Luzeiros Negros
Autora: Orchidée Riddle
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
Capitulo XI
Loucura
- Você me ama ou sou, simplesmente, uma grande carta a se apostar na guerra, Tom?
Tom empalideceu e os Comensais não deixaram de notar. Harry o havia colocado entre a parede e a espada. Com o menino nos braços, deixou-se cair de novo na cadeira. Os olhos esmeraldas o observavam demandando uma resposta. Não soube o que fazer nem o que dizer, pela primeira vez todas as suas barreiras vieram abaixo, pegando-o desprevenido. Não podia permitir que seus acólitos o vissem mostrar alguma debilidade. Nunca.
Esta lhe pagaria.
- Crucio.
O corpo do jovem retesou-se e de seus lábios saiu um grito agonizante. Doía-lhe no mais profundo de seu ser que Tom fizesse isso. Estava demonstrando, com isso, que iria livrar-se dele quando não mais lhe servisse, que não lhe importava feri-lo.
Fechou os olhos e deixou-se levar pela dor física, ao menos desse modo não teria que pensar, o que, nesses precisos instantes, parecia-lhe pior que qualquer tortura.
Sentiu quando a maldição deixou de fazer efeito porém, longe de ser um alívio, sentiu medo. Como nunca antes o havia sentido. Quis sair dali, não queria que Tom o visse chorar mais, já havia sido suficiente. Queria voltar para junto de seus amigos, ao seu lugar, desejava regressar a Hogwarts.
Mas estava aprisionado. E da pior forma.
O corpo do menino convulsionava bruscamente. Seus intentos por inspirar um pouco de oxigênio eram mais que evidentes. Tom observou-o confuso, 'não estava sendo uma reação exagerada para uma Cruciatus?'
- A reunião está suspensa por hora. Amanhã, a primeira hora, quero os informes em minha mesa, especialmente os de controle dos presos e missões de espionagem. Me entenderam?
Como se o que estivesse acontecendo não tivesse nenhuma relevância, despachou seus Comensais.
Nunca, antes, os tinha visto cumprir suas ordens com tanta rapidez (não que não as levassem a sério, isso era certo), em segundos não havia mais ninguém na biblioteca, houvesse sido muito ousado de sua parte.
O garoto, todavia, se debatia tentando obter o controle de seu corpo, quando aquele que se fazia chamar seu Senhor investiu contra ele, tomando-o pela garganta. Não havia ninguém ali para liberta-lo.
A realidade caiu sobre ele uma vez mais, estava só. Havia entregue sua alma àquele ser e tinha se separado de seu mundo por ele, agora não havia mais volta. Como voltar aos seus? Mas também, como suportar a sua vida junto a Lord Voldemort?
Ele era o ser que mais amava, e ele o destroçava impiedosamente.
- Você não se atreverá a fazer algo como isto novamente, JAMAIS.
Os olhos de Tom estavam centelhantes de fúria, vermelhos como o sangue. Harry apenas teve a suficiente força para agarrar as mãos do homem, que se fechavam, impassíveis, em seu pescoço. Sua visão estava turva.
O único que pôde fazer naqueles momentos foi olhar o seu opressor, implorando-lhe que o soltasse. Este respondeu apertando ainda mais e sufocando o gemido que estava se debatendo nas cordas vocais do menino. Os olhos se encheram daquelas lágrimas que tanto haviam sido evitadas. Sufocava por fora, mas também por dentro. 'Que importava se Tom o matava? Depois de tudo não teria que enfrentar a realidade.'
Suas frágeis mãos se soltaram das de seu amante. Perdia a força. Sentiu como a escuridão começava a envolvê-lo, incitando-o a deixar-se cair nela. Contudo, a pressão de sua garganta desapareceu e o ar penetrou violentamente nos pulmões.
Sua mente o alertava para que se distanciasse daquele homem. Continuar próximo era um suicídio. Bruscamente apartou-se dele, caindo no chão com um golpe violento nas costelas. Arrastou-se como pôde o mais distante possível dele. Sem deixar nenhum momento de olha-lo acusadoramente.
Tom, por sua vez, estava perplexo. Apenas um pouco antes dera-se conta do que estava a ponto de fazer, o teria matado, a ele, o maior de todos os seus tesouros. Olhou suas mãos, que momentos antes se fechavam, inflexíveis, sobre sua vítima.
Lentamente levantou-se da cadeira e aproximou-se de Harry, pôde ver como o garoto se encolhia em si mesmo. Um sentimento de arrependimento o tomou.
- Não me toque.
- Harry... - considerou.
- Eu já disse que não me toque!
Tom suspirou. Não restava outra opção.
- Inmovilus.
Com todo o cuidado que lhe foi possível, ergueu o corpo de Harry do chão, o menino ainda o olhava com os olhos aterrorizados, olhos que, como pôde, ignorou durante o trajeto até seu quarto. Não que fosse muito fácil...
Deitou Harry sobre a cama e coletou um frasco dos armários do banheiro. Depois, sentou-se ao lado do menino e conjurou uma bacia, aonde verteu o líquido contido na garrafa que havia pego.
- Pode ser que isso queime um pouco, sobretudo no começo.
O menino tinha a vista fixa em algum ponto do teto.
Colocou-se em seu campo de visão e percorreu-lhe a mandíbula com um dedo.
- Finite incantatem.
O menino recuperou seus movimentos, se é que algum lhe restava. Mas não se moveu. Tinha medo, de novo.
- Harry, você mais que ninguém sabe o empenho que tenho em resguardar os ânimos de meus seguidores, não é bom desmotivá-los. Mas também está claro que somente você poderia ter sido o suficientemente inocente para acreditar no que eu disse.
- O que você disse, Tom? Deixe-me recordar. 'Que eu não era mais que um simples boneco em seus planos? Que você não se importava?' Isso você disse. Acaso tem idéia de como me senti? E depois... depois você...
A voz de Harry soava terrivelmente desolada. Como se todo o seu mundo houvesse ruído.
- Eu te amo, pequeno.
- Você mente.
- Não o faço.
- Como posso saber? - sussurrou com lástima.
O homem sorriu tristemente. Não era uma expressão falsa, nem forçada. Era uma expressão genuína, dessas que se mantém nas recordações para sempre. Bela. Os olhos de Tom se fizeram surpreendentemente mais dourados do que lembrava. O dorso de sua mão deslizando por seu rosto, mais suave que nunca.
- Não pode sabê-lo, meu anjo. Mas gostaria que confiasse em mim.
- Sabe o que está me pedindo? Dê-me uma razão para fazê-lo.
- Não existe nenhuma.
Harry fechou os olhos.
- O que está acontecendo comigo, Tom? Quero odia-lo, mas não posso. Que demônios...?
Não pode continuar porque sentiu aqueles lábios sobre os seus. Tão embriagantes... Eram como uma droga, o atontavam e o extasiavam.
Sentiu uma forte pontada nas costelas e não pôde fazer mais que separar-se.
- Creio que antes de mais nada deveria curá-lo.
Durante horas sentiu as experientes mãos de Tom sobre sua pele. Pondo bandagens ao redor do tórax, dando-lhe de beber estranhas poções. Encontrava-se externamente renovado, mas as marcas roxas de seu pescoço doíam mais que a princípio supunha.
- Harry?
- Mmmm?
Tom subiu de joelhos na cama e acomodou Harry até colocá-lo de igual forma. Levava um pote de ungüento que desprendia um forte odor a sândalo. O creme era branco e fluído.
O Senhor das Trevas acomodou uma das mãos na nuca de Harry.
- Incline a cabeça para trás.
A outra mão coletou um pouco do creme e começou a massagear com cuidado a garganta arroxeada. Os olhos de Harry não podiam desapegar-se da figura do jovem homem. Em seu peito, seu coração batia depressa. Seu olhar desceu até a boca e soube, então, que não poderia esperar mais.
Lançou-se sobre o outro, que ficou sob ele. Seus lábios comprimiram-se contra os do outro furiosamente. Agarrava-se à túnica negra, que contrastava visivelmente com a sua própria, de seda branca.
- Não me deixe... Não deixe que nunca me separem de você. Nunca... - murmurou entre um alento e outro - Seria algo para o qual não estou preparado suportar vivo. Nunca. Por favor...
As mãos inexperientes do menino se colaram debaixo da roupa, acariciando cada centímetro de pele que encontravam pela frente.
- Meu Harry...
Tom, obviamente, não estava acostumado a ser reclamado de tal forma; não se fez de rogado e enroscou suas pernas com as do outro, para depois girar e ficar sobre o menino. Obter o que era seu.
As esmeraldas cravaram-se nos anéis dourados que centelhavam, novamente, em carmesim. Os frágeis braços enlaçados nas costas.
- Meu Harry, por toda a eternidade.
Não sabia de onde Tom havia sacado aquele punhal mas, distinguiu muito bem a dor quando ele desenhou, na lateral de seu pescoço ferido alguma estranha forma, tinha a impressão de que era outra estrela de quatro pontas, como aquela de sua mão.
Tudo aconteceu de repente.
O chão começou a tremer, os feitiços de proteção de todo o tipo que rodeavam a mansão se dissiparam, as janelas explodiram, os objetos mais delicados se romperam em mil pedaços. Alguns Comensais corriam para agarrar-se ao primeiro que encontravam.
Tom Riddle abriu seu próprio pulso com um corte limpo e deixou que o sangue se derramasse sobre a estrela que acabava de traçar, mesclando-se, assim, com o sangue que brotava da ferida do menino. Tudo ao seu redor estava, de repente, rodeado de uma espessa neblina, apenas se via o corpo de Harry brilhando igual ao seu próprio.
Ignorou a dor que subia de sua mão ao restante do corpo e apoderou-se, outra vez, dos lábios rubros.
- Tom...
O menino o observava com os olhos semicerrados, cristalinos por causa das lágrimas que caiam deles.
- Nada vai separá-lo de mim. Agora, dorme.
Como se as palavras possuíssem algum efeito sonífero sobre ele, fechou os olhos nos últimos instantes de consciência. Ato seguido pelo Senhor das Trevas que perdeu, igualmente, a noção.
Lucius, alertado pelo resplendor que cobriu o castelo uns instantes, dirigiu-se, correndo, aos aposentos de seu Senhor; estranhamente o trinco cedeu deixando passagem ao quarto. Quando chegou encontrou os dois nêmesis inconscientes sobre a cama, em um charco de sangue.
Relembrou seu filho, a quem tanto amava, morto nas mãos do Senhor das Trevas. Havia-o perdido, a Draco. Sabia que essa era a sua única oportunidade para vingar-se. 'Devia fazê-lo?' Sacou a varinha com mão trêmula. 'O faria?'
Suspirou nervosamente.
Estava decidido. A adrenalina fervia em seu interior, dando-lhe os ânimos suficientes para terminar o que sua mente lhe ditava.
Acercou-se da cama de lençóis escuros ainda com a varinha erguida. Preparou-se para dizer aquelas duas palavras, apontando ao seu Senhor.
Nota da Tradutora:
Bueno, aqui está o 11º capítulo de Luzeiros Negros. Com isso, faltam apenas mais quatro capítulos para o término da fic. Peço desculpas pelo atraso e agradeço a todos que vêem acompanhando, pacientemente, esta história.
Agradecimentos especiais Drika (Obrigado pela resenha, niña. Eu não peço reviews, mas adoro ler comentários inspirados. ;-) Sobre a "verdadeira personalidade" de Dumbledore... creio que os próximos e últimos capítulos dirão tudo), Laura (Espero que não tenha morrido de ansiedade. ;-) E eu é que agradeço pela sua atenção), Lipe (Também amo você, afilhado, e espero vê-lo a cada dia mais inspirado; os fãs de H/T agradecem), Kikis (Bela resenha a sua. :-) Obrigado pelas congratulações, e até o próximo capítulo!), Ana K13 Poste (Se você puder, sugiro que leia mesmo a versão original, no bom espanhol. Creio que a autora já publicou até o terceiro capítulo. :-) Sobre o "quiçá", é uma expressão rebuscada que equivale ao "talvez" ou à expressão coloquial "quem sabe". O "quiçá" é muito usado nas fics em espanhol e eu, pessoalmente, gosto muito dela, assim como do "oxalá". Sobre o uso do pronome "tu", ao invés do "você", eu particularmente adoro e de início pensei em deixa-lo, juntamente com o "vós", mas acabei optando pelo "você", porque é o "pronome de tratamento" usualmente empregado na linguagem nacional, como o "tu" e o "vós" é na língua espanhola. Ou seja, minha intenção foi a de deixar a linguagem do texto mais próxima da linguagem comum do leitor brasileiro e, assim, mais "familiar").
Bueno, até o próximo capítulo, que será publicado, no mais tardar, em duas semanas. Como estou em processo de tradução de mais cinco histórias, é natural que eu me demore um pouco. Porém, tentarei me esforçar para atualizar o quão breve possível.
Com isso me despeço. Abraço e beijo a todos!
Inna
