N/A: Então, gente. Voltei hoje de Porto Alegre e estou finalmente postando. Terminei o cap hoje pra vocês meio às pressas, admito. Mas é qe eu até tava com idéias boas na cabeça. Não sei se saiu bem o que eu esperava e/ou qe vcs esperavam, mas tá aí.
Desculpe pela demora, mas por motivo de luto eu não consegui atualizar aqui. Estava muito triste e como disse, eu nem estava na cidade. hehe
Não vou comentar os reviews individualmente desta vez, sorry gente. Mas MUITO OBRIGADA pelo apoio, pelo carinho e quero deixar bem claro qe eu NUNCA vou abandonar essa fic ok? E bom, finalmente vai ter interação entre Draco e Gina no próximo cap. Eu sei qe demorou, mas é qe eu queria que tivesse mais do que só romance nessa fic. Eu queria que tivesse um pouco do dia-a-dia na Academia, o Draco conhecendo pessoas novas e interagindo mais com os amigos dele. Resumindo, eu tentei uma coisa diferente. Espero qe vcs estejam gostando e opiniões são sempre bem-vindas.
Um grande beijo.
ENJOY! XD
Capítulo nove
Alucinado. Esse era o estado em que eu me encontrava. Um pouco menos lúcido do que eu gostaria - por causa da bebiba, mas perfeitamente consciente da minha missão noturna para aquela noite.
Deixei Wood na Sala, com um semblante sério e provavelmente com a mente abarrotada de idéias e pensamentos. E, caminhei um pouco cambaleante pelos corredores, torcendo para que nenhum dos professores me visse naquele estado deplorável para um recruta da Academia, mas nem perto de estar o mais deplorável que eu realmente me encontrava quando eu realmente bebia.
Demorei algum tempo até realmente conseguir chegar ao meu destino. Estava um tanto quanto desorientado, por assim dizer.
Olhei para a maçaneta e ela olhou pra mim. Ficamos naquele jogo de olhares por um bom tempo. Draco Malfoy, receoso. Desde quando aquele tipo de coisa acontecia? Até então eu estava plenamente confiante e já tinha todo o discurso preparado na ponta da língua - só que até minha língua estava um pouco enrolada. Eu estava enrolado.
Suspirei. Bufei. Respirei fundo e abri a porta, sem pensar muito. Potter estava lá, sentando na cama, com um olhar cansado e até um pouco bêbado. Nesse momento, senti pena dele. Meu amigo ainda estava lá, em algum canto obscuro daquele quarto, mas estava.
Olhei para ele, provavelmente com um semblante de pena estampado no rosto, porque ele me olhou com desprezo e cuspiu:
- O que você quer, Malfoy? - a língua enrolada demais.
- Precisamos conversar. - não me deixei abater, eu tinha ido ali para fazer algo e não ia me dar por vencido só por causa de uma cara feia.
- Eu não to afim de conversar, cara. - bufou ele, agoniado.
E eu soube que era tudo fachada. Que não havia mais ressentimentos, nem nada do tipo. A briga agora era outra: era com ele mesmo. E, eu não tinha nada a ver com isso a não ser pelo falto de que eu era seu melhor amigo.
- Não tem problema, você não precisa falar, só me ouvir. - disse, dando de ombros.
Potter me olhou, esperando.
- A coisa é simples. Muito simples, na verdade. Eu não vou deixar que você estrague sua vida por causa de uma garota.
Ele gargalhou, dando mais um gole na cerveja amanteigada que só então eu percebi que estava entre suas mãos.
- Qual é, cara. Você levou um fora, ok, isso acontece, é uma merda mesmo. - continuei, aproximando-me mais. -Quer sair com um monte de garotas pra esquecer? Tudo bem. Quer beber até cair pra esquecer? Tudo bem. Só não faça isso em época de aula e desperdice tudo que você ralou pra chegar até aqui.
- E o que você sabe sobre isso? - perguntou, zonzo.
- Eu estudei com você. Nós ralamos durante as férias, passamos madrugadas a fio estudando enquanto todo mundo tava dormindo. Eu ouvi junto com você as aulas da Mione e escutamos também as broncas dela por causa das nossas olheiras, quando ela própria tava muito pior. Todos nós ralamos pra estar aqui, cara. Não desperdiça isso, ninguém vai esperar que você caia na real e volta a ralar aqui. Ninguém mesmo.
E de repente milhões de flashbacks vieram na minha cabeça e acho que muito provavelmente na dele também. Eu, ele e a Mi estudando feito uns condenados pra passar na prova da Academia. Acho que foi uma das maiores alegrias da minha vida quando eu soube que tinha passado. Nunca vai haver nenhuma palavra que realmente consiga descrever a sensação de orgulho, vitória, trabalho cumprido.
E mais, nada nunca vai ser igual àquela madrugada, quando voltamos da festa de comemoração. Nós três, sentados na varanda da Toca e observamos o sol nascer, juntos. Aquele companheirismo que nunca vai ter igual. E de repente, é como se tudo fizesse sentido. A Mione me convencendo desesperadamente a falar com o Harry, usando todos os artifícios de convencimento que ela conhece. Nós éramos três, desde o início. E não tinha como mudar isso. Não dava pra simplesmente mudar.
Olhei pra ele, quieto.
- Conhece dia de folga? Use eles. - esbravejei, cansado. Não tinha mais nada que eu pudesse falar que ele já não soubesse. Era pegar ou largar aquele singelo sermão, porque eu não tinha mais cartas guardadas na minha manga.
- Eu disse que não tava afim de conversar. - tentou ele ainda, rendido.
- Você não conversou. - rebati, de braços cruzados, na frente dele.
- É.
Assenti com um aceno de cabeça.
- Sabe, eu... - começou, meio hesitante.
- É, eu sei. - murmurei.
Ele também assentiu com a cabeça.
Não era preciso dizer muito coisa. Na verdade, não era preciso dizer nada. Voltávamos a ser Harry e Draco de novo. Quatrolho e Cobra. E não era preciso dizer nada.
Tirei a cerveja da mão dele e ele riu, meio sem jeito.
- Acho que eu exagerei um pouco, talvez? - arriscou, um sorriso jocoso.
- É, talvez. - sorri também, de lado.
- Não que você seja muito santo... - murmurou ele, provavelmente sentindo o cheiro do meu bafo de cerveja.
- Eu nunca disse que era. - balancei a cabeça, rindo.
- Isso é verdade...
- Vem, você precisa de uma ducha fria nessa cabeça. - puxei ele pela camisa, praticamente arrastando-o até o chuveiro.
Harry sentou no piso gelado. Abri o chuveiro e ouvi os gritos dele, assustados. A água estava muito fria. Só que ele precisava acordar, de todas as maneiras possíveis.
- Eu só sinto falta dela, sabe? - sussurrou, e quase não pude ouvir por causa do barulho da água. Quase.
- É, eu sei.
- Desculpe por... você sabe. - murmurou, dando de ombros, sem jeito.
- Não tem problema.
- Tem sim. - olhou-me, sério.
- Tinha, agora não tem mais.
- Não?
- Não, você voltou a ser o Quatrolho de novo. - sorri, compreenssivo.
Não tinha problema. Não mais.
Luna,
Achei que você gostaria de saber como as coisas andam por aqui. Não sei se você realmente chegou a saber, mas eu e Harry não estávamos nos falando muito bem. As coisas estão bem, agora. Tudo está bem na verdade.
Ele está bem, Luna. Você não tem com o que se preocupar.
Falando de outrar coisas (porque sei que isso não deve ser muito agradável pra você), meu final de semana foi uma loucura. Sábado acordei com uma ressaca terrível e domingo então, passei o dia inteiro estudando pra uma prova de Herbologia que promete ser "maravilhosa". Acho que é a primeira vez que eu fico nervoso pra uma prova, nunca me preocupei muito com isso, na verdade. É até estranho. Senso de responsabilidade, entende?
Espero que as coisas estejam indo bem pra você aí. Torço muito pra que tudo dê certo, porque você merece.
Não tenho muito tempo pra escrever, porque os outros estão me esperando pro café-da-manhã.
Beijos,
do seu mais novo amigo (você entendeu o que eu quis dizer)
Draco.
Segunda-feira. Acordei de um pulo. Dia de prova, e isso não era boa coisa. Segundas nunca eram boa coisa, na verdade. Herbologia era um inferno. E provas eram um inferno maior ainda.
Estávamos tomando café. Tentanto, na verdade. Porque nada entrava no meu estômago.
- Você tem que comer ao menos alguma coisa, Draco. - murmurou Mione, olhando-me com o canto do olho.
Não respondi, apenas lancei-lhe um olhar mortífero. Não era como se eu me orgulhasse de estar nervoso, nem nada do tipo. Como eu podia estar nervoso? Esse tipo de coisa não me acontecia. Simplesmente, não acontecia.
Harry comia como um morto de fome. Aparentemente, provas tinham o efeito contrário com ele.
- Não sei pra que tanto escândalo, gente. - disse Mione, enquanto lia o Profeta Diário. - É só uma prova de Herbologia. Não é como se estivéssemos sendo atacados ou nada do tipo.
- Eu posso ser atacado por uma planta carnívora durante a prova prática, na verdade. - respondeu Harry, fazendo muxoxo.
- E nem todos somos agraciados com o dom das plantas, Mione querida. - rosnei, mas não estava irritado na verdade.
- Oliver vai fazer a prova também, e olhem pra ele. - disse ela, apontando pro moreno, que comia uma torrada totalmente absorto em seus próprios pensamentos.
Ele andava muito assim, ultimamente. Desde que eu o havia deixado na Sala, sozinho. Só que no momento eu não tinha cabeça pra pensar em amigos pensativos, e sim em uma prova de uma professora maluca.
- Como eu disse, nem todos somos agracidados com o dom das plantas, Mione querida. - sorri, mostrando os dentes.
- Sem contar, que qualquer um que faça Herbologia Avançada, não tem o direito de opinar nessa conversa. - acrescentou Harry, maroto.
- Vocês não tem jeito. Se tivessem parado com as briguinhas de criança e tivessem estudado mais, talvez não estivessem nesse desespero agora.
- Correção: se o Quatrolho aqui tivesse parado com as briguinhas de criança e tivesse estudado mais. Porque eu estudei, Mione querida. Ah, sim, eu estudei! - exclamei, rindo. Rindo de nervoso, na verdade.
Harry me fuzilou com o olhar, mas não o suficiente pra realmente causar algo em mim.
- Tudo bem, provavelmente essa é a verdade mesmo. - respondeu ele, dando de ombros, enquanto tentava ler alguma coisa do livro de Herbologia. Desespero de última hora.
- Sempre há as provas de recuperação, queridinho. - sorriu Mione, maliciosa.
- Se você não fosse uma garota, eu provavelmente te lançaria uma maldição imperdoável que faria até os seus netos terem furúnculos.
- É muito machismo pra uma pessoa só. - rebateu ela, indignada.
- Eu estou te poupando de furúnculos e você ainda fica brava?
- E o que te faz pensar que conseguiria lançar furúnculos em mim? - perguntou, com os olhos semi-cerrados. É, ela estava indignada. - Só porque eu sou uma garota não quer dizer que eu não saiba feitiços de defesa. - sorriu, maliciosa.
- Eu não brincaria com feitiços de defesa se fosse você, Quatrolho. - disse eu, rindo da cara de Harry.
- Além do que, eu sei outras coisinhas mais... - acrescentou ela, brincando com a varinha nas mãos.
- Vamos ver...varinha. - disse eu, olhando pra Mione. - Livro de Herbologia. - olhei para Harry. - É, você está em desvantagem.
- E tudo isso começou só porque vocês não suportam saber que eu sou extremamente inteligente. - riu-se ela, esquecendo da varinha e passando geléia de morango em uma torrada.
- Você é uma mente brilhante, Mi, sem dúvida. - disse Harry, rindo.
- Isso foi um jeito educado de me chamar de esquizofrênica? - perguntou ela, rindo também.
- É, talvez. - respondeu ele, antes de levar uma livrada na cabeça. - Ei, isso dói!
- O que eu perdi? - perguntei, erguendo uma sombrancelha.
Os dois me olharam e começaram a rir ainda mais.
- Coisas de trouxa, você não entenderia. - murmurou Mione no meu ouvido, zombeteira.
- Você tá brincando com fogo, mocinha. - rebati, matreiro. - Desde quando semi-trouxas podem fazer piadinhas sobre bruxos puros?
- É, você tem pedigree. - sorriu ela, mostrando a língua.
- Agora tá me comparando a um cachorro? - perguntei, erguendo ainda mais a sombrancelha.
- É, talvez. - respondeu ela, dando de ombros, fingindo-se de inocente. - E, Draco, se você levantar mais essas sombrancelhas, elas vão descolar dos eu rosto.
Harry caiu na gargalhada e Wood, que até então estava quieto e pensativo (eu realmente teria que conversar com ele depois), riu também.
- Boa prova, meninos. - sorriu ela, despedindo-se. - Até depois.
- Você me paga, Granger. - rosnei, entredentes.
- Na escalada de hoje? - perguntou ela, olhando-me desafiante.
- Pode apostar. - assenti, olhando-a sériamente.
- Já tá apostado, queridinho. - sorriu, correndo para alcançar uma das colegas que passou por ela.
A prova. Estava na hora.
É, eu realmente não ia conseguir comer.
Entrei na sala mais branco do que eu era - de acordo com Ned, que só conseguia rir da minha cara. Aposto que se ele não tivesse uma generosa quantidade de melanina na pele também estaria branco como um papel - mas acabei guardando esse comentário para mim mesmo.
Sentei, respirando fundo. Senti minhas mãos tremerem e meu estômago dançar um carnaval dentro de mim. Meus braços começaram a ficar dormentes e era como se eu não tivesse estudado tudo o que era necessário, por mais que eu tivesse passado noites e noites o fazendo.
Pensei em todas as minhas responsabilidades. As longas conversas com o meu pai antes de finalmente ele "deixar" eu ser um Auror, porque no fundo, ele queria que eu fosse um Medi-bruxo e eu sabia. Aliás, ele dissera aquilo milhões de vezes pra mim quando eu era criança e na minha adolescência também. Era um peso enorme nas minhas costas e era melhor que eu fosse bem naquela prova. Eu sabia disso.
Acabei demorando a manhã inteira para terminar a prova, e ficando entre os últimos cinco da sala. Juntamente com Wood e Quatrolho.
Saí estranho, sem a mínima idéia de como eu realmente havia ido na prova. Optei por não pensar no assunto, até porque Ned não me deixava fazê-lo. Ir para os treinos com Ned era o mesmo que ouvir todos os tipos de comentários com as garotas de todos os estilos. Eu tinha até pena delas, porque Ned não perdoava uma.
- Baby, de onde você conseguiu esse corpinho? - suspirou Ned, como sempre, prestando mais atenção nas garotas desfilando pela academia do que no número de repetições da série que deveria estar realizando. - Man, essas coisas não tinha na minha terra não.
- Merlin, você não pensa em outra coisa? - suspirei cansado, não sabia dizer se pelas besteiras que ele falava ou por levantar peso que não acabava mais.
- Você pensa? - perguntou, erguendo uma sombrancelha.
- O que é a convivência com um Malfoy, já está até levantando a sombrrrancelha. - sorriu Fleur, enquanto prendia os cabelos loiros num rabo de cavalo impecável e espreguiçando-se logo em seguida, mostrando o início de sua barriga.
- Essa aí gosta de um abdominal. - murmurou Ned, praticamente babando no aparelho para os braços.
Balancei a cabeça, sem graça por ele. Agradecendo a Merlin por ele não falar aquilo alto o suficiente.
- Fleur. - acenei, cumprimentando-a. Pelo visto o episódio da boate não havia sido o suficiente pra ela.
- Então, Star, hoje à noite? - perguntou, sorrindo. Aparentemente era o que ela mais fazia.
- Não sabia que estávamos liberados pra sair. - franzi o cenho, confuso.
- Não estamos. - sorriu ela, marota.
- Porque não? - disse Ned, levantando do aparelho. - To dentro, boneca! - acrescentou, dando um beijo estalado no rosto dela. - Te encontro nos abdominais, cara.
- E, então, Drraco? - perguntou ela, apoiando cada uma das pernas de um lado do meu aparelho. - Vi que você não gostou de brincarr com fogo da última vez, mas de rrepente com o gelo seja diferrente. - Apoiou-se com as mãos nos meus ombros e eu pude ver o seu decote.
- Ãhn...vou pensar no assunto. - disse, desvencilhando-me de seus braços que mais pareciam tentáculos e sai para outro aparelho.
Tentei terminar minhas séries o mais rápido que pude, e voltar para o meu quarto. Aquela garota era pirada e isso só fazia com que eu sentia cada vez mais falta da minha ruiva. Merlin, como eu sentia a falta dela! Fazia mais de dois meses que eu não a via...
E uma idéia começava a tomar forma em minha mente.
- Eu vi os tentáculos. - disse Hermione, dando um pulinhas corridos pra me alcançar.
- Sabia que eu já tinha escutado essa expressão em algum lugar. - murmurei, mais pra mim do que pra ela, sorrindo de lado.
- Do que você tá falando, Drake? - perguntou, confusa.
- Nada não, Mi. - respondi, ainda sorrindo. - É que só você mesmo pra usar tentáculos pra descrever uma garota.
- Mas não é? - perguntou ela, erguendo ambas as sombrancelhas, se fazendo de santa.
- Às vezes eu não sei quem é pior, se é você ou o Ned. - ri, passando uma mão pelo pescoço, cansado.
- Ei, não me compare aquele seu amiguinho que tem você sabe o quê na cabeça ao invés de estar no meio das pernas. - rosnou ela, cruzando so braços logo abaixo do peito, indignada.
Ri, frouxo. Só Mione mesmo pra vir com aqueles tipos de comentário.
- Acho que você está convivendo demais com o Ned. - murmurei, fingindo preocupação. - Que tipo de comentários são esses, Srta. Granger?
- Não começa, Malfoy. - rosnou, entredentes. - Eu não tenho culpa se não há garotas suficientemente inteligentes pra conversar comigo nessa Academia.
- E eu suponho que você considere Ned inteligente... - comecei, intrigado, querendo provocar mesmo.
- Ele tem seus encantos. - respondeu ela, simplesmente. - Mas, não. Inteligência não é um deles. - acrescentou, maliciosa, com o olhar de canto para a direita.
- Ei, eu ouvi isso! - gritou Ned, que estava do outro lado do campo praticando algum feitiço.
- Acho que você finalmente conseguiu acertar o Aumentumm Sondi. Acertei? - perguntou ela, sussurrando.
- O QUÊ? - gritou ele, do outro lado.
- Vou aceitar isso como um não. - riu ela, virando-se para mim novamente não sem antes lançar um tchauzinho para Ned. - Acho que ainda não me acostumei com as pessoas daqui, só isso.
- O que você quer dizer com isso? - perguntei, agora preocupado de verdade.
- Eu não sei... É só que, bom, além de vocês quatro... - começou ela, referindo-se a mim, Wood, Ned e Quatrolho. - Eu não tenho ninguém. E bom, convenhamos que há coisas que a gente só pode falar com garotas.
- E as suas colegas de quarto? - perguntei, cada vez mais preocupado. Eu havia ficado tão centrado em mim durante os últimos dias, que nem percebera que o período de adaptação de Mione não estava saindo exatamente como o planejado.
- Elas não são exatamente a Miss Simpatia e a Miss Alegria, entende? Não comigo, ao menos. - sorriu ela, meio tristonha. - Acho que eu estava acostumada com as garotas e com as nossas palhaçadas. Não sei. Acho que eu só sinto falta delas, é isso.
- Eu não acho que seja só isso... - apontei, sentando-me num banco e fazendo sinal para ela sentar-se ao meu lado.
- Elas são tão festeiras. Todos os dias chegam tarde em casa, depois de alguma festa escondida no quarto de alguém e as mais namoradeiras do Grupo G S1 inteiro e olha que é enorme. - disse, rindo um pouco mais. - É que...sei lá, ninguém nunca pareceu se importar muito com a minha neurose por estudos...
- Não sei se estou acompanhando...
- É que não é como se nós três tivéssemos muita coisa em comum, sabe? Não é que elas sejam pessoas más, mas acho que as duas pensam que é só isso que eu faço: estudar. E talvez seja mesmo, mas eu gosto de ser assim. E não sei, não vejo elas como minhas duas futuras melhores amigas.
Fiquei quieto, porque sabia que ela tinha mais para falar.
- É exigente da minha parte? Eu estou sendo muito bobinha e fútil? - perguntou, incerta, mordendo os lábios.
- Não acho que seja exigente e nem futilidade, Mi. Você tem todo o direito de querer se relacionar com pessoas que tem a ver com você. Diga-se de passagem que não sei porque você namora o Bagulhão...
- Cala a boca. - ela interrompeu, sorrindo de leve.
- Eu dei sorte de ficar no mesmo quarto que o Quatrolho e conhecer dois caras gente boa. - sorri, compreenssivo. - E você ainda tem essa oportunidade, porque não pede pra mudar de quarto?
- É, eu tinha pensado nisso...Mas...
- Mi, você pensa demais, garota.
- Acho que você tem razão, dessa vez. - sorriu, com o finalzinho malicioso.
- Ei, eu sempre tenho razão. - sorri, de lado.
Foi então que eu lembrei o que tinha em mente antes de toda aquela conversa...
- O que você vai fazer? - perguntou, com um olhar desconfiado.
- Ãhn...?
- Eu conheço esse olhar Draco Malfoy. - disse ela, fitando-me seriamente. - Você não tá pensando em ir ao Star hoje à noite, tá?
- Stars...Do que você tá falando..? Ah...tá louca? - perguntei, meio sem fazer sentido. - Olha a minha cara de quem vai pro Stars...
- Eu lembro muito bem da última vez. - comentou ela, risonha.
- Sem comentários. - rosnei, inquieto.
- Vai lá, vai. Qualquer coisa que você tem em mente deve ser importante. - respondeu ela, dando de ombros, despreocupada.
Eu ainda não conseguira me acostumar com as mudanças de expressões e comportamentos de Mione. Ela era uma coisa, no bom sentido da palavra, é claro.
- Porque você diz isso? - perguntei, curioso.
- Já falei, Drake: eu conheço muito bem esses olhares.
É, eu tinha uma coisa muito importante em mente. Eu ia quebrar as regras, mas não para ir ao Stars, eu ia ver a Gina.
