Capítulo 7Dúvidas
Música Tema: Is This Love, Whitesnake


O Uchiha apenas olhava para o teto, pensativo. Acabara de voltar e já tinha problemas para resolver. Seus olhos mostravam desinteresse, mas sua mente estava em hiperatividade, gritando de desespero e ansiedade. O jornal, atirado aos pés de uma das camas com violência segundos atrás, tinha em destaque os três últimos homicídios cometidos, cada qual a sua maneira, mas com uma coisa em comum: os gravadores contendo suas respectivas confissões.

Itachi sabia que, em algum momento, aquela bomba iria explodir em cima de alguém. Só bastava adivinhar em quem seria, assim poderia correr para longe o quanto antes, tentar se esconder em algum lugar calmo, onde aquela merda de vida à qual foi arrastado não conseguisse estender seus tentáculos pegajosos. Se esse lugar existisse realmente.

A porta do quarto se abriu com força e passou por ela um homem alto de pele bronzeada. Seu rosto e seus cabelos arrepiados conferiam-lhe a aparência de um tubarão, assim como os dentes pontiagudos e mais finos que o normal. Carregava em suas costas algo que se assemelhava a uma espada, envolta por bandagens.

- O que foi, Kisame. – perguntou o Uchiha, deitado em sua cama.

- Já temos o nosso número. – disse com a expressão desgostosa, sem o seu costumeiro sorriso. – Sete. Teremos o sétimo para nós, okay?

- Certo... – respondeu o Uchiha. – Mas quando?

- Dezembro. – disse em um rosnado, irritado.

- Do jeito que estamos indo, isso vai dar merda. Muita merda. – acrescentou Itachi com um tom de preocupação e raiva, ainda que um tanto contida.

Kisame respirou fundo e soltou todo o seu ar de uma vez, saindo do quarto em seguida. Aquela aparente despreocupação de Itachi o irritava mais do que as ordens insanas que seu chefe bradava pelo telefone. O Hoshigaki precisava respirar.

Itachi, agora sentado, olhava para o seu pulso, onde suas marcas determinavam quem ele foi, o que ele era e, possivelmente, o que viria a ser. Encarou os dois símbolos tatuados e quase sorriu quando fitou o primeiro. "Família", lembrou-se quando encarou o brasão dos Uchiha sobre o seu pulso.

Porém, a sensação aconchegante logo foi substituída por um frio. "Desertor!", bradava a outra com uma fúria imensurável. A nuvem vermelha era o seu renascimento e seu próprio funeral. Itachi teve seus motivos para seguir Madara, motivos que jamais seriam compreendidos por quem nunca esteve em situação parecida. Uma sensação esquisita surgiu, causando-lhe um frio na espinha. Deveria ver seu irmão, depois de tanto tempo?

Itachi sorriu com o pensamento. Seria estranho, no mínimo. Tempo. Ele definitivamente não o tinha, então deveria desperdiçá-lo com seus devaneios... Levantou-se da cama, o sorriso já desfeito, e pegou o jornal do chão, colocando-o perto da porta. Tinha que ir atrás de Kisame. Tinham coisas a discutir.


Seus olhos estavam pesados, mas ele não podia dizer que não era nada. Resultado de noites mal-dormidas – ou sequer dormidas – além dos pensamentos agitados que povoavam sua mente há pouco menos de uma semana. Sasuke respirou fundo e fechou os olhos por um instante, tentando captar os sons ao seu redor.

Uma mão pousou em seu ombro e abriu os olhos imediatamente. Naruto estava à sua frente, o encarando com uma curiosidade explícita.

- Tá tudo bem, cara? – perguntou o Uzumaki.

Sasuke deu de ombros, desviando o olhar para a porta da sala, por onde entraram duas garotas, conversando animadamente. Ino e Sakura talvez tivessem olhado para lá, mas o Uchiha já se voltava para o louro, sem as fitar por muito tempo.

- Já estive melhor. – falou debruçando-se sobre a carteira e enterrando a cabeça entre os braços.

Era irritante a falta de conclusão de sua mente e Naruto, talvez por já conhecer o colega, resolveu não insistir muito mais em suas perguntas, tratando de falar amenidades. O Uchiha sequer dava atenção às perguntas, estava lacônico, embora dentro dele tudo se passasse em textos gigantescos. Pensar no que sentia deveria ser algo simples, direto e rápido. Definitivamente estava sendo mais difícil do que o normal.

Para Sasuke, parecia que toda vez que chegava a uma conclusão plausível, a garota Haruno surgia novamente em seus olhos e desmanchava todas aquelas conclusões, que, então, pareciam tão erradas. Quando olhava para ela, parecia que resolveria seus problemas, no entanto, sentia estar se enfiando neles. Desnecessariamente...

A aula começou e levou algum tempo até Kakashi entrar na sala de aula, como já era de se esperar. Estava definitivamente desinteressante quando Sasuke resolveu apenas anotar seus pensamentos no caderno aberto, em uma página aleatória. "Eu preciso mesmo ficar pensando nisso?" Bastava seguir sua vida em frente, talvez sair algumas vezes com a Haruno e, quem sabe, descobrir depois se gostava dela realmente ou não.

Mas as coisas não eram tão simples. Não mesmo. Tinha o seu próprio bem-estar, sua própria promessa e a amizade entre os dois. Não queria jogar tudo isso no lixo só para descobrir que o que sentia não era real. Havia mais coisas em jogo do que aquela dor de cabeça chata que o incomodava, então.

Sentiu algo bater em sua cabeça e finalmente foi tirado de seus devaneios. O pedaço de giz repousava sobre sua mesa e os olhos do professor e de metade da sala caíam sobre si.

- Primeiro aviso.

Sasuke baixou os olhos para o caderno e passou a observar, com certa discrição, a garota Haruno, sentada mais a frente. Era estranho estar sentido aquilo. No mínimo estranho, já que ele não costumava sofrer de quedinhas bobas. Geralmente era o contrário.

O sinal soou e ele saiu da sala o mais rápido possível, sem falar com ninguém e driblando os chamados dos demais colegas, como fez nos últimos dias. Saltou os degraus da escada com agilidade e pressa. Queria pensar e, ao mesmo tempo, parar de fazê-lo. Queria descanso, mas não queria realmente descansar. Estava preso dentro de um paradoxo que ele mesmo criou.

A porta abriu-se com um estrondo e Sasuke invadiu a parte superior da escola, logo sentando em seu banco de sempre. Por um instante, cogitou pedir um cigarro a Shikamaru, mas se lembrou de uma segunda coisa: parar com aquilo de fumar quando estava nervoso. Tsuchi lhe deu hábitos bons e ruins, os ruins lhe trouxessem consequências mais proveitosas que os bons...

Olhou ao redor e viu o mar de flores em que estava. Já havia se acostumado ao cheiro, que agora não passava de um suave perfume para seu olfato. Levantou-se e foi em direção da diminuta cerejeira, que permanecia imutável. Olhou os pequenos galhos e notou que agora realmente lembrava uma cerejeira em versão miniatura.

Alguns galhos haviam sido podados recentemente. Não por ele. Fora feito com destreza, de maneira delicada, por alguém que sabia o que estava fazendo e não tinha medo de machucar a pequena árvore, embora tomasse todo o cuidado para não acabar de vez com os galhos finos. Era um trabalho de alguém que realmente gostava daquela cerejeira.

Ele gostava da sua cerejeira? O Uchiha debruçou-se sobre o pequeno muro que o separava das paredes externas do prédio, um suspiro que não foi dado preso dentro de seu peito. Olhou para baixo e viu alguns alunos conversando pelo pátio. Identificou os colegas no meio de outros estudantes, mas estranhou não encontrar Sakura ali por perto. Pelo menos seus olhos negros não haviam detectado os cabelos róseos da garota. Sentiu uma mão tocar-lhe o ombro e virou-se assustado.

Lá estava ela, o encarando com seu meio sorriso.

- Assustou? – perguntou sarcástica.

- Imagina! – disse, sentindo o coração bater desconfortavelmente. Não só pelo susto. – Você sabe, eu adoro entradas dramáticas.

- Babaca. – falou sem deixar o meio sorriso desaparecer de seu rosto.

- O que te traz aqui? – ele questionou curioso.

- Eu vim perguntar se você tem maquiagem na sua bolsa. – ela disse, o fazendo arquear uma das sobrancelhas.

- Por que diabos eu teria...

- Brincadeira. – ela falou e ele se sentiu idiota. Era óbvio. – Eu sabia que você estaria aqui.

- Como assim? – ele perguntou de repente, sentindo o desconforto se agravar, não mais em seu peito, mas também em seu estômago.

- Eu meio que... Sabia que você costumava vir aqui durante os intervalos. – ela disse. – Só não queria encher ainda mais o seu saco do que os outros já vêm fazendo.

Sasuke forçou um riso, mas acabou soando como um psicopata prestes a matar mais uma de suas vítimas. O suspiro escapou de seu peito e ele encarou a cerejeira com uma falsa curiosidade.

- E então, o que quer comigo? – perguntou com a voz amena.

- Saber o porquê de estar me evitando.

Não houve resposta por alguns segundos.

- Não estou te evitando. – disse finalmente, e ela arqueou uma sobrancelha. – Eu só preciso pensar em algumas coisas, então estou tentando não ocupar minha mente com outras... Ocupações.

Ela iria retrucar, mas deixou quieto. Aquilo, vindo do garoto que havia saído da cidade, para poder penar, era até que plausível. Ela olhou-o por um instante e notou com ele parecia cansado com as leves marcas de sono contrastando em seu rosto.

- Ta, está bem... – disse e ele deu um sorriso. – Apenas me faça um favor: cuide bem da minha cerejeira. – falou apontando para a cerejeira.

Ele ficou atônito. Como assim sua cerejeira? Olhou para ela, que já atravessara a porta e descia as escadas. Menos uma coisa para se pensar, mas agora tinha algo entalado em sua garganta. Uma frase que ele não sabia expressar, apenas a sentia ali, remexendo-se furiosamente, buscando sair. Ele a admirava, então. Ou talvez além de uma mera admiração.

Quando ela saiu, a sensação de alívio misturou-se à de vazio. Os olhos fitaram o lugar pelo qual ela tinha saído. A porta, ainda aberta, moveu-se com uma brisa que passou por ali e Sasuke só então percebeu que estava sentindo frio. Um frio quase sobrenatural.

Não tinha certeza de nada e aquilo era definitivamente irritante.


O Uchiha olhou através da janela do ônibus e sentiu a nostalgia chegar em suaves ondas. Seus olhos, primeiro, pareciam misturar as imagens do hoje com as de quase uma década atrás. Depois, lembrou-se das vozes de conhecidos, de grandes amigos que ficaram para trás. Sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha e baixou os olhos para o pulso, como fez há poucas horas. Sua vida era uma droga.

Itachi não precisou olhar para o lado para saber que Kisame dormia profundamente, já que o seu ronco conseguia superar os barulhos do próprio ônibus. Ele havia acordado mais cedo e, como já era de se esperar, dormiria até o final daquela viagem.

Itachi não prestou muita atenção aos demais passageiros, tampouco ao colega. Apenas tentou esvaziar sua cabeça, livrar-se de uma maré de pensamentos que teimavam em fazê-lo acreditar que estava voltando para casa. Ele não tinha mais casa e sua única família deveria querer vê-lo morto, apenas. Deu um riso sem graça, nasalizado. Mais uma vez: vida de merda.

Passou a olhar seu reflexo na janela. Estava mais acabado que antes, embora ainda parecesse jovem. Sabia que, por dentro, estava completamente destruído. Era apenas uma sombra do que um dia sonhou ser. Itachi se sentia como um espectro vivendo em meio aos demais, tão brilhantes, ofuscando sua visão. Sentia-se como um prisioneiro fadado à morte, mas ainda assim trancado dentro de uma cela imunda, dividindo-a com os ratos, vermes e fungos de todos os tipos. Sentia-se morto. E seria a morte que o faria se sentir vivo.


Ele sentiu os lábios dela, tão quentes e macios, fundirem-se aos seus. Pediu por mais, a língua abrindo um caminho em meio ao calor da boca dela. Estava em êxtase, no meio de um calor infernal que, na verdade, nem de longe pertencia ao inferno. Enfiou as mãos por baixo do uniforme dela.

Estavam em uma sala vazia, durante o intervalo, e o tempo era escasso. Seus lábios desciam pelo pescoço dela enquanto afastava os fios rosados com as mãos. Entre beijos e chupões, ele descia seus lábios cada vez mais...

As mãos meteram-se em meio à saia dela, os botões de sua camisa haviam sumido quando arrebentou para livrar-se delas mais rápido. Não se importou. Sasuke estava onde queria e com quem queria e era isso a única coisa que importava naquele momento.

- Sasuke... – ouvi-a sussurrar em seu ouvido com delicadeza.

Tudo ficou escuro e ele se perguntou quem havia apagado a luz da sala. Abriu os olhos depois de um longo piscar e, desanimado, percebeu onde estava. Estava no pátio externo, perto da quadra, dormindo. Sem lábios quentes e macios, sem pele aveludada, sem olhos verdes penetrantes nem belos cabelos róseos. Só ele e o vento.

Praguejou uma ou duas vezes antes notar que a treinadora olhava para ele.

- Sasuke, eu estou preocupada. – ela o encarou com uma sobrancelha arqueada. – Você não é seu irmão, mas as suas olheiras estão me deixando assustada. O que está acontecendo com você?

- Nada. – respondeu de imediato, não controlando o rubor em sua face.

- Está bem, se não quiser me contar que está apaixonado pela Haruno, não precisa. – ela disse, piscando e ele ruborizou ainda mais.

- O-o quê você quis d-dizer com isso? – gaguejou, assustado.

- Ai, ai... Eu pensei que você era o cara observador... – ela zombou. – É óbvio que você tem uma queda por ela. E é óbvio que você percebeu isso.

Ele ficou calado, desviando o olhar para longe. Ela segurou-o pelo queixo e puxou seu rosto, virando-o para si, o que ele fez com desagrado. Não entendia o porquê de Anko querer sempre se meter na vida dos outros. Talvez fosse por isso que Kakashi combinasse com ela. Enfim...

- Se precisar conversar, sabe onde estou. - ele concordou, apenas para se livrar dela, deixando que ela partisse. – Ah, e você perdeu meio ponto na média por não comparecer à aula e estar dormindo, se isso for do seu interesse.

- Merda... – murmurou.

O resto do dia passou lentamente, como se caminhasse diante de seus olhos, zombando de sua pressa, da vontade insana de voltar para casa, apenas para pensar naquele ar já viciado em seus pensamentos e foco em uma única pessoa.

Era final do período, faltava pouco mais de cinco minutos para acabar a aula. Ele suspirou e olhou no relógio. A aula não era desinteressante, ele apenas estava interessado em outras coisas. O Uchiha olhou para o caderno em branco. Não conseguiu copiar nada. Absolutamente nada.

- Hey, Sasuke! Vai com a gente no Ichiraku? – perguntou Naruto com o sorriso mais largo que poderia dar.

- Não, foi mal.

- Ê... Tá parecendo a Sakura, meu Deus! – exclamou baixinho. Ele não entendeu, a princípio. Apenas se virou para frente, encarando a lousa com o maior e mais profundo desinteresse.

A professora Kurenai dava sua última aula, a barriga já bem aparente. Sasuke não conseguiu deixar de sorrir e imaginar como seria ser pai. Kurenai estava linda, e isso não era exagero nenhum. Por um instante, Sasuke imaginou como Sakura ficaria no lugar da professora. Abanou a cabeça, sentindo um arrepio na espinha e o rosto esquentar. Estava pensando demais. Lembrou-se do que a professora havia comentado. Estaria ele realmente apaixonado pela Sakura?

O sinal soou e, quando Naruto passou ao seu lado, Sasuke segurou seu braço. O olhou com seus olhos ônix, e mostrou um meio sorriso. Naruto entendeu.

- Ichiraku, é? – perguntou Sasuke. – Bora.


Estavam em oito, apenas os garotos de sempre. Neji, Kiba, Shikamaru, Chouji, Lee, Naruto, Shino e Sasuke. Gaara não quis ir, disse que estaria ocupado, então o deixaram para lá. Estavam todos juntos, ali no Ichiraku, onde juntaram duas mesas para conseguirem comer e conversar.

O Uchiha apenas observava Naruto contar seus causos, enquanto riam do exagero dele. Neji às vezes fazia algum comentário enquanto ria, já Shikamaru e Shino se limitavam a um sorriso suave. Chouji comia, apenas. Já Kiba, junto com Naruto, riam até chorar. Lee, porém, estava como Sasuke. Parecia aflito, as sobrancelhas gigantescas estavam franzidas, como se estivesse pensando seriamente em alguma coisa. Síndrome de Sasuke, talvez.

Sasuke não queria admitir, mas estava chato. Não havia nada para fazer, além de contar sobre as merdas do dia-a-dia ou as mancadas do Naruto, então estava tudo muito repetitivo. Precisavam variar as saídas para almoçar. Deveriam, por exemplo, parar com o Ramen. Quando isso foi discutido, Naruto se meteu, dizendo que "Ramen é o prato dos deuses, e nada no mundo iria superá-lo".

- Os deuses, e as pessoas normais, variam seus pratos, Naruto. – disse Sasuke e os demais riram. – Só você não.

As discussões continuaram, até que decidiram, na semana seguinte, ir a algum lugar diferente, mesmo que sob os protestos do Uzumaki. Terminaram de comer e cada um voltou para suas respectivas casas. Exceto Sasuke. Ele, preso naquele paradoxo de querer e não querer, decidiu sair um pouco, abandonar o ônibus e voltar caminhando, respirando um pouco o ar de fora.

Era inevitável não pensar nela. Não conseguia deixar de lembrar seu rosto ou sua voz toda vez que se distraía pelo caminho. Respirou fundo. Já estava perto de casa quando se sentou em uma praça, um banco de pedra no meio da grama bem cuidada. Olhou para o céu cheio de nuvens antes de fechar os olhos.

Via a imagem dela sob suas pálpebras, como se já estivesse habituada a aparecer ali, durante os seus sonhos. A cada nova respiração, ele a via se aproximando. Quando abriu os olhos novamente, já estava escurecendo. Quanto tempo perdera ali? Ele não sabia, mas já havia passado das cinco horas com toda a certeza.

Correu para a sua casa, ainda cambaleando de sono. Parecia estar bêbado. Ela o embriagou, ainda que sem saber. E ele era só mais uma vítima daquela bebida forte que era Sakura Haruno.


Ela estava sentada na frente do monitor, encarando a página de internet aberta sem muito interesse, os cabelos presos desajeitadamente em um curto rabo de cavalo. Observou a página que Asuma indicou para a pesquisa de biologia. Ela lia sem muita pressa o material do site quando a campainha tocou.

Não precisou ouvir sua mãe avisar para se levantar e descer as escadas, saindo de seu quarto e indo até a porta. Do outro lado dela, antes de Sakura cogitar abrir, um garoto impaciente estava parado. Ele parecia ansioso e engoliu em seco quando ouviu a maçaneta girar. Pensou em se esconder, mas lembrou-se de quem era, e que não seria aquela garota – justo aquela – que o deixaria amedrontado. Tentou dar seu melhor sorriso quando viu sua figura surgindo através da porta.

Sakura ficou surpreso por vê-lo ali. Mal o conhecia direito, mas tinha certeza de que não era uma má pessoa. Ou deveria fingir muito bem. Ela retribuiu o sorriso quando ele o deu para ela, fazendo o dele ficar ligeiramente mais largo. Ela, vestida com uma blusa de frio cinza, o zíper aberto revelando uma camiseta rosa desbotada por baixo, uma calça jeans clara e folgada, assim como o All-Star mal calçado nos pés.

- Oi... – ele disse com a voz rouca, mas sem deixar de ser suave. – Tem algo para fazer essa noite?

Ela arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada. Ele, vestido em sua jaqueta preta aberta, a camiseta vermelha sob ela e a calça jeans, também preta, sobre as pernas davam-lhe um ar diferente do que o da ultima vez que ela o vira. Foi pega de surpresa e respondeu que não, ainda com uma sobrancelha arqueada.

- Quer dar uma volta? – perguntou com um sorriso ligeiro nos lábios, o polegar apontando para trás.

Só então ela notou, logo atrás dele, bem rente à calçada, uma moto esportiva preta. Ela não conseguiu deixar de se perguntar onde ele a teria arranjado e, mesmo que perguntasse, ele nunca diria que ganhara de seu pai. Não mesmo.

Ela meneou a cabeça positivamente depois de pensar um pouco. Ela não o conhecia direito, mas que mal faria tentar quebrar um pouco a sua rotina?


N/A: Me matem agora, hahaha... Isso foi só pra dar uma aquecida, okay? Bom, espero que o capítulo tenha ficado bom. Em breve postarei o capítulo 8, que está em edição. Tentarei não demorar, certo? ^^

taty Ah, sim... O Uchiha pastará e muito! Haha, coisas aconteceram e irão acontecer. Sério. *dramatic*