Love Storm
Capítulo 11 – O funeral
Sophie era acompanhada por Sirius até a porta principal de uma mansão que alternava entre os tons pastel, marrom e rosa salmão. Seus avós a esperavam lá. Sua avó debulhava-se em lágrimas enquanto seu avô simplesmente a encarava aflito.
"Espero que não comece a fazer os mesmos escândalos de sua avó." O velho disse para a neta disfarçando a tristeza. Sophie que percebera o esforço do avô para não chorar, decidiu ficar calada. Ao observar a avó com pena, Sophie nota um de seus primos parado no hall da casa.
"Alan!" Ela diz abraçando o primo que não via desde o verão. Abraçou ele aflita e então começou a chorar desesperadamente. Olhando pra ele, lembrara da infância que tivera antes de Hogwarts. As coisas que faziam quando eram pequenos e as coisas com as quais sonhavam também. Agora, pior do que qualquer encanto, aquilo havia acabado. Sophie não era só uma garotinha e Alan, muito menos um garotinho.
"Vamos entrar. Está muito frio aqui fora." O avô conduz os jovens pra dentro. "E por gentileza, quem seria o moço?"
"Um grande amigo." Sophie se adianta. "Ele veio de Hogwarts comigo pois conheceu papai em uma de suas aventuras pelo Egito." Sirius sorriu sem graça pois Sophie mentira descaradamente mas não tomou atitude pois estava extremamente sensibilizado pela perda de sua namorada.
Eles conversaram um pouco e decidiram ir ao velório. Lá, as pessoas presentes, entre eles alguns parentes distantes que não se viam a um longo tempo, conversavam aleatoriamente sobre o que realmente teria acontecido ao casal, alguma choradeira, mais tarde um comentário engraçado sobre algo que acontecera com os falecidos, e assim por diante.
"Estranho ver todas essas flores sem cartão." Sophie observa pensativa. "Como se não pudéssemos dizer àqueles que se foram o quanto os amamos, o quanto são queridos pra nós. Como se isso fosse o fim de tudo" Sophie começa a chorar. Sirius a abraça.
"So, não chora. Eu juro que vou descobrir quem fez isso!" Alan fala se aproximando.
"Eu sei quem foi Alan, foi Charles!" Sophie fala ficando com raiva.
"Eu sei quem foi e não se parece com ele" Alan olha pra Sirius que fica mais interessado no assunto. "Ouvi Alastor Moody falando que havia sido um animago. Provavelmente ilegal."
"Que forma ele tinha?" Sophie pergunta assustada.
"Não sei, ouvi isso quando estava chegando, logo depois que me viram pararam de falar." Alan fala se esquivando dos olhares de uma loira muito braba.
"Quem é ela?" Sophie pergunta ingenuamente.
"Ninguém".
"... que te interesse" Sirius tenta brincar com Sophie.
Ela sorri gentilmente e se levanta enquanto Sirius fica e tenta arrancar mais informações sobre o assassinato. Sophie fica entre os dois caixões abertos. Sua mãe está de azul, os cabelos negros e levemente ondulados até os ombros, a pele branca e fria como o marfim. Seu pai em um terno preto com o cabelo milimetricamente divido ao meio, seu nariz pontudo em forma de bico de papagaio. Ao contrário do que muitos poderiam falar sobre seus pais, Sophie sempre soube o quão maravilhosos eles eram e as lágrimas que corriam de seu rosto não eram, de qualquer maneira, o medo da morte e sim, o medo da saudade! O egoísmo tomava conta dela "E agora quem é que vai cuidar de mim?" Ela soluça alto, sem se controlar. "Quem nesse mundo vai me amar assim?" Seu avô a abraça e aperta forte.
"Não faça isso, sua mãe ficaria triste!" Ele sussurra ao seu ouvido. Dessa vez é hora de Sophie apertar forte o avô e desabafar no seu colo. Sirius observa a cena desconsolado. Não agüentava mais vê-la naquele estado. A sua princesa, a sua formosa. Jurou pra si mesmo que iria acabar com a raça de quem fez isso para ela. Como é costume ao norte, as pessoas são veladas por alguns dias. E depois da crise de choro de Sophie, sua avó (Que estava um pouco mais calma) pediu a ela que fosse para casa.
"Isso é bom pra nós vermos do que Voldemort é capaz." Sirius fala abraçando Sophie enquanto os dois olham a paisagem pela janela.
"As vezes eu penso que ele não teme Dumbledore tanto quanto comentam" Sophie se abraça em Sirius enquanto fixa o olhar na grama verde do jardim.
"Não tema. Ele não está sozinho." Uma paz misteriosa invadiu o coração de Sirius Black, que aconchegou melhor Sophie em seu peito. "Como pode um ser tão perfeito como essa garota linda, que se encontra em meus braços, gostar de mim que sou um cara tão desajeitado, tão desleixado?" Sirius pergunta admirando os olhos verdes de Sophie.
"Você se acha desleixado?" Sophie se espanta. Ainda mais pela educação e sensibilidade de Sirius, desleixado seria a última coisa que ela pensaria dele.
"Não, mas todos dizem isso!" Sirius explica.
"Todos quem?"
"Mcgonagall por exemplo, vive me falando isso!" Sirius diz se sentindo um perfeito 'coitadinho'.
"Sirius e desde quando você liga para o que Mcgonagal diz??!?!?!?!?! Por um acaso você está dando em cima dela?" Sophie finge ficar enciumada.
"Não! Nunca! Você está maluca! Ela"- As explicações 'tortas' de Sirius se desfizeram em sorrisos quando viu Sophie dando gargalhadas da situação. De repente ela percebe que no final das contas, ela não está sozinha. Um olhar penetrante e apaixonado flui entre os dois. O coração de Sophie se derrete, Sirius abraça sua amada e conduz o beijo.
"Melhor não..." Sophie fala observando os quadros e os corredores da casa. Sirius por sua vez cala sua voz com um beijo. Lentamente, ambos vão se direcionando ao sofá de couro vermelho, que fica no escritório de seu pai. Logo o ambiente fica um tanto quente e os jovens são forçados a se despir. A paixão durante o êxtase da sensualidade transforma o romantismo em puro desejo.
"Eu não posso!" Sophie fala olhando nos olhos de Sirius. "Eu te amo, mas não posso". Sophie se levanta e deixa Black deitado pensando no que havia acontecido. Sem maiores explicações, ela levanta e vai em direção a biblioteca. No caminho um elfo doméstico a segue abrindo todas as portas a sua frente.
"Me deixe sozinha! E tenha certeza de que ninguém entrará aqui!" Sophie observa o elfo se distanciar enquanto examina o corredor e suas passagens secretas. Ela olha novamente para dentro da biblioteca e tenta se lembrar dos passos. "Dez para o oeste, cinco para o norte, doze para leste, três para o norte e vinte para o sul." Ela repassa em sua mente. "É eu acho que é isso." E começa a trilhar o caminho ensinado por seus pais para achar um antigo e perigoso tesouro (em mãos erradas) caso eles viessem a falecer. "É muito arriscado deixar esse diário aqui já que ninguém mais o protegerá".
Alguns dias se passaram, e a hora da cremação chegou. Ao entrar no local Sophie sentiu um frio na espinha e a sensação de que estava sendo perseguida não a deixava. Estava tensa, triste e deprimida. Já não confiava nas pessoas antes, agora então, muito menos. Tentava esquecer, mas a situação em si não permitia. Ela tinha que ser forte, ela tinha que dizer adeus. Até porque, mais tarde, somente no cosmos. Alan pôs a mão em seu ombro e apareceu de mão dada com a loira que estava encarando ele outro dia. Ela sorriu fraternalmente e voltou o olhar ressentido a cena da cremação. Depois de tudo acabado, Sophie e Sirius pegaram o primeiro expresso de volta a Hogwarts.
Esse capítulo eu dedico a minha avó amada que a pouco tempo foi para o céu, e também a minha madrinha LINDA que se foi há sete anos.
Muitas partes deste capítulo foram baseadas no que já vi e senti. Espero ter tocado o coração de vocês. E lembrem-se que devemos demonstrar o nosso amor sempre, pois nunca sabemos quando será a última vez que veremos nossos entes amados...
