CAPÍTULO XI
Rosalie acordou depois de uma noite nada satisfató ria na cama do quarto de hóspedes. Não que a cama fosse desconfortável. O colchão era bom, mas ela sentia falta de Emmett.
Eles haviam jantado relativamente em silêncio na noite anterior e o pouco que conversaram girou em torno do bebê. Emmett pediu licença logo depois do jantar para trabalhar. Duas horas depois, quando ela foi se deitar, ele ainda não havia saído do escritório.
Ela sofria com a distância entre os dois. Foi pior que a noite posterior ao rompimento, pois seu cora ção insistia em que eles deveriam ficar juntos, pode riam ficar juntos, se não fosse a recusa dela.
Ela acordou várias vezes durante a noite com sau dades dele, encontrando a cama vazia. Teria sido uma boba ao pedir espaço, o que só causava dor e mais confusão, em vez de facilitar o pensamento, como deveria? Ele estaria certo em pensar que fazer amor apenas esclareceria a situação? Conversar de veria ajudar, mas eles ficavam falando em círculos.
Queria que ele aceitasse seu amor antes de se casa rem. Mas, pelo que podia perceber, teria de arriscar casar-se para que ele acreditasse que seus sentimen tos eram verdadeiros.
Se ele estivesse pedindo uma prova do seu amor, ela se rebelaria. Não poderia suportar aquele tipo de chantagem emocional.
Mas não era o que estava acontecendo. Ele estava realmente confuso com as ações dela. Tudo o que ha via dito e feito mostrava que compreendera pouco os motivos dela. E que esses motivos se pareciam muito com o verdadeiro amor. Talvez Kate tivesse de monstrado melhor seus sentimentos, mas ela sabia que seu amor era correspondido. Isso fazia uma enor me diferença e Rosalie começava a ver o quanto o amor não correspondido era doloroso.
Mas o amor não deveria ser egoísta, nem ficar es condido por autoproteção. Por um lado, Emmett es tava muito certo. O amor falado, mas não demonstra do por ações não era realmente amor.
O amor não deveria transformar a mulher em capacho, mas deveria torná-la forte o suficiente para arris car. Ou não? Amar Emmett certamente não deveria fazer com que agisse de uma forma que o ferisse, mas era exatamente o que estava acontecendo.
A rejeição dela o havia machucado tanto quanto o desejo dele de manter tudo em segredo e não se casar com ela. Ela não tinha dúvidas disso e sentia-se terri velmente mal. Não queria magoá-lo.
Seus pensamentos foram interrompidos por um aperto no estômago, e uma urgência em vomitar fez com que se levantasse da cama e corresse para o ba nheiro. Estava com ânsia de vômito, seu rosto estava pálido e todo o seu corpo doía, quando uma mão ca lorosa se acomodou em suas costas.
— Por que não esperou por mim? Estava trazendo seu chá com torradas.
— Não tive alternativa — ela respirou, sentindo-se trêmula e tonta, mas menos enjoada.
Ele fez um ruído que era parte protesto, parte re morso, e ela virou a cabeça para descansá-la contra o corpo dele, que estava tão próximo ao seu.
Ele acariciou a face dela.
—Querida, o que farei com você?
— Ajudar-me a levantar? — Ela perguntou, com uma voz surpreendentemente fraca.
Ele não falou mais nada até levantá-la, mas a aju dou a lavar a boca, o rosto e o pescoço com água fria.
Quando terminou, ele a carregou de volta para o quarto.
— Se eu estivesse aqui, saberia quando acordou e poderia cuidar de você. Dormir em camas separadas é tolice!
Ela mordeu um pedaço de torrada e tomou um chá fraco, mas bastante doce, enquanto ele desabafava sua frustração em italiano, inglês e em outros idio mas que ela não conhecia.
Ele finalmente se acalmou e sentou ao lado dela. Sua normalmente imaculada aparência estava dife rente. Seus cabelos não haviam sido penteados e sua gravata estava frouxa, como se precisasse de mais ar.
Ele pegou a mão dela e acariciou seus dedos gen tilmente.
— Desculpe. Estou reclamando e você aí se sen tindo mal. Perdoe-me.
— Uau! Para um rapaz que não pede desculpas com freqüência, você é muito bom nisso.
Ele sorriu.
— Obrigado. Acho que sim.
Ela sorriu, sentindo-se bem melhor do que há cin co minutos.
— Mas acho que está certo.
— Acha que estou certo? — Ele parecia atônito. — Sobre dormirmos em camas separadas?
Ela assentiu, sem fazer movimentos bruscos que causassem mais náuseas.
— Dormi muito mal a noite passada.
— Sentiu minha falta? — Os olhos azuis esbanja vam satisfação.
Ela teve de reprimir seu senso de humor diante da reação dele. Ela não sabia se ele entenderia, mas hu mildade não era seu forte.
— Sim.
— Senti sua falta também, tesoro mio.
— Então... hum... nada de camas separadas.
— Tem certeza?
— Sim.
— E sua preocupação sobre eu seduzi-la?
— Confio em você.
— Isso já é alguma coisa.
Sim, era. Mas seria o suficiente?
Ela teve o primeiro gosto da intrusão da imprensa uma hora depois, quando atendeu ao telefone no escritório. Era um repórter que queria um depoimento so bre a sua relação com Emmett. Ela desligou depois de um firme "Sem comentários" e parou de atender a linha externa.
O correio de voz era algo maravilhoso.
Ela realmente apreciava o fato de Emmett morar em um prédio de alta segurança com estacionamento subterrâneo, o que também ocorria na Cullen Shipping. De alguma forma, a notícia de sua relação com Emmett vazou e ela não tinha a menor intenção de lidar com repórteres.
Ela imaginava como ele estava lidando com a atenção da imprensa. Ele havia deixado muito claro que não queria enfrentar esse tipo de situação. E ago ra eles estavam bem no meio de uma delas. Ela estre meceu ao pensar no que a imprensa faria se descon fiasse do bebê.
Ela ouviu uma leve batida à porta do seu escritório.
Vera entrou, com um sorriso no rosto e os olhos cheios de curiosidade.
— Então, o que são esses rumores de que você e o chefão estão tendo um caso?
— Humm... o que ouviu?
— Ah, Rosalie. Todo mundo sabe. Você se mudou para a casa dele e tudo. Não posso acreditar que não adivinhei. Aconteceu naquela noite, no restaurante? Mas como engravidou tão rápido?
— Engravidou? — Ela perguntou, impressionada.
Vera olhou para ela. Rosalie sabia que a notícia se espalharia dentro da empresa, então precisava ser clara com a amiga.
— Estávamos saindo há algum tempo.
— Em segredo? — perguntou Vera, estupefata.
— Sim. Nenhum de nós queria que a relação caísse no conhecimento público. — Não era o momento adequado de explicar que a relação havia mudado de status.
Depois de concordar em dividir a cama dele, mes mo platonicamente, não tinha certeza se isso era ver dade.
— Entendo — Vera se encostou na mesa de Rosalie. — Vai ficar meio constrangedor para você aqui, mas é fabulosa no seu trabalho e todos sabem disso. Além disso, é forte o bastante para aturar as fo focas que possam surgir.
— Obrigada pelo voto de confiança. — Rosalie sorriu.
— Então está mesmo grávida? — sussurrou Vera.
Rosalie aquiesceu.
Vera a abraçou.
— Parabéns, chica! Que notícia boa! Estou muito feliz por você!
Rosalie riu e abraçou a amiga.
— Obrigada, estou muito feliz também.
— Não quando está vomitando, aposto. Nem vou perguntar quando é o casamento, pois não quero dei xar vazar acidentalmente e ser responsável pelo assé dio das câmeras, mas quero que saiba que estou mui to, muito feliz por você.
A visita de Vera deixou Rosalie muito contente e estava lendo a lista de afazeres e ignorando as mensa gens dos jornalistas quando o representante de uma butique exclusiva entrou em seu escritório. A mulher parecia mais uma modelo do que uma funcionária de loja, e explicou que estava ali para mostrar a Rosalie uma seleção de modelos para a sua viagem para Cullen Pays.
— Seguindo as instruções do príncipe, tenho vá rios modelos aqui — ela falou, mostrando um cabideiro cheio de roupas.
— Emmett pediu que viesse? — ela perguntou.
A outra mulher assentiu, enquanto Rosalie pegava o telefone para ligar para Emmett. Ele atendeu logo.
— O que foi, Rosalie?
— Há um tipo de vendedora pessoal aqui, no meu escritório. Ela quer que eu olhe roupas, Emmett. Por que está aqui?
— Quero ir direto do trabalho para a Ilha Cullen hoje. Nosso horário de decolagem é quatro e meia.
— O quê? Quer ir mais cedo? Por quê?
— Meu pai quer conhecê-la antes de meu irmão se casar.
Lembrando o que ele havia contado sobre o pri meiro encontro do pai dele com Bella Swan, o sorriso de Rosalie não foi de muita alegria.
— Oh...
— É importante para mim, querida.
— Então é claro que vamos. Mas isso ainda não explica a vendedora que está aqui.
— Sabia que não gostaria de deixar de trabalhar para fazer as malas, e supus que não desejaria ir co migo sem que tivesse algumas roupas e um vestido adequado para o casamento.
Rosalie olhou então para a vendedora, que já tinha separado três combinações de roupas.
— Ela tem um ótimo gosto.
— Minha mãe e Alice adoram essa loja.
— Obrigada. Acho melhor escolher essas roupas para voltar a trabalhar.
— Vamos sair às três para o aeroporto. Esteja pronta.
— Sim, senhor.
— Aguarde-me, tesoro.
— O que vai fazer?
— Eu é que sei, não se preocupe.
— Olhe, não estou preocupada.
— Está confiando na carta da gravidez?
— Talvez...
A risada dele fez tão bem a ela quanto à visita de Vera.
— Nos vemos mais tarde, querido.
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos e ela pensou que a ligação tivesse caído, mas ele falou:
— Até lá, querida — com uma voz que formigou todo o corpo de Rosalie.
Aquele homem era definitivamente letal. Ela faria um favor à sanidade de todas as mulheres ao tirá-lo do mercado.
Com aquele tentador pensamento em mente, ela selecionou quatro modelos e preencheu uma lista de preferências pessoais da loja. Então, a vendedora foi embora, prometendo empacotar tudo em uma baga gem e levar para o jato de Emmett no aeroporto.
Emmett desligou com um sorriso no rosto. Ela não poderia saber sobre as histórias da imprensa. Pa recia tão natural. Muito relaxada. Ele não achava que ela responderia tão sem cuidados a algumas das mal dosas insinuações que estavam sendo feitas.
A decisão de sair mais cedo para Cullen Pays era a mais acertada. Ela precisava ser protegida e ele a pro tegeria. Sempre.
Ele olhou para os jornais ofensivos que estavam sobre a sua mesa. Esperavam por ele quando ele che gara ao trabalho pela manhã. Alguns não durariam nas bancas até o dia seguinte, mas tinham muito em comum... sugeriam coisas que magoariam Rosalie. E ela já fora suficientemente magoada.
Nunca fora sua intenção causar dor a ela, mas cau sara. Ele ficou irritado por não ter percebido o preço que a relação em segredo deles teria um dia. Como não se interessava por outras mulheres, achava que as fotos em que saía ao lado delas não a incomodariam. Estava enganado.
E ele entendeu o quanto estava equivocado ao vê-la naquela noite com Garrett. Tinha de admitir que, se ela estivesse dançando com o outro cara, provavel mente haveria pancadaria.
Que bom que isso não havia acontecido. Já havia especulação negativa suficiente em torno da relação deles. Mal conseguia conter sua fúria contra a im prensa, mas, juntamente com isso, veio a surpresa.
Ele não se sentia constrangido com as manchetes que falavam tudo sobre ele, como que era um namo rado enganado por uma sedutora que tirara proveito de sua função de presidente da empresa. Ele sim plesmente não se importava, mas a possibilidade de alguma dessas notícias magoar Rosalie o deixava apreensivo.
Ele não permitiria que ela as visse, e conseguiria isso com uma longa estada no castelo de Cullen Pays, onde a protegeria.
Rosalie supôs que Emmett não desejaria falar so bre o fato de a imprensa estar a par do relacionamen to deles, pois não havia tocado no assunto durante o trajeto para o aeroporto ou no vôo para Cullen Pays. O vôo fora longo e os dois trabalharam nas duas pri meiras horas. Então jantaram e Emmett voltou a tra balhar, mas sugeriu que ela relaxasse e assistisse a um filme.
Ela precisava mesmo era de um cochilo, e adorme ceu na metade do filme.
Rosalie estava dormindo quando eles aterrissaram e só acordou quando Emmett gentilmente sacudiu seus ombros.
— Chegamos, querida.
Ela piscou, tentando se concentrar.
— Certo. Hum... que horas são?
— Quase três horas da manhã no nosso fuso horá rio e nove da noite em Lo Paradiso.
— Certo. — Estava tão cansada que só queria vol tar a dormir.
Ele sorriu.
— Está totalmente sonolenta, não?
Ela assentiu. Ele riu e ela só conseguia se lembrar de ter sido carregada por ele para fora do avião. Quando ele ignorou o protesto dela de que podia andar por con ta própria, ela deitou a cabeça no ombro dele e cochi lou. Ela estava vagamente ciente de que fora colocada em um carro, que percorreu um curto trajeto.
Novamente, Emmett a carregou. Dessa vez, ela nem protestou, mas abraçou o pescoço dele e se ani nhou. Ele falou algo para alguém, enquanto a manti nha firme.
De repente, ela percebeu uma luz em seus olhos e piscou para olhar ao redor. Havia mármore italiano em toda parte, assim como grandes colunas em estilo romano e estátuas.
— Parece um museu.
Ela ouviu uma risada masculina profunda por trás deles.
— Sim, talvez pareça.
Ela se virou e viu o rei de Cullen Pays. Estava so nolenta demais para se impressionar. Simplesmente o encarou.
— Olá, Rosalie Hale. Ouvi falar que está grá vida do próximo neto Cullen.
Ela olhou para Emmett.
— Contou para ele também?
— Esperava que não contasse? Garanto a você que, depois de ler os jornais de hoje, eu ficaria saben do de qualquer forma.
— Papa.
Acontecera algo entre os dois homens que ela esta va tonta demais para tentar descobrir, mas o rei sacu diu a cabeça.
— Ela vai saber de qualquer jeito.
— A única coisa que quero saber agora é onde de verei dormi — ela murmurou. E, ao perceber o quan to pareceu grosseira, corou até a raiz dos cabelos. — Desculpe, não quis dizer...
— Não se preocupe, menina. A mãe de Emmett era assim mesmo quando estava grávida.
— Assim como?
— Ranzinza e muito sonolenta.
— Não estou ranzinza. — Ela olhou para Emmett e seus olhos pareciam embaçar sem razão aparente. — Sou ranzinza?
— Não, tesoro. Você é ótima. — O olhar que ele lançou ao pai podia furar uma parede.
— Esme era muito emotiva também. Por favor, perdoe um velho homem e sua língua afiada.
— Velho não — ela murmurou contra o peito de Emmett. — Mas com a língua definitivamente afiada.
Ela pensou que tivesse falado baixinho, mas o som da risada do rei os acompanhou pela escada. Pelo me nos não se ofendeu.
Ela acordou na manhã seguinte com uma gentil co tovelada de Emmett.
— Espero que, se tomar seu chá com torradas as sim que acordar, não fique enjoada.
— Vale a pena tentar. — E, surpreendentemente, deu certo. Ela conseguiu agüentar o desconforto das náuseas, e quando acabou de comer a torrada, elas ha viam passado totalmente.
Estava se sentindo muito bem quando acompa nhou Emmett pela escada de mármore e pelos corre dores largos que faziam com que se sentisse como Alice no País das Maravilhas.
— E realmente um palácio, não?
— Claro. Onde mais moraria uma família real?
— Mas vocês são todos tão normais...
— Em alguns aspectos, claro, somos como as ou tras pessoas. Mas existe uma responsabilidade quan do nascemos que nos transforma, bem como a forma como levamos nossas vidas.
Estaria tentando explicar a história do segredo no vamente? Não precisava, estava finalmente pronta a admitir. Afinal, a princípio não havia se importado. Só que seu amor cresceu e sua capacidade de manter-se escondida diminuiu. E a necessidade de fazer isso começou a doer.
Bem, certo, e a dança com as louras estava proibi da. Para sempre.
Só que, cercada pela realeza da vida de Emmett, ela imaginou que talvez começasse a compreender um pouco melhor o que o motivava — tanto em rela ção ao relacionamento deles quanto ao bebê.
Eles encontraram o rei em um grande salão que era imponente não apenas pelo tamanho, mas pela opulência da decoração.
— Parece que estamos no Vaticano — ela comen tou com Emmett. — Tenho medo de me sentar e pa recer desrespeitosa.
Ela ouviu uma profunda risada de que ele lembra va da noite anterior.
— Bella falou o mesmo para Edward — ele disse.
— O senhor me ouviu? — Oh, ótimo. Como se não tivesse falado o bastante na noite anterior.
O rei Carlisle estava sentado no trono. Um verda deiro trono real. Era enorme, como tronos deviam ser, ela supunha.
Seus olhos eram tão azuis quanto os de Emmett e, embora houvesse alguns cabelos grisalhos em sua ca beça loura, ele era lindo. Como o filho.
Ele sorriu, mostrando dentes completamente bran cos.
— A acústica deste salão foi criada para que, quando meus ancestrais se divertissem, pudessem ouvir conversas vindas de todas as direções.
— Este é o salão de recepção formal — acrescen tou Emmett.
— Mas há um trono... Pensei que fosse o salão do trono.
— Não. — Emmett a levou para se sentar em uma cadeira no estilho ao lado do trono do pai.
— A sala do trono oficial apresenta bem mais os tentação, a fim de impressionar visitantes dignitários.
— Mais ostentação? — Ela não sabia se estava pronta para conhecer o outro salão.
Aquele ali já era muito impressionante... e um pouco intimidador também. Ela estava realmente fe liz por Emmett ser o terceiro filho, e não o primeiro.
O rei Carlisle riu e Emmett assentiu.
— Sim, muito mais. A tradição manda meu pai se encontrar com pessoas comuns toda sexta-feira neste salão.
— Toda sexta-feira? Isso o torna um rei muito acessível, não? — perguntou Rosalie.
— Essa era a intenção de meus ancestrais. Eles não queriam a agitação usual das cidades-Estado que compreendiam a Itália na época.
— Isso foi inteligente.
— Sim, mas sem dúvida meus ancestrais eram ho mens brilhantes.
Ela riu alto e virou para olhar para Emmett, que havia sentado ao lado dela, depois de cumprimentar seu pai com o costumeiro beijo na face.
— Certamente isso vem dos dois lados da família.
— O quê? — perguntou o rei Carlisle.
O sorriso de Emmett era caloroso e provocava um certo bem-estar em Rosalie.
— Rosalie me considera arrogante.
— E você acha que ele herdou essa característica de mim e da mãe dele?
— Tenho certeza.
— Acha Esme arrogante?
— Se ela fosse uma mulher tímida e recolhida, te nho certeza de que não chamaria sua atenção — res pondeu Rosalie, tentando chegar a um meio-termo. Ela não sabia se ele consideraria a avaliação que fez da ex-mulher dele lisonjeira.
Algo dizia a ela que ele não era tolerante a críticas direcionadas à sua família, e isso incluía a mulher que cometeu a ousadia de se divorciar dele.
— Isso é verdade — ele brincou, sem que sua ex pressão demonstrasse o que ele pensava do comentá rio. — E foi a sua arrogância que chamou a atenção do meu filho?
Ela olhou para ele, sem saber o que dizer. Nunca se considerou arrogante, mas não seria um pouco de prepotência, especialmente depois de ter brincado com os dois sobre isso? Ela não queria ofender, mas também achava que nenhum dos dois podia negar aquela assertiva.
— Ela não é arrogante, papai. Teimosa, sim. Orgu lhosa também, mas sente muita compaixão pelos ou tros para ser arrogante.
— Diz que ela tem compaixão? — perguntou o rei Carlisle com uma inesperada e debochada increduli dade que fez Rosalie recuar.
O que teria feito para que a julgasse tão mal?
— Sim, ela tem.
— E você — ele perguntou, encarando Rosalie. — Acha que tem compaixão?
— Eu não...
— Papai, não vamos falar disso agora — falou Emmett com uma voz que poderia ter congelado lava vulcânica.
Mas o rei Carlisle o ignorou, com sua atenção to talmente voltada para Rosalie, seus olhos a percor rendo com desaprovação.
— Está querendo trazer ao mundo um filho da fa mília Cullen sem o benefício do matrimônio. Os jornais estão arrasando Emmett, falando que ele é um idiota e coisa pior.
Emmett se levantou, gritando para que o pai se calasse, mas o rei Carlisle continuou, sem remorsos.
— Você permite essa difamação do meu filho pela imprensa e sabe que não será bom para o seu filho, mas, ainda assim, continua a negar a Emmett o di reito de lhe dar o nome dele. Como pode dizer que tem compaixão? — ele perguntou, deixando-a pálida com sua ironia.
— Eu a trouxe para cá para que fosse protegida, e não atacada — gritou Emmett entre os dentes, quan do agarrou o braço dela e a levantou. — Você não vai falar com a minha mulher dessa forma. Vamos, Rosalie, vamos embora.
— Ela é sua? — perguntou o rei Carlisle em tom irônico, e ela sentiu Emmett encolher-se.
— Parece que cheguei em boa hora.
Outra voz surgiu no ar, a de Esme Cullen, e o efeito sobre o rei foi eletrizante.
