Capítulo 11

Edward soltou Bella tão rápido como a tinha sujeitado e se afastou.

– Isso não tem sentido.

– Não tem? – ela sacudiu a cabeça e esfregou o pulso dolorido – Estou do seu lado, Edward. A mulher de Caius traiu sua confiança e mentiu porque queria o dinheiro da sua família.

– Mas disse que desejava que seu matrimônio funcionasse.

– Desejava isso, a princípio. Por que nessa época eu estava grávida. Pensei que se Caius, herdeiro da família, podia sobrepor-se a um matrimônio apoiado em um filho inesperado, então possivelmente nós também teríamos uma oportunidade. Eu não tinha a menor ideia de que ela estava mentindo. E vi o que sua traição fez com sua família. Li em suas cartas. E senti em suas palavras. Era cada vez mais difícil confessar a verdade a você. Odiava essa mulher. Odiava-a porque tinha enganado seu irmão para que se casasse. E tinha entrado na família utilizando uma gravidez mais que suspeita. Pra falar a verdade. Claro que desejava dividir com você a notícia da minha gravidez, mas como eu poderia anunciar outra gravidez inesperada nessas circunstâncias?

Uma família dividida pela desconfiança, arrasada pela dor e a tragédia? Duvido. A pessoa que eu conheci em Creta teria feito algo para poupar sua família de mais desgostos.

Bella fez uma pausa para tomar ar e para ver suas palavras tinham tido algum efeito. Percebeu que tinha adotado um tom muito nobre.

– Além disso, me acovardei – Edward levantou o olhar para ela, mas Bella o mandou se calar até que tivesse terminado – A reação de sua família me assustava. Temia que me odiassem pelo que tinha acontecido. Temia que me acusassem de mentirosa, interesseira e que me proibissem de voltar a te ver. Bella deu de ombros e suspirou.

– Assim escolhi o caminho mais fácil. Guardei em segredo o nascimento de Jacob porque sabia que era seu filho. Tinha desfrutado das férias em Creta e sempre teria Jacob comigo para me lembrar de você.

– Não é nenhuma covarde, Isabella – Edward disse com seus olhos negros cravados nela com intensidade – Eu nunca conheci uma mulher mais valente que você.

– Não acredite nisso – ignorou seu comentário – Me acovardei cada vez mais quando Jacob cresceu. Queria que o conhecesse, mas temia que o afastasse de mim. E tinha motivos para ter medo.

– Mas vai deixá-lo partir – apontou Edward.

– Não quero fazer isso – assentiu a contra gosto – Mas é o mais justo. Tem direito a desfrutar de nosso filho. Afinal é obra dos dois.

O silêncio tomou conta da sala enquanto ambos permaneciam quietos. Finalmente Edward lançou um suspirou e cruzou a sala e parou de frente para ela, lhe acariciando a bochecha com a mão.

– Você entendeu o que quero dizer? Nunca conheci uma mulher com tanta força.

Bella apoiou o rosto contra sua mão em um gesto instintivo e aceitou a carícia.

– Lutou sozinha para educar nosso filho ao longo destes anos – Edward acrescentou – E agora vai entregar ele para mim.

Um nó se formou em sua garganta, em outro momento essas palavras teriam sido uma acusação. Mas agora pareciam mais próximas ao respeito. Algo tinha mudado, algo que lhe deu esperança e ânimo para continuar.

– Estava enganada – disse com a voz entrecortada – Eu acreditava que estava fazendo o melhor ao lhe ocultar isso, mas isso só complicou as coisas. Sinto muito Edward...

Afundou a cabeça enquanto as lágrimas espreitavam em seus olhos chocolates e Edward a estreitou entre seus braços contra seu peito.

Esfregou as costas de Bella enquanto lhe acariciava a bochecha com a outra mão. Sentiu a umidade na ponta de seus dedos enquanto Bella soluçava.

Mas não chorou, tal como tinha achado quando a tinha abraçado, e notou como lutava para se controlar cada vez que respirava. Pensasse o que pensasse de si mesma, Isabella era uma mulher muito forte. Estava destroçada diante da perspectiva de que levasse seu filho para a Grécia, longe dela, mas se mantinha inteira.

De repente, pensou que tinha razão.

Edward afastou essa ideia de sua cabeça. Era inútil reviver o passado. Tinha que se concentrar no futuro, na Grécia, com seu filho. Mas ainda não se sentia confortável.

Caius tinha morrido. Jacob não teria seu tio nem seus avós para que o mimasse.

Como eles teriam reagido? Um neto que tinha vivido toda sua vida na outra ponta do mundo aparecia de repente em suas vidas? Conseguiria convencê-los? Assim como Caius tinha conseguido?

Então o que? Caius tinha sido vítima de uma mentira, de um engano. Seus pais teriam acreditado que Jacob era seu filho? Já não era mais um bebê e com certeza detectariam a semelhança.

Recordou a amargura daqueles dias, as brigas, as acusações terríveis e a fé de seu irmão, insistente e luminosa apesar de seu engano. E então a lógica implícita nas palavras de Bella fez sentido. Sua família não tinha acreditado que aquele menino fosse filho de Caius. Por que teriam acreditado que Jacob era seu filho?

De repente a névoa que tinha escurecido sua capacidade de raciocínio se dissipou e a verdade se revelou diante de seus olhos com implacável crueldade.

Seus pais ficariam desolados. Uma réplica da tragédia que tinha matado seu primogênito teria levado os dois para o tumulo. Nunca teriam permitido a entrada de Isabella na família. Não teria tido a menor oportunidade.

Inclusive se ele tivesse acreditado nela.

E estava seguro de que teria acreditado em sua palavra. Por naquela época estava loucamente apaixonado por ela. Como teria desconfiado de sua confissão?

Entretanto, na atmosfera daqueles dias... Olhou à mulher que tinha entre seus braços, sentiu seu fôlego quente através do fino tecido da camisa, desfrutou da pressão de seus seios contra seu torso e aspirou o aroma fresco que desprendia de sua pele. Baixou a cabeça e beijou sua testa.

– Não há nada de estranho que agisse como o fez – disse com doçura – Não precisa se desculpar.

Notou a reação de Bella e aproveitou esse momento. Ela se agitou entre seus braços, levantou o rosto um palmo, estirou os braços e se desdobrou como uma mariposa que fizesse uma primeira tentativa para sair da larva.

Levantou o rosto lentamente para se encontrar com ele. Aspirou uma última vez, piscou e olhou fixamente para Edward.

– Está falando sério? – perguntou, com medo de ter interpretado mal.

Apesar do cabelo desarrumado, do rastro das lágrimas nas bochechas e da boca entreaberta, nunca tinha estado tão bonita. Tão forte e tão vulnerável ao mesmo tempo. Uma força primitiva se apropriou de seu ânimo, impulsionando-o a possuí-la e fazê-la sua. Um gemido gutural evidenciou esse desejo primitivo até que seus lábios se amoldaram a boca de Bella.

Acariciou seus lábios com ternura e delicadeza. Era a melhor resposta que podia lhe oferecer enquanto tentava apagar a dor dos últimos anos, a angústia e a aflição que tinha sofrido por culpa de sua família.

A boca de Bella respondeu com cautela a esses cuidados até que separou os lábios em um suspiro e ofereceu consolo a Edward.

O tempo parou enquanto aceitava esse convite. O sabor desses lábios carnudos acendeu sua paixão e intensificou todas as sensações. E agora não tentava só aliviar a dor de Bella. Agora procurava sua própria absolvição.

Consciente dessa necessidade, Bella o beijou na boca, nos olhos e no rosto. Essas carícias aliviavam sua dor e avivavam seu desejo. Apertou seu corpo contra ele até que todas suas curvas encontraram uma zona de contato. As mãos de Edward delinearam sua silhueta como se fosse uma escultura de carne e osso aderida a sua figura.

Não tinha a menor dúvida da excitação de Edward. Tirou a camisa da calça e percorreu as costas nuas com as mãos, agarrando-o com tanta força que sentia as unhas cravadas em sua pele.

Edward grunhiu com uma mescla de prazer e dor, frustrado pela barreira que imposta pela roupa. Agora sua necessidade tinha se tornado mais insistente, mais carnal e precisava do contato da carne.

Passou as mãos pelas costas de Bella e abaixou ao longo da saia plissada. Enrolou o tecido nos polegares e subiu lentamente as mãos enquanto acariciava suas coxas à medida que arregaçava o tecido. Ela ofegou e se moveu um pouco para mudar o peso de corpo. Separou levemente as pernas e facilitou o acesso para que chegasse entre suas coxas, onde as mãos de Edward toparam com a calcinha de renda. Era o último obstáculo. A calcinha úmida de renda. Edward soltou um gemido.

Era como fogo líquido entre suas mãos e elevava sua temperatura até limites estratosféricos. E estava tão excitada como ele. Isso ameaçava tira-lo do sério. As mãos de Bella desceram até a calça e seus dedos se engancharam no cinto. Edward levantou seu queixo e obrigou Bella a olhá-lo no rosto.

– E Jacob? – perguntou.

– Vai demorar algumas horas para voltar – replicou com a respiração agitada, as pupilas dilatadas e resplandecentes.

Então a beijou, consciente de que tinha respondido a sua pergunta afirmativamente enquanto ela seguia imersa na luta com a fivela do cinto. Edward se ajeitou para lhe facilitar o trabalho. Estava ansioso para se libertar e cada vez que as mãos de Bella roçavam seu corpo, inclusive por cima do tecido jeans, seus movimentos o deixavam completamente louco. Agora tinha melhor acesso às costas de Bella e agarrou uma de suas nádegas por debaixo do tecido da calcinha com uma mão. Ela estremeceu e se apressou. Puxou o cinto e trabalhou com o zíper da calça.

Edward deslizou a mão até a fenda úmida que ardia e reclamava seu contato. Ela gemeu quando sentiu dois dedos entre suas dobras e se arqueou enquanto sua respiração se acelerava. Em pleno frenesi, atirou a calça para o lado e rodeou com uma mão a ereção enquanto separava o elástico da cueca com a outra mão. Ele então se viu livre e foi sua vez de gemer enquanto as mãos de Bella inflamavam seus sentidos.

De repente notou que precisava penetrá-la por completo. Arrancou a calcinha e levantou a saia de modo que sentisse a carícia do pêlo púbico contra sua ereção, pressionada contra seu ventre. Obrigou Bella a retroceder até a parede.

Ela o rodeou com os braços enquanto Edward levantava seu corpo no ar e colocou as pernas sobre seus quadris. Apoiou uma mão na parede e com a outra mão abriu caminho até ela, situando-se na entrada.

Ela gritou algo incompreensível, mas expressava claramente seu desejo, seu almejo, suas ânsias e soube que tudo isso correspondia com seus próprios sentimentos. Enterrou-se nela com uma forte sacudida e Bella apoiou a cabeça contra a parede, os olhos totalmente abertos em pleno êxtase.

Edward se retirou, aguardou na fronteira e investiu de novo, mais profundo. Gotas de suor acumulavam em seus olhos e compunham uma mescla de prazer e dor. Então aumentou o ritmo. Ela apertou os quadris contra ele tudo o que pôde fazer e acompanhou cada investida com um golpe seco de cintura. Queria guiá-lo até a zona mais profunda, ali onde o passado seria erradicado e a dor e a culpa se desvaneceriam para sempre.

Edward se conteve uma e outra vez para atacá-la com mais força. O desejo em seu interior crescia a cada vez mais, com uma urgência incontrolável. Bella alcançou o clímax ante seu ataque e gritou em febre. Os espasmos de seu corpo forçaram o orgasmo de Edward que descarregou sua paixão nela. Aconchegaram-se junto um ao outro enquanto recuperavam o fôlego e, depois de alguns minutos, Bella apoiou as pernas no chão. Seus joelhos fraquejaram e Edward a sustentou enquanto mordiscava o lóbulo de sua orelha. Tinha um sabor salgado, quente. As mechas úmidas de seu cabelo faziam cócegas em seu nariz.

Bella estava de costas contra a parede, os braços ao redor do pescoço enquanto seu pulso se acalmava e sentia o fôlego de Edward em seu cabelo. Tinha pensado que nada poderia superar o encontro que tinham tido na semana anterior, mas dessa vez estava emocionada física e mentalmente. E ainda queria mais. Apesar de que ter recuperado certa normalidade, o desejo seguia latente em seu corpo.

Queria senti-lo perto e rodeá-lo com seu corpo.

Havia dito que ela estava errada. E se ele estivesse errado? Bella estava perdida em seus braços, consciente dos prazeres que encontraria ali. Não havia como negar essas sensações. Ao menos enquanto estivesse apaixonada por ele. E certamente Edward também sentia algo por ela, não? Havia dito que não precisava se desculpar, mas não explicou o motivo. Suas posturas teriam se suavizado com relação a ela? Talvez agora fosse mais eloquente. Talvez agora que tinham acalmado esse desejo teriam tempo para conversar.

Parecia que Edward havia adivinhado seus pensamentos. Lançou um suspirou, levantou a cabeça e golpeou a parede com o punho fechado. Ela estremeceu diante desse inesperado golpe.

– Devo estar louco – se afastou e se grampeou os jeans.

Isabella ficou paralisada, gelada tanto pelas palavras de Edward como pelo vazio que seu corpo tinha deixado. Sua calcinha estava no chão, em sua frente como um sinal evidente de sua loucura.

Ela se separou da parede, recuperou a peça íntima e se encaminhou para seu dormitório. – Se você estiver louco, acho que isso me transforma em uma estúpida – disse.

Correu para o quarto, à espera do pranto, mas as lágrimas não chegaram. Sentia uma fúria que inflamava suas veias.

Edward a alcançou no corredor, segurou o pulso em que estava a calcinha e fez com que se virasse para olhá-lo. Seu olhar refletia um evidente suplício.

– Talvez nós dois tenhamos sido estúpidos. Estava me referindo ao fato de que não usei um preservativo. Desculpe, Isabella. Isso nunca tinha acontecido antes.

– Você está preocupado em ter me deixado grávida?

Pensou nessa possibilidade. Não era provável, mas existia essa possibilidade. Esse pensamento desenhou um sorriso em seu rosto. Seria, até certo ponto, irônico.

– Não é isso a única coisa que me preocupa – disse – Há outros riscos.

– Se te servir de consolo – disse com o olhar fixo na mão que retinha seu pulso

– é impossível que você tenha contraído algo. Pode ficar tranquilo.

– Se fosse isso que me preocupa, como pode ter certeza?

– Porque nunca existiu outra pessoa, Edward. Você foi minha única relação – levantou uma sobrancelha – Pode me dizer o mesmo?

– Sou um homem – soltou o pulso de Bella – O que você acha?

– Oh. Bom, acredito que você é um homem – interpretou mal a pergunta de Edward de propósito – Não acaba de me demonstrar isso? Mas certamente não há motivos para nos preocupar. Assim esqueça isso. Se acontecer algo, prometo que lhe direi.

– Não posso partir para a Grécia e te deixar aqui sozinha – disse.

– Estarei bem, Edward. Estou certa de que minha menstruação virá antes que suba nesse avião – deu de ombros – É tão simples como isso. Problema resolvido.

– Não. Deveria nos acompanhar até a Grécia.

Bella esfregou a testa com uma mão e entrou no quarto. Não podia encarar-lo meio nua. Pôs a calcinha quando Edward entrou no quarto. Bella se sentiu mais preparada para o confronto.

– Quer que eu volte para a Grécia? Por que retornaria para a Grécia só porque existe a probabilidade de estar grávida? Não posso me deslocar até a Grécia só por um desejo. Tenho uma vida própria. Responsabilidades. Meus pais virão para me ver no Natal. Como vou partir? Já será difícil lhes explicar a ida de Jacob. Por acaso mudou de opinião e quer que eu cuide de Jacob durante sua ausência devido ao trabalho? Ou simplesmente gosta de mim para fazer sexo? Vamos admitir! Caio com tanta facilidade em seus pedidos, algo do que também desfruto, que seria normal que pensasse nisso.

Edward vacilou um momento e Bella jurou que podia ver as maquinações que se desenvolviam em sua mente.

– Nesse caso, se case comigo – disse por fim – Virá na qualidade de minha esposa!