Hogwarts, Uma História

Idéia: Andréia

Autora: Nan

Shippers: Harry e Draco (é claro que isso não sairá agora), Harry e todas as meninas de Hogwarts, Harry e um monte de gente.

Capítulo XI – A Poção do Despertar de um Olhar

"Não se preocupe, Potter. Depois de hoje você só terá mais vinte e sete dias de detenção."

Snape dera o seu último comentário daquela noite para Harry. O garoto já havia terminado de provar todos os frascos daquela noite e agora ele limpava o chão, por causa dos seguintes vômitos que uma das amostras lhe proporcionou. Embora suas pálpebras já estivessem pesadas, ele tentava não se convencer a subir as escadas para a Torre da Grifinória.

Os comentários do professor já não o irritavam mais. Ele não os ouvia. Porém, a irritação em sua perna nunca esteve pior. Ele sentia vontade de ficar o tempo inteiro a coçar as alergias que apareceram nelas. Enquanto tomava banho, um pouco antes de descer para as masmorras, ele percebeu que apareceram algumas bolhinhas vermelhas. O resto estava completamente vermelho e doía bastante quando uma perna se encontrava com a outra. Seus passos já não eram tão rápidos quanto antes e ele temia que isto atrapalhasse também o quadribol.

Ele se levantou ao terminar de passar o pano que conjurara pela última vez e o fez desaparecer, olhando para o professor.

"Já terminei."

Snape, que olhava distraído para um livro de poções sobre a sua mesa, lançou-lhe um olhar superior e sorriu, fazendo Harry se enojar ainda mais.

"É o que parece. Pode ir."

Harry se virou e andou em direção à porta, mas parou com a mão na maçaneta ao ouvir o professor chamar novamente por seu nome. Harry se virou para trás e viu o professor olhar novamente o livro.

"Esteja aqui às oito horas amanhã."

Harry se boquiabriu.

"Mas professor, amanhã tem treino de quadribol para a Grifinória! Eu não posso faltar!"

Snape o encarou novamente, o sorriso triunfante novamente em seus lábios.

"Isso não é problema meu. Você tem uma tarefa especial a cumprir amanhã e é melhor que comece o mais cedo possível."

Harry lançou ao professor um olhar carregado de ódio e saiu da sala. Pensou em bater a porta, mas fez com que ela parasse a milímetros de seu limite. Aquilo deixaria sua situação bem pior. A música que vinha do Salão Comunal da Sonserina ecoava pelas paredes das masmorras, mas ele nem se deu ao trabalho de olhar. Marchou rapidamente para longe dali, a vontade crescente de matar Snape.

'Acalme-se, Harry... o time vai entender.' – disse uma voz em sua cabeça. – 'Por enquanto, preocupe-se com a poção.'

Harry parou no meio do corredor. Com a raiva momentânea que sentira de Snape ele se esquecera totalmente da poção. Já estava se aproximando das escadas para o Saguão de Entrada quando olhou para trás. Havia um pequeno movimento do lado de fora onde ele sabia ser a casa da Sonserina. As luzes escuras saíam rapidamente de lá dentro. Parecia bom. Mesmo assim, ele não quis arriscar. Subiu as escadas e, em um canto escuro e escondido do vazio Saguão de Entrada, ele tirou da mochila a sua capa da invisibilidade.

u.n.u.n.u

As luzes caíam sobre a multidão na Sala Comunal da Sonserina e deixava tudo aparecendo como em um filme onde as cenas demoram mais tempo para passar. O lugar cheirava a libido e bebida, causando um efeito excitante nos presentes. Não haviam mais alunos do quarto ano ali. Todos já tinham se dirigidos, cansados e felizes, às suas respectivas casas.Maioria dos presentes agora eram realmente os Sonserinos, acompanhados apenas pelos corvinais.

Entrando nos dormitórios, podiam ser vistos vários casais se agarrando desesperadamente. Era como se não percebessem que estavam acompanhados. Qualquer um poderia se assentar e ficar a observa-los. Nada parecia incomodar a ninguém.

Draco, Blaise e Montague estavam ainda na sala comunal (não por vontade de Montague) ao lado de suas namoradas: Pansy, Emília e Summer Cartumell. Montague encostara Summer na parede e já não dava para diferenciar qual dos dois terminavam aonde. Blaise e Emília estavam deitados no sofá em frente à lareira e Draco estava sentado em uma confortável poltrona perto da lareira sendo furiosamente beijado por Pansy, que já tinha rebentado todos os botões de sua blusa.

No chão, jaziam vazias várias garrafas das bebidas que Blaise trouxera. A elas pareciam não ter fim. Por mais que tivessem bebido ainda restavam três últimas garrafas, que estavam ao lado dos três casais, quase na metade.

"Aí, cara... não vai dar!" – Montague disse, conseguindo um tempo sem Summer e se virando para Draco. – "Eu vou ter que subir. Sabe que não podemos transar na sala comunal e eu não estou muito longe de quebrar esta regra."

"Mais alguns minutos, Montague. Preciso esperar uma coisa." – Pansy beijava o pescoço de Draco enquanto ele falava. – "Acho que não vai demorar muito mais."

"O que? Malfoy, eu ouvi isso quarenta minutos atrás! Já não dá pra agüentar! Daqui a pouco..."

"Será que não percebe" – interrompeu Emília – "Que está tirando nossa 'concentração'?"

"Escute aqui, Bullstrood, cale a boca!" – cuspiu Montague – "Nem eu nem Summer queremos ficar aqui! Temos coisas muito mais importantes para fazer."

"Não vai fazer falta nenhuma! Se não consegue controlar seu próprio corpo deveria estar na Lufa-Lufa!"

Montague avançou para cima de Emília, mas Bleise virou-a e impediu Montague com a mão.

"Calma aí, cara... ela é só uma garota."

"Uma garota estúpida que está pedindo uma Imperdoável na orelha!" – gritou Montague.

Blaise sorriu e se virou para Draco.

"Draco, acho que Montague tem razão. Ficar aqui está pedindo muito do nosso auto-controle e eu quero me divertir logo."

"Tudo bem. Subam na frente." – Draco se levantou e empurrou Pansy para longe de si. – "Tenho que ver uma coisa."

"Eu vou te esperar na sua cama, certo, Draquinho?"

Draco sorriu para a garota, mas ao se virar, girou os olhos. Atravessou o salão parou na porta da entrada da Sonserina. O corredor das masmorras estava completamente vazio. 'Será que o Potter não vem?' pensou. Encostou-se na parede ao lado do portal e se deixou cair, até que se assentasse no chão. Não queria encontrar Pansy. Sua decepção fora tão grande que ele prometera a si mesmo que o que acontecera de manhã fora apenas uma despedida. Sentia nojo dela agora. Não queria nem vê-la, ao menos.

Escorou o cotovelo no joelho e passou os dedos pelo cabelo. Estava realmente começando a ficar com sono. Olhou em seu relógio. Eram apenas três horas. Muito cedo para o horário em que geralmente dormia nas sextas-feiras. Cansado, ele passou a contemplar o chão à as frente.

Absorto em seus pensamentos, ele não ouviu mais nenhuma das risadas ou gritos de viva quando a música era trocada por uma melhor. Parecia que estava dormindo.

Foi então que viu algo que o acordou. Uma pequena poça de água (ou cerveja amanteigada, uísque de fogo, etc.) explodiu bem no ponto onde ele fixava o olhar Era como se alguém a tivesse pisado, mas não havia ninguém ali. Não havia feito barulho algum. A poça era pequena e a música estava bem alta. Draco abaixou a cabeça e olhou para as duas últimas portas depois da entrada da Sonserina: o único lugar para onde alguém poderia ir. Confirmando suas deduções, a última porta do outro lado da parede se abriu vagarosamente. Ele esperou alguns instantes e, curioso, rumou cautelosamente para a porta entreaberta.

u.n.u.n.u

Harry entrou novamente no corredor das masmorras pisando no chão com cuidado. O volume da mochila em suas costas não permitia que ele andasse muito depressa, ou seus calcanhares apareceriam por debaixo da Capa da Invisibilidade.

Andou em direção ao fim do corredor. As luzes da festa da Sonserina refletiam na parede em frente. Havia um garoto sentado ao lado da porta da Sonserina. Ao se aproximar um pouco mais Harry constatou ser Draco Malfoy. A tentação de azará-lo foi forte, mas Harry se conteve. Malfoy parecia horrível. Sua camisa estava aberta e a gravata estava sobre seus ombros. O garoto baixou a cabeça ao que Harry passou. Deveria estar horrivelmente bêbado. O cheiro de bebida podia ser facilmente sentido.

Harry se dirigiu à última porta do lado direito do corredor e abriu-a devagar. A sala estava escura. Harry empunhou a varinha.

"Lumus!" – ordenou, tirando a Capa da Invisibilibidade e jogando-a no chão, junto com o Mapa do Maroto.

Harry contemplou a sala em que se encontrava. Havia um grande caldeirão de titânio no centro da sala. Embaixo dele haviam aberturas para que o fogo saísse. Do lado direito do caldeirão havia uma mesa, onde Harry deixou sua varinha. Tirou a mochila e começou a espalhar os ingredientes que conseguira sobre a mesa, junto com o Livro do Maroto aberto na página da Poção do Despertar de um Olhar.

Harry acenou com a varinha e as chamas se acenderam sobre o caldeirão. Encheu o caldeirão de leite de texugo e sentou-se na mesa, com o livro nas mãos. Teria de esperar que o leite fervesse, adicionar pó de chifre de bicórnio e caule de cogumelo arábico. Se não fosse por Dobby não poderia completar esta parte.

A sorte era que aquela poção era particularmente rápida. Poderia ser preparada em apenas um horário da aula de Snape. O mais difícil eram os movimentos. Cinco voltas horárias a cada duas anti-horárias, a intervalos de dois segundos. Seus braços estavam doendo cinco minutos depois de começar esta seção. Era incrível como o leite de texugo ficara denso quando o garoto adicionou uma gota de Veritasserum, um dos ingredientes triviais da poção.

Harry parou por um momento. Teria de esperar agora cinco minutos para que a poção fervesse novamente antes de acrescentar ararambóia picada. Enquanto picava o ingrediente, lançava olhares ao livro para verificar se seguira corretamente as instruções. Pelas indicações, a consistência estava correta e a cor também, a única coisa que se diferenciava era o cheiro. Segundo o livro, um leve cheiro de terra molhada deveria aparecer, mas a poção insistia em ficar inodora.

Um arrepio perpassou por todo o seu corpo e ele se virou para trás, encarando o vazio, a varinha presa na mão esquerda. Acabara de sentir um vento que podia ser comparado a uma respiração em seu pescoço. Mas não havia absolutamente nada nem ninguém ali. Harry se voltou vagarosamente para a ararambóia e voltou a picá-la. Com certeza fora apenas o ambiente sinistro da masmorra.

Ele acrescentou musgo de pântano, essência de faisão, casca de cerejeira e óleo de baba de mandrágora e mexeu a poção algumas vezes. Após trinta minutos, a poção tomara uma tonalidade rosa claro, bem como a descrita no livro. Para o alívio de Harry, o cheiro e a textura também estavam exatos. Agora, só precisaria deixar esfriar por mais alguns poucos minutos.

Harry deixou a poção de lado e começou a fechar o livro. Fechou os frascos com os ingredientes, guardou-os em seu estojo, que enfiou na mochila. Enfiou também o livro, antes de voltar a se virar para a poção, que dava lentos e grandes borbulhos.

Harry se inclinou para a frente. O cheiro estava realmente bom e tentador. Ele sentiu algo empurra-lo por trás e perdeu o equilíbrio,caindo dentro do caldeirão. Harry se desesperou. A densidade do líquido impedia que ele nadasse ou sequer ficasse de pé. Seu ar começava a faltar. Ele sentia as vias respiratórias começarem a arder. Seu peito parecia querer explodir. Então, todas as suas forças pareciam irem embora. Seus movimentos eram cada vez mais lentos. Seu coração estava parando. Harry parecia que iria voar. Ele relaxou, e tudo em sua volta desapareceu, inclusive ele mesmo.

u.n.u.n.u

Draco entrou na sala número sete e encontrou Harry Potter esvaziando a mochila.

'Tentando quebrar alguma regra, Potter? Céus, como você é óbvio!'

Draco olhou pelo chão. Havia um velho pedaço de pergaminho e ('Oh... interessante!') uma Capa da Invisibilidade jogada no chão. Draco se cobriu imediatamente e se aproximou de Harry. O garoto acabara de abrir um livro que Draco já vira uma vez. No topo da página, lia-se: Poção do Despertar de Um Olhar. Draco leu o enunciado antes da poção e fez uma cara de nojo.

'Que coisa mais mulherzinha, Potter! Então você realmente usava essa poção para atrair as garotas?'

Draco observava cada movimento de Harry. Queria denunciá-lo. Queria que o expulsassem. Mas ainda não era o momento.

Ele tentou se aproximar um pouco mais, mas cometeu o deslize de respirar. Harry se virou para trás, assustado. Estavam a centímetros um do outro e Harry olhava indiretamente para os seus ombros. Harry empunhara a varinha com a mão esquerda, mesmo assim, Draco não o subestimaria. Olhou para baixo. Agradeceu a Merlin por Potter não fazer o mesmo, pois a ponta de seu sapato estava aparecendo por fora da capa. Ainda um pouco desconfiado, Harry se virou lentamente e voltou a se concentrar na poção.

O loiro começou a ficar entediado e se virou para trás, encarando o velho pedaço de pergaminho. Foi até ele e o pegou. Logo percebeu se tratar de um mapa, e ficou muito encantado ao ver que o mapa desenhava Hogwarts e todos os seus habitantes. Localizou o seu próprio pontinho e, bem próximo, o de Potter. Ele sentiu vontade de rir. Aquilo seria muito útil para ele e suas visitas à cozinha e, é claro, às outras casas. Esperou o tempo passar se divertindo com o mapa. Ele viu Ronald Weasley correndo para o banheiro das garotas, onde ele sabia ser o lar da Murta-que-Geme. Viu os pontinhos de Crabbe e Goyle na biblioteca, provavelmente roubando os alunos que estudavam concentradamente. Viu o pontinho da Granger no corredor da masmorra. Isso o intrigou e andou até a porta, olhando para fora. Hermione Granger estava se arrastando pela parede, provavelmente tentando espiar alguma coisa. Ela se ajoelhou na frente da porta de Snape observou o buraquinho da fechadura. Draco sorriu ao ver sua expressão confusa, e ela, sem reparar que estava sendo observada, andou de volta ao Saguão de Entrada.

Draco não soube quanto tempo ficou ali, mas quando Harry começou a guardar tudo, ele percebeu que estava na hora de chamar Snape. Guardou o mapa no bolso e já estava com a mão na fechadura quando se lembrou das palavras do Lorde das Trevas: "Assim que possível, mate-o."

Draco virou-se para trás e observou Harry guardar as coisas. Ninguém saberia que fora ele o assassino. E se descobrissem, que importava? O Lorde das Trevas o tiraria de onde fosse por ele ter se mostrado tão eficaz e tão rápido na execução de uma tarefa. Seria o seu mais prestigiado Comensal. Um braço direito.

Um sorriso maldoso e enviesado brincou em seu rosto. Draco jogou a Capa da Invisibilidade para o lado e andou silenciosamente até Potter, que estava inclinado sobre o caldeirão.

'Bons sonhos, Eleito'

Draco empurrou Harry fortemente, fazendo-o perder o equilíbrio e cair no caldeirão. Imediatamente, ele começou a correr o mais rápido que suas pernas o deixavam para fora daquela sala.

u.n.u.n.u

N/A: Ohhhhhhhhhhhhhhhh! Harryzinho morto? Um Draco realmente NADA apaixonado por ele? Ou melhor, um Draco super-Comensal? Conseguirá Harry Potter escapar da terrível densidade da poção? Irá Draco Malfoy se arrepender? Ronald Weasley irá se livrar de sua repentina caganeira? Descubra no próximo capítulo de: Hogwarts, uma História!