11. Borboletas

Borboletas tinham muito significados para Watanuki.

A larva que se transforma num lindo inseto, de asas esplêndidas. A transformação da feiura em beleza; A morte, a mensageira da maior mudança na vida de um humano; Os portais que dividiam esse mundo e os seres que vagavam entre eles... e bom, quando tudo isso o fazia se lembrar de Yuuko, subitamente lhe vinha à mente terríveis ressacas.

"Você sente borboletas no estômago quando vê a Himawari-chan?"

Ele ia berrar um é claro que sim, mas isso nunca veio. Borboletas eram tão mórbidas, místicas, misteriosas, como elas podiam ter alguma coisa a ver com seu amor pela doce Himawari-chan?! Yuuko o olhava, esperando resposta, e sorriu.

"Oi."

Watanuki se virou, já pronto a berrar, mas parou imediatamente. Doumeki estava a milímetros do seu rosto, os olhos dourados e serenos.

"Mais sakê."

Alguma coisa remexeu em seu estômago. Forte, mas suave ao mesmo tempo.

E ele viu que atrás da nuca de Doumeki, uma borboleta de largas asas azuis pousava num ramo verde do parque.

"Tomara que você morra de ressaca amanhã!" Resmungou, servindo o arqueiro com mais um copo.

O resto do dia Watanuki permaneceu emburrado. Escondendo alguma coisa meio mágica em seu rosto fechado, exatamente como uma larva.