Capítulo 11 – Dangerous Game
BPOV
- No seu mundo isso seria verdadeiro. – Sussurrei contra seus lábios e depois não vi mais nada.
- Stella Viae Meae. – Acordei e vi que vários borrões com capas negras me circundavam.
- Eu não queria que isso acontecesse! – Gritei do chão, agarrando meus cabelos com força, sentindo as lágrimas escorrendo por meu rosto. – Me deixem em paz!
- Bella... – Escutei a voz da minha salvação. Olhei para todos os lados, mas não o encontrei. Apenas um dos borrões negros se aproximando de mim. – Agora já é tarde.
Seu capuz caiu sobre seus ombros e eu só pude ver aqueles olhos verdes cheios de mágoa.
- Não! – Gritei e olhei para os lados, avistando apenas as paredes do meu quarto.
Passei a mão no meu rosto que estava todo molhado de suor, assim como o meu cabelo e minha camisola. O relógio sobre o criado-mudo marcava cinco horas da manhã ainda, mas eu não conseguiria dormir mais. Levantei-me e fui me arrumar, tendo em mente aonde eu iria a seguir.
Quinze minutos depois já estava abrindo a porta do meu quarto, sem olhar atentamente para meu caminho, quando chutei sem querer algum objeto que estava no chão. Olhei para baixo e encontrei meu celular.
- Não acredito! – Exclamei em voz alta me abaixando para pegá-lo. Estava intacto. Conferi a agenda de contatos, minhas mensagens, tudo estava exatamente igual conforme eu me lembrava.
Estranho. Muito estranho. Porém, era menos uma coisa para eu me preocupar.
Subi para o terraço do colégio e o encontrei lá, como em todos os dias anteriores, com as mãos apoiadas na grade de proteção, olhando para o horizonte.
- Bom dia. – Disse, o enlaçando por trás e inspirando o perfume que vinha de sua roupa.
- Bom dia. – Ouvi sua voz melodiosa, que ele sempre tinha quando respondia algo sorrindo. – Acordou tão cedo hoje.
- Não consegui dormir mais. – Dei de ombros e ele se virou para me encarar, me abraçando e me puxou de encontro a ele, beijando minha testa com ternura.
- Algum problema? – Ele perguntou franzindo o rosto e passou um dedos por baixo dos meus olhos, certamente as marcas visíveis de minhas noites mal dormidas.
Só meneei com a cabeça e aproximei meu rosto no dele com os olhos fechados e logo os lábios dele estava sobre os meus. Era revitalizante sentir o carinho que ele depositava em cada beijo e a sua ansiedade também, era como se nossos beijos fossem nossa recarga de energia de nossos fardos pesados.
- Como ficaram as coisas na diretoria? – Perguntei quando nos separamos e Edward suspirou resignado.
- Susan está tentando resolver tudo, ainda estou relutante em tomar conta do cargo.
- Era a vontade de seu pai, Edward.
- Eu sei, mas mesmo assim eu... – Ele pensou um pouco, olhando para o lado. – Bem, não vamos falar sobre isso agora.
- Tudo bem. – Concordei e Edward me beijou mais uma vez.
Entrei no Soho com uma pontualidade inglesa atípica. Como se tivéssemos uma conexão, avistei Edward ao longe, em uma das ultimas mesas do restaurante.
Caminhei ao seu encontro e senti que vários homens olhavam para mim enquanto eu passava, principalmente para as minhas pernas, descobertas pelo meu vestido branco que mal chegava ao meio das minha coxas e deixava minhas costas expostas mas não muito por causa de meu cabelo que caia em cachos sobre ela. Tudo muito intencional, para se ganhar a batalha é preciso usar todas as armas e eu não iria deixá-lo fraquejar novamente.
Edward só me viu quando eu cheguei junto a mesa. Ele ficou um pouco admirado, havia acertado na escolha da roupa. Ele se levantou e contornou a mesa, puxando a cadeira pra eu me sentar, muito diferente da ultima vez que jantamos juntos.
- Você está linda. – Ela comentou assim que se sentou novamente. Parecia um pouco inseguro do que fazia, mas não deixou de ser sincero. Esse era um comportamento típico dele.
- Obrigada. – Agradeci sorrindo e passei a mão em algumas mechas do meu cabelo. Vi que ele acompanhava meus movimentos e parecia ter dificuldades em começar a falar. – Você já fez o seu pedido?
- Ainda não. – Ele pareceu um pouco surpreso com a minha pergunta e levantou o menu da mesa, dando uma vista de olhos. Fiz a mesma coisa.
Um garçom se aproximou da mesa, provavelmente percebendo que estávamos escolhendo nossos pratos e nos perguntou o que iríamos pedir.
- Para mim pode ser ceviche. – Disse e ele olhou para Edward.
- Para mim também.
- E para beber? – O garçom tornou a perguntar enquanto anotava tudo m seu bloco.
- Um suco natural de pêssego.
- Para mim nada, por enquanto. – Edward disse mas nem se deu ao trabalho de olhar para o garçom que se afastava da mesa.
Esperei alguns instantes de silencio, Edward só me observava, ou melhor, me analisava, imerso em vários pensamentos. Ele é muito cauteloso e eu sabia que teria de ter firmeza para conseguir o que queria dele.
- Você mudou de idéias? – Perguntei sorrindo um pouco nervosa.
- Não, só estou pensando no que será melhor fazermos. – Ele me respondeu sem modificar nada do seu semblante.
- Então você ainda quer ficar comigo? – Perguntei e pousei minha mão sobre a mão dele em cima da mesa.
Ele deu um sorriso meio torto, enigmático, e acariciou minha mão.
- Claro que quero. Mas você sabe que vamos ter que tomar algumas... precauções. Não somos considerados um modelo exemplar de casal, aluna e professor. Soa até um pouco clichê.
Não tinha certeza se essa era exatamente as preocupações dele ou se Edward ainda duvidava de minhas intenções.
- Não precisamos nos preocupar com que ninguém pense. – Disse com firmeza e entrelacei meus dedos nos dele, segurando forte sua mão,
o fazendo olhar para mim bem dentro dos meus olhos. - Ninguém precisa saber. Somente nós dois já basta.
- Não vai ser muito fácil. Principalmente tendo Alice Cullen tão próxima de nós. - Ele falou desviando o olhar dos meus olhos.
Eu também sabia que se tivéssemos que esconder isso de todos, seria muito difícil esconder tudo de Alice, mas mesmo ela não poderia saber de nada.
- Vamos ter que tentar. - Segurei com firmeza sua mão mais uma vez e Edward me encarou novamente. - Por nós dois.
As mãos de Edward percorriam as minhas costas e se emaranhavam em meu cabelo.
- Edward – Comecei a dizer por entre nosso beijo. -, acho que temos que ir embora...
- Acha? – Ele perguntou interrompendo nossos beijos e riu.
- Na verdade, temos que ir sim. – Falei e encostei minha cabeça em seu peito, enquanto ele me envolvia mais em seus braços.
- Tudo bem, não quero que seu professor chame sua atenção por chegar atrasada.
- Algo me diz que meu professor hoje também chegará atrasado. – Brinquei e senti o leve tremor de sua risada.
Edward se afastou de mim, mas ainda com as mãos em minha cintura. Olhou brevemente em meus olhos antes de encostar seus lábios nos meus brevemente e me viu partir. Nossos encontros secretos eram cada vez mais frequentes, a adrenalina sempre me dava aquela sensação de frio na barriga, mas isso era o que me motivava mais a me encontrar com ele, vivendo esse jogo perigoso de esconde-esconde.
Quando entrei na sala de aula, o sinal acabara de tocar. Alice esperava por mim no seu costumeiro lugar ao meu lado.
- Aonde você estava? – Ela perguntou antes mesmo que eu me sentasse.
- Acordei muito cedo hoje e então resolvi dar uma volta por aí.
- Por que você não foi até o meu dormitório? – Ela especulou e percebi algo mais que curiosidade no seu tom de voz.
- Porque você eu não queria te acordar, Alice.
- Acordei cedo também. – Alice me disse e olhou para a porta da sala, vendo Edward passar por ela. – Edward pelo vistos acordou cedo hoje também, não o encontrei no dormitório dele quando estive lá há meia hora atrás.
Não respondi, tive medo que minha voz denunciasse algo. Alice é muito perceptiva, principalmente quando percebe alguma emoção não contida em nossa fala. Com certeza deveria ser uma exímia partipante em um jogo de adivinhações ou em mistérios.
- Bem, pelo menos ele já parece bem melhor. - Ela comentou e eu a encarei, demonstrando curiosidade, para disfarçar. – Não era bom que ele ficasse de luto sempre. Seja lá o que ele tenha em mente, acho que o está dando forças para continuar. – Ela desviou o olhar de Edward e me encarou.
- E você está melhor? – Perguntei tentando mudar um pouco o foco da conversa.
- É difícil, mas estou recebendo muito apoio. Talvez Edward tenha encontrado algum apoio também.
- Talvez.
Não sei se Alice estava desconfiada de nós ou se estava apenas feliz por seu irmão estar melhor, mas teríamos que ter muita cautela se quiséssemos manter esse segredo dela.
xxx
- Desisto. – Ouvi Alice dizer abruptamente e num tom de voz muito alto para uma biblioteca, jogando a bolsa que segurava em cima da mesa e se sentando com raiva na cadeira ao meu lado.
- O que? – Eu indaguei não entendendo aquela reação dela, era normal ela mudar de humor de uma hora para outra, mas nada na minha mente indicava o motivo para deixá-la irritada daquela maneira.
- Edward é uma babaca. – Ela disse cruzando os braços e eu sorri de lado voltando a me concentrar no livro que eu lia antes de sua chegada repentina.
- Conte-me uma novidade. – Eu murmurei para que ela pudesse ouvir, sorrindo internamente ao pensar que mesmo tendo-o conhecido melhor agora eu ainda pensava dessa forma muitas vezes.
- Você acredita que ele teve a capacidade de me deixar esperando uma hora para falar com ele dizendo que tinha assuntos urgentes para resolver e conversou comigo muito rapidamente negando me levar até o shopping? – Eu sorri olhando para a face emburrada dela compreendendo o porquê de tanta raiva: impedi-la de ir ao shopping a deixava assim.
- Tente compreende-lo. – Eu disse fazendo algumas anotações sobre o livro que lia. – Ele está muito sobrecarregado ultimamente. – Parei de escrever ao perceber o que tinha falado torcendo para que ela não fizesse nenhuma pergunta. – Por que você não vai de táxi? – Eu sugeri mudando o rumo da conversa.
- Porque eu não gosto de fazer compras sozinha. – Ela disse torcendo as mãos e me olhando quando eu vi que um sorriso surgiu em seus lábios.
- Não me olhe assim. Eu não vou. – Eu me apressei a dizer antes que ela insistisse.
- Por que não? – Ela disse já fazendo aquela cara de quem pede algo e que é difícil de resistir.
- Porque eu estou estudando. – Eu falei como se fosse óbvio apontando para os meus livros espalhados sobre a mesa. – Convide Jasper. – Eu acrescentei assim que vi que ela estava pronta para insistir.
- Ele deve estar trabalhando. – Ela falou triste. – Por favor, Bella? O que custa?
- Custa um tempo que eu não tenho. As provas bimestrais estão aí. – Eu sussurrei ao perceber que a bibliotecária já nos olhava. - Você também deveria estar estudando.
- Não tenho cabeça para isso no momento. – Ela disse voltando a cruzar os braços.
- Eu não vou. – Disse voltando a me concentrar em minhas anotações. – Não adianta insistir.
- Todos estão chatos hoje. – Ela disse se levantando e pegando a bolsa jogada por ali. – Vou achar alguém menos reticente do que você e Edward. Se eu não soubesse que o odeia diria que está andando muito com ele ultimamente, pegando as manias irritantes dele. – Eu gelei ao ouvi-la pronunciar a última frase.
Soltei o ar que nem percebi que tinha prendido quando ela já estava distante, sumindo por uma prateleira andando apressadamente. Eu sabia que estava jogando um jogo perigoso, teria que ter mais cuidado quando o assunto envolvia Edward.
Meu celular vibrou em cima da mesa e eu rapidamente o peguei vendo que havia uma mensagem não lida.
Hoje às 20:00?
Eu sorri ao ver que a mensagem era de Edward e me apressei para responder.
Combinado.
Sorri ao recolher meus livros de cima da mesa pensando em alcançar Alice e dizer que havia mudado de ideia quanto a ir ao shopping. Seria uma briga a menos com ela e um vestido novo a mais no meu closet para sair com Edward hoje à noite.
xxx
- Eu ainda não entendi porque você mudou de ideia tão rapidamente. – Alice dizia de dentro de um provador enquanto eu a aguardava sentada do lado de fora para dar minha opinião.
- Eu já lhe disse, Alice. – Eu disse revirando os olhos ponderando se aquilo havia sido uma boa decisão, agora ela estava com caraminholas na cabeça. – Eu me lembrei que precisava de um vestido novo e não queria que você ficasse chateada comigo. Então, uni o útil ao agradável.
- Isso eu já entendi. – Ela disse saindo e se olhando no espelho, ajeitando o vestido amarelo que experimentava. – O que acha? – Ela indagou olhando para mim.
- Curto e chamativo. – Eu me limitei a dizer.
- Ótimo. Era o que eu precisava. – Ela sorriu e voltou ao provador. Eu suspirei achando que ela havia se distraído do assunto anterior.
- Você não precisa mentir para mim, Bella. – Ela disse após alguns minutos saindo do provador novamente, só que dessa vez com um vestido preto longo e justíssimo. – Quem é o garoto que está por trás disso?
- Não há garoto nenhum. – Eu disse sorrindo.
- Para você precisar de um vestido novo com os inúmeros vestidos no seu closet, há sim um garoto. Eu lhe conheço bem, Bella. Me diz. – Ela suplicou.
- É apenas um jantar com meu pai, Alice. Nada demais. – Eu disse desviando meu olhar e observando o movimento da loja em que estávamos.
- Já voltou a falar com ele? – Ela perguntou ainda se olhando no espelho. – Pelo que me lembro, ele tinha ficado irritado com você depois daquilo de querer sair da escola e depois não querer mais.
- Meu pai é assim mesmo. Eu não posso dizer que ele achou legal minha atitude, mas eu acho que ele entendeu.
- Certeza? – Ela me olhou e eu apenas meneei a cabeça. – O que acha desse?
- Eu tenho cinquenta anos e vou sair com um garotinho. – Eu disse ao que nós duas sorrimos.
- É verdade. Melhor excluir esse. – Ela concordou com uma careta entrando no provador novamente e eu suspirei pensando quanto tempo aquilo demoraria e se a minha pequena mentira seria descoberta.
- Eu concordei em assinar aquele papel, Isabella. – Meu pai dizia durante um raríssimo jantar sábado a noite em casa.
- Bella. – Eu o corrigi, ele sabia como eu odiava que me chamassem de Isabella.
- Seu nome é Isabella e não Bella. – Ele disse com asco ao pronunciar meu apelido.
- É curto e informal, eu gosto. – Eu me limitei a responder levantando o garfo para engolir mais um pedaço de rosbife.
- Não fica bem para as pessoas da sua classe social serem tratadas de maneira informal pelos outros. Você não deveria permitir isso.
Eu preferi o silêncio a encarar aquela discussão, mas ele queria me enfrentar e voltou ao assunto da minha quase transferência.
- Você me apresentou argumentos contundentes, eu os ouvi e concordei com você, te autorizei a se transferir de escola da maneira como você queria e agora você diz que não quer mais, que quer terminar o ano onde está estudando.
- Aconteceram muitas coisas que me fizeram repensar minha decisão.
- O que, por exemplo? – Ele me olhou atentamente e eu suspirei pesadamente.
- A morte do reverendo John me fez ver que a vida é curta demais, pai. Eu quero permanecer em um lugar onde sou amada, apesar de todas as outras coisas das quais lhe farei.
- Tudo bem. – Ele disse olhando no relógio e limpando a boca com o guardanapo de linho que estava em seu colo. – Tenho uma conferencia importante agora.
- No sábado a noite? – Eu indaguei indiferente pensando que aquele jantar estava bom demais para ser realidade.
- No Japão ainda é de manhã. Com licença. – Ele se levantou e eu suspirei resignada ouvindo-o trancar-se no escritório. Mais uma refeição sozinha.
- Vamos? – Alice perguntou e eu me levantei espantando meus pensamentos e recolhendo as sacolas a acompanhando até o caixa.
- Quais são os seus planos para o fim de semana? – Eu perguntei a Alice observando um catálogo em cima do balcão.
- Jasper me convidou para jantar com a família dele. – Ela disse alegremente. – Não é um máximo?
- Muito. Mostra que ele está levando a sério o relacionamento de vocês. – Eu disse sentindo falta de um relacionamento assim, sem segredos.
- E você? Vai para casa? – Ela perguntou enquanto a vendedora lhe entregava a sacola de compras e nós saiamos da loja.
- Meu pai quer que eu vá. Haverá um jantar de negócios lá em casa com alguns sócios dele.
- Ah, entendo. Então vamos nos ver apenas na segunda-feira agora? – Ela disse observando uma vitrine.
- Aparentemente sim. – Eu disse ao vê-la entrando numa loja. – Eu quero ir ao banheiro, Alice, mas você pode ficar por aqui. – Eu acrescentei ao vê-la querendo me acompanhar. – É rápido. Te encontro aqui.
- Tudo bem.
Eu sabia que ela iria ficar eternamente dentro daquela loja e não viria me procurar tão cedo, então peguei meu celular e rapidamente encontrei o número dele nas últimas ligações. Sorri enquanto apertava a tecla de chamada e esperava ele atender.
- Bella? – Edward chamou do outro lado da linha com a voz preocupada. – Aconteceu alguma coisa?
- Não. Eu estou no shopping com a Alice e... – Não sabia bem porque havia ligado para ele.
- E já está entediada. – Ele afirmou e ouvi o som de sua risada.
- Exatamente. – Respondi enquanto andava distraidamente pelo corredor. – Você ta ocupado?
- Não, estou na diretoria, Susan acabou de sair daqui. – Ele respondeu sem emoção.
- Ainda está em dúvida? – Eu perguntei ao perceber o tom de voz dele.
- Disse à Susan que assumiria o cargo até o fim do ano letivo. Depois pensaria melhor.
- É o melhor que você pode fazer no momento. – Eu concordei com sua decisão.
- Até porque ano que vem não terá mais nada que me prenda aqui. – Ele disse e apesar de querer saber quais eram os motivos que o prendiam ali, nenhuma palavra saiu da minha boca.
- Você recebeu minha mensagem? – Perguntei após alguns segundos de silêncio mudando de assunto.
- Recebi, até ia te ligar mais tarde pra combinarmos tudo direito. - Ouvi Edward falar antes de me esbarrar em alguém e quase cair no chão, mas rapidamente fui aparada.
- Você continua a mesma distraída de sempre, Bells. – Essa pessoa disse rindo e só então percebi quem era.
- Peter. – Falei surpresa ao ver o meu ex-namorado parada a minha frente.
- Como você está? – Ele perguntou sorrindo e se aproximou de mim, me cumprimentando com dois beijos no rosto. – Você parece bem melhor desde a ultima vez que te vi.
- Acho que ninguém se parece muito bem em um leito de hospital, né? – Brinquei e nós dois rimos, mesmo que a situação parecesse um pouco desconfortável de certa forma. – E você, como está?
- Bem. – Ele assentiu, passando a mão pelos fios de cabelo negros de sua franja. – Você recebeu minhas flores? – Peter perguntou muito rápido e percebi um brilho de ansiedade em seus olhos.
- Recebi sim. - Senti minhas bochechas arderem um pouco. Apesar de tudo, eu havia sido um pouco tratante com relação a esse gesto dele. – Me desculpe, foi muito indelicado de minha parte não ter lhe respondido, mas aquele dia foi um dia muito conturbado na escola, reverendo John falecera naquela noite e...
- Não precisa se explicar, Bells, eu entendo. – Ele disse e sorriu torto para mim, me remetendo muito a um Peter do passado, do início da nossa amizade e do nosso namoro. Um Peter por o qual eu me apaixonei aos 14 anos.
Ficamos alguns segundos em silêncio, ele me encarava avaliativo.
- Bem, foi legal te rever, Bells. Estava sentindo sua falta, apesar de tudo. A gente podia se ver mais vezes, você pode aparecer lá em casa quando quiser.
- É, quem sabe. – Respondi sem graça e forcei um sorriso.
- Não vou te atrapalhar mais. – Ele falou e apontou para minha mão, que só então me dei conta de que havia deixado Edward do outro lado da linha, isso é, se ele ainda estivesse lá. – Tchau, Bells.
- Tchau, Pete. – Falei e o vi se afastando de mim, então voltei a minha chamada telefônica, mas a ligação já havia caido. – Droga!
- Bella, o que houve? – Ouvi a voz de Alice atrás de mim e me virei para ela. – Você tava demorando, vim ver se tinha acontecido algo. Algum problema?
- Nada. – Falei, guardando meu celular rapidamente em minha bolsa. – Encontrei com o Peter agora mesmo e conversamos um pouco.
- Peter? Seu ex? – Ela questionou com uma cara de acusação. – Sua safada, então é ele?
- Ele o que?
- Você vai se encontrar com ele mais tarde! – Ela guinchou e apontou para mim, rindo.
- Claro que não. – Falei revirando os olhos. – Tem séculos que eu não o via, então ele queria saber como eu tava e essas coisas, Alice.
Ela ainda me olhou desconfiada.
- E por que você estava praguejando agora?
- A-ah, meu celular. – Gaguejei enquanto pensava em uma desculpa. – Tinha uma chamada perdida de um número não identificado.
- Odeio quando isso acontece, nunca dá para retornar a ligação e detesto ficar curiosa. – Alice comentou e não parecia mais desconfiada, então apenas assenti. – Vamos? Acho que não tenho tudo o que preciso.
- Vamos.
xxx
Eram 20:00 e eu ainda não tinha encontrado Edward em lugar nenhum. Depois do shopping tentei ligar para ele, mas Alice não desgrudou de mim um segundo sequer até a hora que ela foi para o seu dormitório se arrumar. O pouco tempo que tive foi para me arrumar também, tentando ligar para Edward nos intervalos entre banho e maquiagem, mas o seu celular estava desligado.
Entrei no refeitório, um dos últimos lugares que eu ainda não havia procurado e nenhum sinal dele. Suspirei resignada. Alguns professores me encararam curiosos, talvez pelo o fato de eu estar bem vestida para um simples jantar, então dei meia volta e sai dali, indo em direção ao lugar mais óbvio que ainda não tinha procurado. Quase corria pelas escadas que me levavam ao terraço da escola.
Não foi surpresa nenhuma quando eu abri a porta e o encontrei lá, com as mãos apoiadas na grade de proteção, olhando para o horizonte. Exatamente como a cena de manhã, uma forte sensação de déjà vu. Mas eu pressentia que o seu humor não seria o mesmo agora.
Aproximei-me dele, o barulho do salto de meu sapato contra o piso ecoava alto no silêncio da noite. Edward não se moveu o mínimo que fosse. Pousei mão em suas costas quando estava ao seu lado.
- Eu te procurei pela escola. – Falei sem nenhuma cobrança, mas mesmo assim ele nem desviou seu olhar. – Por que você não me falou que estava aqui?
- Esqueci. – Ele respondeu seco e meu coração falhou um batimento. Ele estava com raiva de mim, por algum motivo.
Segurei em seu rosto e o forcei a me encarar, seu olhar era duro e um arrepio percorreu as minhas costas.
- O que aconteceu? – Será que ele estava desistindo de nós? Ele nunca tinha me olhado daquele jeito, não parecia nem rejeição, nem cautela, nada do que eu já havia visto em seus olhos.
- Nada. – Ele continuou seco e tentou se afastar de mim, mas eu segurei em seu braço com firmeza, mesmo que ao menor esforço ele conseguisse se livrar do meu aperto.
- Eu te fiz alguma coisa? Problemas na escola? Me diz, por favor! – Quase supliquei, sentindo meus olhos arderem. – Hoje cedo tava tudo tão bem entre nós, aqui nesse mesmo lugar que estamos.
- Não, Bella, as coisas não estão nada bem! Nada! – Ele gritou comigo, me assustando. – Eu tenho que assumir responsabilidades que eu não queria assumir, tenho que ser o bom professor, o bom irmão, sair me escondendo pelos cantos para ninguém ver que eu estou com uma pessoa porque é errado estar com ela. O que eu quero fazer sempre está errado e o que impõe para mim como certo só me deixa frustrado!
- Você pensa que também está sendo fácil para mim? Que eu também não estou me escondendo da mesma forma? – Gritei com ele também que ria com sarcasmo. – Você acha que é fácil esconder isso da sua irmã, que fica o tempo todo dizendo coisas que mesmo que não sejam intencionais, me fazem gelar toda com medo de ela desconfiar da gente?
- Você não precisa se esconder, você pode ir pra onde você quiser, quando quiser, encontrar com quiser, ao contrário de mim que tenho sempre alguém me falando o que fazer da minha vida!
- Acha mesmo que eu sou tão dona da minha vida assim? Que posso sempre escolher o meu próprio caminho? – Disse e ele logo arqueou a sobrancelha. – E que história é essa de sair quando quiser e me encontrar com quem quiser? Eu passo todos os meus dias praticamente enfiada aqui nesse colégio, a não ser quando raramente vou visitar meu pai ou sair com sua irmã. Minha vida se resume a isso apenas!
- Você se encontrou com o Peter hoje. – Ele falou mais brando, mas num tom muito seco e não era uma pergunta.
Então era esse o problema. Talvez não o único problema dele hoje, mas o que estava fazendo com que ele extravasasse toda sua frustração pra cima de mim.
Comecei a rir tamanho absurdo. Edward arregalou os olhos numa careta de descrença.
- Isso é engraçado, Isabella? – Ele perguntou incrédulo e o fato de ter me chamado de Isabella só provava o quanto ele estava irritado.
- Você está com ciúmes, Edward. – Falei ao que ele revirou os olhos.
- Claro que não!
- É, você está com ciúmes de mim. – Aquilo estava me fazendo sentir bem, apesar de ser ridículo. Nunca imaginei Edward tendo uma reação dessas, sempre o imaginei mais maduro que isso. Afinal, ele é apenas um homem. – Você sabe que não precisa ter ciúmes de mim.
- Não é isso, Bella? Será que você não vê o óbvio? Nós não podemos ficar juntos. – Ele atirou isso se afastando novamente para a grade de proteção do terraço.
Senti minhas pernas estacadas no chão. Ele estava terminando comigo?
- Você não me quer? – Mal consegui falar, não tinha forças em minha voz ou em meu corpo todo.
- Claro que eu te quero...
- Então por que você está dizendo que...
- Não é certo você ficar comigo. – Ele falou se virando para mim novamente. – Você não acha que merece alguém melhor, que posso te dar uma relação no mínimo normal?
- Você está sendo idiota, Edward! – Gritei e as lágrimas começaram a escorrer pro meu rosto. – Eu não quero uma relação normal, a nossa relação é a única coisa da minha vida que eu pude escolher, a única coisa pela qual os meus dias têm sido melhores, porque é uma coisa que eu escolhi, não diz respeito a ninguém e eu estou lutando para que ela dê certo! Será que não vale tanto a pena pra que você posso se esforçar por ela também?
Ele não me respondeu, então me aproximei dele e segurei firme o seu rosto.
- Por favor, não estrague a melhor parte de nossas vidas por tão pouco. Você sabe que precisamos um do outro para seguirmos sãos nesses tempos que nos têm rodeado. Fique comigo, apenas isso. – Sussurrei essa ultima parte e aproximei meu rosto do dele.
- Me desculpa. – Ele falou com os lábios sobre os meus. – Eu fui idiota realmente, mas hoje não foi um dia fácil e quando você parou de me dar atenção durante aquela ligação e eu percebi qual era o motivo eu... fiquei louco de ciúmes, Bella.
- Você sabe que não precisa. – Fechei os olhos, ficando na ponta dos pés para enlaçar seu pescoço.
- Eu preciso muito de você. – Ele falou e encostou sua testa na minha.
- Eu também. – Concordei antes de beijá-lo com toda a intensidade que eu conseguia.
Edward segurou firme meu cabelo aproximando nossos rostos o máximo possível e com a outra mão ele aproximou nossos corpos, me segurando pela cintura. Sua língua era ávida contra a minha, minhas pernas queriam ceder, mas Edward me prendia cada vez mais firme. Sua boca se afastou de mim e eu ia protestar se ele não tivesse a direcionado ao meu pescoço, beijando como quem prova o sabor de alguma coisa. O arrepio foi difícil de controlar, mal sabia o que fazer para retribuir, mas com certeza o fato de minha respiração ficar mais pesada e entrecortada demonstrava a ele o quanto eu queria que não partíssemos esse contato nunca. Segurei com forças seu cabelo desalinhado e puxei sua boca para a minha novamente. Sua mão em minha cintura desceu um pouco até encontra minha coxa descoberta. O toque de sua mão fria contra minha pele era tão quente e meu coração bateu freneticamente. Ele se afastou mais uma vez de mim.
- Esse seu vestido é muito perigoso, sabia? – Ele brincou esboçando o seu perfeito sorriso torto para mim.
- Acho que eu gosto de viver em perigo. – Falei antes de buscá-lo pra mim novamente.
Continua...
N/A(July): Pessoal, eu quase não tenho feito n/a's por falta de tempo, mas hoje eu vim aqui reclamar. Capítulo passado nós recebemos só uma review, e o cap passado foi bem tenso, a gente se esforçou bastante para escreve-lo e nos esforçamos mais para não demorarmos como antigamente para postar.
Então, não custa nada deixarem reviews, né? Assim nos sentiremos muito mais motivadas! :D
É isso aí!
Beijooos e feliz semana da criança!
