11

Depois que os monegascos deixaram nossa casa, meus pais resolveram me importunar sobre meu namoro relâmpago com Ricard. Foi uma fase bastante difícil, fiquei muito grata de que minhas aulas já estavam para recomeçar, e assim, ficando a maior parte do tempo longe deles, evitaria afundar em mentiras, coisa que a todo custo tentava evitar. Zechs era quem nunca me perguntava nada. Realmente, era essa uma reação que eu não esperava.

Meu primeiro dia de aula foi bastante estranho também.

–Como você pôde fazer isso, Relena? –Tess foi logo me perguntando, irritada.

–O quê?

–Ah, e ainda age como se fosse tudo fútil!

–Mas foi, Tess... Bastante fútil na verdade. –e eu ria da cara de revoltada de minhas amigas. Sim, tudo não passou de uma triste futilidade.

–Eu não consigo entender... –Tess murmurou, confusa ainda. As outras meninas comentavam sobre as manchetes nos tablóides. Eu tudo ouvi com calma. –Não, eu nem acredito na imprensa! –Depois Tess se justificou. Ela estava intrigada com alguma outra coisa que não tinha relação com as mentiras espalhadas.

–Qual é o problema então? –eu perguntei, interessada e um tanto curiosa.

–Se você não gostava de Ricard, porque aceitou a situação se não era o que você queria? É como se você estivesse tentando proteger alguma coisa...

Sorri, felina, olhando para o lado.

–Ah! Você sabe que todos têm um segredo. Eu continuo apaixonada, Tess... faz muito tempo que estou apaixonada.

Minhas amigas me encaravam como se eu fosse estranha, tal qual nunca tivessem me visto antes. Eu não sentia nada. A reação delas era compreensível, por isso não me espantava. Tampouco tinha receio de falar-lhes. Aprendi que aquele receio só me resultava em problemas, coisa que não queria mais.

–Eu também não entendo uma coisa. –então murmurei, séria, me lembrando de algo. Olhei todas demoradamente, para assistir a reação de cada uma quando eu falasse. –Qual de vocês foi que deixou escapar o acontecimento daquela noite no clube? –eu perguntei bastante exigente.

Todas elas se retraíram de forma constrangida. Não ouvi resposta. Parecia que todas tinham entrado num acordo para não falar sobre aquilo.

Ainda assim, eu continuei não sentindo nada. Também tinha esperado aquela reação delas. Todas eram minhas amigas, mas por um momento me senti incapaz de confiar em todas elas, mesmo em Tess. Aquilo me deu raiva, foi como se elas tivessem me traído. E apesar de me sentir desagrada, sorri sozinha e dei as costas, indo me sentar longe delas. O amor dá uma força estranha, capacitando-nos a suportar todas as coisas.

Os meninos na escola subitamente temiam se aproximar de mim também. Não imagino o que é que pensavam. Talvez tivessem sido influenciados por aquelas bobagens ridículas dos tablóides. Os professores continuavam sem se modificar, com sua dura indiferença. As garotas me observavam através de olhares transformados. E eu não prestava atenção a nada disso, não me preocupava. Mesmo assim, não posso negar que foi um dia bastante diferente do que eu estava acostumada e um tanto sem propósito. Entretanto, eu não me concentrava muito nisso. Estava pensando em alguém.

Desde o telefone dado na noite da separação não ouvia a voz de Heero. Ele não fez contato, assim, eu não sabia como ele se sentia, se me perdoaria, se me queria ainda, se viria me ver. Só a opinião dele me importava. Importava tanto que ficava comigo grande dúvida e suspense, temia tê-lo perdido de algum modo.

Há várias maneiras de perder alguém... Existe a proverbial morte, a opcional distância, mas por decepcionar alguém também se perde, porque acaba a confiança, ingrediente da aderência entre dois corações, base de qualquer relacionamento humano. A confiança de Heero era algo difícil de conquistar, o que significava que quem a ganhava a considerava um tesouro frágil. E para mim, aquele tesouro era muito mais valioso do que poderia ser para qualquer um.

A aula passou mais rápido do que o normal. Acho que era eu e não o tempo. Estava muito ansiosa e quando o sinal anunciou o término da aula, não perdi tempo. Fechei minha bolsa e saí o mais rápido possível, sendo seguida por muitos olhares ao cruzar os corredores, cada olhar com uma opinião.

Perguntava-me: onde iria vê-lo outra vez? Devia ir encontrá-lo na estação como antes? Ou ele viria ao meu encontro, como fazia? Talvez eu devesse ir para a casa direto naquele dia e ligar para ele para nos acertarmos. Ao me aproximar da esquina onde nos encontrávamos no começo, minha ansiedade dobrou. Gelei, agitada, sem saber se ia prosseguir por ali. A lembrança foi muito forte, como um perfume inebriante me desorientou.

Segui o muro com a cautela de quem aguarda uma emboscada. Tentava me manter calma para evitar a decepção, caso não o encontrasse ali, caso meu coração fosse traiçoeiro com minha mente. Mas nada disso foi preciso no final.

Ele estava ali. Déjà vu. Foi um tanto como na primeira vez que o vi ali, acho que na verdade, até melhor. Ele não parecia arrumado embora usasse uma calça de corte fino, tecido italiano preto, e uma camisa de seda branca, todas peças de luxo e bom gosto. De repente a realeza pareceu ele e não eu, de repente vi uma beleza nele que era nova para mim. Ele era charmoso.

–Heero. –saiu de minha garganta um leve sussurro sem expressão. Ele me dedicava um olhar penetrante, sem se mover. Parecia miragem. Pelos modos dele não conseguia prever sua ação. Por isso, lhe sorri humilde e doce, para aliviar minha tensão. Afinal, se ele estava ali é por que estava me esperando.

Houve algo na expressão dele que criava um bom momento para sorrir, entretanto, ele ainda assim não mostrou qualquer emoção. Olhava de forma tão intensa, talvez meditativo, talvez me apreciando. Indo mais próximo dele, murmurei:

–Para mim, o tempo sem você não passa; com você, ele vai rápido demais. –se era eu quem tinha de fazer as declarações de amor, que assim fosse, porque eu não queria perdê-lo por nada. Uma ansiedade prejudicial crescia no meu íntimo como um balão e temia a hora em que este estourasse. Seu olhar me absorvia altivamente. Provei uma sensação que nem sou capaz de explicar enquanto ele me fitava. É como se a força do olhar dele me imobilizasse.

–Eu nunca mais quero que você faça isso. –ele me retornou enfim, com sua rudeza e firmeza, parecendo meu pai. Eu ri, me pareceu engraçado o jeito dele, e ao mesmo tempo, eu sabia que aquele era o jeito dele expressar seu amor e a necessidade que tinha de me ter por perto. Assim, embora não fosse poesia, tinha significado igual, e de divertida passei para encantada. Ele riu de meu jeito apaixonado, me deixando mais corada, embora ele com certeza se sentisse tão apaixonado quanto eu.

–Você é possessivo, é? –eu indaguei, marota e ele riu discretamente, e nem respondeu nada. Puxou-me pelo pulso, logo entrelaçando os dedos com os meus, me beijando com urgente intensidade. Acredito que não haveria resposta mais adequada para minha pergunta do que aquela, muito menos mais gostosa. Nós não tínhamos medo de nada. A juventude é assim. Eu ri agitada quando nossos rostos se separaram. Os olhos dele me sorriam, mesmo que seus lábios não.

E ao fitar no interior vazio daquele par de olhos azuis, eu sentia uma força estranha agir em mim, que tomava controle de minha vontade. E toda a sensação de segurança que ele me proporcionava me fazia relaxada e contente. Amá-lo era a melhor coisa que eu tinha na minha vida.

–Durante esse tempo separados descobri que não consigo sorrir sem você. Simplesmente não consigo. Não consigo me imaginar sem você. Eu amo você mais agora, sem você não existe eu. –murmurei, numa espécie de desabafo, me sentindo trêmula, me subindo um choro. Eu sabia que ele escutava atentamente e seu silêncio não era novidade para mim.

Eu o ouvi suspirar, não olhava seu rosto. Foi um suspiro que não consegui compreender. Não sabia se era de embaraço, de carinho, de tristeza ou alegria. Mas a mão dele continuava segurando a minha, e sentindo-o puxá-la, ouvi:

–Vamos para um outro lugar...

E não me importava para onde, eu sabia estar segura. Ele me dava essa sensação. Só com Heero podia me sentir livre de qualquer medo porque a proteção que ele me dedicava era confiável. Eu estava tão viciada naquela presença que não conseguia viver sem ela. Se só ele existisse no mundo, era muito mais que suficiente para mim, ninguém mais importava. As mãos dele eram boas para mim, o toque delas garantia coisas que sua voz não sabia expressar. Não me incomodava com seu silêncio nem via mais indiferença nos olhos dele. E eu sorria para as costas dele quase o tempo todo enquanto era guiada por ele como se fosse uma criancinha, caminhando de forma discreta pelas calçadas.

Nossa rotina era assim, de segunda a sexta, nem sempre de sábado, e de domingo por SMS. E enquanto separados eu imaginava a voz dele no meu ouvido, lembrando-me de coisas que aconteceram nos dias anteriores, subindo a boca o sabor amargo dos beijos dele. E eu era notada feliz em casa só pelo timbre de voz, e os empregados de mais confiança sorriam para mim como se soubessem que eu estava apaixonada. Apesar disso, ninguém falava nada sobre o assunto ou perguntava, muito menos sugeria. Era como se eles guardassem o segredo de mim...

Meus dias despreocupados e leves iam passando por mim um por vez, eu não me atentava ao meu redor. Me dedicava aos estudos, me afastara das amizades achegadas de antes, me mostrava comportada em todo o lugar que me conheciam como princesa, mas quando saía da aula e me trocava eu era a Relena de quem eu gostava, a verdadeira, aquela que só os íntimos podiam ter o privilégio de conviver, aquela que amava.

–Você estará sempre comigo, não é? –eu perguntei um dia, depois de fitar durante o que pareceu horas para o rosto cada vez mais distante de Heero. Talvez ele se encabulasse com minha insistência de olhar.

Estávamos tomando sorvete.

Ele focalizou os olhos em mim, como que despertando, e por mais que ele se concentrasse em me olhar, seus olhos eram etéreos. Ele suspirou pesado, como que incomodado ou desdenhoso. A relutância dele de responder parecia ser impaciência. Aquele jeito dele me parecia meigo, entretanto. Uma vez que se aprende a amar, se emprega toda a sensibilidade do coração para decifrar e apreciar. O modo emburrado dele era o mais adorável de todos. Eu sorria ao vê-lo daquele jeito e ele não compreendia porque.

–Nossa relação é estranha... –ele murmurou, fora do contexto. –Quero que tome cuidado, Relena. Preste atenção por onde andar. Não sei por quanto tempo será seguro para você aproveitar desse prazer que você chama de liberdade.

Eu fiquei olhando-o em retorno toda confusa. O que ele queria dizer? Não podia entender...

–Eu estou segura do seu lado. Eu sempre senti isso. Desde a primeira vez que nos encontramos.

–Mas talvez eu não venha ser suficiente na hora, Relena. –ele respondeu com a rudeza de quando estava preocupado com algo.

É que eu não me dava conta. Eu podia estar livre pela cidade, viver no mundo exterior do palácio, mas continuava princesa, fechada no mundo de princesa, numa ilusão equivocada. Eu achava que tudo era paz e tranqüilidade, não percebia que muitas coisas estavam mudando no cenário de meu país. Os paparazzis estavam cada vez mais agressivos. Haviam focos de uma pequena revolta se formando em quase todo lugar. Não existe governo sem antagonista, na escola mesmo eu aprendia isso, mas não era capaz de aplicar lá no meu mundo particular onde tudo era corriqueiro.

Quando voltei para casa passei um tempo pensando nisso e notei que tinha me descuidado muito, pegado muita coragem e não podia mais continuar assim. Precisava de mais cautela ao sair na rua, ao andar meus trajetos, a me disfarçar.

Antes de descer da limusine algumas manhãs depois, Pargan me aconselhou:

–Tome muito cuidado ao andar sozinha na cidade, princesa. Lembre-se de me ligar casa aconteça alguma coisa. Eu irei te buscar.

Sorri e agradeci, assegurando de que seria cuidadosa. Pelo conselho eu percebi que as coisas vinham piorando. Fora da minha redoma de alegria eu via as faces sérias de papai e Zechs, indo do gabinete à sala de reuniões, tomando um lanche nos intervalos. Fazia duas semanas que meu irmão tinha pedido licença da academia para ajudar papai a resolver os problemas. Então os monegascos tinham razão. Então estava correndo risco de um atentado.

Durante a aula, eu dividia minha mente entre minhas preocupações com a política de meu reino e a matéria de biologia. Por dentro eu chorava angustiada com a situação. Não era nada feliz ver meu país daquela forma, mas ainda assim eu não tinha medo por mim. Eu tinha certeza de qualquer crítica lançada era infundada, papai era um rei justo e sábio, nunca trairia nada do que nos ensinou a praticar. O lema da nossa família – "Salva veritate" – a verdade preservada – sempre fora levado muito a sério.

Embora distraída eu sentia que Tess olhava para mim. De todas as amizades, a que mais me fazia falta era a dela. Mesmo que ainda não me achasse pronta para voltar àquela convivência, eu olhei-a e sorri exclusivamente, esperando ser respondida, e ao contrário, ela me encarou com siso e tornou a olhar o quadro. Até quando teria de ser assim? Talvez ela se magoara comigo por algum motivo, apesar de eu achar que ela não tinha um.

Algumas meninas de séries inferiores resolveram se aproximar de mim e por causa delas eu tinha alguma companhia no horário do almoço. Dávamos muito bem, elas eram diferentes das outras com que costumava passar meu tempo, e ríamos bastante. Naquela tarde, elas queriam entender o que estava acontecendo. Eu tampouco podia explicar, já que não sabia.

–Não se preocupem... isso logo passa. Não estamos em nenhuma ditadura, todos devem se expressar... Assim que meu pai o rei resolver essas questões, tudo voltará ao normal. –eu disse para tranqüilizá-las, certa do que falava. Elas me olharam neutras, pensativas e depois mudaram de assunto.

Em pensamentos eu prosseguia com ele, porém. Aquilo estava me deixando séria e concentrada. Suspirei, ouvindo o chilrear das meninas, conversando animadas como passarinhos alegres numa manhã de sol. Eu me sentia atada diante daquela situação, odiava aquela impressão. Quando Heero me encontrou á tarde, eu estava calada e desmotivada. Não tinha como evitar. Eu ergui olhos doridos para ele através dos meus óculos escuros. Ele me encarou em pé, com as mãos nos bolsos, enquanto eu ficava sentada imóvel no banco da estação junto de minhas sacolas.

–O que foi agora? –essa foi a saudação que ele me deu.

Meneei a cabeça, não me incomodando em responder. Ele suspirou forte, contendo sua contrariedade e olhando para outra direção. O lugar estava bastante agitado. Ele sentou do meu lado um pouco e ficou me olhando ininterruptamente, mas não me perturbava com isso. Ele estava procurando alguma coisa, estava curioso com meus modos.

–Você não vai falar nada hoje, Relena? –era engraçado o modo com que ele me provocava à reagir, mas eu me negava.

–Eu quero sair daqui. –eu olhei para ele e disse, fora de contexto, e levantei. Ele suspirou outra vez, irritado, pegou minha sacola e me seguiu.

Andamos pelas ruas em silêncio, eu observava o movimento, as pessoas, os carros e não entendia qual era o problema. Tudo parecia extremamente normal. Onde poderiam estar esses opositores e o que estavam fazendo? Qual era o motivo deles?

Na praça, os pombos voavam enquanto passávamos, espantados por nossa aproximação. Íamos devagar, sem rumo. Eu tinha medo e revolta ao mesmo tempo junto de quietude, e, pelo que parecia, toda essa miscelânea de emoções afetava Heero ao meu lado, já que não deixava de me olhar com ar espantado e incomodado. O céu estava azul, o dia ainda estava quente e sentia meu rabo-de-cavalo ir se desfazendo muito lentamente, afrouxando. Os óculos anulavam um pouco da claridade deixando meus olhos confortados e dando uma aparência irreal à tudo que eu olhava. As lentes eram verdes.

A mão de Heero que segurava a minha colocou mais força e eu o olhei, despertada de repente, sentindo a sua pulsação descompassada. Era como um mau sinal. E então ele não olhava para mim, mas tinha olhos animais, e respiração desaparecida. Era como um felino á espreita. Sua mão por nada soltaria a minha. Eu senti um arrepio de expectativa.

Alguém me puxou pelo braço.

–Moça, quero venha com a gente... –me puxou com força, mas de forma discreta para que ninguém notasse sua abordagem. E ele nem sequer olhava para mim.

Ele estava acompanhado de outro rapaz.

Heero olhou para trás só com os olhos e sua mão se fechou mais em volta da minha. Ele parecia esperar um momento.

–O que foi? –eu perguntei irritada e recebi um olhar ameaçador em resposta do desconhecido.

–É melhor cooperar se não quiser se machucar, alteza... –ele me disse com jeito rude e insensível, usando meu título. Meu coração sofreu um solavanco. –Venha logo.

–O quê...? –me perguntei baixinho. O rapaz me puxou, o outro cobria a cena, e Heero me puxou também. Eu ofegava já, disputada por dois homens fortes e presa pelos meus segredos.

–Você está enganado. –Heero murmurou de forma fria, olhando o seqüestrador com ar superior de quem joga o mesmo jogo. O abordador não gostou nada disso.

–Enganado? Não sei não... Mas mesmo assim, o que é que eu tenho a perder? –ele retrucou arrogante e maldoso, armando um sorriso falso para não deixar perceber o conflito que vivíamos em meio às pessoas na praça. Ele colocou a mão no bolso da jaqueta para dar a entender que estava armado. Eu tentava não olhar para ele.

–Por favor... –e pedi irrefletidamente. Ele me olhou com fúria, e o acompanhante dele se achegou mais, com as mãos no bolso também. E tudo isso acontecia em movimento. Heero não me permitira parar de andar.

E do nada surgiu um terceiro rapaz. Eu fiquei ainda mais insegura quando percebi sua presença. Ele olhou os dois abordadores e com um jeito estranhamente imperativo, perguntou-lhes:

–Amigos, podem me dar uma informação? –ele disse alto, chamando a atenção das pessoas e os dois seqüestradores pareceram bastante surpreendidos.

Heero olhou o rapaz que se aproximava e imediatamente envolveu meu ombro, me colocando à sua frente, e foi me fazendo andar, sussurrando para que fosse aumentando o ritmo. E minutos depois tínhamos nos afastado da cena, perdidos entre as pessoas que passavam. O terceiro rapaz ficou lá, conversando com os dois seqüestradores que continham o pânico.

Eu estava confusa, e não ousava falar nada, entretanto, meu coração batia tanto. Entramos numa loja e nos aprofundamos nela. Heero logo dispensou a atendente enquanto eu ia regularizando minha respiração. Ele esperava pacientemente.

Enquanto me acalmava, pensava no terceiro rapaz que aparecera. Ele tinha a mesma altura de Heero pelo que pude notar e usava óculos escuros de aros muito grandes, modelo Aviator, espelhados. Foi tudo muito rápido, e só pude observar as coisas mais chamativas nele, e percebi que tinha um cabelo comprido, feito numa trança, e acho que era de cor vermelha. Eu não sabia quem era, nem sei de onde veio, mas era muito grata a ele.

–Você está se sentindo bem? –ouvi o som reconfortante da voz rouca de Heero próximo de meu rosto. Ele ainda me mantinha envolvida em seus braços. Eu assenti, tranqüila.

Ele suspirou de ansiedade e eu o olhei como que pedindo apoio.

–Acho que não vai mais poder ter sua liberdade, Relena. –ele me disse conclusivo, em sottovoce. Eu olhei para baixo, tristemente.

–Eu não acredito que estou passando por isso, Heero. –murmurei, amarga.

Não ouvi nada dele, mas sabia que ele me entendia.

–Precisa ir embora agora. –me disse, sensato.

Eu o olhei nos olhos, confusa. Tudo parecia distorcido e eu nem sabia me explicar.

–Durante todo o dia eu estive pensando nessa situação que contagia o reino... ainda bem que eu estava com você. Será que aquele terceiro rapaz que apareceu é meu guarda-costas à paisana? –e então fiquei intrigada e Heero apenas me olhou. Não disse nada. Eu não estranhei, obviamente.

Heero me beijou a testa e me ficou a me fitar. E eu olhava baixo, chateada.

–Vou... ligar para o Pargan. Ele me disse para fazer isso.

–Isso mesmo, ligue para ele.

Peguei o celular, liguei para meu fiel motorista, e falando baixo com ele, logo notou que tinha passado por algum aperto. Falei onde estava e recebi instruções de onde ele ia me esperar e que carro dirigiria. Usar a limusine seria arriscado demais. Heero assistia a ligação. Quando terminei, expliquei tudo a ele, que me ouviu silencioso.

–Como vamos fazer para nos ver? Não quero mais ficar longe de você... –expressei descontente, meneando a cabeça. Heero abriu um sorriso conformado.

–Esqueça isso. É só por um tempo, estou cansado de te consolar. –ele me respondeu com sua voz séria e madura, sem sentimentalismo. Aquilo magoava um pouco, e ao mesmo tempo fazia bem. Assenti, como uma criança disciplinada, e ele me acompanhou até um pouco antes do ponto de encontro. Despedimos-nos com pressa, eu logo entrei no carro e voltei para casa. Senti falta de um beijo dele pelo resto do dia.

Contei a Pargan o que tinha acontecido, mas pedi que mantivesse segredo. Não queria preocupar meu pai mais ainda.

A partir de então minha liberdade e sossego terminou. Foram dias irreais os que eu vivi depois disso. Na televisão, nos jornais, nos tablóides – notícias falsas ou verdadeiras que assombravam a nossa vida. Zechs não ia mais para a academia, tinha de ajudar papai. Mamãe parecia tensa e eu olhava com tristeza e seriedade aqueles rostos pesarosos.

Eu só entrava ou saía do palácio de carro, eu não sabia mais o que era colocar meus tênis para andar na praça ou ir ao shopping fazer compras. Eu tinha ganhado asas, mas alguém veio e aparou-me as penas. E dentro da minha gaiola eu apreciava o céu azul na onde eu não podia mais voar e pensava na companhia que eu não podia mais usufruir.


Free Talk

Olá, leitores! Como vão todos?

Eu estou muito bem!

Mais um novo capítulo de MSFT! Quem diria! Essa sigla que a Sue inventou parece de Partido Político! xDDD

Por motivações (cobranças xD) das minhas queridas Suss e Juh, aqui está!

Espero que gostem...

Acredito que ao acabarem de ler já vão me pedir o capítulo 12! xD

Aí, começa uma nova fase da história que só vai concluir-se mesmo com o clímax do final, na onde enrosquei mais recentemente! xDD

Espero que gostem!

Críticas, dúvidas, sugestões podem ser mandadas por e-mails ou por reviews!

Obrigada à Lika, Sue, winry, Bruna e Suss por todo o carinho e atenção!

Obrigada à Juh, Mel e a Nat que também lêem!

Obrigada à todo mundo que ainda não se declarou leitor! Ehehehe

Amo todos vocês! ;)

Esperem por mais em breve!

XOXO

23.02.08