Data: 24/10/2012

Word Prompt: Apply (aplicar), defy (desafiar) e/ou rely (contar com)

Obcecado por sua vingança e busca por poder, Sasuke nunca colocou em sua lista de prioridades a conquista do sexo feminino. Tinha as suas necessidades como qualquer outro homem, mas supria-as apenas quando a vontade se tornava insuportável. Porém, não era esse o caso; não foi descontrole das suas vontades carnais que o levou a responder ao beijo de Sakura nem a agarrar os cabelos dela e trazê-la para mais perto.

A boca dela, tão insistente e desesperada quanto a sua, não o deu oportunidades de pensar sobre assunto – não que ele quisesse. Desfrutava das sensações inéditas que os lábios de Sakura lhe proporcionavam. Em todos esses anos que a conhecia, jamais imaginava que ela tivesse lábios tão doces, cabelos tão macios e uma cintura tão fina e curvilínea.

Quando ele a pressionou mais fortemente contra a parede, Sakura entreabriu os lábios para soltar um arfar ao mesmo tempo de prazer e surpresa, e ele aproveitou para infiltrar a sua língua entre eles para encontrar a dela. Foi então que ela soltou um gemido estrangulado que reverberou por todos os ossos dele.

Sasuke tirou uma das mãos do cabelo dela para descer até a cintura dela, onde a sua outra já começava a exploração. Os pequenos dedos dela massagearam o seu couro cabeludo.

Ele levou as mãos para a parte posterior dos joelhos dela para suspendê-la até que os seus quadris estivessem alinhados, e ela envolveu a cintura dele com as longas pernas. O gemido que ela soltou foi como música para os seus ouvidos e um eficiente exterminador do que restava da sua racionalidade.

Sem quebrar o beijo, carregou-a até a cama onde a depositou sem nenhum cuidado com a ferida dela – não por maldade, mas simplesmente porque não conseguia se lembrar de qualquer ferimento (ou qualquer outra coisa) enquanto Sakura o acariciava por baixo da blusa e o beijava com fervor.

Urgentemente ele imitou-a, tocando a barriga e depois os seios dela, levando consigo a blusa dele que ela vestia. Quando Sakura levantou os braços Sasuke não teve dificuldades de interpretar aquilo como um incentivo e tirou a blusa, jogando-a em algum canto do quarto, logo em seguida fazendo o mesmo com a sua. Os seios totalmente descobertos dela chamaram imediatamente a sua atenção, e ele não perdeu tempo para brincar com eles com os dedos e com a boca, arrancando mais um gemido da bela mulher abaixo de si.

Aquilo já era melhor do que qualquer sessão de sexo que ele tivera em toda sua vida – Tatsuki nem chegava aos pés de Sakura – e ele nem tinha tirado as calças ainda. Era como se ele tivesse encontrado algo que há muito procurava sem saber. Quando mordiscou o mamilo dela e ela passou uma perna por sua cintura, trazendo a sua ereção para onde ela gritava por entrar, ele soube que o próximo desafio seria fazer com que a sua mão – ou outra mulher – iludissem-no de que conseguiria imitar a sensualidade quase inocente da sua antiga companheira de time quando ela fosse embora.

De repente ele parou com a boca grudada no seio dela.

Merda.

Quando ele permaneceu assim, imóvel, por quase um minuto, Sakura enfiou novamente a mão no cabelo dele e o chamou: "Sasuke?"

Ele ainda demorou para reagir e, quando o fez, apoiou-se nos cotovelos para encarar aqueles enormes olhos verdes sob uma testa enrugada.

Péssima escolha.

"O que foi?" ela perguntou baixinho, afastando com carinho a franja da testa dele.

Respirando descompassada e rapidamente, Sasuke enterrou o rosto na lateral do pescoço dela, sentindo o cheiro da pele e dos cabelos.

"Sasuke, está tudo bem?"

Não, Sakura, não está tudo bem. Está tudo uma porra de uma tragédia.

Ele ergueu o rosto novamente, porém, cuidadoso desta vez para não cometer o erro de olhar nos olhos dela, apressou-se em beijá-la intensamente, calando-a e evitando uma possível pergunta.

Beijou-a longa e profundamente, fazendo questão de saborear cada canto da boca dela.

O último.

Encerrou o beijo e se levantou do corpo seminu dela e da cama. Preciso sair daqui.

Ela ainda o chamava quando ele saiu a passos largos do quarto.

Xxxxxx

Sasuke voltou para casa próximo do meio-dia. Sakura estava a sua espera, sentada na cadeira da cozinha, a comida já posta. Ela se pôs de pé assim que ele passou pela porta.

"Onde esteve?" ela quis saber preocupada, e não com raiva, como ele esperava que estivesse, e de olhos arregalados acrescentou: "E o que aconteceu com a sua mão?"

"Não é nada," ele respondeu tentando esconder as suas mãos ensanguentadas e passou por ela para ir até o banheiro da suíte.

Ela o seguiu.

"Sasuke, por favor, olhe para mim." Ele não o fez e continuou a marchar. "O que aconteceu? Lutou com alguém? Foi por isso que saiu com tanta pressa e zangado? Detectou alguém nas redondezas?"

"Não," ele respondeu – sem querer falando a verdade, pois o seu objetivo inicial era apenas calá-la. Entrou no banheiro e com brusquidão abriu a gaveta debaixo da pia – quase a arrancando de lá – e dela tirou bandagens, algodão e antissépticos.

"Sasuke, está me assustando."

Ao invés de responder, ele mais uma vez passou por ela como se ela não existisse e, com os itens em mãos (machucadas), saiu do banheiro e se sentou na cama.

"Sasuke, por favor. Diga-me o que aconteceu."

Ele abriu o frasco de antisséptico, a sua visão periférica captando que ela também se sentou no colchão, na sua frente.

"Sasuke –"

"Não, Sakura!" ele gritou, fitando os olhos verdes arregalados pelo susto. "Não aconteceu porra nenhuma!"

Não posso que fique falando o meu nome desse jeito.

Derrotada, ela lambeu os lábios – lábios estes que poucas horas atrás o levaram a loucura.

"Eu sinto muito se fiz algo errado," ela murmurou apologeticamente.

Sasuke suspirou. Por que raios esta maldita expressão dela o derrubava tão facilmente? Pegou o algodão e molhou no antisséptico.

"Deixe que eu faço isto," ela pediu, estendendo as mãos.

Ele balançou a cabeça. "Consigo sozinho."

"Por favor."

Ao levantar os olhos para ela, Sasuke viu que os dela estavam determinados. Não vou ganhar essa. Suspirando, ele passou os produtos para ela e deu-lhe a sua mão para que ela a tratasse.

Quase desistiu da ideia quando os dedos dela tocaram os seus. Silenciosa e delicadamente Sakura aplicou o algodão nos nós dos seus dedos, onde havia muitos arranhões e cortes abertos. O antisséptico ardia, mas ele quase não se deu conta da dor. Estava concentrado demais na pele de Sakura na sua – de onde nenhum dos dois tirou os olhos.

Instantes depois ele a ouviu fungar e ele se aventurou a fitá-la, em seguida se arrependendo de tê-lo feito. Lágrimas escorriam pelas bochechas dela.

E ele odiava ver lágrimas no rosto dela.

Sasuke engoliu em seco. "Sakura, pare de chorar."

Ela apenas apertou os lábios e continuou a tarefa.

"Sakura, não estou zangado com você," ele tentou confortá-la.

"Então o que está comigo?" ela perguntou, o seu choro se intensificando. "Porque, se você diz que não brigou com ninguém, eu não consigo imaginar outra razão para você ter saído correndo daquele jeito e voltar gritando comigo."

"Não estou zangado com você," ele repetiu, sem saber o que dizer.

Ela mordeu o lábio inferior a se concentrar na mão dele, as faces se avermelhando. "Eu sinto muito."

"Foi um erro," ele acabou por dizer após uma pausa e mais lágrimas rolaram. Queria esclarecer a ela que não era, na verdade, um erro incorreto – se é que isto fazia sentido – apenas que não era sábio – e nem saudável para a mente e corpo dele – e ele senti-la daquela forma devido as circunstâncias. Porém, as palavras não vieram, como era de se esperar de alguém que não tinha a menor habilidade para confortar alguém e que não estava acostumado a se explicar.

Por ela ter continuado a chorar com pequenos soluços, Sasuke decidiu sair da sua zona de conforto e colocou dois dedos da mão que ela não tratava sob o queixo dela, obrigando-a a encará-lo.

"Escute o que eu vou te dizer," ele falou. "Eu não quero machucá-la. Só isso."

E nem a mim.

Ela assentiu não muito convencida, pegando as bandagens para enfaixar a mão dele.

"Sakura –"

"Eu já entendi, Sasuke," ela o interrompeu, lançando um sorriso obviamente forçado. "Apagarei da memória o que aconteceu."

Queria ele poder fazer o mesmo.