A noite já caira.
Porem não estava escuro. Pelo contrário, cidade estava mais iluminada do que nunca. Barda e Lief, que nunca estiveram em Las Vegas, a capital dos cassinos dos EUA, ficaram boquiabertos com os milhares de letreiros luminosos que agitavam a cidade, completamente cheia de pessoas que iam e vinham pelas calçadas. Jasmine estava se divertindo com a reação deles, mas ela se lembrava muito bem de quando viu todo aquele admirável mundo novo pela primeira vez.
Ela riu.
- O que foi? – Lief se virou para ela, finalmente livre do encantamento Las-Vegas.
- Nada – ela apressou-se em responder. – é melhor nós continuarmos, Paul vai nos encontrar no California Hotel and Casino.
- E onde fica isso? – Barda perguntou.
- Bem ali – Jasmine apontou para o outro lado da rua. Barda e Lief seguiram o dedo dela e olharam para onde ela apontava: um enorme prédio pintado de preto com listras brancas, um letreiro de néon vermelho na cobertura onde se lia CALIFORNIA e letras de pelo menos 1,5 metro, e um outro letreiro de néon vermelho sobre a porta principal escrito California Hotel and Casino.
- Tem certeza que é seguro? – Lief murmurou, sem desgrudar os olhos do grande edifício a sua frente.
- Aqui é Las Vegas, - ela riu. Como percebeu que eles não entenderam, continuou – Milhares de pessoas andam por essas ruas todos os dias, desde palhaços (literalmente, com nariz vermelho e tudo), até aqueles homens que se vestem de mulher, entendem?
Como que para enfatizar o que ela dizia, uma mulher negra com um vestido colado de oncinha que acabava bem no começinho das coxas, passou na frente do hotel. A mulher era muito estranha, tinha um visível "pomo de adão".
- Ah – Os dois disseram em uníssimo, captando o recado.
- Vamos – Jasmine começou a atravessar a rua, logo seguida por Barda e depois por Lief.
Foi então que ele o viu. Estava bem ali, atrás daquele poste conversando com alguém que ele não podia ver mais do que o topo da cabeça e o casaco negro. Lief congelou. Nunca poderia esquecer aquele rosto, mesmo com os óculos de visão noturna. Era o homem que tinha aberto a porta da sala de limpeza do San Francisco Museum of Modern Art.
- Lief, saia do meio da rua, as pessoas aqui costumam ser os piores motoristas do país. – Jasmine o alertou, mas ele inda não se mexeu. Nem pareceu ter ouvido uma palavra do que ela disse.
- Lief! – Ela chamou de novo, com mais raiva. Caminhando a passos largos, chegou até onde ele estava parado e segurou no seu braço, puxando-o.
Só então ele se virou para encará-la. Jasmine se viu contemplando aqueles olhos azuis tão vivos, que de repente se tornaram opacos. Pela luz de todos aqueles letreiros de néon, ela percebeu que Lief estava branco como papel.
- Eu vi – Ele disse com a voz um rouca – um dos assaltantes do museu.
- Tem certeza de que era um dos assaltantes mesmo, Lief? Talvez seje alguém só parecido.
- Não, era ele mesmo, eu tenho certeza absoluta.
Lief ainda tremia. Seu rosto tinha voltado ao tom normal, mas suas mãos, unidas em cima da mesa, não paravam quietas. Jasmine, com considerável ajuda de Barda, tinha conseguido arrastar Lief do meio d rua bem a tempo de evitar que um maltratado Opala amarelo passasse por cima dele.
Já dentro do hotel, eles passaram despercebidos pelos seguranças e subiram até o 12º andar, onde ficava o quarto de Paul, amigo de longa data de Perdição.
- Tome, isso vai acalmá-lo. – Paul, um homem da mesma idade de Barda, com cabelos loiros presos por uma fita verde e uma camisa branca meio aberta, entregou a Lief um copo de vidro.
Lief o segurou, levou os lábios, e no instante seguinte cuspiu todo o conteúdo com uma expressão de nojo. Barda tomou o copo das mãos dele.
- Álcool! Você deu álcool para um garoto menor de idade? – Ele parecia realmente bravo.
- Oras, me desculpe – Paul colocou a mão direita sobre o peito, com um ar de ofendido – mas essa é a única coisa que tem para beber aqui!
- Certo – Jasmine disse – Lief vai ficar bem. Pode nos dar um pouco de privacidade Paul? Por favor?
- Tudo bem. E espero que o seu pai esteja bem. Não sei o que faria se algo acontecesse com aqueles músculos, ui, ai meu Deus, que músculos. – Dizendo isso ele se virou e sumiu dentro de um dos quartos.
- Paul é gay – Jasmine disse se virando para os companheiros, respondendo aos seus olhares arregalados.
- Sim, claro. – Barda respondeu, depois de uma leve sacudida de cabeça e um piscar de olhos - Então Lief, nos diga exatamente o que viu.
Lief suspirou. – Era um homem, baixo e bem magro, estava atrás de um poste no hotel do lado, conversando com um homem de casaco preto. – Ele parou um instante – Ele não tinha nenhuma barba, e a boca era reta, bem fina. Tinha cabelos negros e ralos. Não sei mais o que dizer. – Ele levantou o olhar.
- Como vamos encontrar um homem numa cidade como essa? – Barda sacudiu a cabeça.
- Paul conhece muitas pessoas aqui em Las Vegas. Talvez ele possa nos ajudar.
CONTINUA...
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No próximo eu prometo que eles ja vão recuperar uma das pedras :)
