11 – Nós e eles
Um mês se passou e o romance de Prowl e Jazz se tornava cada vez mais sólido. Cada vez mais envolvido, Prowl o levava para o seu curso, o encontrava depois do trabalho para a tarde de estudos e praticamente o arrastava para os treinos porque também haveria um teste de aptidão física no exame. Jazz sempre arranjava um jeitinho para eles darem uma escapadinha e namorarem um pouquinho.
Mas apesar disso, nunca permitiu que Prowl fosse até a sua casa. A viatura decidiu não pressioná-lo mais devido a discussão que tiveram no mês passado. Mas a curiosidade sempre o perseguia. Ele não conseguia compreender o porquê dessa atitude tão estranha de seu amado. Às vezes se pegava imaginando que Jazz pudesse estar escondendo alguma coisa grave, e então procurava dispersar esse pensamento achando que estava ficando paranóico.
Mas a curiosidade não ia embora. Nunca!
Foi então que tomou a decisão de descobrir por conta própria o que se passava, já que Jazz não o levaria à sua casa. À noite, quando saíam da casa de Prowl após a tarde de estudos, o mesmo teve uma ideia. Sentiu-se um tanto culpado por estar mentindo para o namorado, mas foi a única solução que encontrou.
_ Jazzie, hoje não vou poder te levar. O professor que vai ministrar a aula é muito chato e não gosta de alunos ouvintes. Não fique chateado.
_ Ah, tá tudo bem. A gente se vê amanhã. – O porshe despediu-se de seu amado com um beijo e seguiu seu caminho.
Prowl esperou até que ele virasse a esquina e o seguiu discretamente. Percorreu uma boa distância acompanhando em segredo os passos de seu amado até que ele entrou numa das áreas que parece ter sido esquecida pelo resto da população mais abastada de Cybertron. Era uma espécie de vila, habitada pelos cidadãos menos favorecidos da sociedade e por gobots fugidos de um futuro incerto em seu planeta. Assustado, Prowl observava Jazz cumprimentar a todos e até a brincar um pouquinho com as protoformas. Depois disse a elas que precisava descansar e caminhou até uma das casas, aonde chegou a abrir a porta e entrar, até que um conhecido o chamou.
_ Jazz, vem cá. Será que você pode me ajudar? É rápido.
O porshe atendeu ao pedido e foi correndo ajudar, esquecendo-se de fechar a porta de sua casa. Prowl aproveitou que todos na vila estavam distraídos com seus afazeres e entrou sorrateiramente na casa de Jazz. Acreditava que, talvez o que ele quisesse esconder estivesse ali. Mesmo não sabendo exatamente o que era decidiu entrar e tentar procurar. Abriu um pouco mais a porta e caminhou até o interior exibindo uma expressão de choque e tristeza à medida que observava a decadência do lugar.
_ Oh, Primus! É assim que ele vive? Que horrível!
Horrorizado, Prowl passeava com suas óticas pelo espaço tentando encontrar algo que não estivesse em condições precárias. Não conseguiu! Tudo naquele lugar era de uma pobreza absurda, indigna de alguém tão radiante como Jazz. Difícil acreditar que ele conseguia viver naquelas condições.
_ Prowl! O que você está fazendo aqui?
Jazz havia voltado e apavorou-se quando viu Prowl parado bem no meio de sua sala. Olhava em pânico para as óticas da viatura.
_ Jazz, por que não me contou?
Virando-se rapidamente, Jazz tentou sair correndo pela porta e fugir da situação. Mas Prowl foi mais rápido e o segurou pelo braço, virando-o para que encarasse as suas óticas. Tudo o que Jazz conseguiu fazer então foi cair em prantos, constrangido por seu amor tê-lo visto nas condições em que se encontrava e com medo de que ele pudesse rejeitá-lo devido a elas.
_ Por que você veio até aqui? Por quê? Eu não queria que você me visse assim.
_ O que é isso, amor? Por que não queria que eu te visse aqui? Por que escondeu isso de mim?
_ Eu tive vergonha. Você e a sua família tem uma ótima posição na sociedade. Tem uma casa enorme e luxuosa. Seu pai fez parte do alto comando de Cybertron e sua mãe já foi um membro do Conselho. Além disso, você e suas irmãs tem um índice de instrução avançado. E eu? Oque sou? Nada! Absolutamente nada! Sou só um pobre miserável com um nível de instrução mediano e que mora em um casebre caindo aos pedaços por falta de opção. EU NÃO SOU NADA!
O porshe chorava como uma criança assustada, soluçando sem parar. Prowl num ímpeto o abraçou. Segurando firme, como se quisesse protege-lo.
_ NÃO! Não diga isso, meu amor. Você é muito importante para mim. Você é meu namorado. É o bot que eu amo. Que eu escolhi para ficar ao meu lado. Você é o meu tudo! Não se desmereça desse jeito. O que você falou da minha família é certo, mas nada disso teria importância se não fosse pelo amor que nos une. Esse mesmo amor que eu quero compartilhar com você. Não precisa ter vergonha, meu amor. Eu não me importo com a sua posição na sociedade. Eu te amo e não vai ser a sua ou a minha condição social que vai mudar isso.
Jazz aos poucos foi se acalmando. Apoiou sua cabeça no peito de seu amado ouvindo o som do motor e das engrenagens. Já mais tranquilo ergueu a cabeça e olhou profundamente nas óticas de Prowl.
_ Você não se importa que eu venha da pobreza?
_ Não! E nunca vou me importar. Meu sentimento por você é muito maior que tudo isso.
_ Eu tive tanto medo que você não me quisesse mais. Não contei nada porque temia te perder. Me desculpe! Eu não queria mentir pra você.
A viatura segurou suavemente o rosto de seu querido porshe sorrindo. Deslizou suavemente os dedos pela extensão de seus lábios entreabertos e beijou sua bochecha delicadamente preparando-se para ir em direção a sua boca quando...
_ Jazz, tá tudo bem? Eu achei que tinha ouvido você chorar. Aconteceu alguma coisa?
Um amigo de Jazz apareceu na janela de sua casa, preocupado com o barulho que vinha de lá. Prowl não gostou nem um pouco por dois motivos: primeiro porque seu beijo foi interrompido. Segundo porque ele era um gobot. Mas como estava na casa de Jazz e na vila dos imigrantes, tudo o que podia fazer era tentar ser o menos grosseiro possível.
_ Oi! Eu tô bem, Scooter. Não foi nada. Só estava esclarecendo algumas coisas que estavam pendentes na minha vida. Ah, entra aí e deixa eu te apresentar.
O jovem gobot atendeu ao pedido de Jazz entrando na casa. Prowl já começava a se irritar, mas manteve a compostura para não aborrecer o amado.
_ Esse é meu namorado, Prowl. Amor esse é Scooter, um dos meus melhores amigos. Ele sempre me estende a mão quando eu preciso.
Um de seus melhores amigos? Essa não! Prowl levou um choque ao ouvir isso. Seu amado é amigo de um gobot? Ah, não! Ele até podia entender já que Jazz morava num ambiente abarrotado de gobots, logo não tinha como não interagir com eles. Mas a ponto de permitir tamanha intimidade, se tornando melhor amigo de uma sucata? Ah, isso ia ter que mudar. Seu amado era especial demais para ficar se misturando dessa maneira com a ralé.
Scooter estendeu a mão, sorrindo amigavelmente. Finalmente conhecera o famoso Prowl, que Jazz tanto falava. Ele já estava quase virando uma celebridade de tanto que o porshe falava e fazia propaganda de suas qualidades.
_ Ah, então esse é o famoso Prowl. Muito prazer em conhecê-lo. Jazz fala tanto de você.
Prowl observou a mão estendida para ele com asco. Pensou em simplesmente ignorar o gesto amigável do gobot, mas preocupou-se em constranger Jazz e decidiu que, pelo menos agora, era hora de deixar o orgulho de lado e ceder. Sendo assim, correspondeu ao aperto de mão de Scooter, mas odiando cada segundo que gastou fazendo isso.
_ O prazer é meu. – Disse de maneira cortês, mas fria. O gobot ainda sorria.
_ Bom, eu não quero atrapalhar vocês. Tô indo! Depois a gente se fala, Jazz.
O gobot nem esperou que Jazz respondesse. Saiu logo porque se deu conta que havia interrompido os dois. Não ia nem mesmo entrar, mas o fez porque Jazz o chamou. Bom, pelo menos pode conhecer aquele por quem o seu amigo tanto suspirava.
Então alguma coisa começou a incomodá-lo. Ele teve a sensação de que já havia visto Prowl antes, mas não se lembrava de onde. Porém achou melhor dispersar esse pensamento. Afinal ele já tinha visto e conhecido tantos bots em Cybertron que poderia estar confundindo Prowl com alguém. Ou talvez pudesse ser alguma falha na sua placa de memória que o deixou meio desorientado. Era melhor deixar pra lá.
Prowl observou com uma expressão fechada o pequeno gobot sair da casa de Jazz. Foi quando o porshe estranhou a maneira como ele olhava para seu amigo. Parecia estar com raiva. Ele começou a se preocupar.
_ Prowl, amor, o que foi? Que cara é essa? – Foi quando a viatura voltou a si e percebeu o olhar assustado do porshe.
_ Hã! Nada. Desculpe! – Ele tranquilizou sua expressão, fazendo Jazz sorrir e se descontrair.
_Ah, não me diga que está com ciúmes? Há há há ! Ele é só um amigo, Prowler. Não precisa se preocupar.
_ Hã? Do que me chamou?
_ Prowler. Você não gostou? Você me deu um apelido carinhoso e achei que devia te dar um também. Ficou chateado?
Prowl não respondeu. Abraçou o porshe e ofereceu-lhe um beijo profundo, caloroso. Perdendo-se nas sensações que já começavam a inundar a sua mente. Deslizou seus lábios para o pescoço do porshe causando arrepios nele. Jazz intensificava a sua respiração a medida que a viatura depositava os lábios em seu chassi e passeava com as mãos por toda a extensão do seu corpo. Inebriado com o desejo que dominava seu corpo, cravou as pontas dos dedos nas costas de Prowl, arranhando a sua pintura e enlouquecendo-o de prazer. A viatura arqueou as costas e jogou a cabeça para trás em desespero.
_ Aaaaaahhhh... Jazzie!
De repente Jazz o afastou e foi andando devagar até o sofá, com um gingado bem provocador. Prowl não tirava as óticas dele. O porshe então se sentou, encostou-se e, sorrindo, começou a abrir as pernas bem devagar, exibindo a tampa fechada de sua válvula. Então, com um sorriso sexy, fez um sinal com os dedos, convidando Prowl a se unir a ele. A viatura sorriu de volta e foi em direção a ele queimando de tesão até a centelha. Abraçou-o arrancando-lhe mais um beijo intenso para em seguida descer a língua por todo o corpo do porshe, indo parar no meio das suas pernas, chupando e mordendo a parte interna das coxas. Jazz ficou tão entorpecido com as carícias que nem se deu conta de que havia aberto a tampa de sua válvula. Prowl não perdeu tempo ao ver aquela parte especial do corpo de seu amado tão desprotegida e tratou de oferecer um tratamento especial com a sua língua, chupando de uma maneira que deixava Jazz cada vez mais enlouquecido e gemendo cada vez mais alto.
Então o porshe levantou a cabeça de Prowl, interrompendo-o com um beijo para lhe fazer uma proposta especial.
_ Quer tentar uma coisa nova?
_ Hã? Coisa nova?
_É! Vem cá. Vou te mostrar.
Jazz se levantou fazendo com que Prowl deitasse no sofá. Então montou nele virando-se de costas e fazendo com que ele apoiasse as mãos em seu traseiro. A viatura encantou-se com toda a desenvoltura dele. Era um amante incrível e super criativo o seu Jazz.
_ Nossa! Essa eu não conhecia.
_ Chama-se "a rainha orgulhosa". Sempre quis tentar. Quer me ajudar?
_ Ô! Nem precisava pedir. – Disse Prowl colocando seu cabo para fora. Jazz sorriu de novo e começou a brincar com seu amado devagar, acariciando e umedecendo toda a extensão do membro com sua língua para só então chupá-lo levando Prowl à loucura. Quando notou que ele já estava bem duro, montou novamente virado de costas, soltando um gemido longo quando sentiu o cabo da viatura tocando bem no fundo de sua válvula. Começou rebolando devagar e fez com que Prowl novamente agarrasse seu traseiro para ajuda-lo a se movimentar.
_ Aaaahhh! Isso, meu amor... Me ajuda a rebolar gostoso pra você...
Prowl não conseguia se mexer muito, mas nem precisava. Jazz mexia tanto e de maneira tão deliciosa que ele não resistiria por muito tempo.
_ Uuuhh... Jazzie... Está vindo...
_ Aaaaahhh... Prowler... Vamos sobrecarregar juntos...
_ Jazzieeeeee... Aaaaaaaahhhhhhhh!...
Prowl não conseguiu esperar mais e sobrecarregou com tudo dentro de Jazz, que atingiu o clímax logo em seguida, quase sincronizando com ele. O porshe mudou de posição, deitando-se sobre seu amado, beijando-o e abraçando-o para, então, descansar a cabeça em seu peito. A viatura acariciou as suas costas fazendo com que ele relaxasse. Depois de um tempo Jazz olhou em suas óticas, sorrindo daquela maneira que Prowl adorava.
_ Você me fez muito feliz hoje, sabia? Tirou um peso enorme da minha centelha. Foi a maior prova de amor que eu já recebi.
Prowl sorriu de volta e, emocionado com as palavras de Jazz, acariciou o seu rosto.
_ Valeu muito a pena te seguir depois do curso.
Então uma luz se acendeu em sua mente e ele se desesperou.
_ Ah droga! O curso. Eu me esqueci completamente. E a aula de hoje era super importante.
Jazz ria do descontrole dele. Mais da metade da aula já havia sido perdida. Não havia muito o que fazer.
_ Só te resta ir pra casa e assistir TV junto com as meninas.
_Nem pensar! Ir pra casa tudo bem, mas assistir TV com elas de jeito nenhum. Prefiro ser desligado.
_ Ah ah ah ah! Você é tão cruel com elas. Coitadas!
_Coitadas? Humpf! Coitado é de mim que as aturo todos os dias. Assistir TV com elas é um pesadelo. Cada uma quer assistir um programa diferente e cada um desses programas é mais chato, brega e mulherzinha do que o outro. É uma briga terrível pra ver quem vai assistir o quê. Primus que me perdoe, mas eu prefiro ser devorado por Unicron a ter que passar por isso.
Jazz gargalhou alto. Prowl se referia às meninas como se elas fossem trazer o juízo final. Mas apesar desse jeito duro de falar, ele sabia que a viatura amava as suas irmãs.
Embora quisesse muito passar o resto do tempo com Jazz, Prowl achou que era melhor ir para casa e tentar estudar por conta própria para compensar a aula perdida. Despediu-se dele marcando o mesmo lugar e horário que sempre se encontravam todos os dias para irem à tarde de estudos. Não podiam relaxar com as matérias, pois as provas estavam chegando. Beijou o porshe dizendo que já estava com saudades e foi embora. Antes ainda jogou um beijo para ele recebendo um sorriso radiante de volta.
Meia hora depois Prowl estava de volta em casa. Escutou um barulho de gargalhadas vindas da sala e caminhou até lá para ver do que se tratava quando Titânia veio correndo e o abraçou.
_ Mano! Você chegou mais cedo hoje. Que legal! E cadê o Jazz?
_ Foi pra casa. Quem está ali na sala?
_ Ah, a Jewel trouxe uns amigos da escola pra conhecer a gente e conversar. São super legais. Vem ver!
Titânia puxou o irmão pelo braço até a sala. Quando Prowl chegou quase teve uma falha no sistema por causa do que viu.
_ Mas o que é isso?
Jewel se levantou de onde estava sentada, um pouco apreensiva. Mas deixou o receio de lado e apresentou seus amigos.
_ E aí, mano? Esses são meus amigos da escola. A gente é tudo da mesma turma.
Eram duas femmes e um mech, que sorriam para Prowl cumprimentando-o. Mas ele não foi nada simpático, muito pelo contrário. Fechou a cara para os três e tratou de puxar Jewel para um canto. E por que tudo isso?
Porque os três eram gobots!
_ Você enlouqueceu? Que história é essa? Como pôde trazer isso pra cá?
Mas a adolescente não se intimidou e enfrentou o irmão sem medo.
_ Isso? Como assim isso? Veja como você fala. Eles são robôs assim como nós.
_ Assim como nós coisa nenhuma! Eles são inferiores. Você jamais deveria ter trazido essa gente pra cá. Não duvido nada que nossa casa seja desvalorizada no futuro por causa dessa sua brincadeirinha.
_ Desvalorizada aqui só essa sua mentalidade idiota! Você nem sequer os conhece e já está fazendo julgamentos. Eles têm família assim como nós, sentem assim como nós, sofrem assim como nós. Por acaso você acha que é Primus para ficar julgando os outros?
_ Não sou Primus, mas sou um cybertroniano decente, que ama o seu planeta , que não suporta ver no que ele se tornou depois que essa sucata veio para cá. É um absurdo que você simplesmente não veja isso e prefira ficar no seu mundinho cor-de-rosa de adolescente. Prá você a degradação da nossa terra é uma brincadeira? Uma forma de dizer ao mundo "eu faço o que eu quero" ou "ninguém me diz com quem devo andar"?
_Eu também sou uma cybertroniana decente que ama seu planeta, mas o que eu não suporto é gente assim como você, que se acha superior aos outros e fica julgando todo mundo pela origem.
_ ESSA RALÉ NÃO É DIGNA DE ENTRAR NA MINHA CASA!
_ A CASA TAMBÉM É MINHA! E ELES NÃO SÃO DIGNOS É DE OUVIR ESSAS SUAS PALAVRAS CHEIAS DE ÓDIO INSANO E INCOMPREENSÃO.
Nisso, os amigos de Jewel aparecem, com expressões extremamente tristes. Escutaram toda a conversa e perceberam que não eram bem vindos naquela casa. Uma das femmes falou.
_ Jewel, nós vamos embora. Não queremos causar problemas para você. Desculpe por qualquer coisa.
_ NÃO! Espera, gente. Eu é que peço desculpas. Por favor, fiquem! Os meus pais deixaram que eu chamasse vocês aqui. O que o Prowl falou não vale nada.
_ Valeu, mas... temos mesmo que ir. A gente se vê amanhã na escola.
Sem esperar mais nada os três saíram rapidamente. Jewel só pode observar seus amigos saírem se sua casa como se estivessem fugindo de uma zona de guerra. E então, furiosa, voltou-se contra Prowl.
-TÁ VENDO O QUE VOCÊ FEZ? SEU BABACA , IDIOTA! EU VOU CONTAR TUDO PARA A MAMÃE E O PAPAI QUANDO ELES CHEGAREM. VOCÊ VAI ME PAGAR!
_NÃO FALE COMIGO NESSE TOM, MOCINHA! Você já devia saber muito bem que não deve ficar se misturando com essa gentalha, e muito menos trazer eles para cá. Você devia ter vergonha nessa sua cara.
_ EU TENHO VERGONHA É DE SER IRMÃ DE UM IMBECIL COMO VOCÊ, SEU CRETINO! VOCÊ OS HUMILHOU SEM MOTIVO ALGUM. IDIOTA!
_ ELES SÃO GOBOTS! ISSO É MOTIVO MAIS DO QUE O SUFICIENTE. E sabe o que mais? Vou falar com o papai e a mamãe para te mudar de escola. Precisa melhorar as suas companhias urgente.
_ FALE O QUE VOCÊ QUISER. FODA-SE! EU TINHA PERMISSÃO PARA TRAZÊ-LOS AQUI E É ISSO O QUE IMPORTA.
_ Quer saber o que eu acho, Jewel? Eu acho que você se esqueceu completamente de quem é. E por isso fica se misturando com gente de etnia inferior. Eu penso que você devia procurar gente à nossa altura. Que seja como nós.
_ EU NÃO ME IMPORTO COM O QUE VOCÊ PENSA. ELES SÃO MEUS AMIGOS!
Jewel encerrou a discussão subindo correndo as escadas para ir chorar em seu quarto. Nunca poderia pensar que Prowl pudesse chegar a tanto. Foi a maior vergonha e decepção que já passou em sua vida. Titânia e StarGold foram depois ao seu encontro para consolá-la.
_ Não fique assim, mana! Tudo vai se arranjar. – StarGold acariciava suas costas tentando acalmá-la. A adolescente não parava de soluçar.
_ Ele não podia ter feito isso. Foi o maior vacilo! E agora? Como é que eu vou conseguir encarar eles amanhã?
_ Eles viram que não foi culpa sua. E você os defendeu. Eles vão te entender. – Titânia depositou um beijinho na testa da irmã mais velha.
_ Isso mesmo! Amanhã você pede desculpa de novo pela babaquice do nosso irmão e tudo vai ficar bem. Você vai ver. E se precisar vamos com você pra ajudar.
Jewel foi se acalmando e sorriu para as irmãs. Ficou encantada de ver que, apesar delas brigarem muito entre si, sempre estavam dispostas a ajudar e apoiar umas as outras.
_ Valeu gente! Valeu mesmo! Eu fiquei muito mal com tudo isso, mas vocês me ajudaram a levantar. Brigada!
Titânia e StarGold deram uma beijinho em cada lado do rosto da irmã e a abraçaram com ternura.
_ Não gostamos de te ver triste. Então abraça a gente e volte a ser a chata irritante de sempre.
_ Uh uh uh uh! Minhas pestinhas de lata!
Jewel abraçou-as de volta, sentindo todo o carinho que elas possuíam. Ficaram um bom tempo assim, até começarem de novo com a velha disputa de quem vai ver o quê na TV. Afinal, irmãs não são irmãs se não brigarem de vez em quando, né?
