Capítulo9
—Lhe ajude. ─ ordenou Harry.
—Oh, Deus Santo. O que lhe fez?
Harry se sentia cada vez mais culpado. Mal conhecia Gina, mas desejava que vivesse mais do que desejava se livrar das chamas mais abrasadoras do inferno. Era muito cedo para ter sentimentos tão intensos, sim. Tampouco era próprio de seu caráter. Entretanto, pensaria mais tarde em sua própria estupidez.
—Não respira. —disse— Faz com que respire. A morena se fixou em Gina.
—Tem que ir ao hospital. Que alguém chame uma ambulância. Agora!
—Não temos tempo. Tem que fazer alguma coisa.
—Chamem. Ela...
— Faz algo, ou morrerá! —rugiu ele.
—Oh, Deus —sussurrou ela, com uma expressão de pânico. — Necessito... Tenho que reanimá-la. Sim, isso. Farei a reanimação cardiorrespiratória. Posso fazê-lo. Posso — disse, mais para convencer a si mesma do que para outra coisa. — Deite ela na cama e se afaste.
Harry obedeceu imediatamente, mas Tonks ficou imóvel, presa pelo medo.
—Tonks —disse Lupin— está certa de que sabe o que vai fazer?
—É obvio —sussurrou ela, e sentiu que lhe ardiam o rosto. Fixou toda sua atenção em Gina. Posou as palmas das mãos na metade de seu peito e empurrou uma, duas vezes. Depois disse — Não se preocupe. Pratiquei. Um boneco é o mesmo que uma pessoa, um boneco é o mesmo que uma pessoa —sussurrou. Depois, posou os lábios nos de Gina.
Durante os seguintes minutos, que para Harry pareceram uma eternidade pior que as noites que passava devorado pelo fogo do inferno, Tonks insuflou ar nos pulmões de Gina e lhe apertou o centro do tórax, alternativamente. Ele nunca tinha se sentido tão impotente. O tempo se transformou em seu inimigo.
Lupin esperava junto à porta, silenciosamente. Tinha os braços cruzados e uma expressão pétrea no rosto. Não estava olhando Gina, e sim a Tonks, Harry esfregava a nuca e respirava com dificuldade.
Por fim, Gina tossiu e começou a respirar. Todo seu corpo sofreu um espasmo quando abriu a boca e começou a inspirar baforadas de ar. Ofegou, engasgou, voltou a ofegar.
Harry a abraçou contra seu peito imediatamente. Ela se revolveu.
—Fique calma, preciosa. Fique calma.
Pouco a pouco, seus movimentos se acalmaram.
—Harry — murmurou com um fio de voz. Foi o som mais doce que ele tinha ouvido em toda sua vida.
—Estou aqui—disse ele. Ela ainda tinha a pele pegajosa, fria. — Estou com você. Tonks permaneceu a um lado da cama, retorcendo as mãos.
—Tem que ir ao hospital. Necessita ser examinada por um médico.
—O trajeto da fortaleza ao hospital seria muito para ela.
—O que lhe acontece? Tem um vírus? Oh, Deus! Pus meus lábios sobre os seus.
—É pelo vinho —respondeu Lupin. — Está doente por culpa de nosso vinho. Tonks abriu os olhos como pratos e olhou a Gina.
—E tudo por uma bebedeira? Deveriam ter me dito isso. Têm que lhe dar água e cafeína para diluir o álcool. Eu... Acredito que viverá, mas têm que levá-la ao hospital para que lhe coloquem soro na veia. Provavelmente está desidratada.
Enquanto falava, a cor retornava ao rosto de Gina.
—Dói. —sussurrou.
—Que mais pode fazer por ela? —perguntou Harry a Tonks. — Ainda tem dores.
—Eu... Eu... Tylenol, Motrin! Qualquer coisa assim. Isso sempre me ajuda quando tenho ressaca.
Harry olhou a Lupin.
—Sabe onde conseguir isso?
—Não. Nunca tive necessidade de prestar atenção aos remédios dos humanos.
—Onde podemos conseguir esse Tylenol? —perguntou Harry a Tonks.
—Eu tenho um pouco em minha bolsa.
—Vá buscá-lo.
—Não posso. A bolsa ficou em meu hotel. Que vinho tomou? —perguntou ela.
—Um que você não conhece, médica. —disse Lupin com ironia.
Tonks se deu conta de que ele sabia. Ficou petrificada. O que a tinha delatado? Sua súplica para que chamassem a ambulância? Seu nervosismo? Sentiu um calafrio. Então ele se colocou atrás dela; seu calor e sua energia afugentaram o frio. Rapidamente, Tonks se afastou daquele homem, porque tinha medo de como reagia ante sua proximidade.
—Porque é médica, verdade? —insistiu ele em tom zombador.
Oh, sim. Sabia. Ela retorceu os punhos de seu pulôver e engoliu em seco. Ao menos, não a tinha matado ali mesmo.
—Não pode negar que agora está respirando. Eu cumpri minha parte do trato. Está
Em dívida comigo. —Lupin afastou o olhar, como se não pudesse mais suportar olhar para ela.
—Chame Rony. —disse Harry.
—Não posso. Está ocupado —respondeu Lupin, e saiu do quarto— Já volto, —disse por cima do ombro— Vigia à morena, Harry. É ardilosa. — Fechou a porta de repente. Tonks, como uma parva, esteve a ponto de se pôr a correr atrás dele. A assustava mais que os outros, mas por algum motivo indecifrável, preferia estar com ele. Tinha algo que a transtornava profundamente. Possivelmente fosse a dor em seus olhos. Ele a atraía de um modo primitivo. Tinha a sensação de que a protegeria, por mais ameaças que lançasse.
—Se tiver que a perseguir, o lamentará — advertiu Harry— Entendido?
Tonks sentiu frio ao ouvir aquela terminante advertência. Aquele homem era assustador. Cada vez que falava, ela percebia um tom de brutalidade em sua voz. Parecia impaciente por provocar dor a qualquer um que o olhasse. Além disso, durante os últimos minutos se deu conta de que seu rosto mudava e, às vezes, seus traços se transformavam em uma máscara cadavérica. Além disso, o violeta de seus olhos mudava para negro, e depois a um vermelho de néon, e depois a negro outra vez.
Que tipo de homem, que tipo de pessoa, podia olhar assim?
De novo, ela estremeceu.
Seu olhar só voltava ao normal quando olhava para a mulher que tinha na cama.
—Entendido? —perguntou ele de novo.
—Sim. —respondeu Tonks.
—Bom.
Harry esqueceu a garota rapidamente e se concentrou em Gina. Cada vez tremia mais, e seus dentes tocavam castanholas. Tinha os olhos abertos e por sua bochecha deslizou uma única lágrima.
—Obrigada. —sussurrou Gina para a mulher que a tinha curado.
—De nada.
—Se sente melhor? —perguntou ele brandamente.
—Ainda me dói —respondeu Gina. — Tenho frio. Mas sim, me sinto melhor. Ele, que queria lhe dar o calor de seu corpo, disse:
—Sinto muito.
Raramente pronunciava aquelas palavras. De fato, a única desculpa que tinha pedido em décadas era a que tinha pedido a seus amigos aquela manhã.
—Sinto muito. Sinto... —sussurrou. Parecia que nunca bastaria. — Eu sinto muito.
Gina sacudiu a cabeça. Depois gemeu e ficou muito quieta.
—Foi um acidente.
Ele ficou boquiaberto de surpresa e reverência. Até o momento, não tinha causado aquela humana outra coisa a não ser dor, mas ali estava ela, tentando absolvê-lo. Assombroso.
—Vai viver. Juro.
Faria tudo por cumprir aquele juramento. Gina sorriu fracamente.
—Ao menos... Silêncio. Silêncio.
Não era a primeira vez que dizia isso.
—Não a entendo.
Apesar da sua debilidade, ela voltou a sorrir.
—Então, somos dois.
Harry se sentiu como se seu sangue borbulhasse.
Aquele sorriso, tão delicioso, tão encantador, dava a ele calor, o excitava, lhe provocava tanto alívio que quase se sentia embriagado. Abriu a boca para responder, embora não soubesse o que dizer, mas naquele momento, Lupin entrou no quarto acompanhado de Tiago. O cabelo escuro deste brilhou sob a luz.
—Tiago vai levar a garota à cidade. —disse Lupin, olhando para Tonks.
—Oh, não. Não, não, não. Não quero partir sem minha família. —disse Tonks com pânico.
Tiago fez caso omisso da súplica e tirou a camiseta.
—Vamos terminar com isto.
Era moreno e musculoso, um legado de sua alma de guerreiro. Tinha tantas tatuagens que era difícil distinguir uma da outra.
Harry só reconheceu duas: a mariposa negra que voava sobre suas costelas e o
Demônio que estendia as asas sobre os contornos de seu pescoço. Apenas ao olhar para ele, a pessoa sabia que aquele era um homem que valia a pena ter como amigo, e que seria muito ruim o ter como inimigo.
— Alto! Não há nenhum motivo para se despir. — disse Tonks, negando
Violentamente com a cabeça—Ponha a camiseta outra vez. Agora mesmo, maldito seja!
Tiago se aproximou dela com determinação. Tonks olhou para Lupin com terror.
— Não deixe que ele me violente! Por favor, Lupin, por favor.
—Tiago vai te levar a cidade —respondeu Lupin com calma— Não vai te violar. Tem minha palavra. Deve ir com ele.
Embora Tonks continuasse tremendo, Tiago a pegou pelo pulso sem dizer uma
Palavra e a levou para a janela que dava para o terraço. Quando a abriu, o vento gelado
Entrou na sala com um redemoinho de flocos de neve. Tiago lhe soltou o pulso e pegou pela cintura para puxá-la para o terraço.
—O detenha —disse fracamente Gina, ao ver que Tonks olhava pelo corrimão para baixo e ria amargamente, com histerismo.
—O que vai fazer? —inquiriu a morena— Me jogar? São todos uns mentirosos! Espero que apodreçam no inferno!
—Já o fazemos. —respondeu Lupin.
Tiago pegou Tonks pelos ombros quando saiu para o terraço e fez que desse meia volta para situa-la de rosto para ele.
—Se agarre em mim. —ordenou.
Outra risada de amargura.
—Porquê?
—Para que não a mate. —disse ele.
De repente, umas enormes asas saíram por umas ranhuras que se abriram nas costas de Tiago. Eram largas, negras; tinham aspecto de ser tão vaporosas como uma teia de aranha, mas os extremos eram bicudos, afiados como facas.
Gina soltou um ofego devido à impressão.
—Estou melhor. Juro, já não necessito dos comprimidos. —sussurrou. Harry lhe acariciou a bochecha para tentar relaxá-la.
—Quietinha. Tudo vai ficar bem.
Tonks abriu os olhos desmesuradamente.
— Não! —gritou, tentando escapar de Tiago.
Quis correr, mas ele não a soltou. Ela procurou Lupin com o olhar.
— Não posso fazer isto! Não posso! Não deixe que me leve, Lupin, por favor!
Com uma expressão atormentada, Lupin estendeu os braços e os deixou cair a ambos os lados do corpo.
— Lupin!
— Parte! —gritou ele.
Sem dizer uma palavra mais, Tiago saltou e desapareceu do campo de visão dos que estavam no quarto, levando Tonks consigo. Ela gritou mas logo aquele grito se transformou em um ofego, e o ofego em um gemido. Logo ambos voltaram a subir pelo ar e apareceram por cima do corrimão. As asas de Tiago se moviam com elegância, ritmicamente.
—Faça-o parar. ─suplicou Gina com um fio de voz. ─ Por favor.
—Não posso. E não o faria embora pudesse. Não se preocupe por ela. As asas de Ira são fortes, e poderão sustentar o peso de Tonks.
Procurou Lupin com o olhar. Seu amigo estava caminhando de um lado a outro do
Quarto. Apertava uma de suas adagas com o fio para a palma da mão e o sangue derramava do punho de nódulos brancos ao chão.
—Necessitamos de água e café —disse Harry ao recordar as instruções de Tonks.
Lupin se deteve e fechou com força os olhos, como se quisesse se controlar.
—Deveria tê-la levado eu, mas se tivéssemos ido caminhando, teríamos demorado muito. Viu quão assustada estava?
—Vi.
Harry não sabia o que podia dizer. O medo de Tonks não era nada para ele comparado com a dor de Gina.
Lupin passou a mão pela mandíbula e deixou uma mancha vermelha em seu rosto.
—Água? Café, você disse?
—Sim.
Lupin saiu da sala. Quase parecia agradecido por aquela distração. Evidentemente, Harry não era o único que, de repente, tinha problemas com as mulheres.
Pouco depois, Lupin apareceu com as bebidas e deixou a bandeja na beira da cama. Feito aquilo, partiu. Harry não acreditava que voltasse, e sacudiu a cabeça com pena. Se Lupin sentisse por Tonks a metade dos sentimentos que ele tinha por Gina, estava condenado a um mundo de dor, e não da tipo que mais ansiava.
Harry estendeu um copo de água morna para Gina. Passou uma mão por sua nuca, fez que inclinasse a cabeça ligeiramente para trás e lhe pôs a borda do copo nos lábios.
—Bebe. —ordenou.
Ela apertou os lábios e negou com a cabeça.
—Bebe. —insistiu ele.
—Não. Me doerá o.
Ele verteu o conteúdo do copo na boca de Gina. Ela se engasgou e tossiu, mas bebeu a maior parte da água. Várias gotas derramaram por seu queixo. Ele deixou o copo vazio no chão.
Gina lhe lançou um olhar de acusação.
—Disse que me encontrava melhor, mas ainda tenho o estômago muito sensível.
Ele não fez conta. Aproximou a xícara de café e lhe ordenou novamente que bebesse. Entretanto, ela tentou afastar a xícara e, sem querer, a jogou no chão. A porcelana se fez em pedacinhos e o café formou um rio negro no chão.
Duas manchas rosadas lhe cobriram as rosto.
— Não. —disse.
— Isso não foi correto —protestou ele, e lhe afastou as mechas de cabelo úmido das têmporas, desfrutando do tato de sua pele de seda.
—Não me importa.
—Muito bem. Não terá café.
Ele ficou olhando para ela, olhando aquela mulher que tinha sacudido todo seu mundo.
—Ainda deseja que a deixe partir? —perguntou ele antes de poder evitá-lo.
Gina afastou o olhar e o fixou na parede, por cima do ombro de Harry, com uma expressão intensa. Passaram vários minutos de silêncio. Minutos angustiantes.
Ele agarrou o travesseiro com força.
—É uma pergunta que requer um sim ou um não, Gina.
—Não sei, de acordo? —respondeu ela brandamente— eu adoro o silêncio, e está começando a ficar tudo bem. Agradeço que tenha cuidado de mim. Mas...
Mas ainda estava assustada.
—Te disse que sou imortal. Te disse que estou maldito. A única coisa que tem que saber, além dessas duas, é que te protegerei de tudo enquanto esteja aqui. Inclusive de mim mesmo.
—E protegerá à outra mulher? —perguntou ela — A que me ajudou?
A menos que lhe ocorresse um modo de desafiar os Titãs, duvidava que alguém pudesse proteger aquela curadora. Nem sequer Lupin. Entretanto, Harry apertou com delicadeza a mão de Gina e respondeu:
—Não o pense mais. Tiago cuidará dela. Aquilo não era uma mentira.
Gina assentiu com gratidão, e ele sentiu uma pontada de culpa.
De novo, passaram uns minutos em silêncio. Ele a observava com satisfação, ao comprovar que seu rosto recuperava a cor saudável e que a dor se desvanecia de seu olhar. Ela também o observava com uma expressão impenetrável.
—Como é possível que os demônios façam coisas boas? —Perguntou por fim. — Me
Refiro a que, além do que tem feito por mim, sei que todos têm feito coisas estupendas pela cidade, com suas doações e atos filantrópicos. As pessoas acreditam que os anjos vivem nesta fortaleza. Acreditaram durante centenas de anos.
—E como sabe que acreditaram durante tanto tempo? Ela tremeu e afastou o olhar.
—Eu... Sei.
Gina tinha um segredo, algo que não queria que ele soubesse. Harry pegou seu queixo e a obrigou a olhar para ele.
—Já suspeitava que é uma isca, Gina. Pode me dizer a verdade.
Ela franziu o cenho.
—Segue me chamando disso como se fosse algo asqueroso e horrível, e eu não sei o que é uma isca.
Em seu tom de voz tinha uma genuína confusão. Inocente, ou boa atriz?
—Não vou te matar, mas espero sinceridade completa de sua parte de agora em diante. Entendido? Não minta para mim.
—Não estou mentindo.
Harry notou que seu corpo começava a esquentar lentamente, que o espírito fazia patente sua presença.
Se apressou a mudar de tema. O fato de ouvir mais mentiras podia fazer que saltasse, que a ferisse. E, isca ou não, Harry se negava a deixar que aquilo acontecesse.
—Vamos falar de outra coisa.
Ela assentiu. Parecia que estava muito contente de seguir sua sugestão.
—Falemos de você. Esses homens o atravessaram com uma espada ontem à noite, e morreu. Sei que ressuscitou porque é um guerreiro imortal, um demônio... Ou algo assim. O que não sei é por que o fizeram.
—Você tem seus segredos e eu tenho os meus.
Ele pensava tê-la no castelo e mantê-la com vida, assim não podia falar de sua maldição; Já lhe tinha medo, e caso, se inteirasse da verdade, o desprezaria. Já era suficientemente ruim que ele soubesse o que tinha feito para merecer semelhante castigo.
Mais ainda, se alguém soubesse o que lhe ocorria cada noite, possivelmente perdesse sua reputação de anjo. Alguém podia tomar seu corpo, o levar e tocar fogo, ou decapitá-lo sem que ele pudesse fazer nada para evitar. Desejava aquela mulher mais do que nunca desejou a outra, mas não confiava nela. Ao menos, conservava um pouco de cérebro.
—Pediu a eles que o matassem para poder ir ao inferno visitar seus amigos, ou algo assim?
—Eu não tenho amigos no inferno. —replicou ele, ofendido.
—Então...
—Então nada. Minha vez de fazer as perguntas. Não é húngara. De onde é?
Ela se recostou no travesseiro com um suspiro e se aconchegou ao redor do corpo de Harry. Ao se dar conta de que Gina estava tão cômoda para se colocar assim, ele sentiu uma grande satisfação.
—Sou dos Estados Unidos. Da Carolina do Norte, para ser exata, embora, passei quase toda a vida viajando com o Instituto Mundial de Parapsicologia.
—E o que é isso?
—É um organismo que estuda o sobrenatural. O inexplicável. Criaturas de todo tipo. Estudam e observam as diferentes raças, e tentam que haja harmonia entre elas.
Ele ficou calado. Acabava de admitir que trabalhava com os Caçadores? Suas ações sempre tinham estado cheias de ódio, embora eles alegavam que preservavam a paz para a humanidade. Ele franziu o cenho com confusão.
—E o que faz para eles? Gina vacilou.
—Escuto para ajudar a encontrar seres e objetos de interesse.
Depois de dizer aquilo, se remexeu com desconforto contra o travesseiro.
—E o que passa quando encontra essas coisas?
—Já disse isso. Estudam-nas.
—As pessoas com a quais trabalha têm tatuagens nos pulsos? Um símbolo do infinito?
Ela negou com a cabeça.
—Não, que eu saiba.
Verdade? Mentira? Ele não a conhecia o suficientemente bem para discerni-lo. Todos os Caçadores fanáticos que tinham atacado aos Senhores na Grécia, e também aqueles que Harry tinha encontrado no bosque no dia anterior, estavam marcados com uma tatuagem.
—Disse que escuta. E o que é exatamente que escuta? Outra pausa, outra hesitação.
—Conversações —sussurrou Gina. — Olhe, as pessoas que trabalham para o Instituto aprendem a guardar silêncio sobre seu trabalho. Quase ninguém acreditaria no que fazemos. Nos considerariam loucos.
—Eu não. Preferiria que me contasse algo sobre seu trabalho. Ela suspirou.
—Está bem. Contarei uma de minhas missões. Faz uns anos, eu..., o Instituto, descobriu um anjo. Tinha as asas quebradas em várias partes. Enquanto o curávamos, ele nos falou sobre as diferentes dimensões, e as portas que as comunicam. Isso é o melhor de meu trabalho. Com cada descobrimento novo, aprendemos que o mundo é muito maior do que tínhamos imaginado.
Interessante.
—E o que faz o Instituto com os demônios?
—Os estuda, como disse. Age, e os impede que façam mal as pessoas, se for necessário.
—Essas pessoas não destroem aquilo que não entendem? Ela riu.
─Não.
Os Caçadores sim. Quando tinham assassinado Sulco e seu entendimento se perdeu, a morte de Desconfiança tinha dividido os guerreiros. A metade deles queriam paz, o perdão, um refúgio, e tinham se instalado silenciosamente em Budapest. Os outros tinham procurado a vingança, e tinham permanecido na Grécia para continuar com a luta.
Frequentemente, Harry se perguntava se aquela inimizade sangrenta continuaria,
E se os Senhores que tinham ficado na Grécia teriam sobrevivido durante todos aqueles séculos.
Harry afastou uma mecha de cabelo da testa de Gina.
—Que mais pode me contar desse Instituto? Com o cenho franzido, ela o olhou.
—Não posso acreditar que vá admitir isto, mas acredito que o próximo que querem
Estudar é a você.
Aquilo não foi uma surpresa. Fosse o que fosse aquele Instituto, era normal que tivesse interesse nos demônios. Entretanto, com os sensores e as câmaras de Sirius, nunca conseguiriam subir pela colina, e aqueles que se atrevessem a tentá-lo receberiam o mesmo tratamento que os Caçadores.
—Podem tentar nos estudar, mas não será fácil. —disse a Gina.
Estando tão perto dela, percebia totalmente seu aroma, e a sexualidade de Harry estava despertando rapidamente. Com cada segundo que passava, se sentia mais excitado. Ela era suave e doce. Estava viva e se sentia melhor. E era dele.
De repente, ele queria esquecer o Instituto. Não queria saber nada mais daquilo.
—A desejo —disse. — Com todas as minhas forças.
Os preciosos olhos de Gina se abriram desmesuradamente.
—Realmente?
—É muito bela. Todos os homens devem desejar você. —disse ele.
Entretanto, rapidamente pôs um rosto de fera. Se algum homem tentasse tocá-la, morreria. Com dor, com lentidão.
Violência ronronou para mostrar sua aquiescência.
O rosto de Gina se coloriu, e ele recordou as rosas que às vezes via crescer junto aos muros da fortaleza. Ela sacudiu a cabeça.
—Sou muito estranha.
—Por que diz isso?
—Não importa. Esquece que o disse.
—Não posso. —disse Harry, e lhe passou um dedo pela bochecha.
Gina estremeceu. Se moveu contra ele e, imediatamente, sua excitação impregnou o ar. Ele a bebeu.
—Você também me deseja —disse com um grunhido de satisfação, e esqueceu sua pergunta, e a negativa de Gina para responder.
—Eu... Eu...
—Não pode negar isso —afirmou ele. — Assim, lhe perguntarei de novo: Ainda quer que a leve para casa?
Ela engoliu em seco.
—Pensava que sim. Faz só umas horas, a única coisa que eu queria era escapar; agora... Não posso explicar isso nem sequer a mim mesma, mas desejo ficar aqui. Quero ficar com você. Por agora, ao menos.
A satisfação de Harry se intensificou, o invadiu. Naquele momento, não lhe importava que ela tivesse respondido como mulher ou como isca. "Terei-a".
"A teremos", corrigiu Violência, e Harry se assustou ao perceber o ardor de seu tom. "A teremos".
Estava com tempo hoje e adaptei mais um capítulo, espero que gostem.
O casal Lupin/Tonks terão(talvez) uma história para eles, não será a próxima.
A seguir a lista dos livros e futuros shippers:
A noite mais sombria - Harry e Gina
O beijo mais sombrio - Rony e Hermione
O prazer mais sombrio - Lupin e Tonks
A paixão mais sombria - Tiago e Lilian
Alguns eu ainda estou pensando se terão livros, entrarão outros personagens, enfim, muita coisa pode acontecer ainda.
Opiniões, sugestões, críticas, fiquem a vontade. Até a próxima!
