Capítulo Onze

Bella não tinha mais qualquer disposição para um piquenique. Sentia o estômago embrulhado só de pensar em comida. Sairia sozinha, decidiu. Iria até o pântano de água salgada ou desceria até a praia. Se tivesse energia suficiente, poderia se apressar e pegar a barca da manhã para o continente. E poderia se perder entre as multidões em Savannah por algumas horas.

Ela lavou o rosto com água fria e ajeitou um boné de beisebol sobre os cabelos. Mas quando passou agora pelo laboratório, sentiu-se compelida a entrar, abrir a gaveta do arquivo, tirar o envelope. As mãos tremiam um pouco quando espalhou as fotos sobre a bancada de trabalho.

Mas a foto de Renne não reaparecera num passe de mágica. Havia apenas Bella, uma foto depois de outra. E os olhos, os estudos hábeis de seus olhos, em diversas expressões. Ou os olhos de Renne. Como podia ter certeza?

Recebera uma foto da mãe. Tinha certeza. Uma foto da morte. Não poderia ter imaginado. Ninguém seria capaz de imaginar uma coisa assim. Isso faria com que fosse insana, delusória. O que ela não era. Não podia ser. Vira mesmo a foto. Estivera em suas mãos.

Com um esforço da vontade, ela obrigou-se a parar, fechar os olhos, contar as respirações, o ar entrando e saindo, devagar, até o coração parar de dançar dentro do peito.

Lembrava com toda nitidez a sensação de desmoronar, de perder o controle de si mesma. Não permitiria que isso acontecesse de novo.

A foto não estava ali. Isso era um fato. A foto existira. Isso era um fato também. Portanto, alguém a levara. Talvez Mike percebesse que a deixara transtornada e decidira se livrar da foto. Ou alguém arrombara o apartamento enquanto ela se encontrava no hospital e pegara a foto. A mesma pessoa que mandara a foto voltara para levá-la embora.

Rapidamente, Bella guardou as fotos de volta no envelope pardo. Não importava que parecesse um absurdo, mas tinha de se apegar a essa idéia. Alguém se empenhava numa brincadeira cruel; e ao se manter obcecada, ela permitia que a pessoa vencesse.

Levou o envelope para a gaveta do arquivo, fechou-a com uma batida brusca e deixou o laboratório.

Mas podia confirmar ou eliminar uma possibilidade com um único telefonema. Voltou a seu quarto, pegou o caderninho de endereços na escrivaninha e folheou-o depressa. Apenas perguntaria, mais nada, ela disse a si mesma, enquanto ligava para o apartamento que Mike Newton partilhava com dois amigos da universidade. Podia se mostrar casual e apenas indagar se ele levara a foto.

Seus nervos já estavam tensos ao terceiro toque da campainha.

— Alô?

— Mike?

— Não. Aqui é Eric. Mas estou disponível, querida.

— Aqui éIsabela Swan — disse ela, incisiva. — Gostaria de falar com Mike.

— Ahn... — O jovem limpou a garganta, embaraçado. — Desculpe, Srta. Swan. Pensei que fosse uma das... Mas ele não está.

— Pode pedir a ele para entrar em contato comigo? Darei o número onde conseguirá me encontrar.

— Claro. Mas não sei exatamente quando ele voltará, nem onde está. Mike viajou logo depois das provas finais. Uma expedição fotográfica. Foi uma boa idéia tirar fotos antes do próximo semestre.

— Deixarei o número assim mesmo. — Bella deu o número. — Se ele ligar, dê o meu número, está bem?

— Claro, Srta. Swan. Tenho certeza de que ele gostará de receber notícias suas. Bobby ficou preocupado com... Isto é, não sabia se retomaria o estágio no próximo outono. Ahn... Como se sente agora?

Não houve a menor dúvida na mente de Bella de que o companheiro de apartamento de Mike tomara conhecimento de seu colapso. Ainda acalentara uma esperança, mas era um absurdo pensar que poderia ser de outra forma.

— Estou bem, obrigada. — A voz era fria, cortando qualquer possibilidade de mais alguma pergunta. — Se falar com Mike, avise que é muito importante que ele me ligue.

— Pode deixar, Srta. Swan. Ahn...

— Adeus, Eric.

Bella desligou, lentamente. Fechou os olhos. Não importava que Mike tivesse partilhado seu problema com os amigos. Ela não podia permitir que isso tivesse alguma importância, não podia se sentir constrangida ou transtornada por esse motivo. Era esperar demais que ele mantivesse em segredo quando sua instrutora enlouquecia de repente em sua presença e era levada às pressas para o hospital.

Seu orgulho teria de resistir, decidiu Bella. Com um esforço para descartar a vergonha que ainda persistia, ela desceu. Se tivesse um pouco de sorte, Mike telefonaria em algum momento das duas próximas semanas. E, com isso, ela teria pelo menos uma resposta.

Ao se aproximar da cozinha, ouviu vozes lá dentro. Parou, com a mão na porta.

— Há alguma coisa errada com ela, Emmett. Está diferente. Por acaso conversou com você?

— Sue, Bella nunca conversa com ninguém. Por que conversaria comigo?

— Você é seu irmão. A família.

Bella ouviu o barulho de pratos e sentiu o cheiro persistente de carne grelhada, do café da manhã. Uma porta de armário foi aberta e fechada.

— Que diferença isso faz?

A voz de Emmett era irritada, impaciente. Bella quase podia vê-lo tentando se livrar de Sue.

— Deve fazer toda a diferença. Se ao menos tentasse, Emm, ela poderia se abrir com você. Estou preocupada com ela.

— Bella me parecia muito bem ontem à noite, no luau. Ficou com Edward por duas ou três horas, tomou uma cerveja, comeu um salsichão.

— E voltou do camping esta manhã mais branca do que um lençol. Está com esses altos e baixos desde que chegou à ilha. E veio sem avisar, inesperadamente. Não quer falar sobre sua vida, não diz quando vai voltar. E você não vai me dizer que não notou como... ela anda trêmula.

Bella não queria ouvir mais. Recuou apressada, virou-se e saiu pela frente da casa.

Agora vigiavam-na, pensou ela, cansada. E especulavam se iria ou não ter um colapso. Se lhes dissesse que isso já acontecera, haveria acenos de cabeça e murmúrios compreensivos... e insinuantes.

Ora, que se danasse tudo! Ela saiu de casa, para o sol. Respirou fundo. Poderia dar um jeito em tudo. E daria. E se não conseguisse encontrar paz ali, se não a deixassem em paz, partiria de novo.

E para onde iria? O desespero envolveu-a. Para onde se ia ao deixar o último lugar?

Sua energia foi esvaindo-se, pouco a pouco. Arrastava os pés ao descer os degraus da varanda. Admitiu para si mesma que se sentia cansada demais para ir a qualquer lugar. Foi até a rede de cordas, à sombra de dois carvalhos, e refugiou-se ali. Era como entrar num útero, pensou Bella, enquanto os lados da rede ajustavam-se para acomodá-la e o balanço começava.

Às vezes, nas tardes quentes, ela encontrava a mãe ali. Deitava junto na rede. Renne contava histórias, a voz lenta e suave. Tinha um cheiro agradável, de muito sol. Ficavam balançando, contemplando os fragmentos de sol através das folhas verdes.

As árvores eram mais altas agora. Tiveram mais de vinte anos para crescer... e ela também. Mas onde estava Renne?

***

Ele caminhava pela beira da água em Savannah, ignorando as lojas atraentes e os turistas apressados. Não fora perfeito. Não fora nem quase perfeito. Era a mulher errada. Claro que ele já sabia disso. E sabia mesmo quando a pegara.

Fora excitante, mas apenas por um momento. Um lampejo e depois terminara... como gozar cedo demais.

Ele parou, olhando para o rio, e acalmou-se. Um pequeno jogo de manipulação mental que diminuiu a freqüência cardíaca, firmou a respiração, relaxou os músculos. Estudara aqueles exercícios de controle da mente sobre o corpo em suas viagens.

Não demorou muito para deixar que os sons tornassem a invadi-lo... pouco a pouco. O retinido de uma bicicleta de passagem, o zumbido de pneus no calçamento. As vozes dos turistas, a risada exultante de uma criança que saboreava um sorvete.

Estava calmo de novo, outra vez sob controle. Sorriu sobre a água. Era uma imagem atraente e sabia disso... os cabelos esvoaçando um pouco à brisa, um homem de rosto bonito e corpo bem trabalhado, que gostava de atrair a atenção feminina.

Como atraíra a atenção de Jessica.

Ela se mostrara mais do que disposta a acompanhá-lo pela praia escura e sobre as dunas. Meio embriagada, flertando com ele, o sotaque sulista engrolado pela tequila.

Jessica nunca soubera o que a atingira. Literalmente. Ele teve de reprimir uma risada ao pensar a respeito. Um golpe curto e rápido, atrás da cabeça, e ela caíra. Não precisara de muito esforço para carregá-la até as árvores. Sua expectativa era tão intensa que ela parecia não ter peso. Despi-la fora... estimulante. Era verdade que Jessica tinha um corpo mais exuberante do que ele queria. Mas também não podia esquecer que ela fora apenas um exercício preparatório.

Ainda assim, ele fora apressado demais. Podia admitir isso agora, podia analisar. Fora precipitado, atrapalhara-se com os equipamentos, na ansiedade em tirar as primeiras fotos. Jessica nua, com as mãos amarradas por cima da cabeça, presa a uma árvore nova, mas resistente. Ele não tirara um tempo para espalhar os cabelos, procurar a melhor iluminação, os melhores ângulos.

Nada disso. Estava dominado pelo poder do momento e estuprara-a assim que ela recuperara a consciência. Planejara conversar primeiro, captar o medo crescente nos olhos, enquanto Jessica começava a compreender o que ele tencionava fazer.

Como acontecera com Renne.

Ela se debateu, tentou falar. Movimentou com toda força as pernas compridas e adoráveis. Arqueou as costas. E eu me sentia calmo, podia controlar cada momento.

Ela era o tema. E eu era o artista.

Como acontecera com Renne, ele pensou de novo. Como deveria ter acontecido agora, desta vez.

Mas o primeiro orgasmo fora um desapontamento. Tão... corriqueiro, refletiu ele agora. Nem mesmo tivera vontade de estuprá-la de novo. Fora mais uma tarefa do que um prazer, recordou ele. Nada mais que um passo adicional para manipular a imagem final.

Mas quando tirara o lenço de seda do bolso, passara em torno do pescoço, apertara várias vezes, observara os olhos se esbugalharem, a boca se contorcer em busca de ar, para soltar um grito...

Isso fora muito melhor. E tivera um orgasmo maravilhoso, brutal, longo, satisfatório.

E achava que a última imagem de Jessica, aquele momento decisivo, podia ter sido um dos seus melhores.

Dera o título de Morte de uma Vagabunda; afinal, o que mais ela fora? Nunca um de seus anjos. Fora vulgar e ordinária. Absolutamente descartável.

Era por isso que não chegara nem perto da perfeição. Não fora culpa sua, mas de Jessica. E isso o deixou bastante reanimado, agora que tudo era evidente. O defeito era dela... do tema, não do artista.

Mas ele a escolhera e atraíra.

Teve de lembrar a si mesmo, mais uma vez, que não passara de um exercício. Todo o incidente não fora mais do que um ensaio, com uma substituta no lugar da atriz principal.

Seria perfeito na próxima vez. Com Bella.

Com um pequeno suspiro, ele apalpou a pasta de couro que continha as fotos, reveladas nos aposentos que alugara, ali perto. Era tempo de voltar a Desire.

***

Como Alice não podia ser encontrada em parte alguma, Emmett saiu para o jardim, a fim de arrancar mais um pouco de ervas daninhas. Alice prometera que faria isso, mas ele tinha certeza de que a irmã escapara para procurar Jasper, a fim de seduzi-lo para uma diversão na hora do almoço. Vira os dois na noite anterior, da janela de seu quarto. Molhados, cobertos de areia e rindo como crianças, enquanto subiam pelo caminho. Era óbvio, até mesmo para seu cérebro cansado, que haviam feito mais que dar um mergulho à meia-noite. Ele achara engraçado, até sentira um pouco de inveja.

Parecia fácil para eles desfrutar um ao outro, viver o momento. É verdade que imaginava que Jasper tinha em mente muito mais do que o momento e que Alice sapatearia em seu coração antes de sair de cena.

De qualquer forma, Jasper era um homem inteligente e paciente, e eral possível fazer com que Alice acabasse dançando de acordo com sua melodia. Emmett refletiu que seria muito interesante observar. A uma distância segura.

Isso era tudo o que ele realmente queria, pensou Emmett. Uma distância segura.

Ele olhou para as aqüilégias, as flores lavanda e amarelas, em forma de trombeta, abertas, em celebração. Eram bonitas, alegres e cabia a ele cuidar para que continuassem assim. Enfiou a mão no bolso do avental curto de lona, que pendurara na cintura para trabalhar no jardim. E foi nesse instante que ouviu uma lamúria.

Olhou para ver a mulher na rede. E seu coração parou. Os cabelos eram de um castanho avermelhado escuro na sombra verde. A mão que pendia para fora da rede era esguia, pálida e elegante. O choque o fez dar um passo à frente, mas depois virou a cabeça, angustiado, e recuou.

Não era a mãe, pelo amor de Cristo. Sua irmã. Era impressionante quanto ela parecia às vezes com Renne. No ângulo certo, com a luz certa. Era difícil suspender as recordações... evitar a angústia. A mãe adorava balançar na rede durante uma hora, nas tardes quentes de verão. E se Emmett passava por ali, sentava no chão, de pernas cruzadas, ao seu lado, a mãe punha a mão em sua cabeça, desmanchava os cabelos, perguntava que aventuras ele tivera naquele dia.

E sempre escutava. Ou pelo menos era o que Emmett outrora pensava. Era mais provável que estivesse entregue a seus devaneios enquanto ele falava. Sonhava com o amante, como fugiria, abandonando o marido e os filhos. Sonhava com a liberdade, que deveria querer mais do que ao próprio filho.

Mas era Bella quem estava deitada na rede agora e tudo indicava que não tinha um sono sereno.

Uma parte de Emmett — uma parte que ele considerava com desdém, com um sentimento próximo do ódio — queria se virar, afastar-se, deixar a irmã entregue a seus próprios demônios. Mas ele foi até a rede, a testa franzida em preocupação, enquanto Bella se agitava e gemia no sono.

— Bella... — Ele pôs a mão no ombro da irmã e sacudiu-a. — Vamos, querida, acorde...

No sonho, o que a perseguia através da floresta, com suas árvores fantasmas e vento selvagem, alcançou-a e cravou as garras afiadas em sua carne.

— Não! - Ela fez um movimento brusco, desvencilhando-se. - Não me toque!

Calma, calma... — Emmett sentira o vento do punho roçando em seu rosto e não sabia se ficava impressionado ou preocupado. — Não quero acabar com o nariz quebrado.

A respiração ofegante, atordoada, Bella abriu os olhos.

— Emmett... — Os tremores prevaleceram e por isso ela tornou a arriar na rede e fechar os olhos. — Desculpe. Um pesadelo.

— Foi o que imaginei.

Era mesmo preocupação, no final das contas, e mais do que ele esperava. Sue tinha razão, como sempre. Havia de fato alguma coisa muito errada ali. Emmett correu um risco e acomodou-se na beira da rede.

— Quer alguma coisa? Água?

— Não.

A surpresa transpareceu nos olhos de Bella quando os abriu e descobriu a mão de Emmett sobre a sua. Não podia se lembrar da última vez, em que Emmett pegara na sua mão. Ou ela tomara a iniciativa.

— Não se preocupe. Estou bem. Foi apenas um sonho.

— Também tinha pesadelos terríveis quando era criança. Acordava aos gritos, chamando papai.

— Isso mesmo. — Bella deu um sorriso desanimado. — Acho que a gente nunca deixa tudo para trás.

— Ainda tem muitos pesadelos?

Emmett tentou dar a impressão de que era uma pergunta sem importância, mas viu o brilho nos olhos da irmã.

— Pelo menos não acordo mais gritando por ninguém.

— Não pensei que pudesse fazer isso.

Ele teve vontade de levantar-se, afastar-se. Os problemas da irmã não tinham deixado de ser problemas seushá muitos anos? Mas ele continuou onde estava, balançando a rede, gentilmente.

— Não é um defeito ser auto-suficiente, Emmett.

— Tem razão.

— E não é um pecado querer resolver sozinho seus problemas.

— E isso o que você está fazendo, Bella? Cuidando de seus problemas? Pois pode ficar tranqüila. Já tenho problemas em quantidade suficiente para não ter de assumir os seus.

Mas ainda assim ele não a deixou. Continuou a balançar a rede, na sombra verde. O conforto deixou Bella com os olhos ardendo. Cautelosa e carente, ela deu um passo experimental.

— Tenho pensado muito em mamãe ultimamente.

Os ombros de Emmett ficaram tensos no mesmo instante.

— Por quê?

— Tenho visto mamãe na imaginação. — A foto que não estava mais onde deveria. — E sonhado com ela. Acho que mamãe morreu.

As lágrimas haviam aflorado sem que qualquer dos dois percebesse. Quando Emmett olhou e viu as lágrimas escorrendo pelas faces da irmã, sentiu o estômago se contrair.

— Qual é o sentido, Isabela? De que adianta ficar angustiada por uma coisa que aconteceu há vinte anos e não pode ser mudada?

— Não posso evitar... e não posso explicar. Simplesmente acontece.

— Ela nos deixou e conseguimos sobreviver. É só isso.

— Mas o que acontece se ela não nos deixou por vontade própria? Se alguém a levou à força? Se alguém...

— E se ela foi seqüestrada por alienígenas? — O tom de Emmett era ríspido. — Pelo amor de Deus! A polícia manteve o caso aberto durante mais de um ano. Não havia nada, nenhuma evidência de seqüestro, nenhuma evidência de crime. Ela foi embora. Ponto final. Pare de se levar à loucura.

Bella tornou a fechar os olhos. Talvez fosse mesmo isso que estivesse fazendo, levando a si mesma, lentamente, à insanidade.

— Émelhor pensar que era mentira cada vez que ela dizia que nos amava? Isso é mais estável, Emm?

— É melhor deixar tudo como está.

— E continuarmos sozinhos — murmurou Bella. — Cada um de nós. Porque outra pessoa pode dizer que nos ama e isso ser também uma mentira. É melhor deixar como está. É melhor não correr o risco. É melhor ficar sozinho do que ser deixado sozinho.

O comentário atingiu o alvo com impacto suficiente para fazê-lo se eriçar.

— É você quem tem pesadelos, Bella, não eu. — Emmett tomou uma decisão súbita e levantou-se antes de poder mudar de idéia. — Venha comigo.

— Para onde?

— Daremos uma volta de carro. Vamos.

Ele tornou a pegar a mão da irmã, levantou-a e puxou-a na direção de seu carro.

— O que é? Para onde vamos?

— Apenas faça o que estou dizendo, por uma vez.

Ele a fez sentar no banco do passageiro, bateu a porta e constatou com satisfação que ela estava surpresa demais para tentar sair.

— Já tenho Sue em cima de mim o tempo todo — murmurou ele, sentando ao volante e virando a chave na ignição. — E agora você começa a chorar. É demais. Tenho de cuidar de minha própria vida.

— Eu entendo. — Bella fungou e passou o dorso da mão pelas laces, para remover as lágrimas. — Mas você está mesmo vivendo, Emmett?

— Apenas fique quieta e espere. — As rodas rangeram, enquanto ele fazia a manobra e descia pela estrada. — Você volta muito branca, parecendo um saco de ossos. Mas agora vamos até o fundo. Talvez assim todos fiquem em seus cantos e me deixem em paz.

Os olhos contraídos agora, Bella segurou a maçaneta da porta.

— Para onde vamos?

— Você vai fazer uma consulta médica.

—De jeito nenhum! — A surpresa guerreava com o alarme doentio. — Pare esse carro agora mesmo e me deixe sair!

Emmett contraiu os lábios, numa expressão sombria e acelerou.

— Você terá uma consulta. E se for necessário eu a carregarei até lá. Descobriremos se Rose é pelo menos metade tão boa quanto pensa que é.

— Não estou doente.

— Então não deve ter medo de deixar que ela a examine.

Ele entrou no caminho. Parou na frente do chalé de Rose, com os pneus rangendo. Virou-se e pôs a mão no ombro da irmã. Os olhos ardiam em fúria.

— Você pode entrar com seus próprios pés ou embaraçar a nós dois, obrigando-me a carregá-la no ombro. Mas vai entrar de uma maneira ou de outra. A escolha é sua.

Trocaram olhares impregnados de raiva. Bella calculou que seu temperamento estourado igualava o do irmão. Numa batalha verbal, tinha uma boa possibilidade de derrotá-lo. Mas, se Emmett decidisse passar para o terreno físico — e ela se lembrava da juventude que isso era sempre possível —, não teria a menor chance. Ela optou pelo caminho mais fácil e deu preferência ao orgulho.

Sacudiu a cabeça, saltou do carro e subiu os degraus para o chalé de Rose. Foram encontrá-la no balcão da cozinha, passando manteiga de amendoim numa fatia de pão.

— Oi.

Ela lambeu o polegar e deixou que seu sorriso de recepção persistisse, enquanto examinava primeiro um rosto com uma fúria fria, depois o outro. Era estranho como a semelhança de família tornava-se subitamente forte, refletiu Rose.

— Querem almoçar? — indagou ela.

— Tem algum tempo para um exame físico? — perguntou Emmett, empurrando a irmã para a frente.

Rose deu uma pequena mordida no pão, enquanto Bella virava-se para Emmett com um grunhido de protesto.

— Claro que sim. Minha próxima consulta está marcada para uma e meia. — Ela sorriu, jovial. — Qual dos dois vai se despir para mim hoje?

— Ela está almoçando— disse Bella para Emmett, altiva.

— Manteiga de amendoim não é almoço, a menos que você tenha seis anos de idade. — Ele deu outro empurrão em Bella. — Vá para a sala de exames e tire as roupas. Não vamos sair daqui enquanto Rose não examiná-la, da cabeça aos pés.

— Pelo que vejo, esta é a minha primeira consulta por seqüestro. — Rose olhou para Emmett, pensativa. Imaginava que ele se tornara bastante preocupado com a irmã para se tornar rude, mas não tinha certeza. — Pode ir, Bella. A sala de exame é meu antigo quarto. Estarei lá num instante.

— Não há nada de errado comigo.

— Ótimo. Isso tornará meu trabalho mais fácil e lhe dará uma desculpa para punir Emmett depois. — Ela deu outra mordida no pão e sorriu de novo. — Eu a ajudarei.

— Combinado.

Bella virou-se e afastou-se pelo corredor, ainda furiosa.

— 0 que está acontecendo, Emmett? — murmurou Rose, depois que a porta foi batida.

— Ela tem pesadelos e não come. Voltou do camping esta manhã branca como um lençol.

— O que ela foi fazer no camping?

— Jessica não apareceu para trabalhar hoje.

— Jess? Ela não é de fazer isso. — Rose franziu o rosto, mas logo descartou esse assunto. Era uma preocupação diferente. — Fico contente que você a tenha trazido. Há algum tempo que desejo examiná-la.

— Quero saber o que há de errado com ela.

— Posso fazer um exame clínico, Emmett. Se ela tiver algum problema físico, eu descobrirei. Mas não sou uma psiquiatra.

Frustrado, ele enfiou as mãos nos bolsos.

— Apenas descubra o que há de errado com ela.

Rose acenou com a cabeça. Entregou-lhe o resto do pão.

— Tem leite na geladeira. Pode se servir.

Quando ela entrou na sala de exames, Bella ainda estava vestida, andando de um lado para outro.

— Escute, Rose...

— Você confia em mim, não é, Bella?

— Isso não tem nada...

— Vamos acabar logo com isso e assim todos se sentirão melhor.

— Rose pegou uma túnica limpa. — Vá para o banheiro, no outro lado do corredor, e faça xixi no vidro.

Ela pegou uma ficha limpa e um formulário, enquanto Bella a fitava com o rosto franzido.

— Vou precisar do histórico médico... última menstruação, problemas físicos, remédios receitados que está tomando, alergias, essas coisas. Pode começar a preencher isto depois de vestir essa peça da última moda, enquanto eu faço a análise da urina.

Ela inclinou-se para escrever o nome de Bella na ficha.

— É melhor ceder facilmente — murmurou Rose. — Emmett é maior do que você.

Bella deu de ombros uma vez, antes de ir para o banheiro.

***

— A pressão arterial está um pouco alta. – Rose removeu a braçadeira. — Mas não chega a ser grande coisa. É provável que seja decorrente de uma ligeira oscilação de humor.

— Muito engraçado.

Rose esquentou o estetoscópio entre as mãos, para depois comprimi-lo contra as costas de Bella.

— Respire fundo, exale. De novo. Você tem também uma pequena deficiência de peso. O que deixa a mulher em mim ficar verde de inveja e leva a médica sensata a protestar.

— Tenho sentido pouco apetite.

— A comida em Santuário deve resolver este problema. — E se não resolvesse, Rose tencionava fazer uma reavaliação. Ela pegou o oftalmoscópio e começou a examinar os olhos de Bella. — Sente dores de cabeça?

— Agora ou sempre?

— As duas coisas.

— Agora eu sinto, mas diria que é uma conseqüência direta do envolvimento com Emmett, o Carrasco. — Bella suspirou. — Acho que venho sentindo mais dores de cabeça nos últimos meses do que o habitual.

— Uma dor pequena e latejante ou intensa e lancinante?

— Quase sempre da variedade pequena e latejante.

— Vertigem, desmaio, náusea?

— Eu... não, não realmente.

Rose empertigou-se, deixando uma das mãos no ombro de Bella.

— Não ou não realmente? — Quando Bella deu de ombros, Kirby largou o instrumento. — Querida, sou médica e sou sua amiga. Preciso que seja franca comigo. E quero que saiba que tudo o que disser nesta sala ficará entre nós.

Bella respirou fundo. Cruzou as mãos no colo.

— Tive um colapso nervoso. — O ar escapou dos pulmões de Bella num suspiro, em parte por medo, em parte por alívio. — Cerca de um mês antes de minha vinda para cá. Simplesmente desmoronei. Não pude evitar.

Sem dizer nada, Rose pôs as duas mãos nos ombros de Bella e massageou-os gentilmente. Bella ergueu a cabeça e viu apenas compaixão naqueles olhos azuis suaves. Seus próprios olhos se encheram de lágrimas.

— Isso faz com que me sinta uma tola.

— Por que deveria?

— Nunca me senti tão desamparada. Sempre fui capaz de lidar com as situações, Rose, à medida que aconteciam. E de repente tudo foi se acumulando, o peso cada vez maior. Não tinha mais certezase apenas imaginava as coisas ou se aconteciam de fato. Até que tive um colapso. Desabei.

— Procurou ajuda?

— Não tinha opção. Sofri o colapso na presença de meu assistente. Ele me levou para o hospital e pasei algum dias internada. Um colapso mental. Não me importa que já estejamos no século XXI. Não me importa que seja uma época intelectualizada. Sinto-me envergonhada.

— Posso garantir que não há do que se envergonhar. Você tem todo o direito de sentir qualquer coisa que quiser.

Os lábios de Bella contraíram-se um pouco.

— Ou seja, não preciso me envergonhar de estar envergonhada.

— Exatamente. Como era sua agenda de trabalho na ocasião?

— Apertada, mas eu gostava assim.

— E sua vida social?

— Inexistente, mas eu gostava assim. E isso se aplica também à minha vida sexual. Não me sentia deprimida, definhando por causa de um homem... ou pela ausência de um homem. Mas tenho pensado muito em minha mãe. Tenho quase a mesma idade que ela quando foi embora... quando tudo mudou.

E sua vida desmoronou, pensou Rose.

— E se preocupou com a possibilidade de tudo mudar de novo, além de seu controle. Não sou uma psicanalista, Bella, mas apenas uma antiquada clínica geral. Qual foi o prognóstico quando você teve alta?

— Não sei exatamente. — Bella mudou de posição, o papel estendido na mesa de exame estalando. — Eu mesma me dei alta.

— Entendo. Não indicou nenhum remédio no formulário.

— Não estou tomando nenhum. E não me pergunte o que os médicos indicaram. Não peguei nenhuma receita. Não quero tomar drogas... e não quero conversar com um analista.

— Está bem. Por enquanto, cuidaremos de tudo à maneira antiga. Vamos eliminar qualquer causa física. Receitarei ar fresco, descanso, refeições regulares... — Uma pausa e Rose acrescentou, com um sorriso: — ... e um pouco de sexo bom e seguro, se puder obter.

— Sexo não éuma das minhas prioridades.

— Neste caso, querida, você está mesmo louca.

Bella piscou, surpresa, depois soltou uma risada, enquanto Rose passava álcool na parte interna de seu cotovelo.

— Obrigada.

— Não cobro nada pelos insultos. E a última parte da receita é conversar. Comigo, com sua família, com qualquer outra pessoa em quem confie para ter uma conversa. Não deixe que as coisas se acumulem de novo. Você se preocupa demais, Bella. Descarregue um pouco.

Ela sacudiu a cabeça e acrescentou, antes que Bella pudesse falar qualquer coisa:

— Seu irmão se importa o suficiente para arrastá-la até aqui... um lugar que tem evitado como a peste desde que me mudei. E se sou juíza de caráter, aposto que ele está andando de um lado para outro lá fora, apavorado com a possibilidade de que eu saia para informar que sua irmã só tem mais três semanas de vida.

— Seria uma lição bem merecida. — Bella deixou escapar um suspiro profundo. — Mesmo que eu me sinta melhor agora do que em muitas semanas.

Ela viu a seringa e arregalou os olhos.

— Para que isso?

— Só preciso de um pouco de sangue. — A agulha levantada, Rose sorriu. — Não quer gritar para descobrir quanto tempo ele leva para entrar aqui correndo?

Bella desviou os olhos, prendeu a respiração.

— Eu não daria essa satisfação a Emmett.

***

Depois que Bella se vestiu, Rose entregou-lhe um recipiente de plástico.

— São apenas vitaminas. De alta potência. Se começar a comer direito, não vai mais precisar. Mas servirão para lhe proporcionar um certo vigor por enquanto. Avisarei quando o laboratório mandar os resultados do exame de sangue. Mas todo o resto está dentro dos parâmetros normais.

— Agradeço por tudo.

— Pois então demonstre, cuidando de si mesma e me procurando sempre que precisar.

— Farei isso. — Era sempre um pouco estranho fazer um movimento afetuoso ostensivo, mas ela adiantou-se para dar um beijo no rosto de Rose. — Pode ter certeza. E falei sério quando disse que me sentia melhor do que em muito tempo.

— Ótimo. Siga as recomendações da doutora ROse e vai se sentir ainda melhor.

Ela levou Bella para a outra sala, guardando as preocupações para si mesma. Encontraram Emmett fazendo exatamente o que ela previra, andando de um lado para outro, irrequieto. Ele parou e fitou-as com o rosto franzido. Rose respondeu com um sorriso jovial:

— Tem uma menina forte e saudável de cinqüenta quilos, papai. Meus parabéns.

— Muito engraçado. — Ele olhou para Bella. — O que há de errado com você?

Bella inclinou a cabeça para o lado, fitando-o com os olhos contraídos.

— Pode ficar com raiva de mim — sugeriu Bella, enquanto se encaminhava para a porta. — Vou embora. Obrigada por espremer em sua agenda os caprichos desse idiota, Rose.

— Venho me esforçando para fazer isso há vários meses. Ela riu, enquanto a porta de tela era batida.

— Quero saber o que há de errado com minha irmã.

— Ela sofre de irmãotite aguda no momento. Embora muito irritante, quase nunca é fatal.

— Quero uma porra de uma resposta objetiva.

Emmett estava quase rosnando. Rose balançou a cabeça em aprovação.

— Gosto ainda mais de você quando é humano. — Ela se virou para a cafeteira, satisfeita em constatar que ele se mostrara útil, preparando um café fresco. Muito bem, respostas objetivas. Não quer sentar?

— Ele sentiu um frio no estômago. É grave?

— Nem tanto quanto você aparentemente pensa. Toma o café puro, não é mesmo? Como um homem de verdade.

Rose prendeu a respiração quando ele pegou seu braço, apertando com firmeza.

— Não estou com ânimo para brincadeiras.

— Está bem. Já vi que meus comentários espirituosos não vão relaxá-lo. Os resultados dos exames só deverão chegar daqui a duas semanas. Mas posso dar minha opinião abalizada pelo exame físico. Bella está exausta. Sente-se nervosa e estressada, irritada consigo própria por estar nervosa e estressada. Precisa exatamente do que você demonstrou que pode dar. Apoio... mesmo quando ela protestar.

A primeira pontada de alívio atenuou a pressão no peito de Emmett.

— Isso é tudo?

Rose virou-se para servir o café.

— Há uma confidencialidade no relacionamento entre médica e paciente. Bella tem o direito à sua privacidade e à minha discrição.

— Bella é minha irmã.

— E verdade. Num nível pessoal, fico feliz por saber que você leva esse relacionamento a sério. Não tinha certeza se isso acontecia. Tome aqui. — Ela entregou uma caneca a Emmett. —Bella voltou porque precisava estar em casa. Precisava de sua família. Portanto, esteja disponível para ela. Isso é tudo o que posso lhe dizer. Qualquer coisa mais tem de partir da própria Bella.

Ele afastou-se, tomando o café sem perceber. Muito bem, pensou, Bella não sofria de qualquer das doenças misteriosas e letais que imaginara enquanto esperava. Apenas esgotara sua energia. Não era um câncer ou um tumor no cérebro.

— Muito bem. — Desta vez ele disse em voz alta. — Acho que posso pressioná-la a comer regularmente e ameaçar Alice para não provocar brigas.

— Você é muito doce — murmurou Rose.

— Não sou não.

Emmett largou a caneca abruptamente e recuou. Agora que sua preocupação se desvanecera, podia ver Rose com clareza. A maneira com que aqueles olhos de sereia sorriam para ele. A maneira com que ela ficava parada ali, toda fria e controlada, toda rosa e dourada.

— Estou apenas cuidando de mim mesmo — acrescentou ele. — Quero minha rotina de volta, e isso não será possível enquanto ela não tiver se recuperado.

Com uma expressão afetuosa nos olhos, Rose adiantou-se.

— Mentiroso. Impostor. Coração mole.

— Fique longe de mim.

— Ainda não.

Ela pegou o rosto de Emmett entre as mãos. Ele atiçara mais do que seu desejo desta vez e Rose não podia resistir.

— Você contratou a consulta médica para Bella e ainda não pagou a conta. — Ela ergueu-se nas pontas dos pés. — Meus serviços não são baratos.

Rose roçou os lábios pelos dele. As mãos de Emmett seguraram a cintura de Rose. O gosto daquela mulher inundou-o.

— Estou lhe dizendo para ficar longe de mim. — Ele inclinou a cabeça, aprofundou o beijo. — Por que não me escuta?

A respiração de Rose já começava a faltar, deixando-a sem fôlego. Uma gloriosa sensação.

— Sou teimosa. Persistente. E estou certa.

— Você é agressiva. — Os dentes de Emmett mordiscaram o lábio inferior de Rose, apertaram um pouco. — Não gosto de mulheres agressivas.

— Hum... gosta sim.

— Não, não gosto.

Ele empurrou-a de costas até o balcão e comprimiu seu corpo, duro e quente, contra ela. A boca ansiosa encontrou a de Rose, ardente, devoradora.

— Mas eu quero você Rose, Sente se feliz agora?

Ela inclinou a cabeça para trás. Deixou escapar um gemido quando a boca ele Emmett desceu por seu pescoço.

— Dê-me cinco minutos para cancelar todas as consultas da tarde e garanto que ambos ficaremos extasiados. Me acaricie, Emmett, pelo amor de Deus!

— Não será fácil.

Ele mordiscou a orelha, onde um botão de esmeralda faiscava no lóbulo. Os lábios ansiosos voltaram à boca de Rose, para um beijo intenso, até que ela cravou as unhas em seus ombros. Emmett viu-se a possuí-la ali mesmo, onde estavam, abrindo seu zíper, baixando a calça impecável de Rose, arremetendo até se livrar daquela necessidade desesperada, até superar aquela terrível frustração.

Mas ele não a tocou, não a possuiu. Em vez disso, usou a dor que se agitava dentro dele para controlar os dois. Levantou a mão para o pescoço de Rose, empurrou sua cabeça para trás, até que os olhos dos dois se encontraram. Os olhos de Rose eram Azuis como mares revoltos, convidando-o a mergulhar.

— Será à minha maneira. E você terá de aceitar isso. - Os nervos estremeceram através do desejo.

— Escute...

— Não. Já acabamos com isso. E acabamos também com os jogos. Você poderia ter recuado, mas não o fez. Agora, será à minha maneira. Quando eu voltar, vamos terminar o que começamos.

A respiração de Rose estava acelerada, o sangue parecia cada vez mais quente. Por um momento, odiou-o por ser capaz de fitá-la com olhos tão frios e controlados.

— Pensa que me assusta?

— Não creio que você tenha juízo suficiente para deixar que isso a assuste. — Emmett sorriu, um sorriso lento e perigoso. — Mas deveria. Quando eu voltar.

Ele deu um passo para trás, antes de acrescentar:

— E não vou querer saber se você está pronta ou não.

Rose fez um esforço para se controlar, tentando manter o mínimo de orgulho.

— Seudesgraçado arrogante!

— Tem toda razão.

Emmett encaminhou-se para a porta, torcendo para conseguir sair antes que o anseio por ela o levasse a gemer em voz alta. Lançou-lhe um último olhar, contemplando os cabelos desarrumados, iluminados pelo sol, os olhos que faiscavam a raiva de emoções perigosas, a boca ainda inchada dos beijos.

— Eu trataria de me arrumar um pouco, doutora. Seu próximo paciente acaba de chegar.

Ele saiu, deixando a porta de tela bater.

***

Poxa gente to chateada....... várias pessoas add a fic como favorita e não deixaram UMA reviews....... assim até desestimula a escrever......T.T........... próximo capitulo só com bastante reviews............

E obrigada a:

Eva Morgana Potter

Nah Beward

Que estão sempre comentando a fic.......

Bom até o próximo capitulo........

Bjuxx^^ e não esqueçam as reviews.......