesto. Não havia dúvida de que estava flertando com ela. Por quê?
– Mione!
Sobressaltada, Mione virou-se na direção de Mariana, que havia enfiado a cabeça para fora da porta da loja para procurá-la. Olhando a cena diante de si com um ar de absoluta incompreensão, Mari acrescentou:
– Ah, olá, lorde Wesley.
Oxford mergulhou em uma reverência extravagantemente exagerada, apontando uma bota com salto vermelho na direção de Mariana.
– Lady Mariana, é um prazer, como sempre.
Mione ergueu a mão enluvada até os lábios para esconder o sorriso que lhe escapou diante da estranha interação.
Com os lábios se retorcendo, Mari acrescentou:
– Sim, bem. Não se incomoda se eu roubar minha irmã, não é?
Wesley se aprumou e sorriu largamente.
– De forma nenhuma. Sem dúvida, este rumo dos acontecimentos servirá para tornar mais imperativo que eu vá procurar Lady Hermione na Casa Granger.
– Seria adorável, milorde – acrescentou Mione, em um tom que qualquer um, menos o barão, teria percebido ser alegre demais.
Vendo a oportunidade de escapar, subiu apressadamente os degraus até Mariana, virando-se para acenar brevemente para Wesley antes de seguir a irmã para dentro da loja.
– Não acredito que ele a fez esperar na rua! Acha que tem alguma coisa na cabeça daquele homem? – perguntou Mari, baixinho.
Mione abriu um largo sorriso.
– Além de dentes?
As irmãs riram alto enquanto se aproximavam de Juliana, que já havia atacado madame Hebert de surpresa. A modista havia claramente decidido, como Mariana previra, que fazer um guarda-roupa inteiro para Juliana seria bom para os negócios.
Logo estavam cercadas por um grupo de costureiras, várias das quais já haviam começado a medir a jovem, enquanto outras se atropelavam para pegar peças de tecidos de todas as cores e materiais imagináveis. Uma moça pequena de óculos estava empoleirada em um banquinho próximo, fazendo anotações conforme Mariana se juntava à conversa.
– Ela vai precisar, para começar, de pelo menos seis vestidos de jantar… seis para o dia, três roupas de montaria, uma dúzia de vestidos matinais, cinco para caminhar… – Ela fez uma pausa, permitindo que a assistente da modista anotasse tudo. – Ah! E três vestidos de baile. Não, quatro. Eles têm que ser deslumbrantes, claro – ressaltou Mariana, lançando um olhar expressivo para madame Hebert. – Ela tem que arrebatar Londres.
Mione sorriu enquanto observava a cena. Mariana fora, sem dúvida, a escolha perfeita para acompanhá-las. Juliana parecia inteiramente estupefata. "Pobrezinha."
Mariana olhou para Mione.
– O que eu esqueci?
Virando-se para a modista, Mione disse:
– Boleros, pelerines, capas e xales para combinar com tudo, conforme necessário… e ela vai precisar de roupas de baixo para tudo isso, é claro. E camisolas.
Juliana falou pela primeira vez:
– Não vejo por que preciso de camisolas novas. As minhas são perfeitamente aceitáveis.
– A senhorita precisa delas porque seu irmão está disposto a comprá-las – observou Mariana, pragmática. – Por que não as ter?
Juliana virou-se para Callie.
– Elas são bem mais do que preciso. Só vou ficar aqui por sete semanas.
Mione balançou a cabeça em solidariedade, entendendo de imediato o desconforto da jovem. Mal havia conhecido Harry e agora estava encomendando uma fortuna em roupas por conta dele.
Mione se aproximou de Juliana, colocando uma mão tranquilizadora em seu braço. Baixinho, para que ninguém além de Juliana pudesse ouvir, ela falou:
–Ele quer fazer isso por você. Foi ideia dele. Sei que parece extravagante… – Ela mirou os olhos claros e preocupados da jovem. – Deixe-o brincar de irmão mais velho hoje.
Após um instante, Juliana assentiu ligeiramente.
– Bene. No entanto, gostaria que os vestidos fossem em um estilo… mais italiano.
Madame Hebert ouviu de onde estava e escarneceu:
– A senhorita acha que eu pegaria um lírio selvagem e o podaria até virar uma rosa inglesa? Irá conhecer a alta-roda como uma brilhante estrela italiana.
Mione não pôde deixar de dar uma risadinha.
– Excelente. Devemos escolher alguns tecidos?
As palavras fizeram o bando de mulheres as rodearem em um turbilhão, desenrolando metros de musselinas e cetins, linhos e crepes, veludos e tafetás, em todas as cores e estampas imagináveis.
– De quais a senhorita gosta? – perguntou Mione.
Juliana voltou a atenção para a pilha de tecidos, um sorriso aturdido no rosto.
Mariana se aproximou e entrelaçou seus braços.
– Adoro esse crepe cor de amora – disse. – Ficaria lindo com o seu cabelo. – Então, voltando-se para Mione, perguntou: – E você, irmã?
Mione inclinou a cabeça na direção de um cetim verde-salgueiro e comentou:
– Se a senhorita não sair daqui com um vestido de noite nesse cetim, vou ficar muito decepcionada.
Juliana riu.
– Bem, então precisarei ter um! E gosto daquela musselina rosa.
Madame Hebert ergueu a peça e a passou para uma costureira.
– Excelente escolha, signorina. Posso sugerir o cetim dourado também? Para a noite, é claro.
Mariana apertou o braço de Juliana e vibrou.
– É divertido, não é?
A outra assentiu, caindo na gargalhada. Ela rapidamente se encantou com o processo e, em uma hora, tinha selecionado cores e tecidos para todos os seus vestidos. Ela e Mariana estavam tomando chá e discutindo bainhas e cinturas, enquanto Mione se via tateando um cetim de um azul-etéreo que havia chamado sua atenção várias vezes desde que entrara na loja. Pela primeira vez em muito tempo, estava atraída pela ideia de mandar fazer um vestido. Para si mesma.
– O tecido, ele a está chamando, non? – O sotaque marcado da modista despertou Mione de seus pensamentos. – Daria um vestido lindo. Para o seu próximo baile. Este cetim serve para valsar.
– É lindo!
Mariana havia se materializado ao lado dela, conforme a costureira falava.
– Sem dúvida! A senhorita precisa dele! – acrescentou Juliana.
Ela sorriu, balançando a cabeça.
– Obrigada, mas não tenho necessidade de um vestido assim.
As sobrancelhas de madame Hebert subiram de surpresa.
– A senhorita não vai aos bailes?
– Ah, vou… – Mione lutou para achar as palavras. – Mas não danço.
– Talvez não tenha o vestido certo, Milady. Posso dizer… se eu fizesse para a senhorita um vestido com esse tecido, com certeza iria dançar.
Jogando um retalho do tecido em cima da mesa, a francesa o manipulou por vários momentos, fazendo pregas e dobras. Dando um passo para trás, permitiu que Mione desse uma olhada em seu trabalho, que mal dava pistas de ser um vestido. Era lindo.
– Vamos aumentar o decote para exibi-la, e baixar a cintura. A senhorita se esconde no meio desses babados e pregas, como tantas outras inglesas. – Madame Hebert cuspiu as últimas palavras como se tivessem um gosto ruim. – A senhorita precisa do design francês. Os franceses celebram a forma das mulheres.
Mione corou diante do discurso ousado da costureira, mas, ainda assim, ficou bastante tentada pela ideia.
Fitando os olhos da francesa baixinha, aceitou:
– Certo. Tudo bem.
Mariana e Juliana soltaram pequenas exclamações de prazer. Madame Hebert assentiu, e começou a cuidar dos negócios:
– Valerie – chamou rispidamente, sua assistente –, tire as medidas de Lady Hermione. Ela vai querer o cetim azul-etéreo. Também vai precisar de uma capa.
– Ah, acho que não…
A modista nem olhou para Mione. Simplesmente continuou, como se ela não tivesse falado:
– A capa vai ser em cetim azul-escuro. Vamos forrá-lo com pele de chinchila. E o etéreo sai da prateleira. O tecido pertence apenas a esta dama.
Ao ouvirem isso, as moças na loja riram baixinho. Mione virou-se confusa para Mariana. Sua irmã sussurrou:
– Madame Hebert só tira um tecido de venda quando costura um vestido sem a ajuda da equipe! Mione! Que emocionante!
Mione engoliu em seco audivelmente. No que havia se metido?
Madame Hebert voltou-se para Mione.
– Três semanas.
Ela assentiu.
– E os de Juliana?
– A mesma coisa. Enviaremos para ela conforme forem sendo terminados.
– Ela vai precisar do vestido de noite dourado na quarta-feira – observou Mariana –, para a ópera.
Juliana, que estivera acariciando indolentemente uma musselina lilás que iria se transformar em um de seus vestidos para caminhar, ergueu os olhos, surpresa.
– Ela tem que estar na ópera na quarta-feira, Mione – repetiu Mariana. E então, para Juliana: – A senhorita vai comigo, claro.
Era óbvio que Mariana tinha razão. Quarta-feira era a noite de estreia no Teatro Real e o evento perfeito no qual lançar Juliana na sociedade. Ela seria apresentada o mais discretamente possível, só tendo que interagir com a alta roda antes e depois da ópera, e durante o intervalo.
Mione assentiu.
– Claro, quarta-feira é o dia perfeito.
A modista, que permanecera calada durante a conversa, falou, por fim:
– Hoje é segunda-feira, miladies. Posso terminar o vestido para quarta, mas não sem que as minhas meninas trabalhem a noite inteira.
O significado era claro. Mione sorriu. Harry a havia posto no comando. E havia dito que dinheiro não era problema.
– O irmão dela é o marquês Potter. Tenho certeza de que vai aprovar o custo.
Madame Hebert não forçou o assunto e ordenou rispidamente que duas de suas assistentes começassem o vestido de imediato. Assim que saíram, o trio partiu como um furacão pelas lojas da Bond Street e dos arredores. Após visitarem o chapeleiro, abriram caminho por uma ruazinha estreita e Juliana parou diante da vitrine de uma livraria.
Virando-se para as amigas, perguntou:
– Incomodam-se se entrarmos? Gostaria de comprar algo para meus irmãos. Para lhes agradecer a gentileza.
– Que ideia excelente!
Sem nunca ter sido alguém que dispensa uma livraria, Mione abriu a porta com um sorriso largo, fazendo um gesto para Juliana entrar na sua frente. O tilintar de um sininho recebeu as moças à loja e alertou o proprietário da presença delas.
Com um aceno delicado de cabeça, ele voltou depressa ao trabalho, e Mione e Mariana foram dar uma olhada nos últimos romances, deixando Juliana para pensar em um presente adequado para os irmãos. A moça nunca havia imaginado como podia ser difícil escolher a lembrança perfeita para Harry e Nicholas – algo que falasse aos seus interesses únicos e tivesse um significado adicional como o primeiro presente que recebiam de sua nova e inesperada irmã.
Após quinze minutos procurando, Juliana finalmente escolheu um grande livro de ilustrações de Pompeia para Nick, esperando que o amor dele pelo mundo antigo o tornasse o presente perfeito. Harry, no entanto, provou-se um desafio.
Sabia tão pouco sobre ele, tirando as longas horas que passava ao piano tarde da noite. Caminhando pela loja, Juliana passou os dedos pela lombada de grandes tomos encadernados em couro, imaginando qual poderia ser a escolha certa para o irmão mais velho. Por fim, parou, demorando-se perto de um volume alemão de Mozart, mordiscando o lábio inferior enquanto avaliava o livro.
– Se estiver procurando uma biografia de Mozart, não há nenhuma melhor do que esta. Niemetschek conheceu o maestro pessoalmente.
Juliana se sobressaltou, virando-se na direção da voz. A poucos centímetros de distância, estava o homem mais lindo que já vira. Alto e de ombros largos, com olhos da cor de mel aquecido ao sol. A luz do final da tarde que entrava pela livraria brincava em seus cachos dourados e ressaltava as linhas perfeitas do nariz reto e do maxilar forte.
– Eu… – Ela parou, a mente em disparada enquanto tentava se lembrar das regras de etiqueta para uma situação como aquela. Mione e ela nunca haviam discutido a conduta adequada quando abordada por um anjo em relação a biografias musicais. Certamente não seria inapropriado agradecer. Seria? – Obrigada.
– O prazer é meu. Espero que goste.
– Ah, não é para mim. É um presente. Para o meu irmão.
– Ah, bem, então espero que ele goste.
Ele se calou, e os dois ficaram se olhando por um longo momento. Juliana ficou nervosa com o silêncio, acabando por dizer:
– Sinto muito, senhor. Estou quase certa de que não temos permissão para conversar.
Ele deu um sorrisinho torto, enviando uma onda de calor por ela.
– Só quase certa?
– Tenho praticamente certeza. Sou nova em Londres e ainda não aprendi todas as suas regras, mas acho que me lembra de algo a respeito da necessidade de sermos apresentados. – Os olhos verdes dela brilharam.
– É uma pena. O que acha que aconteceria se fôssemos descobertos? Discutindo livros em um local público à luz do dia?
O escândalo na voz dele estimulou uma risadinha da parte dela.
– Nunca se sabe. A terra pode nos engolir inteiros por uma atividade tão perigosa.
– Bem, eu odiaria colocar uma dama em um perigo tão iminente. Portanto, vou embora, mas espero que em breve tenhamos motivo para uma apresentação adequada.
Por um curto momento, ela pensou em chamar Mione ou Mariana para fazer as apresentações, mas teve certeza de que não se fazia essas coisas. Em vez disso, piscou para o homem dourado.
– Vou esperar o mesmo.
Ele fez uma reverência profunda e partiu. O único sinal de que estivera ali era o tilintar baixo do sino acima da porta da livraria anunciando sua saída. Incapaz de se conter, Juliana andou até a vitrine, observando-o enquanto caminhava a passos largos pela rua.
– Juliana? – chamou Mione de um lugar próximo. – Escolheu seus livros?
Virando-se com um sorriso, Juliana assentiu.
– Escolhi. Acha que Harry vai gostar de uma biografia de Mozart?
Mione avaliou o título.
– Acho que é uma bela escolha.
Juliana respirou fundo, satisfeita.
– Diga-me, conhece aquele homem?
Mari seguiu a direção do olhar de Juliana, observando o homem alto e dourado afastando-se rapidamente da loja.
Franzindo o nariz, virou-se para Juliana e perguntou:
– Por quê?
– Por nada – desconversou Juliana. – Ele é… familiar.
Mari balançou a cabeça.
– Duvido que o conheça. Não consigo imaginá-lo nem se dignando a visitar a Itália, que dirá falar com um italiano.
– Mari… – interrompeu Mione, em um tom de advertência.
– Mas quem é ele? – insistiu Juliana.
Mione fez um gesto com a mão, dispensando o assunto, dirigindo-se para o balcão.
– O duque de Leighton.
– É um duque? – perguntou Juliana, surpresa.
– É – assentiu Mari, guiando a amiga para a frente da loja. – E um duque terrível. Considera qualquer um com um título abaixo do dele como inteiramente inferior. O que faz com que não tenha muitos pares.
– Mariana! Precisa insistir em fofocar em público?
– Ah, vamos, Mione. Admita que você não suporta o lorde Leighton.
– Bem, é claro que não – comentou Mione em uma voz baixa. – Ninguém suporta. Mas tento não anunciar minhas antipatias para livrarias inteiras.
Juliana avaliou a conversa das irmãs.
O duque não parecera nem um pouco desagradável. Mas também ele não sabia quem ela era. Certamente, se tivesse descoberto que era filha de um mercador…
– Há muitos como ele? Muitos que irão me descartar imediatamente só por causa de meu nascimento?
Mariana e Mione trocaram um rápido olhar, antes de Mione gesticular no ar e dizer:
– Se há, não valem o esforço. Há muitos que irão adorá-la. Não tenha medo.
– Sem dúvida – acrescentou Mari com um sorriso. – E não se esqueça de que em breve serei duquesa. E então… eles que se explodam!
– Não desejo a morte de ninguém – ponderou Juliana, preocupada.
As outras pareceram confusas por um breve instante, antes de Mione rir, percebendo que Juliana havia interpretado as palavras de Mariana literalmente.
– É uma expressão, Juliana. Ninguém vai explodir. Só significa que Mariana não vai se importar com eles.
– Ah! Capisco. Entendi! Sì. Eles que se explodam!
As três riram juntas e Juliana pagou pelos presentes dos irmãos. Depois de um lacaio ser designado para entregar os pacotes embrulhados na carruagem, ela lançou um sorriso brilhante para as demais.
– E agora?
Mariana sorriu e anunciou:
– Luvas, claro. Uma mulher não pode estrear na alta sociedade sem luvas de ópera, pode?
Oi,pessoal! Até que essa atualização saiu bem rápido, certo? Mesmo não tendo a presença de Harry, prometo que no próximo compensa!
Muito muito muito obrigada a todas as reviews maravilhosas, amei todas!
Sthefany: kkkkkkkk adorei seu comentário, ri demais kkkkkkk Esse não veio com muita animação mas espero que tenhas gostado mesmo assim e prometo que o próximo vai ter umas cenas melhorzinhas, flor, beijos!
.790: muito muito obrigada pelos elogios! Também sou louca por livros, principalmente de romances, acho que já li uns cem pelo telefone - me falta dinheiro para comprar! Pode deixar que vou continuar adaptando sim e espero sinceramente que continue gostando, é ótimo ler todas essas reviews maravilhosas :D - é tããão difícil encontrar alguém que goste de romance de época, sério, nenhuma das minhas amigas gostam, então é ótimo compartilhar minha empolgação com os livros aqui. Espero que tenha gostado da atualização, beijoos!
Midnight: kkkkkk tenho que admitir que adoro todas as cenas com os dois juntos, mas algumas são especiais e essa da carruagem é uma delas. Preciso comentar o quanto adoro esse casal? Tem uma saga da autora que se chama o clube dos canalhas que se passa 8 anos depois do ultimo livro dessa trilogia e tem uns trechos mostrando a vida dos dois que é simplesmente incrível! Mas voltando a esse livro... O próximo encontro AINDA não ocorreu mas vai ser logo, você vai ver, e pequeno spoiler? Essa lista ainda vai dar muito cabelo branco em Harry... hahaha espero que continue lendo para descobrir, flor! Beijoos :D
