Penúltimo capítulo :)
...
Orochimaru tremia ao lembrar do pequeno Naruto. Na voz rouca e nas respostas prontas. Na pele macia... E tremia ao pensar em como Minato se sentiria vendo o que ele iria fazer com sua pequena cria. Orochimaru queria que ele visse. Todo aquele espetáculo era por ele. O loiro de olhos azuis, sempre o mais talentoso, inteligente, bonito e inalcançável. Ele amara Minato, e odiara Minato.
E agora tinha sua pequena miniatura em suas mãos. E finalmente poderia fazer o que sempre quis, desde o momento em que o pequeno cruzou a soleira da sua casa.
Riu e tocou os lábios finos e sentiu o ferimento da mordida. Dispensara os seguranças e Kabuto. Queria estar só naquele momento. Dez minutos. O que Naruto faria?
Se entregaria ao desespero? Lutaria? Ele sempre lutou todos esses anos, como foi bom ver seus espírito se quebrando aos poucos. Tudo o que ele queria era que ele ficasse dócil, se rendesse. Era seu objetivo. Sua vida dependia disso.
Foi quando sentiu o cheio estranho. Fumaça?
Se levantou de um pulo e viu a névoa branca descendo a escada. Vinha de cima.
– Naruto!
Pegou as chaves e correu. Não! Aquela criança maldita não daria fim a própria vida! Ela pertencia a Orochimaru, e somente a ele.
Abriu a porta e a fumaça o engolfou. O procurou por todos os lados, ele devia ter desmaiado. Correu a pilastra e soltou com alvoroço as correntes, e depois foi procura-lo em meio a fumaça.
Tarde demais percebeu seu erro.
Viu a porta bater e correu a ela. Teve um vislumbre de Naruto com o rosto coberto com trapos molhados e se amaldiçoou. A criança era mesmo uma raposa! Se não tivesse as chaves ficaria trancado ali e morreria. Teria que admitir, o pequeno estava saindo melhor do que a encomenda.
Engoliu fumaça e tossiu forte enquanto saia do sótão. A inalação o deixou zonzo, mas sabia que Naruto não conseguiria correr com tantos machucados. Em um embate corpo- a – corpo, aquela raposinha seria sua. Não esperaria um segundo para isso mais. Ele o teria ali mesmo, ele querendo ou não. Anteviu o prazer e apressou o passo. O pegou na escada. Passou os braços com força ao redor do garoto, mas não esperava que ele se jogasse com ele pela escada. Foi tudo rápido. Em um momento Orochimaru o teve nos braços. Sentiu o calor e o cheiro tão parecido com o de Minato. No momento seguinte sentiu a dor forte e estavam voando pelos degraus.
O rosto loiro foi a última coisa que pensou antes de cair na escuridão.
Hinata
Senti os braços ao redor de meus ombros magros e o perfume de cerejas. Sakura acariciou o meu cabelo e me recostei em seu ombro. Estávamos no sofá da minha casa. Sasuke falava com o irmão pelo celular. Neji e Ten Ten distraiam Hanabi no quarto.
– Hinata... – a voz dela era hesitante. – Eu sinto muito pelo pingente da sua mãe.
– Tudo bem. –limpei meu rosto. Eu não conseguia parar de chorar. – Foi coisa de criança.
–Mas foi cruel, eu não sabia o que fazia na época, e você nunca deixou ninguém se desculpar.
– Eu fui uma idiota. Desculpe pela bomba também...
Ela me abraçou e notei que chorava: - Ele vai voltar. Você vai ver. Ele vai voltar.
Sasuke veio até nós. Estava mais pálido que de costume.
– Eles encontraram a casa. – falou em um murmúrio. – Em chamas.
Eu não ouvi mais nada. Só me deixei apagar enquanto braços magros me amparavam.
–-
Kurenai saltou do carro quase em movimento e correu. Sentiu Itachi em seu encalço. Quando chegou ao local, viu o que já notara de longe na estrada. A casa ardia em chamas. Caiu de joelhos no chão cheio de pedregulhos.
–Tem certeza? - a voz quase não saiu.
– Sim. – Itachi respondeu baixo. – Kurei, eu lamento...
Olhou as chamas laranjas, da cor favorita de Naruto. Itachi passou os braços ao seu redor, mas ela não sentia mais nada. Seu irmãozinho. Sua raposinha.
Podia sentir a presença de Jiraya e Hiashi que chegavam ao local e viam o mesmo que ela. Queria correr para aquela casa e tira-lo de lá, como fazia há anos. Mas o que pensou era que tudo aquilo era sua culpa. Tudo aquilo.
Deixou o grito se formar na garganta junto com as lágrimas. Prendeu os punhos até que as unhas cortassem as palmas das mãos e gritou para o céu.
–NARUTO!
