Capítulo 11 – Walking on the edge
(Trilha Sonora: Hurt – Johnny Cash)
Duas batidas à porta e um total estranho entrou pela porta. Sesshoumaru sequer se mexeu na cadeira para olhá-lo; não fazia diferença. Ele não tinha percebido se minutos ou horas haviam se passado desde que havia chegado naquela delegacia para depor, nem há quanto tempo ele encarava aquela parede pálida. O formigamento nas pernas o fez pensar que talvez já tivesse passado tempo demais. Sequer havia percebido em qual ponto o delegado e o escrivão haviam entrado naquela sala minúscula e claustrofóbica, mas nada daquilo o afetava. Sesshoumaru não era capaz de sentir nada. O delegado levantou os olhos, desviando a atenção dos papéis do inquérito que avaliava. O homem que entrou desabotoou um dos botões do paletó e sentou-se logo ao lado de Sesshoumaru, na única cadeira vazia da minúscula sala em que estavam.
I hurt myself today to see if I still feel
- Senhor Taisho, este é o seu defensor público, Doutor Takashi Himitsu. – O delegado cumprimentou o outro com um breve aperto e então abriu outra enorme pasta de inquérito sobre a mesa, passando a olhar o youkai. – O senhor está de acordo?
Sesshoumaru acenou com a cabeça brevemente, em um movimento indiferente. O defensor público respirou fundo e tirou um papel da pasta que levava, depositando o objeto no chão em seguida.
I focus on the pain, the only thing that's real
- A lei garante ao meu cliente o direito ao silêncio, caso prefira, até apresentar-se em juízo. – O advogado disse, com o mesmo tom de desinteresse.
O delegado levantou uma das sobrancelhas para o youkai, questionando-o com o olhar.
- Não ficarei calado. – Ele interrompeu o defensor sem tirar os olhos do delegado.
The needle tears a hole; the old familiar sting
- Então... – O delegado começou, remexendo nas folhas do inquérito. O escrivão, que registraria o depoimento preparou-se, começando a digitar as primeiras palavras. – O senhor esteve na casa de Shinto Kagura na noite do crime?
- Sim.
- E por quê? – Ele inclinou-se na cadeira, encarando Sesshoumaru por baixo dos cílios curtos e retos.
Try to kill it all away, but I remember everything
- Porque eu queria saber onde minha mulher estava. – Respondeu. Conforme as palavras saíam da boca de Sesshoumaru, ele lembrava-se da figura de Kagura. Ora desafiadora, ora assustada.
- Sua mulher foi sequestrada naquela noite, correto? – As mãos ágeis buscaram outra folha na pasta, que provavelmente se referia ao sequestro de Rin.
- Sim. – Desta vez, foi a imagem de Rin, deitada sobre o chão úmido daquele compartimento de lixo que o invadiu. Ele quase podia sentir o cheiro da acidez do lixo e o amargo cheiro do sangue dela. Um arrepio percorreu a pele dele.
What have I become, my sweetest friend? Everyone I know goes away in the end
- E como a senhora Shinto poderia te ajudar?
- Eu pretendia ameaçá-la para que William Brandford dissesse onde Rin estava. – A voz fria ecoava pelo cômodo, fazendo com que o escrivão estremecesse na cadeira.
- O senhor poderia ser mais claro? – O delegado pediu, torcendo as sobrancelhas.
- William era pai de Sarah Brandford, minha primeira mulher, que está morta. Ele mandou sequestrar Rin porque quer que pareça que eu matei Sarah. – Explicou pausadamente. Seu peito se contraiu dezenas de vezes até que ele ficasse quase sem fôlego. Havia banido o nome e a lembrança de Sarah de sua cabeça e repeti-lo, agora, parecia quase como uma punhalada.
- Peço para que a resposta não seja inclusa no registro; não há provas. – O delegado virou-se para o escrivão, que concordou com um aceno. – E qual a relação de William Brandford com Shinto Kagura?
And you could have it all, my empire of dirt
- Eles eram amantes e tiveram uma filha. – O youkai respirou fundo, tentando controlar a irritação em ter que ouvir aquilo. William não havia deixado provas; ele nunca deixava.
- Você se refere a Shinto Harumi? – Outras folhas foram reviradas.
- Sim.
- Ela está desaparecida. O senhor sabe onde ela está? – Ele inclinou-se para a frente desta vez, procurando intimidar Sesshoumaru, que não se moveu.
- Não.
- Há indícios de que ela estava na casa quando o crime foi cometido. O senhor a viu quando esteve lá?
- Vi.
- Então, não sabe mesmo onde ela está? – Os intervalos entre as perguntas e as respostas eram quase inexistentes e o clima ficava cada vez mais tenso. A essa altura, o defensor público olhava Sesshoumaru com uma expressão abismada.
I will let you down, I will make you hurt
- Já disse que não. – Sesshoumaru piscou, vendo o reflexo dos cabelos avermelhados de Harumi reluzir sob suas pálpebras. Sua cabeça girou diversas vezes, conforme aquela lembrança se misturava com as lembranças de Sarah. Os mesmos cabelos ruivos, os mesmos olhos negros. Naquele momento, sentiu como se tivesse ameaçado a matar Sarah naquela noite. As memórias começaram a se embaralhar e ele começou a sentir como se estivesse delirando. Sesshoumaru respirou fundo.
- A perícia indicou um disparo na cabeceira da cama compatível com a arma que o senhor...
- Sim, fui eu quem efetuei o disparo. – Desta vez, a voz fria de Sesshoumaru se sobrepôs.
Houve um breve silêncio. O delegado estava surpreso, o defensor público havia segurado a respiração e o escrivão havia parado de movimentar os dedos freneticamente sobre as teclas do computador.
I wear this crown of thorns upon my liar's chair
- Eu matei Shinto Kagura. – A voz fria soou firme, ecoando pelos curtos cantos do cômodo. O delegado levantou as duas sobrancelhas e o escrivão voltou a registrar com urgência. O advogado soltou a respiração de uma só vez, causando um sonoro assovio. Sesshoumaru calou-se, encarando o delegado com firmeza.
- Onde está Shinto Harumi? E quem mais esteve com o senhor naquele quarto? – O delegado insistiu. O tom era muito mais intimidador, mas, mais uma vez, Sesshoumaru não se moveu.
- A menina fugiu assim que eu disparei e eu não sei onde ela está. Éramos apenas eu e Kagura quando eu a matei. Não há mais ninguém; eu o fiz. – Ele reafirmou, levantando o queixo.
Full of broken thoughts I cannot repair
- Isso é tudo. Em alguns dias, convocarei o senhor Taisho para uma acareação. – O delegado passou a falar com o advogado, travando as mandíbulas e fechando a pasta do inquérito. Sesshoumaru se levantou e saiu pela porta, descartando tudo que havia ficado ali. O defensor público ainda tentou segui-lo para fazer algumas perguntas, mas ele ignorou sumariamente a voz irritante daquele homem. Não iria responder nada; já havia feito o que precisava ser feito.
Hakudoushi parou em frente ao balcão da cozinha americana que separava este cômodo da sala. Apoiou os braços sobre o granito frio para poder aumentar seu alcance de visão. Dali, ele conseguia enxergar o topo dos cabelos prateados – levemente lilases – de Aki e o mar de cachos avermelhados de Harumi. Os dois estavam sentados sobre o tapete felpudo da sala, pintando e desenhando em folhas de papel pousadas sobre a mesinha de centro. Vez ou outra, em meio à conversa infantil, Aki debruçava-se sobre a mesa para elogiar o trabalho de Megumi. Hakudoushi sorriu, lembrando-se de como o filho havia balançado o rosto com atenção quando ele pediu que fosse gentil com Harumi.
Ultimamente, Harumi vinha perguntando de Kagura insistentemente. Embora a menina soubesse que a mãe estava morta, Hakudoushi não deu qualquer outro detalhe. Seria sórdido demais contar a Harumi que o próprio pai havia mandado matar a mãe. O problema, no entanto, era que a menina queria visitar o túmulo de Kagura. Harumi não havia saído da casa dele desde o dia em que Hakudoushi a encontrou, coberta de sangue e assustada, na mansão de Kagura. Ninguém podia imaginar que ela estava viva, quanto menos com ele.
Aki ficou de pé no meio da sala para exibir o desenho que havia feito. Eram ele, a mãe, o pai e Harumi. O lápis vermelho marcava as linhas do cabelo da menina, que sorriu brevemente diante da pintura. Ela também levantou-se para exibir o desenho que havia feito. Assim que os olhos negros passaram pelo desenho que ela mesma havia feito, o sorriso do rosto de Harumi desapareceu. A menina aproximou-se da bancada, subindo em um banco de madeira para alcançá-la. Sobre o granito frio, colocou o desenho primário e infantil, mas que Hakudoushi sabia bem qual era. A força com que Harumi pressionou o lápis preto no papel branco conseguia imprimir exatamente a intensidade da cor dos cabelos e pele de Kagura. Os olhos vermelhos haviam se tornado dois pontos fortes na folha e ela parecia sorrir. Harumi havia herdado o dom da arte da mãe, Hakudoushi pensou.
- Mamãe nunca me explicou direito por que meus cabelos são vermelhos e os dela são pretos. Nem por que meus olhos são pretos e os dela vermelhos. – Harumi comentou, respirando fundo. – Você conhece minha mãe há tanto tempo, por favor, me explica.
Megumi, que preparava o almoço na cozinha, congelou. A sinfonia dos talheres cessou e ela virou-se, apanhando o pano de prato para enxugar as mãos. Ela olhava Hakudoushi e Harumi diretamente, compadecida pela situação da criança. O youkai engoliu seco, tentando pensar com rapidez. Nada vinha à sua mente, então ele procurou ser simplista.
- Você se parece com seu pai. – Disse, curvando-se mais ainda para olhá-la.
- Sério? – Harumi arregalou os olhos negros, parecendo entusiasmada. – Você conheceu ele?
- Sim. – Hakudoushi gaguejou, olhando Megumi por cima do ombro brevemente.
- E onde ele 'tá? – As duas mãos infantis tornaram-se apoio para o queixo e ela acomodou-se no banco de madeira para ouvir.
- Não sei te dizer, Harumi. Faz muito tempo que o vi. – Ele tentava controlar as palavras para não cometer nenhum deslize.
- Você acha que se ele souber que mamãe partiu, ele vem me buscar? – O entusiasmo morreu aos poucos, conforme as palavras saíam da boca dela. Os olhos negros estavam, agora, apreensivos.
- Não sei, meu anjo. – Ele respirou fundo, sentindo o peito se comprimir. – Mas você vai ter a mim pra sempre.
- Mamãe sempre dizia que você era a única pessoa em que eu podia confiar. Eu gosto muito de você, Hashi, mas eu queria saber quem é meu pai para confiar nele também. – Harumi suspirou, deslizando a folha de desenho até que ela ficasse fora do próprio campo de visão. – Se eu pareço tanto com ele, por que não tenho o sobrenome do meu pai? Por que ele nunca veio me ver? – O tom choroso roubou a voz da menina, tornando-a um sussurro.
Hakudoushi perdeu as palavras por um longo instante, sentindo o peito arder em fúria. Odiava William com todas as forças. Não entendia como aquele homem podia ter destruído tantas vidas sem remorso algum. Harumi era doce; tão doce quanto Sarah. E mesmo assim, foi rejeitada pelo pai desde sempre. William nunca assumiu a menina, embora ela fosse, realmente, muito parecida com ele. Megumi aproximou-se, envolvendo Hakudoushi com um dos braços.
- Às vezes, pessoas importantes não podem estar com a gente. – Megumi disse, inclinando-se para olhar Harumi também. – Mas a vida sempre se encarrega de trazer outras para nos proteger e cuidar de nós.
- Harumi, olha pra mim. – Hakudoushi pediu, inclinando-se até ficar na altura dos olhos negros. – Eu amo você tanto quanto amo o Aki. Eu prometi pra sua mãe que cuidaria de você. Prometi que você seria parte da minha família.
- Sinto falta dela. Quero ver a mamãe. – Harumi pediu, subindo na bancada para abraçar Hakudoushi. Ele a segurou entre os braços, afagando os cabelos avermelhados. – Ela partiu sozinha, eu não pude dar tchau. – A menina afundou o rosto no ombro dele, fazendo com que a voz fosse abafada pelos soluços do choro.
- Eu vou te levar. – Ele prometeu, fechando os olhos. – E nós vamos colocar uma lanterna na porta pra ela, tá bom?
A menina acenou positivamente, recostando a bochecha no ombro largo do youkai. Hakudoushi virou-se para Megumi, que o olhava com os olhos marejados. Ela esfregou o pulso contra o rosto para afastar uma lágrima e então abraçou o marido e Harumi, apertando-os contra si.
- Eu estou grávida. – Kagura disse, encarando as próprias mãos pousadas sobre a mesa de escritório de Hakudoushi. Ele ficou imóvel, olhando-a por um longo instante. A mente do youkai parecia ter levado um choque, ficando paralisada. O peito dele se estendeu, embalado pelas batidas frenéticas do coração e depois se comprimiu, fazendo com que faltasse ar nos pulmões.
- Ele sabe? – Perguntou, antes de esfregar o rosto com as duas mãos.
Ela balançou o rosto positivamente, fazendo com que os cabelos negros balançassem sobre a camisa de seda que vestia.
- Ele está voltando para os Estados Unidos. – Ela estava juntando todo o orgulho que havia sobrado, tentando parecer fria.
- E volta para o Japão quando? – A voz dele aumentou um décimo, ecoando pela sala espaçosa. Kagura levantou os olhos para olhá-lo.
- Não volta. – Respondeu, engolindo seco em seguida. Hakudoushi via como ela estava tentando construir uma imagem indiferente, mas a tremulação nos lábios avermelhados e na base da garganta denunciavam Kagura. – Ele não vai... reconhecer.
Hakudoushi sentiu o rosto ferver e a vista ficou cega por um instante. Ele levantou-se, ficando de frente para a enorme janela de vidro polido da sala. Os olhos lilases se fecharam, conforme ele tentava manter a calma.
- Não estou te pedindo ajuda, Hakudoushi. – Ela alertou, levantando o tom de voz. – Só gostaria que você soubesse por mim, não por outra pessoa.
- Kagura, ele te enganou! – Virou-se, estendendo o braço de maneira exasperada. – Ele se aproveitou da morte da filha para se aproximar de você e para fazer com que você testemunhasse contra Sesshoumaru.
- Não toque no nome dela. – Kagura levantou-se, com o dedo em riste apontado diretamente para o centro do rosto de Hakudoushi. – Você não tem esse direito, porque está defendendo aquele monstro.
- Sesshoumaru não matou Sarah. – Ele bateu o pulso contra a mesa, aumentando mais ainda o tom de voz. – Você sabe que eu não mentiria para você.
A youkai respirou fundo, tentando acalmar-se. Kagura sentia toda dor voltar toda vez que mencionavam o nome de Sarah. Há apenas quatro meses a única amiga que tivera partiu, de um modo arrasador. Sarah era a pessoa mais doce que conhecera e não merecia nunca aquilo. Kagura não podia acreditar que alguém havia sido capaz de matá-la de maneira tão cruel, tampouco que havia sido Sesshoumaru. Mas William havia a convencido daquilo.
- Ninguém mais tinha motivo, Hashi... – Ela tentou conter uma lágrima solitária que escorreu pelo rosto pálido. – Ninguém tinha motivo algum para tirar a vida dela.
- Sesshoumaru amava Sarah com a própria vida, ele nunca a mataria por motivo algum, tanto menos por vaidade ou vingança. – Hakudoushi argumentou, tentando acalmar-se também. – Kagura, William não mandou matar Sarah, mas ele é responsável pela morte dela. Ele está culpando Sesshoumaru para livrar-se e porque não aceitava o casamento da filha.
- Quem aceitaria? Sesshoumaru é sim vaidoso e vingativo. – Ela moveu os ombros, tentando recompor a máscara fria.
Hakudoushi abriu os olhos, sentindo imediatamente a dor de cabeça dominar seus sentidos. Ele esfregou o rosto e virou-se, encontrando a cama vazia. Olhou, então, a janela e percebeu que o dia ainda não havia nascido, embora imaginasse que a noite já estivesse por acabar. O youkai calçou os chinelos e levantou-se, caminhando até o quarto do filho. Assim que abriu a porta, deparou-se com Aki, Megumi e Harumi dormindo na mesma cama. Megumi estava sentada, recostada à cabeceira, com um livro de contos sobre o colo e com uma mão enlaçada com o menino e outra com a menina. Parecia dormir profundamente, embora a posição fosse obviamente desconfortável.
Beneath the stains of time
Hakudoushi aproximou-se, retirando o livro do colo dela. Ele desatou as mãos de Aki e da mulher suavemente, pegando o menino no colo e depositando-o sobre a outra cama, do outro lado do quarto. Quando virou-se, Megumi estava esfregando um dos olhos, tentando despertar. Hakudoushi parou no meio do quarto, esperando que os olhos azuis da mulher finalmente o alcançassem. Ela sorriu e levantou-se vagarosamente, deixando Harumi na cama. Caminhou, mesmo com as dores nas costas originárias da posição desconfortável, até o corredor. O youkai a acompanhou, fechando a porta atrás de si.
- O que aconteceu? – Ele perguntou.
- No meio da noite, Aki me chamou e disse que Harumi não conseguia dormir. Acabei adormecendo com eles, me desculpe. – Explicou, entre sussurros.
- Tudo bem, fez bem. – Hakudoushi aproximou-se, depositando um beijo sobre a testa da mulher.
- Ela quer realmente ir até o cemitério. – Megumi olhou-o de maneira séria. – Eu entendo a dor por não se despedir da mãe, mas é perigoso tirá-la daqui.
The feelings dissapear
- Eu sei. – Ele esfregou o rosto outra vez, respirando fundo. – Mas eu a prometi e vou dar um jeito.
- Se pegarem-na você será preso, Harumi será separada de nós e mandada para algum lugar desconhecido. – Ela argumentou, arrumando o laço do robe de seda.
You are someone else
- Sinto que também devo isso a Kagura. Harumi era a vida dela. – Disse. Imagens de Kagura contando a ele que estava grávida voltaram a invadir a mente de Hakudoushi. Ela estava aterrorizada, magoada por William tê-la abandonado e pela morte de Sarah. Outra vez na vida, Kagura estava sozinha. No entanto, ela havia confiado a vida da filha a ele desde o princípio e ele sentia que precisava permitir que Harumi se despedisse da mãe. Também não podia perder a menina. Kagura havia pedido que ele não deixasse nada de mal acontecer à Harumi e ele não podia desapontá-la.
I am still right here
Megumi suspirou, abraçando o marido em seguida. Entendia os motivos de Hakudoushi e, mais do que nunca, sabia do quanto ele sentia pela morte de Kagura.
O motorista do táxi chamou a atenção de Rin e ela despertou, olhando pelo vidro embaçado. Os pingos da chuva grossa faziam um caminho tortuoso pela superfície transparente, mas ela ainda podia ver a fachada do prédio rústico do outro lado da calçada. O taxista a apressou outra vez e Rin forçou um sorriso, agradecendo-o e descendo pela porta. Ela colocou uma folha do jornal sobre os cabelos negros enquanto atravessava a rua, evitando que os pingos da chuva a molhassem muito. Chegou, enfim, à ponta das escadas do prédio. Subiu cada um dos degraus e então tocou o interfone, esperando.
O coração batia com força, totalmente fora de controle. Estava nervosa porque aquela seria sua primeira experiência como repórter do jornal e, mais do que nunca, não queria decepcionar Kohako. Ele estava sendo exigente, o que havia feito com que ela passasse horas dentro da redação do jornal. Aquilo não a incomodava, porque o trabalho estava funcionando como um refúgio para sua mente. A dor havia sido anestesiada, pelo menos temporariamente. Rin sentia como se finalmente estivesse encontrando força para tentar seguir em frente. E não pensar em tudo que aconteceu já era um bom primeiro passo, mesmo que o custo fosse mergulhar de cabeça no trabalho. No entanto, além de exigente, Kohako estava sendo gentil. Rin descobriu que ele morava na rua da cafeteria e, por isso, viviam se encontrando no café da manhã. Ainda era estranho se aproximar de qualquer pessoa, mas ele era uma companhia agradável. Não perguntava, não julgava e não interferia na vida pessoal dela. Kohako nunca havia perguntado o que ela fazia antes de vir pra cá, provavelmente porque já havia percebido que Rin não tocava no assunto e, portanto, não se sentia confortável em falar. Ela pouco falava de qualquer coisa que não fosse trabalho, na verdade.
Kohako resolveu dar a primeira oportunidade pra ela depois de um mês de trabalho no telefone. Rin havia ouvido coisas tão absurdas, que era difícil acreditar em como as pessoas poderiam ser fantasiosas. Em uma destas ligações, no entanto, um militar denunciou um caso de abuso em uma missão pacificadora no Afeganistão. A vítima era uma respeitada tenente, que foi afastada do cargo logo após o caso. O abusador, segundo a denúncia, era um militar de alta influência no pentágono. A ordem de afastar a tenente teria partido dele, para abafar o caso.
Então ali estava Rin, em frente à porta da tenente Amelia Hart. Ela morava sozinha em um prédio do subúrbio de Boston e, segundo o que Rin havia apurado, não saía muito de casa. Tocou o interfone e esperou alguns segundos até que a porta de ferro se abrisse. Ela empurrou a porta e entrou, olhando para os dois lados. Não havia porteiro, o sistema de interfone era automático e o prédio era bastante simples. Havia apenas um lance de escadas de mármore claro, gastas pelo tempo. Nada de elevador ou qualquer outro acesso. Rin subiu pelas escadas até chegar ao segundo andar. Havia quatro portas de cada lado, em um corredor comprido e pouco iluminado. Ela respirou fundo e foi até a porta determinada, tocando a campainha. Longos instantes se passaram até que a tenente abrisse uma fresta da porta, que era presa por fechaduras de correntes, para olhá-la. Os cabelos castanho-claros estavam presos em um rabo de cavalo displicente ela parecia muito cansada. O olhar duro alcançou Rin, que perdeu o fôlego por um instante.
- Pois não? – Perguntou, de maneira fria.
- Meu nome é Rin, sou repórter do Boston Globe. Gostaria de conversar sobre... – Ela estendeu a mão, mas Amelia fechou a porta com tanta força, que Rin teve que recolher os dedos para não tê-los amassados pela porta. Ela ficou estática por um instante. – Sra. Hart, é importante, por favor. Eu quero ajudar. – Pediu, batendo à porta novamente.
Amelia abriu a fresta da porta mais uma vez, exibindo uma arma prateada na direção de Rin. Ela congelou, olhando ora o cano metalizado, ora o olhar enfurecido da tenente.
- Dá o fora da minha casa agora. – Disse, entre os dentes.
- Eu quero ajudar. – Rin repetiu as mesmas palavras pausadamente.
- Eu não preciso da sua ajuda. – Amelia estendeu a arma mais alguns centímetros até quase encostar no rosto de Rin.
- Sra. Hart, sei o que aconteceu na missão do Afeganistão e sinto muito. Deixa eu te ajudar a fazer com que a justiça saiba do seu caso. – Ela levantou as duas mãos em sinal de rendimento.
- A justiça já sabe do meu caso. Não sei o que te levou a bancar a heroína, mas eu vou te dar um conselho: dê meia volta e finja que nunca soube de nada. Pro seu próprio bem. – A tenente recuou, guardando a arma na cintura. As mãos foram até a porta, mas Rin colocou o rosto na fresta entre o batente e a madeira.
- Amelia, eu sei que posso, pelo menos, fazer com que o caso seja investigado. Se houver visibilidade, você estará segura. – Insistiu, segurando a porta com uma das mãos.
- Você enlouqueceu? Se isso sair na imprensa, ele vai me matar. – Amelia aproximou-se, olhando Rin diretamente no rosto.
- Eu te dou a minha palavra, isso não vai acontecer. – Ela travou as mandíbulas. – Você precisa viver em paz. Não é justo que você se esconda.
- Você não tem ideia do que eu passei. – Amelia sussurrou, tentando conter o nó formado na base da garganta. – Você faz ideia do que é ser aterrorizada, espancada e chantageada a ponto de querer desistir de viver?
Rin travou a mandíbula, sem saber o que dizer. As imagens da noite de seu sequestro apareciam como flashes na sua mente. Ela fechou os olhos, respirou fundo e baixou o rosto. A cabeça dela balançou em um sinal negativo.
- Não, não sei. Mas tenho certeza que se você contar às pessoas o que aconteceu, estará tirando outras vítimas do anonimato. – Rin também abaixou o tom de voz, voltando a olhá-la. – Amelia, eu não estou aqui pra fazer da sua tragédia um escândalo. Estou aqui como mulher para te oferecer ajuda para resgatar sua vida.
A tenente ficou em silêncio, ainda com o olhar fixo nos olhos de Rin. Ela procurava algum tipo de segurança naquelas palavras e, por algum motivo, encontrou. A porta foi fechada e Rin ouviu as trancas sendo movidas, até que finalmente a porta se abriu de vez. Ela pediu permissão e entrou, respirando fundo.
Hakudoushi continuou seguindo pelos corredores pálidos da mansão em que Kagura vivia, procurando alcançar o quarto em que ela estava. Seus pés estavam mais apressados do que tinha pensado estarem, mas ele não se importou. Chegou, finalmente, a uma porta de correr de madeira. Pediu permissão e entrou, parando na entrada para olhá-la. Kagura estava deitada sobre a enorme cama de casal e olhava pela janela de vidro, com os olhos vermelhos fixos em algum ponto das copas das árvores do jardim. Ela passava os dedos finos pelos cabelos negros, que estavam soltos e lisos, arrumados de maneira simples. Vestia um robe de seda azul marinho, enfeitado com flores bordadas de branco. Assim que sentiu a presença de Hakudoushi ali, Kagura não o olhou, mas parou o movimento dos dedos entre as mechas do cabelo.
- Vim saber como você está. – Ele puxou a calça social para ajoelhar-se. Inclinou o corpo pra frente até encostar a testa no chão e ficou ali por instantes. Depois do cumprimento ele inclinou-se de volta, ficando ainda com os dois joelhos no chão e com as mãos sobre as coxas.
- Estou bem. – Respondeu, em um fio de voz breve.
- E o bebê? – Hakudoushi insistiu, sem tirar os olhos de Kagura, embora ela ainda não o olhasse.
- Estamos resistindo. – Ela concluiu, soltando um suspiro fundo. A mão que antes passeava pelos cabelos acariciou levemente a barriga saltada.
- Você está sozinha aqui? – Ele continuou a perguntar, mesmo percebendo que Kagura não queria vê-lo ali.
- Tenho ajuda de uma enfermeira. – Disse simplesmente. – Está tudo bem, não há motivo para preocupação.
- Eu posso? – Hakudoushi levantou-se, pedindo permissão para se aproximar. Kagura finalmente o olhou, sentindo o choque dos olhos lilases a atravessando. Um pesado nó se formou na garganta fina e ela teve de respirar fundo antes de acenar positivamente. Ele ajoelhou-se outra vez, ao lado da cama, ficando quase na altura de Kagura. Ela acompanhou-o com os olhos, sentindo o nó na garganta crescer cada vez mais. – Estou grato por vocês estarem bem. – Ele disse.
- Estou grata por você estar aqui. – Ela sussurrou, fechando os olhos.
Hakudoushi recostou a testa na cama e Kagura levou uma das mãos ao topo dos cabelos prateados. Um soluço seco escapou da garganta dela e ele sentiu como se o coração estivesse se partindo em dois.
- Quando percebi que você amava Megumi e não se casaria comigo, eu senti. – Ela começou, deixando que o choro cortasse pedaços das palavras. – Senti porque eu havia perdido a oportunidade de me casar com um homem bom; porque meus filhos não teriam um pai como você. – Kagura respirou fundo. Hakudoushi prendeu as mãos no lençol da cama, tentando segurar a dor que se espalhava pelo peito e subia pela garganta. – Mas eu não te perdi, Hashi. Eu entendi que você sempre seria meu protetor.
- Eu falhei. – A voz trêmula saiu abafada.- Deixei que um homem partisse seu coração.
Houve um instante de silêncio, enquanto ela ainda acariciava o topo dos cabelos dele.
- Eu o odeio, Kagura. O odeio com todas minhas forças. - Ele admitiu.
- William não me ama, é verdade, mas ele me deu um presente. – Ela passou a outra mão pelo ventre mais uma vez. – Eu nunca mais serei sozinha, Hashi. – As palavras saíam tão baixo, que ela achava que talvez ele não estivesse escutando.
- Você nunca esteve sozinha, Kagura. – Ele levantou o rosto e a encarou de maneira firme. – Não repita isso.
- Você sabe do que eu estou falando. – Ela sorriu de maneira doce, colocando uma mão sobre a dele. – Ela vai ser o meu mundo.
- É uma menina? Ela está bem? – Hakudoushi levantou as sobrancelhas, sorrindo. Kagura acenou positivamente.
- Eu tive um descolamento de placenta em uma discussão com... ele. – Kagura respirou fundo, encarando o próprio ventre. – Mas agora está tudo bem. Eu preciso ficar de repouso. Não pude visitar Megumi.
- Megumi está esperando um menino. – Comentou, segurando a mão livre dela.
- E se nós os prometêssemos, um ao outro? – Ela sorriu, em um tom de piada.
- Não tem graça. – Ele a olhou com um olhar de censura. – Nossos pais nos prometeram e quase acabaram com nossas vidas. – Hakudoushi suspirou.
- Você quase desistiu de se casar com a mulher que ama para não decepcionar seus pais ou me decepcionar. – Kagura passou a mão pelo rosto dele. – Você abdicou da própria carreira para defender Sesshoumaru. Você está aqui hoje, depois de tudo. – Ela respirou fundo outra vez. – Não sinto que posso te pedir mais nada, por tudo que já fez, mas preciso.
As sobrancelhas dele relaxaram e os olhos lilases fixaram o rosto de Kagura, que tinha os lábios trêmulos.
- Quando eu partir, nunca permita que Harumi fique sozinha. Ela só terá a mim e a você. – Kagura prendeu as duas mãos contra a mão de Hakudoushi, segurando com força. – Eu só confio a vida dela em suas mãos.
- Eu te prometo. – Ele inclinou-se até que a testa recostasse às mãos dela, juntas em sua própria mão.
Hakudoushi parou o carro em frente ao cemitério Aoyama. Harumi soltou o cinto e colocou-se de pé no banco, olhando a fachada clara que escondia um caminho de concreto, coberto por uma fina camada de geada e margeado por dezenas de cerejeiras. Era cedo, muito cedo. A menina não havia conseguido dormir e tampouco Hakudoushi. Sua memória estava resgatando todas as lembranças de Kagura, de uma maneira avassaladora. Sentia-se amargurado, ressentido e, mais do que nunca, culpado. Não deveria ter deixado Kagura sozinha naquela noite. Mas como poderia abandonar Sesshoumaru e sua própria família? Megumi estava aterrorizada – e com razão, já que o colar de Rin foi deixado na porta de sua casa.
What have I become, my sweetest friend?
Quando chegou à casa de Kagura, na manhã seguinte, encontrou Harumi em choque. A menina ainda estava escondida em outro cômodo e, não se sabe exatamente o por quê, tinha sangue no pijama. Provavelmente Harumi tivesse ficado ao lado do corpo da mãe antes de ligar para ele, pedindo ajuda. Até o fim, Kagura protegeu a filha com a própria vida. E Hakudoushi não teve coragem, no entanto, de entrar no quarto para ver o corpo. Uma fresta pela porta o permitia ver somente os pés pálidos unidos na ponta da cama e o sangue pelo chão. Ele sabia que não poderia aguentar ver o que estava por trás da porta.
Everyone I know goes away in the end
Ainda com aquela imagem na mente, Hakudoushi saiu do carro, pegando a menina no colo. Megumi havia prendido os cabelos avermelhados de Harumi dentro de uma touca de lã creme para não chamar atenção. Ela também estava no carro e saiu, segurando Aki pela mão. Entraram pelo portal de madeira, seguindo pelo longo corredor central. As cerejeiras que, quando floridas tornam-se um ponto de visita dos turistas, agora estavam secas e quase sem folhas. As poucos que restavam eram amareladas e também já estavam prestes a cai. O outono roubava as flores das árvores e trazia um tom cinza para Tóquio. Hakudoushi seguiu, ainda com a menina no colo, até um corredor secundário que levava ao túmulo de Kagura. Encontraram uma luxuosa lápide, que levava o nome da mulher e também uma foto. Hakudoushi travou a mandíbula, imaginando que provavelmente havia sido William que arrumara aquele túmulo. Não havia, no entanto, flores ou qualquer outro tipo de homenagem.
And you could have it all
Harumi se moveu e ele a deixou no chão. A menina ajoelhou-se sobre o granito, molhando a meia calça que vestia. Os pequenos dedos percorreram os kanji do nome da mãe, redesenhando os formatos sobre a pedra.
My empire of dirt
- Fica tranquila, 'tá mãe? O Hashi 'tá cuidando de mim. – Ela sussurrou, com a voz embargada.
I will let you down
Hakudoushi colocou as duas mãos nos bolsos da calça, tentando segurar as lágrimas que teimavam embaçar sua vista. Aki abraçou as pernas do pai e da mãe, olhando a cena. Megumi levou a mão à boca para abafar um soluço.
I will make you hurt
- Eu vou trazer flores, 'tá? Bem coloridas, iguais seus quadros. – Prometeu. – 'Tá muito cinza, né? – Perguntou, como se esperasse algo. A resposta foi um silêncio absoluto, preenchido somente pelo som do vento entre as copas vazias das cerejeiras. Harumi prendeu os pequenos lábios finos, não evitando que o primeiro soluço saísse da boca.
Rin entrou pela porta de vidro da redação, encontrando um ambiente quase vazio. Eram mais de dez da noite e o expediente já havia acabado há tempos. Ela olhou pela outra porta de vidro, que dividia a saleta-aquário de Kohaku. Ele ainda estava lá trabalhando, como ela imaginou. Deixou as pastas e a bolsa na própria mesa, batendo à porta dele. Kohaku pareceu surpreso em vê-la ali, mas fez um sinal para que entrasse.
- Você levou a sério demais a história de trabalhar até tarde. – Ele comentou, apontando uma cadeira.
- Você não? – Ela abriu uma linha de sorriso, sentando-se.
- A edição do jornal de amanhã já está sendo impressa, não tinha porque ter voltado pra cá. – Disse, reclinando-se pra trás na poltrona de couro.
- Eu sei, eu só queria conversar. – Rin respirou fundo, olhando as luzes da cidade pela parede envidraçada por um instante. – Consegui a história da tenente.
- Ótimo, e então?
- Estou com medo. – Admitiu, engolindo seco.
- Medo de ser ameaçada? – Kohako franziu as sobrancelhas, confuso.
- Não, medo de matarem-na. – Voltou a olhá-lo. Ele a encarou por um longo instante, pensando. – Vou me sentir culpada se algo acontecer a ela.
- Você não está a condenando. Está tentando contar o que ela teve medo de dizer. – Kohako voltou à posição normal, apoiando as mãos juntas na mesa de acrílico.
- Amelia denunciou o agressor, mas nada aconteceu. Ela está se escondendo, no subúrbio, para que ele não a mate. – Explicou, apoiando o queixo sobre uma das mãos. – Pode imaginar quão cruel é isso?
- Rin, eu vou colocá-la na capa, ok? – Prometeu. – Vamos fazer com que o caso ganhe relevância suficiente para que ele fique com medo dela. Amelia estará em segurança.
If I could start again
Rin abriu um sorriso doce, sentindo a aflição do peito diminuir.
A atenção foi desviada para a TV fixa no topo do canto da sala, que transmitia um noticiário ao vivo. Uma sequência de fotos de Sesshoumaru entrando em uma delegacia foi mostrada. Ele parecia abatido, embora a expressão fosse puramente fria.
A million miles away
- Pode aumentar um pouco a TV, por favor? – Ela pediu. Kohaku tirou o aparelho do mudo.
- ...empresário e ex-presidente das operações asiáticas da Taisho Company prestou depoimento na delegacia de Tóquio e confessou ter matado a artista plástica japonesa Kagura Shinto. Os exames da balística já haviam provado que a marca de tiro na cabeceira da cama foi feita pela arma que Sesshoumaru portava na noite do crime. – Uma foto de Kagura apareceu e Rin ficou estática. Acreditou, por um instante, que a TV havia voltado a ficar muda, mas percebeu, então que era ela quem não ouvia nada, além de um zumbido. Kohako chamava sua atenção, perguntando algo. Ela sentiu toda a dor voltando à tona, misturada ao ódio.
Sesshoumaru havia jurado que não matou Kagura, mas era mentira. Ele havia sido capaz de atirar contra uma mulher indefesa e uma criança para conseguir o que queria. Ele era, afinal, exatamente igual ao infeliz que tinha a sequestrado e espancado naquela noite, mesmo sabendo que ela esperava um filho. O que mais havia acontecido naquela maldita noite? O que havia acontecido na noite da morte de Sarah? Quem era Sesshoumaru, afinal? A dor começou a ser substituída pelo ódio e Rin não sentia mais vontade de chorar, apenas uma náusea sem fim. Havia se casado e passado anos ao lado de um monstro, um assassino. Talvez tudo que se seguiu tivesse sido para evitar que se deixasse ser enganada por Sesshoumaru. Em pensar que havia confiado cegamente na inocência dele fazia Rin ter ódio de si mesma.
I would keep myself
- Rin? – Kohako insistiu.
- Me desculpe. – Pediu, em um fio de voz. – Amanhã te entrego o texto da reportagem. – Avisou, levantando-se com rapidez. Saiu da saleta ainda com a vista escurecida, sentindo como se o rosto fosse explodir. Apanhou a bolsa e andou, aos tropeços, até a porta.
I would find a way
Oi gente!
Cá estou eu, de volta, tentando equilibrar meu tempo com o TCC, faculdade, trabalho e fanfic! Outra vez, peço desculpas pela demora. Estou fazendo o meu melhor para escrever, então por favor, tenham paciência e não desistam de mim. Estou muito feliz com os rumos da história e com os comentários de vocês. Obrigada por investirem um tempinho na leitura e na escrita das reviews. Vocês são demais! Estamos caminhando para o fim da história. Ainda faltam alguns capítulos, mas as decisões finais estão por aí, então deixem seus comentários contando quais são as expectativas e desejos para a parte final da história. E claro, críticas e observações também são muito bem-vindas.
Boa semana a todos!
Beijos
