Capítulo IX

Bella falou sem parar durante boa parte da viagem, principalmente durante a última hora. Da mesma forma que no dia anterior, ela ocupou o lugar da frente, na montaria, e segurou as rédeas para que Edward continuasse a "ensiná-la a cavalgar". Ele até afirmou que ela não precisava mais de aula, que havia se saído muito bem na primeira vez, mas ela insistiu que estava ansiosa para ter seu próprio cavalo, e ele acabou cedendo em continuar as lições por mais um para que a esposa adquirisse confiança.

Por ironia, meia hora depois de terem iniciado o trajeto, a sessão noturna de costura somada ao balanço do cavalo causaram-lhe uma sonolência irresistível e, sem se dar conta, ela adormeceu. Edward procurou aninhá-la no peito e deu um jeito de tirar as rédeas de suas mãos ao perceber que ela começava a soltá-las, deixando-a dormir.

Bella só foi acordar bem no final da tarde e ficou consternada de não ter conseguido se manter acordada, com as rédeas firmes na mão, para evitar que o marido tivesse de usar as mãos machucadas. Determinada a não dormir novamente no resto da viagem, ela começou a conversar, dizendo qualquer coisa que lhe viesse à cabeça par ficar acordada. Edward decidiu fazer uma parada par um novo pernoite.

Bella estava não somente aborrecida por imaginar que o marido encararia o fato de ela ter adormecido na sela como mais uma fraqueza, mas também se sentia um tremendo fracasso. Falhara como esposa ao soltar as rédeas e lhe restava desejar que as mãos do marido não tivessem sido mais prejudicadas por isso. Essa noite ela deixaria a costura de lado para dormir bem e estar acordada para a jornada do dia seguinte. Receava, contudo, que não seria fácil depois de ter dormido o dia todo. Sentia-se agora completamente acordada e impaciente para fazer alguma coisa. Pena que o marido tivesse uma idéia contrária.

Observou entediada o vaivém dos criados para montar o acampamento. Bem que ela gostaria de ajudar, mas Edward havia sido explícito de que ficasse "sentada", não admitindo contra-argumentação. Em princípio, ela não se importara, pois lady Cullen se sentara ao seu lado para descansar da viagem. Mas, assim que as tendas foram erguidas, a sogra a deixara para arrumar a que compartilhava com o marido. Quando ela se propôs a fazer o mesmo na sua, Edward reiterara a ordem de que ficasse sentada e pedira a Alice que arrumasse a tenda. Pouco depois, ele que estivera mergulhada nos próprios pensamentos, sorriu ao vê-lo.

— Sua criada acabou de arrumar a tenda — disse ele. — Quero que você descanse até que a comida esteja pronta.

— Mas...

— Vá! —insistiu.

Hesitou por um momento, depois se levantou. Como tivesse dormido durante quase todo o trajeto, ela não participara da refeição que eles haviam feito no meio-dia e agora estava faminta. Também precisava atender às suas necessidades fisiológicas, mas o marido não parecia disposto a ouvir palavra alguma. Resolvendo que dava para esperar, se dirigiu à tenda.

— Já fiz a cama, caso a senhora queira descansar, milady — comentou Alice, solícita.

— Dormi o dia todo, não estou cansada.

— Sei disso, mas lorde Edward parece preocupado com a senhora. A senhora está se sentindo bem, milady?

— Estou ótima, é que passei a noite toda costurando. Não tinha essa intenção. Esperava parar quando meu marido chegasse, mas ele não apareceu e quando me dei conta já era de madrugada.

— Bem, tenho certeza de que ele ficará contente quando ganhar as roupas novas.

— Espero que sim — disse, animando-se com essa perspectiva. Ele certamente acharia bom ter roupas em ordem. E, ao lhe dar o presente, ela teria a oportunidade de explicar o motivo de seu cansaço e talvez fazê-lo entender que não era tão frágil como ele imaginava. A idéia fez com que resolvesse trabalhar novamente nas roupas. Decidida, foi até a arca para pegar o trabalho iniciado.

— A senhora dormiu o dia todo e não comeu o pão e o queijo que lady Cullen nos serviu ao meio-dia. Quer que eu busque um pedaço? Tenho quase certeza de que sobrou um pouco dos dois.

— Quero, sim. Vá buscar, por favor — ela aceitou, fechando a arca e dirigindo-se à cama com os calções que havia começado a costurar na noite anterior. Estariam prontos em uma hora, pensou, e depois, antes de se deitar, começaria a túnica. Calculava que acabaria os dois em uma ou duas noites mais.

Já costurava havia algum tempo quando Alice voltou, trazendo queijo, pão e uma maçã. Ela colocou tudo ao lado da sua senhora, comentou algo sobre as coisas que haviam ficado na carruagem e perguntou se poderia ir ajudar Irina.

Sem prestar muita atenção ao que a criada dizia, Bella concordou com a cabeça e continuou a costurar, parando de vez em quando para dar uma mordida nos alimentos que ela havia lhe trazido. Ela ainda trabalhava quando, horas depois, Rosalie apareceu, trazendo uma tigela de sopa.

— Sopa? — Bella perguntou, surpresa, pegando a tigela.

— Tia Tânia usou aquela panela preto que sua mãe mandou com você. Ela até pediu a Alice que lhe perguntasse se não tinha problema...

— Ah, sim —murmurou, lembrando que a criada havia comentado alguma coisa quando lhe trouxera o queijo e o pão.

— Tia Tãnia achou que seria mais fácil para Edward se alimentar se pudesse beber alguma coisa direto da tigela.

Bella assentiu com a cabeça, lamentando não ter tido ela mesma essa idéia. Era uma esposa pouco atenciosa.

— Aliced também deveria ter lhe perguntado se você se importaria de emprestar as tigelas — disse Rosalie, notando que Bella ficara pensativa.

— Claro, não há problema. — A mãe também havia mandado seis tigelas. Todas feitas sob encomenda com as iniciais dos nomes do marido e dela. Só que havia muito mais do que seis pessoas no grupo. — Como os demais estão comendo?

— Os homens estão comendo coelho assado de novo. Tia Tânia fez a sopa só para a família porque não havia tigelas suficientes para todos — a menina explicou.— Foi Edward quem sugeriu que eu trouxesse um pouco para você para que não precisasse sair da tenda e continuasse a descansar. Você estava cansada demais hoje.

— Não dormi muito a noite passada —respondeu vagamente.

— Será que você terá condições de viajar amanhã? Só pergunto porque Edward está preocupado que você adoeça e...

— Estarei bem. Aliás, estou bem. Apenas não dormi muito e por isso estava cansada. Mas hoje vou dormir mais cedo.

Rosalie parecia não acreditar muito nela, mas aquiesceu com a cabeça e, voltando o olhar para o tecido preto no colo de Bella, perguntou.

— O que você está costurando?

Olhou para o tecido e sorriu.

— Resolvi fazer uns calções e uma túnica para Edward. As roupas que ele está usando estão em péssimo estado. Foi por isso que estava cansada hoje. Ontem à noite, eu estava com o estômago um pouco embrulhado e não conseguia dormir, daí comecei a costurar. Quando me dei conta, já havia amanhecido — ela explicou, levantando as peças para mostrar. — Você acha que ele vai gostar?

— Nossa, vai adorar — começou Rosalie, arregalando os olhos e tocando no tecido.

Bella sorriu satisfeita.

— Espero estar com as duas coisas prontas em mais uma ou duas noites.

— Não vá estragar sua vista de tanto trabalhar no escuro. Aliás, você precisaria ter uma outra vela aqui.

Olhou para a vela que repousava sobre a arca. Tinha uma vaga lembrança de ter visto Alice entrar e acendê-la, mas não poderia precisar em que momento.

— Só uma basta — ela murmurou, agradecendo a preocupação da jovem.

— Bem, pelo menos coloque-a um pouco mais perto de você para não forçar tanto os olhos. — Rosalie tirou a vela da arca e a colocou no chão perto da cama. — Assim está melhor. Bem — ela se levantou e sorriu para Bella —, agora eu vou tomar minha sopa. Quando terminar volto para pegar e lavar sua tigela. — Prontificou-se, caminhando até a aba da tenda. — Espero que você tome toda a sopa.

Observou a garota sair da tenda, com um sorriso nos lábios. Rosalie era um encanto e era interessante como se esforçava para que fossem amigas. Os olhos se detiveram na sopa e ela deu um suspiro. O cheiro estava ótimo, mas não tinha fome alguma depois de comer o que a criada lhe trouxera. Só não queria ofender a sogra ou melindrar Rosalie devolvendo a tigela cheia.

O olhar se moveu para a entrada da tenda que ficara entreaberta. Podia ver as pessoas reunidas em torno da fogueira no centro do acampamento. Colocando a costura de lado, ela pegou a tigela e se pôs em pé. Edward nunca trocara uma palavra sobre higiene pessoal e, muito embora ele tivesse insistido para que ela pedisse permissão antes de ir a qualquer lugar sozinha, isso certamente não incluía cuidar de suas necessidades fisiológicas, como encontrar uma moita adequada para essa finalidade. Seria muito constrangedor ir procurá-lo para pedir que alguém a acompanhasse até a floresta.

Não, disse a si mesma, esse tipo de coisa não estava incluído naquela ordem. Além disso, aquilo que ele não soubesse, ao o magoaria, e ela saberia muito bem cuidar de si, sem preocupá-lo.

Uma vez decidida, pegou a tigela, saiu rapidamente da tenda e deu a volta por trás. Estava escuro longe da fogueira, e ela não tinha idéia do caminho que levaria ao rio, uma vez que o marido não a levara até lá. Ainda assim, entrou no bosque, abrindo passagem entre os galhos das árvores até achar que estava a uma boa distância da tenda. Parou e despejou no chão todo o conteúdo da tigela, sacudindo-a bem para que não sobrasse nem uma gota de sopa. Colocou a tigela vazia no chão e tratou de suas necessidades pessoais. Pegou os dois lados da barra da saia levantou-a até os quadris para se agachar. Assim que se agachou, porém, soltou surpresa um grito de dor e imediatamente se levantou, esfregando a mão no traseiro. Acabara de se agachar sobre um arbusto de urtiga.

Meio assustada, ela deu vários passos adiante, tateando com cuidado para ter certeza de que se agacharia em um lugar mais seguro e, dessa vez, não houve incidente algum.

Necessidades atendidas, ela começou a voltar para a tenda, parando ao se lembrar da tigela. Como a escuridão tomasse conta de tudo, ela considerou retornar para pegá-la na manhã seguinte, mas ficou com medo de não conseguir localizá-la mais. Além disso, Rosalie dissera que voltaria para buscá-la para lavar. Como explicaria que a perdera? A garota perceberia que ela não havia tomado a sopa e ficaria magoada.

Dando um suspiro profundo, procurou volta para o lugar onde havia parado primeiro e se ajoelhou para tatear ao redor. Seus dedos logo tocaram na sopa. Resmungado, ela enxugou a mão no capim e continuou a busca; mexeu na urtiga.

Não, aquela não era sua noite de sorte, pensou exasperada, esfregando com a mão boa os dedos machucados; tentou mais uma vez e, por sorte, encontrou a tigela, levantado-se aliviada.

Ainda bem, disse a si mesma ao se aproximar da tenda, não havia sido tão difícil assim. Parando atrás da tenda, ela primeiro deu uma espiada par se certificar de que ninguém estivesse olhando, depois deu a volta e entrou correndo, dando um suspiro de alívio.

Colocou a tigela no chão próxima a cama, pegou a costura e olhou aborrecida para a irritação nos dedos, examinando a mão enquanto se instalava na cama. No entanto, quando se sentou, deu-se conta de que não eram somente os dedos que haviam tocado a planta.

Gemendo de dor, ela rapidamente ajoelhou-se e largou a costura, levantando a parte de trás da saia na tentativa de ver o estrago que a urtiga havia feito. É claro que, por mais que tentasse e se virasse, não conseguiu ver coisa alguma. Ao passar, entretanto, a mão pela nádegas, pôde sentir os vergões na pele. Abaixou a saia com um suspiro desanimado. Aparentemente o marido estava certo de não querer que ela andasse por ali sozinha. Suas nádegas ardiam, os dedos de sua mão direita ardiam e ela devia ter se ajoelhado sobre a sopa, pois havia um pedaço de carne grudado na saia de seu vestido, na altura dos joelhos.

Colocou a carne na tigela, tirou a costura do caminho e se deitou de lado. Levou mais de uma hora para que as irritações da pele se acalmassem. Costurar naquela noite estava fora de questão.

Ela pensou que seria melhor assim. Estava de qualquer modo decidida a dormir um pouco. Lucraria mais com isso, disse a si mesma. Ainda assim, sentia-se deprimida com a própria inabilidade. Era duro pensar que não conseguia nem mesmo cuidar de suas necessidades sozinha sem ter problemas.

— E então? — Edward perguntou, assim que Rosalie voltou da tenda.

— Ela está dormindo — explicou a jovem. — Fiquei em dúvida se deveria acordá-la...

— Não, fez bem e, não acordá-la — Edward concordou.

Ele havia pedido a Rosalie que convidasse Bella para se juntar a eles, se ela estivesse se sentindo melhor. Sacudiu a cabeça e empurrou com a ponta da bota um pedaço de madeira para dentro da fogueira.

— Ela comeu alguma coisa? — Ele ouviu a mãe perguntar e viu Rosalie estender a tigela quase vazia.

— Comeu tudo, exceto esse pedacinho de carne.

— Acho que ela está mesmo só um pouco cansada por causa da viagem — a mãe ponderou.

— Ela dormiu na viagem o dia todo e ainda está dormindo —contra-argumentou. — Acho que ela está doente.

— Tenho certeza de que sua esposa está bem, Edward — insistiu lady Cullen.

A expressão da mãe não o enganava. Apesar disso, ele encerrou o assunto. Mas internamente, a história era outra. Ele sabia que a esposa era muito frágil e que teria de tomar muito cuidado para que chegasse em casa sã e salva. Uma vez lá, sem as dificuldades da viagem, ela melhoraria.

Isso aconteceria em cerca de três dias. No fim do dia seguinte, chegariam a Hargrove. Depois disso, seriam mais dois dias de viagem. Na verdade, de Swan a Cullen eram somente dois dias de viagem, mas haviam desviado caminho para ir buscar o escudeiro. Ele havia sugerido aos pais que fossem direto para casa, levando a maior parte dos homens. Ele e Bella ficariam então somente com alguns acompanhantes, mas a mãe não quis nem ouvir falar sobre isso. Ela queria estar por perto para trocar suas ataduras e certificar-se de que ele não causaria ferimentos nas mãos.

Lançando um olhar à tenda, decidiu que Bella continuaria em seu cavalo no restante da viagem. Dessa maneira, ela poderia descansar e preservar o pouco de forças que tinha.

O canto dos pássaros fez com que Bella endireitasse o corpo e olhasse pela entrada da tenda e visse o dia amanhecendo. Ela havia costurado a noite toda novamente. Por causa de seu contato com a urtiga, conseguira tirar uma soneca. Fora o tempo suficiente para se sentir recuperada da irritação no traseiro. Depois de dormir o dia inteiro, não sentia o menor cansaço. Pegara então a costura, dizendo a si mesma que só trabalharia um pouquinho e depois dormiria novamente. Não dormiu. A costura progredia tão bem que acabara se esquecendo da hora.

Tinha certeza de que durante o dia se arrependeria de não ter dormido, mas naquele momento estava muito contente de ter terminado os calções e de ter adiantado bem a túnica. Mais uma noite e acabaria a túnica também.

Contente por imaginar o prazer que o marido iria sentir ao receber o presente, Bella endireitou as costas. Estava dolorida e levantou-se devagar. Devia ter mudado um pouco de posição; pagava agora o preço por ter ficado sentada horas e horas na mesma posição.

Dobrou a túnica inacabada e guardou os calções na arca, reafirmando que não tinha importância que o marido novamente a tivesse deixado sozinha na tenda. Não estava muito convencida disso, porém. A vida de casada parecia-lhe muito mais solitária do que imaginara.

Dando um suspiro profundo, caminhou até a entrada da tenda para olhar para fora. Bastara se levantar para sentir novamente a urgência de urinar. Por sorte, não havia movimento algum nos amontoados de homens em volta da fogueira. Ninguém dava sinal de estar acordando... o que lhe parecia bastante conveniente.

Seu olhar se voltou para o bosque ao redor e ela julgou avistar um lugar protegido do outro lado do acampamento. Provavelmente era o que levava ao rio, pensou, contemplando uma vez mais os corpos adormecidos em volta do que havia sido uma fogueira.

Tivera dificuldade de se localizar na noite anterior por causa da escuridão, mas à luz do dia não teria problema. Ainda debatendo consigo mesma os prós e os contras de ir sozinha, ela saiu da tenda e caminhou resoluta para o lado que julgou ser o caminho do rio. Andou por vários minutos até encontrar uma pequena clareira. Olhou ao redor um pouco confusa. Não havia rio algum à vista, mas bem em frente a ela começava uma nova trilha. Embora indecisa, cruzou a clareira e começou a descer pela nova trilha que se tornava mais estreita à medida que caminhava. Acabou concluindo que não levava a lugar algum.

Depois de uma pequena hesitação, Bella resolveu atender primeiro aos apelos da natureza e depois voltar pelo mesmo caminho. Caminhou até a pequena clareira e parou. Deu-se conta de que havia duas trilhas à sua frente e não tinha certeza qual das duas a levara até ali. Achou que fosse a da direita, mas as duas ficavam muito próximas e talvez fosse a da esquerda. Seguindo sua primeira intuição, ela seguiu pela da direita, dizendo a si mesma que se não fosse o caminho certo, retornaria e pegaria o outro. Entretanto, ao procurar voltar, andou por um bom tempo antes de achar uma clareira, que lhe pareceu menos do que a de onde havia saído.

Julgando estar imaginando coisas, Bella pegou a trilha da esquerda e seguiu novamente em frente. Dez minutos mais tarde teve de admitir que estava perdida. E o que era pior, como o sol já havia aparecido completamente, não tinha esperança alguma de que o marido ainda estivesse dormindo. Ele certamente já havia dado pela falta dela. Estava a ponto de se sentar e de chorar. Tivera uma boa quota de problemas ultimamente. Parecia o destino lhe avisando de que o casamento estava fadado a não dar certo. Limpando as lágrimas que lhe escorriam pelo rosto, respirou fundo e olhou ao redor da clareira onde se encontrava. Ela em nada se parecia com as outras duas em que estivera antes. Escolheu então um caminho a esmo.

Havia andado uns quatro metros quando, ao virar uma curva, ela quase derrubou uma pessoa. O alívio de encontrar alguém que pudesse tirá-la do bosque durou apenas o instante de descobrir quem era a pessoa que ela quase derrubara e o que ela estava fazendo. O homem que praguejava pela indesejada interrupção era seu sogro, lorde Cullen... seria muito bom tê-lo encontrado não fosse pelo fato de ele estar ali pelo mesmo motivo de ela ter saído da tenda.

— Oh! — Bella exclamou, afastando-se rapidamente em respeito à privacidade do homem. Entretanto, pouco depois ela se deu conta de que ele era sua única esperança de retornar ao acampamento antes que o dia acabasse. Indecisa sobre o que fazer, ela parou e esperou por ele.

— Desculpe se eu a assustei, querida — ele falou sem-graça. — Pensei que fosse a única pessoa acordada, senão teria me afastado mais do acampamento.

Como havia caminhado por mais de meia hora, não conseguia imaginar quanto mais ele precisaria andar para se afastar do acampamento. Entretanto, não teceu comentário algum, apenas sorriu para o sogro, torcendo para que a sombra das árvores escondesse todo o seu rubor e constrangimento diante da situação.

— Meu marido ainda não acordou? — ela perguntou esperançosa, acertando o passo com o de Carlisle.

— Ele ainda dormia quando saí do acampamento, mas... — o sogro parou de falar ao ouvir o som provocado por alguém andando rapidamente pelo bosque. Sacudindo a cabeça, ele concluiu: — desconfio que é ele que está por aqui agora.

— Bella! — Edward apareceu bem em frente aos dois, parando de súbito a alguns passos deles ao vê-los. — Ah, você está aí! Fiquei com medo de que tivesse se perdido no bosque. Eu não lhe disse que não andasse sozinha? Você poderia ter se perdido.

— Eu... —ia se justificar, mas ele a agarrou pelo braço e retomou o caminho para o acampamento. Mal haviam dado uma dúzia de passos quando saíram da mata e entraram na clareira.

— Eu não estava nada longe do acampamento — disse ela, espantando-se com os sons de conversa e da movimentação de pessoas, tão logo deixaram o bosque.

— Você estava perdida — Edward a acusou.

Bella torceu o nariz por impensadamente ter se traído. Precisava realmente pensar antes de falar.

— Talvez estivesse um pouco — admitiu —, mas encontrei seu pai e fiquei tranqüila. Além disso, não fui até o rio. Só precisei fazer... umas coisas. Coisas urgentes que você não se preocupou de me ajudar ontem à noite quando chegamos.

— Você não me disse que precisava aliviar suas necessidades — Edward justificou-se, parecendo contrariado com o tom de voz dela — E você não poderia ter ido até o rio simplesmente porque não estamos acampados perto de um rio hoje.

— Não? —perguntou surpresa. — Então como vamos nos lavar?

— Não vamos nos lavar aqui; devemos chegar em Hargrove ao anoitecer e poderemos nos lavar lá.

— Ah... — Ela deu de ombros, pois não se importava de se sentir suada por causa da viagem, o que gostaria mesmo era de se banhar no rio. Além disso, depois dos incidentes da noite anterior, seria mais seguro tomar banho em Hargrove.

Voltando-se, Bella começava a caminhar em direção à tenda, mas foi retida pela mão do marido em seu braço.

— Bella?

— Sim? — ela virou-se para encará-lo.

— Se você precisar fazer... usar o buraco... basta me pedir. — Edward tentou corrigir a situação. — Aliás, qualquer coisa que você precise, é só me pedir e eu farei o possível de arrumar para você — ele continuou. — Você sabe, não dá para ler o que se passa na cabeça dos outros.

Ela piscou várias vezes antes de responder. Ele não podia ler sua mente. Claro que não podia, mas esperava que de alguma forma ele lembrasse que todos têm suas necessidades.

— Está bem, marido — disse num suspiro.

Aparentemente satisfeito, Edward virou as costas, hesitando por um momento em frente do pai.

— Vou dar uma volta no bosque.

Bella franziu as sobrancelhas ao ouvir o tom alto e um tanto tenso com que Edward disse essas palavras, às quais o sogro revidou no mesmo tom:

— Então vou com você, filho.

Perplexa, ela observou os dois se afastarem, depois balançou a cabeça e foi para a tenda para recolher as coisas. O marido queria partir assim que todos tivessem tomado o desjejum. O trabalho também a ajudaria a espantar o sono. Começava a se sentir cansada e teria um longo dia pela frente. Precisaria conversar bastante com Edward para que a viagem fosse menos maçante, e talvez assim, também conseguisse se manter acordada. Era o que faria.


N/A: Heyyy people!

Mais um capítulo dessa maravilhosa estória.

Adoro esse Edward que apesar de ver como a mulher é desastrada, sempre quer proteger ela! :D

E obrigada pelos comentários pessoal.

Eu sei q os cap não são em geral muito longos, até pq é meio do livro, mas só assim pra eu conseguir postar todos os dias!

Obrigada por todas reviews e até amanhã! beijos