CAPÍTULO 11

Meu corpo enrijeceu. Não sabia o que dizer.

- É, já nos conhecemos sim. – Stephanie se adiantou aproximando-se mais da garota. – E ela não foi muito simpática comigo.

- Você... – finalmente encontrei minha voz – Você pode vê-la?

Pergunta estúpida, eu sei. Mas o que eu podia fazer? Ainda estava perplexa por encontrar alguém que também via fantasmas.

- Sim. Meio óbvio, não? – ela respondeu.

É. Demais. Idiota.

- É, mas é só que eu nunca tinha conhecido alguém igual a mim e... – espera aí. Tinha alguma coisa errada nessa história.

- O que foi? – ela perguntou estranhando meu silêncio.

- O que é você?

Ela pareceu ofendida com minha pergunta.

- Isso lá é coisa que se pergunte? O que eu sou? Pareço um bicho ou algo do tipo?

Algo assim, eu quis responder. Mas tratei de ser mais educada. Queria respostas e não podia deixá-la irritada.

- Você não é uma Mediadora. – não foi uma pergunta.

- Claro que sou!

- Não é, não! – insisti.

- Sou!

- Não é!

- Sou!

Ok. Parecíamos duas crianças birrentas, mas eu tinha certeza do que dizia. Sim, porque eu sabia que ela não poderia ser uma Mediadora. Tudo bem que ela via e falava com fantasmas assim como eu, mas tinha uma pequena diferença entre nós. Pequena, mas fundamental.

- Gente, eu acho que isso não vai levar a lugar nenhum. – Stephanie nos interrompeu. Ela estava sentada na beira da mesa do professor nos encarando divertida.

Ali estava a diferença.

- Stephanie – chamei -, vem aqui, por favor.

Ela se ergueu e veio até mim.

- O que você estava fazendo durante a aula? – perguntei para mostrar meu ponto de vista.

- Você está falando da minha brincadeira com ela? – Stephanie perguntou apontando para Gina. – Não era nada demais. Só uma coisinha para passar o tempo.

- Brincadeira irritante essa. – Gina retrucou.

- Ah, você gostava disso antes.

- Conjugou bem o verbo, Stephanie. Gostava!

- Certo, certo – interrompi. – Faça isso de novo, por favor.

- Quê? – Gina perguntou me olhando irritada. – Eu não gosto disso não. Dá arrepios. Ela que faça em você!

Mas Stephanie já estava se adiantando, rindo maliciosa e passou a mão por dentro do corpo de Gina, na altura da sua cintura. Ela deu um pulo para trás, bufando.

- Eu já disse pra você parar com isso, Steph. Não tem mais graça.

- Agora faça o mesmo comigo. – pedi encarando a fantasma.

- É festa, é? – ela perguntou, mas atendeu o meu pedido.

A diferença foi que sua mão não me atravessou, é claro! Fantasmas não me atravessavam como atravessavam humanos comuns. Por isso eu era uma mediadora. E ela não. Exatamente como eu pensei.

- Ai meu Deus! – Gina sussurrou antes que eu tivesse chance de me gabar. – Você é uma...

- Mediadora! – eu a interrompi com o queixo erguido.

- Não.

- Hein?! – perguntei confusa. – Você não viu minha prova, não?

- Mediadores não podem tocar em fantasmas, Suzannah.

- Do que você está falando?

- Eu sou uma Mediadora. Mas você... – ela fez uma pausa me analisando – Eu pensei que fosse mentira. Eu pensei que isso não existia.

Sua voz era baixa como se estivesse falando para si.

- Isso o quê?

- Mas só pode ser isso mesmo. Não tem outra explicação...

- Será que você poderia ser mais específica? – eu já estava irritada com isso.

- Você é uma Deslocadora. – ela ria num misto de incredulidade e veneração.

- Uma o quê?

- Uma Deslocadora – ela frisou bem a palavra. – Você não sabe mesmo o que é isso, não é?

Minha cara de espanto deve ter denunciado meu completo desconhecimento do assunto. Eu apenas meneei com a cabeça.

- Há quanto tempo você vê fantasmas?

- Desde sempre.

- E quem te falou que você era uma Mediadora?

- Meu pai.

- Ele é um Mediador?

- Não, ele... – eu pensei no meu pai e um sentimento forte de saudade me atingiu. – ele está morto.

- Ah... – ela ficou meio sem graça por ter tocado no assunto. – Sinto muito.

- Tudo bem... já faz muito tempo.

- Bem... enfim... ele estava errado. Com todo o respeito. – ela acrescentou na tentativa de soar menos ofensiva. Não funcionou.

Ela não poderia vir difamando meu pai dessa forma. Não que ela tenha falado mal dele. Não diretamente. Mas ela disse que ele mentiu, então dá na mesma.

- Meu pai não brincaria com uma história dessas. Ele...

- Eu não estou dizendo que ele mentiu. – ela se adiantou. – O mais provável é que ele tenha recebido essa informação de algum fantasma. E os fantasmas só conhecem os Mediadores.

- Como assim?

- Um fantasma que encontra um Deslocador não volta pra contar a história.

- Opa. – Stephanie entrou na conversa depois de passar o tempo todo apenas nos observando. – Acho que essa é minha deixa.

- Relaxa, Steph. Ela nem sabe como fazer isso.

- Fazer o quê? – do que é que ela estava falando? Que papo é esse de Deslocador?

- Eu não vou arriscar. Gosto muito desse mundo. – e sumiu.

- Medrosa. – Gina riu.

- Vai me explicar? – eu estava impaciente.

- Não se importa de perder a aula?

Só agora me dei conta do silêncio nos corredores. A aula já tinha começado novamente e eu estava atrasada, mas não me importei nem um pouco com isso. Aquilo era bem mais importante. Era a minha vida e o que eu era.

- Não.

Ela fez sinal para que eu me sentasse em uma das cadeiras e puxou outra movendo-a de forma que ficássemos frente a frente.

- Um Deslocador tem a capacidade de transportar um fantasma entre diferentes mundos. Inclusive o mundo dos mortos.

- Mundo dos mortos? Isso é o quê? O Céu? O inferno?

- Não. É mais como um limbo. Um local onde almas são encaminhadas para decidir o destino final. Seja ele qual for.

- E como é lá?

- Eu não sei. – ela deu de ombros, indiferente. – Nunca fui. Só sei que é uma espécie de sala cheia de portas.

- E como você sabe isso? Por que com certeza não foi um fantasma que te contou.

- Não, não foi. – ela respirou fundo antes de continuar – Sabe, nem todos nascem com esse dom. Eu, por exemplo, passei a ver fantasmas depois que sofri um acidente de carro quando eu tinha doze anos. Eu bati com a cabeça e fiquei em coma por seis semanas. Quando acordei a Steph estava do meu lado.

Eu franzi a testa totalmente pasma com essa revelação.

- Ela é minha irmã. – ela esclareceu com pesar. – Estava no carro comigo.

- Eu... sinto muito. Mesmo.

- É... mas continuando a história – sua voz voltou ao normal – Eu fiquei super confusa por, de repente, estar vendo um monte de fantasmas na minha frente e Stephanie me ajudou nisso. Ela falou com outros fantasmas e acabou descobrindo que tinha outra pessoa em New York que também era assim. Eu o procurei e ele me explicou tudo sobre Mediadores e Deslocadores. O avô dele era um grande estudioso do assunto e passou todos os conhecimentos para o neto antes de morrer.

- Esse seu amigo é um Deslocador?

- Não. Mediador. Mas o avô dele disse que conhecia alguém que conheceu um a um tempo. Mas eu não acreditei muito nisso. Paul acreditava apesar de nunca ter conhecido nenhum.

- Paul?

- É o cara de New York.

- Ah... e... o que ele falou sobre os... Deslocadores?

- Ele disse que eram parecidos com nós, Mediadores, com a diferença de poder tocar os fantasmas e se deslocar entre os mundos.

- E como isso funciona?

- Eu não sei bem. Você sabe, eu... não acreditei muito na história.

- Por que não?

- Ah, sei lá... – ela deu de ombros – Paul nunca tinha visto e nenhum fantasma sabia da existência deles...

Eu tive que rir com essa.

- Ninguém acredita que fantasmas existem e ainda assim... – deixei a frase pela metade e a encarei com uma sobrancelha erguida.

Pra alguém que vê fantasmas ela era bem cética com relação ao assunto.

- É... eu sei.

- E esse... – eu fiz uma pausa tentando lembrar o nome – Paul... sabe mais a respeito dos deslocadores?

- Claro! Ele sabe tudo.

- Como eu faço pra falar com ele?

Tinha milhares de perguntas e precisava das respostas o quanto antes. Eu passei toda minha vida achando que era uma coisa e de uma hora para outra descobria que eu estivera errada a respeito.

- Eu tenho o telefone dele. – Gina riu e se levantou – Ele vai ficar super empolgado quando te conhecer.

Eu anotei o número que ela me deu. Minha vontade era correr para casa e ligar logo para ele, mas eu ainda tinha aulas para assistir. Nós duas esperamos o corredor encher de alunos novamente e saímos da sala nos misturando à multidão.

- O que deu em você? – Cee Cee perguntou em determinado momento. Já estávamos na última aula do dia e eu estava tão ansiosa para chegar logo em casa que nem reparei que estava balançando a perna sem parar num gesto nervoso.

- Não é nada. – respondi rápido controlando o movimento involuntário da minha perna.

Cee Cee continuou me olhando pelo canto do olho, mas não disse mais nada.

Quando a aula finalmente acabou eu saí correndo da sala depois de dar um rápido "até amanhã" para Cee Cee e Adam e fui para o estacionamento esperar por Brad e Jake. Eu suspirei aliviada quando eles finalmente apareceram.

- Dá pra ir mais rápido, Jake? – perguntei sentada no banco de trás do carro, o encarando pelo retrovisor.

- Pra quê a pressa?

- Eu só quero chegar logo em casa.

- Pra quê? – ele me olhou desconfiado por cima do ombro.

- Tenho umas coisas pra resolver. Urgentes.

- E isso é da minha conta? Já estamos no limite da velocidade e eu não quero ser multado.

Essa era a parte ruim de se morar numa cidade cheia de turistas. O limite de velocidade era muito baixo para pessoas com pressa. O jeito era apelar para o ponto fraco dos homens.

- Tudo bem, só não reclama se eu manchar o banco do seu carro.

- Manchar com o quê? – ele perguntou olhando para mim pelo retrovisor.

- Acho que fiquei menstruada.

Isso foi o suficiente para fazer ele pisar fundo no acelerador sem se importar com os avisos de limite de velocidade. Com certeza a multa seria bem mais barata do que a limpeza do banco.

- Sai logo do meu carro. – ele falou ríspido assim que parou o carro em frente a casa.

Subi correndo as escadas em direção ao meu quarto e tranquei a porta assim que entrei. Jesse estava deitado na minha cama, relaxando. Sua camisa estava um pouco aberta revelando parte do seu peito magnífico. Eu parei para observá-lo por um momento. Era incrível como cada vez que eu o via meu coração disparava tanto que parecia querer sair pela boca e eu esquecia completamente de como se respirava.

- Bem vinda de volta, hermosa. – ele levantou da cama e veio na minha direção com um sorriso perfeito no rosto.

- Oi. – eu sabia que estava com um sorriso completamente idiota, mas não pude deixar de sorrir.

Ele me alcançou e me envolveu pela cintura com seus braços fortes.

- Estava com saudades. – sua voz era apenas um sussurro, seus lábios roçando no meu pescoço.

- Eu também.

Tudo bem que nós tínhamos nos visto hoje pela manhã, mas eu estava mesmo com saudades. E quando ele me beijou eu esqueci completamente de todo o resto. Dane-se os mediadores e deslocadores. Dane-se Paul e todo o seu estúpido conhecimento sobre o que eu era. Nada mais importava naquele momento. Tudo que eu precisava estava bem na minha frente, com o corpo colado ao meu.

Suas mãos deslizaram hábeis por baixo da minha blusa tocando minha pele nua. Eu estremeci quando uma mão alcançou meu seio por cima do sutiã.

- Era por isso que você estava com tanta pressa? – ele perguntou com sua voz rouca de encontro aos meus lábios.

- Quê? – eu não estava muito em condições de raciocinar naquele momento com sua mão acariciando sensualmente meu seio de encontro à renda.

- Você parecia com pressa quando chegou.

Eu? Com pressa? Por quê? Então todo o meu dia maluco voltou à minha mente. Droga! Por que Jesse tinha que mencionar isso logo agora? Quebrou o clima.

- Que droga!

- O que houve? – ele se afastou um pouco para me olhar apreensivo.

- É que aconteceu uma coisa hoje na escola. – e eu contei tudo para ele. Falei de Stephanie, Gina e toda a história que ela me falou sobre os mediadores e deslocadores. – E esse Paul – continuei. Já estávamos sentados no banco da janela. – sabe muito mais. Eu vou ligar para ele pra que ele possa me esclarecer algumas coisas.

Fui até a extensão que ficava do lado da minha cama e tirei o fone do gancho. Depois de me certificar que não havia ninguém na linha, disquei o número que Gina me deu e esperei que alguém atendesse. Uma voz feminina atendeu depois de três toques.

- Residência dos Slater.

Opa. Que coisa mais formal.

- Boa tarde. Gostaria de falar com Paul Slater.

- Quem deseja?

- Suzannah Simon – achei melhor falar o sobrenome também pra tentar me manter no mesmo nível –, mas ele não me conhece.

- Só um momento, senhorita Simon.

Nossa. Que gentinha mais formal. Hello! Estamos no século XXI.

O telefone ficou mudo e depois de alguns instantes uma voz masculina atendeu.

- Alô?

- Paul Slater? – só pra conferir. Não podia arriscar mencionar o assunto para a pessoa errada.

- Sim. – ele confirmou. – Suzan Simon, certo?

- Suzannah – eu o corrigi.

- Certo. Em que posso ajudá-la? – sua voz era muito bonita e educada do outro lado da linha e eu também percebi certo tom de curiosidade.

- Eu peguei seu número com Gina, espero que não se incomode.

- Gina? – sua voz mudou um pouco, passando de curiosa para surpresa – Gina do Brooklin?

- Sim. Nós estudamos juntas. Quer dizer, nós nos conhecemos hoje. Ela acabou de se mudar para a Califórnia.

- Ouvi falar.

Hum. De quem será que ele ouviu isso?

- Pois é. – chega de enrolação, Suze. Seja mais direta – E eu também conheci outra pessoa que acho que você conhece.

- Mesmo? Quem?

- A irmã dela, Stephanie. – mais direta impossível.

Um silêncio longo se seguiu depois das minhas palavras. Jesse estava sentado ao lado da janela e me encarava com a sobrancelha erguida. A mesma com a cicatriz sexy. Os segundos passaram e Paul continuava calado.

- Você ainda está aí? – mas eu sabia que ele estava porque podia ouvir sua respiração do outro lado da linha.

- Sim. – mais silêncio. – Eu acho que não entendi bem o que você falou. – sua voz era seca.

Tudo bem então. Vou ser um pouco mais direta.

- Acho que entendeu. Mas eu vou falar novamente: eu conheci Stephanie essa manhã. Ela é bem simpática apesar de ter o costume de fazer brincadeiras 'assombrosas' com a irmã durante a aula. Tirou toda a minha concentração.

- A irmã de Gina está morta. – mesmo tom de voz.

- Eu sei.

- Você está querendo me dizer que você falou com uma pessoa morta? – agora seu tom era sarcástico.

- Sim.

Eu não me importava com o jeito que ele estava me tratando. Eu também agiria da mesma forma se uma desconhecida me ligasse dizendo que via fantasmas.

- Fantasmas não existem, Suzannah.

Certo. Já chega!

- Para um Mediador você é um ótimo ator, Paul.

- Como você...

- Gina me falou. Mas fica tranqüilo que eu não vou falar para ninguém. Até porque eu sou igual a você. Ou melhor... eu pensei que fosse. Até hoje.

- Como assim? – todo o sarcasmo e a dureza tinham sumido da sua voz. Antes que eu pudesse responder ele falou. – Espera um instante. – Eu ouvi o barulho de passos, seguido do som de uma porta fechando. – Pronto. Pode falar agora.

- É que eu passei toda a minha vida achando que era uma Mediadora assim como você e Gina e agora eu descobri que posso estar enganada.

- Enganada?

- Sim.

- Por quê?

- Porque eu acho que sou diferente de vocês. Eu... – fiquei um pouco insegura. Não queria parecer uma idiota. – Eu posso tocar nos fantasmas.

Um novo silêncio. Só que dessa vez foi Paul que falou primeiro.

- Você... pode tocar nos fantasmas?

- É.

- Como se eles fossem de carne e osso?

- É.

Silêncio.

- Paul?

- Desculpe é só que... – mas ele não continuou.

- Paul? – insisti – Será que você pode me ajudar aqui?

- Em quê? – eu podia perceber só pelo seu tom de voz que ele estava rindo.

- O que eu sou?

- Você, Suzannah, se está mesmo falando a verdade, é uma Deslocadora.

- Ah... – então era isso mesmo. - E como funciona essa coisa?

- Você está mesmo falando sério, não está?

- Pareço estar brincando?

- Não. Me desculpe, mas é que eu nunca conheci ninguém como você e... Nossa! É claro que eu sabia que existiam pessoas assim. Meu avô me falou tudo sobre isso, mas... – ele continuava a falar num jorro de palavras emaranhadas. – Minha nossa! Eu não posso acreditar nisso. Quer dizer... é claro que posso, mas isso é incrível. Realmente fantástico!

- Paul... – tentei interrompê-lo, mas ele nem me ouviu.

- Uma Deslocadora! Uau! Isso é... perfeito! Eu estou indo agora mesmo para o aeroporto.

Hein?

- Aeroporto? Pra quê?

- Como para quê? Eu preciso te conhecer pessoalmente. Vou pegar o primeiro vôo para a Califórnia.

- Você vem para cá?

- Claro que sim. Não posso perder a oportunidade de conhecer uma Deslocadora. Me dá seu número que eu te ligo assim que chegar para a gente se encontrar.

Eu passei o número da minha casa ainda meio atordoada. Eu só queria algumas respostas básicas. Não precisava pegar um avião para vir me encontrar. Mas... o dinheiro era dele mesmo. Ele que gastasse como quiser.

Depois que ele desligou, eu coloquei o fone no gancho e encarei Jesse.

- Ele está vindo para cá. – eu falei num fio de voz.

- Eu ouvi. – Jesse sorria calmo.

- Que cara mais maluco. – levantei da cama e fui até ele sentando no seu colo. Ele me envolveu com seus braços fortes e eu me aconcheguei no seu peito. – Bem, mas ao menos agora eu sei, com certeza, que sou uma Deslocadora. Resta agora saber o que isso significa.

- Logo você terá suas respostas. – ele sussurrou de encontro ao meu ouvido.

- É. – eu não conseguia raciocinar muito bem quando Jesse falava nesse tom comigo, ainda mais com o rosto tão próximo ao meu.

Quando ele me beijou eu tive a mesma sensação que sempre tinha quando ele me tocava. Como se só existisse nós dois nesse mundo. Me entreguei completamente ao beijo e me deixei envolver pelas carícias. Ficamos ali mesmo no banco da janela nos tocando, hora de forma carinhosa, hora mais ousados, até ficarmos sem fôlego e desejosos por mais. Mas como nem tudo nessa vida é perfeito como meu lindo namorado, minha mãe bateu na porta para avisar que o jantar estava pronto. Bufei irritada pela interrupção, mas saí do quarto depois de um longo beijo e da promessa de continuar depois que todos fossem dormir.