Capítulo 11

_Como é que é?

_"Como" o que?

_Não se faz de idiota!

Segunda-feira, intervalo. Aoi e Daisuke estavam do lado de fora, sentados em uma mesa um de frente para o outro. Aoi contara tudo o que acontecera ao seu amigo. As suspeitas, a briga, a revelação que resultou na separação.

_Terminou, ué! Que você esperava?

O rapaz olhou para o amigo e pensava se contava o que presenciou no dia em que fora para a enfermaria.

_Nada, eu só achava que o "casal 20" da escola não se separaria tão fácil...

_"Casal 20"? Não, meu amigo, a gente era bons amigos de cama, só isso.

_Pelo menos você tinha uma "boa amiga de cama"...

Os dois riram do comentário, mas Aoi ainda conservava a cara um pouco triste.

_Tem mais, né?

_Não sei dizer se tem mais...

Antes mesmo que pudesse terminar a frase, o garoto olhou para a entrada da escola, aonde Nana e Kenichi saiam naquela hora. Conversando e rindo, não notaram quando dois pares de olhos mais ao fundo os olhavam.

_Megumi-san?

Antes que Aoi pudesse responder, um barulho de motor foi ouvido e a atenção de várias pessoas se voltou para o portão de entrada. Três motos pararam e, uma Kawasaki Ninja vermelha se destacava entre elas A rapaz retirou o capacete e revelou o rosto um tanto sisudo, mas bonito. Tinha os cabelos um pouco compridos até o pescoço, pretos. Usava uma jaqueta da mesma cor da moto e carregava dois capacetes, talvez a namorada estudasse naquela escola(nota mental da autora: preciso parar de ver Akira v.v).

Os cochichos deram lugar a espanto quando viram o que estava acontecendo;Izumi chegou perto do portão e foi recebida com um abraço e um caloroso beijo na boca do motoqueiro.

_Então, esse é o tal do Kai? – perguntou Daisuke quando viu a cena e olhou para o amigo esperando a resposta.

_É o que parece.


Nana e Kenichi assistiam de longe. Kenichi comentava que conhecia a gangue desse tal de Kai e que era muito perigosa.

_Sabe, sinto um pouco de pena da Sakurai – comentou o garoto – Se um dia ela se cansar desse cara aí, não vai ser tão fácil terminar com ele como foi com o Takeshi.

A garota teve um flashback da noite do sábado. Sabia que ele estava estranho por algo, não teve coragem de perguntar porque ela também tivera um dia estranho, só queria entrar logo em sua casa e se trancar no quarto para por os pensamentos em ordem.

_Tudo bem? – perguntou o rapaz quando viu a garota calada e com o alhar vago.

_Sim, eu só... – ela viu Aoi mais a frente, sentado em uma mesa - eu só preciso falar com o Aoi. Emprestei algo a ele, eu.. eu já volto!

E foi até Aoi, deixando o outro garoto sem reação.

Aoi percebeu que Nana chegava mais perto deles. Daisuke percebeu e saiu do banco com uma desculpa qualquer. Por mais que não gostasse nem de Izumi e de Nana, os dois tinham que conversar.

_Por que não me disse? – disse quando sentou perto do garoto.

_Dizer o que? Que ela me traiu com um projeto mal feito do Akira? Que ele veio até aqui só para ela me mostrar o quão melhor ele é?

_Não se faça de besta!

_Mais um...

_Estava pra baixo e não me disse, agora eu me senti...

_Se notou, porque não perguntou?

A garota o olhou, não sabia como responder.

_Vai! Me responde? Obrigado pela sua gentileza de notar agora, mas é tarde. Precisava de um amigo naquela hora...

_Meu dia foi tão estranho quanto o seu, se você quer saber! Eu notei, mas não tinha cabeça pra nada... alias, se bem que eu me lembre, você foi embora e nem se importou se eu estava sozinha ou não!

_Ah! Você tem o Murakami agora!

A garota ficou vermelha e se levantou rápido.

_Pro seu governo, ele é melhor pessoa que você! – e saiu correndo depois de dizer isso.

Se tivesse força o suficiente, quebraria aquela mesa na hora em que a socou de raiva dizendo "droga!". Mas, naquela tarde, enquanto tinha o treino de karate, descontou sua raiva ali mesmo. Lógico que recebeu um puxão de orelha de Pin quando ele exagerava demais em algum golpe, a raiva voltava constantemente quando via Murakami em sua frente, mas nada mais que isso.

_Sério, cara. Não sei porque tanta raiva. A Izumi é uma vagabunda – disse Daisuke enquanto se trocavam para irem para casa.

_Não foi por ela que eu estava bravo...

_A Megumi-san te disse algo?

_Dá pra parar com esse assunto? – disse, enquanto fechava a porta do armário com força.

_Não falei por mal...


Nana estava no quarto, em sua escrivaninha tentando resolver um exercício de Inglês. Mas a cabeça doía tanto com outros problemas que mal conseguia se concentrar na lição. Tentou o melhor que podia para resolve-los e depois foi para sua cama.

A cabeça doía menos quando estava deitada, mas não conseguia parar de pensar em tudo. Uma briga tão besta, mas que a fez refletir em tudo: sobre seus sentimentos, a declaração inesperada de Kenichi e... sua amizade com Aoi. Ele fora a primeira pessoa que foi falar com ela e a primeira que estendeu a mão quando ela precisou.

O celular tocou. Barulho de mensagem.

Ela se virou e pegou o aparelho.

"Fui um idiota, me desculpa"

Ela riu. Começou a escrever uma mensagem.

"A idiota fui e eu que deveria pedir suas desculpas"

Mais um barulho de mensagem

"ok, 2 idiotas. Pode sair um pouco?"

A garota saiu de seu quarto e foi para a porta da casa. Passou pela sala e viu seus pais sentados no sofá assistindo algum filme. Não notaram quando ela passou pelo corredor e abriu a porta.

Aoi estava encostado na parede e Nana fechou a porta atrás de si quando saiu para fora.

_Pode me xingar – disse a garota, quando se encostou na porta.

_Xingar? Tem certeza? Posso começar com uma série de palavrões que não vai gostar.

Os dois se olharam e riram.

_Olha, sei que foi uma briga besta – começou o garoto – mas eu fui um idiota por ter começado ela.

_Na verdade, quem começou fui eu. Mesmo assim, ainda me sinto mal por não ter te dito nem um "sinto muito".

_Agora já disse – abaixou a cabeça e sorriu do comentário.

Ela o olhou e se aproximou dele. Ele levantou a cabeça e a olhou. Tinha algo estranho ali, naquele momento. Era uma sensação de deja vu, era como se ele não fizesse nada agora ela iria escapar como da vez anterior. Anterior? Nana sentia a mesma coisa, mas nenhum sabia explicar o que era.

O celular toca.

Saíram do transe quando Nana atendeu e constatou que era Kenichi. Quando desligou o garoto se despediu e entrou em sua casa. Quando entrou em seu quarto, sentiu seu rosto queimar lembrando do que poderia ter acontecido.

Céus! Estava apaixonado por Nana Megumi?


Nota da autora: sim, to precisando parar de ver Akira (se bem que é muito bom! *-*).

Enquanto estava escrevendo, estav assistindo "As Aventuras de Merlim" e tendo algumas idéias para uma fic futura... bom, vamos ver no que sai.

Bjos e até o próximo capítulo!