Acabei voltando à realidade. Voltei pra Nova York e voltei ao meu trabalho.
Tudo igualzinho.
Só que numa sala maior, com uma janela panorâmica igualzinha à do Miroku. De frente para o Central Park.
Amei.
Bom, pra falar a verdade, eu pensei que fosse ficar mais empolgada para voltar ao trabalho. Tudo bem que eu ainda não havia sido promovida, só havia recebido uma sala maior e um aumento básico, mas não estava curtindo tanto quanto pensei que fosse curtir.
Quer dizer, era tudo bem legal e tal, mas faltava alguma coisa.
E vocês sabem muito bem o que era.
De qualquer forma, tirando essa parte, as coisas estavam fluindo bastante bem. Eu havia voltado ao ritmo normal de trabalho, não aquela maluquice que eu estava antes. E logo que eu cheguei Jakotsu me veio com uma notícia ótima!
-Di-va! Que saudades de você! – ele disse todo serelepe quando entrou na minha sala no dia em que eu voltei ao trabalho depois de chegar de Paris. Ele se aproximou, me deu um abraço e o usual estalinho e foi andando direto para a janela, sacando um binóculo da bolsa.
-Posso saber o que você está fazendo, Jakotsu? – eu perguntei, sentando de novo na minha cadeira.
-Ah, bom, estou tentando ver os caras gostosos da firma imobiliária lá do outro lado do parque. Eu já tentei fazer isso na sala do Miroku uma vez, mas ele disse que ninguém olharia homens pela janela dele enquanto ele fosse vivo. E olha a minha cara de quem vai na sala do Naraku fazer isso! Você não se importa, né?
-Não, fique à vontade.
-Mas me conte! – ele voltou da janela e sentou-se na cadeira em frente à minha mesa –Como foi Paris?! Encontrou com o gato?
Eu me assustei.
-Que... Que gato?
-George Clooney. "Como que gato?", diva? O seu gato! Por acaso eu sei que ele também foi à França.
-Como você sabe?
-Ora, pra que servem os amigos? Logo depois que você viajou, eu me encarreguei de ir à casa daquela bruxa anoréxica avisá-la de que, "infelizmente", as aulas dela com você estavam canceladas, porque agora você estava mil vezes mais ocupada.
Eu arregalei os olhos.
-Jura?
-Um-hum! – ele balançou a cabeça e cruzou as pernas.
-Ai, meu Deus! O que você quer? Um milhão de dólares? Um carro novo? O George Clooney? Eu arranjo pra você!
-Ah, pare, senão eu levo a sério! – ele riu.
-Jakotsu! Você é ainda melhor do que eu pensava! Mi livrou do meu maior pesadelo dos últimos tempos!
-É, foi! – ele sorriu orgulhoso.
-E o que ela disse?
-Ah, você nem acredita. Simplesmente deu de ombros e disse que era uma pena, mas que agora ela podia se virar sozinha, que contrataria alguém para ensiná-la tudo o que ela deveria saber, já que os seus ensinamentos não estavam surtindo efeito nenhum no Taisho, que ele até tinha ido para a França sem avisá-la ou convidá-la, e que nem tinha reparado que ela agora usava um tom diferente na maquiagem dos olhos!
Eu me recostei na cadeira e deixei o queixo cair.
-Só isso? Nenhum "Muito obrigada por todos os sábados desperdiçados, obrigada pelo esforço para não perder a paciência quando eu dava uma de garotinha mimada!"? Nada?
-Necas! Ela nem me ofereceu um café, se você quer saber. Eu teria recusado, sabe-se lá o tipo de veneno que ela iria por, mas mesmo assim!
-É inacreditável... Não me admira que Miroku não queira que ela seja madrinha de nenhum dos filhos dele.
-O que? O que foi que você disse aí? – ele foi logo perguntando, quando me ouviu sussurrar a parte sobre o Miroku.
-Ah, não, nada! Só estava dizendo como ela é digna de todas as roupas horrorosas de poliéster que tinha.
-É. Bom, sei lá. Só espero que da próxima vez que ela for dançar com alguém, seja um cara bem gordo que pise no outro pé dela.
Eu ri. Era bom estar de volta.
-Mas me conte! Você encontrou ou não com o gato?
-Ah, bom... Encontrei, mas não aconteceu nada.
-O quê?! Como assim, não aconteceu nada? Paris é o lugar onde as pessoas ficam mais inspiradas a dar uns amassos, amiga! Como é que não houve nada?
-Ah, sei lá! Nos encontramos no teatro! Quem é que se agarra num teatro?
Eu havia decidido não compartilhar a minha noite bêbada com Inuyasha com mais ninguém além de Sango. Quanto menos confusões e fofocas, melhor.
-Ai, você é tão tolinha! Pois eu digo que se agarrar atrás de uma cochia é o máximo. O perigo aumenta o tesão, diva.
-Devo presumir que você já se agarrou com alguém em algum teatro, Jakotsu?
-Há! É mais fácil contar os teatros onde não me agarrei com ninguém. Mas isso não vem ao caso. O caso é que tenho um presentinho pra você.
Ele abriu a bolsa e tirou um envelope.
-Não conte á ninguém. Cometi um crime para conseguir isso. – e me entregou.
Eu tive que me controlar para não engasgar com o meu suco quando vi o conteúdo do envelope.
Simplesmente Jakotsu havia me presenteado com algumas fotos de Inuyasha jogando basquete. Sem camisa. Muito suado. Ele, Miroku, Sesshoumaru e uns outros dois caras que eu não conhecia. Eram bem recentes, porque dava pra ver Rin sentada em uma cadeira fora da quadra em uma das fotos.
E, vou te contar. É bem difícil isso acontecer. Três amigas conseguirem caras totalmente demais ao mesmo tempo.
Tudo bem, eu ainda não havia conseguido Inuyasha, oficialmente, mas dane-se.
Miroku fazia jus a todo o charme que fazia questão de esbanjar todos os dias. Um "uau" de corpo.
Sesshoumaru totalmente me surpreendeu. Não que eu não soubesse que ele era gostosão, mas é tão sério que é difícil imaginá-lo tão descontraído como numa partida de basquete com o irmão e os amigos. Os dois desconhecidos era bonitos, mas um tanto magricelas.
Agora... Ah, céus.
Eu sei que já disse o quanto Inuyasha me parece perfeito em todos os sentidos. Mas, uau, ele é mesmo!
Quer dizer, dá pra lavar roupa no abdômen dele! E acho que os braços têm o diâmetro da minha coxa, por Deus!
E lá estava aquela tatuagem.
Lembram? Da tatuagem que eu vi pela primeira vez no clube, uma cruz medieval no braço direito? É, ainda estava lá, no bíceps imensamente maravilhoso do homem mais lindo que eu já vi.
-Posso falar, diva? Seu gato é melhor do que o cara da manutenção da máquina copiadora.
-É... Ele é...
-E você me diz que não se agarrou com ele em Paris. Amiga, se ele fosse do meu time, eu posso enumerar pelo menos cinco coisas impróprias para menores que eu faria com ele em Paris.
É, eu também. E se embebedar seria uma delas. Tomar banho juntos também.
-Posso perguntar como você conseguiu isso?
-Ah, bom, eu mandei um fotógrafo.
-O quê?
-Bom, eu ouvi Miroku no telefone com ele combinando o tal jogo, e eu não sou bobo, diva! Tratei de mandar um conhecido que me devia uns favores para guardar esses momentos tão preciosos. Só não mostre a ninguém. – ele se levantou. – Bom, eu já vou. Tenho que trabalhar. Venha me visitar lá embaixo um dia desses, ok?
-Certo, pode deixar. Obrigada pelo... Presente.
Ele piscou, jogou o cabelo (imaginário) pra trás do ombro e foi embora.
E eu voltei pra casa pronta para passar o resto da noite olhando para o tanquinho onde eu não levei roupa em Paris.
Bom, pelo menos eu já havia aproveitado de tudo aquilo uma vez, não?
Ai, que coisa mais... Eri!
Pois é, eu fui pra casa, sonhando com coisas difusas, e tomei um susto ao ouvir do porteiro:
-Senhorita Kagome, boa noite! A senhorita tem visitas!
Meu coração parou. Eu me virei lentamente na direção onde o porteiro olhava com uma cara de cúmplice e quase desabo do salto quando vejo quem eu nunca, nem em um milhão de anos, esperaria ver no meu apartamento ao voltar do trabalho.
E Eri estava lá, totalmente servindo de recepcionista!
-E Kagome é, de verdade, a melhor companhia se você quer sair para... Bom, paquerar, porque ela é toda lindona e chama a atenção de todos os caras. Oh, mas presumo que você não esteja muito interessado nos homens que ficam mexendo com ela, não é?
-É, não é uma coisa que me agrade muito. – ele disse com um sorriso.
Foi nessa hora que os dois me viram e se levantaram do sofazinho do hall de entrada.
-Kagome! Veja quem está aqui! – Eri fez questão de me mostrar.
-É, estou vendo! – eu o abracei. – O que está fazendo aqui?
-Ora, não posso mais visitar a minha filha?
-Ai, pai, claro que pode, mas é um pouco inesperado!
Meu pai me sorriu e me deu um pacotinho embrulhado.
É, gente, meu pai. Quem vocês pensaram que era?
-Quando chegaram do Egito?
-Ainda agora. Mas não vamos ficar por muito tempo, estamos de saída para a Tailândia.
-Uau, Tailândia?
-É, sua mãe esteve conversando com o agente de viagem e ele nos apresentou essa opção. Estão com uns preços ótimos!
-Que... Exótico!
-É. Sua mãe cismou que quer comer grilo pelo menos uma vez na vida.
-E onde ela está?
-Ah, ela já vem. Foi visitar Souta.
-Bom, pessoal, eu já vou. – Eri disse. – Sr. Higurashi, foi um prazer!
-Todo meu, minha jovem. – ele disse, apertando a mão que ela estendia.
-Te vejo depois, Kagome!
-Ok. – E ela foi embora. – Vamos subir, pai!
E nós assim o fizemos.
-Está em ótimo estado, o seu apartamento, querida.
-Pensou que estivesse destruído? – eu perguntei, oferecendo licor a ele.
-Não, mas você sabe... Um pai sempre se preocupa se os filhos ficam dando festas em sua ausência. Ainda estou traumatizado com aquela festa que o Souta deu na piscina, quando tinha 17 anos, lembra?
-Ah... Lembro. Quando ele achou que seria normal manter duas namoradas.
-É. Que problema...
-E como estava o Egito?
-Quente! Sua mãe e eu gastamos uma fortuna em garrafinhas de água.
É divertido conversar com meu pai. Ele é do tipo de pessoa que você tem uma tendência a contar tudo.
Foi por isso que eu achei que não seria problema contar a ele sobre Inuyasha quando ele me perguntou como eu estava no quesito namorados.
-Ah, bom, meio devagar. Ando meio parada desde que terminei com Jimmy.
-Ah, sim. Uma pena mesmo. É um ótimo rapaz, o Higthel.
-Sim. Bom, mas há um outro... Rapaz.
-Mesmo? Sério como Jimmy?
-Bom, mais ou menos...
Como é que você deve contar ao seu pai que está apaixonada pelo noivo de outra e que inclusive já transou escondido com ele na festa de aniversário do melhor amigo dele?
-Como mais ou menos? Você gosta dele?
-Ah, uau, gosto, pai.
-E ele gosta de você?
-É, acho que sim. Sim, ele gosta.
-Então qual o problema?
-Bom, o problema é a... Noiva dele...
-Noiva? Oh, querida! Isso é complicado!
-Nem me fale! Já não sei mais o que fazer, de verdade. Já tentei de tudo, desde deixar a tal noiva pra lá, até mandá-lo me esquecer. Mas nenhuma dessas é uma solução boa o suficiente.
-Porque em nenhuma das soluções ele é totalmente livre pra você. Não é?
-É.
-Bom, só posso te aconselhar que, como diria o guru espiritual que sua mãe e eu conhecemos na viagem, deixe o mundo agir por si só. Se tiver que ser, e se ambos quiserem isso o suficiente apesar das adversidades, vocês vão acabar vencendo os obstáculos. Ou uma coisa assim.
Eu pensei naquele conselho. Deixar o mundo agir por si só. Parar com os planos e com as armações para nos encontrarmos, ou parar de tentar fazer ciúmes nele com outro cara.
Deixar o cosmos agir.
Ou qualquer coisa assim.
Depois disso, minha campainha tocou e minha mãe surgiu, vestida com roupas da minha coleção de primavera, da cabeça aos pés. E Souta estava com ela.
E nós passamos um tempão conversando sobre o Egito, Paris, Harvard, basquete, e gurus espirituais.
Um momento em família pode nos revigorar de verdade.
--
Bom, acabou que meus pais voltaram aos planos de dar a volta ao mundo e partiram para a Tailândia. Souta voltou para Harvard depois de passar uma semana dormindo no quarto de hóspedes da minha casa. E a vida, finalmente, parecia estar voltando ao seu ritmo normal. Mesmo que fosse um tanto chato ficar sozinha depois de passar uma semana jogando vídeo-game com o seu irmão todas as noites antes de ir dormir.
Mas eu supero.
O caso é, depois de umas duas semanas sem que nada acontecesse, Miroku bateu na porta da minha sala me convidando para o brunch que ele promove todos os anos.
-Geralmente eu faço um mega-evento, sabe, com celebridades e tudo o mais... Mas eu estava pensando em fazer uma coisa mais pessoal, o que acha? Só os amigos e familiares? Como numa reunião?
-Acho uma idéia ótima! Acho um tanto cansativo ter que ficar sorrindo pra todas aquelas pessoas que eu não conheço.
-É uma boa idéia, então? Ótimo! Então você está encarregada de ajudar na preparação de tudo. – e já ia saindo.
-Ei, ei ei! Peraí! Como assim, preparação? Eu não entendo nada de preparar brunchs, Miroku!
-Ah, não, não se preocupe! Eu não seria maluco de colocar você para organizar tudo, minha flor. Você só vai seguir as ordens dos meus especialistas.
-Ordens?
-É, coração. Eles vão te dizer direitinho o que fazer.
-Ai, não sei.
-Ah, vai, por mim?
Eu o olhei, e ele já estava de joelhos ao lado da minha cadeira, segurando a minha mão.
-Ah, vai. Ta bom. O que eu não faço por você?
-Você é perfeita. Obrigado! – me deu um beijo na bochecha e foi embora.
-Espera! Quando é?
-Ah, semana que vem, na casa dos pais de Inuyasha. Vai ser uma coisa meio informal, como uma festa na piscina, então tudo bem você usar seus chinelos.
Uôu! Volta a fita e pára.
-Na casa de quem?
-Dos pais de Inuyasha. Por quê? – ele me olhou por um tempo. –Ah, é certo! Esqueci!
Entrou de novo na minha sala e pegou um papel.
-Você não tem o endereço. Aqui está. É fácil de achar, é a maior casa da rua, você não vai se confundir. Agora com licença que eu ainda tenho que ligar para Sesshoumaru.
E saiu.
Simples assim. Ele me joga na cara a bomba de que eu vou ter que acatar as ordens de um monte de gente que eu não conheço, e ainda por cima na casa dos pais de Inuyasha.
Entenderam? Casa dos pais do Inuyasha é igual a presença do próprio Inuyasha que é igual a Kikyou, que é igual a horas aturando cenas de "Ele é meu noivo, e não seu.".
Que ótimo.
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A semana seguinte foi estranha. Tudo o que se comentava na empresa era como Miroku havia restringido o brunch anual só para familiares e amigos muito íntimos, e todos estavam se perguntando se seriam ou não convidados. Eu era parada por pelo menos quatro pessoas todas as vezes que saía da minha sala por algum motivo, todas me perguntado se havia uma espécie de senha que se precisasse saber, qual era o critério que ele estava usando para classificar os amigos como íntimos ou não, e perguntando também se era verdade que a Jennifer Lopez estaria lá.
Sim, porque o Miroku teve um rolo com ela uma vez, quando ele produziu a festa surpresa que ela organizou para a mãe dela.
Mas até onde eu sei, ela não estaria lá. Porque acho que Sango não gosta muito dela.
Só sei que, de repente, a empresa toda parecia ser o colegial, onde todos os alunos queriam ser convidados para a festa do garoto mais popular.
Ah, que legal! Eu fui uma das primeiras convidadas do garoto mais popular!
De qualquer modo, eu meio que entrei em parafuso essa semana. Além de ter que escolher direitinho o que eu usaria (apesar de ser uma festa onde se usariam chinelos e bermudas, era também uma festa onde se deveria combinar direitinho o dito chinelo e a dita bermuda. Miroku não é bobo. É claro que há algumas celebridades e modelos na lista de amigos íntimos dele), ainda tinha que me preparar para receber ordens e passar o domingo inteiro olhando para a cara de Kikyou. E de Inuyasha com Kikyou.
Eu quase fico maluca.
Então, quando a manhã de sábado chegou, eu estava totalmente pronta para ir até a casa dos pais de Inuyasha, fazer tudo o que mandarem eu fazer, passar duas horas sorrindo para todos e sair logo depois do almoço, com a desculpa de uma dor de cabeça horrível.
Miroku disse que, como desta vez eu era parte do staff, eu iria me arrumar lá mesmo, não haveria tempo de voltar pra casa e me arrumar, e, segundo as palavras de Miroku, eu sou "mais lenta que uma lesma com cólicas" para me arrumar.
Então, às oito e quinze da manhã, lá estava eu, na porta da casa mais linda que eu já havia visto em toda a cidade, olhando Rin correr até mim pelo caminho de pedras no meio do jardim imenso.
-Kagome! Kagome, aqui! – ela estava acenando para mim. – Ótimo, que bom que você chegou! Jaken, você pode levar o carro dela para a garagem, por favor?
E aí, do nada, apareceu atrás de mim um homem mais baixinho do que Kana, a pele era tão enrugada que eu jurava que estava ficando verde. Ele pegou a chave do carro e saiu para estacioná-lo.
Eu fiquei olhando o carro se afastar, preocupada. Quer dizer, não dá pra relaxar sabendo que tem uma pessoa baixinha daquelas dirigindo seu carro, dá? Eu estava com dúvidas se ele enchergaria alguma coisa acima do volante.
-Jaken é o motorista dos Taisho há anos. Acho que a pessoa que ele mais respeita no mundo é o Sesshoumaru, até mais que o próprio Inutaisho. Ele diz que "o jovem senhor Sesshoumaru é um homem de honra e muito respeito, e que merece a mais digna vida.". Foi bastante difícil para que ele me aceitasse, na verdade. Demorou alguns meses até que ele me chamasse de Senhorita Rin.
-Bom, como ele a chamava antes?
-A convidada.
-A convidada?
-É. Sempre que eu vinha, ele dizia: "A convidada deseja mais chá?", "A convidada está servida de mais champanhe?", "A convidada vai passar a noite aqui?", "Vou mandar preparar o quarto de hóspedes para a convidada". Sesshoumaru sempre tinha que repetir que eu ia dormir no quarto dele.
-Uh, sexy.
-Cale a boca.
É sempre engraçado ver Rin ruborizar! Mesmo que ela esteja sorrindo com o comentário.
-Já está tudo bem movimentado, não está? – eu comentei quando olhei para aquele exército de garçons indo e vindo trazendo coisas para arrumar a tenda imensa que havia ao lado da piscina.
-É, tudo começou bem cedinho. Eu acordei com Sesshoumaru fechando a janela com raiva do barulho que eles estavam fazendo.
-Você dormiu aqui?
-Oh, estou dormindo aqui há três dias! Sesshoumaru nunca me deixa ir embora. – ela voltou os olhos que antes miravam uma certa janela sonhadoramente, e olhou para mim. – Você trouxe suas coisas? Sabe que está convidada a passar o fim de semana, não é?
-Ah, é, sei, Miroku me avisou, mas eu acho melhor não.
-Porque não? Seria tão divertido! O café da manhã que Izayoi manda preparar quando tem convidados é impressionante!
Eu sorri. Era lógico que eu não ia passar o fim de semana ali. E ter que aturar... Ah, vocês sabem os meus motivos.
-Bom, aposto que você vai se convencer quando conhecer Izayoi e Inutaisho, eles são adoráveis! Venha, eu vou te mostrar o seu quarto.
Eu parei.
-Meu quarto?
-É, o que você iria ocupar caso dormisse aqui. É lindo, eu vi. E não é muito remoto. Se eu não me engano, é ao lado do quarto de Inuyasha.
Engasgo básico. Relevem.
-Você tem sorte. Logo que Kikyou começou a vir aqui, Izayoi me contou que fazia questão de colocá-la no quarto mais distante de todos na casa inteira. Foi um problema quando ela começou a dormir no quarto de Inuyasha. Izayoi de verdade o proibiu de fazer qualquer espécie de barulho que pudesse levá-los a pensar que eles estavam...
-Ok, entendi. Onde é o quarto?
-Ah, bom, vamos entrar que eu mostro.
Nós demos uns três passos e um mordomo veio correndo ajudar com a bolsa onde continham minhas roupas de trabalhar, a roupa da festa e uma reserva, caso algo, sei lá, derrame em cima de mim.
Mas vou te dizer, não era nada como o mordomo da Noiva Cadáver, que era todo engomadinho e cheio de frescura. Esse estava de calça jeans e uma camisa larga. Estava ajudando a montar a mesa de som.
-Olá, senhorita Rin! Amanheceu bem?
-É, na medida do possível quando se tem um monte de gente martelando debaixo da sua janela.
O mordomo deu um sorrisinho.
-É, bom, admito que isso foi um problema. Mas tudo está ficando muito bonito. Acho que será uma festa e tanto! – aí ele me olhou. – Deve ser a Senhorita Kagome! Como vai?
-Vou bem, obrigada!
-Que bom! Venha, vou mostrar o seu quarto.
E eu o segui pela escada. A casa dos pais de Inuyasha era simplesmente deslumbrante! Tudo era lindo e perfeito, mas com um toque pessoal. Um lar de verdade, não uma exposição, como a casa de Kikyou.
As escadas eram iguaizinhas a do palácio da Cinderela! De mármore branco bem brilhante.
-Cuidado com as escadas – o mordomo, Cole, me avisou – São um pouco escorregadias. O tapete está na lavanderia para a hora da festa, então cuidado para não cair.
Foi ele terminar a fala, e eu escorreguei. Tive que me segurar no corrimão. Ele sorriu.
-Não disse? Essa escada sempre deu dor de cabeça ao patrão. Principalmente porque os meninos sempre brincavam se surfe-de-colchão quando pequenos.
-Meninos?
-Sim, Inuyasha e Sesshoumaru. Sempre que recebiam convidados ou tinham uma festa quando eram crianças, todos os colchões da casa viravam pranchas de surfe e eles desciam pela escada até alguém vomitar. Até que um dia o primo deles acabou abrindo o supercílio e eles pararam com isso. O patrão ficou bastante frustrado.
-Nossa. Nunca brinquei de surfe-de-colchão.
Ele parou de subir e me olhou, um tanto travesso.
-Bom, eu não deveria estar dizendo isso, mas é na verdade bastante eletrizante. Eu mesmo já brinquei com os meninos, e inclusive ganhei um troféu.
-Um troféu? Havia premiação?
-Ora, sim! Era um belíssimo troféu feito de massinha, na forma de um colchão.
-Mas que interessante!
-Se essa brincadeira não estivesse banida para sempre dessa casa, eu teria prazer em ensiná-la. – ele olhou para frente – Este é o seu quarto. Fique a vontade, senhorita. Qualquer coisa é só me chamar. E se não me acharem, grite que eu apareço.
-Certo, obrigada. – e com um sorriso muito simpático, ele fechou a porta e foi embora.
E eu me vi sozinha em um quarto deslumbrante.
Eu parecia uma criança. De verdade, eu me sentei na cama e dei um impulso. O colchão mais macio que já deitei. Até mais macio do que o da minha suíte em Paris. Um espelho magnífico no closet, e um banheiro digno da Barbie Princesa. Não dá pra descrever. Era impressionante que um quarto de hóspedes fosse tão lindo.
Eu abri minha mala e estava pronta para colocar minha roupa de trabalhadora que recebe ordens, quando bateram na porta.
-Ah... Entre!
E quando a porta se abriu, minhas suspeitas se confirmaram.
-Ah, ótimo. Providenciaram o que eu pedi. – Inuyasha entrou no quarto e fechou a porta – Bonjour, mon amour. Gostou do quarto?
-Ah, gostei, é lindo.
-Caso ainda não saiba, o meu quarto é aqui do lado. Mesmo que eu ache que uma parede ainda é distância demais, me contento em tê-la dormindo no quarto ao lado.
-Ah, sim, isso. Bom, é provável que eu não durma aqui.
-O quê? Por quê?
-Por que...
-Não quer ficar perto de mim?
-Não é isso, é só que...
-Prometo que não vou atacar você no meio da noite. Só se você me der permissão. Aí eu venho.
-Inuyasha...
-Hmm, sempre é bom ouvir meu nome pronunciado assim. Especialmente por você. – Ele se distanciou da porta e chegou perto de mim. –Senti sua falta. Muita.
Eu fiquei quieta, deixando-o fazer carinho no meu rosto.
-Essa é a parte onde você diz que também sentiu minha falta.
Eu sorri.
-Eu senti.
-Ah, muito bom. Não andou se embebedando com mais ninguém, não é?
-Não.
-Ótimo. Nem eu. Pensei que talvez pudéssemos fazer isso hoje à noite, quando estiverem todos dormindo.
-Hmm, acho que não. Já extrapolei minha cota de bebedeiras por um bom tempo.
-Uma pena.
Ele aproximou o rosto do meu, até que nossos lábios ficassem bem próximos. Muito próximos.
Era sempre perturbador sentir o cheiro dele tão de perto. Mais perturbador ainda era sentir as mãos dele na minha cintura, me puxando contra o corpo dele.
-Nunca fiquei tão ansioso por um brunch quanto fiquei por este.
-E por quê?
Ele estava tão perto que qualquer coisa além de um sussurro parecia desnecessariamente alto.
-Basicamente... Por sua causa.
Eu não consegui resistir e, como quem não quer nada, apoiei minha mão no cós da calça dele, só pra sentir uma partezinha mínima do tanquinho que eu havia admirado durante duas semanas através das fotos que Jakotsu me deu de presente.
E simplesmente não deu pra segurar o suspiro.
-Não me bata se eu disser que estou com vontade de esquecer essa festa toda.
-Não vou bater.
A esta altura eu já estava ficando tonta, as minhas pernas já estavam tremendo, e estava sentindo calafrios, porque o nariz dele estava roçando pelo meu rosto, e ele já estava brincando com o meu cabelo de novo, como ele gosta de fazer, eu reparei.
-Eu tenho que lhe dizer uma coisa...
-Acho que eu deveria ir cumprimentar seus pais... Ainda não os conheci...
-Você terá bastante tempo pra isso depois.
-Depois de quê?
-Depois de eu matar a saudade...
Ah, ele ia total me beijar. E eu confesso que teria correspondido se não tivesse ouvido alguém bater na minha porta, fazendo com que nós dois nos afastássemos depressa.
-Entre!
A porta se abriu devagar e uma mulher muito sorridente entrou aos poucos.
-Kagome? Olá, eu sou Izayoi, a mãe de... Oh, filho, já está aqui!
-Oi, mãe, bom dia! – Inuyasha andou até ela e lhe deu um beijo na testa, enquanto ela só sorriu e deu tapinhas carinhosos na barriga dele.
Uau, ela deve ter total sentido o tanquinho dele. Bom, não que isso faça diferença, quer dizer, é a mãe dele, ora essa!
-Eu vim dar as boas vindas á nossa hóspede! Miroku e Rin me falaram tão bem de você! Estava ansiosa por conhecê-la! – ela chegou perto de mim e me deu um abraço muito igual ao que a minha mãe me dá.
-E Rin me contou maravilhas sobre a senhora.
-Ai, não, sem isso de senhora! Me chame por você, por favor! – ela se virou para Inuyasha. – Já mostrou a casa a ela, meu bem?
-Ainda não, acabei de ver que ela chegou.
-Bom, então eu faço isso. Vá, não sei, vá ver se Miroku está acordado. Não é justo todo mundo trabalhar para o brunch dele enquanto ele dorme.
-Antes vou comer alguma coisa. Ainda não tomei...
-Acorde Miroku primeiro, depois podem ambos comer. Vá, vá. – ela se virou pra mim enquanto Inuyasha saia e piscava pra mim antes de fechar a porta. –Certo, querida, Miroku já me avisou que você vai trabalhar no arranjo dos pratos, não é isso?
-Exato. Eu acho.
-Ótimo. Eu vou estar na cozinha com Rin. Neste momento nós estávamos supervisionando as torradas. De acordo com o chef contratado por Miroku, nenhuma deve ser assada por mais de exatos sete minutos, do contrário ficam duras, e não torradas. Eu estou quase dando com a torradeira na cabeça dele.
Eu ri. Ela era engraçada, a Sra. Taisho. E muito bonita, devo dizer.
-Bom, vou deixar você se arrumar. Se tiver problemas em achar a cozinha, siga o cheiro de assado. Estou fazendo uma carne de arrasar. Até Sesshy admite que gosta, e ele não é muito de elogiar as pessoas. Com licença, querida, e fique à vontade, por favor.
-Obrigada, Izayoi.
Ela foi embora e eu troquei de roupa. Uma bermuda, camiseta e chinelos eram apropriados, eu acho. Eram da coleção de verão de Rin. Bem refrescantes.
Saí do quarto e caminhei até a tal escada.
-Kagome, como vai?
Sesshoumaru. De bermuda e uma camisa azul belíssima.
-Olá, Sesshoumaru! Vou bem, obrigada, e você?
-É, sem levar em conta todo esse barulho e algazarra, acho que vou bem.
Eu não pude controlar.
-Rin, não é? – e apontei para as roupas dele.
Ele olhou para a própria camisa e deu um meio sorriso. E tudo o que eu pude pensar era "Ponto, Rin! Ponto positivo!", porque, uau!
-É, ela disse que ficaria triste se eu não usasse.
-Ela é adorável. - Eu fui descer o primeiro degrau da escada e escorreguei. Sesshoumaru teve que segurar meu braço.
-Essa escada é um problema. Uma vez meu primo...
-Abriu o supercílio surfando no colchão?
-É, como sabe?
-Seu mordomo me disse.
-Cole? – ele deu uma risadinha. Juro! Uma risadinha! – É, Cole é um exímio surfista de colchão. Ganhou um troféu, uma vez. Só perdia para mim e, admito, Inuyasha e Miroku. Cada um de nós tem treze troféus, Miroku tem onze. Não sei onde estão, acho que meu pai jogou fora. Mas o título ainda vale.
-Eu gostaria de aprender a surfar...
-Bom, se surgir uma oportunidade, e seus supercílios e estômago forem fortes, podemos arranjar.
Depois ele me acompanhou até a cozinha, onde Inuyasha e Miroku já estavam comendo qualquer coisa que pareciam sanduíches de presunto, Izayoi falava com as cozinheiras que decoravam um bolo com uma aparência deliciosa e Rin estava olhando com a cara mais entediada do mundo para uma torradeira.
-Se divertindo? – Sesshoumaru perguntou.
-Oh, nossa! Você não sabe o quanto! – ela suspirou, apoiou o queixo na mão e continuou a olhar para a torradeira. Olhou para mim e sorriu – Amei suas roupas!
-Sem querer desmerecer o seu trabalho, bom-bom, mas já se passaram nove minutos. – Miroku falou, do lugar dele na mesa.
-Não a chame de "bom-bom". – Sesshoumaru falou sem nem olhar pra ele, passando direto para a geladeira.
-Oh, droga! – ela bateu no botãozinho e seis torradas pularam para fora. Ela provou uma. –Ah, ora essa, estão uma delícia! Mas já que ele não aceita nada mais nada menos que exatos sete minutos, eu vou comer todas, olha que pena! Alguém quer uma?
-Eu quero! – uma voz se fez presente, e quando eu olhei para trás, Sango estava na porta da cozinha. –Kagome, já está aqui!
-Já, cheguei há pouco.
-Bom, bom, bom, chega de papo! Vamos trabalhar! – Miroku levantou e olhou para os lados. – Ótimo trabalho, Izaioy, ótimo!
-Obrigada, querido. – Izaioy agradeceu.
Ele deu um sorrisinho para ela e se virou para Inuyasha.
-O que você ainda está fazendo aqui, Taisho?
-Comendo? Eu preciso de comida, como qualquer criatura viva no mundo, que tal? – e deu uma mordida no sanduíche.
Adorável.
-Tá, mas quando terminar, vá supervisionar a decoração com Sango.
-Até parece que ela precisa de mim! – e olhou para Sango, todo orgulhoso como se dissesse "Viu? Eu confio na sua liderança!".
-Bom, eu meio que preciso. Estou precisando mover umas mesas, e todos os caras estão com muito trabalho. Poderia receber uma ajuda.
Inuyasha murchou visivelmente.
-Certo, estarei lá em um minuto.
-Rin, meu bem, tente não descontar sua raiva do chef nas torradas, ok? Elas não lhe fizeram nenhum mal.
-Vou tentar.
-Sesshoumaru, já...
-Estava saindo para buscar o tapete e as luminárias. Não fique se achando o chefe. – ele pegou uma torrada com manteiga que Rin lhe oferecia, deu um beijinho nela e saiu.
-Kagome, meu docinho, você já sabe o que fazer. Cuide da louça de ajude Izayoi com os preparativos no bufê, certo? Se sobrar tempo você pode ir ver se as garçonetes estão bem. Elas devem chegar em dez minutos.
-Certo.
-E eu vou ver se está tudo em ordem com a iluminação. Qualquer coisa, falem com Cole, ele me passará qualquer informação.
E saiu da cozinha, acompanhado de Sango. Dos que não deveriam estar ali, só sobrou Inuyasha, que estava enrolando mais do que qualquer pessoa no mundo para comer aquele sanduíche.
-Meu filho, não me entenda mal, mas você não deveria estar ajudando Sango? Pobrezinha, está tendo que empurrar mesas sozinha!
-Ah, bom, eu vou, claro. Mas não agora. Miroku acabou de dar um beijo na orelha dela, e isso significa que eles vão se agarrar em algum lugar por alguns minutos antes de voltar ao trabalho. Não vou ficar empurrando mesas aleatórias só para mudar tudo quando Sango chegar e disser que eu fiz tudo errado.
Izayoi riu e voltou a dar atenção à cozinheira que estava confeitando o bolo de chocolate.
-E o que eu faço? – perguntei.
-Ah, bom, o chef disse que você poderia escolher a louça, decidir qual combina mais com o tema. E depois separar os talheres do café da manhã e do almoço. E também os talherezinhos de passar patês e pastas no pão nos lanchinhos nos intervalos. – Rin me disse, lá da torradeira.
-Ah, bom, tudo bem.
-E também os guardanapos de linho.
-Oh, uau, ok. Onde estão?
-Você tem dez opções, e têm de decidir qual combina mais com cada refeição. Estão todos ali. – ela apontou para o armário atrás de Inuyasha, que sorriu pra mim e deu batidinhas na cadeira ao lado dele, convidando-me a sentar.
Eu fui até o tal armário e achei os guardanapos, as louças e os talheres em questão. Coloquei-os em cima da mesa e passei a fazer o que me disseram para fazer.
-Você está linda. –Inuyasha me disse por trás do sanduíche e da pilha de guardanapos na nossa frente, que meio que servia como uma parede contra Rin, que estava tirando mais torradas e arrumando-as nas bandejas, resmungando coisas como "Vão estar frias e moles na hora que os convidados chegarem, de qualquer jeito, porque eu tenho que fazê-las agora?"
-Bom, obrigada. Termine o seu sanduíche e vá ajudar Sango. – eu não olhei pra ele. A mãe dele estava ali, pelo amor de Deus! Eu não ia correr o risco de ceder à tentação na frente de Izayoi.
-Sango pode se virar muito bem sozinha. E eu ainda tenho que lhe contar aquilo que não contei não seu quarto.
-Ah, ela não pode. Sabe como ela é fraquinha! E podemos falar depois, na hora do brunch.
Ele virou pra frente, colocou o resto do sanduíche na boca e levantou.
-Tudo bem, eu já estou indo. Se tiver alguma comida para jogar fora, me chamem, pode ser que ainda sirva pro meu estômago não-exigente.
Colocou o prato na pia, deu um beijo em Izayoi e caminhou até a porta.
-Quer uma torrada? Aproveite enquanto ainda estão quentinhas! – Rin ofereceu quando ele já estava na porta. Ele pegou e colocou a mão no ombro dela.
-Você é uma ótima cunhada! – e foi embora. Rin pareceu muito satisfeita.
-Ouviu, Kagome? Ótima cunhada!
-Todos gostam de você, aqui, Rin! – Izayoi falou lá da bancada.
Rin, sua sortuda!
--
Depois de escolher os guardanapos e louças, eu agora estava lustrando os talheres.
Rin estava confeitando alguns doces enquanto as torradas... Bem, torravam, e Izayoi agora estava terminando de montar seu assado, que por sinal estava cheirando muito bem, tão bem que atraiu o Senhor Inutaisho em pessoa para a cozinha.
Vou dizer, já sei de onde foi que Inuyasha e Sesshoumaru tiraram toda a... Herança biológica e genética que agrada (muito) aos olhos. Muito bonito, elegante e distinto, o Inutaisho, como ele me pediu para chamá-lo.
-Já tenho gente o suficiente me chamando de "senhor", e me sentiria realmente mal se você me achasse um velho.
Há, até parece! Se eu não estivesse totalmente caidinha pelo filho mais novo dele, eu total abriria uma exceção à minha regra de não me interessar por ninguém com mais de 10 anos de diferença.
Mas agora eu quero mais é que ele me chame de filha e abençoe a minha união com o filho dele.
-Eu vou ver se está tudo bem no jardim. Miroku me pediu que não deixasse ninguém fazer besteira por lá.
-Oh, querido, sobrou até pra você? – Izayoi falou lá do lugar dela.
-Bom, você sabe como eu gosto de me meter nas brincadeiras das crianças, querida.
-Só que não é brincadeira, meu amor. É o trabalho que pode ajudar muito na carreira deles.
-Ah, pra mim as festas de Miroku sempre serão aquelas festas que ele e Inuyasha faziam no colegial, ou no primário. Ou festas de aniversário. Sabe, festas de criança.
-Bom, não deixe Miroku ouvir você dizer isso.
-Tomarei cuidado. Com licença, senhoras, eu estou ligeiramente atrasado para a supervisão. E para o meu drink.
-São oito horas da manhã! Você não vai beber!
-Ah, só um pouquinho, prometo! – e ia saindo, quando Rin o chamou de volta.
-Torrada? – ele voltou e pegou as torradas que Rin oferecia.
-Bom, porque não? Obrigado, meu bem. – e foi embora.
Ficamos só eu, Izayoi e Rin na cozinha. Rin olhou para a Sra Taisho por alguns minutos antes de perguntar algo que também havia me chamado a atenção.
-Izayoi, desculpe, mas eu reparei que você está mais sorridente do que o normal.
-Ah, é você reparou?
-Meio difícil não reparar.
-É, estou contente! – Izayoi mexeu um pouco na carne antes de levantar a cabeça. – Certo, eu não deveria estar comentando, mas não consigo mais me conter! Vou contar a vocês! – e aí ela fechou a porta da cozinha. – Sabe quando comentei com você uma vez que Inuyasha estava cada vez menos paciente com Kikyou?
-Lembro! – Rin respondeu, parecendo interessada.
-Bom, pois é. Acontece que ele terminou com ela quando chegou da França!
Eu deixei cair o garfo que estava polindo.
-Tudo bem, querida? – Izayoi me perguntou.
-Tudo, tudo bem, desculpe, só fiquei meio... Surpresa, eles pareciam tão... Não sei...
-Apaixonados? Oh, bom, ainda bem que isso acabou. O caso é, quando ele veio aqui, depois da viagem, para me entregar a chave da casa, eu o vi, logo que desceu do carro, tirar a aliança do dedo e jogá-la no lago!
-Uau! – Rin exclamou.
-Então, quando eu lhe perguntei o que estava havendo, ele me disse que havia terminado com Kikyou oficialmente.
-Oficialmente? – eu perguntei.
-É, ele disse que já haviam terminado há muito tempo, mas como ela não se tocava, ele resolveu dizer com todas as letras!
Espera aí. Espera aí um minuto.
Ele terminou com ela. Ele terminou com ela!
ELE TERMINOU COM ELA!!
-Ai, finalmente, não? – Rin comentou – Todas as vezes que eu via Inuyasha ele estava com uma cara péssima, e sempre era por causa de Kikyou!
-E tem mais! – Izayoi disse. – Ele me contou uma história ótima! Escutem só: Quando eu perguntei como havia sido a viagem, ele me disse que nunca havia feito uma viagem tão boa, e quando eu perguntei porque, ele disse que havia encontrado com aquela moça misteriosa do trabalho, de quem ele não parava de falar.
Ei, peraí. Essa droga de mulher de novo? E eu aqui pensando em sair correndo da cozinha e ir me agarrar com ele!
-Uh, sério? E ele disse quem é?
-Não, ainda não. Eu perguntei, mas ele disse que só quem sabia era Miroku, porque ele é o único que a conhece, além se Sesshoumaru e Inutaisho. Mas ele prometeu que vai me apresentá-la assim que resolver as coisas com ela. Eu só espero que seja rápido.
-Mas você acha que ela é melhor que Kikyou?
-Tenha certeza! Ele nunca sorriu tanto! E nunca esteve tão bonito, devo dizer. As pessoas ficam mais bonitas quando estão apaixonadas.
Eu terminei de polir o garfo e o coloquei junto com os outros que os garçons iriam levar para a mesa.
-Bom, acho que terminei aqui. Vou começar a me arrumar, demoro anos para conseguir arrumar o cabelo.
-Ah, claro, querida! Pode ir, nós também já vamos daqui a pouco. Até mais!
Eu saí da cozinha cuspindo fogo!
Andei até os jardins e encontrei Cole, o mordomo, ajeitando os arranjos nas mesas.
-Cole, você viu Sango?
-Oh, sim, senhorita! Acho que ela está com Inuyasha e Miroku na área coberta, arrumando as mesas do buffet.
-Obrigada.
Fui andando para a área coberta, que ficava no pátio atrás da casa, perto da casa da piscina.
Encontrei Sango com uma prancheta na mão, e Inuyasha e Miroku arrastando as mesas conforme ela indicava.
-Hmm, ponham essa mais para a direita um pouco, não está alinhada com a mesa. Um pouco mais. Para trás, um pouco, Inuyasha.
-Sango, você já está terminando aqui?
-Ah, oi, Kagome. Estou, só falta essa mesa. Só um minuto. Isso, agora ponham esta ali do outro lado, para balancear.
-Onde?
-Aí mesmo, só um pouco mais para trás, não quero esses fios aparecendo. Isso, perfeito. – ela olhou a prancheta. –Bom, acabei aqui. Posso ir, Miroku?
-Pode sim, meu amor, obrigado.
-O que houve Kagome?
-Vem, vem comigo! – eu peguei-a pelo braço, arrastei-a até o meu quarto, e contei a história.
-Meu Deus, eu já estava toda derretida! E aqueles e-mails que você me encaminhou? Nossa, como ele pode ser tão cara de pau?!
-Kagome, vamos parar pra pensar, certo? – ela disse, sentada na cama que eu dormiria, se fosse passar a noite lá – Rin já deu várias provas de que está super interessada no assunto, e é lógico que se Sesshoumaru soubesse quem é essa tal, Rin já saberia e teria nos contado.
-Sesshoumaru é irmão dele, ele não ia contar!
-Ah, ia sim! Ele não está nem um pouco preocupado em manter segredinhos sobre a vida de Inuyasha, simplesmente não lhe interessam. E Miroku também nunca me disse nada.
-Mas Miroku...
-Escute! E, pense bem! Você leu os e-mails que os dois trocaram! Supostamente, se Miroku é o único que sabe quem é essa mulher, Inuyasha teria comentado com ele que havia encontrado-a! Mas não, tudo o que ele falou no e-mail foi sobre como ele ia matar Miroku porque ele não havia lhe dito que você estaria em Paris.
-O que quer dizer?
-Quero dizer, sua tonta, que a tal mulher maravilha do trabalho é você, dâ!
Eu fiquei uns trinta segundos olhando pra ela.
-O quê?
-Kagome, pensa! Ele não queria dizer que era você para te preservar! Porque ele sabia que você iria conhecer Izayoi e Inutaisho, e se eles soubessem que vocês andavam se agarrando, mesmo enquanto ele era noivo, iam pensar mal de você, iam entender de modo errado o que havia entre vocês.
-Ah, você está viajando.
-Não, não estou. E mesmo que não seja isso, acho que ele não quis estragar o que vocês tinham contando para a família. Quer dizer, se Sesshoumaru soubesse, Rin saberia, e se Rin soubesse, Ayame saberia, e se Ayame soubesse, bom, toda a cidade saberia.
-Inclusive Kikyou.
-Inclusive ela. Bom, não é tão estranho ele ter inventado uma mulher que não existe.
-Mas Izayoi disse que Inutaisho a conhecia.
-Ele inventou isso porque Inutaisho conhece todos na empresa. Seria estranho que ele não conhecesse justamente a tal mulher, não?
Ai, meu Deus!
Quer dizer, dâ!
Era eu! Eu sou a tal mulher do trabalho! Ai, caramba, eu sou a mulher do trabalho, meu Deus!
-Bom, é, quer dizer, Izayoi acabou de me contar que ele encontrou com "ela" na França!
-E você ainda teve dúvidas, Kagome? Sinceramente, você era mais inteligente quando te conheci.
Eu nem consegui ficar zangada com essa afirmação. Nem um pouquinho. Estava era bem feliz.
Bom, agora sim, eu estava total com vontade de sair do quarto e ir me agarrar com ele em algum lugar.
-Bem, se você me dá licença, eu vou me arrumar. Preciso ficar mais linda do que o normal. Eu sou a namorada do anfitrião, não é? Tenho que estar apresentável. Fique na boa aí, amiga, e se controla. Não vai fazer besteira, por favor.
-Tá, tá, vai logo se arrumar. Eu vou me arrumar também.
Ela foi, e eu tratei de ir tomar um banho, pra começar a produção. E enquanto me aprontava, deu pra ouvir, pela parede, Inuyasha chegando ao quarto dele e ligando o chuveiro. Uma pena eu já estar maquiada e com o cabelo feito, senão entrava lá com ele.
Acho que ele deve ter pensado a mesma coisa, porque quando eu terminei de fechar, com muito esforço, o zíper do meu vestidinho branco e totalmente apropriado para um brunch ao ar livre, ouvi batidinhas na minha porta.
-Entre.
-Já está pronta? A maioria dos convidados já chegou!
-Quase, só faltam alguns retoques. – coloquei uma pulseirinha linda que Jakotsu me deu de aniversário no ano passado, de prata, e vi ele se prostrar do meu lado na frente do espelho.
-Retoques?
-É.
-Você já está linda, sem retoque nenhum. Vai retocar o quê?
-A maquiagem.
-Prefiro que não faça isso.
Eu virei o rosto pra ele. Estava cheiroso e com um aspecto muito refrescante, com a camisa branca e a bermuda bege.
-E porque não?
-Porque dentre os convidados de Miroku estão vários homens velhos e babões. Se você colocar mais maquiagem eles vão conseguir enxergar você, e vão ficar babando em cima.
-Ora, o que é que tem?
Ele virou pra mim.
-Eu vou ficar com ciúmes.
Uh! Ok, coração acelerado.
-Não vejo motivo nenhum para...
-Eu preciso te contar uma coisa, Kagome.
Eu olhei para ele, parecia bastante feliz.
-Bom, conte.
-É sobre Kikyou.
-Ah, o que tem ela?
-Ah, nada, só que não é mais minha noiva.
Eu olhei para ele e sorri.
-É, eu sei.
Ele franziu o cenho em curiosidade.
-Sabe?
-Sei, sua mãe me contou.
-Minha mãe? Porque ela contaria?
-Ah, por nenhum motivo em especial. Só estava contente que você não está mais com ela.
-É, ela está bem feliz. Não pára de me dar abraços quando passa por mim no corredor.
Eu sorri de novo e voltei para o espelho para ajeitar o resto da maquiagem.
-E você, não está feliz?
-Ah, bom, não é uma coisa muito admirável ficar feliz quando um casal se separa, parece que estávamos querendo ver o amor se...
Ele me interrompeu me fazendo virar para ele, me abraçando pela cintura, e beijando meu rosto.
-Bom, eu estou muito feliz. Porque agora você não tem mais motivo para me mandar passear.
-Eu nunca mandei você passear.
-Bom, isso não é importante. O importante é que agora eu não quero mais ouvir desculpas.
-Ah, mas há uma desculpa. Uma muito boa, na verdade.
Ele parou de brincar de passar a boca pela minha orelha e olhou pra mim, bem de pertinho.
-Ah, é? E qual é dessa vez?
-Brunch. Miroku está nos esperando lá embaixo, e os convidados também. E eu estou morrendo de fome. E Rin vai ficar chateada se nós eu não descer para comer as torradas que foram especialmente torradas por sete minutos, e Sango vai...
-Ah, ta bom, chega de desculpas... – ele colocou a mão na minha boca, me forçando a parar de falar. – Sabe o que eu quero fazer hoje?
Eu não pude responder porque estava, sabe, com a boca tapada.
-Ficar bêbado de novo. Com você. Só nós dois.
Eu tirei a mão dele de cima da minha boca.
-Creio que isso não vá ser possível.
-Porque não?
-Porque eu não costumo ficar bêbada com tanta freqüência.
E, de novo, ele ia me beijar. Mas eu me desvencilhei do abraço dele em tempo.
-E você borrou meu batom, o que significa que eu vou ter que retocar.
Ah, não, não que eu não quisesse beijá-lo, queria muito, fiz isso de pura maldade.
-Você está me provocando.
-Não, não estou.
-Está sim.
Ele de novo parou atrás de mim, e, sem brincadeira, baixou o zíper do meu vestido.
-Inuyasha!
-Desculpe, não pude resistir.
Nessa hora, ele, uau, enfiou a mão por dentro do vestido e passou o braço ao redor da minha barriga, me abraçando. Eu senti todos os calafrios do mundo nessa hora. Meio que fiquei gelada, de dentro pra fora, mas quente ao mesmo tempo. Vocês sabem, aquela sensação que você não sabe se é frio ou calor.
E mais ainda quando ele baixou o rosto e se preparou para, sabe, fazer o que adora fazer: deixar meu pescoço roxo.
-Ah, não, não! Não, hoje eu estou com o cabelo preso, e não vou sair por aí exibindo meu pescoço manchado pra todo mundo ver.
-Mas você bem que gosta de exibir, não é? Pra sua vizinha.
-Não estamos na minha casa, estamos?
-Deveríamos estar. Preferia estar lá sozinho com você a estar aqui, cercado de gente com quem não quero falar agora.
-Bom, mas estamos aqui, e temos um brunch para ir. – eu o fiz tirar a mão de dentro do meu vestido. –Vamos lá, feche para mim, é muito difícil.
Ele o fez.
-Como você fechou antes?
-Ah, um dos garçons estava passando e eu pedi a ele.
Ele fez uma cara esquisita.
-Como disse?
-Um dos garçons, estava passando por aqui e me ajudou a fechar o vestido.
-Como assim? Ele fechou o seu vestido?
Eu o olhei como se ele estivesse fazendo um escândalo por nada.
-Fechou. Algum problema?
-Como algum... O garçom... Seu vestido... Ele viu você...
-Ai, calma, é brincadeira!
Ele relaxou os ombros e fez uma cara zangada.
-Não faça isso.
-Vamos? – eu abri a porta e o convidei a sair. Ele não se moveu.
-Como foi que você fechou o vestido?
Eu voltei a fechar a porta e andei até ele.
-Sozinha. Mas foi difícil. Estava a ponto de ir pedir a sua ajuda, quando consegui. Logo depois você entrou e aqui estamos.
Desta vez ele sorriu, e fez carinho no meu rosto.
-Deveria ter ido ao meu quarto. Eu teria adorado a visita.
-É, eu sei. Vamos, vamos nos atrasar.
Abri a porta de novo e ambos descemos até o brunch.
Ponto pra mim.
--
Estava tudo lindo. Igualzinho aquelas festas que a gente vê na TV. Todos os convidados haviam comparecido, Miroku até havia deixado alguns funcionários da empresa entrarem sem convite, tipo a Ayame e o Bankotsu. Naraku não compareceu, é lógico. Ele nunca vai às festas dos funcionários. Teve uma vez que ele faltou à própria festa surpresa de 40 anos. Foi horrível.
Mas o caso é que havia várias pessoas lá. Eu estava, de verdade, esperando ver o Ben Affleck, porque o Miroku conhece ele. Mas quando eu perguntei a ele se ele o havia convidado, ele disse que não porque ele é "muito cheio de pose". Era só o que me faltava.
A comida estava uma delícia, a música estava super agradável, mas eu estava na verdade um pouco entediada. Porque não tinha ninguém pra me fazer companhia: Miroku tinha que, é claro, receber e dar atenção aos convidados. Sango estava ao lado dele sempre, conversando com todos e também contando o segredo da pele macia dela para as esposas dos convidados ricos. Sesshoumaru estava muito ocupado conversando com os sócios lá do escritório dele, Inuyasha o acompanhava. Uma hora eu passei por eles e eles estavam falando sobre como um certo juiz tem mania de negar todo e qualquer protesto, sem nem parar pra pensar se tem fundamento ou não. E Rin estava super feliz com a chegada de Ayame, e estavam as duas fofocando pelos cantos.
A única coisa que me mantinha ocupada era Bankotsu, que havia sentado na cadeira ao lado da minha na mesa que eu estava ocupando e não queria mais sair dali.
-Fazia bastante tempo que eu não falava com você, desde que viajou para Paris.
-É, tenho tido muito trabalho.
-Ah, eu vi uns modelos que você desenhou semana passada! Experimentei aquela camisa de seda, ficou ótima! Tem um caimento maravilhoso em mim. Não sei se você reparou, mas eu tenho malhado, me exercitado um pouco. Tenho obtido bons resultados.
Enquanto ele falava, eu percorria o salão com os olhos. Todos pareciam estar se divertindo muito. Sesshoumaru agora estava conversando com um outro promotor, e Inuyasha estava sorrindo de alguma coisa que uma loira dizia.
Bom, se eu não soubesse que a mulher do trabalho na verdade sou eu, eu diria que era aquela. Estava usando um vestidinho vermelho um tanto colado demais para a ocasião, loira até o último fio de cabelo, e, eu percebi, toda sorridente pra cima de Inuyasha. E ela ficava desenhando uma linha reta com a unha vermelha na frente da camisa dele. Sabe, passando o dedo desde o pescoço até o umbigo, segurando a taça de sei-lá-o-quê que estava tomando. Todas as vezes que ela fazia isso, Inuyasha ria amarelo, desviava o olhar, e mudava o corpo de posição, virando-o para o outro lado, chamando a atenção dela para outra coisa.
Bom.
-... Fadiga muscular. É bem incomodativo. Faz os músculos ficarem rígidos demais, você não consegue se mexer direito. Outra coisa é quando você passa muito tempo sem fazer exercícios. Acaba ficando difícil voltar porque...
Eu reparei que ela ficava seguindo ele por todo canto. E até cumprimentava os convidados como se fosse... Esposa dele, ou algo assim. É, tipo, abraçava o braço dele quando ele estava recebendo alguém, e cumprimentava a todos com uma simpatia exagerada. Eu de verdade vi uma moça fazer sinal de louca para o marido depois de falar com ela, quando ela estava de costas.
Era engraçado ver Inuyasha tentando se esquivar.
-... Luvas especiais. São na verdade bem confortáveis. E a Channel até tem uma linha de malhação. São bonitos, mas acho que eles exageram nas cores. Minha ex-namorada me deu um par de luvas no meu aniversário do ano passado, mas eu não uso, porque são coloridas demais. Acho que preto é muito genérico, mas umas cores mais sóbrias poderiam...
Desde de manhã, tenho ficado impressionada como eu e Izayoi concordamos no que seria bom ou não para Inuyasha. Uma hora ela chegou perto de mim e sussurrou.
-Essa é a tal do trabalho? Bom, ele não parece muito empolgado com ela, não é mesmo?
E logo atrás dela chegou Inutaisho, se inclinou ao lado dela e também sussurrou.
-Está é Abi, do escritório, sim. Ela vive inventando desculpas para entrar na sala dele, e ele vive inventando desculpas para evitá-la. A última foi pedir à secretária que dissesse a ela que estava com catapora. Acho que não é esta.
-Ora, então trate de descobrir quem é! Eu não agüento mais perguntar a ele! Ele disse que não via me dizer enquanto não resolver tudo com ela! O que é ridículo, porque eu vou gostar dela de qualquer jeito!
-É, até parece... – Inutaisho sussurrou para que ela não ouvisse. –Com licença, eu vou ver como está o bolo que Rin fez. Ela está me oferecendo faz tempo, eu estava com medo de provar, mas acho que depois das torradas, não há perigo. – e saiu.
-Ele não está ajudando nadinha, se quer saber. – Izayoi mandou um olhar zangado na direção de Inutaisho, depois virou pra mim. – Com licença, querida, eu vou tentar descobrir quem é. De novo. – e saiu também.
-... Cachorros com roupas. É espantoso. Quer dizer, não é natural, não é? Os coitados ficam se mexendo como loucos, não dá certo. Não acha, Kagome?
Eu virei na direção de Bankotsu. Ele estava falando todo aquele tempo, sem intervalo nenhum.
-Ah, é acho. Que bom que gostou da roupa. – Nessa hora, Miroku acenou pra mim e me chamou. –Ah, com licença, Miroku está me chamando.
Levantei e meio que corri para saber o que Miroku queria.
-O garotão já estava investindo, é?
-Ah, cala a boca. O que foi?
-Já está na hora do almoço. Vamos para a nossa mesa.
-Nossa mesa?
-É, lá no salão coberto, tem o meu nome escrito. Certifique-se que ninguém que não seja da família sente-se àquela mesa, sim? Eu já encontro com vocês, vou chamar meu padrinho.
-Certo.
Eu fui andando até onde ele havia indicado, e foi fácil encontrar a mesa, era uma com mais ou menos 12 lugares, bem grande. A toalha de mesa sobre a branca era vermelha, a de todas as outras era amarelo claro. E tinha uma plaquinha com um "M" escrito. Mais Miroku impossível.
Eu me sentei à mesa e logo Rin se juntou a mim.
-Oi! Ai, estou ansiosa pelo almoço!
-Por quê?
-Porque Miroku pediu que Izayoi fizesse o almoço, e Izayoi só faz o almoço em ocasiões muito especiais. Alguma coisa ele está aprontando!
-Você acha?
-Tenho certeza!
Logo depois eu vi se aproximar o padrinho de Miroku, O Sr. Jess Hokaku e a namorada (pelo menos 30 anos mais nova) dele, Jessica, que gostava de ser chamada de Jessy. Sacaram? Jess e Jessy?
É, eu sei.
O caso é que o Sr. Jess é podre de rico, e a namorada dele, bem, ela gosta de jóias. Mas todos nós o respeitamos porque, apesar de excêntrico, ele cuidou de Miroku desde que ele era muito pequeno, quando os pais dele morreram num acidente. O tem como um filho. Só que não gosta quando Miroku o chama de pai, porque, segundo ele, o faz parecer velho. Mas Jessy bem que gostaria que Miroku a chamasse de mamãe. Na verdade, ela adora qualquer e toda a atenção que Miroku lhe dirige, e eu já percebi faz tempo os olhares gulosos que ela tem pra cima dele.
-Kagome, minha bela jovem! Como vai? Ainda não havia falado com você! – ele me deu um beijo na mão e um tapinha no rosto, como faz desde que eu o conheço.
-Vou bem, obrigada. Jessy, como vai?
-Ótima, Kagome, obrigada. Onde está Miroku?
-Ah... Não estava com vocês agorinha mesmo?
-É. É, estava, eu me esqueci.
Há. Conta outra.
-Vamos nos sentar, estou andando há horas! – Jess e Jéssica se sentaram, um ao lado do outro, Jess ao lado do assento que Miroku ocuparia.
Depois chegaram à mesa os pais e o irmão de Sango, Kohaku, e os pais de Inuyasha e Sesshoumaru. A Sra Kesh sentou-se ocupando o lugar ao lado de Sango, o Sr Kesh ao seu lado e depois Kohaku. Inutaisho sentou-se no que seria a cebceira na mesa redonda, Izayoi a sua direita. Sesshoumaru chegou e sentou à esquerda do pai, e Rin sentou-se ao seu lado, acabando por ficar ao lado de Jessy. Inuyasha ocupou o lugar ao lado de Izaioy, e eu fiquei ao seu lado, à direita de Kohaku.
Entenderam? Ficou assim, em sentido horário: Inutaisho, Izaioy, Inuyasha, eu, Kohaku, Sr. Kesh, Sra. Kesh, Sango, Miroku, Sr. Jess, Jessy, Rin e Sesshoumaru, em volta da enorme mesa redonda.
Foi até bem divertido. Os garçons foram chegando e trazendo a comida feita por Izaioy (que estava a coisa mais deliciosa do mundo!) e todos conversamos como uma enorme e feliz família. Miroku não estava fazendo piadas sobre loiras e silicone, estava todo carinhoso com Sango e não deu em cima de nenhuma garçonete, nenhuma vez.
Até que aconteceu. Quando a sobremesa chegou (creme bruleés individuais em pequenas taças decoradas com calda e sorvete feito com champanhe), toda escondida embaixo de tampas redondas de alumínio, Miroku nos chamou a atenção.
-Antes de começarmos a provar a deliciosa sobremesa de Izaioy, eu quero agradecer a todos vocês, que tornaram tudo isso possível.
E todos batemos palmas para nós mesmos, o que foi meio ridículo, eu acho.
-Não falei? Ele tá aprontando alguma coisa! – Rin mexeu os lábios para que eu entendesse.
-E, principalmente, agradecer à pessoa mais importante da minha vida, motivo deste brunch estar acontecendo. – aí ele virou para Sango e ela deu um sorrisinho super meigo. –Eu realmente não sei o que faria sem você. Esses últimos meses tem sido tão perfeitos que eu acho difícil acreditar que não vou acordar a qualquer momento.
Ela fez um carinho no rosto dele, toda sorridente.
-Eu sei que você não gosta de surpresas, que prefere saber de tudo, que gosta de estar no controle das coisas. E, pra ser sincero, eu gosto disso em você. Me faz ter certeza de que você é forte o suficiente por nós dois, forte o suficiente pra não me deixar sempre que eu faço alguma besteira.
Todos riram.
-Eu já tive algumas namoradas, e muitas delas tinham o sincero objetivo de me fazer mudar, me corrigir. Você nunca disse isso. Nunca prometeu isso a si mesma, ou a ninguém mais, simplesmente me aceitou assim como eu sou, mesmo que meu jeito a irritasse. Mas, inconscientemente, você acabou conseguindo me transformar. Me fez parar de ser tão superficial, me ensinou a dar mais valor a quem eu gosto. Me ensinou a ser um homem melhor. E eu gostei disso. E, se você deixar, pretendo passar o resto da vida me aperfeiçoando, pra você.
Aí ele descobriu a sobremesa de Sango.
Só que não tinha sobremesa nenhuma! O que tinha era uma caixinha de veludo azul.
Uma caixinha da Cartier.
Todos na mesa prendemos a respiração ao mesmo tempo. Só não Inuyasha, que estava sorrindo, todo cúmplice.
-Vamos, abra. – Miroku deu um empurrãozinho na caixinha na direção de Sango. Ela, cuja cara estava ficando meio vermelha, pegou-a e abriu-a lentamente.
Sério mesmo, o diamante que tinha ali fez todo mundo da mesa soltar uma exclamação.
-Eu sei que não sou o príncipe com que as mulheres sonham desde pequenas, ou o modelo perfeito de chefe de família. Mas como eu já disse, estou disposto a aprender, por você.
Todos, menos Inuyasha, Sesshoumaru e Inutaisho fizemos um "Ooooooh...", expressando o quanto achamos aquilo fofo.
Aí ele pegou a mão dela.
-Eu não sou muito bom nisso, mas vou tentar.
Todos nós prendemos a respiração de novo. Miroku pegou o anel da caixinha e depois pegou a mão esquerda dela.
-Quer se casar comigo?
Aí todos olhamos pra Sango, ao mesmo tempo. Ela estava com as bochechas branquinhas vermelhas e os olhos estavam começando a ficar marejados. O sorriso mais bobo e lindo do mundo traduzia a felicidade que estava sentidno.
Então ela pousou a mão livre no rosto dele e fez um carinho.
-Você sabe que sim.
Então Miroku abriu o sorriso mais feliz e realizado do mundo, e colocou o anel no dedo dela, enquanto todos nós, menos Sesshoumaru e Jessy, gritávamos e batíamos palmas. A essa altura, eu percebi, as pessoas de outras mesas também batiam palmas.
Quando Sango deu a volta na mesa para que eu pudesse abraçá-la e Miroku fez o mesmo para poder abraçar Inuyasha, ela me disse, bem baixinho no ouvido.
-Acho que era esse aquele mistério que lemos nos emails deles!
-É! Estou tão feliz por você!
-E eu estou quase chorando!
Aí nós nos separamos para que Inuyasha pudesse abraçar Sango e Miroku pudesse me abraçar.
-Você é uma caixinha de surpresas! – eu disse a ele. Ele só sorriu e me deu um beijo no rosto.
Depois disso a festa ficou mais animada. Miroku contou como foi difícil planejar tudo sem que Sango descobrisse, porque ela é tão atenciosa em tudo que é difícil esconder algo dela. Contou também que Inuyasha o ajudou desde o início de tudo, quando ele deve o arroubo repentino de pedir a mão dela. Os pais de Sango estavam todos orgulhos e até já estavam chamando Miroku de "Meu filho!". Kohaku já o chamava de Mano. Jess já estava na sexta taça de vinho para comemorar o noivado do "afilhado tão amado" e ele e o Sr. Kesh estavam brindando a todo segundo. Jessy estava com uma cara meio péssima. Tentava sorrir pra disfarçar, mas mandava olhares invejosos para o diamante imenso no dedo de Sango. Izaioy estava toda emocionada. Dizia que vira Miroku crescer, o considerava seu terceiro filho e era maravilhoso ver que ele havia se transformado em um homem tão bom. Inutaisho estava pomposo como se fosse o casamento de um dos próprios filhos. Ele passou a chamar Miroku de filho depois disso, na verdade. Sesshoumaru, apesar de não ter gritado ou batido palmas, cumprimentara Miroku várias vezes e ficava dando aqueles beijinhos na testa de Sango, como se ela fosse a irmã mais nova ou algo assim. Inuyasha e Miroku estavam radiantes. Pareciam dois garotos de colegial de novo. Inuyasha ficava dando gravatas em Miroku e cutucando a cabeça dele como punho, e Miroku fazia isso também. Rin estava toda serelepe, e ficava dando abraços em Sango, que aceitava como se não a visse a anos.
E eu, não poderia estar mais feliz. Quer dizer, desde que eu conheço Miroku, e já faz um bom, bom tempo, ele é apaixonado por ela. E, mesmo que ela não admita, ela também é louquinha por ele desde a primeira vez que colocou os olhos nele, no primeiro ano da faculdade.
E sabe o quê? Eu não estava com nem um pouquinho de inveja. Só estava muito feliz. Feliz demais. Ainda mais porque Sango me disse que eu era a madrinha dela, mesmo que eu não quisesse! Mas eu queria, é lógico.
Parece que o noivado deles fez os convidados se soltarem mais. As pessoas pararam de agir como se o senador estivesse ali e começaram a dançar mais, comer mais (para a alegria de Rin, as torradas estavam acabando rapidinho!), a beber mais e a rir mais.
Tiveram até dois amigos de Inuyasha e Miroku, do colegial, que se empolgaram e tiraram a camisa na pista de dança! Foi engraçado, estavam um pouco alegres, apesar de ser pouco depois de meio-dia.
E eu dancei bastante também. Duas vezes contra a minha vontade. Bankotsu fez questão que eu dançasse com ele um mambo animado que estava tocando. Foi até legal, ele dança bem. Mas fica me mandando piscadelas durante a dança e fica se exibindo pra toda mulher que passa. Mas valeu a diversão.
Dancei com Miroku e Sesshoumaru também. Foi divertidíssimo dançar com Miroku. Ele adora ficar fazendo de conta que vai deixar você cair, mas antes de você entrar em desespero, ele pega as suas costas e já emenda em outro passo. Divertidíssimo. Sesshoumaru é aquele dançarino impecavelmente correto. Não erra nenhum passinho, mas também não é robótico. Ele pode ser bem engraçado! Enquanto dançávamos ele me contou todos os podres dos advogados e amigos que estavam ali, como quem era amante de quem, quem usava peruca, quem estava metido em processos de desvios de dinheiro até o pescoço, e quem havia feito mais de dez lipoaspirações e aplicações de botox e jurava que a natureza era bondosa. Me diverti muito!
Certo, vou parar de torturar vocês. Eu dancei com Inutaisho, e Kohaku, e o pai de Sango, o padrinho de Miroku, e todos foram divertidos.
Mas Inuyasha. É, eu sei que vocês querem ouvir sobre Inuyasha, suas assanhadas.
Logo que eu terminei de dançar com Kohaku, Bankotsu já estava vindo todo se achando pra cima de mim. Ele tinha entornado umas com Ayame, e agora os dois estavam se achando as coisas mais deliciosas do mundo.
O caso é, a música havia acabado, e a cantora contratada já estava falando assim:
-E agora, para os casais presentes, vamos homenagear os noivos e esquentar as coisas um pouquinho... – e a banda começou a tocar um mambo um pouco lento, como uma mistura de dança de salão com tango, super legal, e a cantora tinha uma voz ótima! A oportunidade perfeita para os caras passarem a mão em seus pares. Com certeza foi um pedido de Miroku.
E na hora em que a batida começou, Bankotsu já havia chegado quando Inuyasha apareceu sorrindo e falou pra ele.
-Acho que a madrinha tem que dançar pelo menos uma vez com o padrinho, não é? Se me dá licença, Bankotsu... – e me puxou pro meio da pista sem nem dar atenção à cara zangada de Bankotsu.
Sabe aquelas situações onde você tem um monte de coisas pra falar, mas as palavras simplesmente não vêm, e você fica muda, e só consegue sorrir? Era isso que eu estava sentindo quando ele passou o braço pela minha cintura e sorriu pra mim, todo carinhoso.
E, de verdade, nossa dança foi uma daquelas situações onde palavras são totalmente dispensáveis, e tudo é dito através de olhares, toques e movimentos.
E é incrível como eu e ele somos sincronizados. Sempre que dançamos é como se tivéssemos treinado muitas vezes antes. É quase assustador, se não fosse tão maravilhosamente gostoso.
E sabem o que é melhor? Desta vez não tinha Kikyou pra atrapalhar, nem aparências a manter. Nós podíamos nos envolver o quanto quiséssemos, ele podia cheirar meu cabelo o quanto quisesse, e eu podia passar a mão pelo tanquinho dele quantas vezes me desse na telha, e não teríamos que nos preocupar com problemas depois.
Eu só fiquei com vergonha uma hora em que ele me abraçou bem apertado e deu um beijo no cantinho da minha boca, e vi, com o canto do olho, Izaioy olhando toda feliz, as mãos nas bochehcas e uma cara de "Ora, mas é claro!".
Ai, que vergonha!
Mas sabe o quê? Logo depois ele mordeu a minha orelha, e eu totalmente me esqueci de Izaioy. Ou de todos que estavam ali em volta.
Foi em uma parte particularmente lenta da música, onde todos nós paramos de fazer passos elaborados e difíceis e passamos a dançar bem juntinho, coladinho mesmo, um momento íntimo dos casais. E todos estavam realmente dançando assim: Miroku já estava sussurrando qualquer coisa no ouvido de Sango (Devia ser alguma coisa maravilhosa, porque ela estava toda derretida), Sesshoumaru estava sorrindo para Rin, que falava alguma coisa olhando nos olhos dele, Kohaku estava dando uns beijos em Ayame, e Jess estava com a cabeça descansada no busto de Jessy (Ela é mais alta que ele), que olhava sonhadora para o lado de Miroku e Sango, e Inuyasha já estava cheirando meu cabelo de novo. Isso sem contar que eu já estava toda derretendo, enquanto fazia carinho no cabelo dele.
-Senti falta do seu perfume. – ele disse, a um ponto da música.
Eu já estava tão extasiada que não consegui falar nada, só sorri para os olhos que me observavam com tanto carinho.
Ele sorriu de volta.
-Temos que fazer compras.
Hã? O quê, como é que é?
-Perdão? – eu disse, meio confusa.
-Quando eu voltei de Paris, Miroku comentou, por algum motivo, que você o havia feito comprar uma televisão de plasma quando foram fazer compras. Bom, a televisão do meu quarto quebrou, e eu preciso de uma nova.
-E onde eu entro nessa história? – perguntei, já entendendo. Ele estava se referindo à vez que Miroku contou a ele, por email, que eu fui fazer compras com ele e o fiz comprar um monte de coisas inúteis.
-Bom, eu quero que você escolha uma que seja de seu agrado. Eu pretendo receber sua visita mais constantemente, de agora em diante.
-E porque?
Ele levou a mão a minha nuca e aproximou a boca do meu ouvido.
-Não seria muito... Gentil da minha parte se eu lhe dissesse o que pretendo fazer com você quando for me visitar.
Bom, caso alguma de vocês tenha ficado arrepiada depois dessa, imaginem como eu não fiquei. Eu, que estava sentindo o hálito dele contra a pele do meu pescoço, o perfume característico invadindo meus sentidos, e a mão apertando a minha cintura com uma força nada, nada gentil. Imaginem a minha situação. Fiquei tão arrepiada que ele até riu, orgulhoso do próprio feito.
E no momento em que a minha mão subiu pelas costas dele, totalmente o incentivando a me beijar (coisa que ele ia fazer naquele momento), ouvimos uma voz bastante estridente.
-Inuyasha, querido!
Quando olhamos para o lado, lá estava a loira que estivera dando em cima dele a manhã toda, sorrindo, segurando uma taça de champanhe.
-Sua mãe está procurando por você, meu bem!
-Ela lhe pediu para me achar?
-Não, não, mas ela parecia ter pressa em falar com você, então eu resolvi fazer esse favor. Venha, ela parece estar com pressa. – e estendeu a mão, para que ele pegasse.
Inuyasha suspirou, e fez uma coisa não muito educada: ignorou a presença dela por uns instantes e me abraçou – até me levantou um pouquinho do chão! Cheirou o meu cabelo sem pressa nenhuma, me disse "Já volto", beijou meu rosto e foi com a tal loira, que havia baixado a mão e tirado o sorriso do rosto.
E eu fui, bem depressinha, procurar qualquer coisa gelada pra beber. Ou jogar no rosto, talvez.
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O brunch acabou e nós supervisionamos a saída dos materiais, dos objetos caros, mesas de som, despachamos garçons, serviçais, supervisionamos desmontagens, coisas assim. Todos estávamos muito atarefados.
Espertos foram Izaioy e Inutaisho, que se despedirem de todos mais cedo e saíram. Tinham um compromisso importante no outro lado da cidade. Iam passar dois dias fora.
-Aproveite bem a estadia aqui, minha querida! Espero que volte muitas, muitas e muitas vezes! – Izaioy me disse, depois de um abraço bem apertado! Estava me tratando como uma princesa desde que havia me visto dançando com Inuyasha.
O caso é: entre tanta correria, eu não consegui mais falar com ele. Só deu tempo de ele me convencer a dormir lá antes de Miroku arrastá-lo para irem beber com Sesshoumaru e os amigos. Além de todo aquele trabalho, assim que os homens se afastaram, Sango seqüestrou Rin e a mim e nós ficamos até de noite no meu quarto fantasiando sobre o casamento, todas já de pijamas. Eu e Rin desenhamos uns sete vestidos de noiva pra ela, planejamos onde seria a cerimônia, a festa, a Lua-de-Mel, como seriam os convites, gritamos, olhamos o anel de todos os ângulos possíveis... Essas coisas de melhor amiga.
Só sei que quando deu umas dez horas, já estávamos exaustas. Eu não tinha nem coragem para levantar da cama. Meus olhos já estavam fechando sozinhos, sem que eu percebesse.
-Acho que vou dormir, meninas. Eles já devem estar chegando, e acho que Miroku e eu precisamos de... Hmm... Um momento a sós.
-Vá, e não façam escândalo, pelo amor de Deus. O quarto de vocês é ao lado do meu e de Sesshoumaru.
-Prometemos não fazer escândalos se vocês não fizerem escândalos.
-As duas podem não fazer escândalos. Já me basta Eri gritando e batendo na minha parede todo final de semana, não preciso disso aqui também.
-Hmm, como se você também não estivesse com altas chances de fazer seu próprio escândalo esta noite. Eu vi o clima intenso entre você e Inuyasha hoje, mocinha. Ele estava quase tirando as suas roupas na frente de todo mundo!
-Ai, Rin, não exagere!
-Não estou exagerando. Eu namoro o irmão dele, sei quando um Taisho quer alguém.
-Hmm, falou a expert! – Sango falou, lá da porta. – Boa noite, gente! Durmam com os deuses!
-Você tam... Ah, é... Desculpe. Esqueci que já há um deus na sua cama esta noite. – eu disse.
E elas foram embora, rindo e comentando coisas que eu não entendi, porque estava com sono demais.
Então eu só me enfiei em baixo das cobertas e, dez segundos depois, apaguei.
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Sabe quando você está dormindo, mas dormindo tão pesado que parece que o seu corpo inteiro se desliga? Era assim que eu estava quando senti um peso bem pesado do meu lado.
Com muita dificuldade, abri os olhos. Dez segundos até tudo entrar em foco.
Quando tudo se torna nítido de novo, eu só consigo enxergar os olhos castanhos de Sango, o rosto iluminado sorrindo pra mim. E um cheiro bastante forte de álcool.
Dei um pulo quando percebi que ela estava tentando me acordar com o cheiro de seja lá o que for que tinha naquele copo. Depois descobri que era bebida.
-Sango! Credo! O que está fazendo?
-Tentando acordar você! Estou te sacudindo há meia hora! Você dorme muito pesado, Kagome!
Eu sentei e esfreguei os olhos.
-E porque, meu Deus, você está me sacudindo há meia hora?
Ela ajeitou meu cabelo com uma mão e me entregou o copo que estava segurando. Marguerita.
-Vem, vamos comemorar o meu noivado.
Pulou da minha cama e saiu correndo até aporta, onde parou e estendeu a mão pra mim.
-Meu Deus, do que é que você está falando, sua psicopata? Eu estou dormindo!
-É, só você. Venha logo, estamos perdendo a festa!
Eu não tive escolha a não ser levantar, vestir o robe e segui-la.
E sabe o quê? O sono passou quando chegamos ao corredor e eu descobri que havia música não muito alta, todos os abajures da casa estavam ligados, e Miroku, Sesshoumaru, Rin e Inuyasha estavam sentados no primeiro degrau da imensa escada, tomando margueritas e M's Paradise e comendo salgadinhos.
-Ah, finalmente! Onde você estava? – Rin perguntou quando Sango me levou até onde eles estavam.
-Hmm... Dormindo?
-Coma uma empada! – Sesshoumaru me ofereceu a bandeja.
-O que está acontecendo aqui?
-Bom, - Inuyasha se levantou de onde estava sentado e levou-me a sentar ao lado dele. – Sesshoumaru me disse que Cole lhe contou sobre nossos campeonatos, então resolvemos que era hora de vocês três aprenderem.
-Aprenderem o quê?
-Surfe de Colchão. – Miroku falou, de repente surgindo com um monte de colchonetes, colchões de solteiro, travesseiros e almofadas.
-Esta é a primeira vez em quase 10 anos que meus pais se afastam de casa quando estamos os três juntos: eu, Sesshoumaru e Miroku.
-E já que vocês estão aqui, e você me disse que gostaria de aprender, não vimos motivo para não ensiná-las. – Sesshoumaru falou, servindo-se de mais bebida.
-E como hoje é o dia do meu noivado, achamos que não seria um crime se contornássemos as regras de Inutaisho, só hoje. Sango não pode se casar comigo sem antes aprender!
Eu estava perplexa. Em menos de cinco minutos, eu saí de um sono profundo para uma festa ilegal com direito a bebida e salgadinhos contrabandeados do brunch.
Eu ainda estava olhando meio perplexa para o copo na minha mão, quando senti Inuyasha se esticar para falar no meu ouvido:
-Desculpe acordar você, mas não teria graça nenhuma se você não estivesse aqui. – e um beijo no ouvido.
Eu olhei pra ele e sorri.
-Fizeram bem em me acordar. Quero mesmo aprender a surfar. – pisquei um olho e me levantei. –Bom, já que estou acordada, vamos começar. Quem é que vai me ensinar?
-Uou, espere aí, moça! – Miroku disse, lá do lugar dele. – Não é bem assim. Veja bem: nós três praticamos surfe de colchão desde que tínhamos cinco anos de idade. Com o tempo fomos aperfeiçoando a arte. E constatamos que adrenalina não é tudo o que se precisa para descer esta escada escorregadia. Você precisa de álcool no sangue.
-Bastante álcool. – Inuyasha disse atrás de mim, e me deu um copo de M's Paradise.
-Vamos, Kagome! Eu e Sango já bebemos umas quatro doses! Daqui a pouco estaremos preparadas, e você não pode ficar atrás!
Tudo bem. Estava começando a ficar divertido. Eu bebi de uma vez a dose do drink, e tal ato me fez acordar por completo.
Quando eu já estava lá pela terceira dose de qualquer coisa, provavelmente margueritas, Miroku levantou e pegou um colchonete.
-Tudo bem. Vamos ver se ainda tenho a prática.
-Ei, quem disse que você poderia fazer as honras? – Sesshoumaru levantou-se.
-Bom, como eu acabo de ficar noivo, presumi que poderia ter esse privilégio, Senhor Eu Sempre Tenho Que Ser o Primeiro.
-Eu sou o mais velho, é pura lógica.
-É por isso que eu sempre acabo indo primeiro. – Inuyasha levantou-se e tomou o colchonete de Miroku – Vocês dois sempre perdem muito tempo brigando.
-Só porque você é trapaceiro demais para esperar uma decisão justa e imparcial. – Miroku acusou.
-Ou esperto demais. – Ele observou.
-Bom, sugiro que façamos isso da maneira justa com que sempre foi feita. – Sesshoumaru se impôs.
E, sério mesmo, ele começaram a jogar "Pedra, Papel e Tesoura". Melhor de três.
Miroku ganhou.
-Observem. Meu amor, essa é pra você.
Então ele posicionou o colchonete nos três primeiros degraus da escadaria, subiu nele deu um impulso.
Cinco segundos depois, lá estava Miroku no andar debaixo, depois de ter feito umas acrobacias enquanto deslizava pra baixo.
-É só isso? – Rin perguntou – Ficar em pé em cima do colchão e deslizar até o andar debaixo? Qualquer criança faz isso!
Inuyasha e Sesshoumaru olharam para ela como se ela fosse lunática.
-O quê? – Inuyasha perguntou.
-Meu bem, acho que você não...
-Não, eu vi. Ele só subiu no colchonete e deslizou pela escada. Mais fácil que tirar doce de criança.
-Bom, realmente foi fácil porque treino desde os cinco anos de idade. Mas não me menospreze. – Miroku falou ao chegar de novo até onde estávamos.
-Ora, por favor! Isso não é nem um pouquinho difícil!
-Rin, acho que você não viu Miroku descendo. Vai, desce de novo pra ela ver. – Inuyasha disse.
-Bom, eu tenho que concordar com ela. Não parece muito difícil.
-Ah, não, você também? – Miroku exclamou quando Sango ficou ao lado de Rin.
-Só falta você dizer que também acha que é fácil. – Sesshoumaru falou para mim.
Eu fiquei calada. Eles claramente davam muita importância para aquilo, mas eu também achava que era fácil.
-Bom...
-Ah, não. Não é possível. Lembram de uma época em que isso costumava impressionar as garotas? – Inuyasha perguntou aos dois.
-Bons tempos. – Sesshoumaru respondeu, braços cruzados, mandando olhares julgadores para mim, Rin e Sango.
-Bom, se é tão fácil assim, porque não tentam? – Miroku passou o colchonete para Rin.
-Com prazer. – ela aceitou. – Segure isto. – Entregou o copo de marguerita que esteve bebendo para mim e posicionou-se para fazer o mesmo que Miroku fizera ainda há pouco.
-Espera! – Inuyasha falou antes de ela descer. Logo depois virou-se para o irmão e o amigo. – Não acham melhor ela começar da metade da escada? É a primeira vez dela. Vocês lembram da primeira vez que tentamos.
-Uh, bem pensado!
-Querida, venha aqui. Você vai começar da metade.
-Não! Não, eu quero ir desde aqui de cima! – ela tomou o colchonete da mão de Sesshoumaru.
-Rin. Não discuta comigo.
Uau. Sério, uau. Lembram da noite em que eu o conheci, quando eu disse que obedeceria a qualquer ordem dele? Aparentemente Rin também, porque assim que ele estendeu a mão, ela devolveu o colchonete sem nem discutir. Assim, puft!
Sesshoumaru, Inuyasha e Miroku desceram até o meio da escada e olharam para nós como se dissessem "Vocês não vêm?", então nós três também descemos até lá.
-Agora, tenha cuidado, e flexione os joelhos um pouco, não muito. E olhe pra frente. Pode usar os braços para manter o equilíbrio. E não mantenha os pés juntos, isso vai fazer você cair. – Sesshoumaru instruiu a Rin, enquanto colocava o colchonete no chão e a fazia ficar em pé em cima dele.
-Se quiser, você pode ir se segurando no corrimão, caso ache que vai cair. – Inuyasha sugeriu.
-Não, Taisho. Eu vou do meio. Afastem-se.
Nem Sesshoumaru, nem Inuyasha, nem Miroku afastaram-se, só ficaram lá, de braços cruzados, esperando ela se mover, Sesshoumaru pronto para pular caso ela caísse.
Quando Rin percebeu que nenhum dos três a obedeceu, virou a cabeça pra trás, e do nada gritou:
-AFASTEM-SE!!
Foi tão agudo que os três saltaram no mesmo lugar e depois subiram quatro degraus, parando onde eu e Sango estávamos.
Rin virou de novo. Aproveitando que ela não estava olhando, Sesshoumaru se posicionou atrás dela.
-Lá vou eu. – E deu um impulso.
Ela até começou bem. O que eu não esperava era de repente ver a perna direita de Rin subindo e ela balançar os braços pra se equilibrar.
Sesshoumaru saltou uns seis degraus e segurou-a antes que ela caísse de costas no chão.
-Eu avisei. – ele disse, quando ela se levantou e olhou-o zangada.
-Treme. Porque você não me avisou que tremia?! – e deu um tapa no braço dele.
-Você não me deu tempo.
-Bom, quem é a próxima? Meu amor? – Miroku estendeu a mão para Sango.
-Ah, bom, não. Vou esperar Kagome ir. Se ela conseguir, eu vou. Se ela cair, eu vou ficar só assistindo.
-Ah, obrigada por me fazer de teste, agradeço a consideração! – eu respondi, irônica.
-Ora, querida, eu sempre faço isso. Você é que não sabe.
-Certo, fique aqui em cima. – Inuyasha me levou ate onde Rin antes estava e me fez subir no colchonete.
Eu subi e mantive os dois pés unidos. E de repente o colchonete começou a deslizar pela escada. Eu só não voei escada abaixo porque Inuyasha segurou meus braços antes que eu caísse de costas.
-Separe os pés. Isso, agora flexione os joelhos só um pouco, assim. Certo. Tenha cuidado. Pode ir.
E aí, do nada, ele me soltou.
-Não! Não, espera!
Mas quando eu vi, já estava deslizando pela escada.
Bom, eu de verdade pensei que Rin estava certa, e que era bem fácil. Mas, como ela disse, treme. É, treme bastante.
Eu pensava que ia ser uma descida lisa e sem movimentos bruscos, mas dâ! É uma escada, e não uma rampa, os degraus fazem o colchonete tremer.
Quando eu cheguei ao final da escada, Miroku me segurou para eu não sair deslizando pelo chão de mármore.
-Muito bem! Uau, foi muito bem! Só precisa de um pouco mais de classe. Os braços esvoaçantes não são muito legais. Mas foi bem!
Depois disso Sango se sentiu segura para tentar. E conseguiu também. Rin ficou chateada por ter sido a única mulher a não conseguir de primeira.
A melhor parte foi quando Miroku foi fazer mais Margueritas e aquela música do filme "Da magia à Sedução" começou a tocar. A música daquela parte em que a Nicole Kidman acorda a Sandra Bulloc e elas vão beber margueritas na cozinha com as tias.
Se você nunca viu esse filme, eu estou com muita pena de você agora!
De qualquer forma, quando Miroku saiu para a cozinha, e a música começou a tocar, nós, as meninas, começamos a dançar. Quer dizer, estávamos bebendo faz um tempo, e a música é bem legal.
E enquanto nós dançávamos nos degraus da escada, Sesshoumaru e Inuyasha surfavam ao nosso redor. Ambos são muito bons.
Entendam como quiser.
Rin aprendeu a surfar, Eu e Sango nos aventuramos mais umas duas vezes (Cole tinha razão. É realmente eletrizante!). Até que, quando cansaram de ficar descendo a escada como faziam quando eram crianças, eles se olharam e decidiram.
-Vamos fazer o mortal.
-Mortal? Há um mortal? – eu perguntei.
-Fiquem olhando.
Então nós fomos lá pra cima, e Inuyasha e Sesshoumaru pegaram, cada um, um colchão de solteiro e subiram no corrimão.
-Nós só tentamos esse quando tínhamos 14 anos, então vocês não podem fazer. Só observem. –Sesshoumaru disse, lá do alto.
Posso fazer uma pausa para ressaltar que ele e Inuyasha tinham tirado as camisas? E os bíceps e tanquinhos ficaram expostos para os nossos olhos carentes?
Uh!
-Pronto? – Inuyasha perguntou. Eu só conseguia olhar para a tatuagem dele, mais nada.
-Nasci pronto, irmãozinho.
É, eu tenho certeza que você nasceu!
Ops, desculpe Rin.
-Na minha contagem. Um, dois, três!
E aí eles deslizaram, em cima dos colchões, pelo corrimão! Mas o melhor nem foi isso!
Quando estavam quase na metade da escada, sem trocar uma palavra ou olhar, eles simplesmente pularam e trocaram de lugar!
Entenderam? Inuyasha e Sesshoumaru saltaram cada um pra um lado, e Inuyasha, que estava descendo pelo lado direito do corrimão, em um pulo trocou de lugar com Sesshoumaru, e passou a descer pelo colchão dele, no lado esquerdo!
Quando eles chegaram ao final do corrimão, deram mais um pulo e "pousaram" sobre os colchões, deslizando até parar. Coisa de skatista profissional.
-É... – Sesshoumaru começou.
-Ainda temos o jeito. – Inuyasha terminou, e eles fizeram um aperto de mão daqueles secretos.
Depois disso Miroku chegou e eles continuaram a nos ensinar. Foi super quando os três desceram juntos no colchão de casal (é tipo, muito difícil descer em conjunto, porque todos têm que ter o mesmo ritmo), porque todos estavam sem camisa. Aparentemente beber e surfar em colchões é uma mistura calorenta.
A um certo ponto, Rin falou.
-Sango, que bom que você agora é noiva dele, porque com esse corpinho malhado e bem torneado... Miroku é um alvo fácil, fácil.
Eu e Sango a olhamos, os olhos arregalados.
-Quem é você? A Rin que eu conheço cora ao se referir á musculatura masculina. – Sango disse.
-A Rin que cora ao se referir à musculatura masculina não passou a noite inteira bebendo margueritas.
-Bom argumento. – eu defendi.
-E olha só quem fala, Senhorita Eu Deito e Rolo nos Peitorais do Taisho Caçula.
Todas rimos.
-Qual a graça? – Miroku perguntou.
-Nenhuma, amor, nenhuma.
E depois nós continuamos a beber, conversar e surfar nos colchões. Inuyasha estava sempre sentado ao meu lado e ás vezes eu o pegava me olhando enquanto alguém estava contando alguma história. E sempre sorria quando eu olhava pra ele, arranjava uma desculpa para pegar a minha mão, ou fazer carinho no meu cabelo.
Mas a melhor parte, foi decididamente, quando Miroku propôs um concurso, de descer as escadas sobre colchões de solteiro, em pares.
É claro que ele iria com Sango, Seeshoumaru com Rin, e eu iria com Inuyasha.
Todos nos posicionamos um ao lado do outro na escada. Eu e Inuyasha estávamos no colchão do meio.
-Preparados?
-Deixe que eu guio, só flexione os joelhos que eu faço as manobras. – Inuyasha falou no meu ouvido.
-Certo.
-Preparados? – Miroku gritou no nosso lado direito.
-Se você gritar isso de novo eu juro que esqueço que Sango gosta de você e arranco o seu cabelo. – Sesshoumaru ameaçou. Era tipo, a sétima vez que Miroku nos fazia aquela pergunta – Estamos todos preparados.
-Certo, então. Quando eu contar três! Um, dois...
E aí Inuyasha e Sesshoumaru deram um impulso antes de ele chegar no três. Aparentemente eles sempre faziam isso, desde pequenos.
Foi legal quando Rin se desequilibrou e eles caíram, lá no final da escada. O braço de Sesshoumaru bateu contra a perna de Inuyasha, então ele se desequilibrou, fazendo com que nós caíssemos também. O impressionante foi Sango e Miroku voando por cima de nós, e "pousaram" perfeitamente no andar de baixo.
Logo depois da perfeita aterrisagem de Miroku e Sango, Sesshoumaru e Rin se levantaram e combateram os gritos de alegria do casal de noivos dizendo coisas como "Não valeu!", "Revanche!", "Como é que você fez aquilo?" e "Nós saímos primeiro, vamos repetir!".
Mas eu estava com a atenção totalmente desviada para outro lugar.
Com a queda, Inuyasha havia acabado em cima de mim, e eu havia acabado deitada com as pernas pra fora do colchão, que havia deslizado até a parede da lareira, que, Graças a Deus, não estava acesa.
E por algum motivo, nós não nos levantamos, e só permanecemos ali, olhando-nos.
E aí ele abaixou a cabeça e disse no meu ouvido:
-Eu queria estar em Paris agora...
Depois voltou, olhou nos meus olhos, sorriu, e me beijou, enquanto Miroku se gabava do magnífico vôo e Sesshoumaru reclamava que qualquer um podia fazer aquilo.
Não foi o mais empolgado e urgente dos beijos que trocamos. Na verdade foi o mais curto e lento de todos. Mas pra mim, foi o mais valioso.
Porque foi o nosso primeiro beijo em público.
O primeiro beijo em que não precisávamos ter cuidado para que ninguém visse. O primeiro beijo que me permitia simplesmente aproveitar, e não pensar "Vou me arrepender depois". O primeiro beijo que dava espaço para um arroubo de esperança nascer dentro do meu peito, e o primeiro beijo em que eu não precisava acusar meu corpo de traidor por ceder aos encantos dele, e meu cérebro dizia "Tudo bem, sem problemas.".
Um segundo antes de nos separarmos, Miroku percebeu a falta dos gritos de Inuyasha, e da minha dancinha com Rin e Sango (não sei porque elas estavam dançando, não me pergunte), e olhou na direção onde o colchão havia deslizado.
E, eu acredito que por causa de todo o álcool no seu sangue, ele foi até lá, sentou do nosso lado, colocou a mão no ombro de Inuyasha e disse:
-Finalmente, amigo. Já estava na hora.
E depois Sesshoumaru sentou-se ao lado de Miroku e serviu-se de mais margueritas (a jarra estava sobre a mesa, perto da lareira, onde nós estávamos).
-Então a novela chegou a um fim, huh? Você vai parar de ficar suspirando pelos cantos do escritório? Porque ninguém agüentava mais, sinceramente.
Sango olhou na nossa direção, deu um gritinho, correu até lá e pulou no colchão comigo e Inuyasha (ele já havia saído de cima de mim, agora estava deitado do meu lado).
-Se resolveram? Ai, que bom! Eu posso não convidar Kikyou então? Graças a Deus.
Rin se aproximou com o cenho franzido.
-O que está havendo?
-Inuyasha resolveu virar homem e se resolveu com Kagome. – Sesshoumaru esclareceu.
Ela arregalou os olhos.
-Como assim, se resolveu com Kagome? Havia algo não resolvido?
-Havia. Mas agora está tudo bem, eu espero. – Inuyasha respondeu, fazendo carinho no meu cabelo.
-E todos já sabiam?
Nessa hora eu olhei para todos. Miroku e Sango balançavam as cabeças afirmando, e Sesshoumaru bebia um gole de seu drink.
-Todos sabiam, menos eu?
-Bom, Miroku e Sango sabiam porque acompanharam a história desde o início. E eu sabia porque ele é meu irmão, e além de não conseguir ficar de boca fechada nem um minuto, acha que eu sou burro o suficiente pra não saber que "alguém do trabalho" era Kagome.
Há. Essa foi boa.
-E porque você não me contou? – Rin parecia levemente magoada.
-Porque ele é meu irmão.
Inuyasha olhou para ele e levou a mão ao seu ombro.
-Essa foi a coisa mais linda que você já fez por mim, mano! – falou, sarcástico.
Sesshoumaru tirou a mão de Inuyasha do próprio ombro.
-Então, basicamente, todo mundo sabia, menos eu!
-Ei, não venha ficar magoada. Todos sabiam do seu caso com Sesshoumaru, menos eu. Estamos quites. – eu disse, toda aconchegada no tanquinho de Inuyasha.
É. Eu estava no céu.
E aí, depois disso todos nós ficamos deitados em cima dos colchões perto da lareira, conversando ate umas cinco da manhã, quando o álcool começou a fazer efeito e nós fomos obrigados a devolver os colchões para as camas que pertenciam e nos recolher nos nossos quartos.
-Eu estava terminando de escovar os dentes quando ouvi batidas na minha porta.
-Entre! – eu pedi, secando as mãos da toalha.
Eu já esperava ver o rosto de Inuyasha.
-Já vai dormir?
-Acredite, eu adoraria ficar acordada, mas todo aquele álcool está de verdade me deixando com sono.
-Ah, me desculpe por isso. Eu fiz questão de garantir que você bebesse bastante.
-E porque? - eu fiquei em pé na cama e liguei o ar condicionado, que ficava encostado no teto, e eu não sabia onde estava o controle remoto.
Quando me virei de volta para ele, ainda em pé no colchão, ele passou os braços pelas minhas pernas e puxou-as, fazendo com que eu caísse deitada.
Logo depois ele deitou-se por cima de mim.
-Para ter certeza que a sua mente ia ficar bem lenta e você não seria capaz de inventar mais desculpas e fugir de mim.
Aí sim, o beijo foi igual a todos os outros que trocamos escondido. Igual ao beijo no meu escritório, igual ao beijo da festa de Miroku, igual ao beijo de Paris, igual a todos os beijos que trocamos nos meus sonhos.
Quando ele já estava sem camisa, e a minha camisola estava correndo sério risco de ser arrancada por cima da cabeça, ele parou de beijar o meu pescoço.
-Eu amo você...
Eu só consegui abraçá-lo com força.
-Eu também.
Depois disso, o sol nasceu mais brilhante, os passarinhos cantaram mais alto, nasceram mais flores no jardim e todos estavam mais simpáticos.
Ou talvez fosse só eu, que de uma vez por todas, havia esquecido aquela história de ir bater um papo com as freiras.
N.A.: Hey everyone! Demorei, eu sei! Explico em um minuto:
Como muitas de vocês sabem, estpa chovendo pacas aqui no Rio. Desde sábado. Fiquei sem internet desde domingo de manhã até agora.
Mas, pra compensar, uni dois capítulos em um só! Ficou BEM grande, não?? Segundo o site, 16.200 palavras, ou mais ou menos isso.
De nada xD
Meus amores, esse é o penultimo capítulo! Estou triste triste, arrasada!
Mas uau! É a primeira fic com capítulos que eu termino! É um sentimento estranho, de falta de alguma coisa. De verdade.
Bom, vou ficando por aqui! Semana que vem volto com o último!
E já sabe, cada review pequenininha é bem vinda! E as grandonas são recebidas com palmas, pulinhos e sorrisos! Então sejam boazinhas!
Mil beijos,
Nat'
