Estávamos no quarto de Lupin, deitados em sua cama - abraçados um ao outro - enquanto ele brincava com uma mecha do meu cabelo que caia sobre meu ombro. Não tínhamos feito nada demais, apenas nos beijamos e fomos caminhando em direção ao quarto, nos jogamos na cama e os beijos continuaram, mas não passou disso.

-Pensei que quisesse conversar. - A voz dele despertou-me de meus pensamentos e eu o fitei.

-É, eu também.

Lupin riu com gosto e então se levantou, eu reclamei um pouco e ele achou mais graça ainda. Definitivamente eu sou motivo de piada pra esse cara. Mas tudo bem...

-Saiu mais cedo do trabalho?- Ele perguntou enquanto eu apoiava minha cabeça em suas pernas.

-Mais ou menos...- Suspirei cansado, não estava muito afim de falar sobre aquilo. - E você?Não devia estar trabalhando também?

-Faltou luz na escola, então as aulas da tarde foram canceladas.

Ergui um pouco o rosto, olhando diretamente para Lupin. Queria perguntar porque vinha evitando as minhas ligações e que história era aquele de ser casado. O problema é que me faltava coragem de dar início ao assunto, então, resolvi apenas ser eu mesmo e deixar de lado toda aquela frescura ao se iniciar um assunto delicado.

-Por que tem evitado minhas ligações, Lupin?- Ele não esboçou reação alguma, continuava a me olhar com aquela calma e serenidade de sempre.

-Andei ocupado, Sirius, me desculpe. - Lupin começou a brincar com as mechas de meu cabelo, tinha um olhar perdido e um sorriso tímido nos lábios. Eu sabia que havia algo mais, provavelmente com a esposa dele, mas pelo visto ele não queria me falar.

-Entendo... -Eu ainda continuava a olhá-lo.

Ficamos um bom tempo nos olhando e trocando pequenas carícias, às vezes ele esboçava um sorriso e eu idem. Nunca pensei que isso pudesse ser tão bom. Não eram necessários palavras ou toques ousados para me sentir bem perto dele, apenas aquele olhar e o sorriso inocente me faziam viajar em pensamentos e desejar que aquilo nunca acabasse.

Mas daí eu comecei a pensar e algo me preocupou. Nunca havia sentido o que eu sentia e nessa intensidade por ninguém, nunca eu me entreguei tão fácil para alguém...Será que ele me correspondia?Deus, nunca fui homem de temer se era correspondido ou não, afinal a resposta era sempre a mesma: fato que eu sempre era correspondido.

Sabem, acho que nunca fui rejeitado em minha vida, nunca precisei correr atrás de ninguém. Tá certo que um certo charme, retorno de algumas ligações e envio de flores podiam ser considerados como correr atrás de alguém, mas não pra mim. Aquilo tudo fazia parte de uma conquista, e quando eu percebia que já havia conquistado e não tinha mais o que saber da pessoa, eu cansava e partia pra outra.

Eu não sabia nada de Lupin, eu não sabia onde ele morava antes de nos conhecermos, nem qual era sua cor favorita, muito menos que ele tinha uma esposa!Eu sentia como se ele soubesse tudo de mim, que não houvesse mais nenhum mistério, nem segredo, que eu era apenas mais um na vida dele...

-Sirius?- Novamente fui arrancado de meus pensamentos.

-Hn?

-Eu sinto muito, mas você tem que ir embora.

Ele tinha um sorriso triste nos lábios e um olhar meio perdido, e eu não conseguia entender por que eu deveria ir embora se aquilo estava tão bom!Lupin pegou minha cabeça gentilmente e retirou de seu colo, levantando-se da cama e saindo do quarto. Fiquei deitado, esperando ele voltar, mas logo me levantei e segui-o.

-Algum problema?- Entrei na cozinha e ele estava servindo-se de um pouco de chá, eu acho.

-Sirius, você não pode ficar aqui, ok?- Lupin deu um gole em sua bebida, ele estava de costas pra mim, com as mãos apoiadas no balcão.- E muito menos entrar em minha casa já me beijando!

Aproximei-me dele ficando ao seu lado, apoiei uma das mãos no balcão e outra na cintura. Era agora que eu ia tirar aquela história a limpo!

-Por causa da sua esposa?- Meu tom de voz não saiu dos mais simpáticos, mas acho que transpareceu um pouco do ciúme que eu sentia. Espera!Ciúme?Deus...

Lupin pegou novamente o copo pronto para dar um gole em seu chá, mas quando me ouviu mencionar a esposa ele voltou-se rapidamente para mim com ar de surpresa. Acho que por essa ele não esperava. Pálido, ele depositou o copo na bancada e desviou o olhar, sem falar nada.

-Responde, Lupin.- Ele ainda não me olhava, comprimia os lábios de vez em quando, parecendo bolar uma resposta.

-Como sabe de Dora?

-Lily.

-Lily?

-Lily.

-Lily?

-É!Lily!Aquela ruiva pode ser uma gracinha, mas não consegue manter a boca fechada!Eu sempre falo que ela não presta, mas ninguém acredita... - Comecei andar pela cozinha gesticulando, Remus sorriu discretamente, aquela conversa estúpida pareceu descontraí-lo um pouco.

-Sem dúvida ela não contou com a intenção de fazer fofoca... - E novamente aquele clima estranho instalou-se no local. - Sobre Dora...Sirius, eu...

-Hey, não é como se você tivesse que me contar tudo da sua vida.

Hn, nessa hora me deu uma vontade louca de fumar. Discutir relação é algo estressante e que requer muitos neurônios, ou seja, preciso fumar um cigarro que seja para poder continuar nessa árdua e trabalhosa tarefa!

-Eu sei, mas sobre ter uma esposa acho que era necessário, não?- Remus andou até uma pequena mesa, próxima a saída da cozinha, puxou uma cadeira e sentou-se.

-Bom, não seria a primeira vez que eu faço papel de amante... - Ele riu, puxei também uma cadeira e me sentei.- Se quiser te compro flores e depois fazemos sexo selvagem

-Sirius!- Dessa vez foi minha vez de rir, ele ficou realmente sem graça com meu comentário. Podem imaginar o quão vermelho e sem jeito ele ficou?

-Que foi?Não gosta de flores?

-Idiota!

Rimos durante alguns minutos antes de voltarmos ao assunto que me interessava: A esposa dele. A princípio Remus pareceu um pouco desconfortável ao falar sobre aquilo, e sem saber porque, entrelacei meus dedos aos dele, pra ajudá-lo a seguir com a história. Não que fosse algo realmente traumático ou um grande segredo.

-Dora e eu nos conhecemos na faculdade, ela estava começando e eu terminando. - Ele deu uma pequena pausa e um sorriso fraco apareceu em seus lábios, ele não me olhava. - A primeira vez que nos vimos foi no corredor, durante um intervalo das aulas... Ela estava atrasada, como sempre, e carregando milhões de livros!Não preciso nem dizer que tudo veio ao chão, né?

Esbocei um sorriso ao imaginar a cena, a menina realmente devia ser atrapalhada. Mas se eles se conheceram quando ele estava terminando a faculdade ele deve ser bem mais velho ela, não?Se bem que ele não aparenta ser velho, apesar dos fios brancos. Aliás, acho isso muito sexy.

-Daí, quando eu vi, estava vivendo um romance proibido. Eu já havia me formado e trabalhava na faculdade e ela, bom, ela era minha aluna... Não demorou muito e eu a pedi em casamento, não me pergunte por quê!Acho que era carência, sabe, nunca fui uma pessoa que atraísse muitos olhares...

-Queria poder dizer que entendo, mas sempre atraí muitos olhares. - Ele riu, e me deu um leve tapa no braço. Hn, que vontade de fumar...

Eu sei , eu sei, e isso lá é hora de pensar em fumar?O rapaz está ali, se abrindo comigo e eu estou pensando em cigarro... Mas o que posso fazer?Já disse que não presto.

-Bom, nos casamos, vivemos um paixão avassaladora e...E agora estamos prestes a nos divorciar e com um filho a caminho.

Ah, divórcio e um filho... Filho?!Ok, isso só pode se brincadeira, tá certo que eu nunca fui muito bom pra saber com quem me envolver, mas além de casado ele será pai?Pai!?Definitivamente eu não me dou bem com crianças!Se eu gosto delas?Claro, assadas e com batatas tá ótimo!Eu não suporto aqueles seres em miniatura que requerem tanta atenção... Eles me lembram a mim mesmo!E de Sirius Black já basta um!

É, eu preciso de um cigarro. Como eu segurava uma das mãos de Remus, com a outra procurei por meu maço no bolso da minha blusa social branca, porém lembrei-me da última discussão que o cigarro causou e que eu não estava nem na minha casa e nem na casa de James, ou seja, nada de fumar.

-Hn, e agora?- Nada me veio à cabeça, eu realmente precisava de um cigarro.

-Bom, eu já assinei os papéis do divórcio. Espero que Dora faça o mesmo. -Ele suspirou pesadamente e me olhou sorrindo, como sempre. - Você quer fumar, né?

Eu não precisei dizer mais nada, ele levantou-se e me puxou pela mão até a varanda do apartamento. Não era muito grande mais o suficiente para ter um pequeno sofá com lugar para duas pessoas e um vaso se planta bem no canto. Eu realmente estou amando esse cara, ele até sabe quando eu quero fumar e ainda me arranja um lugar!

-Obrigado.

Peguei um cigarro do bolso e dei aquela tragada. Deus, como algo tão bom pode ser tão perigoso?Mas é como dizem: O que não mata, engorda. Bom, sexo não engorda, só espero que não mate se não tô ferrado.

-Sabe, Nymphadora foi minha segunda namorada.- Remus apoiou-se na grade da varanda e ficou a observar os carros passando na rua, eu fiz o mesmo.

-Segunda namorada e você já a pediu em casamento?!Se eu fizesse o mesmo estaria casado desde os quatorze!

-Sirius, se você ainda não percebeu eu sou gay. - Bom, isso eu percebi quando estávamos lá em casa, e quando eu cheguei aqui e começamos a nos beijar. É, eu também sou gay... Ainda vai demorar pra eu me adaptar a esse novo estilo de vida, sabem?- Namorei a primeira menina e descobri que era gay a partir daí só namorei homens.

-E como veio se apaixonar por ela?- O cigarro em meus dedos já estava pela metade e eu nem senti.

-Essa é uma boa pergunta, só sei que aconteceu. E agora...Bom, a paixão acabou e eu me envolvi com você.

Foi só naquela hora, em que eu ouvi Remus dizer "e eu me envolvi com você " que eu me toquei que estávamos tendo uma relação, afinal. Aquilo fez meu estômago revirar e eu não sei por quê. Um lado meu estava feliz por ele estar levando a sério, ao menos era o que parecia, nossa relação. Mas por outro lado...

-Lupin, não se apaixone por mim. - Por mais que me incomodasse dizer aquilo, era verdade. Eu tenha um péssimo hábito de me apaixonar muito depressa e depois abandonar a pessoa. Eu não queria fazer isso com ele. Eu não quero.

-Não é como se eu tivesse escolha, não é?

Eu olhei pra ele, sinceramente não sabia o que dizer. Realmente não escolhemos por quem vamos nos apaixonar, mas era a primeira vez que alguém me dizia aquilo. Eu sei que não foi nada demais, mas, a forma como ele falou, a simplicidade. É como se ele não se importasse caso ele viesse a se apaixonar por mim.

-Não vale a pena. - Suspirei pesadamente e peguei outro cigarro. - Eu vou acabar te machucando no final.

-Sirius, não existe relacionamento sem conflitos. E mesmo que você me machuque no final, não vai mudar o fato de que eu gosto de você.

Não acendi o cigarro, apenas fiquei olhando-o enquanto ele falava. Remus não me olhava, tinha os olhos fechados, parecendo aproveitar a leve brisa que corria naquela tarde. Ele então abriu os olhos e me encarou, aproximou-se de mim e tirou o cigarro de minhas mãos, jogando-o fora. Colocou seus braços entorno do meu pescoço e aproximou seus lábios dos meus.

-Sabe... - Ele disse num sussuro, eu podia sentir seu hálito quente mistura-se com o meu.- Você falando assim, parece que tem mais medo de se machucar nessa relação do que me machucar, Black.

-Eu não tenho medo... -Sussurei também, não conseguia desviar meus olhos dos dele. Era como se eu estivesse hipnotizado.

Ele deu um pequeno sorriso e me beijou, mas não foi um beijo de língua, apenas o juntar dos lábios mesmo. Abracei-o pela cintura e tentei aprofundar o beijo, mas ele não deixou, afastando levemente o rosto.

-Algum problema?- Sussurei tentando beijá-lo novamente.

-Me diz você. Por que faz tanto drama?Por que tem tanto medo de se entregar, Sirius?

-Lupin...

Remus me olhava esperando uma resposta que eu não sabia ao certa qual seria, mas eu diria que não tinha medo, o que era verdade!Infelizmente nossas atenções voltaram-se para o barulho da porta sendo aberta.

-Remus?- Alguém o chamou.

-Oh, Deus, Dora... - Ele sussurrou enquanto afastava-se de mim e dirigia-se para a sala de estar.

Quando cheguei à sala os dois conversavam normalmente, mas logo o assunto morreu quando ela me viu. Confesso que me surpreendi com os cabelos daquela menina. Era rosa!Rosa pink, se é que existe essa maldita cor. Sem falar que ela aparentava ser mais nova que Remus. Perguntava-me quantos anos ela devia ter.

-Dora, esse é um amigo de Lily, Sirius.- Remus estava um pouco desconcertado, não era pra menos. Apresentar seu amante para a esposa não é algo muito normal.

-Prazer, Sirius!- Ela sorriu de forma encantadoramente irritante, tanto quanto sua voz, e apertou minha mão. Não pude deixar de sorrir de volta, por educação, claro.

Nymphadora - me recuso a chamá-la de Dora - olhou pra mim de cima a baixo. Acho que ela já desconfiava de algo, afinal, com aquele nervosismos todo, Remus denunciava que alguma coisa não estava sendo contada. Ela jogou sua bolsa no pequeno sofá da sala e me olhou com um sorriso, essa menina parecia ser bem animada e feliz. Não parava de sorrir!

-E então, Sirius, deseja alguma coisa?Um copo de água, refrigerante...?

-Não, obrigado.

-Quem sabe o meu marido?

Acho que agora é a hora perfeita pra deixar o local. Remus olhava surpreso para a esposa e ela me olhava com cara de poucos amigos, mas por ser tão novinha parecia criança quando faz birra. De fato essa menina era animada e feliz demais pra conseguir demonstrar qualquer outra coisa que não fosse com aquele sorriso besta de felicidade.

-Nymphadora!

-Remus, não me chame de Nymphadora!

-Do que quer que eu a chame?!-Ele respirou fundo. - Isso é coisa que se fale?!Sirius é um amigo!

Eu passei as mãos pelos cabelos e respirei fundo, Nymphadora continuava fazendo biquinho e com a testa franzida, olhei para Remus e depois para a mulher a minha frente e me despedi dos dois. Remus ainda tentou argumentar algo, mas achei melhor ir embora mesmo.

-Eu falo com você depois, Sirius.- Concordei com um leve aceno de cabeça e sai do apartamento, descendo as escadas e indo para rua. Antes de entrar no carro ainda olhei para cima, para o apartamento de Remus. Por que diabos aquele chiclete ambulante tinha que aparecer?!

Entrei no meu carro, e acendi um cigarro. Tinha saído do trabalho para relaxar e acabei me estressando novamente... Por falar em trabalho, o que será de mim amanhã quando eu aparecer no estúdio?Sinceramente?Eu não estou nem aí!Quero mais que o mundo se exploda. Decidi ligar para James e convidá-lo pra tomar umas cervejas, ele aceitou, e logo eu estava me dirigindo para o bar que sempre freqüentávamos.

Ia ser uma noite longa...

yeah, esperem já vem mais por aí! e agradeço as menina que se ofereceram pra serem minha beta!XD entrem em contato ou sei lá e vamos conversar!como eu sou uma anta pra me comunciar com as pessoas traves dos recurso do existem esse tais recursos, né?XD) add no MSN ok? capítulo chato, mas necessário, estamos chegando ao final dessa nossa emocionante aventura baseada em fatos reais.

beijinho nas crianças e não se estraguem,

K.