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Na Magia e no Amor

Por RubbyMoon

Capítulo 11 – Garota Problema – A Aura Negra.


"Nada pode mudar o destino, nem mesmo todo o poder do Universo..."

Havia uma grande guerra. Um lugar onde um dia havia sido um lindo campo agora estava repleto de corpos sem vida. Eram os cadáveres de uma guerra inútil, que havia começado simplesmente porque um país desejava invadir o território vizinho, para colonizá-lo e extrair suas riquezas em proveito próprio. Lá estavam os filhos de seu país com uniforme e armas nas mãos arriscando suas vidas patrioticamente, enquanto seu líder dormia tranquilamente e seguro na sua confortável casa. Agora o palco era diferente, era um lugar com a terra seca e morta, de forma que nem capim cresceria nela. Lá haviam barracos habitados por famílias que eram apenas carne e ossos. As crianças choravam de fome enquanto as suas mães choravam por dizer que não havia comida. Enquanto isso, seu governante estava em sua luxuosa mansão e dizia que não havia jeito para aquela miséria e a melhor solução era deixar aquela gente medíocre morrer. A cena mudou para um bairro de periferia em algum lugar do mundo. Lá estavam algumas meninas com aparência de ter apenas seus doze anos de idade numa rua quaisquer. Elas eram objetos de negociação para alguns homens que estavam ali. Na verdade, elas eram meninas roubadas de suas famílias e estavam sendo vendidas num leilão de tráfico sexual infantil. Elas eram arrastadas violentamente por seus compradores.

Sakura abriu os olhos e fitou o teto branco do quarto levemente iluminado pela luz do dia. Ela passou a noite inteira vendo um filme de terror onde o tema era o seu próprio mundo podre. Ela piscou os olhos e eles se tornaram negros. Virou o pescoço sentindo terríveis dores e viu Eriol dormindo ajoelhado ao seu lado. Sentou-se silenciosamente e notou que estava nua. Sem se importar com isso, levantou-se sentindo uma terrível dor nos ferimentos. Caminhou com dificuldade até o espelho e reparou no seu estado. Seu rosto estava sem vida e pálido, seus olhos estavam negros, não havia íris, seu corpo ainda estava em determinadas partes sujo de sangue e com alguns curativos. Silenciosamente, abriu uma gaveta onde encontrou alguns quimonos, pegou um para si e o vestiu. Continuou se olhando no espelho diretamente em seus olhos negros. Ela os fechou e se concentrou, e uma luz surgiu sobre eles. Ao abri-los eles estavam verdes novamente, mas opacos e sem vida.

Eriol (acordando assustado): Sakura! Você está bem? Não deveria se levantar e...

Sakura (interrompendo): Por que me salvou? - com uma voz rancorosa e com a cabeça baixa.

Eriol: Como? - sem entender aquelas palavras.

Sakura (continuando com a voz seca): Eu quero saber por que não me deixou morrer?

Eriol (em conflito): Ora Sakura, mas que pergunta é essa?

Sakura: Devia ter me deixado morrer! - olhando com ódio para ele.

Eriol (levando um choque com o olhar dela): O que está acontecendo com você, Sakura?

Ela não respondeu. Agora ela tinha uma expressão que nunca tivera em toda a vida. Uma expressão de ódio e descaso com a vida. Eriol visualizou uma aura negra em torno de Sakura e sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Sentiu o peito doer com aquela visão. Sua amiga estava sem o lindo sorriso nos lábios e ele não sentia o calor da sua bondade. O que mais Kaiza poderia ter feito com sua amiga para mudá-la daquele jeito?

Eriol (aproximando-se de Sakura): O que houve com você? Estou ficando preocupado e... - batendo em um escudo que não deixava ele se aproximar dela.

Sakura (com um olhar gélido): Deveria ter me deixado morrer... - saindo do quarto.

Ela começou a andar vagarosamente pela imensa casa. Viu o momento que uma porta do corredor se abria e Touya saía do quarto, seguindo em sua direção.

Touya: Sakura, o que houve com você? Cadê o... - batendo contra o escudo ao se aproximar.

Eriol: Não adianta, Touya. Ela está estranha. Existe uma aura negra e sua presença está alterada. - observando Sakura descer as escadas.

Todos os guardiões estavam na sala e sentiram a presença da feiticeira alterada. Aquela não era mais a Sakura que eles conheciam. Ficaram em silêncio sentindo aquele estranho poder passar vagarosamente diante de seus olhos e abrir a porta para a rua.

Kero: Sakura, aonde você vai?

Sakura: Para minha casa. - dizendo de maneira ríspida.

Eriol: É melhor você ficar de olho nela, Touya. Yukito, acompanhe Touya e conte melhor o que aconteceu ontem. Qualquer coisa que acontecer liguem-me imediatamente. Eu vou continuar com as pesquisas e agora tenho que descobrir o que aconteceu com a Sakura para poder ajudá-la.

Touya e Yukito seguiam atrás de Sakura, que continuava a caminhar lentamente. Touya não suportava ver a irmã naquele estado e tentou várias vezes iniciar um dialogo, mas foi ignorado todas as vezes. Yukito seguia a observando, podia ver que ela andava descalça e com dificuldades, provavelmente por causa da dor nos ferimentos. O coração do rapaz se apertava ao imaginar o que poderia ter acontecido a Sakura para ela estar num estado que nem em pesadelos alguém a imaginaria. Touya tinha o olhar triste e apreensivo. Algo muito ruim havia acontecido com sua irmã preciosa e ele ficou com raiva de si mesmo por não tê-la protegido.

Chegando em casa, Sakura foi direto para o banheiro. Deixou o quimono cair e voltou a se olhar nua no espelho. Sua expressão era apática e sem um traço de emoção. Arrancou os curativos e olhou para as feridas. Colocou a mão sobre a ferida do abdome. Em alguns instantes sua mão começou a brilhar e logo a ferida estava curada. Repetiu o processo nas outras feridas e logo não havia sequer uma cicatriz. Sakura entrou na banheira com água morna e ficou ali relaxando por alguns minutos. Sua cabeça estava totalmente vazia, livre de qualquer pensamento. Um sorriso maldoso brotou em seus lábios, ela sentia vontade de sair e extravasar toda aquela energia que estava sentindo.

"Hoje será um ótimo dia!" – Sakura prometia a si mesma com um sorriso sarcástico.

Voltou para o seu quarto, abriu o armário e ficou observando suas roupas. Pegou um cabide e retirou uma camisa de cor azul marinho. Foi até a mesa de estudo e pegou em uma gaveta uma tesoura. Começou a cortar a camisa, deixando-a com um menor comprimento. Logo retornou ao armário e pegou uma linda saia preta. Voltou a pegar a tesoura e cortou a saia, diminuindo seu comprimento. Pegou na gaveta de acessórios um par de meias finas pretas, pegou também uma luva da mesma cor e com a tesoura cortou as pontas onde ficam os dedos da luva. Finalmente se vestiu com a roupa que ela havia esfarrapado, de maneira que achou agradável e colocou uma bota estilo coturno do exército de cor preta. Olhando-se no espelho, sentia que faltava algo. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo e o embaraçou bastante. Pegou um delineador preto e pintou os olhos.

Sakura: Agora sim estou pronta (falava se olhando no espelho satisfeita) Vamos agitar! - saindo do quarto.

###

Na cozinha...

Touya (arrasado): Você reparou no olhar dela? Mas o que será que Kaiza fez? Será algum feitiço?

Yukito: Acho impossível! Ela não seria facilmente enfeitiçada!

Touya: Eriol disse que ela está dominada por uma aura negra!

Yukito: A aura é uma coisa própria de cada pessoa. Se ela está com uma aura negra então que dizer que ela está com esse tipo de poder agora. Só ela pode alterá-la.

Touya (inconformado): Ela fica lá trancada no quarto e não responde. Não quer contar nada que aconteceu e ainda criou essa barreira que nos impede de chegar perto. Espero que Eriol descubra alguma coisa. - claramente preocupado.

Yukito: Tenha calma, Touya! Eu sei que logo ela vai voltar a ser o que era... ela deve ter sofrido muito para ficar como está, temos que ter paciência.

Touya: Espero que ela desça pelo menos para se alimentar.

Sakura (entrando na cozinha e abrindo a geladeira): Não tem nada pra comer que preste nessa casa não, hein?

Touya e Yukito ficaram estáticos com a figura da garota que parecia ter fugido de uma banda de rock. Eles não podiam acreditar que ela era Sakura, uma garota que sempre sorria e era uma eterna criança feliz e inocente.

Touya: Sa... Sakura? Que roupas são essas? Melhor... por que está vestida assim?

Sakura: Ah... você gostou? Eu dei uma melhorada nas porcarias que eu tenho. Bom... agora eu vou dar uma volta porque eu sou jovem e quero mais é me divertir...

Touya (explodindo de raiva): Você não vai sair assim na rua de jeito nenhum!

Sakura (desafiando): Tente me impedir... irmãozinho! - sorrindo debochada.

Yukito (segurando Touya para ele não pular na irmã): Mas Sakura... você precisa descansar... e as suas feridas?

Sakura (levantando a blusa e mostrando o abdome): Ah... aquele machucadinho... eu já dei um jeito nele. Agora com licença... - saindo de casa.

Touya: Me larga, Yuki... Tenho que dar um jeito nessa... nessa... vampira ou sei lá o que ela se tornou... - soltando vapor pelos ouvidos.

Yukito: É melhor deixá-la para que pense um pouco sozinha, agora o mais importante é que ela conseguiu recuperar os ferimentos e está bem.

Touya (acalmando-se parcialmente): Isso é verdade! Como ela conseguiu curar as feridas?

Yukito: Eriol acha que Sakura tem o poder sobre a magia de cura. Yue já havia visto ela se recuperando de um dos ataques de Kaiza. Parece que a Sakura não se dava conta desse poder, mas agora ela o despertou.

Touya: Mas se ela está bem devia ter ido à escola... ao invés de sair vestida daquele jeito... ela pode até estar bem fisicamente, mas alguma coisa ainda está destruindo minha irmã, e acho que a magia de cura não poderá dar um jeito nisso.

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No colégio... horário do intervalo...

Naoko: Estranho... a Sakura nunca falta no colégio. Será que ela está doente, Tomoyo?

Tomoyo (aflita): Eu não sei... ontem estava tudo bem com ela. O Eriol também faltou... depois vou ligar para os dois.

Rika: Qualquer coisa você nos avisa, por favor!

Tomoyo na realidade queria fazer uma visita aos dois, só não avisou as amigas para que elas não se oferecessem para ir juntas. Seja lá o que aconteceu com os dois estava ligado com Kaiza e ela não via a hora de poder descobrir o que aconteceu. Estava com um mau pressentimento e isso aumentava sua preocupação. A manhã havia sido um martírio passar e agora só faltava um período e seria pior ainda esperar passar.

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Sakura andava pela cidade onde era amiga de todos. Incrivelmente ninguém a reconhecia com aquelas roupas e maquiagem, mas principalmente por causa da cara fechada. Passava totalmente despercebida por todos, era uma estranha. Passou na frente de uma academia, de onde se ouvia um monte de gritos ensaiados. Curiosa, resolveu espiar o porquê daquela algazarra toda. Entrou no recinto e podia ver vários rapazes e poucas garotas lutando alguma modalidade de artes marciais. Dependendo do golpe eles davam um grito. Ela achou engraçado e deu uma risada disfarçada.

Voz: O que é tão engraçado, mocinha?

Sakura (observando uma garota com roupa de luta ao seu lado): Achei engraçadas as pessoas gritando!

Garota (a mesma): Pelo jeito você não entende nada sobre luta! – esnobando.

Sakura (com cara de poucos amigos): Não preciso saber nada de luta pra acabar com todos vocês!

Garota (falando para todos ouvir): Vejam só pessoal, tem uma franguinha aqui que disse que pode acabar com todos nós e sem saber nada sobre luta. - rindo copiosamente.

Todos começaram a rir de Sakura que continuava calma e não dando importância para as provocações.

Garota: Eu aceito o seu desafio, queridinha. - colocando-se em posição de defesa.

Sakura: Quem disse que eu vou perder meu tempo lutando com vocês? - começando a sair do lugar.

Garota: Eu acho que você está com medo... você deve ser uma fraca...

Sakura (com um olhar mortal): Nunca me chame de fraca! - colocando-se em frente à garota.

A garota começou a investir alguns golpes contra Sakura, que desviava sem dificuldades. Aumentou o nível de luta e atingiu um soco na boca de Sakura. Ela sentiu o gosto de sangue no canto da boca e ficou furiosa.

Garota (provocando): Eu não disse... não passa de uma fraca... - rindo com gosto.

A aura negra de Sakura começou a brilhar despercebida por todos os presentes que não possuíam magia. Um forte vento se fez presente enquanto ela juntava energias com os olhos fechados. Todos não entendiam o que acontecia com aquela garota com aparência de punk que estava ali, mas quando ela abriu os olhos todos se assustaram com um gélido olhar negro.

Garota (assustada): O que você é? Uma alma penada?

Sakura (rindo): Está com medinho agora... vem me encarar - convidando com a mão a garota para a briga.

A garota ficou nervosa e partiu pra cima de Sakura com todas as forças, mas Sakura numa velocidade incrível girou a perna no ar e a acertou nas costas. A garota bateu contra uma parede e nervosa ordenou outros alunos partirem para cima de Sakura. Mais uma garota e dois rapazes começaram a investir golpes contra Sakura, ela se defendia facilmente dos três agressores. Sakura golpeou um rapaz com o cotovelo na altura do tórax e o fez cair de joelhos por causa da força empregada no golpe, ao mesmo tempo em que chutava as partes baixas do outro, que se contraiu pela dor. Faltava apenas a garota que levou uma rasteira e quando estava caída no chão levou uma pisada forte na barriga.

Garota (a primeira): Isso não é justo, não se deve dar um golpe baixo como esses.

Sakura: O que é justo então? Três contra uma garota que nem conhece artes marciais?... Eu acho que não. - indo embora da academia e fazendo seu olhar negro voltar a ficar verde novamente.

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Estranhamente ela se sentia muito bem em descarregar um pouco da sua energia lutando. Parou em frente a um estabelecimento onde só haviam rapazes. Era um fliperama e ela entrou. Imediatamente os rapazes começaram a mexer com ela. Uns assoviavam, outros se dirigiam a ela de maneira vulgar e outros a secavam da cabeça aos pés. Ela não deu bola pra nenhum e começou a escolher uma máquina para se divertir. Uma das máquinas era toda estilosa e o nome chamou a atenção de Sakura: O Apocalipse!

Sakura: Adorei essa. - virou olhando os rapazes que estavam babando por ela - Onde arranjo uma ficha?

Os rapazes começaram a dar suas fichas para Sakura, querendo ser gentis ou simplesmente chamar atenção dela.

Rapaz 1: Pode ficar com minhas fichas, aliás, pode ficar com tudo que é meu, inclusive eu.

Rapaz 2: Use minhas fichas também e se você quiser pode deixar que eu te dou umas dicas.

Sakura (dando um sorriso falso): Oh! Obrigada pelas fichas! Mas eu dispenso as dicas.

Ela inseriu umas cinco fichas de uma vez e ficou brincado. Logo pegou o jeito pelo jogo e os rapazes ficavam torcendo ao ver que ela se aproximava do recorde da máquina. Finalmente ela bateu o recorde e todos comemoraram menos ela, que mesmo sem terminar o jogo largou a máquina.

Rapaz 1: Ei gata, você nem marcou suas iniciais na máquina pra registrar o recorde!

Rapaz 2 (segurando-a pelo braço): Aonde você vai que nem me disse seu nome, amorzinho?

Sakura (invocada): Larga meu braço, seu idiota!

Rapaz 2: Olha o jeito que você fala comigo, gatinha. E se eu não largar seu braço, o que você vai fazer comigo?

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Ryen voltava do colégio desanimado porque Sakura havia faltado. Ele estava muito preocupado, pois sentia que algo estava errado com ela. Decidiu que era melhor ligar para ela ao invés de ir até a sua casa. Caminhava distraidamente quando passava perto de uma loja onde um rapaz era arremessado pela vidraça, caindo na calçada quase aos seus pés. Ele ajudou o rapaz a se levantar e tirar os cacos do vidro estilhaçado do corpo. Olhou dentro da loja pelo buraco da vidraça.

Ryen (perguntando ao rapaz): Quem fez isso com você?

Rapaz (meio tonto): Aquela garota! - apontando trêmulo para Sakura.

Ryen tremeu da cabeça aos pés, ela estava tão diferente, mas não tinha dúvidas: era a Sakura.

Ryen (vendo Sakura chegar à sua frente): Sa... Sa... Sakura? É você? - querendo confirmar.

Sakura (toda sensual): Oi Ryen! Como foi a aula hoje? – começando a andar pela alameda.

Ryen (seguindo Sakura): No... normal! Por que você faltou? - ainda espantado.

Sakura: Sabe, Ryen... eu nunca reparei que você era gago. - debochando do rapaz.

Ryen: Por que você está vestida assim? Nem parece você...

Sakura: Por quê? Você não gostou? – falando manhosa e fazendo biquinho.

Ryen (corado): Não é isso... você está linda, mas eu estranhei.

Sakura: Eu quero me divertir... por acaso você não quer ir comigo a uma boate?

Ryen: Mas a gente não tem idade para entrar em um lugar assim.

Sakura: Então a gente entra escondido! - dando uma volta ao redor de Ryen.

Ryen (meio tonto): Você está muito estranha, Sakura! Eu preciso passar na loja do meu pai e amanhã teremos prova.

Sakura: Então eu vou sozinha. - dando as costas.

Ryen: Espera... você não quer ir comigo à loja do meu pai?

Sakura: É pode ser, mas se estiver muito chato você sai comigo, Ok?

Ryen: Ok! - ainda estranhando o comportamento de Sakura.

Quando chegaram à loja, Ryen levou Sakura até a copa e ofereceu um lanche. Ela sentou em cima da mesa ao invés da cadeira e cruzou as pernas, de modo que suas coxas ficaram quase na cara de Ryen, que começou a suar diante da beleza da garota. Ele sentia que ela o estava provocando, mas também sabia que havia algo errado com ela e ele não podia se aproveitar da situação. Controlou-se ao máximo e decidiu averiguar a situação.

Ryen: E então, Sakura? Desde quando virou roqueira?

Sakura: Eu adoro rock! Mas se você diz isso por causa da minha roupa, está enganado. Estou vestida assim porque combina mais com meu estado de espírito.

Ryen (começando a entender): Então você está mais rebelde?

Sakura: Não é bem isso! Digamos que cansei de ser uma garota certinha que faz tudo por todos, mas é em vão. Então agora só farei o que tiver vontade e o que quero nesse momento é me divertir!

Ryen (estranhando as palavras): Por que tudo que você faz é em vão?

Sakura (com expressão de tristeza): É uma longa história... Mas não quero pensar mais nisso, eu não conheço a loja direito, por que você não me mostra?

Ryen fez um pequeno tour com Sakura pelos dois andares da loja. Chegaram a uma parte no segundo andar, que era cheia de estantes com livros esotéricos e de feitiços. Havia vários objetos místicos e de decoração também. Esse ambiente era mais escuro, pois a iluminação fora planejada para deixar um clima mais místico.

Sakura (pegando um livro na estante): "Desperte a feiticeira que existe em você"! Que título mais idiota...

Ryen: Você não acredita em magia, Sakura?

Sakura: Magia é uma idiotice!

Voz: Por que acha que magia é uma idiotice, senhorita Kinomoto?

Sakura olhou para o senhor que havia falado com ela. Era o pai de Ryen, o senhor Chong. Assim como da primeira vez que o viu, achou-o muito bonito e elegante. Ele também tinha um olhar penetrante como o do filho e ela se sentiu por um momento hipnotizada por aquele olhar.

Sakura (voltando a realidade): Boa tarde, senhor Chong! Bom, eu acho a magia uma besteira porque ela não tem nada de útil e só traz aborrecimento. Prefiro ter uma vida normal e sem preocupações.

Chong: Do jeito que a senhorita fala parece que tem domínio sobre magia.

Sakura (debochando): Eu? Ora... o senhor acha que eu sei tirar um coelho da cartola? Acho que não!

Chong: Não estamos falando de truques e sim de um dom natural: A magia. Eu sinto um grande poder na senhorita.

Ryen: Papai, por acaso você acha que a Sakura é uma feiticeira? Mas que bobagem.

Chong: Venha, senhorita Kinomoto! Eu quero te mostrar uma coisa. - estendendo o braço indicando a direção.

Sakura e Ryen seguiram com o senhor Chong até uma sala. A sala era repleta de estantes de livros e tinha também vários pergaminhos, parecia uma coleção particular. Ele puxou um livro na extremidade da estante e, para espanto de Sakura, duas estantes se afastaram e apareceu uma passagem secreta. Era uma escada que descia até uma outra porta. O senhor Chong fez um gesto para que os dois o acompanhassem. Ryen, sentindo a desconfiança de Sakura, começou a levá-la, mas sem forçá-la. Chegaram a uma câmara redonda e escura que dava a impressão de ser uma construção muito antiga. Sakura sentiu a porta da câmara sendo trancada por uma grande magia.

Sakura (irritada): Ei! Quem é você e por que me trancou aqui? - falando para o senhor Chong.

Ryen: Não se preocupe, Sakura! Se meu pai acha que você é uma feiticeira ele quer te mostrar algo.

O senhor Chong se dirigiu até um painel e acionou algumas luzes. Agora Sakura podia ver que a câmara era uma espécie de planetário e o teto se tornava num céu estrelado. Ela achou linda a cena que via, parecia que podia alcançar o céu, mas ela também conseguia sentir uma poderosa magia no ambiente lacrado.

Chong: Quero que a senhorita preste atenção naquelas estrelas. - apontando com a ajuda de um laser na direção.

Sakura via três estrelas. As estrelas que apareciam em seus pesadelos e visões. Sentiu o coração disparar e ficou confusa. Como o senhor Chong sabia das estrelas? E como aquela sala possuía tanta magia? Diante da sua insegurança, sua aura negra começou a brilhar chamando a atenção do pai e do filho.

Ryen (completamente espantado): Então ela é mesmo uma feiticeira? Mas por que ela tem uma aura tão negra?

Chong: Vejo que você entendeu direitinho a mensagem que lhe foi dada, senhorita. Ainda deseja salvar um mundo que não tem salvação?

Sakura: Quem são vocês? O que querem de mim? - demonstrando fúria.

Nesse momento Ryen cai de joelhos no chão sentindo terríveis dores de cabeça. Ele gritava colocando as mãos na cabeça, tentando se livrar daquela dor horrível. Sakura correu até ele tentando ajudar de alguma forma, mesmo sem entender o que estava acontecendo. Chong permanecia imóvel apenas esperando. Sakura percebeu quando Ryen deixou de ficar agitado e o ajudou a se levantar, mas quando o rapaz abriu os olhos teve uma surpresa. Eles estavam vermelhos e a face gentil de Ryen estava com uma expressão dura.

Sakura (falando ironicamente): Ora, ora. O que temos aqui? Quem são vocês afinal? Vão me contar ou vou precisar arrancar a força isso de vocês? - andando em volta de Ryen.

Ryen (com voz ríspida): Não está com medo, Sakura?

Sakura (em tom sarcástico): Sabe, Ryen... sempre aparece um chinês em minha vida para bagunçá-la! Não sei como não desconfiei antes de você... talvez fossem esses seus olhos que me deixavam um tanto confusa... – rindo.

Chong: Nós realmente somos quem a senhorita conhece! Nossos nomes não são falsos, porém agora você também sabe que somos magos.

Sakura (sentando numa poltrona): E o que vocês querem de mim? - voltando a olhar as estrelas.

Chong: Como a senhorita já percebeu o fim desse mundo é inevitável! Não importa a vontade com que lute para salvá-lo, os próprios habitantes o destruirão mais cedo ou mais tarde. Queremos que se una a nós e seremos os governantes desse planeta e depois do Universo. Desejo fazer desse mundo um lugar somente para pessoas e criaturas mágicas. Vamos acabar de vez com o ciclo de destruição que há nesse mundo, a culpa é somente das pessoas comuns.

Sakura (concluindo): Você quer destruir quem não tem magia?

Chong: Exatamente.

Sakura (brincando com o cabelo): E por que você escolheu a mim?

Chong (hesitando um pouco antes de responder): Por causa da profecia!

Sakura (claramente irritada): De novo essa profecia! Escuta aqui... eu não sei nada sobre essa profecia. Então por que você não começa a desembuchar logo o que quer?

Chong: É ótimo a senhorita não conhecer ou ficaria perdendo seu tempo com bobagens, então permita que eu lhe conte algumas coisas. - apontando para as estrelas novamente.

Ryen: Mestre... e se ela não ficar do nosso lado?

Chong: Vamos deixar ela mesma decidir. Observe essa estrela - apontando para a estrela de Sakura - Ela é a estrela que rege o seu poder. Agora observe essa outra estrela, essa que está coberta por trevas, ela representa o poder do Senhor da destruição. Se juntarmos o seu poder com o do Senhor da destruição seremos invencíveis e o Universo será nosso.

Sakura (bocejando de sono): Ah! Interessante! Então esse Senhor da destruição é o Kaiza! E agora vocês não querem mais me destruir porque querem parasitar o meu poder! Só que tem mais duas coisas que eu não entendi!

Chong: Pode dizer que eu explicarei com prazer.

Sakura: A primeira é que o senhor parecia saber muito bem quem eu era e sua vinda para essa cidade não foi por acaso e sim por minha causa, mas parece que o Ryen acabou de descobrir sobre mim... o que o senhor tem a me dizer sobre isso?

Chong: Bom, digamos que meu filho é um mago muito fraquinho e bonzinho e seria totalmente contra os meus planos. Então quando me aliei com o Kaiza eu ofereci o corpo de Ryen para que um dos subordinados dele pudesse auxiliá-lo. E também ofereci meu corpo para Kaiza personificar todo o mal. O Ryen que você conhece não imagina o que se passa com ele e perde a memória de quando está com a personificação do mal.

Sakura: Então quer dizer que o Ryen que estuda comigo gosta de mim sinceramente? Que bonitinho! – rindo.

Chong: Isso realmente não estava nos planos, mas para a tristeza do meu pobre filho, o amor dele não deve ser correspondido! Não seria correto. Aceite governar esse mundo conosco.

Sakura: De qualquer forma eu não o amo. Além disso, eu não quero ceder meu corpo como vocês para um desses seres do mal. Nem sei se estou interessada em dominar o mundo ou o universo. Eu ainda tenho outra dúvida.

Chong (começando a ficar irritado): Pode dizer e não se preocupe que não terá que ceder seu corpo.

Sakura se dirigiu até o senhor Chong, pegou o laser de sua mão e o direcionou para a terceira estrela. Chong ficou claramente abalado.

Sakura (percebendo): Não me esconda nada! Nem pense em me enganar! Eu quero saber por que também aparece essa estrela nos meus sonhos e porque ela não tem brilho. De alguma forma eu me sinto incomodada por ela.

Chong: Ela não deve brilhar, pois trará o fim de tudo!

Sakura (sendo sarcástica): Eu não acredito em você! Parece que o Kaiza não se importa se tudo for destruído. Então porque você está preocupado com o fim de tudo? - encarando-o.

Chong: Sua garota tola! Já está me irritando! - segurando o braço de Sakura com força.

Sakura (exaltada): Como quer que eu fique do seu lado se não me conta a verdade? Começo a pensar que se eu descobrir algo sobre aquela estrela, poderei atrapalhar seus planos. Agora me solte porque está me machucando! - puxando o braço com fúria.

Chong (com olhos em chamas): Você não muda. Por eras você vem mantendo esse estúpido equilíbrio e protegendo essas pessoas inúteis que nem ao menos tem dons mágicos. Mas dessa vez você não vai conseguir. Você não ficará novamente com aquele maldito lobo. Você ficará do meu lado, mesmo que eu tenha que forçá-la novamente. Por mim eu te destruiria como eu queria no início, mas eu fui fraco novamente - continuando a segurar o braço de Sakura. – Demorei a entender o seu plano, mas agora que te encontrei de novo você vai ficar comigo. Eu te quero de volta.

Sakura (tentando se soltar): Eu não estou entendendo nada. Você está me confundindo com outra pessoa.

Chong (segurando-a pelos dois braços): Não estou me confundindo. Até que você foi esperta. Seu plano era quase perfeito, mas eu descobri e te reencontrei após quinze anos. Não tem como fugir de mim. Dessa vez você governará ao meu lado. A profecia finalmente se realizará, porém eu serei o escolhido. A estrela do lobo deixará de existir para sempre e o equilíbrio estará em minhas mãos eternamente.

Sakura estava transtornada. Não estava entendendo nada do que Chong lhe dizia. Parecia que ele a conhecia e achava que tinha direitos sobre ela. Parecia até um marido ciumento. Seus braços doíam por causa do forte apertão que Chong aplicava, sua cabeça girava diante de tanta confusão. A insígnia do seu poder apareceu iluminada em sua testa. A aura negra de Sakura começou a brilhar fortemente e Chong foi lançado longe. Ryen tentava impedi-la, mas não conseguia se aproximar por causa do forte vento que havia no local. Os cabelos de Sakura começaram a balançar para o alto e uma força que vinha do chão a fez flutuar com os olhos fechados.

Uma porção de imagens se formava em sua mente. Ela via claramente uma mulher de cabelos compridos como os dela e de olhos tão verdes quanto os seus. Era uma mulher que aparentava ter seus vinte anos. Tinha um semblante infeliz e fraco. Ela estava fugindo de alguém e carregava um bebê nos braços. Em determinado momento, a mulher foi encurralada por um homem aparentando ter a mesma idade. A mulher segurou o bebê com um dos braços e com uma mão livre lançou uma magia de vento sobre o homem, sem sucesso.

Homem (com uma voz calma): Você está muito fraca... volte comigo para nossa casa. Eu prometo que esquecerei que você tentou fugir de mim. Não quer que eu faça mal ao nosso filho, não é mesmo?

Mulher (em lágrimas): Deixe-nos ir embora, por favor!

Homem: A mulher deve ficar ao lado do esposo. – pegando o bebê dos braços da mulher – Além disso, daqui alguns anos será tempo da profecia se realizar. Reinaremos eternamente, eu e você, meu amor! – prendendo a mulher em uma esfera de energia.

Sakura estava enlouquecendo com aquela visão. Aquela mulher parecia-se com ela, só que mais velha e aquele homem... era Chong, só que mais novo. O que estava acontecendo? O que Chong queria dizer? Agora tinha certeza que aquela visão era uma lembrança. Uma lembrança sua. Ela sentia uma forte energia fluir em seu interior e desejava explodir aquele local. Kaiza apareceu no corpo do senhor Chong e disse a Ryen que precisavam detê-la ou ela destruiria a câmara sagrada. O local começou a tremer e as paredes começavam a formar grandes rachaduras, a eletricidade foi rompida e o lugar só era iluminado pelo grande brilho de Sakura.

Ryen: Não podemos fazer nada, mestre!

Kaiza: Ela ainda não consegue dominar esses poderes e quando terminar o que está tentando fazer, nós a pegaremos, pois estará fraca demais. Ela realmente tem um poder incrível e a quero do nosso lado.

A sala estava inundada pela magia de Sakura e era sufocante para os dois magos agüentarem tanto poder. Finalmente Sakura abriu os olhos, que estavam negros com uma expressão de raiva, e o local explodiu. Kaiza formou um escudo de energia para proteger os três. Ryen pegou Sakura, que caiu no chão desacordada.

Ryen: O que faremos agora, mestre?

Kaiza: Vamos precisar reconstruir a câmara e vamos apagar as lembranças da garota de forma que ela não lembre que esteve na câmara e que nós somos magos. Também vamos destruir a lembrança que ela tem daquele maldito lobo. Vamos deixar o jovem Ryen continuar vigiando a garota. Não vai demorar muito para as estrelas se posicionarem e o mundo será nosso.

Ryen: Será que a explosão foi percebida por alguém? Os amigos dela devem ter sentido alguma coisa.

Kaiza: Não se preocupe. A câmara fica no subsolo e meu escudo impediu que alguém percebesse a magia no local. Agora a leve e apague as lembranças dela antes que ela acorde. Faça o jovem Ryen ficar de olho nela e não a deixe perder a aura negra. De noite farei uma visitinha aos sonhos dela novamente.

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Na casa de Sakura...

Tomoyo (conversando com Yukito): Então vocês não sabem onde ela foi? Mas já começou a anoitecer, fico preocupada com ela na rua e esse Kaiza solto por aí.

Yukito: Eu também fico preocupado, já a procurei sem sucesso. Parece que ela não quer ser encontrada. A presença dela está oculta desde que ela saiu. Touya não sai do quarto pra nada... eu nunca o vi assim antes. – triste.

Tomoyo (triste também): Está sendo difícil pra ele também... mas vocês têm que ser fortes porque a Sakura tem juízo e daqui a pouco ela chega.

Yukito: É porque você não viu o jeito dela. Precisava ver as roupas dela e a maquiagem.

Tomoyo (não conseguindo acreditar): Maquiagem? Mas Sakura não usa maquiagem. Ela detesta. Por que você não me conta de uma vez o que aconteceu ontem?

Yukito: Eu não tenho coragem... - abaixando a cabeça.

Tomoyo (determinada): Então eu vou perguntar pro Eriol! Se a Sakura chegar diga para ela ligar para mim! - levantando do sofá.

Yukito: Espere, Tomoyo... acho que Eriol não está em condições de falar sobre isso. Ele que a encontrou e está muito abalado.

Tomoyo: Mas então eu preciso ajudá-lo também. Ai, meu Deus... o que pode ter acontecido pra todo mundo estar assim? Eu preciso descobrir. - indo embora aflita.

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Ryen acordou e notou que estava dormindo sentado numa cadeira e sobre um livro na mesa. Olhou ao redor e reparou que estava na loja de seu pai no segundo andar. Sua cabeça latejava e ele estava confuso, tentando se lembrar o que tinha acontecido antes de dormir.

Ryen (falando sozinho): Ai, minha cabeça... nem me lembro de ter cochilado.

Olhou para um canto onde tinha um divã e viu Sakura dormindo com um livro no colo. Aproximou-se da garota, que mesmo com aquela roupa louca, era linda de tirar o fôlego. Ela estava dormindo tão serenamente que parecia um lindo anjo. Ele pegou o livro do colo dela e leu o título: "Desperte a feiticeira que há em você!" Deu uma risada e começou a acordar Sakura.

Sakura (acordando): Ai, minha cabeça! Onde estou? - colocando a mão na cabeça.

Ryen (sorrindo): Está na loja do meu pai. Você cochilou ao ler esse livro. - mostrando o livro.

Sakura (confusa): Estranho. Eu não me lembro de ler esse livro!

Ryen (sorrindo): Então ele deve ser tão chato que você dormiu antes de terminar de ler o título. – rindo.

Sakura (rindo do comentário): É verdade! Que horas são?

Ryen: Dezoito e trinta! Por quê? Você tem algum compromisso?

Sakura (sentindo o corpo encher de energia): Não. Eu estava pensando em sair pra dançar, você não quer ir comigo?

Ryen: Mas Sakura, amanhã teremos prova! E eu já disse que não temos idade para isso, nunca vão nos deixar entrar em um lugar desses.

Sakura: Então eu vou sozinha. - levantando do divã.

Ryen: Tudo bem! Eu vou, mas ainda é cedo. Vamos jantar primeiro.

Sakura: Tudo bem.

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Tomoyo chegou à casa do amigo mago, olhou pelo portão e viu todas as luzes apagadas. Pensou que não havia ninguém, mas na dúvida entrou e tocou a campainha. Percebeu que não havia toque de campainha e bateu na porta suavemente, mas de maneira a ser ouvida. Nakuru abriu parcialmente a porta com uma vela na mão e Tomoyo notou como ela tinha uma expressão triste.

Nakuru (com voz triste): Entre, senhorita Tomoyo! - abrindo toda a porta.

Tomoyo entrou e observou a sala escura apenas iluminada por algumas velas. Reparou que havia alguns móveis espalhados, como se alguém tivesse brigado ali. Notou finalmente no sofá Spi e Kero, com os rostos mais tristes ainda que o da Nakuru.

Tomoyo (aflita): Alguém pode me explicar o que houve aqui? Cadê o Eriol?

Os três guardiões nada falavam e Tomoyo ficou mais aflita ainda. Ela se aproximou de Kero e fez um carinho na cabeça do bichinho.

Tomoyo: Kero, por favor, me diga o que está acontecendo para que eu possa ajudá-los.

Kero (com o rostinho muito triste): Tudo bem, Tomoyo. Eu conto.

Spi (assustado): Não, Kerberus! O mestre Eriol proibiu! Ele não quer que ninguém mais saiba.

Kero: Mas ele não pode fazer nada contra mim. A Sakura é que é minha mestra!

Nakuru (tomando coragem): Pode deixar que eu mesma contarei tudo a ela!

Kero: Mas...

Nakuru (determinada): Não tenho medo. Eu só quero que meu mestre saia desse abismo que se enterrou. E talvez a senhorita Tomoyo possa realmente ajudá-lo.

Tomoyo (sentando na poltrona que Nakuru indicou): Meu Deus! A coisa é muito grave pelo jeito!

Nakuru (sentando em frente a ela): Sim! Eu vou contar. Então se prepare que não será fácil ouvir.

Nakuru começou a narrar tudo que havia passado na noite anterior com Eriol e Sakura. Desde como Eriol encontrou Sakura e a salvou da morte. Tomoyo ouvia tudo chorando baixinho e com uma dor imensa no peito.

Nakuru: Ainda tem a marca do punho dele na parede suja com o sangue de Sakura. Ele se culpa por não ter chegado a tempo de evitar aquela desgraça. Mas o pior de tudo é que não sabemos por que ela está com aquela aura negra. O mestre Eriol ficou o dia inteiro pensando no que pode ter acontecido com ela, mas ele estava exausto, não se alimentou e acabou perdendo a cabeça. Ficou furioso com ele mesmo e começou a chutar tudo que aparecia na frente, quebrou várias coisas e empurrou os móveis, ainda não satisfeito elevou seu poder de modo que explodiu a caixa de energia da casa. - parou de falar por não conseguir mais.

Tomoyo (enxugando as lágrimas com um lenço): E onde ele está agora? - controlando os soluços.

Kero (voando até o colo dela): Ele se trancou no quarto onde ele cuidou da Sakura! E não saiu mais de lá!

Spi (voando também até Tomoyo): Ele não responde! Já tentamos de tudo para tirá-lo de lá. Senhorita Tomoyo, por favor, ajude meu mestre! - Spi pediu com tristeza.

Tomoyo (olhando para o gatinho): Eu vou ajudar sim, não se preocupe. Mostre-me o quarto onde ele está. - levantando-se.

Nakuru (oferecendo um candelabro com duas velas): Tome, senhorita Tomoyo, já está muito escuro! Eu vou até a cozinha esquentar uma sopa e deixar do lado de fora do quarto, se você o convencer a comer pegue-a, por favor.

Tomoyo fitou os três rostinhos tristes e se encheu de compaixão. Eriol acabara de voltar a Tomoeda depois de tantos anos, mas ela estava ligada demais a ele. Ele havia ouvido seus desabafos e a fizera se sentir melhor quando precisou. Ele tinha dado uma coisa a ela que ela já tinha perdido há tempos: força. Seu coração doía por ter ouvido os últimos acontecimentos, mas ela arranjou forças por Eriol. Ela tinha que ajudá-lo como ele a ajudaria. Chegou à frente da porta do quarto indicado por Spi e bateu. Não houve resposta. Bateu novamente.

Tomoyo: Eriol! Posso entrar? Sou eu, Tomoyo.

(...) Silêncio

Tomoyo (girando a maçaneta e notou que a porta estava trancada): Destranque a porta, por favor, Eriol! Deixe-me entrar!

(...) Silêncio

Tomoyo (voltando-se para Spi): Você pode me trazer um objeto como um cartão de crédito ou até mesmo uma faca? Vou tentar abrir a porta.

O guardião foi buscar e logo voltou com uma pequena faca de cozinha. Tomoyo agradeceu e começou tentar abrir a porta. Em um minuto ela conseguiu e abriu vagarosamente a porta. Com as velas iluminou o quarto escuro. Eriol estava parado de pé em frente à janela, de costas e com as mãos nos bolsos da calça.

Eriol: Deixei bem claro que não quero falar com ninguém! - falando baixo, porém autoritário.

Spi (com medo): Eu sei, mestre, perdoe-me!

Tomoyo: Pode nos deixar sozinhos, Spi, vá se juntar a Kero e Nakuru. - vendo o gatinho descer para a cozinha.

Ela iluminou o quarto melhor e o observou, havia uma cama desarrumada e perto dela na parede ela viu uma mancha. Era onde Eriol extravasou sua fúria contra Kaiza com um soco. Tomoyo nunca havia visto o amigo perder a calma e não conseguia imaginar a cena. Ele era tão gentil, doce, um perfeito cavalheiro. Ela gostava tanto dele e nunca havia se dado conta. Voltou a fitá-lo onde ele estava imóvel. Ele tinha uma postura forte e imponente, que o deixava mais alto do que já era. Colocou o candelabro sobre a cômoda e se aproximou de Eriol, colocando a mão em seu ombro pelas costas mesmo.

Tomoyo: Eriol, não é melhor conversar um pouco? Não adianta ficar assim.

Eriol: (... Sem resposta ou reação, mudo)

Tomoyo sentiu uma dor imensa de ver o amigo sendo duro consigo mesmo. Para ela, ele sempre foi a imagem do controle e da força. Por mais que se esforçasse, não conseguia visualizá-lo nervoso. Agora estava ali, diante dele e percebeu como ele era importante para ela. Tinha que fazer qualquer coisa para ele melhorar, pois o sofrimento dele estava sendo o dela também.

Tomoyo (sem saber o que dizer): Por favor, Eriol. Estamos todos preocupados com você. Desça e coma alguma coisa.

Eriol: (mudo e duro como uma estátua)

Tomoyo (virando-o e colocando a mão sobre seu rosto): Eu estou aqui, Eriol. Não se preocupe. Sei que tudo vai ficar bem. - sua voz era doce e ao mesmo tempo firme.

Eriol fitou a amiga e sentiu sua suave mão sobre sua face. Tomoyo era maravilhosa, linda, meiga e estando em frente a ela, sentiu seu coração se acalmar. Ela percebeu quando começaram a brotar lágrimas nos olhos do rapaz e com seu lenço as enxugou. Abraçou-o suavemente e sentiu que ele também a abraçou, só que mais apertado. Ela sentiu toda a dor que ele sentia e também o abraçou com força, tentando passar conforto. Afastou-se e passou a mão sobre os cabelos desarrumados do rapaz. Ela o fez sentar numa cadeira e foi até uma cômoda buscar uma escova de cabelo.

Ele ficava observando cada movimento da bela moça e agora a sentia penteando seus cabelos. Era tão bom o toque dela, tão suave e delicado. Ele sentiu quando ela prendeu seus cabelos. Ela se colocou em frente a ele e ajeitou a franja, que o deixava muito charmoso. Percebeu como ele era belo, seus olhos estavam cheios de dor, mas parecia que podia enxergar sua bela alma através deles. Ela deu um beijo carinhoso em sua testa e sentiu ele a abraçar novamente. Uma sensação agradável se apoderou de seu corpo. Ela o olhou novamente e sentiu um impulso incontrolável de beijar seus lábios. Começou a aproximar os rostos para um beijo, mas alguém bateu na porta os assustando e interrompendo.

Tomoyo (vermelha): Deve ser sua sopa! – afastando-se para buscar.

Eriol a observou se afastando até a porta e seu coração ainda batia aceleradamente. Pensava se realmente eles estavam a ponto de se beijar. Será que Tomoyo sentia algo por ele? Ele estava confuso e ao mesmo tempo sentia um calor no peito. Um calor que nunca havia sentido antes. Talvez fosse isso o amor. Começou a perceber claramente que estava apaixonado por Tomoyo.

Tomoyo viu que a sopa estava posta sobre um carrinho de chá e que também continha alguns pães e um suco aparentemente de limão. Levou o carrinho até Eriol que permanecia sentado e calado desde que ela entrou pela primeira vez no quarto. Pegou o guardanapo de linho, colocou no colo do rapaz e o fez comer a sopa. Notou que ele estava com bastante fome. Quando ele terminou a refeição, ela ajeitou o carrinho para retirar do quarto, mas sentiu Eriol a segurar pelo braço. Ela o fitou e percebeu que ele finalmente ia falar alguma coisa.

Eriol (com a voz cheia de dor): Obrigado, Tomoyo!

Tomoyo (voltando-se para ele): Não precisa agradecer, mas se quiser me agradecer é só você parar de se culpar por algo que não teve culpa alguma.

Eriol (abaixando a cabeça): Ela está com raiva de mim. Eu falhei. Cheguei tarde demais e ela não me disse o que aconteceu.

Tomoyo: Você não tinha como saber que ela seria atacada naquele momento. Mas você salvou a vida dela e é isso que importa!

Eriol (deixando cair uma lágrima): Mas é por isso que ela está com raiva de mim...

Tomoyo: Como? - sem entender.

Eriol: Ela queria ter morrido. Logo ela que é tão cheia de vida. Ela que sempre nos contagia com sua vivacidade e alegria. Eu não consigo acreditar... – chorando - As feridas do corpo eu pude dar um jeito, mas eu não sei o que fazer para devolver a vontade de viver para ela. Não faço idéia do que Kaiza fez a ela para ela ficar assim...

Tomoyo (chorando com o amigo): Vamos ter calma, Eriol! Eu sei que nós dois juntos vamos conseguir dar um jeito nisso! Nós a amamos muito e vamos descobrir o que aconteceu para poder ajudá-la. Agora você precisa descansar, nesse quarto não por causa das lembranças, vamos até outro.

Eriol foi acompanhado por Tomoyo até outro quarto. Ela o fez deitar com a cabeça sobre seu colo e ficou acariciando seus longos cabelos em silêncio e não demorou muito para que ele adormecesse. Afastou-se delicadamente para não acordá-lo, acariciou sua face e deu um beijo de leve sobre sua testa. Ele dormia tranqüilamente, nem parecia que tinha passado por momentos horríveis. Por fim, cobriu-o com uma manta e saiu com o candelabro do quarto, fechando a porta.

Tomoyo (falando baixinho): Espero que encontre a paz em seus sonhos.

Ela desceu até a sala e foi dizer aos três guardiões que Eriol estava melhor, mas ainda muito abalado. Mesmo assim eles ficaram se sentindo muito melhor.

Tomoyo: Quero deixar um recado para Eriol. Podem me arranjar uma caneta e um papel?

Nakuru entregou o material solicitado e Tomoyo escreveu a mensagem, levou-a em seguida até o quarto onde Eriol dormia e deixou o papel dobrado sobre a mesa de cabeceira. Voltou até a sala para se despedir dos amigos.

Nakuru (emocionada): Obrigada, senhorita Tomoyo. É um anjo! Não sei como agradecer.

Tomoyo: Não precisa agradecer. Eriol é meu amigo e eu o amo muito.

"Eu o amo muito? Não pode ser... eu gosto dele como se fosse um irmão..." – Tomoyo pensou em seu conflito interno.

Spi (voando até ela): Obrigado mesmo, senhorita Tomoyo!

Tomoyo (fazendo um carinho no gatinho): Preciso ir. Qualquer coisa me ligue.

Kero: Está indo pra sua casa?

Tomoyo (com a cara fechada): Sim, mas antes vou procurar Sakura!

Os guardiões viram o carro que veio buscar Tomoyo a levar embora e foram descansar depois de uma noite e um dia tumultuado. Tomoyo pediu para sua motorista dar umas voltas pelas ruas da cidade antes de ir para casa, mas não encontrou Sakura. Ela tremeu ao lembrar que a prima estivera quase morta e se não fosse Eriol ela estaria enterrada nesse momento. Decidiu ir para casa e esperar que ela telefonasse ou talvez vê-la no colégio no dia seguinte. Ainda pensava na imagem de Eriol dormindo tranqüilamente e sentiu seus pensamentos aliviarem das preocupações.

Continua...

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Homenagem a uma pessoa especial!

"Apresentações"

Eriol: Ei Ruby... Você me chamou?

Eu estava em meu escritório escrevendo os capítulos finais de "Na Magia e No Amor" quando finalmente Eriol apareceu. Larguei o teclado do computador por alguns minutos e pedi para que ele se acomodasse na poltrona que ficava em frente a minha escrivaninha.

Ruby: Sim, Eriol! Eu te chamei.

Eriol (curioso): E qual seria o motivo? Você mudou alguma coisa sobre minha participação na fic?

Ruby (explicando): Não! Se trata de uma coisa fora da fic. Vou direto ao assunto... Você tem namorada?

Eriol (corando): Não, mas nunca imaginaria que você estava afim de mim... não sei o que dizer...

Ruby (arrumando logo a situação): Não é nada disso. Não tire conclusões precipitadas...

Eriol (confuso): Então o que é que você anda aprontando?

Ruby: Bem... você conhece minha revisora, terapeuta, sonoplasta, bigcaptor e grande amiga, Cris-chan, não é mesmo?

Eriol: Sim. Só de ouvir falar! Sempre desejei conhecê-la pessoalmente!

Ruby (com um sorriso sapeca): Então realizarei seu desejo. Ela está para chegar e como ela também sempre quis te conhecer... fico feliz em apresentá-los.

Eriol (demonstrando nervosismo): Oh Ruby... assim de repente? Eu nem estou vestido bem. Como está meu cabelo? Será que ela vai gostar de mim?

Ruby (minimizando a tensão): Você está lindo como sempre, não se preocupe! Basta ser você mesmo.

Nesse momento ouvimos alguém bater na porta do meu escritório. Eu estava feliz. Sempre ouvi minha amiga Cris falar muito carinhosamente do Eriol. Sabia que eles fariam um belo casal. Pedi para que entrasse e a Cris apareceu. Vocês não imaginam a cena que vi. A Cris paralisou quando percebeu que o Eriol estava ali diante dela. Seus olhos brilhavam de emoção. Eriol levantou-se como um perfeito cavalheiro, mas estava de boca aberta, demonstrando seu nervosismo. Fiz meu papel e os apresentei. Percebi pela troca de olhares inicial que o destino faria sua parte. Havia harmonia entre eles.

Cris (pensando alto): Ele realmente é perfeito...

Eriol (corando): Como?

Cris (encabulada): Nada não... fico feliz em te conhecer...

Eriol: Eu também. Que tal tomarmos um café para conversarmos e nos conhecer melhor?

Cris (timidamente): Claro! Será um prazer!

Os dois saíram do meu escritório sem ao menos me dar até logo. Será que foi amor à primeira vista? Bem... isso me deu uma idéia pra outra fic. Sentei e comecei a digitar uma nova história de amor e...

Oi Cris! Espero que tenha gostado da pequena homenagem feita especialmente para você. Assim como o seu, recebo muitos comentários de fãs do Eriol. Fico feliz que ele está encantando vocês, como me encantou enquanto eu escrevia as cenas onde ele participava. Ele me emociona muito. Kissus! E Lembre-se sempre: "Você tem valor! Merece o que há de melhor na vida!"

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Ruby: Muitas revelações nesse capítulo. Caraca... a Sakura está descontrolada. Que revolta é essa?... eu hein! Coitadinha ela sofreu demais! O Touya quer me matar por fazer isso com ela, mas eu já prometi que vou compensar por tudo... calma gente. Mas ainda ela vai demorar um pouco pra ser a mesma... ou será que nada conseguirá mudá-la?

Aiaiai, Bom pra quem estava apostando que o Ryen era o Kaiza pode passar a grana pra cá que perdeu a aposta... hehehe... ele é só uma marionete na mão do pai dele que é o verdadeiro Kaiza... Cuidado Sakura eles querem seu poder... não se deixe vender!

Sakura teve um sonho ou aquilo era uma lembrança... bom está na cara, um pedaço da charada foi revelado. A Tomoyo está demais nesse capitulo cuidando do Eriol daquele jeitinho meigo. Assim não tem coração que resista! Mas será que ela agora vai se apaixonar por dois caras ao mesmo tempo? Calma que muita água ainda vai rolar nesse triangulo amoroso. Coitadinho do Touya. Experimente se colocar no lugar dele! Mas essa é uma prova que ele vai ter que superar, afinal isso será fichinha perto da batalha que eles ainda vão travar contra o mal

O que a Bad Sakura irá aprontar agora? Até agora ela deu umas porradas nuns valentões e quebrou uma vidraça usando como pedra um cara. Será que Eriol conseguiu descobrir alguma coisa? Gente alguém aí dá umas dicas de moda pra Sakura por que ela até parece a vampira do X-men evolution. Vê se arranja uns modelitos melhores Sakura. Confiram o visual da Bad Sakura no próximo capitulo dessa trama de conspiração contra o mundo e de nós pobres e reles mortais.

"Na Magia e no Amor"

Sayonara

Ruby

Críticas? Elogios? Sugestões? Sejam bonzinhos, por favor!

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Agradecimentos:

Agradeço como sempre minha querida amiga, Cris-chan! Esse capítulo veio especialmente pintado de vermelho por causa de tantos errinhos ortográficos. Ah, se não fosse a Cris...

Agradeço a todos pelos comentários e sinto muito se o capítulo 10 foi triste! De um certo modo senti que o pessoal gostou bastante, fico feliz! O carinho que vocês manifestam com seus reviews e e-mails me deixa imensamente feliz! Obrigada!


25/11/2017

Respondendo 3 perguntas dos Reviews

O retorno da fic é por causa do novo anime?
Não voltei a postar a fanfic por causa da chegada do novo mangá, e nem do oad, e o novo arco da série animada, simplesmente voltei a postar pois uma pessoa me pediu, rsrs... tipo, os capítulos estavam salvos sei lá onde, então por que não postar?

Pretende escrever outras fanfics?
Não sei! Para um escritor de fanfics toda hora surge inspiração! Confesso que toda hora aparecem histórias de CCS completas na minha cabeça, mas agora transformar em palavras com a qualidade que exijo... é um problema! Tenho tanto com o que me ocupar: livros, séries, mangás, animes, doramas, games, eventos... até fico admirada de como consigo arranjar tempo pra existir... minha agenda pediu demissão, pois é impossível organizar a minha vida!

Ruby, sua fanfic do Orkut, Amor de Infância, vai voltar?
Provavelmente não... sei lá onde foram parar os capítulos... se um dia eu achar... pode ser, sem promessas!