Inside Controversy
A viagem até Merlin não seria tão longa depois do portal que Johnny conseguiu fazer, ele nos levou metade do caminho em cerca de segundos, porém ainda teríamos algumas horas para chegar até lá. Agora o dragão de Juno voava ao lado de Nessie e Vulcano decidido a ajudar sua Mestra.
Eu realmente deveria ter aprendido a criar portais, era cansativo ficar sentado nas costas de um dragão o tempo todo, não sei se vocês sabem, mas isso não é nenhum pouco confortável, mesmo sendo um elementar. Pelo menos pararíamos no meio da viagem para dar uma descansada, minhas costas já doíam muito.
- Viajar em um dragão é cansativo não é? – perguntei para Lavender enquanto pousávamos em uma clareira.
- Você ainda pergunta? – retrucou a britânica.
A clareira era grande o suficiente para três dragões e ainda sobrar bastante espaço, podia claramente ver um lago logo ali e estava morrendo de vontade de dar um mergulho, quem sabe se eu fosse só um pouquinho?
- Não Eric.
- Não o que Lavender? – falei assustado.
- Você não vai dar um mergulho naquele lago.
- Estava lendo minha mente é? – pude ver que Lavender começava a corar. – E eu vou sim, duvido você me pegar.
Segui em disparada em direção ao lago. Vi que a garota havia levantado, porém percebeu que se fosse atrás de mim seria em vão e por isso sentou-se em baixo de uma árvore por ali e gritou:
- Vou praticar meus poderes por aí então. Volte logo. – falou em tom mandão.
- Sim senhora! – respondi de longe.
Logo cheguei ao lago, a água era cristalina e parecia ter brilho próprio, mas o Sol avermelhado de Aliquam tinha um certo controle das águas, era estranho falar isso. Eu tinha o controle das águas. Não me preocupei com roupas, afinal elas voltariam ao normal quando saísse da água. Pulei.
O lago tinha alguns monstros marinhos. A maioria tinha a forma de um humanóide, menos desenvolvido do que a minha forma mutante, na qual havia me transformado, eles tinham as cores em uma mistura de azul e verde, pareciam cobertos de musgo, assim como o fim do lago.
- O que faz aqui Elementar? – pediu um monstro maior do que os outros, mesmo assim era uns 30 centímetros mais baixo que minha forma mutante.
- Estou apenas dando um mergulho. – falei com a voz grave e forte.
- Você não é bem vindo por aqui. Você fez muitos danos por aqui há milhares de anos. – falou um outro monstro marinho.
- Eu não sou o mesmo, juro para vocês. Afinal, eu nem sei o quê eu fiz. – falei um tanto confuso.
- Secar o lago uma vez não foi suficiente? Você matou milhares de criaturas do fundo do lago.
- Mas como era possível ter milhares de criaturas nesse pequeno lago? – falei olhando ao redor, o máximo de criaturas que poderiam viver ali eram 500.
- O lago não era pequeno há muito tempo atrás, e você sabe muito bem.
Ditas estas palavras o humanóide da esquerda deu um forte impulso contra mim, eu apenas levantei minha espada azul e o humanóide acabou sendo partido ao meio, algo parecido com petróleo saiu do seu corpo, seu sangue.
- E você veio fazer o mesmo! – Agora os cinco humanóides do resto do grupo, que eu não sabia nem o nome da espécie, me atacavam.
Apenas levantei minha espada azul e fiz movimentos involuntários para me defender, pequenos cortes surgiram logo depois nos humanóides fazendo o sangue negro vazar de suas veias. Isso apenas os deixou mais bravos. E agora mais monstros surgiam ao meu encontro e todos para me atacar, seus olhos continham uma raiva ancestral.
Apenas me concentrei na água ao redor e fiz com que a mesma saísse de perto das guelras dos monstros, todos urgiam pelo oxigênio contido na água filtrada por suas guelras que agora se extinguiam. Meus olhos estavam azuis da cor da espada, brilhavam de raiva. Aquele não era eu. Era meu espírito ancestral tomando conta, eu não podia deixar isso acontecer.
Entrei em conflito interior, tentava dominar o abuso de poder que estava utilizando. Demorei muito tempo para reparar este conflito, ele ocorrera também na luta contra Juno, mas eu pensei que tivesse sido eu, mas definitivamente não era.
- Vocês vão se arrepender de me atacar. – falei, mas eu não ordenara isso. Minha voz havia saído muito mais alta e forte do que necessitava.
- PARE COM ISSO! – gritei desesperado tomando o controle e parando de atacar os monstros marinhos. Aquilo não era eu. Apenas dei um impulso para fora da água e me destransformei rapidamente.
Não havia visto a direção que havia pulado caí longe da margem em cima de árvores que aliviaram a minha queda, vários cortes apareceram em minha pele logo em seguida. Senti uma leve pontada na cabeça e algo quente em minha testa...eu estava sangrando, deveria ter batido com a cabeça em alguma árvore ou em uma pedra no chão, já que caí com a barriga para baixo. Passei a mão por ali e senti um buraco em minha testa. Não isso não podia estar acontecendo, não comigo. Eu precisava de água, mas se entrasse lá de novo seria morto de qualquer jeito.
Uma eternidade parecia ter se passado quando ouvi passos. Foi o rosto de Lavender que surgiu em seguida e depois a voz dela esganiçada:
- ERIC! Meu Deus, o que aconteceu? – falou ela preocupada.
- Eu preciso de água. – falei somente agora, todo o meu corpo doeu e urrei de dor.
- Tudo bem eu te levo ao lago. – falou ela começando a me arrastar.
- Ai! No lago não. – urrei. – Chame Johnny.
- Mas como? Estamos muito longe de Lightbolt.
- Você é uma telepata ou não é? – falei olhando-a. Podia ver o sangue escorrendo da minha testa em direção ao meu peito.
Acabei por ler a mente dela já que estava nervoso e não conseguia me concentrar em nada para parar de ler mentes.
"Johnny, Eric está ferido no meio de uma clareira, me rastreie com algum feitiço por favor, eu preciso de ajuda."
Aquilo se repetiu várias vezes, sentia meu sangue fugindo do corpo. Estava fraco, se fosse na Terra iria precisar de um transplante de sangue, urgente. O local em minha volta estava vermelho de sangue e até mesmo Lavender que insistiu em segurar minha cabeça em seu colo.
Logo um portal branco e azul abriu-se na minha frente. De lá saiu o feiticeiro branco.
- MEU DEUS! – gritou ele logo após me ver, eu realmente deveria estar com uma aparência de semi-morto.
- Existe algum feitiço para isso Johnny? – falou Lavender com a voz esganiçada e preocupada.
- Eu acho que sim. Deixe-me tentar.
O feiticeiro abriu a bolsa que sempre carregava consigo, a não ser na batalha da Alemanha. Lá ele guardava todo tipo de reagente, desde olhos de salamandra até Essências da Luz. Ele pegou um frasco em forma de chifre e abriu a ponta. De lá saiu um forte cheiro de coisas boas misturadas com luz, sim eu conseguia sentir o cheiro da Luz. Ele pegou uma escama de dragão da bolsa e um potinho de ouro, lá ele misturou a Essência da Luz e as escamas. Um "mel" foi produzido, mas era azul e saiu diretamente do pote de ouro para a minha testa, uma sensação estranha passou pelo meu corpo, mas era uma sensação boa.
- CurisMaleficum. – entoou o feiticeiro.
Logo senti que meu sangue parecia voltar para minhas veias, o buraco em minha testa parecia se fechar. Eu estava de volta a ativa, continuava fraco, mas estava com os cortes fechados. Lavender voltara ao normal e pude jurar que seus olhos estavam cheios de lágrimas.
- Não me abandone peixe. – falou ela e me abraçou logo em seguida. Mesmo eu estando deitado, foi um abraço estranho, porém realmente confortante. Senti-me feliz e não sabia direito o porquê.
- Afinal, como você fez isso? – pediu Jonathan.
- Eu fugi do povo do lago, eu estava os atacando, mas não era eu. Algo me dominava. Meu espírito Elementar.
Johnny fez uma cara de desanimo ao ouvir aquilo.
- O que você fez de ruim Eric?
- Como assim de ruim? – pedi surpreso.
- Os espíritos elementares não são completamente bons, a maioria deles aparece quando você fez algo ruim. Qualquer sinal de negatividade deixa que a escuridão tome um pouco de posse de você.
- Então, mesmo sem feitiços a escuridão pode tomar posse de mim? – pedi confuso.
- Você não será controlado pela magia negra, mas se algum dia algum feitiço de controle mental negro te pegar, você estará vulnerável à ele.
- Então, mesmo por eu ter matado um monstro marinho em legítima defesa, isso é negativo?
- Você matou um monstro Marinho? – indagou Lavender retoricamente, do mesmo jeito assenti.
- Sim Eric, é negativo sim. Agora vou tentar abrir um portal forte o suficiente para levar vocês até o topo da Cordilheira dos Andes.
- Seja rápido. – falou Lavender com um pouco de medo na voz. – Os monstros do lago aprenderam a respirar.
Olhei junto com Johnny para o lago, alguns monstros marinhos estavam saindo de lá, vindo em minha direção bradando o hino:
- ELEMENTAR MISERÁVEL.
- PortalisCriatum! – Gritou Johnny criando um portal grande o suficiente para os dragões que estavam ali por perto. – Peguem seus dragões e voem para o portal. Literalmente.
Lavender me ajudou a levantar e seguimos na direção dos nossos dragões e do Dragão Branco de Juno. Gritei para Nessie e para o dragão de Juno para me seguirem e Lavender fez o mesmo com Vulcano.
Logo entramos no portal e sentimos a mesma gotosa sensação dos órgãos saindo de seu corpo.
