N/a: Eu tenho a ligeira impressão de que vocês vão querer me matar ao final deste capítulo, mas eu espero que vocês consigam captar o que eu quis passar. Se vocês leram com atenção os capítulos anteriores, acredito que entenderão. Beijos e boa leitura!
-XI-
Os orbes esverdeados miravam hesitantemente a mulher à sua frente. Seu sangue latejava em suas veias e seu coração batia de forma tão acelerada que ela estava começando a se sentir incomodada. Era uma sensação de intenso mal-estar.
A mulher atrás da mesa de mogno ficou em silêncio por um longo tempo, ponderando. A jovem teve a impressão de que sua superiora escolhia adequadamente as palavras a serem proferidas.
A líder da vila, por sua vez, tentava aparentar sobriedade. Na verdade, ela estava eufórica por dentro. Além de todas as suas expectativas, além de todas as suas esperanças... O sentimento de orgulho que se apoderou dela foi tão intenso que Tsunade não conseguiu conter o sorriso que se formou em seus lábios. Ao ver os lábios vermelhos da mestra se repuxarem, Sakura relaxou. Poucas vezes ela vira os olhos castanho-claros da sua mentora brilharem daquele jeito e então ela teve a certeza de que havia feito um bom trabalho. Contudo, ela não percebeu que havia algo mais naqueles olhos.
Pela primeira vez em muitos anos, Tsunade sentia admiração por outra pessoa. Ela realmente não esperava que Sakura obtivesse êxito. Acreditava que sua mais talentosa discípula chegaria perto o suficiente, mas seria ela, a Godaime Hokage, quem concluiria as pesquisas. Naquele instante, observando aquele jovem e inseguro rosto, aquela aparente fragilidade do seu corpo, Tsuna teve certeza que finalmente havia sido superada e que sua pupila – se é que ela ainda poderia usar esse substantivo- havia se transformado na kunoichi mais preeminente.
Ela mirou aqueles orbes verdes que ainda possuíam resquícios de hesitação e soube que o nome "Haruno Sakura" seria lembrado por gerações. Em breve, as pessoas se esqueceriam da princesa das lesmas e só falariam sobre a flor de Konoha. Era a vida e ela não se importava que assim fosse, pois sabia que quando as pessoas fossem falar sobre Sakura, elas também estariam falando sobre ela, Tsunade, porque, na verdade, Sakura era uma extensão do seu próprio ser. Assim como ela era uma extensão de sua avó, Uzumaki Mito, que foi quem lhe ensinou a acumular chakra em sua testa, permitindo, assim, que ela, Tsunade, desenvolvesse o jutsu de regeneração. Assim como dali a alguns anos uma nova kunoichi nasceria e, um dia, seria também uma extensão de Sakura, uma extensão de Mito. Porque a vida é assim, a Hokage concluiu. Ninguém realmente morre. E Orochimaru, com toda a sua astúcia, não havia percebido que no fim, somos todos imortais.
"Shishou?" – Sakura chamou quando o silêncio tornou-se insuportável.
"O que você espera que eu diga, Sakura?" – a outra perguntou.
"Eu não sei. Qualquer coisa."
Tsunade suspirou.
"Na verdade, eu estou decepcionada."
A jovem sentiu seu estômago afundar. Abriu a boca, mas Tsunade respondeu antes que a pergunta fosse dita.
"Estou decepcionada porque não há mais nada para lhe ensinar. Depois disto- ela falou levantando o relatório- você oficialmente me superou."
"Tsunade-sama..."
A loira riu.
"Quando tudo isso acabar, quando Madara for derrotado, eu irei me aposentar. Passarei o resto dos meus dias bebendo e jogando enquanto você e Naruto comandam Konoha.
"Mas..."
"Esta é a minha decisão final – Tsunade disse interrompendo a aluna – Você e Naruto serão os meus sucessores. Ele como hokage e você como sua conselheira e chefe do hospital."
"Tsunade-sama, não acho que eu possa..."
"Naruto é um imbecil – ela falou interrompendo Sakura mais uma vez – E você é a única pessoa que realmente consegue controlá-lo. Além disso, você está a um nível acima de Shizune e eu já estou velha demais para continuar comandando as coisas. O hospital estará em boas mãos com você na chefia.
"Shishou... E-Eu... Não sei o que dizer." – Sakura disse com a voz embargada de tanta emoção. Aquilo era muito mais do que ela esperava. Tinha esperança de receber um singelo elogio pelo seu trabalho, mas, ao invés disso, entraria para o Conselho e seria nomeada chefe do Hospital Geral de Konoha.
"Bem – a loira disse recostando-se na cadeira e se espreguiçando – Está na hora da nova geração assumir. Nós, velhos, já ficamos muito tempo no poder."
Sakura deu um sorriso sem-graça e teve a certeza de que os ex-companheiros do Terceiro Hokage não iriam gostar nada daquela decisão.
A simples menção da palavra "conselho" fez o sangue de Itachi gelar e uma espécie de nó se formar no interior de sua garganta. Sakura tagarelava alegremente e, de repente, ao imaginar a garota em meio àquelas serpentes repugnantes, ele sentiu-se nauseado.
"Eu preciso tomar ar fresco" – disse levantando-se em um rompante, que assustou a companheira.
"Você está bem?" – ela perguntou preocupada.
"Só preciso de um pouco de ar." – o moreno respondeu saindo sem sequer olhar para ela.
Estava tão atordoado que quase havia sido pego por dois jounnins que faziam a ronda. Finalmente, recostou-se em uma das árvores da clareira que havia se tornado o seu refúgio. Em um gesto nervoso, passou a mão pelos cabelos escuros.
Estava sendo ridiculamente infantil e sabia disso. Entretanto, não podia enganar a sai mesmo dizendo que havia ficado feliz por Sakura. Havia sido o Conselho quem desgraçara sua vida. Se aqueles malditos que se diziam tão moralmente superiores não o tivessem pressionado cruel e insistentemente, ele hoje teria sua família ao seu lado e não seria diariamente atormentado pelos seus próprios demônios.
Só em pensar que Sakura um dia poderia servir ao Conselho, ele tinha vontade de vomitar. Literalmente. Já podia sentir o característico gosto azedo invadir sua garganta, mas esforçou-se para não expelir nada. Aquilo era patético, mas ele não podia evitar.
Porque, às vezes, você não consegue deixar de sentir repulsa pela pessoa amada.
Levantou a cabeça e mirou a lua minguante. Sua parte no acordo havia sido cumprida. Talvez, estivesse na hora de ir embora...
Itachi levou o indicador à boca e, em seguida, esfregou o dedo banhado em saliva no mamilo de Sakura. A jovem gemeu baixo. Era incrível como o moreno parecia adivinhar os seus pensamentos, realizando atos antes mesmo de serem requeridos.
Pouco depois, ele abocanhava o mesmo mamilo e mordia-o com tamanha intensidade que um arrepio percorreu o corpo da moça.
"Ita-kun, você está me machucando" – ela disse, mas ele pareceu não se importar. Beijou-a para que ficasse calada.
Em seguida, ele abriu com violência as pernas de Sakura e penetrou-a de uma só vez. A jovem soltou uma exclamação de surpresa e dor. Ele sabia que era um monstro por estar fazendo aquilo e ainda mais por gostar do que estava fazendo. O pior era que sua companheira parecia apreciar ser praticamente estuprada e gemia de tal forma que quase o fez gozar naquele instante.
Qual era o problema dela, afinal? Ela deveria pedir para que ele parasse. Deveria mostrar que estava sendo machucada e que ele conseguia o seu intento. No entanto, ela cravava as unhas pintadas de verde em seu braço musculoso e gemia incessantemente. E quanto mais ela fazia isso, mais ele ficava louco de tesão.
Sakura, por sua vez, não conseguia pensar de forma coerente. Fazer sexo violento ia além do prazer, da satisfação e ela teve certeza de que era uma daquelas mulheres abençoadas com orgasmos múltiplos. Com a visão turva, ela viu o rosto de Itachi se contorcer e mais uma vez aquele arrepio indescritível percorreu o seu corpo.
Quando sua mente aos poucos foi deixando de ficar tão nublada, ela cogitou a possibilidade de que talvez Itachi estivesse irritado com ela. Porem, antes de chegar a perguntar, o moreno puxou-a para perto dele e encostou a bochecha nos cabelos róseos da moça. O movimento brusco fez com que o líquido de cor clara escorresse por entre as pernas de Sakura indo machar o lençol. Ela estava tão cansada e, ao mesmo tempo, tão extasiada que não quis estragar o momento com perguntas tolas. Tudo tinha sua hora certa.
Ele não estava lá quando ela acordou, mas a jovem não se importou. Provavelmente, ele estaria treinando na clareira naquele momento. Espreguiçou-se e mirou o teto, pensativa. Se há uma ano atrás, alguém lhe dissesse o rumo que sua vida tomaria, ela teria rido dessa pessoa e chamado-a de louca. Porem, lá estava ela agora: mais talentosa do que Tsunade, futura Conselheira de Konoha, futura chege do Hospita Geral e, ainda por cima, amante de Uchiha Itachi.
Chegou à conclusão de que realmente a vida, às vezes, acaba te levando a um caminho totalmente diferente do que tinha imaginado. E que por mais que se tente, muitas vezes, é impossível fugir do destino.
Ele estava quase fora do território da vila agora. Sentia um incômodo aperto no peito, mas tentava ignorá-lo.
"Só mais um pouco" – ele sussurrava- "Só mais um pouco".
Aquele conhecido nó na garganta, aquela sensação de mal- estar característica de quem estava cometendo um grave erro. E aquelas palavras repetidas insistentemente, como se um mantra fossem.
"Só mais um pouco. Só mais um pouco."
E então, ele ouviu uma explosão vinda do noroeste da vila. Os pássaros que se encontravam nos galhos das árvores perto dele alçaram vôo e ele virou-se a tempo de ver uma grande nuvem de fumaça que surgia no horizonte. Sua primeira reação foi a de voltar para a vila, mas ele parou quase imediatamente. Sabia que o momento havia chegado e por mais que quisesse interferir, tinha plena consciência de que Konoha deveria travar sua própria batalha.
Sakura ficaria bem. Tinha certeza disso.
Os gritos ecoavam ao seu redor e a poeira que era levantada do chão incomodava seus olhos. Por um instante quase insignificante, ela ficou ali, parada, observando o caos que se formava. Ela escutou uma nova explosão, mas não pôde identificar de onde havia vindo. Seus instintos mandaram-na fazer alguma coisa e imediatamente ela correu para socorrer um shinobi que se encontrava ferido a poucos metros dela. Já estava quase terminando quando ouviu o homem exclamar e apontar para o alto de um dos prédios.
Ao levantar a cabeça para ver o que tanto assustava o homem, Sakura sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Com os olhos arregalados, ela olhou para o rosto sombriamente impassível do seu ex-companheiro.
