Cap.9 – De volta a rotina
Não sei dizer como foi o caminho até a casa dos Cullen, não sei nem dizer como entrei no carro só sei quando obtive consciência novamente a primeira coisa que vi foram os olhos dourados que durante tanto tempo me fizeram tanta falta. Edward estendeu uma das mãos até meu rosto e acariciou minha pele suavemente, eu senti um arrepio, mas não era de frio, era saudade, era meu coração batendo mais forte por te-lo de volta. Ele me exibiu um sorriso gentil. – Dormiu bem?
- Não, mas acordei bem. – Eu respondi matando toda a minha abstinência de seus olhos entorpecentes.
A expressão de Edward logo mudou, um véu triste pareceu tomar conta dele e seus olhos se desviaram dos meus. Ele tomou minhas mãos entre as suas e as encarou infinitamente enquanto acompanhava as linhas dos meus dedos com as pontas dos seus. – Bella, eu sinto muito. Me desculpe ter ido embora desse jeito, me desculpe não estar aqui para te proteger disso tudo. Talvez se eu estivesse aqui nada disse tivesse acontecido. – Eu não deixei que terminasse.
- Mas nós nunca saberemos. – Eu disse gentilmente colocando uma das mãos em seu rosto e erguendo-o ate que pudesse me ver em seus olhos. Ele segurou meu pulso rapidamente e levou minha mão até sua boca.
- Me desculpe. Eu achei você estaria salva se fosse embora, mas só te expus mais ao perigo. Me perdoe, Bella.
- Eu te amo, Edward. Me prometa que nunca mais vai sair do meu lado e tudo vai ficar bem. – Ele me olhou e sua boca se curvou no meu sorriso favorito.
- Eu prometo. – Eu retribui seu sorriso e recebi um beijo delicado no topo da minha testa. Quis me afundar em seu pescoço novamente, queria aquela sensação de segurança que só sentia quando estava com ele, que só ele poderia me dar e que eu tinha sentido tanta saudade, mas ainda estávamos na garagem de entrada da casa dos Cullen. Eu conseguia ouvir os passos ecoando suavemente no piso de concreto e suas vozes baixas conversando discretamente.
- Bella. – Edward e eu nos afastamos de nosso abraço saudoso e vimos Jasper parado próximo de nós com Alice a seu lado. Ele estava tão sereno e tão diferente de como estava no nosso ultimo encontro, que eu me perguntei se ele podia usar seu dom em si mesmo. Essa mudança não impediu Edward de endurecer ao meu lado e tomar sua postura super protetora, mas eu sabia que não havia o que temer. Meu medo de Jasper, o que havia acontecido no meu aniversario, tudo era passado. Jasper era meu amigo e eu sabia que nunca me faria mal. Coloquei uma das mãos sobre um dos braços de Edward.
- Tudo bem. – Disse para Edward. – Não vai acontecer nada. É o Jasper, somos amigos. – Vi os olhos de Jasper brilharem na minha direção. Um brilho diferente da vez em que me atacou, era um brilho de gratidão, de carinho. Edward relaxou um pouco e deu espaço para que Jasper se sentisse menos pressionado.
- A dor que senti por quase ter te machucado foi muito maior do que qualquer coisa que já senti na vida. Me desculpe, Bella. – Simples e limpo. O jeito Jasper de ser. Eu sorri para ele.
- Não se preocupe. Isso é passado, está tudo bem agora. – Ele deu um passo hesitante em minha direção e passou os braços rapidamente pelos meus ombros, fiquei surpresa claro, Jasper não era o tipo que fazia isso, mas retribui o abraço satisfeita e muito mais alegre do que estava quando abri os olhos. Ele se afastou, olhou para Alice e soltou um longo suspiro de alivio como uma criança que busca aprovação, ela por sua vez colocou uma das mãos em seus ombros e plantou um beijo em seu rosto me lançando um sorriso igualmente orgulhoso. Eu retribui mais uma vez, constatando que toda a saudade que eu pensei sentir deles durante esse tempo era real e que agora estava indo embora.
- Crianças! Pra dentro. – Carlisle nos chamou da porta da frente e, depois de fecharmos o carro, caminhamos tranquilamente pelo piso de concreto da entrada da frente e entramos. Do lado de dentro eu me dei conta que sentia falta de tudo, do cheiro, dos moveis, da decoração impecável, até do modo como a luz entrava pelas grandes janelas. Tudo era como um pedaço de mim que havia sido arrancado e só agora estava tomando seu lugar de direito. Continuamos caminhando até a sala da frente e eu não consegui evitar uma espiada no local onde o piano costumava ficar, agora era só um espaço vazio.
Entramos na sala e todo aquele bem estar que, aos poucos, estava tomando conta de mim foi embora com o dobro da rapidez quando vi Isaac e Beatrice tomando seus lugares na sala. Isaac ficou de pé como da primeira vez, atrás da poltrona que Beatrice ocupava e nós fomos nos arrumando nos lugares que restavam.
Ficamos todos em silencio, todos, além de mim é claro, deveriam estar querendo perguntar o que exatamente aconteceu na floresta, mas ninguém queria realmente ser a pessoa a perguntar. Era um assunto delicado, Isaac estava recomposto, parecia apenas uma pessoa suja de terra. Beatrice estava estóica como sempre. E eu estava com Edward, aninhada em seus braços. Mas eles sabiam que aquilo eram apenas aparências, eles tinham acabado de perder dois filhos, era como se Edward e Emmet resolvessem lutar e se matassem. E eu, bem, eu era a causa daquilo tudo.
As atenções vagarosamente se viraram para mim, mas eu devia ter esperado isso. Eu era a única que tinha presenciado todos os momentos, estava lá quando Vincent mentiu sobre Beatrice, na luta entre ele e William, na confissão de William e depois durante a luta de Isaac e Vincent. Era hora de fazer alguma coisa por Isaac e Beatrice, então eu me endireitei no sofá esperando a pergunta.
- Bella, nós entendemos que você passou por muita coisa e se quiser descansar um pouco antes de conversar nós entendemos. – Carlisle começou a falar, mas eu o interrompi. Que tipo de pessoa seria eu se disse que não queria falar sobre isso?! Eu era o motivo principal pelo qual duas pessoas, dois irmãos estavam mortos, eu tinha causado aquela situação, por minha culpa Isaac teve que matar o rapaz que tinha como um filho.
- Não, tudo bem. Eu posso falar. – E então eu comecei. Relatei todos os fatos desde quando Vincent havia me buscado em minha casa e deixado William voltar a pé até a terrível batalha dos dois na floresta. Doía falar sobre aquilo, mais ainda relembrar das cenas, dos detalhes, do desespero nos olhos de William, da crueldade nos sorrisos de Vincent e da tristeza no coração de Isaac, mas eu precisava não só por eles, mas por mim também. Aquilo pesava dentro de mim e me fazia afundar cada vez mais rápido dentro daquele poço de culpa e depressão que me encontrava, mas ao contrário do que eu esperava, desabafar daquele jeito não me ajudou em nada, não liberou nenhum espaço dentro do meu peito para que eu conseguisse respirar.
Quando eu terminei a ultima frase daquele conto de terror, o silencio imperou na elegante sala dos Cullen. Edward ainda tinha um dos braços em volta do meu ombro me dando segurança enquanto os outros encaravam ou os sapatos, ou os nós dos dedos. Quanto a Isaac e Beatrice, bem, ele estava lá parecendo uma estátua de gesso, presente apenas fisicamente, duvido que estivesse escutando uma palavra do que eu havia dito. E Beatrice, estóica, como sempre me queimava com seus olhos cor de bronze bebendo cada detalhe tanto de minhas palavras quanto de minha mente. Eu não me incomodei de te-la vasculhando meus pensamentos assim tão descaradamente, ela tinha direito de saber tudo o que havia acontecido.
- E foi isso. Eu sinto muito. – Ergui os olhos até os dois e notei Beatrice segurando delicadamente a mão de Isaac.
- Não foi culpa de ninguém. Nem sua, Bella. Nem sua, Edward. – Eu esperava que ela dissesse algo desse tipo, afinal de contas desde o encontro na floresta Beatrice estava agindo como um tipo de líder matriarcal, o que foi muito estranho para mim que estava acostumada a ver Isaac fazendo o papel social. E então ela olhou discretamente para Isaac e disse. – William e Vincent fizeram as próprias escolhas. – E o significado daquele olhar não fugiu de mim, eu sabia o que era. Olhei para Isaac e pude jurar que vi algum tipo de resposta à Beatrice, não sei dizer que tipo de resposta era, mas havia algo ali, uma compreensão das palavras que ela dizia, talvez. – Não havia nada que pudéssemos ter feito.
- Eu poderia ter te escutado. – Todos me olharam com um certo espanto que não me escapou. Até Edward havia se endireitado no sofá e sussurrado algumas palavras de conforto no meu ouvido, mas eu não queria ouvir nada. Não precisa ser reconfortada, precisava consertar o que havia feito. – Não! Se eu tivesse ouvido não teria ido para a floresta, William não teria tentado me salvar. Nada disso teria acontecido.
- Não dependia de você, Bella. – Ela me olhou pacientemente. – Vincent teria continuado até achar um outro momento perfeito para te atacar e William teria te defendido em qualquer um desses momentos. Não havia nada que você pudesse ter feito.
- Mas não nunca saberemos. Talvez se tivesse me afastado dele quando você avisou, nada disso tivesse acontecido.
- E, talvez, se tivessemos escolhido o Alasca em vez de Forks isso também não teria acontecido. – Eu queria responder, queria mostrar que em suas tentativas de me isentar da culpa ela estava claramente esquecendo do fato de que realmente foi minha culpa, mas não sabia o que dizer. – São milhões de possibilidades, Bella e nunca saberemos os finais destas, mas as coisas acontecem por um motivo.
- E qual o motivo para isso?
- Sou uma vampira, não uma vidente. Isso você tem que perguntar para ela. – Ela indicou Alice com um aceno de cabeça e um sorriso muito singelo nos lábios.
- Ficaremos felizes de ajudar em qualquer coisa que precisem. - Carlisle disse educadamente.
- É muito gentil de sua parte, mas agora só precisamos ir para casa.
- Claro. – Isaac e Beatrice se levantaram, Esme e Carlisle os acompanharam até a entrada. Mas que diabos! Por que tudo estava me parecendo tão adormecido?! Nada daquilo estava diminuindo a culpa em mim. Eu abaixei a cabeça enquanto eles deixavam a sala e caminhavam para o corredor que daria acesso a saída. Edward se aproximou de mim, provavelmente estava sentindo minha indignação.
- Você está bem?
- Ela me avisou, Edward. Ela disse para tomar cuidado com Vincent e eu fui tão grossa com ela. – Eu estava lutando contra as lágrimas, mas já estava começando a sentir meus olhos ardendo.
- Mas você ouviu o que ela disse. Não havia nada que você pudesse ter feito.
- Isso não diminui a dor de ninguém. – Ele se manteve ao meu lado e me puxou mais perto de si.
- Durma aqui hoje. Ligue pro Charlie, diga que vai ficar na casa de uma amiga.
- Qual amiga? – Eu perguntei sentindo a temperatura fria de sua pele sob o tecido de sua camisa.
- Alice é sua amiga. Peço para Carlisle conversar com ele, não vai ter problema. – Eu cedi, claro. Não queria sair da fortaleza que a casa dos Cullen significava para mim agora. Então quando Carlisle voltou acompanhado de Esme, Edward pediu que falassem com Charlie e tentassem convence-lo de que seria totalmente seguro para mim passar a noite com eles. E bem, preciso dizer, que Esme foi incrivelmente convincente. Ela me passou o telefone para que Charlie pudesse me dar alguns últimos avisos como, por exemplo, usar o spray de pimenta, coisas que apenas a mente de Charlie via como possibilidade, desejei boa noite ao meu pai extremamente cauteloso e desliguei o telefone.
A noite na casa dos Cullen foi muito agradável, eles fizeram o possível para me manter ocupada pensando em coisas diferentes, me serviram um jantar delicioso e Alice me levou ao seu quarto para que pudéssemos escolher minha roupa para a escola no dia seguinte. Na hora de dormir Edward improvisou uma cama em seu quarto com alguns edredons e almofadas, pode parecer meio desconfortável e até seria se não estivesse envolvida por seus braços longos. Poderia estar dormindo em uma cama de pregos, não importava, o que importava naquele momento era que ele estava comigo, mais uma vez ele era o único que conseguia acalmar meu coração e me fazer pensar que tudo poderia dar certo. Foi no meio desses pensamentos apaixonados por Edward que caí no sono.
Foi um sono sem sonhos, sem pesadelos e sem descanso. Não foi dos melhores, eu admito, mas fiquei feliz por isso porque no fundo da minha mente sabia que podia ser pior. Podia ter tido pesadelos horríveis, pensamentos torturantes e milhões de outras coisas que não quero nem cogitar.
Depois de ter recobrado a consciência procurei por Edward, claro. Foi um pânico incontrolável quando acordei e não senti, nem vi seu corpo ao meu lado. Mas para a minha tranqüilidade logo que meu coração disparou ouvi passos na escada e em seguida vi meu Adonis de mármore caminhando pelo corredor com uma bandeja de café da manhã nas mãos e o sorriso torto mais lindo nos lábios finos.
- Bom dia. – Ele me desejou. – Como conheço o seu apetite pedi para Esme dar uma reforçada no café. – Eu sorri prendendo uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Vocês dois não precisavam ter tido esse trabalho. – Eu disse enquanto ele se sentava ao meu lado apoiando a pequena bandeja em uma cadeira próxima.
- Bem, Alice e Jasper ajudaram também.
- Então vocês quatro não precisavam ter tido esse trabalho.
- Não seja boba, Bella. Você sabe que Esme ama cozinhar para você. É a desculpa para usar a cozinha que ela precisava. – Eu sorri mais uma vez pegando o copo de suco de laranja e dando um longe gole. Dei uma mordida na torrada ainda quente que estava no prato ao lado e assim ficamos em silencio por mais algum tempo. Seus olhos ainda estavam em mim, eu podia senti-los, ele queria saber coisas, mas eu não encontrei a força em mim para encara-lo. Então ele finalmente perguntou. – Como você está?
Eu demorei mais do que deveria mastigando um segundo pedaço de torrada, não estava com fome de verdade, só não queria deixa-lo mais preocupado. – Vou ficar bem.
- Mas você não está bem. – Seus olhos continuavam em mim e então eu tive que erguer os meus para fita-lo.
- É difícil, Edward. Eu estou tentando, mas é tão difícil. – Senti seus braços em volta de mim me puxando contra o seu peito de pedra e senti meu corpo relaxar perto do seu.
- Vou te ajudar a passar por isso. Não vou sair do seu lado, Bella. Nunca mais. – Eu sabia que era verdade. Sabia que sempre o teria comigo e que meu coração sempre acalmaria sob o toque dele. – Vou cuidar de você. – Fiquei ali aninhada entre os braços do meu vampiro não sei por quanto tempo, sempre que estava com ele o tempo insistia em simplesmente parar. Teria caído no sono novamente se Alice não tivesse nos despertado com um toque muito gentil na porta do quarto de Edward.
- Bom dia. – Ela sorriu carinhosamente. – Está quase na hora de ir para a escola, imaginei que a Bella pudesse querer tomar um banho antes de ir. – Ela disse olhando para Edward e depois se virou para mim. – Depois podemos escolher alguma coisa do meu armário para você vestir, é bem mais seguro do que o visual 'mulher-fatal' da Rose. – Nós rimos e com um beijo suave de Edward em minha testa, me levantei e segui Alice pelos corredores. Ela não me perguntou nada, nem quis saber como eu estava, acho que ela viu no futuro e sabia que se eu precisasse de algo ou quisesse conversar não hesitaria em procura-la. Tive a confirmação desse pensamento quando vi ela me lançar um sorriso gentil e me entregar uma toalha. Retribui o sorriso e entrei no banheiro com a certeza de que podia contar com Alice e com todos naquela casa.
O banho não foi como os que se tornaram minha marca registrada. Demorei debaixo da água, fiz tudo muito lentamente mais porque estava tão aérea que não conseguia me concentrar do que por qualquer outra coisa. Só sei que quando finalmente sai do banheiro Alice estava vestida com outra roupa e me esperando do lado de fora.
- Demorei muito? – Perguntei a ela.
-Edward achou que você tivesse descido pelo ralo, mas ele é neurótico então não podemos levar em consideração. – Ela sorriu e me estendeu a mão. Eu ri mais uma vez, adorava o modo como ela lidava com as coisas e como estava lidando comigo agora. Seguimos para o seu quarto e ela me ajudou a escolher o modelo que mais se encaixava no meu perfil no meio de suas roupas, no mínimo, alternativas. Sai do quarto vestindo uma calça jeans azul escura, uma camisa branca de mangas três quartos e um colete da mesma cor que a calça. Não eram roupas que eu tinha do meu armário em casa, mas fiquei satisfeita.
Quando descemos Edward estava me esperando ao lado da casa com Jasper em seu encalço e totalmente impecável em suas roupas, naturalmente. – Você está linda. – Ele me cumprimentou com um beijo no rosto e eu senti as maçãs do rosto arderem em brasa. Alice tomou seu lugar ao lado de Jasper e os dois compartilharam um sorriso em minha direção.
- Alice te ajudou a escolher as roupas, eu imagino? – Jasper perguntou enquanto ela se pendurava em seu braço.
- Deu para perceber?
- Há alguns quilômetros de distancia. – Nós quarto compartilhamos uma risada e aquela era umas das coisas das quais eu havia sentido falta. Eram a minha família, meus amigos, as pessoas que sempre me acolheriam, eram os Cullen. No final do corredor pude ver Esme flutuando elegantemente em nossa direção, em uma casa normal eu diria que foram as nossas risadas que chamaram sua atenção, mas como não era uma casa normal posso dizer que, na verdade, foi o meu cheiro.
- Como passou a noite, querida? – Ela se aproximou segurando meus ombros delicadamente com as mãos.
- Muito bem, dormi como uma criança. – Eu sorri.
- E tomou o café da manhã?
- Tomei. – Me senti como se estivesse no primeiro dia de aula, mas eu gostava. Sentia falta da minha mãe, de ter alguém com esse papel, claro que Charlie tomava conta de mim, mas era diferente. Eu estava pronta para dar minha terceira resposta afirmativa a Esme quando Edward me segurou pela mão.
- Precisamos ir ou vamos chegar atrasados.
- Ah, é claro. Não podem chegar atrasados. – Ela se aproximou de mim e me deu um carinhoso e envolvente abraço. – Volte no final da tarde, sim? Suas roupas já vão estar lavadas.
- Obrigada, Esme. Por tudo.
- Imagine, querida. Foi um prazer.
Caminhamos os quatro para a entrada da casa e Esme nos acompanhou, iríamos com o Volvo, claro, mas eu me perguntei como Emmet e Rosalie iriam, não caberíamos todos no carro de Edward, certamente. Me despedi mais uma vez de Esme e esperei até que Edward, Jasper e Alice se despedissem também. Entramos no carro, eu na frente ao lado de Edward e Jasper e Alice no banco traseiro e sumimos pela pequena estrada que levava até a casa dos Cullen.
- Não devíamos ter esperado Emmet e Rosalie? – Eu perguntei enquanto colocava o cinto de segurança.
- Eles já foram. Saíram um pouco antes de você acordar. Não íamos caber todos no meu carro. – Como eu desconfiava. Eles deviam ter ido no conversível vermelho de Rosalie ou com o Land Rover de Emmet e, a essas alturas, já deveriam estar na escola a muito tempo. A escola. Durante minha noite nos Cullen e a manhã agitada, eu não havia conseguido parar para pensar que certamente encontraria Beatrice pelos corredores, não seria difícil, eu só precisava seguir a fila de estudantes apaixonados que a rodeava diariamente. O que eu diria? Lhe daria um abraço? A ignoraria? Não tinha idéia, queria poder simplesmente conversar com ela, mas o que diria?
O caminho até a escola foi extremamente rápido, mas também com Edward no volante não tinha como ser muito diferente disso. Entramos no estacionamento apinhado de alunos, vi Jéssica e Mike parados próximos a van de Tyler, cumprimentei-os com um aceno de mão e fomos estacionar o carro no lugar de costume, ao lado do conversível de Rosalie. Não vi ela ou Emmet, deviam estar do lado de dentro. Como sempre Edward deu a volta para abrir a porta para mim.
- Você vai ficar bem? – Ele me perguntou enquanto me entregava minha mochila. Eu sorri jogando a alça em cima do ombro.
- Não é meu primeiro dia de aula, sabe? – E então ele sorriu. – Vou ficar bem, Edward, é só a escola.
- De qualquer maneira, vou te acompanhar até a sua sala. – Eu concordei, não porque estivesse com medo ou me sentindo insegura, mas porque queria aproveitar mais meus momentos ao seu lado e sentir sua mão gelada na minha o máximo que podia.
Entramos na escola os quatro juntos, mas logo Jasper e Alice tomaram seus respectivos caminhos e eu fiquei sozinha com Edward. Enquanto caminhávamos até minha sala e meus olhos instintivamente procuravam por Beatrice a cada passo algo me ocorreu, algo que eu não havia pensado até agora. – Edward? – Ele me respondeu com um som. – Para onde você foi? – Paramos de andar e ele virou os olhos na minha direção.
- Não fui longe.
- Mas aonde?
- Nos primeiros dias fiquei rodeando as florestas de Forks, mas quando percebi que enquanto não saísse da cidade você nunca estaria salva fui para o norte, estava quase chegando ao Canadá, meu destino era o Alasca.
- E por que voltou? – Ele me olhou de novo e essa foi uma daquelas vezes que fazia meus joelhos tremerem e meu corpo inteiro fraquejar. Ficamos daquele modo em silencio por alguns bons minutos, a balburdia de alunos e professores a nossa volta parecia ter sumido e por um momento éramos apenas nós dois em todo mundo. Ele ergueu uma das mãos para tocar meu rosto e fez meu corpo inteiro arrepiar sob seu toque gelado.
- Você não sabe? – Ele sussurrou com o rosto a centímetros do meu. Eu respondi como pude, mas não sei se foi muito significativo, minha voz simplesmente me abandonava nesses momentos.
- Não...
E então eu vi aquele sorriso perfeito, os dentes perfeitamente alinhados, braços como as nuvens do céu. – Porque eu te amo, Bella. Meu lugar é ao seu lado e sair dele foi o maior erro da minha vida. – E lá estava eu, parada no corredor da escola, com o garoto mais lindo do planeta e os olhos marejados de lagrimas. Senti uma vontade incontrolável de abraça-lo e então apenas inclinei o corpo para frente até que minha testa tocasse seu peito musculoso e logo seus braços longos e fortes já estavam a minha volta me dando todo o conforto que eu precisava.
Mas como todos os momentos perfeitos da vida são curtos, o nosso não seria exceção. Muito mais rápido do que eu queria a sineta das aulas tocou e nos despertou do nosso mundo alternativo. Edward ainda me acompanhou até a minha sala e se despediu de mim com um beijo na testa, e foi assim que começou meu dia na escola. As aulas continuaram se arrastando como fazia normalmente e os outros alunos continuavam conversando animadamente como faziam diariamente, completamente alienados às coisas que haviam acontecido no dia anterior, totalmente despreocupados. Eu os invejei naquele momento, nenhum precisava ficar ouvindo os urros de uma luta, nenhum deles via os olhos desesperados de William em qualquer lugar ou a tristeza de Isaac em cada reflexo. Eu sei, eu também não precisava, mas estava além de mim, eu não conseguia controlar.
Quando o almoço finalmente chegou eu percebi que estava mais ansiosa em me juntar aos Cullen do que em qualquer outro dia. Joguei meus cadernos de qualquer jeito dentro da mochila e quase corri até a porta, mas logo percebi que a minha pressa era inútil. Edward já estava parado em toda sua perfeição do lado de fora da minha sala, me esperando. Caminhamos juntos mais uma vez, agora até a lanchonete, ele me deixou sentada com Jasper, Alice, Rosalie e Emmet e foi buscar meu almoço. Enquanto isso eu troquei algumas palavras com Emmet, estava com saudades do grandalhão, mas quanto a Rosalie as coisas ainda estavam as mesmas.
Foi um almoço agradável, consegui colocar algumas coisas no estomago, o que deixou Edward muito satisfeito, e ainda troquei mais algumas palavras com Jasper e Alice. Correu tudo bem e por um momento eu realmente havia me esquecido de todo o acontecido, estava me sentindo como uma daquelas pessoas que eu estava invejando nas aulas passadas, estava me sentindo como uma adolescente normal e para minha sorte continuei assim o dia inteiro.
Um dia se passou, eu estava de volta a escola e nada de Beatrice, nenhuma sombra, nenhuma pista. Emmet e Rosalie não estavam mais fazendo aula de francês com ela por causa das crises de ciúmes de Rosalie então eu não podia nem perguntar a algum aluno. Outro dia e ainda nenhum sucesso, eu havia até considerado montar guarda na porta da sala dos professores, mas se a encontrasse o que eu diria? Meu medo de encontra-la conseguia ser maior do que minha necessidade de vê-la e saber se estava tudo bem, então logicamente que não esperei na sala dos professores nem em qualquer outro lugar que pudesse.
- Eu só estou dizendo Edward, já faz duas semanas. – Eu tentava convence-lo enquanto caminhávamos juntos até a lanchonete. – Só estou curiosa
- Quem diria, você assim preocupada por causa de Beatrice.
- Ela poderia te surpreender se você a conhecesse melhor. – Edward riu.
- E de onde saiu isso? – Eu parei de andar e comecei a pensar. Aquelas não eram minhas palavras, aqueles não eram meus pensamentos e eu já havia ouvido aquilo antes. Isaac. Foi ele quem havia me dito todas as coisas boas sobre Beatrice e foi com os pensamentos nele que eu esbocei um sorriso carinhoso enquanto lembrava dos bons momentos que passei ao lado dos DeLorme, Vincente incluído.
- Só queria saber estão, só isso. – Eu apertei sua mão na minha e ele me estudou por alguns instantes.
- Eles estão bem, tenho certeza. Não se preocupe com isso, Bella. Eles sabem se cuidar.
- É eu acho que sim. – Eu disse lhe me conformando. Ele deu aquele sorriso torto que eu amava.
- Vá se sentar com Alice, já levo sua bandeja. – Eu confirmei com a cabeça e assim nós entramos na lanchonete. Eu fui me sentar com os Cullen e Edward foi buscar meu almoço, eu nem me incomodava em pedir alguma coisa, já sabia que ele colocaria absolutamente tudo que estivesse nas bandejas no meu prato. Puxei uma cadeira ao lado de Alice e me sentei.
- Oi, pessoal. – Havia chegado no meio da conversa pelo que me pareceu e Rosalie não se importou nenhum um pouco de continuar falando como se eu nem estivesse presente.
- E por que você foi perguntar?! Começou a sentir saudades?
- Eu não fui perguntar. Carlisle ligou no seu celular, foi você quem me deu a notícia.
- E eu aposto que você ficou muito chateado.
- Rose, não seja boba. Eu não fiz nada, você sabe.
- Tanto faz, Emmet. – Rosalie empurrou a bandeja elegantemente e saiu do refeitório tão elegantemente quanto havia entrado, mas bem mais irritada isso eu poderia apostar. Emmet suspirou e correu a mão pelos cabelos raspados.
- É melhor eu ir atrás dela.
- Boa sorte. – Jasper desejou enquanto o grandalhão se levantava.
Eu continuei em silencio, não ia me meter naquilo, mas Emmet foi gentil o suficiente para me cumprimentar enquanto saia da mesa. Ficamos eu, Jasper e Alice sentados enquanto Edward não chegava. E agora apenas com os dois eu tinha a liberdade de matar minha curiosidade. – O que aconteceu?
- Rosalie está tendo ataques de ciúmes...outra vez... – Alice girou os olhos, divertida. – Eu sei que é maldade, mas é tão engraçado. – Jasper e eu sorrimos.
- Por causa de quem dessa vez?
- Beatrice.
- Vocês viram ela?
- Carlisle ligou no celular de Rose, parece que eles vão se mudar. Ela passou no hospital hoje mais cedo para agradecer por tudo.
- Como assim? – Eles estavam indo embora? Será que a dor de ficar no mesmo lugar onde tinha perdido William e Vincent era tanta que precisavam ir embora?
- Eu não sei, não estava lá. Rose contou quando chegou. Eles vão no sábado. Conhecendo Carlisle do jeito que conheço aposto que vamos dar uma passada lá. – Sabe quando o estomago afunda e automaticamente um nó se fecha na sua garganta? Eu estava assim. Não queria nem me mover, queria apenas ficar ali sentada, pensando naquilo. Mas precisava fazer alguma coisa, queria vê-los mais uma vez antes de ir.
- Alice... – Eu comecei insegura. – será que estaria tudo bem se eu fosse junto? – Perguntei um pouco insegura. Alice compartilhou um olhar com Jasper e respondeu.
- Mas é claro. Já estávamos contando com a sua presença. – Eu sorri satisfeita para ela. Era incrível como gostava de estar perto dos dois, Jasper sempre me acalmava com seu dom incomum e Alice era minha amiga, a melhor que eu poderia pedir.
Edward se aproximou e nós com bandeja explodindo de comida como eu esperava, mas não estava mais com fome. Estava nervosa e ainda estávamos na terça feira. Ele se sentou ao meu lado e rapidamente Alice passou os acontecimentos de alguns minutos atrás e logo depois que ele já havia sido informado da mudança de Beatrice e Isaac e já estávamos rindo dos ataques de ciúmes de Rosalie. Claro que sentíamos pena de Emmet, ele nunca a trairia, nunca nem pensaria nisso, mas o fato é que ver Rosalie descer de toda sua pose para brigar por causa de outra mulher era simplesmente hilário.
Meu humor até melhorou depois desse almoço, mas infelizmente nada disso fez minha aula de Educação Física no último horário passar mais rápido ou ser menos traumática para mim e para todos a minha volta. Não sei porque os professores ainda insistiam em mim, estava mais do que obvio que eu, com uma bola de basquete na mão, era uma ameaça para toda a escola. Meu premio depois de ter causado dano a todos e a minha mesma era o garoto com o sorriso torto mais lindo da escola e com isso eu me contentava. Saímos juntos da escola e dessa vez ele me deixou em casa, fazia tempo que não via Charlie ou pisava em casa, pareciam décadas e tenho que admitir que estava com saudades.
Quando abri a porta Charlie ainda não estava em casa, então era totalmente seguro para Edward andar pela casa feito um relâmpago enquanto me ajudava com as tarefas e com essa ajuda, eu terminei tudo em metade do tempo. Depois disso pudemos ficar sentados no sofá assistindo TV ou conversando sobre alguma coisa aleatória enquanto eu me aninhava em seus braços. Era engraçado, para qualquer um que entrasse ali naquele momento éramos apenas um casal de namorados aproveitando uma tarde juntos, a parte engraçada é que eu tinha dezessete anos e meu namorado oitenta. Mas quem disse que o amor acontece de maneira lógica?
Depois de algumas horas Edward saiu da casa feito um fantasma e Charlie apareceu. Estava com saudades daquela figura calada que era meu pai, lhe dei um grande abraço depois que ele pendurou o casaco no cabide e acho que ele ate se surpreendeu um pouco com isso.
- Como foi com os Cullen?
- Foi ótimo. Carlisle e Esme mandaram um olá.
- Eles são boas pessoas. – E era o fim do nosso dialogo. Era uma das coisas que eu mais gostava em Charlie, ele não ficava trocando palavras desnecessárias, falava apenas o que o momento pedia mesmo que fosse pouco. Jantamos juntos como sempre e depois de me despedir dele e tomar um banho subi para o meu quarto e para minha rotina. Edward estava parado nas sombras do meu quarto e eu tive que observa-lo durante alguns instantes antes de me aproximar. Deus, como havia sentido falta dessa rotina.
O resto da semana na escola se arrastou muito mais lentamente do que eu poderia sonhar que seria possível. Estava beirando o insuportável, todo o período letivo parecia ter pelo menos trinta horas de duração por dia, mas quando finalmente chegamos na noite de sexta feira eu senti como se tivesse sido rápido demais e eu não estava pronta. No dia seguinte eu e os Cullen iríamos até a casa dos DeLorme, eu, pela primeira vez, iria encarar Isaac depois de tudo o que havia acontecido, eu iria ter que sustentar o peso do olhar de Beatrice me lembrando a cada instante que eu deveria te-la escutado. Mas eu não podia parar agora, estaria com Edward, ele me daria forças e eu só esperava que conseguisse ser corajosa o suficiente.
