Autor: Rapousa
Capa: i184.photobucket (ponto) com/albums/x306/Julinhah/caparealmentepronta2 (ponto) jpg?t (igual) 1189562316 (retirar os espaços e substiutir o que tem dentro dos parênteses pelos símbolos correspondentes)
Gênero: Comédia/Romance
Shippers: Harry/Draco... ou Draco/Harry (quem sabe :P?)
Resumo: Harry Potter sempre parece achar que é a única e mais infortunada criatura, se acha sozinho e o único com um grande problema, isso não é meio... emo? Já pensou se o mundo mágico não existisse, se Harry Potter e cia fossem brasileiros? Quem sabe um loiro surfista não pode aplacar os temores de um emo de olhos verdes... (Harry Potter x Draco Malfoy) (Universo Alternativo)
Capítulo 11 - Evoluindo
"Eu quase morri, juro!" alardeou ele com os olhos levemente arregalados "Acho que eu vi a minha vida passando por mim e... foi tão triste. Quase como ouvir Wellcome to my life..."
Draco olhou-o de esguelha. Harry estava contando como fora a festa na favela, e tinha chegado na parte do tiroteio, claro, estava exagerando, contando como fora traumatizante, daquela forma... emo. E Draco estava sem paciência, dormira realmente muito pouco, estava com olheiras e acabara de ter aula de física, ele detestava física, claro que assim que entrou em sala, atrasado, a primeira coisa que fez foi procurar por Harry, e achou ele concentrado em um exercício que o professor passara. Bom, ele estava vivo e parecia bem, então realmente a imaginação de Draco fora só um pouco longe de mais na preocupação. Ainda bem que ele não ligara nem mandara um torpedo, como pensara em fazer assim que acordou, seria realmente idiota.
E agora lá estava Harry, contando suas desventuras quando Draco queria apenas dormir, afinal de contas, um emo é sempre um emo, mesmo em questões de vida ou morte.
"Draco... Draco! Você tá com uma mania de não me ouvir..." Harry fez uma cara emburrada e conseguiu a atenção do outro.
"Que foi?! Eu tô com sono, não dormi bem ontem." respondeu esfregando os olhos preguiçosamente."
"Ficou pensando em mim, foi?" Harry perguntou num tom divertido. Não teria brincado desse jeito se soubesse o quanto estava certo.
"Só se foi tendo pesadelos com você! Sonhando que você não tinha sido morto de uma vez, e que reaparecia no colégio para me infernizar... opa, não era pesadelo. É verdade, você está aqui e está vivo!" Quando dormia mal, seu humor ficava realmente terrível. Harry emburrou ainda mais com esse comentário, mas não respondeu, apenas cruzou os braços e ficou encarando mal humorado as pessoas no parquinho do colégio.
"Eu podia ter levado um tiro..." disse depois de um tempo.
"Ah, é?" desinteresse total, início de uma dor de cabeça.
"E podia ter morrido."
"Uhn..."
"E então você nunca mais me veria..."
"É."
"E ninguém mais ia impedir a Pansy de pegar você a pulso..."
"Não fode."
"Não é verdade?"
Draco se levantou e foi embora, não estava para conversas, Harry não fez nem menção de querer ir atrás dele, apenas aproveitou o resto do seu intervalo no parquinho pensando sobre a nova sessão de foto que faria para fotolog.
oOo
Draco passou todo o resto do dia num mau humor tão terrível que nem se Harry estivesse num de seus dias mais tolerantes o teria suportado. Por isso, apesar de terem sentado juntos (para azar dele próprio), não haviam trocado muitas frases. Corriam o risco eminente de a qualquer segundo terem uma discussão a altos brados, o que quase de fato ocorreu na aula de biologia. Ainda assim, no geral tudo ia bem, e o dia passara sem nenhum problema grave.
Harry andava distraído por uma das ruas perpendiculares a qual morava, estava voltando excepcionalmente a pé do colégio (esquecera de trazer a carteira), pensava - com o protesto de seu estômago - na comida que iria experimentar assim que chegasse em casa. A comida de tia Petúnia não era o manjar dos deuses, mas para uma barriga faminta que nem a dele, a qualidade perdia um grande peso. Mesmo assim, a comida da tia até que era bem razoável, não tinha realmente do que reclam...
"MWAAHAHAHAHAHAHAHA!!" uma risada fria um tanto quando histérica pôde ser ouvida na rua. Harry levou um susto tão grande que saltou para trás. Olhou alarmado por toda a volta, mas não havia ninguém ali, apenas os prédios e uma banca de jornal com um amontoado de sacos de lixo ao lado. Nenhum sinal de ninguém.
O jovem deu de ombros, afinal, a voz devia ter vindo de um dos prédios por ali perto, rpovavelmente um idiota com uma gargalhada medonha. Voltou a andar e a guiar seus pensamentos para o belo prato de feijão com arroz qu...
"Haaarrry..."
...que tia Petúnia provavelmente tinha feito, e com sorte naquele dia seria frango, ou até um bom bife acebola...
"Har...ry...Poootteerrrrr..."
Mas que porcaria! Da onde vinha aquela voz?? Quem o chamava assim, naquele tom sussurrado, meio puxado, com um sotaque acentuado? O Pior era que quanto mais olhava em volta menos via! Estava sozinho na rua...
"Uahahahahaha"
Dessa vez fora uma risada baixa, sádica, ele estava ficando com medo. No primeiro 'Harry' achara que era só impressão, mas agora... Será que as vozes estavam dentro da cabeça dele? Começou a acelerar o passo, como se aquilo não passasse de um jogo de pique-pega: se ele conseguisse chegar no próprio prédio, talvez ficasse a salvo e tudo...
"Rá!!" Um grito forte e evidente fez Harry dar um pulo maior do que ele se achava capaz, gritou. Sentia que seu coração acabara de pular pela boca.
Uma figura desprovida de cabelo vestida em algo estranhamente semelhante a sacos de batata velhos pulou do meio (ou de trás, no susto não poderia precisar) dos sacos de lixo e agora apontava as unhas mal cuidadas e com esmalte descascando para Harry, enquanto ria maniacamente como um personagem caricaturado de desenho.
"Mwahahahahahahahahaha!" Harry estava em choque, queria sair correndo e fugir, mas suas pernas não deixavam. Reconhecera na hora o nariz ofídico, marca de quem passara por mais cirurgias plásticas do que seria recomendado, os olhos vermelhos de quem se drogava com freqüência, e a risada maníaca e...
"T-Tom Riddley?" perguntou sentindo as pernas tremerem.
"Não ouse me chamar por esse nome, moleque!" disse a criatura num sussurro perigoso, enquanto dramaticamente dava a volta no lixo meio que girando a capa de sacos de batata atrás de si.
"Eu chamo você como eu quiser!" disse Harry com mais coragem do que sentia.
"Meu nome é Lady Valdete Mórtè! Ou Mi Lady para você." disse andando de um lado para o outro próximo ao lixo.
"Na época que você usava esse nome costumava ter cabelo." Harry soltou de forma maldosa.
"Rá!" o ser bizarro apontou um dedo longo, fino e sujo para Harry, que instintivamente deu um passo para trás. "Mas agora eu tenho cabelo!" Num movimento rápido o ser se abaixou por sobre o lixo e retirou de lá uma peruca rota, descabelada e suja. "O que você diz disso ein, seu espertinho?!" e colocou a peruca por sobre a cabeça, Harry fez uma cara autêntica de nojo, dava para ver uma casaca de limão presa num dos fios grossos e remelentos do artefato.
"Eca!"
"Agora...! A minha vingança!"
Harry deu mais dois passos para trás... o problema era correr, por que se Valdete Mórtè continuasse como antes teria pernas bem rápidas.
"Espere só até eu reerguer meu império de Go-go Boys! Você não acha que eu me esqueci que foi você que me botou em cana não é pivete?!"
"E o que você está fazendo aqui fora?! Devia estar na cadeia sua bicha maluca!"
"Já ouviu falar em bom comportamento e condicional?" perguntou numa voz sadicamente irônica."Eu estou livre para enfim destruir você!" ao fim da frase começou a avançar na direção do jovem, que estava prestes a usar toda a arte do seu fugitsu¹ quando teve uma idéia.
"Sua sobrancelha está borrada!" gritou Harry, Valdete Mórtè deu um pulo, parou de andar, passou a mão consternado por onde deveria haver um sobrancelha se ele tivesse uma "Sua maquiagem está se desfazeeeeeennnddoooo!!" Harry assumiu uma voz trágica.
"Não! Mentira!" gritou o ser desesperado, dando alguns pulinhos e passando os dedos em volta do rosto atrás de falhas na maquiagem.
"Oooooh!!" Harry fez uma cara de espanto dignas de Zorra Total e apontou para o rosto do outro, que parou por um momento de mexer no próprio rosto para olha consternado para o jovem. "Você está com baaaaaarrrrrrrrbaaaa!! Seu homem!" gritou Harry.
"Mentira! Mentira!! Onde? ONDE, seu moleque sujo?!"
"No queixo!" disse Harry apontando para o próprio maxilar.
"Não sinto nada... Você está me enrolando garoto!"
"Tô? Vai se olhar num espelho pra ver se eu estou mentindo!"
A travesti pareceu realmente preocupada, ficou um momento em dúvida: atacava Harry ou retocava a maquiagem? Mas o menino sabia que era uma questão de tempo até o outro escolher a segunda opção, afinal matar alguém com a maquiagem para ser feita era muito não-glamour.
"Eu vou voltar! Vou sim... e aí, será o seu fim!" gritou enquanto dava um rodopio que fez a capa de sacos de batata girar, segurou as bainhas da roupa, deixando a mostra as canelas finas. "Reerguerei meu império de fiéis Go-go Boys, e você verá!" gritou já da esquina, desapareceu na curva logo em seguida.
Harry não perdeu tempo, saiu correndo na direção oposta naquele instante. Droga! Como isto podia acontecer? Aquele traveco maluco não podia ter sido solto da cadeia, não mesmo! O que Harry faria? Estaria ele seguro? Encontrar com aquela coisa naquela rua fora só coincidência ou ele sabia onde ele estava morando? Harry não queria ter que se mudar novamente!
Todos estes pensamentos assombraram o menino até ele abrir a porta do apartamento, por suas narinas entraram o cheiro de arroz com catupiry e almôndegas ao molho madeira. Sua mente foi esvaziada na hora, seus pensamentos pertenciam ao seu estômago e ele teve a ligeira impressão de que era guiado até a mesa flutuando, carregado pelo cheiro.
Depois do almoço, até que cogitou pensar um pouco mais sobre o ocorrido... mas e aquela nova foto que postara de manhã no fotolog? Será que as pessoas já o tinham respondido? E entretido com o mundo internáutico ele se perdeu no tempo, de noite, se alguém o perguntasse: "E Lady Valdete Mórtè?" ele apenas responderia distraído: "Quem?".
oOo
"Atrasado de novo?" perguntou Draco ao pé do ouvido de Harry assim que este sentou na carteira a frente ao surfista.
Em resposta ele apenas bufou, não precisava do comentário de Draco, já tinha sido suficiente a promessa do professor Severino de que se ele se atrasasse novamente receberia uma advertência, e isto falado para toda a turma enquanto tinha chegado tão atrasado quanto um outro menino da classe.
Harry estava tão de mau humor que simplesmente ignorou terminantemente o frio na espinha que sentiu com a voz de Draco tão próxima do pescoço. Só não ousava mandar o outro para um lugar bem feio porque sabia que Severino tinha ouvidos ultrasônicos como os de morcegos hiperativos, e tudo que o menino não precisava era ganhar uma suspensão assim, de graça.
A vantagem (se é que realmente havia alguma) de chegar atrasado numa aula de química era que só sobrava um tempo para ser assistido, o que significava menos tortura. Mas igualmente subentendia que Harry teria que se virar para pegar a matéria que perdera.
Quem inventou a química deveria ser apedrejado e expulso da humanidade! Mesmo a pessoa estando morta, Harry teria prazer em descobrir quem foi e ir cuspir do túmulo da criatura inútil que inventara tamanha maldição!
Ainda que ele estivesse carrancudo e amaldiçoando o mundo, a aula passou rápida, Harry até conseguira pegar mais ou menos alguma coisa da matéria. De resto, teria que se virar com as anotações de Draco... isso se ele as emprestasse. O intervalo chegou, tudo que o menino queria era se espreguiçar e tirar uma soneca. Se empolgara tanto com o fotolog que acabara indo dormir muito tarde, além de ter tido um surto de inspiração para poemas.
"Vamos a uma festa." disse Draco depois de se certificar que todo mundo tinha saído da sala e só sobravam os dois.
"Oi?" perguntou Harry que ainda esfregava preguiçosamente os olhos "Uma festa? Festa de que?"
"A Pansy, chamou para uma boate."
"Uhn... mas até aí não é problema meu..."
"Claro que é. Se eu for, ela vai querer partir pra cima de mim..."
"Ué, apenas invente uma desculpa, diga que não pode ir... fale que tem o trabalho de química para fazer - o que nem uma mentira seria..."
"Você tem maionese no lugar de miolos?" perguntou franzindo as sobrancelhas "É o aniversário dela, eu não posso dar uma desculpa dessas! E lembre-se do que minha prima me fez prometer, nada de ser grosso com a Pansy..." disse amargurado.
"Eu bem queria conhecer essa sua prima... o que a fez escolher esse tipo de pagamento numa aposta?"
"Você não a irá conhecer tão cedo. Ela está morando na França, sem data para retornar ao Brasil. Acho que ela pôs a Pansy como uma espécie de vigia para mim, ela sabe que eu nunca gostei dela, e enquanto estiver sendo rondado pela cara de buldogue, é difícil arranjar uma garota fixa..."
"E por que sua prima iria querer isso?!"
"Porque estamos prometidos em casamento." disse Draco de forma um pouco seca de mais "Coisa de família, que você não entende." completou arrogante.
"Ah..." Harry compreendeu tudo, mas não pôde deixar de achar antiquado esse tipo de coisa, como ser prometido em casamento a uma prima. A família de Draco devia realmente ser muito bizarra. Então a prima dele não fizera aquele pedido só para rir da cara do primo ou só porque era amiga da Pansy... ela queria era que Draco não conseguisse se prender a ninguém. Bem esperta ela.
"O que eu estava querendo dizer para você..." continuou o outro voltando a habitual voz arrastada, Harry se perdera por um instante em pensamentos, de alguma forma tinha se dado conta que este não era o tipo de coisa que o outro diria para qualquer um, ele estava meio que... se abrindo com Harry? Corou fortemente ao ter este pensamento. "A festa vai ser no sábado, de noite, numa boate. Não no meio do morro num baile funk pra comemorar o aniversário de uma criança. Vai ser uma festa de verdade, e você tem que ir para a minha proteção, e se precisar, teremos que tomar medidas drásticas."
"Como assim drásticas?" perguntou depois de se recompor da revelação que acabara de ter sobre Draco estar contando sobre a própria vida para ele.
"Digo, se precisar, teremos que realmente nos fingirmos de namorados, com tudo o que isto tem direito." o menino parecia sério e tinha o olhar perdido em algum lugar fora da janela, mas Harry soube que o outro se sentia tão estranho quanto ele ao ouvir estas palavras... Imagens mentais chegaram até o jovem e ele preferiu encarar a lixeira a olhar para Draco.
"Ok" respondeu fracamente.
"E lembre-se, você não está indo numa boate gay ou num baile funk, vista-se que nem gente."
"Não comece com isso de novo!" exclamou revoltado "Em primeiro lugar, eu tenho estilo; segundo que pessoas vestidas como eu é que são descoladas."
"Então, já que você confessa que outras pessoas se vestem como você, estaria assumindo de uma vez sua emozisse?"
"Arh! Você entendeu muito bem o que eu quis dizer!" Harry odiava quando o assunto ia por este caminho. Draco soltou um dos risinhos dele de escárnio, Harry bufou.
"Vou curtir o intervalo." disse o surfista se levantando, em seguida, deu um selinho em Harry, assim, do nada. O moreno congelou, perdeu a cor do rosto e em seguida corou fortemente. Draco se virou rapidamente e saiu da sala, sem olhar para trás. Apesar de atordoado, Harry teve quase certeza que o outro tinha uma ar embaraçado. Ficou um tempo dentro da sala de aula sem reação, de repente, sentia como se o chão não existisse e como se ele estivesse mais leve que o normal, como se... pudesse flutuar.
oOo
Assim que Draco viu Harry entrando atrasado não se pode conter rodar os olhos, aquele ali não tinha jeito mesmo, chegava sempre atrasado. Quando o emo se largou na carteira em frente e deixou a mostrar aquele pescoço tão esguio, branquinho e de pele macia, Draco instintivamente se curvou na direção, como se buscasse tocar a pele macia... Se deu conta repentinamente do quanto seu movimento havia sido estúpido, tudo bem, talvez o cheiro do emozinho até tivesse algo de reconfortante, ou bom... mas isso não vinha ao caso, antes que alguém se desse conta do motivo original daquele movimento, ele improvisou algo:
"Atrasado de novo?" soltou com a voz um pouco mais grave do que pretendia, viu o outro tendo uma espécie de arrepio e depois bufando. Draco não insistiu no assunto, estava de bom tamanho ter provocado-o e não levantado suspeitas sobre seu movimento maluco e descerebrado. O que tinha de errado com ele hoje?
Depois que o último tempo de química passou, Draco lembrou da porcaria da festa de aniversário da Pansy que ele tinha que ir. Recebera o convite há dias, e há dias tentava arranjar desculpas educadas para não ir. E não achara nenhuma razoável, nenhuma que satisfez a garota. Claro, exatamente por isso, não iria sem Harry, se fosse necessário, revelaria lá para todo mundo que estavam namorando. Ser taxado de gay com certeza era melhor do que Pansy na cola dele o tempo todo. Sua fama na Zona Sul Carioca não tinha valor algum. Logo que o terceiro ano acabasse, ele iria sair do país de qualquer forma. Poderia recomeçar do zero. Um ano e meio com uma fama meio invertida não o mataria, logo recomeçaria quase tudo em um país distante e melhor.
Se certificou de que não havia mais ninguém da sala por perto, visto que haviam muitas pessoas ali que de alguma forma tinham contato com Pansy, e se a garota soubesse que ele estava pretendendo levar Harry provavelmente vetaria a possibilidade de os convidados trazerem companhia.
"Vamos a uma festa." disse ele logo de vez, não era uma pergunta ou um pedido.
Então eles falaram sobre a festa, e Draco se pegou contando sobre a prima, jamais havia falado sobre essas coisas com ninguém antes, não que fosse um segredo de estado ou algo do tipo, só nunca tinha surgido alguma situação ou se sentindo no momento, na hora ou inspirado para falar sobre o assunto. Nada de mais, certo?
Quando Draco falou em tomar medidas drásticas e o outro menino corou ao entender, ele preferiu ficar olhando para a janela, porque sabia que acabaria da mesma forma que Harry, de alguma maneira, uma parte de si mesmo pedia com veemência que tivessem de tomar medidas extremas.
Ele não gostava de se sentir assim. A idéia fora desde o princípio apenas utilizar o emo para os seus planos de se ver livre de Pansy. Claro que fora uma medida bem desesperada, mas ele achou que seria engraçado e afinal, nunca tivera problemas com sua sexualidade, achava que era bem resolvido, obrigado, e que por isso mesmo não tinha pânico ou nojo de ter que sair com um menino só para fingir algo. Mas aquilo estava muito estranho, ele tinha vontade de ficar com Harry, se sentia de certa forma atraído pelo menino e... sentia falta da presença dele nos dias em que não ficavam juntos. Aquilo não estava nos planos, não mesmo. Porém, como sempre, ele preferiu adiar o momento de pensar em coisas tão complexas, e preferiu voltar à normalidade.
"E lembre-se, você não está indo numa boate gay ou num baile funk, vista-se que nem gente." disse com escárnio, propositalmente para irritar Harry, era muito mais normal e menos estranho ver o outro dando chilique do que corando.
"Não comece com isso de novo!" exclamou revoltado, como sempre, voltavam ao costume "Em primeiro lugar, eu tenho estilo; segundo que pessoas vestidas como eu é que são descoladas."
"Então, já que você confessa que outras pessoas se vestem como você, estaria assumindo de uma vez sua emozisse?" claro que ele tinha que provocar, sentia um prazer quase físico de ver o outro irritado, era tão bom...
"Arh! Você entendeu muito bem o que eu quis dizer!" oh sim, ele entendera, mas isso não significava que não provocaria. Riu com escárnio, Harry bufou. Aparentemente conseguira fazer tudo voltar ao normal, ainda bem. Talvez fosse uma boa hora para sair, antes que as coisas saíssem da normalidade de novamente.
"Vou curtir o intervalo." disse se levantando, mas ao fazer isso, seu rosto ficou por um segundo próximo demais do de Harry. Antes que seu lado lógico e crítico pudesse fazer alguma coisa, ele deu um selinho em Harry, assim, instintivamente. Vira os lábios do outro e algo em si se remexeu revoltado, de repente, instinto ultrapassou todos os limites da sabedoria, e quando a consciência gritou, já havia acontecido. Segundos depois simplesmente afastou os lábios e se virou, partindo para o intervalo, como se nada tivesse acontecido, como se tivesse sido planejado, mas não fora, e agora, seu coração explodia no peito, o que fora aquilo?!
oOo
Sexta, depois do colégio, passaram o dia ferrenhamente entretidos com o trabalho de química, nenhum dos dois deu menção de se lembrar de algo anormal ter ocorrido de manhã, e de fato, ficaram tão estressados com problemas surgidos no trabalho que nem puderam perder tempo com conjecturas, suspiros ou desvio de pensamentos para os lábios do outro, embora fosse claramente percebido, por alguém que olhasse de fora - alguém como a empregada de Draco - que os meninos de repente começaram a tocar um no outro com mais freqüência. Ombros juntos, pernas batendo, toques de mãos mais do que o aceitável, quando uma mão ia parar no ombro de um, chamando-o para alguma coisa, permanecia ali durante muito tempo, bem mais do que o necessário. Mas os garotos em si não perceberam isso, e para eles, a sexta passou tranqüila, cansativa e monótona.
Sábado chegou e Harry foi acordado pelo celular tocando.
"At the end of the world
Or the last thing I see
You are never coming home
Never coming home"²
"A-a-Alou?" atendeu no meio de um bocejo, como estava sem óculos não viu no visor quem o ligava.
"Harry?" perguntou uma voz conhecida.
"Hermione... porque você está me ligando no meio da madrugada?" perguntou ele entre confuso e irritado.
"Já são duas horas Harry."
"Duas da madrugada! Isso é hora de ligar?" perguntou sonolentamente irritado.
"Duas da tarde Harry!!"
"Ah... uhn... Não tinha reparado que havia dormido tanto." disse dando um longo bocejo em seguida. "Mas então, o que foi amiga?"
"Nada... só estou ligando para saber se você quer fazer alguma coisa hoje."
"Fotos."
"...Fotos?" perguntou a garota sem entender.
"É, quero tirar fotos juntos. Me dei conta que não postei até hoje uma foto com você no meu fotolog, vê se pode!"
A menina riu do outro lado da linha.
"É, pode ser. Quer vir pra cá? Podemos tirar fotos no Shopping Tijuca."
"Tá, parece que vai ser divertido. Deixa só eu me arrumar..."
"Ok, me liga quando estiver chegando."
"Tá miga, beijosmeliga!"
"Beijosmeliga e..."
"Se jogá!" disseram os dois juntos, em seguida riram e desligaram o telefone.
Duas horas depois Harry estava saindo de casa. Afinal, escolher a roupa não era um processo simples. Como ele ia saber se a blusa preta com detalhes vermelhos e dourados ficava ou não melhor que a blusa preta com detalhes amarelos e ouro? E a calça? Era melhor a que era desfiada ou a jeans simples? A curta ou a cumprida? A meia deveria ser a preto e branco listrada ou a rosa e preto? Mas a grande dificuldade eram os allstar: cano alto, long neck, simples? Vermelho, preto, azul, verde, de couro, de oncinha, cadarço de duas cores, preto, branco? E os acessórios, quais ficavam melhor, pulseiras, munhequeiras, colares, luvas, cintos...?! Ah, a vida era tão difícil às vezes!
Harry passou um dia tranqüilo com Hermione, tirou várias fotos com a amiga, de todos os ângulos bizarros possíveis, de cima, de lado, cortando partes dos rosto, só dos olhos, dos allstar dos dois. O dela tinha um poema lindo do Augusto dos Anjos, e Harry tinha no dele, escrito por toda parte frases per-fei-tas, como: "Do you like to hurt? Ido. I do. Then hurt me.", "Love is an excuse to get hurt", "Life sucks!", "I'm so lonely", "Out of PLACE", "Life is over", "Kiss me and die", "Suck n' love"³.
Quando deu umas sete horas ele se despediu da amiga e rumou para casa, tinha que se arrumar para a festa e ainda passar na casa de Draco para deixar suas coisas, já que teria de dormir lá, pois seus tios não o permitiriam chegar tarde em casa.
Tentou vestir uma roupa que de alguma forma não fizesse o outro implicar com ele, e mesmo assim manter seu 'estilo próprio', por tanto teve que desistir das munhequeiras e das luvas tipo meia arrastão, fez uma chapinha de leve na franja, mas não a deixou muito caída pelo rosto, escolheu uma blusa vermelha (a única que não era PP e sim P), a sua calça jeans que tinha menos correntes penduradas, calçou o allstar verde escuro de cano alto que tinha pichado no máximo uns quadriculadozinhos na borracha branca do bico. Claro que como iria a uma festa, não pôde deixar de retocar o esmalte preto das unhas, disto ele nunca se desfaria. Tentou ao máximo não usar maquiagem, mas tinha que por pelo menos uma base, passou também um rimel assim, de leve, e mais de leve ainda usou um lápis de olhos, só pra dar um realce, nada chamativo.
Olhou-se no espelho por um longo tempo, até chegar ao veredicto que de fato não conseguiria parecer mais normal que aquilo sem perder o glamour.
Conseguiu chegar na casa do surfista parafinado umas dez e meia, meia hora depois do horário combinado, mas ainda estava em tempo. Encontrou o outro já vestido, e incrivelmente não mau humorado com o atraso. Vestia um jeans simples, uma blusa polo verde escura, um colar de sementes no pescoço e um chinelo de couro no pé, o cabelo incrivelmente penteado, meio que achatado na cabeça. As pontas do cabelo dele costumavam ser meio arrebitadas, mas hoje estava mais liso que o normal, se Harry não se enganava, o loiro dera um corte novo aos fios claros.
"Você está atrasado." disse assim que abriu a porta, mas sua voz não estava necessariamente irritada, era mais uma espécie de constatação, depois de dizer isto simplesmente se virou e seguiu em direção ao próprio quarto. Harry estranhou a atitude quase normal, mas entrou no apartamento de Draco, fechando a porta atrás de si e seguiu também na direção do quarto.
Ao chegar lá já encontrou o loiro com um par de Nike Shox nas mãos, em seguida se sentou na cama e trocou as chinelas de aparência confortável pelo tênis de aparência brilhosa.
"Pronto para dançar?" perguntou Harry tentando quebrar o silêncio estranho. Draco fez um som de protesto e descontentamento.
"Eu não quero ir para essa porcaria de festa." enfim disse, e de fato, parecia bem contrariado. Mas Harry era esperto de mais para cair nisto.
"Se está indo tão contra a sua vontade, por que esse corte de cabelo novo?"
O surfista parou por um momento de amarrar os cadarços do sapato.
"Costume." disse com uma voz neutra e em seguida continuou calçando-se.
"Claro... sei." obviamente Harry não caíra naquilo, pela cara que fizera e pelo momento de retesão do corpo do outro, até Harry - que não era nenhum especialista em leitura corporal - tivera a nítida impressão de que havia algo a mais ali, só que ele não ia insistir. Que Draco ficasse com seus segredos se quisesse.
oOo
Draco acordara cedo no sábado, ele pretendia pegar algumas ondas para estar relaxado quando chegasse a hora de ir na boate aturar Pansy, mas o tempo não estava colaborando, primeiro que amanhecera um dia cinzento, com uma ventania sem fim. Ele sabia muito bem que dias assim eram horríveis de se surfar, as ondas estavam muito fortes e só os malucos se aventuravam. Mas ele não gostava de passar o fim de semana sem aproveitar um pouco o mar, e sabia, por experiência, que provavelmente choveria no dia seguinte. Então era melhor tentar alguma coisa ainda naquele dia.
Por isso, mesmo sabendo que provavelmente não entraria no mar com a prancha, ele saiu naquela manhã no horário de sempre para a praia, com sua bicicleta e sua shortboard.
Foi curtindo o caminho, mesmo o mar estando acinzentado e um tanto quanto violento, ele gostava do vento passando livremente pelos cabelos, sentia quase vontade de cantar em voz alta, o que não seria assim tão esquisito, já que ninguém o ouviria mesmo, pois o mar e o vento estavam tão barulhentos que não se podia ouvir nada a mais de 5 metros de distância.
O bom de dias assim, era que a praia ficava menos cheia, e poucos banhistas significava mais espaço para manobras... só que o problema era que naquele estado do mar, era um pouco de suicídio querer entrar para pegar ondas. Claro, sempre tinham os metidos a aventureiros que iam mesmo assim, mas Draco não era um deles, prezava pela vida e pela própria segurança física acima de tudo.
Ao chegar na Praia do Diabo encontrou o grupo de sempre sentado na areia jogando conversa fora, estacionou a bike no bicicletário e com a prancha em baixo do braço foi até eles e se sentou na rodinha, depois de cumprimentar todos.
"Então, estávamos falando agora mesmo da festa da Pansy..." comentou Zacarias.
"É, ouvi dizer que ela não esqueceu até hoje o beijo de um certo alguém... e vai querer repetir a dose." completou Blaise com um olhar maldoso para Draco, que fez uma careta. Seu repúdio por Pansy não era explícito, ele não podia ser grosso ou espalhar para todos o quando não queria a garota por perto, mas ninguém era idiota, por isso já tinham percebido há séculos que ele tentava evitar a todo custo a menina.
"Bom para ela." comentou seco.
"O mar tá tão bravo hoje..." comentou uma das garotas do grupo com um tom meloso.
"Sim, eu vi no jornal que são as conseqüências de um furacão que teve por aí." comentou um dos meninos.
"Quê? Furacão no Brasil? Tá maluco?" protestou outro.
E assim eles seguiram discutindo sobre o que poderia ou não ser aquele tempo ruim, quando na verdade ninguém parecia se lembrar que entravam no inverno, mais precisamente na temporada de chuva. Draco se absteve da conversa exceto por eventuais comentários ácidos ou irônicos quando uma grande besteira era dita. Estava dando graças a Deus por Pansy não ter aparecido na praia naquele dia, devia estar arranjando os preparativos para a festa.
Depois de um tempo ele, junto com mais uma parte do grupo, resolveu entrar no mar, só como banhista mesmo, e assim ficaram até o sol começar a subir de mais e chegar a hora do almoço.
O grupo se separou e cada um seguiu para seu lado, Draco com sua bicicleta, resolveu (por conta do vento frio) voltar para casa por dentro de Ipanema e não pelo calçadão da praia. Ele estava tremendo como vara verde, depois de sair do mar e enfrentar o vento, não agüentara e assim que passou o Arpoador ele adentrou por uma rua perpendicular a beira mar.
Foi quando viu um cartaz num salão de cabeleireiro. Haviam várias fotos de mulheres, e uma de um homem que chamou a atenção de Draco, a de um cara que parecia sósia do Harry, só que sem óculos e com o cabelo mais curto. Draco desacelerou um pouco a bicicleta e ficou observando a imagem em quanto passava, sentiu um súbito frio no estômago, mas não era algo ruim, era... estranhamente bom.
Foi quando percebeu que havia parado a bicicleta apenas para admirar a foto, que seu deu conta de estar se sentindo extremamente atraído pela foto de um homem, que não contente com isso, era ainda a cara daquele emo! Ficou revoltado, revoltado por ficar daquele jeito, ele não gostava de caras, não mesmo, e olhar quase excitado para uma foto não provava nada! Foi só... só... foi algo, mas não foi atração, não mesmo. Ele continuava sendo Draco, um garoto bem resolvido, que não curtia meninos. Apenas se aproveitava de um emo, porque era divertido e ele não tinha nada a perder ou nada melhor para fazer. Só isso. Ele não era alguém maluco que gostava ou sentia atração por outros caras! Céus, a que ponto estava chegando?!
Voltou a pedalar, agora furiosamente, seguindo para casa. Quando chegou estava de tão mau humor que mal cumprimentou Maria e foi direto para o banheiro do quarto tomar uma bela ducha fria.
Será... será que ele estava mesmo gostando ou se sentindo tão atraído por aquele mané? Não era só atração, atração ele conhecia bem, mas se pegar pensando no outro enquanto passava pela frente de um salão de cabeleireiros já não era um pouco de exagero? Por que? Não era só uma brincadeira, uma piada, uma forma de se divertir? Todos os beijos que trocaram não foram só zoação? Eram pra provocar o emo, não era? Só isso. Não estava no combinado ele começar a se pegar pensando no emo, nem em sonhar aquelas coisas... estranhas sobre ele a noite - como vinha acontecendo, cada vez com mais intensidade - nem se pegar desejando o corpo, o toque a presença do outro. Não! Caramba, aquilo estava muito errado!
Se vestiu de qualquer jeito, e sem ouvir Maria o pedindo para almoçar antes de sair, ele desceu do prédio e foi andando em direção ao salão onde vira a foto.
Lá estava. Não tinha nada de mais, era só um cara. Bonito, sim, mas só um cara. E afinal, nem se parecia com Harry, não tinha aqueles olhos verdes tão característicos... e o cabelo daquele da foto era meio claro, não preto, e o queixo... não era o mesmo. Além da pele, a de Harry tinha um aspecto mais macio...
"Olá jovem." cumprimentou uma voz de mulher vinda da porta do salão. "Vai querer um corte?"
O surfista enfim se deu conta de o quanto devia parecer ridículo olhando para a porcaria da foto de um cara no meio da rua.
"Ahn... é. Só não sei que corte." disse por fim, melhor disfarçar do que bancar o mongolóide.
"Não gostaria de entrar, temos várias amostras de corte." disse a moça sorridente. E Draco entrou, afinal, o cabelo estava mesmo meio grande de mais.
--x--
Tirado de HP 5, pg. 151, começo da página, versão brasileira.
¹ Fugitsu é uma piadinha com artes marciais, como o "tsu" é muito usado para descrever golpes ninjas, brinca-se com o "fugir no jutsu", que vira: fugitsu. A grande arte de sair correndo o mais rápido que você puder para fugir do perigo. Muitos jovens cariocas são mestres neste golpe.
² Trecho da música Ghost of you da banda My Chemical Romance
³ Não, essas frases não fui eu que inventei xP Fui numa festa Halloween fantasiada de emo, e a srt. Thaisoca, que me ajudou a montar a roupa, escreveu estas frases no meu allstar velho (que tava tipo, mofando no armário) e disse que era bem emo, então eu tô só copiando pra cá o que ela escreveu. Por tanto, não me perguntem donde vem essas frases, eu não sei x,x
N/A: A fic não termina aqui, amanhã (sábado – 22/06) vou postar um novo capítulo, o doze, assim, na lata. e lá terá todas as respostas e de reviews e coisas importantes que eu tenha a dizer, além do típico blábláblá, então não se aveche, amanhã tem mais ;P
Mas se quiser deixar review logo hoje, juro que não vou me incomodar nem vou reclamar :X
PASSEM NA MINHA OUTRA FIC: Flashs de uma história, é Drarry e é fofa x
