Tempos de Mudança - Capítulo 11
Recados:
- Olá a todos. Mais uma vez, me desculpem o atraso, mas aqui está o capítulo 11
- Agradecimentos:
- Virgo Nyah - Eu também gosto muito das tais dolmakadias feitas com folhas de repolho. Os passados mais aprofundados dos cavaleiros provavelmente virão em outras fics. Aguarde.
Boa leitura a todos
Naquela noite, depois do jantar, um burburinho começou entre os cavaleiros, e não demorou para entrarem em um acordo sobre qual local iriam para se divertir.
- A recepcionista falou que é a boate mais agitada do local, e fica perto daqui. Podemos ir a pé.
Kanon falava apontando para um flyer da casa noturna recomendada.
- Qualquer coisa nós podemos fazer a pé por aqui. Isso é o de menos. Mas parece ser um lugar legal. Acho que é a primeira vez que vamos sair todos juntos, não é?
Shura, que estava do lado de Kanon, disse se dirigindo aos outros presentes na roda.
- Isso se todos quiserem sair... Eu não vejo todos aqui...
Giancarlo olhou em volta. Ali com eles, no quarto do Italiano, além de Shura e Kanon, estavam Saga, Aioria, Aioros e Miro.
- Vamos passar nos quartos e chamar quem quiser ir.
Saga falou.
- Que ironia. Atena não poderá ir por ser menor de idade, e dos cavaleiros de bronze, apenas Ikki pode. E esse vai, com certeza.
Miro comentava com uma animação fora do comum.
- Vocês sabem se Shina e Marin vão?
Todos viraram para o escorpiano.
- Por que tanto interesse nelas?
Shura, que se lembrava muito bem da humilhação pública que Shina havia imposto ao cavaleiro, não entendia ele querer essa aproximação agora.
- Nada de mais...
Após alguns instantes de silêncio, Giancarlo retomou a palavra.
- OK, vamos rodar por aí e ver mais quem vai. Temos que falar com Aldebaran, Dohko e... Afrodite.
Todos perceberam que o Italiano parecia receoso em falar o nome do cavaleiro de peixes, principalmente Saga e Shura, que depois da conversa na praia, achavam que era ele de quem Afrodite falava.
- Ué, e Mu, Shaka e Kamus?
Aioria não entendia o porque dele ter deixado os três para trás.
- E você acha realmente que eles vão querer ir?
- Não custa perguntar...
Giancarlo deu de ombros. Logo se dividiram para perguntar aos que não estavam ali se iriam ou não para a casa noturna. Mu e Shaka recusaram o convite, mas Kamus resolveu ir. Dos cavaleiros de bronze, apenas Ikki poderia ir, e ele resolveu aproveitar a oportunidade. Aioros até insistiu para que Seika fosse, mas ela falou que não estava interessada. Depois de uma hora, o grupo formado por Aldebaran, Saga, Kanon, Giancarlo, Aioria, Dohko, Miro, Aioros, Shura, Kamus, Afrodite, Ikki, Marin e Shina estava no hall do Hotel, prontos para saírem. Após alguns minutos caminhando pelas ruas surpreendentemente agitadas da pequena cidade, logo podiam ver uma pequena fila em frente ao local. O grupo era relativamente grande, e chamou a atenção quando entrou na fila. Depois dos ingressos comprados, todos entraram. Dentro, o local estava cheio, mas não completamente lotado, por isso conseguiram sentar-se em duas mesas uma ao lado da outra. Em uma mesa, Saga, Kanon, Giancarlo, Miro, Aioria, Aioros e Shura. Na outra, Aldebaran, Dohko, Kamus, Afrodite, Ikki, Marin e Shina. O ambiente era ventilado por grandes janelas, e ficava a beira-mar, com uma saída para a praia. A decoração era inspirada na mitologia das Ilhas Gregas. Saga e Shura se ofereceram para trazer as bebidas para os outros na mesa. Na outra, Aldebaran e Kamus se incumbiram da mesma tarefa. Na mesa que continha apenas os cavaleiros de ouro, três deles tinham sua atenção voltada para a outra mesa. Miro balançava seu corpo ao ritmo da música, com seu olhar voltado para a outra mesa. Ele vestia uma camisa pólo azul-marinho, calça jeans e tênis, e estava com um sorriso maroto. Giancarlo, mantinha sua expressão fechada, vestido de preto dos pés à cabeça. Camisa social, calça e sapatos, tudo negro. E Aioria tinha problemas para esconder sua impaciência por estar longe de quem queria estar perto. Ele usava camisa social vermelho-sangue, calça jeans e tênis. Assim que sua bebida chegou, ele deu um gole, tentando relaxar.
- Que é isso Aioria, não vai nem esperar o brinde?
O irmão do Grego disse em meio a uma risada.
- Tem razão, desculpa. Um brinde.
Então todos brindaram antes de continuarem. Na outra mesa, Afrodite fazia de tudo para evitar o olhar na direção da outra mesa, batendo o pé no chão de forma repetida, e isso não passava despercebido por Kamus, que suspeitava o motivo dele estar assim, mas preferiu ficar em silêncio.
Hotel San Marina
Shun estava em seu quarto, vendo algo na televisão, mas sem prestar realmente muita atenção. Na verdade já pensava em ir se deitar, pois sabia que precisaria estar descansado para o dia seguinte. Levou um grande susto ao escutar batidas na porta. Levantou-se da cama e parando atrás dela perguntou quem era.
- Quem é?
- Sou eu, Shun.
A voz do outro lado fez o Japonês arregalar os olhos.
- Eu posso falar com você?
Ele pensou por algum tempo, mas acabou destrancando a porta, e encontrando Hyoga do outro lado, dando espaço para que ele entrasse.
- Obrigado. Com licença...
Depois que ele entrou fechou a porta, olhou para ele, esperando uma palavra que demorou a vir. Ela claro que o clima no local estava pesado.
- Me desculpe bater essa hora, mas com o Ikki aqui, eu não teria como falar com você.
- O que você quer Hyoga?
Shun perguntou, como se quisesse apressar o outro.
- Eu... Eu quero pedir desculpas, Shun.
Aquele pedido fez o outro balançar a cabeça de forma negativa, como se não acreditasse no que ouvia.
- De novo, Hyoga? Como todas as outras vezes?
- Não, dessa vez é diferente. Eu quero pedir desculpas por tudo que eu fiz você sofrer.
O loiro pareceu ter conseguido a atenção do outro. Então continuou.
- A gente só se dá conta do quanto algo é importante pra nós quando a perdemos. Eu... Eu ainda gosto de você Shun, mas sei que não tenho o direito de pedir por mais uma chance. Não depois de todas que você me deu. Só queria que soubesse que eu sinto muito.
Aos poucos Shun pareceu ir abaixando o escudo que havia erguido. Via a tristeza no olhar dele ao falar. Ele estava arrependido, mas o virginiano estava ferido demais para dar-lhe uma nova chance. Após um novo silêncio, onde ele não sabia se falava algo ou não, Hyoga manifestou-se novamente.
- Era só isso que eu tinha pra falar. Cuide-se, Shun. Espero que consiga achar alguém que lhe faça feliz de verdade.
E então começou a sair do quarto. No momento em que ele abriu a porta, foi a vez de Shun falar.
- Se você realmente aprendeu e mudou com tudo isso, também desejo o mesmo para você.
- Obrigado.
Hyoga fechou a porta e voltou para seu quarto com o coração mais aliviado. No fundo ainda nutria uma pequena esperança que pudesse voltar com Shun, mas tinha que arcar com as conseqüências dos seus atos. Shun voltou a sentar-se na cama. Aquela conversa havia servido para encerrar definitivamente o ciclo. Agora sabia que ele também sofria, e que havia se arrependido. Realmente desejava que ele pudesse achar alguém que o fizesse feliz.
Boate
Algumas horas haviam se passado desde que eles chegaram. A maioria já havia saído das mesas e ido para o meio da pista e para o lado de fora. Aioria e Marin haviam conseguido ir para um lugar mais discreto para poderem se curtir por algum tempo. Kamus e Afrodite foram caminhar pela praia. O pisciano estava apavorado de ficar sozinho e dar de cara com Giancarlo. Perguntava-se por que ele havia ido àquele lugar. Shina estava na pista de dança, sendo admirada por vários olhares masculinos. Ela vestia uma blusa branca, de um ombro só, uma saia de tecido leve, em tecido estampado e sandálias. Ela percebe alguém se aproximando por trás. Quando ela se vira, percebe que era Miro.
- Olá.
Ele diz perto do ouvido dela para que pudesse ser ouvido.
- Olá, Miro. O que você quer?
Ela responde seca, também próxima ao ouvido dele. E assim seguem a conversa,
- Nossa. Ainda está desconfiada de mim?
- Claro. Ainda acho que você procura vingança por seu orgulho ferido.
- E o que eu preciso fazer para provar que você está errada?
- Nada, e não é isso que você está fazendo. Antes do acontecido, eu não era ninguém para você, e desde quando chegamos aqui, você parece fazer de tudo para estar perto de mim.
- Eu até posso te explicar, mas poderíamos ir para um canto menos barulhento?
Apontou para a praia e esperou a resposta dela. Ela parecia receosa, mas acabou cedendo, acendo com a cabeça. Os dois tomaram o caminho da área externa. Ao mesmo tempo em que saíam Kamus e Afrodite entravam pelo outro lado, percebendo e observando a cena.
- Isso não vai acabar bem...
Disse o Francês.
- Concordo.
O outro respondeu, dando mais algum tempo antes de continuar.
- Me desculpe.
- Por quê?
- Por ficar no seu pé. Você poderá estar se divertindo mais, mas estou com medo de ficar sozinho... E de ir embora sozinho.
- Não se preocupe. Eu me sinto mais à vontade com um rosto conhecido por perto. Só não entendo o medo de ir embora sozinho? É o mesmo de não querer ficar sozinho aqui?
- É... É sim.
- Isso não está te fazendo bem Afrodite. Ao contrário do meu, seu problema é bem mais fácil de resolver. Bom, acho que já deu pra mim. Se você quer ir embora, eu vou com você.
- Tem certeza? Não quero que encerre sua noite por minha causa.
- Não se preocupe, eu estou a fim de ir mesmo.
- OK. Vamos apenas passar nas mesas e avisar.
Depois de avisarem que estavam indo, os dois caminharam em direção à saída. No caminho, o Francês acabou esbarrando de forma mais forte em alguém que estava na direção oposta.
- Pardon.
- Je suis désolé que.
Só depois de responder que se deu conta que o outro havia se desculpado em sua língua natal. Curioso, virou a cabeça para dar uma olhada melhor, vendo apenas os cabelos e parte do rosto, tomando um susto.
- Yannick?
Falou mais para si. Quando virou o resto do corpo, querendo uma vista melhor, já era tarde demais. Ele havia sumido no meio da multidão. Afrodite percebeu, e também parou, olhando na direção do Francês.
- Kamus? Tá tudo bem?
Ele continuava olhando para a multidão. Jurava ter visto seu irmão mais novo. De repente uma voz o tira de seus pensamentos.
- Kamus? O que aconteceu?
Era Afrodite novamente, dessa vez tocando em seu ombro para chamar-lhe a atenção. Olhou para ele, e depois para as pessoas novamente. Aquilo deveria ser sua mente pregando algum tipo de peça em si. Falar sobre isso, depois de tanto tempo deveria estar mexendo com sua cabeça, que deve ter confundido alguém parecido com ele.
- Nada. Nada não. Vamos embora.
O Sueco não acreditou muito naquilo, mas também não perguntou mais. Logo os dois caminhavam pelas ruas tranqüilas de volta para o hotel. Enquanto isso, Shina ainda seguia Miro pela praia. Caminhavam bem no limite aonde as ondas chegavam. Um vento vindo do oceano deixava os cabelos dos dois levemente revoltos. Ela já estava ficando impaciente com aquilo. Queria logo saber o que ele estava querendo. Quando ele parou, ela também o fez. Ele então se virou de frente para ela.
- Quer mesmo saber por que eu estou fazendo tudo isso?
- É óbvio.
Ela falou cruzando os braços, demonstrando impaciência. Ele suspirou, e em seguida começou a falar.
- Eu senti muita raiva depois que você fez aquilo, mas depois fui percebendo que, para ter a coragem de fazer isso teria que ser uma mulher de muita fibra e coragem. Então minha raiva aos poucos foi se tornando admiração.
Aquelas palavras pareceram desarmar a Italiana.
- Eu errei, eu confesso. Não deveria ter te ofendido daquela forma.
Ele se aproximou, aos poucos. Shina quis dar um passo para trás, mas não quis demonstrar fraqueza na frente dele, então ficou no mesmo lugar, mas não sem reagir.
- Deveria ter pensado mais em suas atitudes. Você apenas arcou com as conseqüências.
- Tem razão. Eu admito isso, mas só pra você...
Devagar ele foi se aproximando, envolvendo o corpo dela com seus braços na altura da cintura.
- Ei, me solta. O que pensa que está fazendo?...
- Ainda bem que Atena liberou as amazonas do uso das máscaras. Seria uma pena um rosto tão lindo ficar coberto.
Aquelas palavras fizeram a amazona desistir de se desvencilhar do abraço.
- Minha admiração por você aumenta a cada dia. Talvez nossos caminhos tenham se cruzado de forma errada da primeira vez, mas eu gostaria de apagar isso, e começar um novo caminho...
A mão dele ergueu, tocando levemente o rosto da amazona. Ela não resistiu e fechou os olhos. Algo dizia para ela ficar alerta, mas a vontade de se entregar àquele toque era maior. Abriu os olhos a tempo de ver o rosto dele se aproximando. Não esboçou reação, o deixando beijá-la. Não soube determinar quanto tempo ele durou, apenas podia sentir a mão dele deslizando para trás de sua cabeça. Quando a necessidade respirar foi maior, os lábios se separam. Quando ela abriu os olhos, encontrou o outro com um sorriso vitorioso no rosto.
- Muito fácil.
- Como é?
Aquelas palavras a fizeram sair do estado de "torpor" em que se encontrava.
- Eu percebia que você nunca foi com minha cara, e ficou ainda pior depois daqueles dias. E mesmo assim, bastou eu me esforçar um pouquinho que já foi o suficiente pra você cair em meus braços...
Conforme ele falava, os olhos da Italiana arregalavam. Ela não podia acreditar que estava ouvindo aquilo, que havia caído naquela tão fácil.
-... Você quer passar uma imagem de mulher forte, Shina. Mas a verdade é que você pode ser tão frágil, e carente quanto qualquer outra mulher, e sim, eu me aproveitei disso para ter o que eu queria. Você acha mesmo que eu desejaria algo com você depois do que você me fez passar? Uma pena que não tem ninguém aqui para ver isso, mas agora eu posso me gabar de ter dobrado até mesmo a temida Shina de Ophiuchus. E agora mulher cobra? Como se sente com o orgulho destruído? Até mais, vou falar aos outros homens do santuário que não devem ter medo de tentar algo com você.
Então ele virou-se, e voltou para dentro do local, deixando-a sozinha e em estado de choque. Enquanto caminhava, pensou que a sensação de vitória que deveria sentir, não estava tão intensa quanto imaginava. Shina agradecia por ele ter ido embora logo, pois não demorou a sentir as lágrimas escorrendo por seu rosto, e se ele tivesse a visto nesse estado, teria sido ainda mais vergonhoso. Sentia se humilhada, com raiva de si mesmo por ter pensado que ele havia mudado de forma tão rápida. Escondendo o rosto voltou para dentro pela outra entrada. Queria ir embora o mais rápido possível.
Continua...
- Então? Acham que o Miro pegou pesado demais?
- Infelizmente estou passando pelo pesadelo de todo o escritor, a falta de inspiração. Já comecei a escrever o capítulo 12, mas não posso garantir que ele estará ON semana que vem. Sinto muito, espero que entendam.
Até mais.
