Capitulo 10

Senti alguém me guiando até o banco da carruagem, não era a mesma pessoa.

– O que está acontecendo? – eu perguntava com a voz falhando – Quem são vocês?

– Calma. – uma voz feminina falou.

– Shh! – a outra ordenou. Percebi que havia mais pessoas ali comigo.

E por fim, eu tinha sido capturada. Erik não saberia, e agora eu estava perdida, o que poderia fazer? Tentar lutar? Eu estava em menor número. Desistir? Não, eu não podia desistir, tinha que lutar, descobrir quem era esse louco seqüestrador e prendê-lo. Mas eu precisava de ajuda.

Parei de pensar no que fazer, assim que me tiraram da carruagem. Puxando meu braço com força, a mesma pessoa que havia me seqüestrado me levava para um lugar onde acendiam velas, e finalmente, tiraram minha venda.

Abri os olhos e a desprezível figura de Armand apareceu diante de meus olhos. Vi que ao meu redor estavam suas quatro ditas alunas: Daphné, Cameron, Belle e Bernadette.

– O que está acontecendo? – perguntei, exigindo uma explicação.

O olhar das moças era triste, cabisbaixo, pareciam arrependidas.

– Parabéns, Christine! – Armand falava, sua voz tinha um tom de ironia. Olhava-o, sem dizer nada. – É a minha mais nova aprendiz. – ele sorria com a mão em meu queixo.

– O que? – perguntei indignada. – Já te disse que não será meu tutor! Já tenho um!

– Você não entendeu, minha cara. – Sua voz, agora, era seria. – Não é um pedido, nem uma proposta e sim uma ordem. Assim como elas, você será minha! Fará tudo o que eu disser, cantará onde eu mandar. E com sua voz, em pouco tempo eu terei fama e dinheiro. – Ele ria.

– Fama? Dinheiro? É isso que você quer? É o significamos para você? – eu falava – e vocês? – me referi as meninas – como podem deixá-lo fazer isso com vocês? Ele não tem o direito!

– Cale-se! Elas sabem que não são páreas pra mim. Afinal, qualquer vacilo comigo pode levá-las ao fim de suas carreiras. – ele disse orgulhoso, porém eu não entendi. – conheço muita gente, gente do teatro, basta uma carta falando mal de vocês que nunca mais nenhuma irá cantar em ópera de nenhum lugar do pais! - ele então parou olhando-me – Não é verdade o que disse, você não significa apenas fama e dinheiro, talvez você possa ser algo mais que isso... – ele falou puxando-me para perto de seu corpo.

– Me solte! – gritei, empurrando-o.

– Casar-me com você pode vir a calhar, minha fama será ainda maior, já posso ver manchetes. Além do mais... – ele olhava-me de cima baixo.

– Nunca! – eu falei. – Me deixe em paz! – Corri até porta desesperada tentando abri-la, mas foi inútil, caí de joelhos no chão.

Senti as lágrimas caindo de meus olhos. Cameron veio até mim.

– Calma, depois de um tempo não é tão ruim. – ela tentou me acalmar.

– Não é tão ruim? Ser presa de um louco não é tão ruim? Por que aceitam isso? – minha voz falhava, mas eu não me conformava. Como podiam aceitar um destino assim?

– Christine... – Daphné falou, mas foi impedida.

– Quieta! – Armand gritou com ela, depois virou-se a mim – É claro que não vai ser ruim, afinal você será a mais privilegiada. – A voz dele tinha um tom que me amedrontava. – Vocês três, arrumem um quarto para ela. – ele ordenou. – Garanto, minha querida, que vai gostar muito de viver aqui.

Bernadette e Belle subiam a escada quando Daphné gritou.

– Parem! Não... Não podemos fazer isso!

– Como? – Armand se irritou.

– Quantas mais moças serão vítimas da sua ganância? Chega, Armand! – Ela disse firme, sem medo.

– É chega! – Cameron falou me ajudando a levantar. E Bernadette e Belle concordaram juntas.

– Vocês querem mesmo jogar todas sua carreiras fora por causa dela? – Ele riu ironicamente.

Elas hesitaram por um momento, mas depois enfrentaram-no corajosamente.

- Sim. – Daphné disse. – Eu estou disposta a tudo, não agüento mais uma vida de escravidão. – As outras concordaram com ela logo depois.

- Acha mesmo que vocês podem comigo? – ele disse ironicamente.

– Já pensou, Armand, que somos cinco e você apenas um? – Eu disse a ele.

– E o que você acha que pode fazer? – Ele me encarou, desafiando-me.

Sempre esperei que Erik que me salvasse de tudo aquilo que poderia me ameaçar, ele sempre me protegia, era meu anjo. Mas agora ele não estava ali, eu estava sozinha enfrentando alguém que poderia até mesmo me matar. Esperar pelo fantasma da ópera já era inútil.

– Simplesmente, acabar com você... – eu murmurei e antes que ele pudesse reagir Daphné jogou algo nele, enquanto ele desviava desnorteado de raiva, rapidamente puxei a espada que estava em sua cintura e coloquei em sua garganta.

– Acabou, Armand. – eu falei bem baixo.

– Acabou pra você. – Ele disse puxando o revólver e apontando em meu peito.

– Não, pra você! – outra voz masculina gritou, e ai... Finalmente, disparou-se o tiro. O barulho alto ecoou nos meus ouvidos, e eu apenas fechei os olhos esperando.