Olá, pessoal, desculpe a demora. Espero que gostem do Capítulo, ele na verdade foi um período de transição na história.

Josimar: Sim, o Saga precisava agir pelo bem da filha. Mas isso não significa que ele vai facilitar de agora em diante. Com a guerra cada vez mais perto, todo cuidado é pouco.

Krika Haruno: O Saga na verdade continua pagando por coisas que ele fez no passado, mas acredito que a Agnes vai ser a redenção dele. Quem vai passar por muitas provações agora será a Agnes, afinal carregar o cosmo de Zeus não é para qualquer um. Espero que goste desse capítulo.


Quando o espelho das almas apagou, a sala toda ficou em um silêncio fora do comum. Atena queria falar, mas a verdade era que nem sabia o que, finalmente descobriu contra quem lutavam e a verdade não era nada boa. Shion olhava para ela, mas depois, seus olhos foram para o amigo. Dohko estava parado, os olhos molhados e uma expressão cansada. O conhecia desde pequeno, sabia como ele não gostava de chorar na frente dos outros. Então se estava colocando para fora era porque havia carregado um peso muito grande sozinho.

- Permissão para sair, Athena.

Era Saga. A expressão congelada, sem revelar nada do que sentia. Ao receber o sinal afirmativo, apenas virou-se e saiu sem nem olhar para a filha. Agnes o viu sair e sentiu um aperto ao notar que nem a olhou uma única vez. Agora sabia de tudo e o remorso que sentia parecia a corroer. Na verdade tudo parecia a corroer, havia absorvido coisas demais para tão pouco tempo. Não haviam mais verdades nas quais ela pudesse se prender. Tudo o que havia acreditado havia se revelado.

Sua mãe não era a mulher que ela imaginava, mas não conseguia sentir ódio. Sentia decepção mas o amor não havia diminuído. Ela cuidou dela até o fim, e pelo menos havia sido feliz no fim. Seus olhos cruzaram a sala e encontraram os de Dohko. O homem que havia amado sua mãe, aquele que a vigiou quando ela nem imaginava.

Se aproximou e sem dizer nada envolveu o cavaleiro em seus braços, o corpo forte desmontou ao seu toque. Não disseram nada, era íntimo demais para os outros verem.

- Acho que temos muito o que conversar.

Ela disse. Viu os olhos orientais a fitarem. Sem falaram mais nada os dois saíram pela porta juntos. Dohko a segurava pelos ombros devido a fraqueza que ela ainda sentia.

- Quanta coisa aconteceu aqui sem que a gente soubesse.

Foi tudo que Milo conseguiu dizer. A terceira leva de pessoas a saírem foi Shura que passou praticamente correndo por eles. Aiolos o conhecia, e havia conhecido Talia. Sem dizer nada, saiu do cômodo e foi caminhando até a biblioteca. Viu a porta aberta e entrou, batendo a porta em seguida.

Passou pelas principais prateleiras e subiu a escada caracol até a sessão referente aos deuses nórdicos e foi lá que encontrou o amigo. Ele estava sentado em cima da mesa com as pernas na cadeira, tampava o rosto e chorava igual a uma criança.

- Shura..

Ele parou de chorar e olhou para o amigo. A verdade é que não ficavam realmente sozinhos a muito tempo. Apesar de tê-lo perdoado a amizade havia enfraquecido muito.

- Eu a encontrei...

Sem dizer nada sentou ao seu lado. Havia morrido nas mãos daquele homem , o mesmo que havia sido seu melhor amigo a vida toda. Que confiava cegamente e que o acertou sem piedade. Mesmo assim, era o seu amigo.

- Como assim?

- Quando senti o cosmo de Talia eu corri até ela. Quando finalmente cheguei ela estava caída na lama, muito machucada. Eu consegui ver seu último suspiro. Ela me disse: Shura, eu fiz a excalibur. ..

Respirou com dificuldade.

- Ela disse isso e morreu nos meus braços... E foi tudo culpa daquele filho da puta de volta.

Voltou a chorar e se surpreendeu ao notar que Aiolos o abraçava com cuidado. A última vez que haviam ficado assim foi quando tinham 10 anos e Shura havia chorado de saudade de casa.

- Saga destruiu a minha vida.

- A minha também...

Se olharam e Shura voltou a chorar, havia matado Aiolos e ele agora cuidado dele com um sorriso no rosto.

- Não é fácil perdoar, Shura. Honestamente eu ainda tenho meus problemas com Saga também. Você foi engando, ele não. E hoje, ao ver o que ele fez com a Alexis. Eu não consigo ... ele feriu as duas pessoas que eu mais amei no mundo.

Shura enxugou o rosto.

- Você reconheceu ela na primeira visão que foi mostrada? Eu não havia reconhecido a Alexis.

-Reconheci, mas preferi não falar nada. Agnes não parecia saber muito do passado da mãe.

Aiolos bagunçou os cabelos pretos do amigo que riu.

- Posso me juntar?

Viraram e viram Aiolia parado. Sem nenhuma cerimônia ele deitou a cabeça no colo do irmão.

- Eu odeio o Saga.

- Bem vindo ao grupo.

Respondeu Shura.

- Eu tenho whisky na minha casa. Vamos para lá.

Falou Aiolos. Os três se levantaram e foram na velocidade da luz até sagitário. Ele pegou a garrafa e serviu três copos. Aiolia olhou Shura, ele estava quebrado. Pegaram o copo e bebera tudo em poucos goles.

- Nada mal para quem bebia quase nada.

Aiolos riu.

- Recuperando o tempo perdido.

Aiolia olhava o copo em silêncio.

- Queria que ele pagasse por tudo o que fez..

Falou Shura.

- Você está pegando a filha dele.

Soltou Aiolos. Os três riram, mas depois, o silêncio ficou constrangedor.

- Como você se sente em relação a isso, Aiolos?

Perguntou enquanto se servia de outra dose. O amigo pegou a garrafa depois dele e fez o mesmo. Estavam sendo sinceros um com o outro depois de muito tempo e não sendo apenas educado.

- Quer a verdade?

- Sim.

- No dia que eu descobri que vocês estavam juntos eu pensei: aquele filho da mãe sempre fica com tudo. Querendo ou não a gente teria que ter uma história. Mas depois, eu olhei para a marin e percebi que cada um tinha tomado as suas decisões. E que eu estava feliz com a minha.

Shura riu.

- Eu tinha esquecido da sua sinceridade. Mas eu pensei algo semelhante. Pensei: novamente estou em débito com o Aiolos. Novamente estou sendo o idiota que tira algo dele.

- Você não me tirou nada. Não estamos juntos nem nada. Eu e ela decidimos viver sem pensar naquela profecia idiota.

Aiolos tomou um gole, o gosto forte impregnou a sua garganta. Sentiu o formigamento familiar nos dedos, sabia que era cedo para beber mas precisava daquilo. Se não se segurasse já estaria em gêmeos socando a cara de saga.

- Aiolia, você também reconheu Alexis?

- Sim e não. Era outro nome e eu achava que ela estava morta. Meu Deus como eu sinto falta dela...

Os três ficaram em silêncio.

- Eu também sinto, irmão.

- Parece que é impossível ser feliz aqui. Sempre vai ter uma guerra ou um deus para mudar tudo.

Falou Shura.

- Fiquei surpreso com o Dohko. Eu não imaginava.

Falou Aiolos.

- Eu também não, ele nunca deu a entender...

Aiolos bebeu mais.

- Agora temos mais um motivo para proteger Agnes.

- Ela vai ser mais forte que nós todos em breve, Aiolia.

- O corpo sim, mas seu emocional está frágil.

Tomaram um gole todos juntos. Aiolia levantou e foi até o quarto do irmão usar o banheiro. Não adiantava, começava a beber, precisava ir.

Shura e aiolos ficaram em silêncio. Até o sagitariano falar.

- Você a ama muito, não é?

- Sim, Aiolos. Agnes me trouxe de volta a vida. Eu a amo muito.

Ficaram em silêncio. Até o capricorniano falar.

- Eu não quero disputar com você mais uma vez.

- não vamos. Mesmo que um dia eu venha a me apaixonar por ela, eu não vou fazer nada que te prejudique.

- Isso está acima de nós, Aiolos.

Ele tomou outro gole.

- O coração sim, mas meus valores não mudam.

- Se for para lutar, que seja de forma limpa.

- É uma promessa.

Enquanto isso, Agnes olhava para xícara fumegante a sua frente. Era um copo tradicional chinês e o aroma do chá verde impregnava em suas narinas. Naquele momento, aquele cheiro a lembrava de sua mãe.

Dohko terminava de servir a mesa, tinha colocado todos os doces que tinha no armário em cima da mesa, queria agradar a menina e estava sem graça ao mesmo tempo. Não esperava que o espelho mostrasse mais coisa.

- Como você está se sentindo?

- Confusa, eu não tenho mais certeza de nada. É muita coisa para assimilar...

- Podemos conversar outra hora.

Ele respondeu com calma, ela segurou sua mão.

- Não, se tem uma coisa que eu quero assimilar é a história de vocês juntos. Eu vi como de repente ela parecia mais feliz e disposta. Você não sabe o quanto eu sou grata em você ter cuidado dela.

Ele sorriu. Estava feliz em não ser odiado por ela. Apesar da aparência idêntica a Saga, Agnes havia herdado muitos traços da mãe: a habilidade na cozinha, a risada alta e a forma de olhar quando estava calma e feliz. Ela era o último vestígio de que Alexis havia existido, e ele não ia permitir que isso sumisse.

- Eu nem sei por onde começar.

Ele respondeu com um sorriso enquanto tomava o seu primeiro gole.

- me exlica o que é exatamente isso que eu vou ser.

Dohko tomou um novo gole e começou a explicar.

- Você vai receber o cosmo de Zeus. Por algum tempo, a presença dele vai possuir você. Você será ... lembra da história do cavaleiro de Andrômeda que foi possuído por Hades? Será exatamente isso.

Ela pegou um bolinho doce e mordeu, nem estava com fome, mas queria manter as mãos ocupadas.

- e por que só eu posso fazer isso?

- Outra pessoa morreria. Mas você é forte, depois que terminar tudo, você se tornará a pessoa mais forte do Santuário.

Agnes sorriu.

- Vou roubar seu posto então?

Dohko deu um sorrisinho tímido. Era fácil entender o amor de sua mãe, o cavaleiro era bonito, gentil e muito nobre. E o melhor: não colocava as pessoas que amava em um altar ou tentava diminuir, para ele, amar era andar lado a lado.

- Acho que já ocupei esse posto por muito tempo.

- Minha mãe foi o amor da sua vida.

Dohko não pareceu se constranger com a pergunta, havia notado como alguns cavaleiros evitam mostrar seus corações, mas ele não era um desses. Shura era, sua discrição era reconhecida por todos. Aiolos também, era assim. Aiolia não, ele era um pequeno espelho que revelado tudo e mais um pouco.

- Sua mãe foi a única mulher que eu amei. É difícil para um cavaleiro se apaixonar, são muitos empecilhos, mas quando acontece, você percebe que vale a pena.

- Todos os cavaleiros devem ter uma história triste de amor.

Dohko deu um sorrisinho.

- Shion não, ele nunca se apaixonou.

Parou de comer.

- Sério? Mas ele tem 200 anos.

O libriano gargalhou.

- Shion é muito fechado, não é qualquer um que consegue passar por aquela barreira. E o fato de ter virado Grande Mestre apenas deixou essa característica mais forte.

Ele pegou um doce.

- Shion é uma pessoa que tem dificuldade de lidar com seus próprios sentimentos.

- Acho que sou um pouco assim também.

O cavaleiro a olhou.

- Você fala isso em relação a Shura? Ou Aiolos?

Ela parou.

- Eu sei que amo o Shura. Ele foi a minha maior surpresa aqui, nunca imaginei que me apaixonaria. Mas ele é tão bom e nos entendemos...

- Mas...

- Eu tenho medo. E se eu não conseguir defender esse amor?

Sentiu a mão cheia de calos na sua. Ele sorriu.

- Se for para acontecer, você vai arranjar um jeito. Foi assim comigo e sua mãe.

Trocaram um sorriso, e quando deram conta, já conversavam igual a dois amigos. Dohko contava alguns feitos de sua própria história: A mae, o trabalho nas colheitas de chá e o prinpício no Santuário.

A conversa fluía tão naturalmente que ficou decepcionada quando Dohko precisou falar com o grande Mestre, mas fazia sentido, com certeza tentariam tirar o maior número de informações sobre esse novo inimigo. Se despediram com um longo abraço.

Chegou em capricórnio e encontrou shura deitado dormindo, sentiu o cheiro de álcool . Ela havia passado o dia falando com Dohko e o esqueceu completamente. Lembrou de toda a história, não sabia da existência de Talia. Sabia que ele tinha amado muito alguém, mas só agora conhecia toda a história. Sentiu um aperto no peito.

Entrou no banho e pensou em tudo o que sabia sobre ele naquele momento: Shura havia conhecido sua mãe, ele havia amado Talia. Todos os maiores sofrimentos da vida de seu namorado haviam acontecido graças a Saga.

Vestiu uma camisa do namorado e foi para a cama. Olhou o rosto sério, ele sempre dormia com as sobrancelhas apertadas. Levou sua mão até elas e as massageou até uma expressão relaxada surgir.

O amava e iam superar tudo aquilo juntos. Ele era a última coisa que continuava a mesma para ela.

Quando Marin entrou em sagitário imaginava encontrar o namorado desmaiado na cama, mas se surpreendeu ao encontrá-lo sentado no sofá bebendo sozinho. Tinha uma expressão vaga, bochechas avermelhadas e o cabelo bagunçado.

- Bebendo sozinho?

Os olhos verdes encontraram com os dela, e como sempre, ela identificou a dúvida neles. Quando conheceu Aiolos ele era muito diferente daquele que estava sentado em sua frente: era gentil e confiante, mas hoje não via mais essa certeza. Ter morrido daquele jeito, traído por quem mais confiava e depois voltar para um mundo completamente novo havia o quebrado.

Hoje ele era uma pessoa que parecia andar em uma corda bamba, sempre com medo de cair em algum lugar. Queria ajudá-lo, mas não fazia ideia de como. Sentou ao seu lado e beijou os lábios. Quando nova, sempre imaginava essa cena sem imaginar que um dia ela viraria verdade.

- Shura e Aiolia estavam aqui. Hoje descobrimos que Agnes é filha de Alexis.

Marin se assustou.

- Aquela Alexis? A que cuidou de Aiolia? Mas ela morreu.

- Sim, mas não do jeito que a gente imaginava.

Ela fez carinho naquele rosto tão bonito. Sorriu quando ele a fez sentar em seu colo e repousou o rosto em seu peito. Beijou os cabelos cacheados. Apesar de parecidos, Aiolos não tinha nenhum traço da personalidade de Aiolia. O leonino era explosivo e expressivo enquanto o sagitariano mantinha suas emoções para ele.

Pegou o copo e tomou um gole, não gostava muito, mas era melhor ajudar naquele copo. As vezes sentia que conseguia ver através da armadura dele e o que via a preocupava: encontrava um menino perdido no mar e não conseguia nadar até ele. Quando ele ia deixa-la entrar totalmente em seu coração?

Aiolos a beijou. Enquanto uma mão segurava o rosto com carinho, a outra deslizava pelas suas costas. Ele estava completamente bêbado.

- Acho que está na hora de você dormir.

- Talvez..

Ele disse sorrindo. Ela o guiou até a cama e dormiram abraçados em poucos segundos. Apesar dele estar ali, abraçado nela, Marin não podia deixar de sentir que a cada segundo que passava o perdia mais um pouco.

Shura acordou assustado, tivera um pesadelo. Não lembrava ao certo o que havia sido, mas lembrava completamente o sentimento que havia despertado: desespero. Não qualquer desespero, e sim o tipo que parece que vai devorar você vivo pouco a pouco até não restar absolutamente nada. O tipo de loucura que faz você implorar qualquer coisa que a faça parar. O que havia sentido no dia que perdeu Talia para sempre.

Ao perder Aiolos, tinha a raiva da traição para, de certa forma, deixá-lo cego e tentar suprir o vazio que o devorava. Quando perdeu a mãe, focou que ela havia vivido bastante e criado uma bela família como legado. Mas Talia havia morrido nova demais, não havia conquistado nada do que merecia.

A ferida em seu peito havia demorado muitos anos para parar de doer, e quando finalmente estava reconstruindo a própria vida, tinha que encarar a possibilidade de uma nova dor, talvez ainda pior do que a primeira: a perda de Agnes para sempre.

Sentia as pernas dela enlaçando as suas. Adorava o fato de que ela sempre achava um jeito de se aconchegar nele, mesmo que estive em seu sono mais pesado.

Ela podia ser uma aluna brilhante de medicina, a filha de um cavaleiro de ouro, futuro cálice de Zeus mas daquele momento ela era apenas Agnes, uma menina que buscava carinho nos braços dele. Estava deitada de lado em uma posição semelhante a de um bichinho adormecido: encolhido e gracioso. Meu Deus como a amava. Não podia perdê-la.

Esticou o braço e pegou o Iphone para ver as horas. Notou primeiro o papel de parede: era uma foto deles em viagem que fizeram para Sevilha, o dia que havia apresentado ela para seu pai. Eram duas horas da manhã, havia dormido pouco. Com cuidado para não acordá-la saiu da cama e foi até o banheiro.

Começou a molhar o rosto com cuidado enquanto pensava em tudo o que havia passado nessa vida. Havia matado o melhor amigo, perdido a mulher que amava, renegado pelo garotinho que havia ajudado a criar, foi enganado, morreu, reviveu como um traídor, morreu novamente. Estava cansado de tanta dor, queria um pouco de paz.

Lembrou de Aiolia no mesmo momento, não podia reclamar sabendo que ele havia passado por algo pior: perdeu os pais, viveu nas rua, perdeu a irmã caçula, perdeu o irmão assassinado por seu amigo, perdeu Talia e Alexis, foi atacado por anos, humilhado, obrigado a lutar contra seus próprios companheiros e entregar a sua vida para destruir o Muro.

Quando percebeu, havia enfiado toda a cabeça embaixo da água, como se ela pudesse limpar seus pensamentos tão pesados. Olhou o reflexo no espelho: um corpo jovem em uma alma velha e machucada.

- Está sem sono?

Agnes estava parada na porta com uma expressão carregada de carinho, usava uma camiseta dele como camisola, deixando as pernas perfeitas `a mostra. Com cuidado se aproximou e o abraçou por trás, encostando o nariz nas suas costas enquanto as mãos procuravam as dele.

Voltaram juntos para a cama, onde ficaram abraçados. Sentiu o cheiro que vinha dos cabelos dela, como adorava isso. Imaginava toda uma vida ao seu lado, como faria o pedido logo depois de sua formatura, as reformas que poderia fazer em capricórnio para deixar a casa mais bonita, os filhos que fariam e até as discussões bobas que teriam. Imaginou tudo, mesmo sabendo que o tempo conspirava contra eles.

Quando deu por si já havia buscado seus lábios, precisava dela com uma urgência que nunca havia sentido antes. Sentiu um arrepio na espinha quando a sentiu corresponder.

Retirou a camiseta e começou a beijá-la por todo o corpo enquanto seus dedos afundavam em sua pele. Nunca havia sentido uma como a dela antes: macia, aveludada e sem cicatrizes. Suas mãos chegaram ao seios e, depois, seus lábios também. Adorava aquela parte dela, principalmente a manchinha de nascença que tinha: um segredinho só dela, que agora era dele também.

Ainda não era o bastante, precisava de mais. Beijou a barriga e sorriu quando ouviu uma pequena risada, Agnes tinha muitas cócegas. E ficou ainda mais feliz quando ouviu o seu gemido alto quando finalmente chegou onde queria.

Suas mãos ainda acariciavam a pele macia. Aos poucos, aumentou a pressão e a velocidade dos movimentos, enquanto ela se remexia um pouco. Agnes amava sexo oral e poderia fazer qualquer coisa para recebê-lo. Sentiu os tremores dela e o corpo relaxando na cama.

A olhou: os rosto estava vermelho do esforço e tinha os olhos fechados. Adorava o fato de que, com ele, ela ser como um espelho: refletia tudo o que sentia. Com todo mundo poderia ser a mestra em disfarçar emoções, mas com ele não. Sempre lhe revelou tudo.

Saiu de seus pensamento quando a sentiu, segurando seus ombros com carinho, obrigando-o a deitar. Os olhos fixos nos seus, como se perder um segundo desse contato fosse um pecado gravíssimo. E para ele era.

Sentiu a bermuda ser retirada e depois, a boca dela. O prazer o fez fechar os olhos, mas voltou a abrí-los. Amava vê-la, amava aquele rosto, amava aquele corpo, amava aquele espírito, amava aquela mulher com tudo o que ela era.

Sua respiração começou a ficar pesada quando a viu se afastar. Ficou desesperado, precisava de mais. E foi com alivio que a sentiu, agora com todo o seu corpo.

Nunca havia imaginado que a garota que invadiu o Santuário, que o ajudava na cozinha todas as manhãs ia conquistar tanto espaço dentro da sua vida. Estava conformado em ser sozinho, não sentia falta de ter alguém ocupando um lugar que havia sido de outra pessoa.

Mas agora ela estava ali, completamente entregue a ele, sem nem imaginar o quanto ele fazia isso também. O quanto ele queria viver por ela, conquistar por ela, batalhar por ela, viver ao lado dela.

Não conseguia mais manter os olhos abertos, sentiu o suor em seu corpo, sentiu as pernas adormecerem, finalmente sentiu seu orgasmo e depois o dela. Seu corpo se contraiu para finalmente relaxar naquele estado pós-foda que tanto gostava.

Voltaram a deitar, ele a abraçando com força e beijando os cabelos lisos. Assim como sempre fazia, Agnes usou suas pernas para prendê-lo perto dela. Riu internamente pois sabia que nunca ia fugir.

Lembrou do seu sonho. Nele, a profecia havia se cumprido e novamente ele tinha que enterrar uma mulher que amava. Havia perdido mais uma. De que adiantava ser cavaleiro se não poderia proteger aqueles que mais se preocupava? Sentiu-se inútil, mas depois, focou todos os seus pensamentos em um único objetivo: mantê-la a salvo e bem.

- Shura.

A voz ainda um pouco alterada, ele a olhou.

- Vai ficar tudo bem.

- Vai sim, vou proteger você.

Respondeu, ela se levantou com cuidado segurando o rosto dele com as mãos.

- Não. Vamos enfrentar isso juntos, lutar juntos e depois viver nossas vidas juntos.

Ele sorriu para ela. Agnes nunca foi de aceitar o rótulo de dama em perigo, sempre tentou tomar as rédeas da própria vida. Amava essa independência, e não tinha dúvidas de que ela seria uma guerreira brilhante, talvez melhor do que qualquer cavaleiro de ouro. Levantou um pouco e a beijou.

- Você está certa.

E então eles caíram no sono da mesma forma que sempre fizeram e sempre fariam qualquer coisas: juntos.

Na manhã seguinte Agnes acordou mais cedo que o normal. Tinha tido alguns pesadelos durante a noite. Sem querer atrapalhar o sono do namorado, levantou da cama vestiu uma roupa, pegou o celular e foi até metade das escadarias para pensar. Sabia que se passasse por qualquer casa, ia chamar atenção, por isso, apenas ficou em silêncio sentindo o vento grego bater em seu rosto.

Olhou a tela, tinha mais de 20 ligações perdidas de Pahki. Respirou fundo, não falava com a amiga desde sua última ida ao Hospital San Rafael. Tinha largado as aulas e simplesmente fugido de Madri. Discou o número e se surpreendeu com a atendida rápida.

- Agnes! Onde você está?! Você sumiu das aulas, não me atende e daí falo com a prima gostosona do Shura e ela fala que você foi embora!

Essa era a Pahki que ela conhecida: barulhenta, estabanada, sincera e muito fofa. Deu um sorriso fraco, sua vida em Madri parecia tão longe naquele momento. Ia virar uma soldada e tirar vidas.

- Precisei resolver umas coisas na Grécia.

- E nem se despediu..

Dramática. Essa era a sua melhor amiga.

- Desculpe..

Lembrou das duas na sala de aula. A indiana era a melhor aluna de seu ano e sempre a ajudava com qualquer dúvida.

- Ei, o que aconteceu? Sua voz está estranha. Brigou com o Shura?

Shura era a última coisa que poderia a magoar naquele momento.

- não, estamos bem. O problema são os outros itens da minha vida.

- Como assim?

Era tão frustrante não poder desabafar com a melhor amiga. Teve vontade de gritar e depois, quis chorar. Achava que estava bem, mas percebia que ia precisar de alguns dias para assimilar tudo.

- Eu sinto que eu estou deixando de ser eu. Nada do eu que acreditava existe.

Estranhou o silêncio na linha.

- Agnes, me conta o que está acontecendo. Estou preocupada. É alguem coisa com seu tio?

Tio kanon. Não havia falado com ele desde ontem no incidente, droga.

- Agnes?

Percebeu que chorava um pouco. Será que sua morte estava próxima? Ia perder Shura para sempre?

- Pahki, eu não sei mais quem eu sou...

- Você ainda é você.

- Será?

Silêncio na linha novamente.

- Agnes, vai ficar tudo bem. Confia em mim.

- preciso desligar.

Antes que a amiga questionasse, Agnes bateu o telefone. Ficou alguns segundos parada, ia enfrentar tudo sem olhar para trás. Levantou e viu Marin parada a alguns degraus de distância. Ela tinha o rosto meio inchado, deveria ter dormido em Aiolos e acabado de acordar.

- Bom dia.

A mulher ficou parada olhando para ela. Respirou fundo e deu um sorriso.

- Bom dia agnes, não conseguiu dormir?

Podia sentir a antipatia da amazona a km de distância. A verdade é que não tinha ido com os cornos dela também. Sempre com essa carinha superior quando a via.

- Sim, e você?

- Dormi muito bem. Aproveitei que estava na casa do meu namorado e resolvi falar com o Grande Mestre.

Passou sem nem olhar para trás, Agnes geralmente era calma mas aquele tratamento naquele momento mexeu com seus sentidos.

- O que faz você achar que é superior?

A ruiva parou.

- Acho que eu posso fazer a mesma pergunta.

Agnes não respondeu.

- Você não está aqui porque treinou anos por isso. Você está aqui por é filha de um cavaleiro e porque que está com um.

- Você está enganada. Eu estou aqui porque sou um sacrifício.

Marin ficou paralisada. Estava sendo injusta com a menina, ela tinha perdido a mãe e em breve ia morrer também. Respirou fundo.

- Isso não vai acontecer, tenho certeza de que vão arranjar um jeito de impedir aquela profecia.

Ignorando sua própria mente, a Amazona sentou nos degraus.

- Você não gosta de mim por causa da parte que eu caso com Aiolos, né?

- Claro que sim, eu amo ele e não quero perdê-lo.

Agnes olhou Marin pela primeira vez de perto. Tinha uns 28 anos. A pele branquinha tinha manchas avermelhadas do sol que combinavam com a cor dos cabelos. Era magra e usava uma roupa de treino branca. Ela era linda.

- Eu me apaixonei por Aiolos quando eu tinha 11 anos. Havia alguma coisa heroica nele que me fazia querer seguir todos os seus passos. E eu sempre achei que ele não me notaria. Agnes, eu não quero perder ele.

- Eu não quero que perca.

A amazona sorriu e saiu. Sua mente trabalhava a mil enquanto seguia seu caminho até o último templo. Lembrou do dia que ficaram juntos a primeira vez.

Era tarde da noite quando Marin deixou a biblioteca. Os olhos estavam cansados e ela levava algumas anotações nas mãos. Gostava de aproveitar a liberação do local para todos que tinham armaduras e sempre achou um desperdício poucos usarem o benefício. Usava um vestido branco que ia até seus joelhos e havia prendido os cabelos, aquela era uma noite mais quente que o normal.

Passava pelas casas zodiacais tranquilamente e fazendo o esforço de evitar barulhos desnecessários. Não queria atrapalhar os cavaleiros. Chegou em sagitário e ouviu um som baixo, será que Aiolia estava visitando o irmão?

- Aiolia?

- Marin?

Marin viu Aiolos parado na porta, usava uma bermuda molinha verde e uma camiseta branca. Parecia surpreso com a visita.

- Desculpe, Aiolos. Achei que o seu irmão estava por aqui e ia perguntar se ele queria descer comigo.

- O que faz tão tarde por aqui?

- Estava na biblioteca e perdi a noção da hora.

Ele deu um sorriso gentil para ela, o mesmo que ele sempre passava para os moradores da vila; o sorriso distante. Sabia que não era por mal, tinha notado em como ele relutava para encontrar seu lugar dentro de todo o Santuário. Seu herói estava com as asas quebradas.

- Por que me olha assim, Marin?

- Estou preocupada com você. Você me parece perdido.

Aiolos pareceu cansado.

- Achei que só Aiolia tinha notado.

Ela sorriu de volta para ele. A luz realçava o rosto dele, que mesmo novo, transparecia sua real idade e história. Uma história que ela tinha visto de perto.

- Já disse – sorriu mais- se quiser conversar pode contar comigo.

Estava indo embora quando ouviu.

- Marin, eu quero conversar.

Ela parou e voltou, entrando na casa. A casa estava arrumada e um som suave saia do celular. Achou engraçado o fato de ele não conectar na caixinha de som que estava ao lado.

- Sua caixinha estragou?

- Não, só não sei usar. Ainda não me acostumei a certas modernidades.

Ela pegou o objeto e o conectou, a música preencheu toda a sala. Aiolos abriu um sorriso. Sentou no sofá maior e o viu sentar ao seu lado. Nunca tinham ficado assim antes, Aiolia sempre estivera por perto.

- Eu ando confuso, Marin. Minha melhor amiga morreu, meu melhor amigo se distanciou de mim, meu irmão não é mais um menino e o Santuário parece outro. Não existe lugar para mim.

- Sempre haverá espaço para você. É um herói, salvou Atena.

Ele mexeu nas mãos.

- Mas em tempos de paz, heróis não são necessários e nunca tive muito tempo para descobrir o que eu queria como homem.

- E agora estão impondo isso para você também.

Trocaram um olhar.

- Agnes é uma boa pessoa. Me sinto responsável por tê-la feito ir embora. De certa forma ela era tudo que eu sempre imaginei em uma namorada: inteligente, independente e que se dá bem com meu irmão.

Doeu ouvir aquilo, ela sabia que estava longe de ser a mulher ideal para ele mas doía do mesmo jeito saber que haviam outras que se encaixavam na vida dele como uma luva.

- Você a ama então?

Ele sacudiu a cabeça, talvez estivesse cansado de ter que responder isso.

- Não, mas não existe um único dia em que eu não pense nela. Eu me sinto responsável.

- Ela está longe, Aiolos. Em uma vida que combina com ela. Somos de mundos diferentes.

Ele abaixou a cabeça, ela viu o quanto ele estava realmente perdido. Sem pensar, Marin levantou do sofá e se ajoelhou na frente dele. Com cuidado, colocou suas mãos nos ombros dele, se olharam.

- Acho que você tem que ir por partes. Se encontrar antes de tentar entender os outros. Antes de morrer você vivia apenas para seu irmão e Athena. Os poucos minutos que eram seus era com a Alexis. Você nunca teve uma vida de acordo com a sua idade, nunca fez o que os outros faziam. Quero dizer... você quase não saia com ninguém.

Percebeu que Aiolos sorria.

- Mesmo com uma vida normal eu acho que não seria como Shura, Kanon ou Milo. Sou mais .. na minha. Achei que ninguém reparava nessa parte minha. Mas pelo visto você repara em tudo.

- Eu sempre reparo em você, Aiolos.

- Por que eu?

- Porque você foi sempre a pessoa que eu enxerguei. A vida toda.

Quando percebeu, já havia falado. Viu os olhos verdes ficarem maiores que o normal e uma expressão surpresa surgir no rosto cansado. Marin sentiu o rosto esquentar. Foi se levantar mas sentiu a mão quente dele segurando a sua. O viu se levantar e parar na sua frente. No minuto seguinte ele a beijava.

Marin saiu de seu estado de lembranças. Sabia que agora tudo mudaria. Ela estava aqui de volta. Sentiu um frio percorrer na espinha enquanto terminava o seu trajeto. Enquanto isso, Agnes continuava parada na escada. A verdade era que não tinha pensado muito naquela parte da profecia desde que deixara o Santuário.

Respirou fundo e fazia questão de levantar quando viu Aiolos. Ele usava uma bermuda e camiseta, ao vê-la deu um sorriso educado e gentil.

- Bom Dia Aiolos.

- Bom dia, Agnes.

Ele a ajudou a levantar. Ficaram um tempo em silêncio se olhando. Os dois haviam mudado muito naquele intervalo de tempo. Estavam com outras pessoas e seguindo do jeito que haviam prometido um ao outro.

- Marin, acabou de passar aqui.

- Sim, ela tem mania de sair bem cedo da minha casa. Não sei porque.

Trocaram um sorriso. Ela começou a subir quando sentiu a mão de Aiolos segurar seu pulso.

- Agnes, espera um pouco.

Ela parou e ele a soltou. Não queria passar o limite da cortesia, queria respeitar Shura mas não queria ficar naquele clima estranho toda vez que a visse.

- Eu não quero que a gente fique assim toda vez que nos encontrarmos.

- Eu também não, Aiolos. Querendo ou não você foi uma das primeiras pessoas que me estendeu a mão aqui dentro.

Gostava do Cavaleiro, e queria continuar amiga dele. Era possível criar uma amizade?

- Eu quero ser sua amiga, Aiolos. Principalmente depois de ontem. Você era amigo da minha mãe.

Lembrou da alegria de Alexis e sentiu saudades. Não apenas dela, mas das certezas que tinha quando era novo e não tinha passado por tudo aquilo.

- Sua mãe era uma pessoa incrível. Sinto muita falta dela.

- Eu também.. E cho que você a conheceu melhor do que eu.

Não conseguiu se segurar e pousou a mão no ombro da garota, que o abraçou. Afinal, eram amigos e não havia problema nisso. Ficaram assim alguns segundos.

- Venha, vamos tomar café no Shura e você me conta um pouco mais sobre ela.

- Claro, pode me perguntar o que você quiser.

Começaram a subir as escadas juntos e conversando.

- Na verdade quero saber onde fica esse bolo com suco de uva. Me deu até vontade.

Ele gargalhou, assim como a mãe, Agnes era uma menina que gostava da simplicidade das coisas.

- Levo você um dia desses, é o melhor de todo o Santuário.

A conversa prosseguia tranquilamente assim como o estado de todo o lugar. Precisava aproveitar, em uma guerra as coisas mudavam rápido demais. Precisavam se prender aquele período de calmaria antes do mar voltar a ficar furioso.