Capítulo 10 - Nagisa & Rei
Ele não conseguia parar de sorrir desde que entrou na casa.
Nagisa soube que alguma coisa havia acontecido pela maneira como foi recebido. Haru arrastou a porta de entrada após a terceira batida e sua expressão estava tão alterada que por um momento ele permaneceu imóvel admirando o amigo. As bochechas estavam coradas e o ar ao seu redor parecia leve, mas foram os olhos que o denunciaram e confirmaram suas suspeitas. Eles brilhavam e as nuvens que durante semanas apagaram aquele belo azul haviam desaparecido completamente.
A razão daquela súbita alteração estava na cozinha quando ele entrou na sala. Makoto o cumprimentou em voz alta do outro cômodo, desculpando-se por não poder atendê-lo naquele instante. Rin já havia chegado e estava sentado na soleira de madeira do jardim, recostado à porta e bebericando algo que parecia limonada.
"Você está atrasado, Nagisa."
"Desculpe, mas eu estava ajudando minhas irmãs com algumas coisas." Os olhos rosados correram a sala. Se Rin estava lá, isso significava que... "Onde está Sou-chan?"
"Na cozinha, com Makoto." O ruivo respondeu dando o último gole em seu suco.
"Aqueles dois se tornaram bons amigos, quem diria!"
Nagisa sorriu ao lembrar-se do começo daquela amizade. Inicialmente, Makoto manteve certa distância de Sousuke ao descobrir suas conversas parcialmente "ameaçadoras" com Haru. O convívio provavelmente o fez mudar de ideia, embora o louro não soubesse se os dois haviam sentado e debatido suas diferenças ou deixaram que a vida seguisse seu curso. O que ele sim sabia é que vê-los lado a lado parecia extremamente natural, como se fossem amigos de longa data.
"Eles conversaram, não foi?" Haru havia se dirigido à cozinha e aquela era a oportunidade perfeita para obter respostas. "Haru-chan parece tão feliz."
"Eu também notei." Rin tinha os olhos na mesma direção. "Makoto está sorrindo feito um idiota."
"Não diga isso, Rin-chan, ele merece." Nagisa sentiu-se sorrir novamente. "Ele esperou a vida inteira por esse momento."
O sorriso se desfez gradativamente até tornar-se uma fina linha. A felicidade que sentia pelos amigos era pura e genuína, porém, ao mesmo tempo o fazia lembrar-se de sua atual situação e que estava longe de ser ideal ou próxima de um final feliz. Ele sentia-se um pouco deslocado no meio dos dois pares. Parte dele queria ter ligado e cancelado o jantar, mas seria injusto não vê-los simplesmente porque não se sentia feliz. Eu preciso aproveitar cada segundo ao lado deles. Rin-chan e Haru-chan voltarão para a Austrália em algumas semanas e só nos veremos no Natal.
"Nagisa, você falou com Rei?"
A pergunta o puxou de volta à realidade com violência. Nagisa sentiu-se engolir seco e seu estômago deu voltas. Era impossível encará-lo diretamente, no entanto, Rin não era o tipo de pessoa que ficava sem uma resposta.
"Rei-chan está muito ocupado com a universidade. Nós conversaremos eventualmente." A réplica soou padronizada.
"Isso não combina com você," o ruivo levantou-se e tocou a cabeça loura, "você deveria estar feliz e gargalhando. Deixe os assuntos chatos para mim e Haru."
Nagisa o viu se afastar com o copo vazio, mas não conseguiu erguer os olhos. Seu coração havia se tornado aquecido com aquele comentário e saber que tinha o apoio e carinho dos amigos era mais do que suficiente para superar aquela fase. Eu não menti. Eu e Rei-chan conversaremos, um dia, mas nada será como antes. Eu fui rude e disse coisas que o machucaram na última vez que nos falamos. O louro sentou-se no lugar à frente de onde estava Rin e deixou que o ar fresco do fim de tarde entrasse por seus pulmões. Seus olhos se fecharam e ele nada fez além de ouvir Haru e Rin pseudo-discutindo na cozinha e desejando que aqueles dias pacíficos durassem para sempre.
A última conversa com Rei havia acontecido graças a uma oportunidade criada pelos amigos. Nagisa tinha certeza de que se dependesse dele aquela ligação não teria acontecido. Ele estava chateado, contudo, não queria desperdiçar a chance que lhe havia sido dada. Cada um deles estava preso em seus próprios problemas, mas deixaram as diferenças de lado para que eu tivesse coragem de fazer o mesmo. Encontrar o nome do amante em sua agenda de telefones nunca era tarefa árdua. Ele era seu número um, o único com um toque diferente. Entretanto, a determinação demorou alguns minutos para se manifestar e Nagisa passou aquele tempo deitado em sua própria cama, encarando as fotos que tiraram juntos na última vez que se viram e questionando se um dia voltariam a sorrir daquela forma.
O rapaz de cabelos azulados atendeu, como de costume, após o segundo toque.
Os cumprimentos iniciais foram feitos e não demorou a que seu interlocutor mencionasse o que havia acontecido e por que ele não atendera ao telefone no dia anterior. Na última ligação outra pessoa atendeu. Eu fiquei tão irritado que não atendi as demais ligações de Rei-chan. O louro conservou-se alguns segundos em silêncio até conseguir responder, não com uma explicação mas uma pergunta.
"Quem atendeu?" A pergunta foi redundante. Ele sabia muito bem quem havia atendido.
"Um amigo. Eu estava tomando banho."
A resposta definitivamente não era o que ele esperava. Seus belos olhos rosados piscaram longamente e Nagisa respirou fundo antes de continuar. A conversa que teriam em seguida seria desastrosa em vários níveis, e parte dele se arrependia de certas escolhas de palavras e frases. Eu estava muito frustrado e mais o acusei do que questionei. Em todos os momentos Rei afirmou que o rapaz não passava de um colega que morava na mesma república e que estava no mesmo curso que ele. Saber que outra pessoa tinha o privilégio de sua atenção basicamente por 24 horas foi o catalisador da briga. Entre os vários "Nagisa, por favor, vamos conversar quando você estiver mais calmo" e "Você está distorcendo minhas palavras", ele pegou-se sugerindo a última coisa que se passava por seu coração, mas a primeira a deixar sua boca:
"Nee, Rei, vamos terminar. Eu não consigo mais viver dessa forma."
As lágrimas escorriam por seus olhos, porém, ele recusou-se a ouvir-se chorar. A negativa do amante soou alta e foi a vez de Rei mostrar-se frustrado. A conversa durou poucos minutos após aquela infeliz ideia e a ligação foi encerrada sem nenhum prospecto de contato por ambas as partes. O amante suspirou e desejou um neutro "Cuide-se" antes de desligar e pouco depois Haru e Makoto chegaram ao apartamento. Rei não voltou a ligar ou enviar mensagem e Nagisa retornou a Iwatobi com o peito apertado. Tudo o fazia lembrar-se do tempo que passaram juntos e a realização de que aqueles doces momentos talvez fizessem parte do passado fez seus olhos encherem-se de lágrimas.
A presença de alguém o fez piscar e aquele instante de tristeza e reflexão passou ao avistar Makoto deixando a cozinha. O amigo vestia uma camiseta branca e uma bermuda verde escura e aproximou-se com passos curtos, oferecendo um gentil sorriso ao ajoelhar-se ao seu lado.
"Eu trouxe os refrigerantes. Mal posso esperar pelas pizzas!" Nagisa bateu palmas animado.
"Obrigado, Nagisa. Haru fez os pedidos há algum tempo, então acho que elas devem chegar logo." Makoto olhou de cima do ombro e pareceu preocupado.
"Não se preocupe, Sou-chan sabe cozinhar. E o que vocês estão fazendo? Batatas fritas?"
"Sim, Haru e Rin disseram que queriam comer batatas fritas e pizzas."
"Soa muito bom para mim! O jantar perfeito para um sábado à noite!"
O rapaz de cabelos castanhos ainda lançou alguns olhares na direção da cozinha antes de suspirar. Nagisa tocou seu ombro, demonstrando apoio moral, mas o olhar que recebeu o desarmou totalmente. Nenhum dos amigos exercia tanto poder sobre ele quanto Makoto. Um mero olhar e ele sentia-se mais uma vez como aquele garotinho cujo coração batia forte quando o via. Bem, ele foi meu primeiro amor...
Aqueles sentimentos nunca declarados só foram explicados quando eles se reencontraram. O amor que sentia pelo amigo não era romântico ou sexual, e sim fraterno. Eu tenho somente irmãs. Ele é meu irmão mais velho ideal. Por isso, todas as vezes que aqueles belíssimos e ansiosos olhos esmeraldas o encaravam com preocupação ele sentia-se afortunado por ter a amizade e o carinho daquela pessoa.
"Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa, não é?"
"Sim, eu sei."
"Em qualquer hora e qualquer lugar..."
"Sim..."
A grande mão tocou seus cabelos louros, bagunçando-os enquanto os afagava. Nagisa corou e riu ao olhar ao redor.
"Haru-chan ficará bravo se ver você fazendo isso, Mako-chan."
"Ele entenderia." Makoto sorriu, mas parou.
"Eu não entenderia," o louro encostou-se melhor à porta de madeira, "eu não gostaria de ver aquele que amo tocar outra pessoa."
"Mesmo se eu explicasse que estou tentando consolar um amigo que, embora esteja aqui, parece estar em outro lugar?"
O louro engoliu seco, abaixando os olhos e resignando-se. Quem ele queria enganar? Mesmo que todos os demais fossem cegos, Makoto era capaz de ver através de seus sorrisos e mentir para aquela pessoa era impossível.
"Eu ficarei bem, de verdade. Só preciso de algum tempo."
"Eu estarei aqui, está bem?"
Nagisa corou, antecipando o toque em sua cabeça, no entanto, ele coincidiu com a campainha e a figura de Haru surgiu imediatamente. Makoto recuou a mão antes de proceder e pelo olhar que o moreno lançou naquela direção, ao cruzar a sala, Nagisa tinha certeza de que o amigo esteve observando o tempo todo. Desculpe por monopolizá-lo, Haru-chan. Makoto se pôs de pé, avisando que iria à cozinha pegar a toalha para colocar na mesinha de centro. Rin surgiu ao mesmo tempo, avisando que Sousuke havia terminado de fritar as batatas. Nós finalmente estamos juntos. Eu preciso dar o meu melhor, embora nem todos estejam presentes.
O que aconteceu quando ele se levantou foi muito rápido para que sua mente processasse. Nagisa viu as costas de Makoto desaparecer na cozinha, Rin pegar o controle da televisão e os sons de passos apressados vindos da entrada. Os olhos rosados se desviaram e ele pensou que Haru houvesse esquecido parte do dinheiro das pizzas. Instinto o fez levar a mão até o bolso da bermuda onde estava sua carteira, contudo, assim que a tocou seu mundo parou.
Não fora Haru quem surgiu pelo curto corredor da entrada.
Aquele que havia parado no meio da sala, respirando com dificuldade e curvado à frente vestia roupa social, mesmo o verão estando no auge. Ele era mais alto e esguio do que Haru, os cabelos um pouco mais longos e durante o tempo que não se viram sua beleza havia mudado de charmosa para absolutamente tentadora. Ao seu lado, Nagisa notou o olhar de Rin, mas nenhum músculo de seu corpo ousou se mover. Isso é uma miragem. Ele não está aqui. Ele está na Inglaterra com o novo amigo...
"N-Nagisa..." A voz soou cortada pela falta de ar, entretanto, foi suficiente para lembrá-lo de todas as vezes que a havia escutado.
"Rei-chan..."
Os olhos violetas se ergueram e Rei cruzou a sala, parando à sua frente e o olhando de cima. O louro o encarou, mas não teve tempo de formular qualquer pergunta. Seu braço direito foi puxado com força e a próxima coisa que ele soube é que deixava a casa de Haru com os mesmos passos largos e determinados de sua companhia.
"Desculpe, mas eu pegarei Nagisa emprestado por hoje."
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Eu preciso me desculpar com Haru-san, Makoto-san, Rin-san e Yamazaki-san. Foi a primeira coisa a cruzar sua mente quando ele transpôs a porta e ganhou a escadaria. Seus passos eram largos e firmes, mas não tão firmes quanto os dedos que prendiam o pulso daquele que vinha um pouco atrás, acompanhando seu ritmo e mantendo a cabeça baixa. O que eu estou fazendo? Ele afrouxou a mão ao chegar à metade do caminho e surpreendeu-se ao ver a outra parte entrelaçar os dedos. Por um momento seus passos quase cessaram, porém, eles continuaram até o final da escadaria. Havia muito que ser dito e ouvido, mas não ali.
Rei abriu a porta do carro que estava estacionado do outro lado da rua e fez sinal para que Nagisa entrasse. Os dois se encararam e nada foi dito. O louro sentou-se no assento do passageiro e o veículo deslizou pela rua, deixando para trás os amigos e aquela cena que ele sabia que o assombraria por dias.
"Seu pai sabe que você pegou o carro?"
"Sim," Rei se esforçava para não encará-lo. Olhá-lo fazia seus dedos formigarem e a vontade de tocá-lo era forte demais. "Mas eu não vou te levar para minha casa. Nós vamos para outro lugar."
Nagisa não respondeu, apenas virou o rosto na direção de sua janela em uma muda aceitação de que qualquer tentativa de diálogo teria de esperar até chegarem ao destino final. O rapaz de cabelos azulados respeitou o silêncio, não somente por consideração à situação, mas por não se sentir à vontade para tratar de algo tão importante dentro do carro. Só mais um pouco. Seus olhos e atenção estavam no volante, no entanto, era impossível ignorar a consciente presença ao seu lado. Por duas vezes ele achou que Nagisa fosse dizer algo, contudo, sua companhia somente moveu-se no assento.
O hotel não ficava afastado da casa de Haru e ele estacionou próximo à entrada. O local não era luxuoso ou exuberante, apenas um prédio de oito andares que geralmente abrigava trabalhadores que faziam horas extras e não conseguiriam pegar o último trem de volta para casa. A chave do quarto dançava dentro do bolso da calça, retirada na recepção antes de sua rápida visita à casa de Haru. As recepcionistas fizeram uma polida reverência ao vê-lo passar e Rei seguiu até os elevadores, sentindo que aquele momento não poderia ser mais evitado.
"Quando você chegou?" A pergunta foi feita assim que entraram no elevador.
"Hoje de manhã," ele engoliu seco ao sentir os ombros quase se esbarrando devido ao espaço restrito.
"Você descansou?"
"Sim, dormi durante o voo."
"Bom..."
A porta abriu-se ao chegar ao terceiro andar e eles caminharam pelo corredor até parar em frente ao quarto de nº 15. O local era pequeno, com espaço somente para uma cama de casal, uma cômoda e um aparelho de ar condicionado. Havia duas portas, uma para entrada e saída e a outra para o banheiro, que seguia a metade da metragem do quarto. Uma grossa cortina omitia parte da claridade que vinha da rua já iluminada e a primeira coisa que Rei fez ao entrar foi abri-la e deixar que o ar entrasse e, com isso, esperando que os ânimos se apaziguassem.
O louro parou do outro lado da cama e ali permaneceu. A certeza de que não havia mais empecilhos para que aquela conversa acontecesse não o surpreendeu. Ele havia cruzado literalmente o outro lado do mundo para estar ali naquele exato instante. Eu praticamente invadi a casa de Haru-san e o arrastei comigo. Nagisa não fez nenhuma pergunta, apenas me seguiu. Os óculos vermelhos foram ajeitados e seus braços se cruzaram. Só havia uma maneira de começar aquela conversa e era declarando sua opinião:
"Nós não vamos terminar, Nagisa."
Os olhos rosados se ergueram e o encararam diretamente, entretanto, não houve resposta. Ao invés disso, o amante (ainda amante?) retirou seus tênis e os deixou na porta junto com as meias coloridas. Seu joelho direito apoiou-se sobre a cama e ele sentou-se.
"Você deixou a Inglaterra somente para falar comigo pessoalmente?"
"Sim."
"Entendo..." Ele esticou as pernas e tocou a roupa de cama com os dedos. "Nee, Rei-chan, vamos fazer amor."
"Nagisa, eu estou falando sério."
"Eu também. Você me trouxe da casa de Haru-chan direto para um hotel, o que acha que eu deveria pensar? E sexo é a única coisa que aparentemente temos em comum... eu acho."
"Meus pais estão em casa e os seus também. Aqui é o melhor lugar para conversarmos sem sermos importunados."
"Como você sabe que meus pais estão em casa?"
"Eu fui até lá antes de seguir para a casa de Haru-san."
A resposta pareceu atingir Nagisa de alguma forma, pois sua postura mudou. O meio sorriso que seguiu aquelas primeiras provocações desapareceu e ele ergueu o rosto. Seus olhos estavam sérios e Rei soube que eles finalmente conversariam.
"Eu não posso continuar," a voz do louro sempre foi fina e energética, características de sua personalidade. Porém, nos raros momentos em que estava bravo ou sério ela ganhava um tom pesado e muitas vezes ele parecia até mesmo outra pessoa. "Do jeito que estamos eu não posso continuar."
"Antes de eu ir para a Inglaterra nós conversamos."
"Eu sei, está bem? Mas estou dizendo agora que não posso. Você pode voltar para a Inglaterra, eu não me importo, mas não vou ficar preso nesse relacionamento."
Preso... O rapaz de cabelos azulados sentiu a pontada em seu peito e seu maxilar juntou-se com força. Ele conhecia Nagisa melhor do que ninguém e sabia que o amante muitas vezes dizia coisas que não queria simplesmente por estar de cabeça quente. Esse é um desses momentos. Ele está irritado, não deixe que isso diminua seu espírito! O mantra foi repetido mentalmente e ele precisou respirar fundo para continuar.
"Você continua me amando?"
"O quê?" Nagisa entrou na defensiva, como um gato acuado. "Do que você está falando?"
"Você quer terminar comigo porque deixou de me amar?"
"Claro que não. Eu não sou assim tão volúvel."
"Você encontrou outra pessoa?"
A resposta veio na forma de um travesseiro voador que acertou Rei em cheio no meio do rosto, sem que ele pudesse ter qualquer chance de esquivar-se. Os olhos de Nagisa estavam apertados e seu rosto absurdamente vermelho, demonstrando claramente sua indignação com aquela pergunta.
"O infiel aqui não sou eu." Ele colocou-se de pé e ainda mantendo a cama entre eles. "Não fui eu quem encontrou outra pessoa na primeira oportunidade."
"Eu não sei do que você está falando. Eu jamais faria uma coisa dessas."
"Não? Então você não estava morando com outra pessoa? O mesmo cara que vivia para cima e para baixo com você a ponto de atender seu telefone enquanto você estava no banho? No banho depois de fazer o quê? Eu não sou idiota, Rei."
Rei colocou a mão no bolso da calça social e retirou o aparelho celular.
Ao deixar a Inglaterra, ele suspeitou que aquela situação havia surgido em decorrência de um patético mal entendido. Eu sabia que deixá-lo sozinho seria um erro. Nagisatinha sérios problemas com a ideia de abandono e solidão, isso desde a época em que se separou dos amigos quando era criança. O louro sempre fez o impossível para manter todos juntos, então era de se esperar que o ingresso na vida adulta se mostrasse um obstáculo. Eu deveria ter ficado ao lado dele desde o começo.
"Eu não acredito que você vai usar o telefone enquanto conversamos." A voz tornou-se mais grossa. "Eu vou embora."
"Aqui." Rei jogou o telefone sobre a cama. "É por essa pessoa que você acha que eu te troquei?"
Seu interlocutor virou-se e demorou alguns segundos para pegar o aparelho de cima da cama e, quando o fez, o movimento foi ríspido. Quando o segurou, suas sobrancelhas se juntaram e seus dedos passaram as demais fotos com pressa.
"Esse é o Peter...?"
"Sim."
"Oh." Nagisa pousou o celular na cama com gentileza e pareceu visivelmente surpreso. "T-Talvez você tenha mudado de gosto."
"Nagisa..."
"Eu não acredito que esse é o Peter..."
Ele sentou-se e escondeu o rosto corado entre as mãos. Rei suspirou e pegou o aparelho, encarando a última foto que havia sido vista e que fora tirada no mês passado durante um grupo de estudos. O rapaz de cabelos azulados estava sentado próximo à janela e ao seu lado estava o colega de turma. Peter possuía quase dois metros de altura e era grande e forte, o esperado de um dos melhores jogadores do time de rúgbi.
"Desculpe," Nagisa ergueu o rosto e foi muito difícil não sorrir ao vê-lo corar daquela forma. "Eu me precipitei."
"A culpa não é somente sua," Rei aproveitou a oportunidade para sentar-se. O que os separavam eram poucos centímetros. "Eu deveria ter enviado uma foto de Peter antes."
"Sim, deveria!"
"Desculpe..."
"Eu também."
Partiu de Nagisa o segundo passo para aquela reconciliação e a atitude não o surpreendeu. A mão que estava sobre a cama virou-se e foi com um sorriso nos lábios que ele a recebeu e deixou que os dedos se entrelaçassem. Sentir aquele calor e intimidade novamente era tudo o que ele vinha desejando naquelas últimas semanas. Eu sabia que havia algo errado. Nagisa sempre foi uma pessoa espontânea e alegre, mas suas ligações ultimamente soavam desanimadas e tristes. Eu só precisava de uma confirmação.
"Então, o que você está realmente fazendo aqui?" O louro arrastou-se até o centro da cama e Rei fez o mesmo. "Como sabia que eu estaria em Iwatobi? Eu não confirmei que viríamos para o festival."
"Rin-san me contou." Ele não sabia se devia ou não delatar o amigo, mas não arriscaria outro mal entendido. "Ele me disse o dia que chegariam e que ficariam até o fim das férias de verão. Eu comprei as passagens no mesmo dia, mas precisei resolver alguns assuntos pendentes, por isso cheguei só agora."
"Mas... e a universidade? Você está no meio de um grande projeto, não?"
"Sim e não, falaremos sobre isso depois. O que eu quero saber é se existe mais alguma coisa tirando o seu sono." Rei havia se virado totalmente e os dois se encaravam frente a frente. As costas de sua mão tocaram as bochechas vermelhas e seus lábios sorriram. Seu amante era o mais belo do mundo! "Porque eu continuo não aceitando que vamos terminar."
"Eu também não quero isso. Não agora que sei que Peter-chan não é o seu tipo." Nagisa riu, no entanto, logo voltou aos olhos condescendentes. "Eu precisarei me acostumar à distância. Confesso que te ver aqui depois de todo esse tempo apenas me lembrou do quanto eu te amo e como senti sua falta. Prometo que me esforçarei para não deixar a solidão vencer."
Rei entreabriu os lábios, mas calou-se. O momento certo para continuar aquela parte da conversa chegaria e talvez não fosse naquele dia. A pequenina distância diminuiu quando ambos se aproximaram e o beijo foi ensaiado antes de efetivamente acontecer. Os dois riram e, quando os lábios se encontraram, ele sentiu o mesmo arrepio do primeiro beijo. A mão esquerda tocou o rosto de Nagisa e as línguas se misturaram. Rei inclinou um pouco a cabeça, deixando que as bocas se encaixassem e sentindo-se relaxar. Meses sem tocar aquela pessoa soavam como alguém perdido no deserto e que finalmente tinha a chance de beber um copo d'água.
A carícia foi longa e sem sinal de que acabaria tão cedo. Os lábios se moviam sem pressa, já que sabiam que não havia lugar mais importante do que aquele simples quarto de hotel. Nagisa moveu-se, ficando por cima e fazendo-o abrir os olhos devagar, o suficiente para vê-lo sentar-se sobre seu colo.
"Não acha que estamos indo rápido demais?" Sua voz estava rouca e ele tinha plena consciência de que o louro sentiu a reação de seu corpo. "Nós teremos todo o tempo do mundo para isso." Não que eu esteja surpreso. As conversas com ele sempre terminam na cama...
"Eu sei e é por isso mesmo." Nagisa retirou a camiseta que vestia e Rei engoliu seco ao ver a pele branca como a de uma boneca de porcelana e os mamilos pequenos e rosados. Quantas vezes ele não fantasiou com suas lembranças? Das noites passadas em sua casa após as aulas, sem os pais e amando aquela pessoa tão intensamente que a fez perder a consciência várias e várias vezes? "Eu estou privado de sexo há mais de seis meses e você está deliciosamente tentador, Rei-chan."
"Eu sou o mesmo de antes." Ele sorriu, ainda que suas mãos tenham subido até a cintura nua do amante, contornando-a e pressionando aquele pequeno corpo para baixo.
"Eu gosto do seu novo penteado."
"O cabelo cresceu e eu passei a penteá-lo para o lado para que a franja não caia em meus olhos." Rei riu. Ao contrário do ensino médio, seu cabelo agora batia na altura das orelhas e estava sempre perfeitamente arrumado. Aquele penteado o deixava mais sério, contudo, ele não se importava.
"É muito erótico." O louro corou e tocou as próprias bochechas com as mãos. "Me faz querer fazer coisas pervertidas com você, Rei-chan."
Rei suspirou e aquela foi a resposta que Nagisa esperava. A quem ele queria enganar? O quarto de hotel não foi escolhido somente para ser um lugar de conversa. Conhecendo o amante, ele deduziu que se tudo terminasse bem o louro jamais deixaria passar uma oportunidade como aquela. Ele sempre foi o mais sexual entre nós. Eu gosto de sexo, mas ele ama isso. No ensino médio, quando algum desentendimento surgia eu tinha certeza que depois de resolvermos o problema acabaríamos sem roupas.
"Na cômoda. Eu coloquei dentro da cômoda."
Nagisa saiu de cima de seu colo e arrastou-se até a cômoda, abrindo-a e retirando o tubo novo de lubrificante e a caixa de preservativos. O meio sorriso foi acompanhado por olhos sedutores e que deixavam claras suas intenções.
"Por quanto tempo você reservou o quarto?"
"Até às nove da noite... temos mais umas três horas," Ele respondeu e automaticamente o telefone que estava em cima da cama lhe foi entregue.
"Diga que sairemos somente amanhã de manhã, não, amanhã à tarde."
O rapaz de cabelos azulados arrepiou-se, entretanto, acatou a ordem prontamente, enquanto sua companhia retirava o celular de dentro da bermuda e ia para perto da janela. A ligação foi rápida e a atendente da recepção agradeceu pela preferência, avisando o valor a ser pago no dia seguinte. A ligação de Nagisa durou quase o mesmo tempo e ele retornou à cama somente depois de fechar um pouco a cortina e criar um clima reservado no quarto.
"Eu avisei minha mãe que dormirei fora." Ele deixou os dois celulares sobre a cômoda e aproveitou para livrar-se da bermuda.
A visão o fez corar, mas não o deixou tímido. Nagisa subiu na cama e Rei o puxou para baixo, ficando por cima e admirando aquela bela pessoa. Ele está excitado. A perfeita ereção parecia presa embaixo da roupa de baixo roxa. Sua boca encheu-se de saliva, desejando devorar aquela pessoa completamente. O louro subiu as mãos, desabotoando os botões da camisa branca e deixando que as pontas de seus dedos corressem pelo peitoral.
Um novo beijo confirmou aquele momento, porém, dessa vez houve menos gentileza e mais desejo. Rei gostaria de envolvê-lo devagar, saboreando cada segundo daquele precioso reencontro, mas infelizmente seus hormônios não compartilhavam aquela ideia. A privação de qualquer contato físico o deixou desejoso e ouvir Nagisa gemendo entre seus lábios por um simples beijo foi o bastante para que o bom senso fosse deixado de lado. Nós teremos tempo para nos amarmos propriamente. Agora eu apenas quero estar dentro dele, vendo-o completamente bagunçado e chamando meu nome todas as vezes que o penetro.
Os lábios se afastaram e Rei arrastou-se para baixo. A pálida pele estava arrepiada e o pré-orgasmo formava uma pequena mancha molhada na roupa de baixo. Seus dedos tocaram o sexo do amante, masturbando-o por cima do tecido e ouvindo os gemidos e gruídos que Nagisa não fazia questão alguma de esconder. Rei umedeceu os próprios lábios antes de permitir que sua língua subisse pela trêmula ereção, parando na ponta e a mordiscando com seus dentes. O louro afastou as pernas, demonstrando que havia aprovado a carícia e o rapaz de cabelos azulados não deixou aquela oportunidade passar, descendo a roupa de baixo e praticamente engolindo o membro.
Nagisa levou as mãos aos lábios, lutando para não deixar que suas reações fossem muito extremas. Rei sentia o sexo em sua boca e, embora não houvessem feito amor nos últimos meses, ele jamais se esqueceria das preferências do amante. O corpo inteiro de Nagisa é sensível, mas eu sei o que ele mais gosta. O tubo de lubrificante foi aberto e ele depositou uma quantidade mediana na palma da mão antes de passá-la em três de seus dedos. Dois deles tocaram a entrada e a invadiram sem dificuldades, e então Nagisa já não conseguiu omitir sua voz.
O gemido soou tão erótico que Rei precisou respirar fundo ou simplesmente o invadiria ali, sem nenhum preparo ou gentileza. Eu não sou assim. Eu sou uma pessoa calma e composta. Ele me deixa louco. Aquela era a preliminar que Nagisa mais gostava, o que o fez questionar como o amante havia lidado com aquela distância. Fantasiar com o louro brincando com o próprio corpo durante sua ausência era definitivamente de tirar o fôlego.
Ele o preparou da melhor maneira que seu desejo permitiu, mas só parou quando sua companhia confirmou que estava pronto. Seus dentes abriram um dos preservativos às pressas e Rei não se deu ao trabalho de se livrar do restante das roupas, abrindo o zíper da calça social e colocando o preservativo. Nagisa parece menor. Ele engoliu seco ao erguer o quadril, deixando que seu membro deslizasse pela entrada e só parando quando estava completamente dentro. O louro moveu-se na cama e mordeu as costas da mão direita, tocando seu sexo e tornando aquela visão mais interessante.
Rei retirou os óculos, colocando-os ao lado e segurando as pálidas coxas antes de começar a se mexer. A incrível sensação que percorreu seu corpo nos primeiros movimentos era indescritível. Nagisa estava deliciosamente apertado e suas reações eram tudo o que ele precisava para se excitar. Ele sempre esteve em minha mente nos momentos solitários, mas nada se compara a tê-lo em meus braços.
Seu corpo pendeu à frente e as pernas do louro se cruzaram ao redor de sua cintura. Os olhos rosados se abriram e o beijo trocado aconteceu no ritmo das estocadas. As mãos que apertavam suas costas eram possessivas e com aquele pequeno gesto Rei entendeu que levaria algum tempo até que Nagisa esquecesse completamente aquela experiência ruim. Tudo mudará quando conversarmos novamente, eu sei. As reações eram moderadas, visto que eles estavam em um quarto de hotel cujas paredes certamente não abafariam todos os gemidos. O carpete que forrava o quarto omitia qualquer barulho que a cama pudesse fazer, dessa forma, ele não poupou energia em seus movimentos, preenchendo-o e esperando que compreendesse o quanto era amado.
Nagisa foi o primeiro a se render, apertando a roupa de cama e permitindo que Rei o visse por inteiro. O corpo do amante havia se condicionado a fazer amor, e ele conseguia chegar ao orgasmo sem precisar se masturbar o que, para o rapaz de cabelos azulados, sempre era agradável de observar. O modo como ele se contorcia sobre a cama, a pele avermelhada e a forma como sua ereção era apertada pelos músculos... era difícil acreditar que ele havia ficado tanto tempo longe daquela pessoa.
Seu próprio clímax aconteceu após alguns minutos e foi preciso muita concentração para não cair sobre Nagisa. Eu me sinto exausto... Ele retirou-se devagar, desfazendo-se do preservativo e rolando para o outro lado da cama enquanto respirava com dificuldade. Sua companhia moveu-se e ele sentiu-se observado, até virar o rosto e retribuir o olhar. Não foi necessário frase ou palavra para definir o que sentiam naquele momento. Eu gostaria que pudéssemos ficar assim para sempre. Rei sorriu ao vê-lo se arrastando sobre ele, e ajeitou-se melhor na cama, colocando um dos travesseiros em suas costas e subindo a roupa de cama para omitir parcialmente a nudez do amante.
"Nagisa..."
"Desculpe, Rei-chan..." Os olhos rosados se abaixaram. "Eu menti para você."
Ele engoliu seco e seu coração pulou uma batida. Uma infinidade de possibilidades passou naquele breve segundo diante de seus olhos e o medo de que Nagisa houvesse sido infiel durante esses meses foi aterrador.
"Eu... estou ouvindo."
"Naquele dia, antes das aulas terminarem, quando você disse que pretendia ir para a Inglaterra, eu menti." O louro ergueu o rosto e sua expressão era uma mistura de vergonha e relutância. "Eu não queria que você fosse! Eu não sabia o que fazer. Era o seu sonho, e eu achei que era meu dever te incentivar e tentei, juro, eu tentei ficar feliz, mas não consegui. Eu nunca quis que você fosse embora."
Rei suspirou, tocando os fios dourados e sentindo-se o homem mais sortudo do mundo. Seus dedos passaram entre as mechas e aquele momentâneo medo derivado de ideias absurdas desapareceu completamente.
"Eu pretendia ter essa conversa outra hora, pois achei que seria muita informação para uma única ocasião, mas você não me deixa escolha." Ele pediu os óculos que estavam próximos e os colocou. "A verdade é que eu gostaria que você tivesse me parado. Quando disse que pretendia ir para a Inglaterra, meu desejo naquele momento foi que você tivesse me pedido para ficar. Mas isso não importa mais."
"Não...?" Nagisa levantou-se um pouco, apoiando as mãos sobre a cama. Sua expressão tornou-se preocupada.
"Não é o que você está pensando, tolo," Rei o puxou novamente para perto e sorriu. "Eu estou voltando para o Japão. Era isso o que eu queria conversar com você, mas não gostaria que fosse por telefone."
"Você está falando sério?" Os olhos rosados brilharam. "Quando? E para onde?"
"Infelizmente não agora, mas no próximo ano. Eu terei de refazer algumas matérias, mas eu não me importo. E estarei próximo, já que o prédio de Física é ao lado do seu."
O rapaz de cabelos azulados precisou lutar contra as emoções que tomavam conta de seu ser. Eu ensaiei essa notícia muitas vezes na frente do espelho.
"Sabe, quando fui para a Inglaterra eu disse a mim mesmo que era apenas por um tempo, que os meses passariam e então nos veríamos em breve. Eu estava errado. Durante esse ano nos vimos poucas vezes e não foi suficiente. Percebi que realmente seriam somente meses, mas esse tempo eu estaria longe de você. Não poderíamos compartilhar sucessos e nos consolarmos nos momentos difíceis. E eu não quero isso."
"Mas aquele curso é o que você sempre quis, Rei-chan, eu vou sentir como se tivesse atrapalhado seu sonho."
"Eu posso estudar em qualquer lugar, mas só posso estar com você aqui e isso eu não troco por nada. Seu amor não tem preço, Nagisa."
"Rei-chan..."
"O apartamento onde você mora é pequeno. Eu estava pensando em escolhermos um lugar maior, o que acha?"
"V-Você está sugerindo que devemos morar juntos?!" Rei conseguia ver até borboletas ao redor do amante e seus olhos pareciam brilhantes estrelas.
"Se você não tiver objeção..."
"Nenhuma!" Nagisa segurou suas mãos e as bochechas se tornaram absurdamente rubras. "Eu quero, muito!"
"Então estamos conversados."
"Eu amo a ideia, Rei-chan, e aproveitando a oportunidade para falar de novidades boas... Mako-chan e Haru-chan estão finalmente juntos, como um casal!"
Os olhos violetas se arregalaram devagar e a notícia parecia ainda mais fantástica do que a sua reconciliação.
"Q-Quando?"
"Por esses dias. Antes de você entrar como um furacão na casa de Haru-chan, Mako-chan estava me contando." O louro moveu-se e o lençol escorregou por seu corpo, deixando à mostra parte de seu quadril nu, o que era uma sedutora distração. "Muitas coisas aconteceram na sua ausência, Rei-chan. Muitas coisas tristes. Eu me esforcei para ajudá-los, mas não era a mesma coisa. Com você por perto eu tenho certeza de que tudo será, se não mais fácil, mais suportável."
"Mas Haru-san e Rin-san retornarão para a Austrália no final do mês, não? O que acontecerá?"
"Eu não sei, de verdade." Os dois se olharam e suspiraram. "Mas eu tenho a sensação de que tudo ficará bem."
"Então eu também vou acreditar nisso."
Rei inclinou o rosto o suficiente para que o amante encontrasse seus lábios no meio do caminho. O beijo foi intenso e ele só precisou de um leve movimento para trazer Nagisa para o seu colo. Nós temos a noite inteira pela frente... e amanhã... Suas mãos desceram pelas costas magras, contornando o quadril e encontrando a entrada. Os dedos entraram com um pouco de dificuldade, mas ele sabia que o lubrificante do preservativo seria o bastante.
"Não é justo que eu seja o único sem roupa, Rei-chan..."
Os dedos pálidos o ajudaram com a calça, que desceu junto com a roupa de baixo. A camisa escorregou por seus ombros e seu amante a jogou charmosamente para trás. Nagisa abriu o preservativo e fez questão de colocá-lo sobre a ereção, voltando a posicionar-se sobre o colo e mostrando que aquela seria a posição desejada. Seu corpo sentou-se devagar e, apesar de terem acabado de fazer amor, ele continuava apertado.
"Nee, Rei-chan," o louro segurou seu rosto com as mãos. Sua face estava corada e seu sexo esbarrava contra o abdômen. "Você consegue imaginar nós dois fazendo amor todos os dias? Na nossa cama, na nossa casa?"
Rei tirou uma mecha que caia sobre os olhos rosados, sorrindo com aquele pequeno vislumbre de futuro. Mas é claro que eu já imaginei nossa vida juntos. Seus lábios tocaram os de Nagisa, beijando-os de leve antes de depositar um casto beijo em sua testa. Ao chegar à orelha esquerda, ele permitiu-se esquecer momentaneamente sua timidez e declarou-se mais uma vez, fazendo questão de transformar em palavras todos os seus mais sinceros sentimentos. Nagisa o abraçou, e o seu "Eu te amo" soou baixo e rouco, embora as lágrimas não conseguissem ser omitidas. Eu me imagino ao seu lado desde a primeira vez que nos vimos, Nagisa.
Continua...
