Capítulo 10: Uma tentativa de amizade
Cantadas e perigo
Confusões! Confusões! E confusões! Era assim que aquele dia havia começado. Uma baderna só! Parecia mais que um furacão havia passado por ali e devastado tudo. E ainda não passava das 10 da manhã. Ginny se sentou um pouco para respirar, iria acabar tendo um colapso nervoso ali, nem sabia mais o que passava por sua cabeça de tão estressada que estava com tudo aquilo.
- Maldito desfile! Assim eu vou acabar indo parar no St. Mungus... – resmungou parecendo uma velha rabugenta.
- Se continuar falando sozinha nós vamos acabar nos sentindo na obrigação de te internar mesmo – Colin disse entre risinhos.
- Colin, meu humor não está para isso agora. Malfoy por acaso já chegou? – ela se levantou e pegou os pergaminhos que Colin trouxera.
- Não – ele respondeu. – Mas Suzi, está tentando entrar em contato com ele.
- Acho bom ele aparecer logo, se não Roger vai começar a quebrar a nova sala...
- Ai está todo o orçamento do desfile – Colin apontou para os pergaminhos e Ginny os folheou rapidamente. – E não se preocupe que já acertei tudo com o dj, a recepção, modelos, agentes, enfim, essa parte está toda ok.
- Eu sei, mas só temos duas semanas para decorar e nada foi acertado sobre isso. E quando Roger souber que absolutamente nada da parte da decoração está pronta ele vai enfarta e me enfartar junto – ela falou tudo muito rápido.
- Para amiga! Respira vai... isso respira e inspira... – Ginny fez o que Colin pediu, enquanto pegava outros pergaminhos em uma das gavetas da sua mesa. - Daqui a pouco Malfoy chega – e foi só falar isso que Draco entrou na sala calmamente.
- Desculpe o atraso...
- Onde você se meteu? Nós marcamos as 8, já são quase 11 horas e só agora você me aparece.
- Vá com calma, Weasley. Vermelha desse jeito parece que você vai explodir – Draco mantinha a voz calma e com um leve sorriso de desdém.
- Não me venha falar em calma, Malfoy. Nós estamos a véspera do desfile e você nem me entregou o orçamento da decoração – reclamou.
- Ainda faltam duas semanas, sua exagerada! – ele tirou algo de dentro do seu sobretudo. – Aqui está o orçamento, mostre a Roger, pergunte se ele aprova e hoje mesmo eu compro tudo – Ginny pegou o pergaminho que Draco segurava. Sem dizer mais nada ela saiu da sala e foi até seu chefe.
- Hum... então, aquela historia de casamento com você e aquele outro cara era tudo brincadeira, né? – Colin perguntou mostrando um claro interesse no assunto.
- E eu Blaise somos apenas amigos – Draco se limitou a dizer.
- Bom saber... eu estive pensando e será que você... você... você não está a fim de ir jantar comigo hoje?
- Weasleyyyyyyyyy! Acho que errei algo ai na papelada... – Draco saiu atrás de Ginny fugindo descaradamente de Colin.
- Certo! Certo! Certo! Não vou olhar detalhadamente esse papeis, não tenho tempo para isso – Roger disse agoniado e largou os papeis que Ginny trouxe na mesa. – Ainda tenho que levar as modelos para provarem as roupas e darem um último retoque... Ginny resolva isso pra mim, sim! – pediu para a ruiva.
Draco entrou na sala. Roger estava tão agoniado que mal o notou.
- Bonnes! – Chamou pela lareira. Suzana apareceu na mesma horamuito nervosa também. – Todos já chegaram?
- Não... ainda faltam duas!
- Oh minha Morgana do universo alternativo! – Roger exclamou.
- Calma, Rô, daqui a pouco elas chegam – Ginny tentou tranqüiliza-lo.
- Certo! E por que você ainda está aqui? Era para você está fazendo compras com Draco – começou a berrar. – APRESEM-SE!
- Eu ainda tenho que resolver as músicas com o dj e...
- Deixe que Colin vê isso. Vá comprar de uma vez o material para decoração, GINNY! – Roger se jogou cansado no seu sofá.
Ginny fez birra, mas saiu o mais rápido que pode puxando Draco pela mão.
Quando chegaram ao lado de fora do atelier de moda, Ginny ainda resmungava algo sobre estresse, stafa mental e falta de consideração. Draco segurava os papeis em uma mão, enquanto a outra ainda estava na de Ginny sem que ela ao menos percebesse isso.
- Você está com medo de se perder e por isso não solta a minha mão? – ao ouvir isso a ruiva olhou para a sua mão e a de Malfoy entrelaçada. E como se levasse um choque ela a largou imediatamente.
- Desculpe! Mas é que com todo esse trabalho e o Roger berrando eu acabo não me dando conta de certas coisas... Onde arranjamos tudo que está ai? – ela apontou para os papeis.
- Beco diagonal.
- Vamos aparatar? – e foi o que Draco fez assim que ela perguntou.
Final do dia. Eles já haviam comprado tudo, não faltou nada e agora estavam exaustos de tanto andarem pelo beco diagonal. Todos os matérias seriam entregues na manhã seguinte no local do desfile, e assim que chegassem Draco juntamente com uma equipe de Roger iriam começar a organizar tudo. A correria parecia ter passado, pelo menos até amanhã.
Ginny descansava seus pés em cima de um pufe, e Draco estava sentado ao seu lado folheando uma revista. Roger anotava algo em uma pequena caderneta e Colin não tirava os olhos de Draco.
- Roger, nós já estamos liberado? – Ginny não via a hora de voltar para sua casa e descansar.
- Só mais um pouquinho... ainda tenho que acertar algo com vocês, só que antes preciso organizar isso aqui – e voltou sua atenção para a caderneta. – Estou esquecendo de algo, sei que estou...
Draco tirou os olhos da revista e se deparou com os olhos de Colin sobre si. Assim que isso aconteceu, Colin piscou para ele e este fez que não percebeu. Roger saiu de sua cadeira e chamou Colin, atrapalhando a tentativa frustrada de flerte, para a alegria de Draco.
- Venha aqui comigo, quero ver as músicas – e Colin o seguiu.
- O que mais ele quer acertar com a gente? Pensei que já estivesse tudo certo – Draco deixou a revista de lado.
- Eu também. Provavelmente ele só que se assegurar do que será feito amanhã.
Eles permaneceram calados durante alguns instantes até que Ginny voltou a falar.
- Err... sobre sábado depois do casamento... eu acho que devíamos esclarecer algo - Draco olhou para ela curioso. Ginny parecia meia sem jeito e suas bochechas começavam a corar. – Eu não sei o que me deu para agir daquela forma, nem naquele dia em que você ficou na minha casa depois da boate... – ela corou mais ainda.
- Esquece isso, Weasley, é melhor.
- Por que você não me passa a chamar logo de Ginny de uma vez, já trabalhamos juntos – ela pediu se lembrando bem que eles tinham combinado de se chamarem pelo primeiro nome, mas nenhum dos dois cumpriu isso após o acontecimento no apartamento dela. – Como ainda temos duas semanas pela frente, eu pensei que podíamos começar a nós dar melhor. Eu passei o dia fazendo compras com você, isso foi estranho, e discordamos em vários pontos, mas até que não foi tão mal assim - nesse ponto Draco se virou totalmente para ela.
- Você não está propondo que nos tornemos 'colega', está?
- Mais ou menos isso. Apenas durante essas duas semanas – ele abriu a boca para falar, mas ela pediu para que ficasse quieto. – Eu sei que tem todo esse lance das nossas famílias, que você sempre abominou Weasleys e todo esse bla bla bla, mas eu reparei que você mudou, sabe? Não é mais aquele garoto metido a besta que estudava em Hogwarts – ela parou para pensar um pouco. – Tá, você ainda é um pouco sim, mas não tanto quanto antes. Então, eu pensei, se vamos conviver esse tempo que seja de maneira civilizada.
- Você percebeu que acabou de me chamar de besta? E vem me propor para sermos amigos? – Ginny se deu conta do que tinha falada. – Como você é cara de pau! – Draco pareceu aborrecido e Ginny mais uma vez desconcertada.
- Não era minha intenção, eu acabei sendo sincera demais. Mas veja bem, eu só estou querendo tornar nossa convivência menos desagradável, você mesmo disso no começo que era só um mês. Agora é apenas duas semanas.
Draco pensou no que ela havia dito e sorriu de maneira marota para ela.
- Ah, Ginny, por que você não disse de uma vez que quer ser minha miga e pronto! – e com isso a abraçou de maneira espevitada.
Aquele sem duvidas nenhuma não era o Malfoy que ela conheceu há muito tempo atrás.
Já na cabeça de Draco algo estranho se passava. Ele estava sim atraído por ela, não ia mais negar isso para si. Não que ele cogitasse ter algo sério, mas com eleo mundo funcionava assim: se você tem vontade de fazer alguma coisa, faça, nem que seja uma única vez. Se fosse uma outra situação, ele teria algo com ela, um affair ou um caso rápido. No entanto, o seu caso era diferente agora, e o fato dela ser uma Weasley era o menor dos seus problemas. Nesse momento ele não podia se envolver com mulher nenhuma! E ele já não conseguia se segurar mais!
Com tudo isso ele havia acabado de bolar um teoria não muito convincente sobre eles dois. Não era só ele estava atraído ali. E aparentemente quanto mais eles encrencavam um com o outro mais eles se atraiam e imagens perigosas se formavam na cabeça de Draco. E se agora ele virasse "amiguinho" dela e desse mais pinta ainda de que era gay, talvez toda aquela tensão que aflorava do corpo da ruiva e ai direto para o dele parasse. Talvez aquela atração aguda cessasse assim do nada! Era só mais duas semanas. Ele podia agüentar duas semanas, não podia? Bem, acho que não...
Draco chegou em sua mansão, seus pés doendo, a cabeça também e uma sensação estranha de que se torna "amiguinho" de Ginny não facilitaria em nada aquela situação. Ele precisava urgentemente extravasar seu estresse. Não estava mais agüentando! Toda aquele tempo sem...
Estava começando a achar que virar gay de uma vez por todas era sua melhor opção.
Não, não podia pensar nisso! Jamais conseguiria. E a prova disso era que quando abraçou Ginny de maneira afetada ele sentiu aquele dorzinha no baixo ventre mais uma vez. Merlin! Estava parecendo um adolescente com os hormônios explodindo. Chegou em seu escritório e assim que se deitou no divã verde musgo Blaise irrompeu pela porta nada feliz.
- O que foi dessa vez?
- Não tenho boas noticias – Blaise andou até Draco, com uma expressão meio abalada – Noticias péssimas na verdade. Shackebolt me enviou uma coruja dizendo que Ele está por perto.
Draco se sentou rapidamente.
- Ele está por perto? Você sabe o que isso significa, não é?
- Nossos preciosos pescoços estão correndo risco – respondeu com a voz estrangulada.
- Se não fizermos as coisas certas e disfarçamos perfeitamente bem, sim, nossos pescoços correm perigo – Draco falou baixo.
- Eu tenho feito as coisas certas, você que não anda muito disposto a fazer as coisas certas. Não anda encarnando seu papel direito – Blaise parecia repreender um menino.
- Eu faço o meu papel muito bem – Draco se sentou e fechou a cara.
- De vez em quando você tem uns ataques bem macho!
- Posso ser tão afeminado quanto você. Quer apostar?
Blaise sorriu divertido.
- Duvido!
Draco parecia um pouco confuso agora.
- Você acha que Ele desconfia de algo?
- Não sei! E Sinceramente, eu não acho que corro tanto perigo assim...
- Você corre tanto perigo quanto eu, Blaise.
- Mas há uma pequena diferença – Blaise murmurou meio sombrio.
- Qual? – Draco quis saber curioso.
- Bem...você não se agradaria de saber qual.
- Agora eu faço questão de saber...
Poft! Um elfo se materializou.
- Liou, quantas vezes já disse para não aparecer assim?
- Liou, burra, Liou muito burra! Desculpe patrãozinho Malfoy, mas moça de colorido cabelo na sala está urgente querendo falar – Liou guinchou agudo e nervosamente.
Draco não esperou ela falar mais nada. Se Blaise acabava de dar uma notícia de que Ele estava por perto e Tonks apareceu na sua casa quando deveria estar em sua Lua de Mel era por que algo de muito sério deveria estar acontecendo. Foi até a sala e deixou Blaise e Liou em seu escritório.
- Ufa! Essa foi por pouco Liou.
Liou o olhou sem entender. Blaise sorriu rápido para ela.
- Você sabe o quanto o seu patrãozinho Malfoy não é muito atento a certos detalhes, não sabe? – Liou fez que sim com a cabeça. – Ele ainda não percebeu que o único que está nessa farsa é ele.
Liou sorriu e tapou a mão com a boca.
- Menino Blaise purpurina gostar de ser!
- Você quer que eu fuja? Fugir assim, desse jeito? – Draco exasperou-se. – Eu tenho meus negócios aqui e meu trabalho também.
- Pensei que você não gostasse muito do seu trabalho – Tonks não entendia por que tanto desespero.
- As coisas não são simples assim. Não posso largar tudo.
- Meu medo, Draco, é que você bote tudo a perder logo agora. Estávamos a um triz de pega-lo no sul, mas subitamente ele voltou para a Inglaterra. E você ultimamente não tem mantido essa farsa muito bem. O que foi aquilo no meu casamento? Você tinha que ter se assumido com todo orgulho e não ficar daquele jeito se mostrando totalmente hetero – Tonks ralhou com ele.
- Nynphadora, não me venha dizer como me comportar – com a voz arrastada e fria ele tentou se impor.
- Você sabe muito bem que é sua vida quem está em risco. Não posso obrigá-lo a ir para outro lugar, mas o estou alertando – ela terminou irritada. – Não deixe a sua farsa cair, Draco, agora mais do que nunca.
- Não vou deixar minha farsa cair!
- Espero! Lembre-se que provavelmente ele esta de olho em você, longe, mas de olho!
Draco colocou a cabeça entre os joelhos, após Tonks ir embora. Quanto tempo aquilo duraria? Aqueles aurores eram uns incompetentes isso sim. Maldita hora que resolveu mudar de lado e se meter naquela confusão...
N.A: Então, o loirinho mais sexy está com os hormônios explodindo... Quanto a fala da elfinha ai, bem eu não sou muito boa com fala de elfos e tal, tinha acabado de assistir Star Wars e eu adoro o mestre Yoda. Não entendo muito esse lance de desfile, mas aindei dando uma pesquisa superficial, então desculpem qualquer coisa.
Thanks pela reviews maravilhosas! Eu me empolgo tanto com elas, vocês não tem idéia!
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