CAPÍTULO 11
Êxito e Aceitação
— Vocês sabem... Só há um jeito de provarem lealdade à mim. — Grindelwald falou impassível. Nenhum sentimento exposto em suas feições duras. Tom e Abraxas realmente tinham se surpreendido ao conseguirem entrar na presença de Gellert. Eles sabiam que aquele ser era quase centenário, mas o seu rosto em nada denunciava a sua idade avançada. Alguma magia bem elaborada e poderosa o fazia permanecer com sua aparência adolescente agora. Talvez tenha sido por isso que o Ministério não tenha conseguido alcança-lo. Procuravam um velhote, e não um jovem no auge de seus dezessete anos. Gellert era um jovem loiro, altivo, os olhos azuis eram frios e distantes.
A mansão onde estava escondido agora era perfeitamente escondida no seio da floresta e estavam invisíveis por um batalhão de feitiços protetores. Um dos motivos que permitiu a entrada e aproximação de Tom e Abraxas fora a Marca Negra. A Marca que denunciava em seus corpos que ambos foram assíduos praticantes de magia negra interessou em muito a Grindelwald.
— Eu preciso de inteligência, e obviamente eu poderia contar com a mente privilegiada de vocês. Mas quero saber se vocês têm... Coragem.
Com um comando de varinha, dois bruxos encapuzados apareceram no recinto onde os magos se encontravam agora, trazendo consigo duas trouxas. Não pareciam ter mais do que quinze anos cada uma. Elas estavam extremamente machucadas e provavelmente já haviam sido torturadas de todas as maneiras hediondas possíveis. Foi com muita força de vontade que Tom e Abraxas permaneceram com as feições inalteradas. Não podiam demonstrar pena. Não podiam demonstrar fraqueza.
— Elas são trouxas, como podem ver. Trouxas imundas e imprestáveis. Não há lugar para gente desse tipo no mundo que estou construindo. — ele andou em volta dos dois garotos, avaliando-os. Grindelwald fez a sua varinha, que Tom notara imediatamente ser idêntica à varinha de Hermione que havia quebrado, rodopiar na cabeça dos dois garotos, que permaneciam ali, sem exprimir nenhum sentimento, som ou atitude. Estavam apenas parados, esperando a sentença que receberiam. Se não fossem aceitos, seriam mortos. Eles tinham consciência disso, mas naquele momento o medo não existia. Existia somente um torpor incômodo, a sensação de letargia quase paralisante. Uma luz branca saiu da cabeça de Tom, enquanto um brilho avermelhado saiu da cabeça de Abraxas.
— Você, Riddle, nunca matou alguém. A sua alma nunca foi rompida. Mas você, Malfoy, vejo que é recente... Há sangue em suas mãos. Você já esteve diretamente envolvido na morte de alguém e a sua alma está rompida. Não parece haver arrependimento em você também. — um sorriso mínimo brotou nos lábios bem feitos de Grindelwald. A primeira expressão de sentimentos, se é que poderiam chamar assim.
— Está disposto a matar novamente Malfoy? E você Riddle...? Mataria para provar sua lealdade a mim? Depois disso não haverá volta. Vocês serão meus leais seguidores e eu tenho planos grandiosos para vocês.
Os dois bruxos encapuzados voltaram a desaparecer, deixando no ambiente sombrio apenas Tom, Abraxas, Grindelwald e as trouxas indefesas.
— Vocês podem fazer isso onde e da maneira como quiserem. Eu também costumo permitir aos meus servos que eles se aproveitem dos corpos das adoráveis trouxas do modo como eles julgarem... Pertinente. Vocês são jovens garotos, e elas são apresentáveis. Talvez vocês queiram...
— Não. — Tom cortou indiferente. — Não é de a nossa índole nos contaminarmos com imundas. Com todo respeito, senhor. — ele olhou diretamente nos olhos de Grindelwald que sorriu e deu de ombros.
— A decisão é sempre de vocês. — ele assentiu.
Tom e Abraxas trocaram olhares rápidos. Levantaram as suas varinhas e apontaram para as garotas sem realmente vê-las. Não queriam olhar em seus rostos, não queriam ouvir as vozes desesperadas que imploravam por piedade.
— Ultimum Mors. — Pensaram no feitiço ao mesmo tempo sem pronunciá-lo. Uma luz verde saiu da ponta de suas varinhas indo rapidamente se alojar no coração das duas jovens. Elas caíram no chão e gritaram horrivelmente por exato um minuto até que seus olhos rolaram nas órbitas e o coração, enfraquecido pelo feitiço cruel, parou. Estavam mortas.
— Hum, que interessante. — Grindelwald aproximou-se do corpo das garotas olhando-as com um certo nojo. — Admito a surpresa. — ele as checou. Estavam realmente mortas. — Fizeram mais rápido do que eu imaginei e não usaram a famosa Maldição da Morte.
— Não gostamos do que é comum. — Abraxas pontuou altivamente.
— Onde aprenderam esse feitiço? — Grindelwald perguntou curiosamente. Ele compartilhava, em parte, da mesma personalidade de Tom. Ele sempre queria conhecer tudo.
— A Seção Reservada da Biblioteca de Hogwarts pode ser muito instrutiva, senhor. — Tom falou sorrindo cinicamente. Era o primeiro ponto do seu plano.
— Hogwarts? — Grindelwald perguntou e os garotos perceberam imediatamente a postura do bruxo das trevas mudar drasticamente. Uma centelha de sentimentos brilhando em seus olhos azuis.
— Acabamos de nos formar. — Abraxas completou apreciando a mudança na postura do bruxo.
— O velho e imprestável Alvo ainda trabalha de forma medíocre naquele castelo fétido? — ele perguntou parecendo desinteressado. Ponto para os garotos. O nome de Alvo pronunciado nos lábios de Gellert revelou aos garotos o que eles precisavam saber para dar continuidade àquela sandice. A sombra de medo passou rapidamente pelos olhos do loiro ex-aluno de Durmstrang, deixando claro que Dumbledore era sim, uma ameaça clara e viva na vida de Grindelwald.
— Ele sumiu há alguns meses, senhor. — Tom falou analisando os corpos mortos e leitosos das jovens garotas. — Pelo pouco que sabemos ninguém tem notícias dele. O senhor o conhece? — perguntou com falsa inocência.
— Muito. É um fraco sentimental. — Gellert completou saindo de sua postura nostálgica. — Se livrem dos corpos, e assim como me pediram, podem usar a sua marca Riddle. Ela estará diretamente associada ao meu nome a partir de agora. A Marca Negra indicará os avanços que os dois mais promissores seguidores de Grindelwald fizerem. Ficarei feliz em vê-la estampada nos céus de Londres. — ele riu complacente. — Agora, livrem-se dos corpos garotos. Estamos de mudança. Sejam bem-vindos ao meu exército.
Os dois jovens fizeram os corpos mortos levitarem levando-os ao lado externo da mansão. Apontaram a varinha para o céu e gritaram em uníssono.
— Morsmordre! — e no céu apareceu a caveira imensa e uma cobra serpenteando por sua boca. Agora sim. Não haveria mais volta.
(...)
O Ministério estava alvoroçado. Uma equipe de aurores havia sido informada que uma enorme caveira havia aparecido no céu ao sudoeste de Lewisham, distrito ao leste de Londres. Era o sinal. Os garotos conseguiram se infiltrar na base inimiga.
Natan Dawlish, chefe dos aurores e porta voz do Ministro, encaminhava-se com um grupo de aurores em direção à Marca Negra.
— Homenum Revelio. — Natan gritou e uma luz saiu de sua varinha girando em cima do que parecia ser nada. E ele entendeu imediatamente que o lugar tinha fortes proteções. Dawlish desfez todos os feitiços de proteção com maestria e rapidamente checaram se havia mais gente, trouxa ou bruxo, naquela mansão agora inóspita.
Não havia ninguém aparentemente vivo, mas ele não esperava mesmo que fosse tão fácil. Vários trouxas foram encontrados mortos e em estado de putrefação nas celas que jaziam sombrias e mal cheirosas abaixo da casa escura.
O auror Dawlish pretendia dar um enterro digno a eles, mas o que precisava fazer agora era certo. Dumbledore apoiava o Ministro abertamente agora. O auror, no entanto, sabia que o velho bondoso jamais pediria que dois garotos, mal saídos da adolescência, se arriscassem em um plano tão diabólico e fossem obrigados a tornar as suas almas tão sombrias quanto à de Grindelwald.
O auror Dawlish abaixou ao lado dos corpos das garotas. As veias azuladas estavam proeminentes nos rostos pálidos. Os olhos sem brilho e vida. Os machucados provavelmente não foram provocados pelos garotos, mas eles conseguiram. Conseguiram penetrar as tropas inimigas sem terem as suas almas rachadas ao meio, contaminadas com mortes deliberadas.
— Revivesco. — Dawlish apontou a varinha para a primeira garota. Imediatamente o seu coração deu uma guinada e ela puxou uma lufada de ar, arqueando o corpo para cima enquanto todo o sangue e cor voltavam a correr pelo seu corpo. A maldição da falsa morte era dolorosa, o auror sabia disso, mas era a melhor maneira de manter as almas dos garotos, dentro do que fosse possível, seguras.
(...)
— Vocês conseguem entender isso? — Dr. Doggis explicava pacientemente a situação das duas garotas à elas.
— Estamos grávidas e sequer lembramos quem são os pais. Será que o senhor consegue entender a gravidade disso?! — Minerva levantou num rompante. — E os meus poderes! Por Merlin! Não consigo sequer abrir uma maldita porta com um Alohomora, tem buracos na minha cabeça dr. Doggis! Eu sei que eu preciso lembrar-me de algo importante, e eu poderia dizer com toda certeza que o senhor sabe de tudo e não está disposto a nos contar a versão verdadeira da história.
— Eu não posso Minerva. — ele falou calmamente. — Não é seguro para vocês. Só entendam que vocês não foram abandonadas. Essa situação não será permanente. Vocês terão as suas memórias assim que for seguro. Assim que os pais dessas pequenas pérolas que vocês carregam em seus ventres puderem voltar sem que isso traga risco a vida de vocês. Vocês entendem que isso é um ato de amor? Entendem que o que eles estão fazendo por vocês, ninguém jamais faria?
Minerva deixou seu corpo cair novamente no sofá branco da sala. Tocou em seu pescoço, na jóia que estava ali, alojada no confortável espaço do vale entre os seus seios. Duas serpentes de ouro entrelaçavam-se formando um coração.
Ela puxou a mão esquerda de Hermione e analisou a aliança soltando um riso escandaloso em seguida. — Eu não acredito! Nós nos apaixonamos por dois sonserinos! — ela falou e assim que juntou as peças Hermione riu também.
— Por favor, meninas, não tentem descobrir nada. — Dr. Doggis falou cansado. — Vocês são muito teimosas. Pelo visto terei muito trabalho. — ele falou pensativo.
— Ah. O senhor parece ser sonserino também... — Hermione observou a postura rígida e dura do senhor á sua frente, mas ao mesmo tempo ele parecia adorável.
— Sou orgulhosamente um sonserino. Formei-me em Hogwarts também, mas faz muito tempo. — ele usou um olhar saudoso.
— Não vamos tentar juntar peças. — Hermione prometeu. — Não vamos buscar nada que possa trazer riscos aos nossos filhos. — Minerva acenou concordando.
— Fico grato por isso. — ele sorriu minimamente. — Bom, o elfo Dobby vai estar à disposição das senhoritas. Ele é seu Minerva.
— Eu tenho um elfo doméstico? — ela perguntou espantada. — Muito estranho. — ela suspirou, mais deixou a informação morrer sem querer aprofundar-se no assunto.
— Você deveria libertá-lo Minerva! É errado mantê-los cativos, tadinhos! — Hermione soltou a bronca e as duas grifinórias entraram numa discussão longa sobre direitos dos elfos domésticos e criaturas mágicas.
O Dr. Doggis sorriu minimamente e levantou-se do seu assento confortável sem que as garotas percebessem, pois estavam absolutamente entretidas no diálogo caloroso que mantinham. Estava agora alcançando a porta de saída do chalé branco de madeira em frente ao Green Lake. A propriedade pertencia a Abraxas. Ele comprara para si. Ele gostava de sentar-se no cais de madeira escura, colocar os pés na água fria e não fazer nada além de admirar a natureza.
O padrinho sentia o seu coração apertado pela ausência do seu afilhado. Quem iria saber como ele estava agora?
O Dr. Doggis ouviu um gemido e virou-se novamente para a sala. Hermione ficara pálida. Ele voltou a se aproximar da garota.
— Enjoo? — ele perguntou agachando-se ao lado dela e perguntando docemente.
Ela sacudiu a cabeça envergonhada. — Você irá sentir isso com frequência. — Minerva fazia um carinho nas costas da amiga. — E você também Minerva. — Dr. Doggis riu da careta da ruiva. — Eu deixei algumas poções anti-enjoos com Dobby e ele administrará na dose certa para cada uma. É normal terem sonolência e excesso de apetite também. Se precisarem me chamar para qualquer urgência, em qualquer hora do dia, podem pedir a Dobby e ele me trará aqui. O chalé está protegido e peço que não saiam do perímetro de proteção do feitiço de invisibilidade, até porque a única coisa ao redor daqui é o lago e a floresta. Se quiserem podem ir até o pequeno cais de madeira ou andar um pouco, desde que seja dentro do limite dos feitiços de proteção. Creio que isso fará bem a vocês. Ninguém sabe dessa propriedade, exceto Madame Pilpes, minha enfermeira, mas a localização está guardada pelo Feitiço Fidelius. Não há perigo.
Ele fitou o rosto confuso das garotas.
— Não se preocupem. Tudo vai dar certo... Tem que dar certo. — ele sorriu incerto e elas resolveram acreditar no velho simpático que oferecera ajuda.
Enquanto os três sorriam timidamente, um grande patrono entrou pela janela da sala, espalhando luz e calma. A águia rodopiou em volta da cabeça de Hermione e pousou em sua frente, acariciando-a com uma sensação de tranquilidade.
"E mesmo que você não lembre, eu a amo. Eu vou voltar para você, meu amor. Vou voltar pro nosso filho, para nossa família. Custe o que custar." A castanha ouviu o sussurro e a águia em patrono voou de forma rasante entrando em sua barriga e desaparecendo numa sensação de luz. Ela sentiu-se imediatamente bem.
Dr. Doggis examinou-a com feitiços de sua varinha e suspirou em alívio. O feto reagira à presença do patrono do pai e embora fosse extremamente pequenininho e não apresentasse sinais de magia, o médico pode constatar que tudo ficaria bem, ao menos por enquanto.
E nessa falsa paz e tranquilidade que o chalé Malfoy oferecia, seis meses passaram mais rápidos que um piscar de olhos.
(...)
