Capítulo 11



"E eu percebi que perdi minha mente, e eu percebi que eu sou uma mentira. Acabou meu tempo de brilhar. Eu já estou morta, por isso não posso mais morrer. Todas as coisas que eu achei que pudesse ver, desapareceram; tudo o que eu achei que pudesse ser, foi afogado pelo medo. De qualquer maneira parece que tudo o que eu posso fazer é sentar e esperar, de qualquer maneira, nada que é bom parece durar, ou sempre foi assim?" – (I realize – Megan McCauley)

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A cabeça latejava e cada célula do seu corpo doía. Estava em um quarto escuro e úmido, com cheiro de mofo. Tentou abrir os olhos, piscou várias vezes até que se acostumasse com a cabeça latejando.

- Quando será que essa vadia vai acordar? – ela ouviu uma voz masculina colérica – ela já dormiu mais que o necessário.

- Você pergunta para mim? – ela distinguiu a voz de Karin – eu nem sabia que ela dormia... Um dia desses ela estava igual a um zumbi.

- Pronto. Como vamos matá-la se ela nem ao menos vai estar acordada para sofrer?

- Você é mesmo um sádico...

As vozes passaram pela porta do cubículo em que a colocaram. Karin. Era isso. Ela havia avisado, e Sakura continuou se aproximando de Sasuke, agora estava ali, em um lugar que não conhecia, com pessoas que não conhecia, exceto por Karin. O tremor que passou pelo corpo de Sakura foi capaz de arrepiá-la completamente. Por que ela estava ali?

Abriram a porta e a luz fraca da lâmpada entrou no cômodo. O homem que vinha com a ruiva, sorriu para Sakura.

- Eu sou Nagato – sorriu abertamente – nós seremos bons amigos... Se você gostar de dor.

- Eu havia avisado você. Mas parece que você quebrou o nosso acordo. – Karin lembrou.

- Por que fez isso, Karin? Por quê? – perguntou desnorteada.

- O Sasuke não é seu. Nunca foi. Mas você quis lutar contra isso.

- Se é ele que você quer, ele é todo seu, mas me deixe ir embora – pediu.

- Você tem razão... Ele é todo meu agora que você está fora. Mas é tarde demais para você. – olhou para Nagato – você cuida dela. Quando ele voltar, com toda certeza vai querer vê-la.

-Ele não volta até amanhã. Problemas pessoais, sabe? – olhou para Sakura - Quero conhecê-la um pouco melhor.

- Espero que se dêem muito bem. – olhou sugestivamente para Sakura – tenho que ir.

- Karin, não vá... Por favor, não me deixe sozinha com... – a ruiva bateu a porta – ele...

Fitaram-se durante muito tempo. Nagato olhou no fundo dos olhos dela, esperando que ela desviasse o olhar, mas ao contrário disso, ela manteve-se firme, encarando-o de forma desafiadora.

- Gostei de você – ele comentou – vamos nos divertir muito, certo?


- Jiraya?

- Quem é? – a voz estava sonolenta e colérica – não tem outro horário para me ligar não?

- Sou eu, Sasuke – respondeu – é urgente.

- Sasuke... – pareceu desnorteado de início – o que houve? Não poderia esperar até o dia seguinte?

- Não é nada, é só que... – hesitou por um momento – a Sakura...

- O que tem a Sakura? – Jiraya parecia ter despertado – o que houve?

- Ela saiu e ainda não voltou para casa. – informou – Eu e ela tivemos uma pequena discussão esta manhã e ela saiu com Sasori e até agora não voltou.

- Sasuke... Não acredito – soltou uma gargalhada alta – a Sakura é uma mulher adulta... Ela estava reprimida durante muito tempo... Ela só quis aproveitar as coisas boas da vida. E fico feliz que ela esteja se dando bem com Sasori... Eu confio naquele rapaz – informou orgulhoso.

- Você não está entendendo, ela...

- Sasuke – Jiraya interrompeu – sei que Sakura não parece ser esse tipo de mulher, mas até mesmo as quietinhas têm algo... Selvagem dentro delas, entende? – tentou explicar – Boa noite – e desligou o telefone.

Suspirou. Talvez aqueles dois nunca pudessem ficar juntos. Cada um tinha o seu caminho a seguir, e fora um erro colocá-los sob o mesmo teto pensando que ainda poderiam ficar juntos.

- Jiraya, o que houve? – Tsunade, deitada ao seu lado lhe perguntou – aconteceu algo?

- Sasuke está preocupado porque Sakura saiu e não voltou...

- Como assim ela não voltou? – a loira pareceu alarmada – ela nunca faz isso...

- Dá pra você ficar calma? – o homem suspirou – não aconteceu nada.

- Como você pode saber?

- Mesmo que tivesse alguma coisa acontecendo, o que poderíamos fazer?

- Seu velho desgraçado, alguma coisa eu faria. Não ficaria deitada dormindo enquanto a Sakura estivesse está perdida por aí – alterou-se.

Foi uma péssima idéia deixar que Tsunade cuidasse de Sakura. Só a loira era capaz de causar um estrago maior que o de uma bomba atômica... Com a rosada, eram duas bombas atômicas fáceis de serem acionadas.


Ela dormira depois que Karin fora embora. Não sabia o porquê, mas estava muito sonolenta. Com certeza estavam drogando-a. Acordara porque ouvira o som da porta sendo destrancada, e estava com medo de que aquele homem se aproveitasse dela.

- Coma – ele chegou perto de Sakura com um prato que deveria ser o almoço.

- Não quero – respondeu secamente.

- Estou mandando – retrucou.

- Você não manda em mim.

- Você é bem corajosa, sabe. – o sorriso se abriu – não tem medo de mim.

- Deveria?

- E você não sabe como – o olhar de Nagato vagou para as pernas de Sakura – Você tem belas pernas...

Sakura se encolheu, tentando cobrir o máximo que pudesse com aquele tecido escuro.

- Não se preocupe. Não gosto dos restos do Uchiha. – sussurrou – a Karin também cometeu o mesmo erro de abrir as pernas para ele, e agora está amargurada como uma vaca mal-comida.

- Por que está me prendendo aqui? – perguntou – eu não interesso para você, por que não me deixa ir? Eu não direi que conheço você, e nem direi que foi a Karin.

- Tem certeza que não? – perguntou cético – garotas como você não sabem guardar segredo. Sempre dão com a língua nos dentes.

- Eu posso fingir que esqueci, que estava inconsciente. – tentou.

- Alguém já lhe disse que você é irritante? – perguntou – coma essa droga de comida, antes que eu fique nervoso.

- Eu não pedi nada. Coma você. – bateu na mão de Nagato com força fazendo o prato voar para o outro lado do quarto.

Uma gosma marrom escorreu pela parede, e Sakura sentiu-se aliviada por não ter colocado aquilo na boca.

- Agora você me deixou nervoso. – puxou Sakura para que ela ficasse em pé e depois jogou as costas da mão com força na face de Sakura, deixando uma marca vermelha. – você não vai mais comer. E é melhor ficar caladinha se não quiser levar mais uma dessas.

Sakura assentiu com as lágrimas nas bordas de seus olhos. Não iria deixar que elas caíssem. Não na frente daquele homem.

Ele a empurrou com força e ela batera a cabeça na parede. Nagato saiu do quarto sem olhar para trás, fechando a porta logo em seguida. Trancada no quarto escuro, a sensação de solidão veio à tona novamente. As semanas que passara com Sasuke pareciam apenas um sonho infantil e distante. Estava difícil se adaptar novamente à escuridão depois que estivera tanto tempo exposta à luz. Abraçou a si mesma para se proteger do frio e das lembranças, mas sucumbiu a ambos de uma forma ou de outra.


Sasuke estava sentado no sofá, esperando que Sakura entrasse pela porta como se nada tivesse acontecido, e quando ele fosse falar algo, ela iria iniciar uma discussão e mandá-lo para o inferno. E quando ela o mandasse para o inferno, ele seria resgatado do qual se encontrava naquele momento. Aquela mulher tinha muitas barreiras construídas ao redor de si, e todas as vezes que pensava ter atravessado alguma, tinha outra logo à frente.

De um jeito insuportável, ela despertara a preocupação, e pior ainda, ela o fazia se sentir culpado. Mas que culpa ele tinha se ela, de alguma forma, o fez querer conhecê-la por inteiro? O que ela oferecia passou a ser insuficiente comparado a toda a carga que ela carregava nas costas. Queria aliviar um pouco, queria dizer a ela que os ombros dela eram frágeis demais para carregar todo aquele peso que ela não queria dividir com ninguém. Mas por que ela não queria dividir? Por que ela se fazia de forte, mesmo sabendo que era fraca?

Alguém bateu na porta. Seu coração deu um salto. Ela iria ouvir tudo o que ele tinha a dizer e ela iria responder todas as suas perguntas. Nem que para isso tivesse que torturá-la.

Quando abriu a porta, teve um acesso de raiva. Não era Sakura, era Sasori. E mais: estava sem a Sakura.

- Seu cretino, onde ela está? – agarrou Sasori pela gola da camisa – O que você fez com ela?

- Me solta – com um movimento brusco, o Uchiha o soltou – pensei que ela tivesse vindo para cá. Eu saí do carro para resolver um assunto, e quando voltei, ela não estava mais lá.

- Droga, como você a deixa sozinha? – Sasuke agarrou os próprios cabelos – não faço idéia de onde ela possa ter ido.

- Eu faço idéia. Mas não sei onde ela está.

- Eu não acredito em você. Eu sei que você sabe onde ela está... – pausou – espero que não tenha feito nada com ela. Sei que naquele dia você não conseguiu. Mas espero mesmo que não a tenha tocado.

- Que bom que você viu... Essa era a intenção. – o homem calmo e amigável de antes, agora parecia um predador com sua presa nas garras – Sabe o que foi aquilo? – perguntou, não esperando que Sasuke respondesse – era uma pequena prova do grande amor que você sentia por ela. Ela estava drogada, e você nem ao menos entrou para ajudá-la. – riu amargamente – vocês nem tinham terminado, e já esfrega uma garota na cara de Sakura, não?

- O que você está...

- Jura que você não sabe? – perguntou cético – pobre garota. Ninguém se importou com ela. Só a usaram. Ela foi embora e você nem se importou. Os pais dela morreram por sua causa e você não se importou. Ela ficou sozinha, ninguém se importou. Todos a traíram. E ninguém se importou. Então, por que agora se importa? – perguntou cético – só porque dormiu com ela?

- Desgraçado – lançou o punho em direção ao rosto de Sasori, que desviou facilmente do golpe – como ousa dizer isso dela?

- Não sou pior do que você... Que apenas a levou para a cama, e para defender um orgulho, deixou que ela saísse por aquela porta e fosse se encontrar comigo. Você não sabe o valor daquela garota, e quer saber mais? Eu sei que ela vale muito mais do que esse seu orgulho idiota.

- Você...

- Eu amo a Sakura. Muitas vezes tentei fazer o meu trabalho e afastar essa idéia da minha cabeça. Eu não tive a intenção de chegar tão perto dela, mas ela se aproximou de mim. E droga, não sei mais o que fazer com isso. Não me sinto pior do que você deve estar se sentindo, mas estou perto de chegar ao estado deplorável que você está...

Sasori gostava de Sakura. E daí? Ele já sabia. Mas aquilo o incomodou. Incomodou ao ponto de um desejo de matança apoderar-se de si.

- Se você gostasse dela, ela estaria segura agora – alfinetou.

- Engraçado como você diz isso para mim e não a protegeu, não? – comentou – você sabia quem eu era e deixou que ela se aproximasse de mim. – olhou para Sasuke – se tiver notícias, me avise. – abriu a porta e foi embora.

Sim, era verdade. Ele não havia protegido Sakura, e agora não sabia onde ela estava. Quem era ele para criticar Sasori, se aquele homem inútil havia feito mais pela garota do que ele mesmo?


O sol já deveria estar se pondo lá fora, mas naquele cubículo onde a colocaram não passara nem um raio sequer. Queria chorar, mas percebeu que estava quase morta ao ponto de nenhuma lágrima escorrer por sua face e sua pele fria. O cabelo já estava desgrenhado, e o tabefe que levara no rosto ardia mais do que nunca. Estava cansada e exausta, mas não conseguia fechar os olhos, com medo de que aquele homem a tocasse.

Ao invés disso, permitiu-se uma última vez se entregar aos sonhos que se tornaram realidade, aos momentos que ela pertencera à Sasuke, de corpo e alma. Agora que sabia que iria morrer, não era errado admitir que amava Sasuke. Ele poderia tê-la deixado partir sem nem ao menos se despedir dela, sem nem mesmo se importar, e antes de sair com Sasori, ele não a segurou, mesmo ela gritando silenciosamente que era isso que esperava que ele fizesse. Ele a fez sofrer, e por todos os motivos errados, os dois se confrontaram. Mas ali estava ela perdoando-o por tudo que havia acontecido, e pedindo perdão por tudo que havia feito.

Ele não era o único culpado. Ela poderia ter se agarrado a ele e dito que o amava, mas ao invés disso, agiu com indiferença. Sentia-se oca por ter tanta coisa dentro de si e não compartilhar como deveria. Sasori virou só mais um dos que a usou, porque agora se lembrava claramente que era ele quem observava enquanto a seqüestravam. Ele contribuiu para o pedaço de sua vida que ia ao chão.

Abraçou-se novamente, desejando que fossem os braços de Sasuke ao seu redor, e não aqueles braços pálidos e fracos, que agora tremiam com a escuridão que de mansinho a dominava completamente.


HEY, minna-san n.n

mais um capítulo, um pouco curto em relação aos outros, mas achei um pouco forte demais para deixá-lo maior n.n
ultimamente estou ocupada demais para estar postando aqui, mas espero que eu ocnsiga terminar de postar a fic antes das provas --'
não tenho muito o que comentar desse capítulo, já que não acontece muita coisa (a Sakura levou na cara, mas isso não vem ao caso u.u), mas provavelmente os próximos capítulos serão um pouco cansativos para explicar o que aconteceu, os motivos e blablabla DD:

E claro, como sempre, os agradecimentos *-* Uma review mais linda que a outra, que sinto-me um pouco culpada de non poder postar tão rápido quanto deveria n.n'

Mary Hinatinha

haruno R: Obrigada *-* Achei um pouco exagerado deixar eles no love, depois fazer com que eles brigassem, e depois fazer a Sakura sequestrada... Foi muita coisa para um capítulo, mas eu sinceramente non soube como dividí-lo, e acabou ficando corrido e grande n.n' mas fico MEGA feliz que tenha gostado, de verdade *-* e fico honrada de vs ficar ansiosa pela minha fic *-* Eu demoro um pouco para atualizar, mas faço o possível para non deixar muito tempo sem postar o próximo capítulo ^-^
;** E espero que goste desse tbm ^-^

Dayane Manfrere

Flor Batalha: ahuauhahuahuahuhuauhahua' realmente, a Sakura fez um auê só por causa da preocupação do Sasuke, mas em breve estará tudo esclarecido *-* Os dois são bem cabeça dura, quando se trata de proteger o próprio orgulho, e agora é a vez da Sakura u.u Digamos que pode haver um certo ódio surgindo das leitoras para com a Sakura nos próximos capítulos ;X
E pode deixar, que nos próximos capítulos, esclarecerei tudo, pelo menos até o capítulo 16, acho que já estará tudo resolvido, exceto entre eles --'
Obrigada por ler e deixar review ^-^ Espero que goste desse capítulo tbm ^-^
;**

Aninha3

Muito obrigada *-* A opinião de vocês é muito importante MESMO *-* Quase surtei quando recebi tantos elogios *-*

AHHHHH' e sobre a outra fic que estou escrevendo, estou precisando de algumas opiniões (:
Preciso de uma idade para a Sakura, e como a fic será um pouco mais adulta, com todo mundo graduado e etc, eu non sei o que fazer com eles :O
Non quero deixar eles com trinta anos, mas tbm non pode ser tão novinhos assim \z
Enfim, aceito sugestões, ok? Eu preciso ter uma base, para non deixar os personagens velhos (:

E um segredo: Nessa nova fic, a Sakura tbm terá traumas infantis XDD

Enfim, estou MEGA atrasada para o trabalho, e non dá pra falar (escrever :D) mais aqui --'

:**