Cedric havia ponderado muito antes de colocar seu nome no cálice de fogo. Ele não queria fazer papel de idiota na frente da escola, mas a glória, o reconhecimento e a vantagem de se desafiar compeliram a fazê-lo. Mas agora, parado naquela tenda ele se sentia um idiota. Um idiota meio esverdeado. Um apito soou longe e ele saiu, sem muita esperança. Ele tinha que confiar nos seus instintos, seus aprendizados. Apertou a varinha entre os dedos. O dragão mexeu a pata quando ele saiu e ficou observando-o se movimentar de longe, mexendo apenas os olhos. Parecia que Diggory não valia o trabalho dele se levantar. Ele apontou a varinha para uma pedra, que começou a se mexer e transfigurar-se em um labrador. O cachorro começou a pular e se mexer, balançando o rabo em todas as direções em direção do dragão, irritando-o. Ele levantou-se e começou a perseguir o cachorro, sendo fortemente impedido pela corrente em seu pescoço. Cedric avançou. Ele sabia que seria agora. Algumas pedras titilaram quando ele passou e o dragão voltou a olhá-lo. Um jorro de fogo saiu de sua boca ao mesmo tempo em que o garoto se jogou para o ovo dourado. Ele sentiu o frio do ovo em suas mãos e uma ardência na cabeça. Mas ele havia derrotado a primeira tarefa.

Ele estava um pouquinho mais confiante após a primeira tarefa. Depois que ele descobrira o segredo do ovo, então ficou exultante. Claro que deu uma forcinha ao Potter, pela ajuda na primeira tarefa, mas não faria diferença, porque saber o que os aguardava era tão ruim quanto à surpresa. Ele passou todos os dias em frente ao Lago, tentando descobrir como faria para passar pelas criaturas – e que Merlin o ajudasse a não encontrar a Lula gigante. Agora buscar o quê? Ele só foi descobrir que iria buscar Cho quando estavam para iniciar a tarefa e ela não tinha ido lhe desejar boa sorte. Isso acendeu uma vontade de vencer nele. Não poderia perdê-la. Fez um feitiço rápido de cabeça-de-bolha e pulou na água ao som do apito. A água estava gelada e ele demorou de se acostumar. O lago era tão negro que ficava difícil enxergar uma direção. Os grindylows balançavam as algas enquanto passavam por elas, na espreita para atacar a qualquer momento. Ele nadava, mas não conseguia encontrar uma direção. Então ele viu os corpos flutuantes ao longe. Pareciam bonecos de cera. Harry já estava lá, mas não parecia estar salvando seu amigo e sim esperando. Ele chegou até lá e olhou para o outro campeão:

- Me perdi! – disse silenciosamente, com uma expressão de pânico. –Fleur e Krum estão vindo agora!

Ele pegou uma faca do bolso do short e libertou Chang rapidamente, subindo e desaparecendo de vista. Havia conseguido novamente.

Pareciam séculos para a terceira tarefa. Parados ali, em frente aos grandes muros de cerca viva ele não podia acreditar que estava no fim. Havia ainda grandes desafios a se enfrentar, mas era só mais uma tarefa. Ele podia terminá-la, mesmo que não fosse o campeão. Mas desejava aquilo. Estava bem mais confiante que qualquer outra e sentia que poderia vencer o labirinto. Seus pais estavam o assistindo, vibrantes. Seu pai quase não continha a animação. O apito soou e ele viu Harry entrar junto dele pelas grandes aberturas.

- Lumus. – murmurou e ouviu Potter fazer o mesmo.

Caminharam juntos por um trecho até chegar a uma bifurcação. Entreolharam-se.

- Até mais. - disse Harry tomando a trilha da esquerda. Ele tomou a trilha da direita.

O apito soou mais uma vez. Krum acabara de entrar no labirinto. Sentiu a necessidade de ir mais rápido e começou a correr pelo caminho. Tudo parecia livre demais até aquele momento. Um explosivin gigante apareceu em seu caminho. Ele saiu gritando uma série de feitiços até o bicho cair paralisado aos seus pés. Ele seguiu mais um pouco antes de esbarrar em Harry novamente, com a manga fumegante.

- Os explosivins de Hagrid!- sibilou- Estão enormes. Escapei de um por um triz.

Ele continou, sem olhar duas vezes para o garoto. Encontrara outro explosivin. Parecia que aquelas criaturas tinham uma queda por ele, mas dessa vez passou mais facilmente, depois do choque do primeiro.

Então esbarrou com Krum. O garoto ergueu a varinha para ele.

- Que é que você está fazendo?- Berrou. Krum estava agindo estranho. Agitado. - Que diabo você pensa que está fazendo?

Krum gritou Crucio e Cedric começou a berrar, enchendo cada vez mais o silencioso labirinto.

Potter apareceu do meio da cerca viva, tirando a concentração de Krum, que começou a correr antes de ser atingido por um feitiço.

- Você está bem? – Harry perguntou.

- Estou. – ofegou Cedric, ajeitando as vestes. Eles conversaram por um breve momento, antes de seguirem caminhos opostos novamente. Ele sentia que se aproximava a cada passo que dava.

Ele viu a taça brilhando em um pedestal a menos de 50 metros dele. Ia pegar, ia ganhar o torneio. Até um vulto tombar em sua direção, jogando-o no chão.

Potter começou a berrar feitiços antes mesmo que ele conseguisse ver o que o havia atingido. A aranha gigante agarrara Cedric com as pinças e ergueu no ar. Nenhum dos feitiços conseguia derrubá-la. Até um expelliarmus e uma combinação de dois feitiços.

Trocaram olhares e começaram a discutir sobre quem deveria pegar a taça. Cedric queria tanto, mas Harry já o havia salvado duas vezes no labirinto, ele merecia. O garoto o convenceu de pegarem juntos. Ele sorriu. Pena que nunca chegaria a ver a glória que o aguardara.