Capítulo 10

Ela Voltou

Trunks bocejou. Estava morto de cansado, e arrastou-se para fora da cama com grande esforço. Bra o mantivera acordado até depois das três da manhã por causa de Goten. Ela tinha aparecido em sua ala antes da meia-noite para contar a Trunks tudo sobre Goten e o que ele fizera por ela até as três horas. Trunks ainda estava preocupado com Pan, e se perguntava quando ela voltaria.

Pan acordou e olhou pela janela, para a cidade a seus pés, e depois para o palácio. Hoje, ela retornaria e enfrentaria Trunks pela primeira vez desde que sua mãe havia morrido. Ela tinha ganhado um novo senso de controle durante os últimos três dias, e sabia que o coração não a controlaria novamente. Voltar tão logo fora uma escolha que ela tinha feito antes de ir dormir na noite anterior.

Trunks estava em seu laboratório, sentado a sua mesa, quando percebeu o ki de Pan nos arredores. Ele se levantou e estava para sair do aposento quando Pan apareceu do nada diante dele. Ele recuou, em choque.

"Como chegou aqui tão depressa?" Ele perguntou.

"Teletransporte", ela retrucou antes de absorver o azul de seus olhos. Não importava o quanto ela tentasse, ela nunca seria capaz de esquecer o tom de azul. Não havia muitos saiyajins de olhos azuis por perto.

"Então, você está de volta", Trunks disse.

"Estou. Achei que era melhor eu voltar logo".

"Você cortou o cabelo". Os fios estavam novamente curtos, e ela acenou. "Senti sua falta", ele disse, constrangido.

Isso vai ser fácil, ela pensou. "Também senti sua falta, Trunks", ela disse, roçando os lábios contra os dele. Ele foi surpreendido, mas, logo, estava correspondendo ao beijo.

Eu sabia que podia fazer isto sem me descontrolar, ela pensou, sorrindo para si mesma quando Trunks caiu em sua armadilha. Ele puxou-a para perto, de modo que não havia uma lacuna entre eles. Pan podia sentir os músculos rijos pela roupa azul-royal. Foi surpreendida quando Trunks a pegou no colo, enroscando a cauda ao redor de sua coxa, e a carregou para seu quarto, nunca deixando de beijá-la. Ele estava beijando de verdade, e ela, de mentira.

Ele a acomodou em sua cama, e atacou mais uma vez sua boca com a língua. Pan deu um gemido que era meio falso, meio verdadeiro, pois as sensações que a língua dele estava despertando eram muito extasiantes. Trunks afastou-se de sua boca e beijou de seu queixo até a orelha, onde sugou gentilmente o lóbulo e mordeu-o de brincadeira. Ela engasgou Trunks parou e sentou-a em seu colo, de modo que ela estava meio 'montada' nele, com as pernas ao redor de sua cintura. Ela havia tirado as botas antes, e olhou para ele.

Em pouco tempo, saberei todas as informações que preciso saber, ela pensou enquanto sorria para ele. Observou enquanto ele tirava as luvas e as jogava no chão.

Será que ele... ele vai transar comigo? Pan especulou enquanto olhava nos olhos dele. Ele começou a beijar seu pescoço. Não posso transar com ele, ele é um assassino. Espero que ele pare, ou terei que dizer a ele que pare. Não perderei a minha virgindade com alguém como ele, nunca! Ele pensou.

Ele parou novamente, e a beijou gentilmente nos lábios antes de olhar para onde suas roupas acabavam, ao redor da base de seu pescoço. Ela saba no que ele estava pensando, e achava que poderia preveni-lo. Ele colocou a mão em sua nuca. O zíper que facilitava a entrada da cabeça ficava ali, e ele baixou-o lentamente, mantendo os olhos no rosto dela durante todo o tempo. Ela tinha que fazer com que ele parasse; assim, desfez o contato visual ao baixar os olhos. Ele parou.

"Não posso, Trunks. Ainda não. Quero ir com calma com as coisas", ela disse, verdadeiramente nervosa. Ela não seria estuprada. Se ele pode matar, pensou ela, então também pode estuprar. Mas ele tirou as mãos do pescoço dela e ergueu o rosto dela para que ela o fitasse.

"Não deve ficar preocupada, Pan. Eu nunca a machucaria, e, se você quiser parar, então eu paro. Eu posso esperar até que você queira dar um passo a mais, tá?"

Pan acenou. E ele lhe deu um estalinho antes de sair da cama. "Pan, vou lhe dar a senha para os arquivos reais, para que você possa acanar as coisas mais depressa. Só quero ir falar com a Bra, e depois lhe direi", e com isso ele saiu.

Pan soltou o ar que tinha segurado. Ela podia ter sido estuprada.

Mas seria ele capaz de estuprá-la? Ele tinha matado alguém, então isso queria dizer que ele poderia estuprar uma mulher, não é mesmo? Mas ele não o fizera. E fora isso o que havia surpreendido Pan. Ele poderia tê-la violado facilmente: ele era mais forte com ela e tinha a coragem para fazê-lo. Ele tivera a chance de fazê-lo e não o fizera. O jeito com que ele agia confundia Pan. Pelo que ela lembrava, ele era mau e egoísta e egocêntrico – assim, como ele podia ser tão doce e gentil? Era tudo falsidade, como ela? Ou estaria Pan vendo-o sob uma luz diferente?

Enquanto entrava no laboratório, esperando pela chegada de Trunks, e graças à sua fuga, devido à sua excelente mentira, ela não podia deixar de se fazer uma pergunta que queimava no fundo de seu coração.

Teria ele mudado?


Algumas horas depois, Pan estava ocupada olhando os arquivos palacianos. Ela não havia encontrado uma coisa que despertasse seu interesse até que chegou à parte sobre a guerra. Ela não conseguia ler aquela parte. Evocava muitas lembranças que deviam ser esquecidas, e só havia um jeito de alcançar isto – livrando o mundo do assassino de saiyajins. Foi quando a conversa que ela tivera com Trunks voltou a ela.

Flashback

"Pan, podemos conversar, por favor? É importante", ele pediu.

"Claro. O que foi?"

"É sobre o motivo real pelo qual eu contratei alguém como você".

"Qual é? Achei que você precisasse da minha ajuda para fazer a manutenção das invenções e dos circuitos", Pan disse.

"E preciso, mas não é só por isso", retrucou Trunks.

"Então no quê você precisa da minha ajuda?" Pan perguntou, intrigada.

"Uma coisa sobre a qual não tenho uma pista..."

"O que quer dizer, Trunks?" Pan perguntou.

"Deixe-me começar do começo. Lembra-se da Guerra dos Tiranos?"

Pan olhou para o assoalho, com os olhos ameaçando derramar lágrimas.

"Claro, quem pode esquecer da guerra...?" Trunks disse. "Bom, um pouco antes de a guerra começar, eu senti uma coisa horrível no meu estômago, e pouco depois, a guerra começou. Agora, posso sentir outra vez, a mesma sensação: uma horrível dor como se estivessem me apertando de dentro para fora. Se eu tive essa dor anos atrás e a guerra começou, então vai haver outra guerra, ou então alguém ruim está a caminho de nosso planeta".

Pan fitou Trunks com uma expressão solene. Enxugou os olhos.

"É nisso que você precisa da minha ajuda? Te ajudar a descobrir o que é e a impedi-lo?" Ela lhe perguntou, enxugando os olhos de novo.

Trunks sentiu pena dela e compreendeu que ela devia ter perdido alguém íntimo na guerra. "É".

Flashforward

Ela se perguntou se o que Trunks havia dito era verdade. Será que alguma coisa de ruim iria acontecer? E seria tão ruim quanto a guerra? E quanto aquela coisa esquisita com o coração de Trunks, que ela ignorara?

Flashback

Ela então estudou o eletrocardiograma pela tela que o mostrava. E então notou alguma coisa.

O que é isso? Ela se perguntou.

Olhou mais de perto. Se apurasse os olhos, podia ver que, a cada batida do coração dele, havia outra batida que era menor logo depois, mas apenas por um centésimo de segundo. Pan sabia que Trunks era incapaz de ver isto, uma vez que as mulheres tinham a visão mais sensível que os homens. Mas deixou isto de lado. Não havia nada de errado com ele.

Flashforward

Mas e se houvesse? E se houvesse algo de errado com o coração dele? Pan deu uma risada. E daí se houvesse alguma coisa de errada com o coração dele? Ele era um assassino que ia morrer de qualquer jeito. Isso importava? Não.


As últimas horas do dia se passaram bem depressa, e logo era noite. Pan entrou em seu quarto para começar a ler seu novo livro quando ouviu uma voz chamando-a. Estava vindo de fora. Ela abriu a porta da sacada e ergueu os olhos para ver Trunks no telhado do palácio.

"O que está fazendo aí fora?" Ela perguntou.

"Eu sempre venho aqui em cima quando preciso pensar", Trunks retrucou, e sorriu para ela. "Fique aqui comigo, Pan".

Pan flutuou e sentou-se ao lado dele. Seus olhos se encontraram pelo que pareceu uma eternidade, e ele falou então, "Às vezes, seus olhos me parecem tão familiares, Pan... Como se eu os tivesse visto antes de você vir para cá me ajudar". Ele então acariciou o queixo dela com uma das mãos.

Então ele tem uma leve lembrança de mim...

Flashback

E foi aí que o príncipe decidiu olhar para onde ela estava. O príncipe fez contato visual com a menina de dez anos, e algo se deu entre as profundezas dos olhos castanhos e cheios de lágrimas de Pan, e os olhos turquesa do príncipe, mas se acabou em uma fração de segundo, quando Pan mergulhou atrás de uma pedra para evitar que a vissem.

Flashforward

Trunks beijou Pan na testa. Ela sorriu para ele antes de fazer uma pergunta.

"Ainda acha que existe uma força maligna a caminho de nosso planeta?"

"Acho. Aquela sensação horrorosa no meu estômago só tem feito piorar nos últimos dias. Estou ficando preocupado, na verdade, mas, se for fácil, estou ansioso por uma boa briga. Não tenho enfrentado um bom inimigo há um tempo".

"Como acha que será o resultado?"

"Saiyajins 1 X 0 Inimigo".

"Trunks, já teve uma meta que você mesmo definiu, mas, durante o percurso, apareceram complicações, e você está sempre se contradizendo e repensando o que decidiu? Isso já lhe aconteceu?"

"Acho que não. Provavelmente já, mas não me lembro. De uma coisa eu tenho certeza: o objetivo que quero atingir no momento será atingido. Tenho certeza de que não haverá complicações", ele retrucou.

"Qual é o seu objetivo?" Ela perguntou.

"Você descobrirá logo", ele sorriu, e desviou os olhos, corando de leve.

Pan também desviou os olhos.

Idem, Trunks. Idem, ela pensou.

Trunks se colocou de pé e ajudou Pan a se levantar antes de beijá-la gentilmente nos lábios e dizer boa-noite. Ela o viu flutuar para sua sacada e entrar no quarto. Ele caiu na cama, pensando nela, nela em diferentes perspectivas, fantasiando com ela sob seu corpo, gritando seu nome. Ele estremeceu, sentindo o corpo reagir a seus pensamentos. Logo, sua fantasia se tornaria realidade.

Ele ambicionava torná-la sua esposa.

Por falar em Pan, ela continuou a olhar para a sacada dele. Ela também tinha um objetivo.

"Será esta noite, Trunks. Hoje à noite meu objetivo se tornará realidade e, com isso, o seu objetivo irá para o inferno junto com você...".