Capitulo 11

Parte da família

O quarto era ensolarado, tanto que o excesso de luz quase o cegou quando ele entrou no ambiente, seguindo o filho. Tentou não resmungar sobre a falta de necessidade de se criar aquele ambiente para o lugar, mas era difícil.

Sentada próxima a cama estava a amiga de Scorpius, os cabelos vermelhos e desarrumados que o faziam lembrar tanto a mãe da moça na mesma idade.

Encostado na janela, com a cara mais carrancuda que a sua própria, o chefe dos Aurores e pai do recém nascido, Ron Weasley. Ele parecia descontente com algo e Draco tinha a certeza que o seu nome estava envolvido no motivo.

Na cama, segurando um gordo e rosado bebe nos braços, a sra Weasley, ex Grager, que lhe dirigiu um sorriso amável quando percebeu sua chegada. E de alguma forma aquilo lhe deu mais medo que o olhar carrancudo do Weasley.

-Malfoy... – disse ela aconchegando melhor o pequeno em seus braços – Que bom que veio.

Ele levantou a sobrancelha, incomodado com as boas vindas, enquanto o filho, sem nenhuma cerimônia, se aproximava da cama e se pós a admirar o bebe com um sorriso nos lábios.

-Disseram que vocês queriam falar comigo. – resmungou.

-Ela quer. – respondeu Ron, seco.

-Scorpius, precisamos conversar. – a jovem Weasley pegou a mão do amigo e o tirou de lá antes que Draco pudesse entender o que estava fazendo.

De repente ele havia sido deixado a sós com as duas pessoas que mais detestava no mundo.

Ótimo. Realmente ótimo.

Ele ia matar Scorpius por isso.

JN~DG~SL

Ela lhe esticou um papel todo amassado que tirara do bolso.

-O que é isso? – ele perguntou.

-O endereço de uma das francesas que estavam com você naquele dia... – disse ela com um sorriso nos lábios – Meus informantes me ligaram ontem à noite quando ela pisou no país.

-Informantes? Pensei que fosse apenas uma estagiária.

Ela riu.

-Você não sabe o que uns olhares podem fazer.

-Ah, eu sei... Sei sim. – ele cruzou os braços sobre o peito – Então qual é o plano?

-Você vai lá e arranca dela uma confissão. Não vou poder te acompanhar por causa do bebe, tenho que ficar aqui para ajudar a mamãe. Mas não sabemos quanto tempo essa mulher vai ficar na cidade, então é bom ir logo.

Ele acenou em concordância, mesmo sabendo que isso não seria tão fácil quanto ela fazia parecer.

-Mas antes passe na loja do meu tio. – Scorpius franziu o cenho – Eu falei com ele ontem a noite mesmo, ele vai te arrumar uns uniformes falsos de camareira.

-Camareira?

Ela sorriu de forma divertida.

-Isso mesmo. É realmente uma pena que eu não esteja lá para ver isso... – esticou-lhe um frasco – Poção polisuco deve resolver. De a entender que quer se juntar a profissão.

Scorpius acenou em positivo entendendo o plano da amiga. Rose levantou um pequeno espelho e lhe entregou também.

-São comunicadores dos Aurores, eu não deveria estar lhe entregando um desses, mas, vou dar um jeito do espelho-espelho desse estar com a Lily hoje ainda. Ative ele quando a vagabunda começar a falar.

O loiro não parecia muito confiante, mas resolveu comprar a idéia da amiga.

-Você pensou em tudo mesmo.

-Como sempre.

-Mais alguma coisa?

-Ah, - ela deu uma olhada para a porta do quarto onde os pais deles conversavam – Não, acho que eu posso resolver qualquer problema por aqui. Agora vai.

JN~DG~SL

O homem de cabelos escandalosos lia com atenção a carta. A sua volta, a família Potter aguardava em silencio, esperando seu parecer, mas Albus já estava perdendo as esperanças já que, na opinião dele, Ted estava demorando mais tempo que o necessário para ler o curto bilhete da justiça.

-É... Isso vai ser complicado. – murmurou ele a certa altura.

-Está dizendo que a Lwa tem direito de pedir essa anulação?

-Pelas leis bruxas, sim. Sua ex-namorada descende direto dos Black, isso a coloca na posição certa para anular o testamento que Sirius fez, beneficiando o padrinho.

Apesar de jovem, Ted já era um advogado respeitado por todo país e Ginny não tinha duvidas sobre sua capacidade quanto aquilo. Se ele dizia que seria complicado, é porque seria.

-É... Ela é a única herdeira de sangue... – disse James, inquieto.

-Na verdade não. Ela não é a única.

Os quatro Potters encararam o jovem Lupin sem entender. Até que Ginny captou a mensagem.

-Narcisa Malfoy... – lembrou ela fazendo Lily e Albus a olharem com surpresa – Ela assinava Black antes de se casar. – comentou, respondendo a pergunta muda dos filhos, depois balançou a cabeça incomodada – Mas ela jamais nos ajudaria, Ted.

Ele deu um olhar tristonho para a mulher que chamava de tia.

-Eu aprecio o fato de vocês esquecerem disso, tia, mas nesse momento seria bom lembrarmos que a sra. Malfoy tinha mais duas irmãs: aquela comensal da morte e... Minha avó.

Ginny arregalou os olhos, finalmente se dando conta do obvio. Ela realmente havia esquecido por completo da procedência de Ted.

-Isso quer dizer que... – começou Lily

-Eu também tenho sangue Black.

Albus ponderou.

-Mas o fato de você não ser descendente direto te deixaria em desvantagem, não?

-Vai ser uma briga boa. – ele sorriu, um sorriso iluminado que o fazia Ginny lembrar da mãe dele – Ela tem o sobrenome, mas eu tenho uma descendência mais próxima aos últimos donos da casa. – levantou-se do sofá - Se eu ganhar passo a casa para o nome de vocês e fica tudo resolvido.

Ginny o abraçou de repente.

-Oh Ted, obrigada. Não é pelo dinheiro, é só que...

-Tenho certeza que minha avó não ia querer ver essa casa na mão dos Black novamente, tia. Não se preocupe. Não vou fazer pelo dinheiro também, farei por ela.

A avó Andromeda havia morrido tinha poucos anos. Ela o havia criado, e tudo que ele se tornara devia a ela e ao avô trouxa. Ginny tinha certeza que Ted se empenharia ao máximo para fazer que ele imaginava ser a vontade da avó. Isso a acalmou.

-Então, como anda os preparativos para o casório? – perguntou James ao final do assunto "inventário da família Black".

-Vão bem. Embora o seu tio ainda não esteja olhando para a minha cara. – sorriu de leve para Ginny que envolveu o braço dele, e se pós a guia-lo para a cozinha.

-Os Weasley são muito ciumentos com seus filhos. – comentou ela – Está com sorte por ter engravidado a Vick... Se tivesse feito isso com a Rose acho que nem Harry conseguiria lhe salvar da fúria do Ron.

Ele riu.

-Pobre de quem tentar um dia, então. – comentou ele e foi como se Albus sentisse um soco em seu estomago.

JN~DG~SL

-Então? - ele perguntou impaciente para a ex gestante – O que quer falar comigo?

-Primeiramente, queria lhe agradecer.

Ele soltou um suspiro irritado.

-Olha, Granger...

-Weasley! – rosnou o marido – É sra. Weasley para você, Malfoy.

Ele lhe deu um olhar desdenhoso antes de voltar-se novamente para a mãe e o bebe.

-Então, sra. Weasley, como ia dizendo, eu não fiz isso por você...

-Não, - ela o cortou antes que a frase terminasse em algum insulto. Estava certa do que ia fazer e, se não foi a discordância do marido, não seria os maus modos do Malfoy que a impediriam – Você fez isso pelo meu filho... – mostrou a criança para ele - Estou errada?

Ele caiu na besteira de olhar o rosto rechonchudo que ela lhe mostrava. Se não fosse as sardas, lembraria Scorpius na mesma idade. Então, todo o sentimento de ternura que tivera ao ver o rosto do filho pela primeira vez lhe inundou o coração de repente.

Ele balançou a cabeça em negativo, respondendo a pergunta de forma muda e, ao mesmo tempo, tentando afastar o sentimento reconfortante.

-Foi o que pensei.

-Eu... – se calou, enquanto desviava o olhar.

Hermione aguardou por alguns minutos enquanto esperava que ele se entendesse com seus sentimentos.

-Eu queria lhe agradecer da forma correta, Malfoy.

Ele voltou a encará-la e as palavras saíram sem pensar.

-Bom, podiam começar criando o garoto direito. Colocar o nome do amigo morto de você não me parece um bom começo.

-Ora seu... – Ron deu um passo na direção dele, mas a esposa o fez parar com um levantar de mão.

-Eu estou falando serio. – continuou, ao perceber que não teria o pescoço quebrado – Não é a melhor hora para se homenagear Harry Potter. Você sabe disso tão bem quanto eu. – estava se referindo aos ataques.

Ron voltou a encostar na janela, desviando o olhar e grunhindo algo incompreensível em resposta.

-Eu disse que ele se importava... – comentou Hermione ao marido que repetiu o grunhido – É por isso que acho que ele seria ideal.

-Ideal? Ideal para que?

-Ele não vai aceitar. – respondeu o marido, sem se preocupar com a pergunta do loiro.

-Aceitar o que?

-Bom, nunca saberemos se não perguntarmos, não é?

-Perguntar o que?

-Esqueça, Mione. Ele nunca daria conta.

-Não daria conta do que? – definitivamente ele estava ficando irritado de ser deixado de lado no meio de uma conversa a seu respeito.

-Ora, Ron, mas, se o Harry deu conta...

-Ele não é o Harry... Não é capaz de...

-Hey, Weasley, eu posso fazer qualquer coisa melhor que o seu amigo faria. – berrou, conseguindo finalmente a atenção dos dois – Não interessa o que seja, eu posso dar conta.

Hermione abriu um sorriso vitorioso. Ron bufou contrariado.

-Muito bem, Malfoy. Fico feliz que esteja disposto em ser o padrinho do pequeno Harry. – ela esticou a criança pra ele, praticamente a empurrando no seu colo.

E Draco a segurou, em meio a confusão que se formou em sua mente.

-Vocês... vocês... não estão falando sério, estão? – ele olhou do menino para o pai do menino, que ainda o encarava om cara de poucos amigos – Você não me daria um filho seu como afilhado.

-Não mesmo.

-Ron... – o tom de Hermione era conciliador.

-Mas é como minha esposa me disse... Se não fosse por você, ele não estaria aqui. – suspirou – É justo.

Draco, permaneceu longos segundos calados, olhando para as bochechas rosadas que sorriam para ele. Quando levantou os olhos para o casal, porém, a expressão era de raiva.

-Vocês dois tem o que na cabeça? Titica de galinha? – antes que Ron tivesse a reação de soca-lo (o que provavelmente ele só não fez, porque Draco segurava seu filho), Malfoy continuou – Como se já não bastasse ter o seu sobrenome, querem dar o nome de Harry para o garoto e ainda me por como padrinho? Porque não pintam logo um alvo na testa dele? Seria menos chamativo!

-Está preocupado? – perguntou Hermione, serenamente.

-Mas é claro que estou! E vocês também deveriam.

Ela voltou-se para o marido.

-Viu, eu disse que ele se importa. – voltou-se novamente para Draco – Então, aceita?

-Não importa se eu me importo ou não, vocês não estão me escutando? Isso é perigoso para a criança!

Ron deu de ombros.

-Está se dando mais valor do que deveria... Você não ser o padrinho não irá tirar o Harry de perigo. Ele já está em perigo por ser nosso filho.

Desencostou do batente da janela e foi até os dois, pegando o filho do colo dele.

-Eu tenho uma infinidade de irmãos para batiza-lo, Malfoy. Mas, é como eu já disse, é justo que você seja o padrinho já que ele só nasceu porque você foi rápido o bastante... e nos ajudou. Não gosto da ideia de te dar livre acesso ao meu filho, nem de ter que olhar para sua cara o resto da minha vida, mas essa é a única forma que temos de mostrar o quanto estamos gratos pelo que fez. Então, você aceita, ou não?