Um lampejo de atônita excitação perpassou o corpo de Regina no instante em que Emma soltou-lhe o cinto de segurança e puxou-a para seu colo. As mãos da loira apertavam, os lábios exigiam. Não era a mesma Emma que a amara com tanta delicadeza, levando-a até aquele doce prazer com mãos pacientes e promessas sussurradas. A sua amante das manhãs silenciosas e tardes preguiçosas tornara-se sombria, um tanto perigosa, e de um jeito que Regina era incapaz de resistir.

Regina podia sentir o sangue borbulhando sob a pele quando Emma a tocava com as mãos rudes e impacientes. Era a impetuosidade que ela havia provado naquela primeira vez, no jardim iluminado pela lua, com o perfume das flores maduras e excitantes. Uma explosão de desejos urgentes era o que a loira apenas sugeria, sob toda aquela paciência e controle.

Numa aquiescência inconsciente, Regina colou-se a Emma, desejando, ansiosa e pronta para trilhar qualquer caminho que Swan escolhesse.

Seu corpo estremecia, violentamente, com os toques de Emma, parecia que as mãos da loira haviam multiplicado. Emma ouviu seu gemido abafado contra os lábios ávidos, sentiu a intensidade do prazer quando Regina mergulhou os dedos desesperadamente em seus cabelos puxando-a mais para si. O louco pensamento que cruzou sua mente foi que poderia possuí-la ali mesmo, no carro, antes que a razão as fizesse parar.

Emma rasgou-lhe parte da blusa, ansiando pelo sabor da pele morena. O som do tecido rasgando-se foi ignorado, quando Regina ofegou ao sentir a loira distribuir beijos e chupadas pelo pescoço e ombro. Sob os lábios famintos, o pulso batia errático. O gosto de Regina era quente e adocicado pelo prazer.

Com um gemido violento, Emma abriu a porta e puxou Regina para fora. Sem importar-se em fechá-la, meio que carregou, meio que empurrou a morena através do gramado.

- Emma... - Regina tentou ficar de pé e perdeu um dos sapatos. - Emma, o carro. Você deixou as chaves...

Emma segurou-a pelos cabelos, empurrando-lhe a cabeça para trás. Os olhos da loira, ah, aqueles olhos, Regina pensou, tremendo com algo mais profundo do que o medo. O ardor que via neles penetrou-lhe até a alma.

- Para o inferno com o carro. - Emma beijou-a, até que ela se sentisse zonza, aturdida e lutando para respirar. - Você sabe o que faz comigo? - Emma sussurrou, numa pausa para respirar. - Todas as vezes em que a vejo Regina... - Levou-a para o terraço, sem nunca parar de tocá-la. - Tão linda, suave e serena, com algo ardendo no fundo deste olhar.

Empurrou a morena contra a porta, pressionando-a, beijando-lhe os lábios carnudos com muita fome. Havia algo mais nos olhos de Regina, agora. Emma podia ver que ela estava extremamente excitada. Era como se as duas tivessem consciência de que todo o desejo absurdamente insano que a loira mantivera acorrentado dentro de si durante semanas, se libertara de repente.

Com a respiração ofegante escapando dos lábios, Emma segurou-lhe o rosto entre as mãos.

- Diga-me, Regina, diga que você me quer. Agora. Do meu jeito.

Regina temia não ser capaz de falar, pois sentia a garganta seca e aquela necessidade tão imensa.

- Eu quero você. - O tom rouco da sua voz fez com que as chamas de desejo crescessem ainda mais dentro de Emma. - Agora, de qualquer jeito.

Swan prendeu os dedos no que sobrou blusa de Regina e viu seus olhos nublarem-se quando a rasgou ainda mais. Abriu a porta com um chute, a morena oscilou para trás, mas logo foi apanhada num abraço tórrido. Como sua blusa, o controle de Regina estava em frangalhos. As mãos de Emma seguraram-na pela cintura, depois ergueram-na fazendo com ela colocasse as pernas em volta da cintura da loira. Emma tomou-lhe os seios ainda por cima do sutiã com a boca. Tão enlouquecida quanto Emma, Regina arqueou o corpo para trás, as mãos agarrando os cabelos loiros.

- Emma... por favor. - A súplica escapou de seus lábios, pedindo por mais.

Swan a abaixou, apenas para poder capturar-lhe os lábios outra vez. Os dentes raspavam eroticamente em seus lábios inchados, a língua mergulhava fundo. Então, a loira sentiu que poderia explodir, no instante em que Regina começou a puxar-lhe as roupas freneticamente.

Foram aos tropeços em a direção da escada, puxando e arrancando as roupas. Os botões da camisa de Emma espalharam-se no chão. As mãos ávidas da loira apertavam o corpo moreno, marcando e arranhando, enquanto chegavam ao pé da escada.

- Aqui. - Emma a puxou para o chão, junto com ela. - Aqui mesmo.

A loira pode então saciar sua fome, percorrendo a boca por toda a pele de Regina, explorando impiedosamente cada parte daquele corpo maravilhoso, tomou-lhe o seu sexo desesperadamente, chupando, lambendo, beijando, Emma banqueteava-se com toda fome e desejo que sentia levando Regina sem nenhuma pausa para onde desejava. Não havia nenhuma paciência, ali, nenhum rígido controle. A morena que gemia alto ora agarrava com força os cabelos loiros ora arranhava-lhe os ombros enquanto se movia de encontro a boca da loira.

Quando Emma subiu para tomar-lhe os lábios Regina retribuiu com paixão puxando Emma com tanto afinco e com ansiedade provando do próprio gosto, Regina sentia-se invencível, imortal, absolutamente livre. Seu corpo estava vivo, nunca estivera tão vivo, com o coração disparando loucamente em seu peito. O mundo girava em torno de si, numa mistura de cores, luzes, rodopiando mais e mais rápido, até que ela foi forçada a agarrar-se no pilar da escada, para impedir-se de cair nos limites do universo.

Seus dedos embranqueceram em torno do pilar de madeira, quando Emma se posicionou sobre ela colando ainda mais seus corpos, as bocas ansiosas, frenéticas, experimentavam-se saboreando o gosto uma da outra. Regina conteve um grito quando a loira intercalou suas pernas juntando seus sexos fazendo a voar para um espaço infinito e quente.

Os gemidos que ambas soltavam mostrava que estavam além dos limites do que era são e racional. Movimentando-se loucamente sem nunca pararem de se beijar, até que foram tomadas pelo ápice, estremecendo, com as respirações falhas e os braços buscando uma a outra enquanto atingiam um mundo novo.

As mãos de Regina deslizavam fracamente pelas costas úmidas de Emma. A morena estava entorpecida demais para sentir a dureza do piso de madeira sob seu corpo. Queria abraçá-la, mas todas as suas forças tinham desaparecido. Não era possível focalizar a mente no que acabara de acontecer. Tudo o que se lembrava vinha em flashes de sensações, em explosões de emoções.

Aquele era o lado mais escuro e denso do amor, e nada poderia tê-la preparado para isso. Se aquela necessidade terrível era o que vivia dentro de Emma, Regina não conseguia compreender como a loira pudera contê-la por tanto tempo.

Regina virou o rosto molhado de suor beijando-lhe o pescoço alvo.

Debaixo do corpo da loira, que ainda estremecia, Regina estava tão imóvel quanto as águas de um lago. Emma esforçou-se para voltar à realidade. Precisava se mexer. Depois de tudo o que fizera a Regina, devia estar esmagando-a. Mas quando começou a virar, o corpo, Regina emitiu um pequeno som de desagrado, que aliviou sua consciência.

- Aqui, pequena, deixe-me ajudá-la.

Emma levantou-se e pegou um pedaço da blusa rasgada, numa tentativa de cobri-la. Contendo um palavrão, atirou-o para longe novamente. Regina havia se virado um pouco para o lado, obviamente procurando um mínimo de conforto. Pelo amor de Deus, Swan pensou com desgosto, ela a possuíra como se fosse uma maníaca.

- Gina... - Emma encontrou o que restava da sua camisa e tentou passá-la nos ombros dela. - Regina, nem sei como explicar.

- Explicar? - A voz dela era quase inaudível. Sentia a boca seca.

- Não há nenhuma explicação possível... Deixe-me ajudá-la. - O corpo da morena escorregava como cera entre os braços de Emma. - Vou pegar alguma roupa para você, ou...

- Acho que não consigo levantar. - Regina umedeceu os lábios, sentindo o gosto da loira. - Não por um ou dois dias, pelo menos. Mas está tudo bem. Vou ficar aqui mesmo.

Franzindo a testa, Emma tentou interpretar o que ouvira na voz dela. Não era raiva. Nem tampouco angústia. Parecia que... ela estava muito satisfeita.

- Você não está zangada?

- Humm? Deveria estar?

- Bem, eu... Eu praticamente a ataquei. Eu realmente ataquei você, quase possuindo-a no banco do carro, rasgando suas roupas, arrastando-a até aqui e devorando o que sobrou de você ao pé da escada.

Com os olhos fechados, Regina respirou fundo e depois suspirou, com um leve sorriso.

- Sim, é verdade. E foi a primeira vez que alguém me devorou. Acho que nunca mais vou passar por uma escada sem me lembrar disso.

Delicadamente, Emma tocou-lhe o rosto até que a morena abrisse os olhos.

- É que eu pretendia pelo menos chegar até o quarto.

- Acho que, eventualmente, acabaremos chegando lá. - Reconhecendo a preocupação nos olhos verdes, Regina segurou-lhe o pulso. - Emma, acha que eu ficaria zangada por você me querer tanto assim?

- Pensei que você ficaria chateada porque esta não é a maneira a que está acostumada.

Ela sentou-se com algum esforço, fazendo uma careta ao sentir as dores que, não demoraria muito, se transformariam em manchas arroxeadas.

- Não sou feita de cristal. E qualquer maneira de amor é certa. Mas... - Passou os braços no pescoço da loira e sorriu, maliciosa. - Nas circunstâncias, fiquei contente por ao menos termos conseguido esperar até entrar em casa.

Emma deslizou as mãos pelos quadris da morena, pelo prazer de puxar-lhe o corpo contra si.

- Minha vizinha é bastante liberal.

- Não é a primeira vez que me dizem isso. - Regina mordiscou-lhe o lábio levemente. Lembrando-se do prazer que Emma lhe dera com eles, começou uma lenta jornada pelo pescoço da loira. - Felizmente, a minha vizinha entende bem de paixões. Duvido que eu faça qualquer coisa capaz de chocá-la. Mesmo se lhe disser que quase sempre crio fantasias com ela durante a noite, quando estou sozinha na cama.

Era impossível, mas Emma sentiu-se estremecer contra ela. O desejo profundo, ardente, começou a emergir outra vez.

- É mesmo? Que tipo de fantasias?

- De tê-la vindo até mim. - A respiração de Emma acelerou-se, quando Regina começou a beijá-la nos ombros. - Vindo para minha cama, quando a tempestade explode no ar. Posso ver seus olhos sob o brilho dos relâmpagos, e sei que ela me deseja de uma maneira que ninguém jamais me desejou, nem irá me desejar.

Sabendo muito bem que se não tomasse alguma atitude agora elas acabariam esparramando-se novamente na escada, Emma levantou-se e ajudou-a a fazer o mesmo.

- Só não posso lhe dar os relâmpagos.

Regina sorriu, enquanto Emma a carregava para o quarto.

- Você já me deu Swan.

Horas e horas mais tarde, as duas estavam ajoelhadas na cama desfeita, banqueteando-se com uma pizza. Regina perdera a noção do tempo, e nem queria saber se era noite ou madrugada. Elas tinham feito amor, conversado, dado boas risadas e, depois, amaram-se novamente. Nenhuma noite, em toda sua vida, havia sido tão perfeita. Então, que importância tinha o tempo?

- Guinevere não foi uma heroína. - Regina lambeu o molho de tomate dos dedos. Elas haviam discutido poesia épica, desenhos animados, lendas antigas e clássicos de terror. Não estava bem certa de como tinham ido parar em o rei Arthur e Camelot, mas, na questão da esposa do rei, Regina mantinha-se firme. - E também não foi uma personagem trágica.

- Pois eu pensei que você, com sua compaixão, pudesse simpatizar-se mais com a situação dela - Emma retrucou, pegando o último pedaço na caixa de papelão que haviam deixado no meio da cama.

- Por quê? Ela traiu o marido e ajudou a destruir um reino, apenas por ter sido fraca e autoindulgente.

- Ela estava apaixonada.

- O amor não desculpa todos os atos. - Divertida, Regina inclinou a cabeça e observou-a sob a meia luz do ambiente. Emma parecia gloriosamente linda usando apenas uma calcinha e com os cabelos desgrenhados. - Isso não é tão típico de algumas pessoas? Encontrar desculpas para a infidelidade somente porque está descrita em termos românticos.

Emma não sabia se isso era exatamente uma ofensa, mas a fez encolher-se um pouco.

- Só acho que ela não tinha nenhum controle da situação.

- Ora, é claro que tinha. Ela teve uma escolha, e fez a pior, exatamente como Lancelot. Toda aquela conversa rebuscada sobre cavalheirismo, heroísmo e lealdade, enquanto os dois traíam um homem que os amava, apenas porque não puderam se controlar? - Ela atirou os cabelos para trás. - Isso é besteira.

Emma riu, antes de bebericar o vinho.

- Você me surpreende. E eu que pensei que você fosse uma romântica. Uma mulher que sai para colher flores sob a lua cheia, que coleciona esculturas de fadas e magos, e condena Guinevere porque ela amou sem pensar.

Regina lançou lhe um olhar fuzilante.

- Ah pobre Guinevere... – ironizou revirando os olhos.

-Espere um pouco. -Emma riu, divertindo-se imensamente. Não havia ocorrido a elas que estavam discutindo sobre pessoas consideradas fictícias. - Não vamos esquecer dos outros personagens. Merlin deveria estar tomando conta de tudo. Por que ele não tomou nenhuma providência?

Regina limpou meticulosamente os farelos de pizza das pernas nuas.

- Não cabe a um mago interferir no destino.

- Ora, estamos falando do campeão dos magos, aqui. Com apenas um encantozinho ele teria acertado tudo.

- E alterado inúmeras vidas - Regina salientou, fazendo um gesto com o copo. - Teria modificado a História. Não, ele não podia fazer isso, nem mesmo por Arthur. As pessoas, sejam feiticeiros, reis ou simples mortais, são responsáveis pelos seus próprios destinos.

- Mas ele não teve nenhum problema em tornar-se cúmplice do adultério quando disfarçou Uther como sendo o duque da Cornualha e tomando Tintagel, para que Igraine concebesse Arthur, no início.

- Porque este era o destino – a morena retrucou com toda paciência, como se estivesse falando com Henry. - Este era o propósito. Apesar de todo o poder de Merlin, de toda sua grandeza, seu ato mais essencial e único foi fazer com que Arthur existisse.

- Pois isso não me parece direito. - Emma engoliu o último pedaço de pizza. - Um encantamento está certo, outro não.

- Quando você possui um dom, é sua responsabilidade saber como e quando usá-lo, e como e quando não usá-lo. Pode imaginar o quanto ele sofreu, vendo alguém a quem amava ser destruído? Sabendo, mesmo quando Arthur foi concebido, como tudo iria terminar? A magia não o separa das emoções e da dor. E raramente protege quem a possui.

- Imagino que não. - Emma, nas histórias que escrevia, fazia com que as fadas e magos sofressem. Isto lhes concedia um elemento humano e cativante. - Quando eu era criança, costumava sonhar que vivia na época de Camelot.

- Deixa eu adivinhar, você era da guarda real e lutava contra dragões?

- É claro. Participando de todas as batalhas, desafiando o Cavaleiro Negro e acabando com ele.

- É claro.

- Então eu cresci e descobri que poderia ter o melhor dos dois mundos, vivendo naquela época aqui... – A loira bateu com o dedo na cabeça. - Quando estava escrevendo. E ter todos os confortos do século vinte.

- Como pizza, por exemplo.

- Como pizza - Swan concordou. - Um computador, em vez de uma pena de escrever. Roupas de baixo de algodão. Água quente e encanada. Por falar nisso... - Emma segurou a barra da camiseta que dera para a morena vestir. Moveu-se num impulso, provocando-lhe um gritinho quando puxou Regina para cima do ombro e saiu da cama.

- Onde você vai? – A morena riu.

- Água quente encanada - Emma repetiu. - Acho que está na hora de lhe mostrar o que sou capaz de fazer no chuveiro.

- Vai cantar Swan?

- Talvez mais tarde. - No banheiro, Emma abriu a porta de vidro do boxe e girou as torneiras. - Espero que goste de água quente.

- Bem, eu... - Regina ainda estava no ombro dela, quando Emma entrou embaixo do chuveiro. Com a água correndo, ficou imediatamente ensopada. - Swan, você vai me afogar!

- Desculpe-me. - Ela mudou de posição, pegando o sabonete. - Sabe, foi este banheiro que me convenceu a comprar a casa. O boxe é bem espaçoso. - Deslizou o sabonete pela perna de Regina. - E é melhor ainda com as duas duchas.

Apesar da água quente, Regina estremeceu quando ela passou o sabonete na parte interna do seu joelho, formando pequenos círculos.

- É um pouco difícil apreciar seu chuveiro na posição em que estou. - Ela afastou os cabelos molhados do rosto, reparando que o piso do boxe era de azulejos espelhados. - Ora, ora...

Emma riu e deslizou a mão lentamente para a coxa de Regina.

- Dê uma olhada no teto.

Quando foi colocada no chão, ela ergueu a cabeça deparando-se com o próprio reflexo.

- Ahn... Não fica coberto pelo vapor?

- É um vidro especial. Realmente fica um pouco embaçado, se a gente demora muito no banho. - E Emma pretendia demorar ali. Passou a ensaboar todo o corpo dela, centímetro por centímetro. - Mas isso acrescenta um certo charme à atmosfera. - Com delicadeza, pressionou-a contra a parede, espalmando as mãos sobre os seios cobertos pela camiseta molhada. - Quer ouvir uma das minhas fantasias Mills?

- Eu... ah... - Emma massageava-lhe os seios. - Sim, parece justo.

- Tenho uma ideia melhor. - Emma passou os lábios sobre os dela, provocando-a, fazendo-a respirar mais rápido. - Que tal lhe mostrar? Primeiro, vamos nos livrar disso. - Puxou-lhe a camiseta pela cabeça, jogando-a no chão. - Eu começo por aqui. - Brincando com os lábios dela, passou o sabonete pelos ombros. - E não paro mais, até chegar nos dedos dos seus pés.

Regina tinha a impressão de que o chuveiro iria juntar-se às escadas nas profundezas mais eróticas da sua imaginação. Agarrando os quadris de Emma como apoio, ela arqueou o corpo enquanto a loira deslizava as mãos molhadas e ensaboadas em seus seios.

Vapor. Estava em torno delas, em toda parte. O ar denso e úmido tornava quase impossível respirar. Uma chuva tropical, a água caindo sobre elas, o calor aumentando. O sabonete cremoso fazia com que seus corpos escorregassem deliciosamente, quando se moviam juntas. Regina passou as mãos nas costas e depois nos seios de Emma, acariciando e apertando, sentindo a loira estremecer sob seu toque.

Ardiam de desejo. Era o poder encontrando o poder. Não havia mais dúvidas de que Regina poderia lhe devolver o prazer selvagem, louco e ardente que Emma lhe oferecera antes. Um prazer muito mais doce, muito mais profundo, porque era gerado do amor, e não apenas da paixão.

Regina queria mostrar a loira. E iria mostrar.

Suas mãos deslizaram pelo corpo da loira, pelos ombros, pelos braços fortes, colo, seios. Regina murmurava palavras de prazer no ouvido de Emma enquanto traçava os dedos pelas costelas, até a barriga lisa e plana. Emma balançou a cabeça, tentando clareá-la. Esperava seduzir Regina, mas estava sendo seduzida. As mãos da morena flutuando pela sua pele escorregadia lançavam flechas de um desejo doloroso em todo seu sistema.

- Espere. – Disse quando Regina se ajoelhou. Sabia que, se ela a tomasse agora, seria incapaz de se conter.

- Shii. - Beijando próximo a virilha da loira enquanto pegava uma de suas pernas e colocava no ombro Regina a vencera. – Quietinha Swan...

Sua boca fechou-se nela, sugando, lambendo, tomando tudo o que Emma lhe dava, a loira gemia sentindo a língua da morena e movimentava-se devagar de encontro a boca. Um súbito lampejo de triunfo explodiu dentro de Regina, ao sentir o estremecimento rápido e involuntário de Emma sabendo que a loira estava próxima de chegar ao ápice, então, sem afastar a boca, Regina penetrou-lhe dois dedos.

- Regina... – Emma perdeu o controle do seu corpo, quando a morena intensificou as investidas de seus dedos e língua. – Regina eu...

Apoiando-se como podia na parede, Emma gozou escandalosamente, sentindo todas as terminações nervosas do seu corpo em pane, num orgasmo enlouquecedor, a loira ainda convulsionava quando Regina tirou sua perna do ombro e subiu enlaçando sua cintura encarando o rosto de Emma que estava de olhos fechados demonstrando expressões de prazer.

Emma parecia uma deusa recém-saída do mar. Os cabelos molhados grudavam-se como ouro em seu rosto. A pele brilhava com as gotas d'água. Ela estava linda. Ela era magnífica. E era toda sua.

Ao abrir os olhos a loira encostou Regina contra a parede e levantou uma das pernas da morena enlaçando o seu quadril.

- Segure-se em mim.

Regina passou os braços em torno de pescoço da loira, mantendo os olhos abertos. Emma penetrou-a ali mesmo, aprofundando os dedos nela enquanto a água caía em seus corpos. Ofegando o nome da loira, Regina deixou a cabeça cair para trás. Através das nuvens de vapor, viu o reflexo de ambas no teto, uma maravilhosa mistura de membros.

Um gemido de prazer indescritível escapou de seus lábios sentindo Emma dentro de si, enquanto ela recostava a cabeça no ombro da loira. Estava perdida, pensou. E dava graças a Deus por isso.

- Eu amo você.

Regina não sabia se as palavras estavam em sua mente ou se tinham saído de seus lábios. Mas pronunciou-as vezes sem conta, até que seu corpo se contorceu formando um arco enquanto gritava.

Emma tirou os dedos de dentro dela, depois apoiou-se na parede, segurando o corpo da morena que desfalecera. Seu coração ainda rugia em seus ouvidos quando fechou as mãos em torno da cintura de Regina.

- Diga-me agora.

Regina estava sorrindo, mas vacilou um pouco e fitou-a através dos olhos semicerrados.

- Dizer o quê?

Emma pressionou os dedos com mais força, e Regina enxergou com mais nitidez.

- Que você me ama. Diga-me agora.

- Eu... Não acha que devemos nos enxugar? Faz muito tempo que estamos na água. - Com um gesto impaciente, a loira fechou as torneiras.

- Quero olhar para você, quando você falar, e quero estar acordada. Vamos ficar aqui mesmo, até que você diga.

Regina hesitou. Emma não fazia ideia de que estava obrigando-a a tomar o passo seguinte na direção de tê-la para sempre consigo, ou perdê-la. O destino, Regina pensou, e as escolhas. Chegara a hora de fazer a sua.

- Eu amo você, Emma Swan. Não estaria aqui, se não a amasse.

Os olhos de Emma aqueceram-se, intensos. Lentamente a pressão dos braços da loira suavizou-se, o seu rosto relaxou.

- Sinto como se tivesse esperado minha vida inteira para ouvi-la dizer isso.

Regina afastou-lhe os cabelos molhados do rosto.

- Pois só bastava perguntar. - Emma tomou-lhe as mãos.

- Você não precisa linda. - Vendo que Regina começava a tremer, saíram do boxe e Emma pegou uma toalha. Enrolou-a no corpo moreno e abraçou-a, para aquecê-la melhor. - Regina. - Uma profunda ternura emergiu de dentro da loira, enquanto beijava seus lábios, seu rosto, seus olhos. - Você não precisa perguntar. Eu amo você. Você trouxe à minha vida algo que pensei que nunca, nunca mais poderia ter.

Com um suspiro entrecortado, Regina recostou o rosto no ombro de Emma. Aquilo era real, pensou. Estava mesmo acontecendo. E ela teria de encontrar uma forma de manter tudo assim.

- Você é tudo o que sempre desejei. Não deixe de me amar, Emma, não pare de me amar.

- Eu não poderia. - Emma afastou-a um pouco. - Não chore.

- Eu não choro. - As lágrimas brilhavam nos olhos dela, mas não corriam em seu rosto. - Eu não choro.

Regina não derrama lágrimas, mas irá derramá-las por você.

As palavras de Killian ressoaram incomodamente nos ouvidos de Emma. Mas ela as afastou com firmeza. Isso era ridículo. Não fizera nada para magoá-la. Abriu a boca, depois fechou-a novamente. Um banheiro cheio de vapor não era o lugar para o pedido que queria fazer. E, além disso, havia coisas que precisava dizer a morena, primeiro.

- Vamos nos vestir. Precisamos conversar.

Regina estava feliz demais para dar atenção à leve incerteza que a invadiu. E riu quando a loira a levou no colo para o quarto e enfiou uma camiseta pela sua cabeça. Com um ar sonhador, ela serviu mais vinho para as duas, enquanto Emma vestia a calça jeans.

- Quer vir comigo? - Emma estendeu a mão, que Regina aceitou no mesmo instante.

- Para onde vamos?

- Quero lhe mostrar uma coisa. - Levou-a pelo corredor até o escritório. Encantada, Regina fez um giro no meio da sala.

- É aqui que você trabalha.

Ali estavam as janelas amplas e sem cortinas, com os batentes de cerejeira entalhada. Dois tapetes persas, antigos e gastos, estavam sobre o piso de madeira polida. O céu estrelado surgia através das claraboias duplas. Um notebook, pilhas de papéis e muitas estantes de livros anunciavam que aquele era o seu local de trabalho. Mas Emma acrescentara um charme extra com as gravuras emolduradas e uma coleção de dragões e cavaleiros medievais que deixaram Regina intrigada. A fada alada que ela comprara na loja de Zelena estava num lugar de destaque, num pedestal alto e trabalhado.

- Você precisa de algumas plantas - Regina decidiu imediatamente, pensando nos narcisos e azaléias que acabara de plantar em vasos, em sua estufa. - Imagino que você fique horas nesta sala, todos os dias. - Espiou no cinzeiro vazio ao lado do computador.

Seguindo o olhar dela, Emma franziu a testa. Era estranho, mas havia dias que não acendia um cigarro. Até se esquecera disso. Teria de congratular-se por isso mais tarde.

- Às vezes fico olhando pela janela, quando você está no jardim. Fica difícil me concentrar no trabalho.

Regina riu e sentou na beirada da escrivaninha.

- Vou lhe comprar uma persiana.

- Nem pense nisso morena. - Emma sorriu, mas enfiou as mãos nervosamente nos bolsos. - Eu quero lhe falar sobre Ruby.

- Em... - A compaixão fez com que ela se levantasse, indo até a loira. - Eu entendo. Sei que é doloroso. Você não precisa me explicar nada.

- Preciso, sim, por mim. - Segurando a mão dela, virou-se para mostrar um desenho pendurado na parede. Uma linda jovem estava ajoelhada junto a um riacho, mergulhando uma peneira dourada na água. - Ela fez este desenho antes de Henry nascer. Deu-me de presente.

- É lindo. Ela era muito talentosa.

- Sim, muito talentosa e muito especial. - Emma bebeu o vinho, num brinde inconsciente ao amor perdido. - Eu a conheci pela maior parte da minha vida. A linda Ruby Lucas.

Emma precisava falar, Regina pensou, então ela ouviria.

- Vocês namoraram durante a escola?

- Não. - Ela riu. - Bem longe disto. Ruby era a líder da torcida, a presidente da classe, a garota mais bonita e popular da escola. Nós pertencíamos a grupos diferentes, e eu estava uns dois anos adiantada. Eu passava por aquela fase rebelde, indo a festas no meio da semana, matando as aulas, essas coisas.

Regina sorriu, tocando-lhe o rosto.

- Eu gostaria de ter visto isso.

- Enquanto eu fumava escondida no banheiro da escola, Ruby pintava os cenários para as peças de fim de ano. Nós nos conhecíamos, mas parava por aí. Fui para a faculdade, e acabei indo morar em Nova York. Parecia algo necessário, desde que eu queria ser escritora, morar num apartamento barato e passar fome.

Regina passou o braço em torno da loira, oferecendo-se conforto instintivamente, esperando que Emma organizasse os pensamentos.

- Certo dia, eu estava numa padaria que ficava na esquina de onde eu morava, e olhei por cima do balcão. Ali estava ela, tomando café com croissant. Nós começamos a conversar. Você sabe... o que estávamos fazendo ali, sobre a velha vizinhança, o que aconteceu a quem. Este tipo de coisas. Foi bom e excitante. Lá estávamos nós, duas garotas, sobrevivendo na grande e perigosa Nova York.

E o destino as uniu, Regina pensou, numa cidade de milhões de habitantes.

- Ela estava cursando a Escola de Belas Artes - Emma prosseguiu -, e dividia um apartamento com outras garotas, a apenas dois quarteirões de distância do meu. Eu acompanhei-a até o metrô. Fomos passeando, conversando, comparando desenhos, falando durante horas. Ruby era tão cheia de vida, de energia, de ideias. Nós acabamos deslizando para uma paixão, ou algo mais meigo do que isso. - Os olhos verdes suavizaram-se enquanto observavam o desenho. - Foi muito lentamente, muito docemente. Nós nos casamos um pouco antes de eu vender meu primeiro livro. Ela ainda estava na faculdade.

Emma teve de calar-se por um instante, enquanto as lembranças retornavam com força total. Instintivamente, pegou a mão de Regina. Que se abriu, entregando-lhe todo o apoio e amor que podia.

- Então, tudo parecia perfeito. Nós éramos jovens, felizes, apaixonadas. Ela já vendia seus trabalhos. Quando resolvemos ser mães, foi eu quem engravidou, decidimos nos mudar para uma casa, criar nosso filho no clima saudável e agradável dos subúrbios e perto das nossas famílias. Então Henry nasceu, e parecia que nada de mal poderia nos acontecer. Exceto que um tempo depois que eu dera à luz Ruby começou a emagrecer muito, estava sempre sonolenta, fraca, eu dizia que não podia ser normal que devíamos ir ao médico, mas ela desconversava dizia que estava cansada do trabalho. Ela então começou a ter desmaios e eu finalmente convenci ela a ir no médico, ela fez os exames, mas devido a uma confusão qualquer no laboratório, a doença não foi diagnosticada de imediato. Quando descobrimos que ela tinha câncer, já era tarde demais.

- Ah, Emma. Eu sinto muito, sinto tanto...

- Ela sofreu. Isto foi o pior. Vê-la sofrer e não poder fazer nada. Eu presenciei a morte dela, pouco a pouco. E pensei que morreria, também. Mas havia Henry. Ruby tinha apenas vinte e três anos, quando a enterrei. Henry acabara de fazer dois. - Emma respirou fundo, antes de virar-se para Regina. - Eu amei Ruby, e sempre vou amar.

- Eu sei. Quando alguém toca a nossa vida desta maneira, jamais nos esquecemos.

- Depois que a perdi, parei de acreditar nos finais felizes, exceto aqueles que acontecem nos livros. Não queria me apaixonar novamente, arriscar-me a sentir toda aquela dor outra vez, nem por mim, nem por Henry. Mas estou amando novamente. O que sinto por você é tão forte que me faz acreditar outra vez. Não é o mesmo que senti antes. Não é menos. É apenas... nosso.

Regina acariciou-lhe o rosto, compreendendo.

- Emma, você achou que eu lhe pediria para esquecê-la? Que eu poderia sentir ciúme ou ressentimento do que você teve com ela? Isso só faz com que eu a ame ainda mais. Ela a fez feliz. Só gostaria de tê-la conhecido, também.

Absolutamente emocionada, Emma fitou-a.

- Case comigo, Regina.