Capítulo Onze
O Retorno – Parte 2
.:.. Mansão Xadrez – Liverpool, Inglaterra ..:.
-Monica... Monica... Monica...
Com um movimento brusco, apanhou a xícara de porcelana onde jazia o café negro e estimulante. Estremeceu a cabeça. Depois de mais de duas horas de intensa procura, Sophie ainda não achara nenhuma Monica Megrez. Onde haveria de ter se enfiado a jovem?
Sophie: -Argh! Meus dedos dóem...- reclamou ela, com os olhos levemente molhados.
Levantou-se, apanhou uma das malas jogadas no canto do hall, pegou algumas roupas e foi para o banheiro. Enquanto abria a torneira e via o vapor subir, Tristeza vagava numa terra distante. Onde a paz reinava. A paz, o amor... e a família.
Flashback
-Onde você pensa que vai?
Louise estacou na porta, pensando numa boa desculpa. Queria apenas levar a filhinha para tomar sorvete e ver os pássaros no parque. Mas, seu marido Paul, pai de Sophie, não compreendia. E ela não entendia. O homem bebia todas as noites e a esposa sempre apanhava sem motivo nenhum. Mas, desta vez, seria diferente.
Sophie: -Mamãe, por que o papai ta gritando?
Louise: -Deixa a mamãe resolver isso, ta bom querida?
Sophie: -Ok. –sorri.
Largando a mão da filha indefesa, Louise puxou o marido pela mão, levando-o escada acima. A futura R.S.H. apenas sentou-se no sofá, apanhou o controle remoto e ligou a televisão. Alguns minutos depois, um estalido ecoou pela casa.
Louise: -Ah!!
Sophie: -Mamãe!
E logo, uma seqüência de baques fortes ouviu-se na sala. Sophie, sentada no sofá, apenas olhava dali a porta do hall. E, de repente, uma mão pálida caiu do primeiro degrau da escada.
Fim do Flashback
Finalmente, sentiu a água quente relaxar seu corpo. Olhou pela janela e viu a lua. Cheia. Dourada. Magnífica. Fechou os olhos e rezou brevemente. Desejava encontrar a prima logo. Não agüentaria ficar muito tempo sozinha.
Depois do banho relaxante, ainda com um robe de seda vinho, Tristeza calçava um par de pantufas brancas bem felpudas. Seus olhos negros estavam fixos na escada. Aquela... aquela... escada assassina!
Sophie: -ASSASSINA!!
Flashback
Com os olhos arregalados, a pequena Sophie andou pé ante pé até a mão feminina e pálida que jazia caída no hall. Sua vida esvaiu-se naquele momento. O carpete azul royal havia transmutado-se em escarlate. Puro sangue de sua mãe. O corpo da jovem Louise estava estirado ao longo dos primeiros degraus da escada. Com uma fratura exposta na canela esquerda e uma lesão grave na espinha dorsal, Louise ainda conseguia gemer e piscar os olhos.
Paul: -O que aconteceu aí hein? –com a voz embargada pelo excesso de álcool, o rapaz de cabelos rubro-negros não se dava conta do que acabara de acontecer. –Deixa de ser vagabunda e levanta daí, 'mulé'!!
Algumas horas depois, os vizinhos da casa espantaram-se com a gritaria de Sophie, correram até lá e chamaram a Ambulância. Lauren teve vertigens ao ver o estado da amiga. Michael correu ao celular, pedindo, logo após acudindo Tristeza, que apenas balbuciava palavras sem nexo. Não acreditava no que via. Simplesmente, era inacreditável. Seu pai... havia matado sua mãe...
Fim do Flashback
.:.. Em algum lugar deserto – Angola ..:.
...: -Vamos, vamos!! Eu não vou te perder!! Não vou!
Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. O barulho incessante da máquina já estava irritando a jovem Sabrina. Mais uma vez. Afastem-se!, pensou ela. Se tivesse alguém para se afastar, ela teria gritado isso. Nada. Injeção de adrenalina. Mais uma vez. Afastem-se! Novamente, nada.
Sabrina: -Por favor. Fica comigo! Eu não posso perder!!
Um homem negro trajado com uma camiseta vermelha e um jeans velho veio acudir a moça.
Homem: -Não adianta... está morta.
Sabrina: -Nunca! Uma criança de 5 anos não pode morrer assim!!
Mais uma vez. Afastem-se! ...Nada. Mais uma vez. Afastem-se! ...Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Um sentimento imenso de frustração invadiu o coração antes calmo da amazona de Inveja. Largou o equipamento e caiu de joelhos no chão enlamaçado daquela tenda.
Homem: -Eu sinto muito... –aproxima-se dela, colocando sua mão em seu ombro, porém ela desvencilha-se.
Sabrina: -Sente nada.
Levantou-se bruscamente e saiu da tenda. Olhou à sua volta. Por que Deus tinha que fazer isso com suas crias?! Não se conformava com o estado das crianças, mulheres e velhos da pequena região de Malange, Angola. Todos morrendo de fome. Magros. Facilmente adoentados. Morrendo.
Correu para um local mais deserto ao norte. Montou na Shadow que ali esperava, e partiu em direção à capital.
.:.. Hokkaido – Japão ..:.
Criado: -...Senhor?
Uma luz se apagou. O gemer de uma cadeira de rodas ecoou pelo cômodo negro e fechado. O homem de fios brancos olhou fixamente para o criado fiel de quase 25 anos.
Senhor: -Diga-me.
Criado: -O chefe quer recebê-lo em sua sala. Disse que é urgente. –engoliu em seco.
Senhor: -...ok. –sorriu.
Senhor: -Me atormentas à essa hora, Cooler?
Um leve brilho podia-se espiar no canto do aposento. Um homem jovem de óculos escuros voltou sua atenção para o cadeirante. Seu sorriso chegou a ser belo, de tão triunfal.
Cooler: -Não se preocupe. É por uma boa causa, Momiji.
Momiji: -Espero que seja mesmo. Sabes que não posso sair de meu quarto por qualquer tolice.
Cooler: -E desde quando cuidar de nosso problema é tolice?
Momiji pigarreou. Parecia não ter entendido o que o homem de longos cabelos negros queria dizer. Acompanhou-o através de uma porta metálica que se estendia por quase toda uma parede. Um telão se acendeu, mostrando o mapa-múndi. Uma leve luz vermelha piscava numa pequena área no norte da Ásia.
Momiji: -Rússia? –arregalou os olhos castanhos envelhecidos.
Cooler: -Nosso maior perigo vive lá. Aquela amazona não é flor que se cheire. Tem de ser eliminada.
Momiji: -Ok... os meus ou os seus homens?
Cooler: -Os meus, claro. –Momiji sorriu com desdém. –Ou você acha que o Clã Azul-Royal não deve ser incumbido de tal missão? –gargalhou misteriosamente, fazendo com que Momiji debochasse da cara de seu chefe e saísse demoradamente da sala.
.:.. Em algum lugar tumultuado – São Vicente, Brasil ..:.
-Dois BigMac's, duas batatas fritas médias e dois refrigerantes grandes.
Atendente: -Qual refrigerante, senhor?
-Não sei... amoor, o que você quer?! –gritou o jovem, assustando a clientela.
Isadora: -Pode ser Fanta!
Matheus: -Uma Fanta e uma Coca-Cola.
Com um papelzinho branco na mão, Matheus correu para a mesa de dois lugares onde estava alojada a namorada, com o olhar perdido, mas que voltou a ter brilho ao olhar para o sorriso dele.
Matheus: -Prontinho, amor.
Isadora: -Obrigada... –disse ela, num tom baixo.
Matheus: -Você ta com fome mesmo?
Isadora: -É que hoje eu não acordei muito bem...
E não acordara mesmo. Desde o momento em que colocou o pé esquerdo para fora da cama quentinha, Paixão sentia um palpitar preocupante no coração. Sentia que algo de extraordinário estava prestes a acontecer. Mas não sabia dizer se era algo bom ou ruim. Por isso, estava a todo momento ligada no celular, esperando alguma ligação.
Matheus: -Ah, bobagem querida. É só impressão sua. Ó, vou lá pegar o lanche e já volto. –beijou a mão de Isadora e saiu em disparada.
Não adiantava. Repetira isso para si mesma o dia inteiro. Mas sentia que algo aconteceria... até que o celular vibrou. A luz azul acendeu e um número desconhecido apareceu no LCD. Era DDI...
Isadora: -Alô! Alô!! –repetia, aflita.
Um chiado intenso incomodava o ouvido da amazona, que nada mais escutava. Foi quando um longo gemido ecoou pelas linhas. E logo, uma voz.
-...Dora...!
Isadora: -Alôo! Quem é?!
...Caiu. Isadora estava de olhos esbugalhados. Parecia a voz de uma de suas amigas. Olhou novamente para o LCD. O número estava lá, piscando. Aquele DDI não lhe era estranho. Sai correndo do McDonald's, parando na banca mais próxima.
Isadora: -Senhora! Senhora!! –repetia, ofegante.
Senhora: -Qui qui é, minina?! –disse preguiçosamente uma senhora de pele escura e olhos cansados.
Isadora: -Tem lista telefônica?!
Senhora: -Tem... peraí. –a velha andava tão vagarosamente quanto sua própria fala.
Matheus avistou Isadora da lanchonete e correu na direção dela, que suspirou, aflita. Não queria preocupar o namorado com essas histórias.
Matheus: -ISADORA!! O que pensa que está fazendo!? Fugindo de mim!? –disse ele, enfezado e ao mesmo tempo magoado.
Isadora: -Não se mete, Matheus. É coisa minha. –retrucou ela, calma.
Matheus: -O quê?! É assim que você me trata?! –ruge ele, colocando a bandeja da lanchonete em uma mesa que por ali havia. –Já estou cansado dos seus segredos! Me conta tudo, eu só quero te ajudar...!
Isadora:- NÃO DÁ, MATHEUS! PORRA, JÁ DISSE QUE NÃO DÁ!!
...O jovem fitava-a em choque. Seus lábios tremiam e suas mãos estavam paradas, vazias, inertes ao corpo. Mordeu os lábios.
Matheus: -Quer saber? Cansei. CANSEI!! Não nasci pra ser feito de gato e sapato por ninguém. Ainda mais uma baixinha folgada como você! E...
Paixão levantou a cabeça vagarosamente, interrompendo a fala de Matheus, que não agüentou ver os olhos marejados da amada.
Isadora: -...quer ir embora? Pode ir. Se você não compreende que eu não quero que você se machuque, tudo bem. –deu de ombros. –Eu me viro sozinha.
Mordendo a boca com mais força ainda, Matheus saiu do shopping a passos pesados. Largou-se no banco do jardim que por ali havia e mergulhou o rosto nas mãos. Elas logo se molharam, e um soluço profundo não parava de sair de sua garganta. Amava-a tanto! Só queria ajudar... não queria perde-la. Mas ela não o amava. E sim, aquele tal de Milo. Não havia competição pelo amor de Isadora. Apenas... sofrimento.
Senhora: -...tá aqui. –falou a velha, levantando-se.
Isadora: -Taqueopariu! Demorou hein, velha! –arrancou a lista telefônica das mãos negras e jogou-a na mesa mais próxima.
Senhora: -Não vai pagar não?! –gritou a velha, furiosa.
Antes que pudesse abrir a lista telefônica, olhou para a bandeja do McDonald's. Dois BigMacs, duas batatas fritas médias e dois refrigerantes grandes. Uma Fanta e uma Coca-Cola. No meio daquilo tudo, uma nota fiscal. E nela, havia um rabisco feito de caneta azul. Era um coração. Com as letras 'M' e 'I' estampadas. Dessa vez, não enxugou as lágrimas. Voltou a atenção para a lista telefônica e acessou a página de DDI's.
Isadora: -Depois eu resolvo minha vida amorosa. A vida de minhas amigas pode estar em jogo... –balbuciou a garota.
Cadê, cadê, cadê... Ah! Achou!!
Isadora: -S. Petersburgo... Rússia. –não acreditava no que lia
Somente um nome lhe veio à cabeça.
Isadora: -...Agatha!
.:.. Califórnia – Estados Unidos ..:..
O vento fresco invadia aquele rosto branco. As mãos delicadas de unhas longas pareciam apalpar o ar. Tirando os óculos escuros, Caroline pôde fitar com mais admiração a paisagem do lugar. Árvores, prédios enormes, praias, e um sol lindo de morrer!
Caroline: -Essa é a vida que eu pedi a Deus! –escandalizou a jovem, espreguiçando-se no banco de trás de um carro esporte verde-escuro que cortava as ruas da cidade.
Vanessa: -Só não vai com muita sede ao pote. –ironizou a irmã, dirigindo.
Ambas estavam fascinantes! Vanessa com os cabelos coloridos soltos ao vento, um top preto e uma calça jeans escura, enquanto Caroline cruzava as pernas macias vestidas com uma saia leve de algodão e uma baby look vermelha com detalhes pretos. Na verdade, não sabiam o que fazer naquele lugar incrível! Que saudade da cidade grande!
Vanessa: -Onde eles estão, mesmo?!
Caroline: -Num hotel chamado 'Palace-num-sei-o-quê'. –disse sem muito se importar, pegando o espelho da bolsa preta e admirando-se.
Vanessa: -Bela ajuda, Carol. Vou ter que ver aqui no papel mesmo.
Ao se abaixar para abrir o porta-luvas, Yang acabou distraindo-se ao volante, não percebendo que estava prestes a se chocar com outro carro que vinha na direção oposta.
Caroline: -CUIDADO, VANESSA!
Vanessa: -AAAAAAAAAHHH!!
Pneus freando e pessoas gritando era tudo o que se podia ouvir. Quando a fumaça baixou que Ying pôde ver que todos estavam bem. Uma senhora de cabelos curtos e loiros levantou-se do banco do passageiro no carro que estava escancarado na frente delas.
Mulher: -OLHEM POR ONDE ANDAM, DELINQÜENTES!!
Vanessa: -OOOLHA AQUI, DELINQÜENTE É A SENHORA SUA MÃE!!
Caroline: -PÁAARA A BAIXARIA, PORRA!!
A mulher olhou enfezada para Carol. Quando um homem de cabelos castanhos saiu do volante ao lado dela.
Homem: -Minha jovem, vê se presta mais atenção! Quase nos matou!
De repente, parou. A cor fugiu-lhe do rosto. Olhou para a esposa, que parecia chocada, fitando as gêmeas de cabelos longos e lisos que ali estavam.
Vanessa: -Minha senhora, vocês que estavam dirigindo na contra-mão. A culpa não é só nossa, e...
Yang começou a estranhar o jeito que aqueles dois olhavam para elas. Será que eles nunca tinham visto gêmeas na vida? Uma lágrima escorreu do rosto pálido da mulher, e o homem aproximava-se lentamente de Caroline.
Homem: -...quem são vocês?!
Caroline: -Caroline e Vanessa. –respondeu a jovem, estranhando o comportamento do senhor.
Quando ela olhou profundamente naqueles olhos, viu uma expressão surpresa. Notou que o brilho dos olhos verdes daquele homem era iguaizinhos aos de sua irmã. Olhou para a senhora, que abafava um grito alegre com uma das mãos.
Mulher: -Vanessa! É você?!
Vanessa: -...quem são vocês? –recuou, assustada.
Jovem: -Eles são seus pais.
Todos voltaram suas atenções para um jovem de longos cabelos loiros que abrira a porta de trás do carro do casal.
Vanessa: -Lá vem. Mais um pra encher nosso saco...
Caroline: -Mas quem diabos é você? E o que está falando?
Jovem: -Garotas, esses são seus pais. Lindsay e John. –disse ele, levantando-se, balançando os fios dourados soltos. –Papais, quero lhes apresentar suas filhas... –disse ele, ironicamente. –Caroline do Ying e Vanessa do Yang.
Vanessa: -Tá, isso eu já sei. Mas quem é voc... –estacou, percebendo só agora as palavras daquele homem.
Olhou para Caroline. Não podiam acreditar no que ouviam. Seus pais... aqueles eram seus pais?!
Jovem: -Eu sou Matthew. Meio-irmão de vocês.
.:.. Em um apartamento – São Paulo, Brasil ...:.
-RÚSSIA?!
A palavra estacou no ar como o som de um trovão. Matheus ainda não acreditara no que ouviu e viu ao adentrar o apartamento da namorada... Ou seria, ex-namorada? E os olhos castanhos dela mais uma vez perfuraram sua alma, quando ela jogou o que parecia ser a última muda de roupa no malão de couro.
Isadora: -Exato. Rússia!
Matheus: -O que deu na sua cabeça?! –o cômodo parecia girar ao seu redor. –Primeiro, me deixa falando sozinho no shopping. Depois, pega suas roupas e vai pra S. Petersburgo.
Isadora: -É isso aí. Fico feliz que você entendeu tudo direitinho. –esboçou um sorriso debochado, mas não por muito tempo.
Logo, ela sentiu o hálito quente do rapaz perto de seu rosto. Com os lábios tremendo, ele segurou o queixo de Paixão para fitar seus olhos novamente. Não conseguia deixar de ver o sentimento mais puro de dor naquele olhar. Um frio percorreu a espinha dela. Ele não queria deixá-la. E aquele beijo deixou tudo isso muito claro.
Desvencilhando-se da pura vazão de sentimentos de Matheus, Isadora cambaleou para trás. Não. Não podia deixar Agatha morrer, sofrer, ou qualquer coisa... se bem que seu coração não parava de repetir. 'É tarde. Não adianta! Não vai conseguir salvá-la! É tarde demais...'
Isadora: -Matheus, olha... –ele não hesitou em segurar as mãos dela, suadas pelo nervosismo. –Eu tenho que ir. Ou isso... ou a Agatha vai morrer!
Um bolo de ânsia e medo instalou-se na garganta do jovem, que não conseguiu mais reprimir as lágrimas. Agarrou a garota, agora com os cabelos tingidos, negros lisos e bem longos. Não suportaria uma vida sem ela.
Isadora: -Eu... espero que você me entenda. –ele logo desabou na cama, com o rosto afundado nas mãos. –Ah... por favor! Eu também te amo!
Matheus: -Então não me deixa... –sibilou ele, abraçando-a pela cintura.
Isadora: -Amor... meu bebê, escuta. –ela afastou-o, para que ele pudesse ver o quanto aquilo era necessário. –Você sabe que essa não sou eu. Meu lugar não é aqui! Meu lugar é em algum campo de batalha, ao lado de minhas amigas, munida de nossas armas e armaduras, e...
Matheus: -Mas tudo que você desejou, todo esse tempo, era viver com a sua família aqui! –ele agarrou-a novamente e cheirou seus cabelos. –Eu sou a sua família. Eu te quero bem como ninguém nunca vai querer!
Isadora: -DROGA, MATHEUS! VOCÊ TEM QUE ENTENDER!!
Mais uma vez, ele desabou na cama. Olhos fixos nos dela. Não sabia como, mas ela conseguiu resistir. Matheus respirou fundo por alguns segundos e tentou reorganizar as idéias. Pelo visto, não havia maneira alguma de demovê-la.
Matheus: -Me promete... uma coisa? –gaguejou.
Isadora: -Claro... –murmurou ela, segurando nas mãos dele.
Matheus: -Se você... –ele apertou os olhos, tentando evitar que fantasmas malignos atormentassem seus pensamentos. -...morrer... Promete que vai pensar em mim... quando estiver... para me deixar?
Isadora: -Meu bebê... –ela beijou silenciosamente os lábios vermelhos do namorado. –Eu nunca vou deixar de pensar em você. E pensar que você estava do meu lado quando eu mais precisei... isso é inesquecível.
Ele levantou-se e, pela enésima vez, abraçou-a. Mas, desta vez, fora diferente. Ela o abraçara com mais força do que ele. E uma lágrima grossa escorreu pelo rosto pálido da moça, que se afastou dele, com um coração partido, pegou seu malão e foi até a porta da sala.
Ainda no batente, ela ouviu a voz dele, suplicante.
Matheus: -Eu te amo... –e mais uma vez, apertou os olhos.
Ele não soube a resposta dela. Talvez nunca mais viesse a saber. A amazona correu desembestada até o térreo, onde um táxi a esperava. De lá, olhou pela janela e viu um mundo que não lhe pertencia. Seu mundo era outro. Repleto de amizade, amor, compreensão... e guerras, sangue e armas. Que saudade das amigas!
Isadora: -Eu também te amo, meu bebê... –e um soluço profundo lhe cortou a garganta, fazendo-a chorar como não chorava há alguns meses. Lembrou-se de Milo, e duas lágrimas que pareciam ser vermelhas lhe brotaram do coração.
.:.. Milão, França ..:.
Com os cabelos loiros ainda envoltos em uma toalha felpuda, Gabriela enrolou o corpo de pele branca e imaculada em um delicado robe de seda vermelho. Apanhou uma taça e uma garrafa de vinho. Enquanto sorvia o líquido abençoado com prazer, sentou-se em uma cadeira confortável e fitou a noite que esvaía-se pela janela.
Em breve, estaria indo jantar com Jackson, seu amigo de infância. Se fechasse os olhos, ainda poderia vê-los brincar em um parque verde e saudável de sua infância. Jackson corria, ela logo atrás. Ele subia no escorregador, ela também. Ele ia no balanço, ela também. Mas se ela fosse pra gangorra, ele iria também. Unha e carne, era o que sempre dizia seu pai.
Gabriela: -Será que ele está mesmo vivo? –pensou ela distraída, deixando uma gota de vinho cair no carpete.
Despreocupada, ela caminhou até uma valise púrpura que jazia como que adormecida ao lado da cômoda. Pegou-a e colocou sobre a cama. Quando abriu, deu de cara com uma foto. Franziu o cenho. Não lembrava dela... Lá estava ela. Gabriela, ao canto da foto, com uma regata amarela e um solzinho estampado no peito.
Ao longo da foto, viam-se milhares de rostinhos. Milhares de etnias. Todas as amazonas estavam lá. Mas todas eram tão pequeninas! Cada uma parecia ter uns sete, oito anos. Menos Agatha, que já parecia ter uns 11. E ao meio de todas... aqueles olhos cinzas que perscrutaram-lhe a alma. Uma lágrima quente, grossa e repleta de saudade morreu nos lábios da loira. Apertou a imagem contra o peito, desejando toda a felicidade à sua mestra, à sua mãe...
Depois da morte de Íris, Felicidade ficara com todos os seus pertences. Que consistia naquela valise. Passando os olhos por todos aqueles documentos, um deles chamou a atenção da amazona em especial... Era branco e quadrado, maior do que os outros. Munida de curiosidade, apanhou-o e fixou os olhos no título em negrito e arial no topo da folha. Foi quando ela levantou uma sobrancelha.
Gabriela: -Que porra é essa?
Correu o olhar e a mente por aquela folha, e logo empalideceu. Aquilo não podia ser verdade... como sua mãe escondera isso dela durante tanto tempo?! Era algo tão valioso... não tinha necessidade de ser escondido! Com as mãos trêmulas, apanhou o celular, e digitou o número que jazia ao rodapé da folha. Com a garganta já seca, implorando para que alguém atendesse, Gabriela tomou mais um gole do vinho. Foi quando uma voz feminina e enjoada respondeu.
Moça: -'Konforto' Colchões. Em que posso ajudá-la?
Mordeu o lábio inferior. De acordo com a folha, precisaria dizer a senha para ser levada aonde queria.
Gabriela: -Boa noite. Eu gostaria de um modelo V1-157, por favor. –um estalido seco no outro lado da linha.
Moça: -Pois não... –alguns segundos de silêncio. -Boa noite, mestra Íris.
O coração de Felicidade estacou. Então era verdade! Então elas tinham uma salvação! Se mestra Íris tivesse pensado nessa possibilidade antes, talvez elas nem tivessem conhecido os cavaleiros... Uma música de espera cessou e uma voz máscula respondeu.
Rapaz: -Campo de Treinamento de Reservas.
Garganta seca. Olhos revirando. Coração saltado. Até chegou a sentir ódio da falecida mãe. Não! Deveria haver algum propósito para ela fazer isso.
Gabriela: -Boa noite, aqui é a mestra Íris. Eu gostaria de falar com o encarregado do Campo de Treinamento.
Moço: -Só um minuto... –mais alguns segundos silenciosos. –O sr. Tony logo poderá atendê-la, mestra. Queira aguardar, por gentileza.
Ela encheu a taça de vinho mais uma vez. Por que? Por que? Por que?! A pergunta não parava de bombardear sua cabeça. A irritante música de espera cessou enquanto Felicidade grunhia de nervoso.
Tony: -Olá, minha amada Íris! –respondeu com alegria o homem.
Gabriela: -Tony?
Tony: -O próprio, querida! Mas, você está com uma voz diferente! Mais infantil... o que houve?
Respirou fundo. Aquela farsa não poderia continuar.
Gabriela: -Eu não sou a mestra Íris. –por um momento, os olhos do homem perderam o brilho, e seu dedo indicador pousou levemente num botão que por ali havia, parecendo que iria apertá-lo a qualquer momento.
Tony: -Bem... s-se não é a mestra, então... –o homem gaguejou levemente. –Quem é?
Gabriela: -Eu sou Gabriela, amazona da Felicidade.
Ele logo suspirou de alívio e retirou a mão do botão. Ufa! Mas, por um breve momento... seu semblante tornou-se preocupado. Como ela descobrira? Seus pensamentos foram cortados pela voz da garota.
Gabriela: -Mestra Íris... –fazia um imenso esforço para pronunciar aquelas doloridas palavras. –Morreu. Há um ano.
O homem de cabelos loiros e curtos estacou. Então era verdade! Com os olhos azuis, procurou um cigarro que havia ali na mesa. Achou um Malboro jogado perto do telefone, e já retirou o isqueiro do bolso da calça. Eles haviam recebido uma mensagem de alguns bêbados do Clã Royal Sky há pouco mais de um ano. Achara aquilo tudo a maior besteira. Íris não poderia estar morta...
Tony: -Como achou o número deste lugar e a senha, minha jovem? –retrucou ele, seco.
Gabriela: -Com a morte de minha mãe, seus pertences ficaram comigo. E tudo isso resume-se em uma valise. Onde eu encontrei uma foto, vários documentos e este aqui em especial.
Tony: -Então... Íris está... espera! Você disse mãe?!
Petrificada, ela não imaginava que ele não soubesse.
Gabriela: -Achei que vocês eram muito amigos...
Tony: -Sim! Mas... –por alguns segundos, seus olhos reviram uma imagem linda e eternizada em sua mente.
Flashback
Ao descer do jatinho, fitou admirando os olhos cinzas da mulher que estava à sua frente. A mulher mais linda que já vira... os cabelos escuros e lisos, que iam até os ombros, balançavam-se junto com a brisa. Um sorriso cativante ofuscou seus olhos.
Íris: -Bem-vindo à sede principal das R.S.H. –ela o olhou de cima a baixo, sorrindo aprovadoramente. –Quer conhecer as meninas?
Tony não conseguiu dizer nada perante ela naqueles minutos. Apenas balbuciou vogais sem sentido e meneou a cabeça. Ela sorriu mais uma vez.
Passando pelos campos floridos do local, ninguém imaginaria que ali teriam dez garotinhas sendo preparadas para enfrentar a morte. Era inacreditável. Mas, tudo ficou ainda mais surreal quando viu os rostinhos corados e alegres das meninas.
Deus, ele conseguia lembrar dos detalhes de cada uma! Os olhos verdes das gêmeas Carol e Vanessa, os cabelos lisos e escorregadios da pequena Dorinha, a expressão séria no rosto de Sophie, o sorriso gentil de Sabrina, os olhos determinados de Agatha, as brincadeiras de Kurayko, a inocência de Hay Lin, os traços lindos do rosto da Cissa e os cabelos loiros esvoaçantes de Gabriela.
Talvez um dia ele iria compreender por que Deus deixaria coisinhas tão lindas e frágeis serem destinadas a algo tão cruel... Mas, mesmo assim, um sorriso de pura alegria brotou de seus lábios quando a dupla dinâmica, Kuray e Dora-chan aproximou-se dele. (N.A.: Dinâmica, viu?!)
Kuray: -Você é grande... É um adulto que nem a tia Íris?!
Dora: -Vem brincar com a gente! Não temos muito tempo! Depois a gente vai ter que treinaaaaar...
Tony gargalhou do jeito sem-vergonha das duas, e não fez cerimônia. Logo, estava brincando com todas elas. Passaram a tarde inteira juntos. A única de sua vida.
Fim do Flashback
Só uma pergunta assaltou a mente dele depois de tantas lembranças.
Tony: -Você é a loira, não é?
Gabriela sobressaltou-se. Aquele homem as conhecia!
Gabriela: -É... Você nos conhece? –ele riu de maneira inocente.
Tony: -Claro! Vi-as somente uma vez, mas foi o suficiente pra que eu me apaixonasse por todas! –o coração de Gabriela se acalmou. –Acho que não irão se lembrar, eram muito pequenas... deviam ter o quê? Sete, oito anos...
Mais uma vez, ela sobressaltou-se. Sem pensar em mais nada, ela voou até a cama e apanhou a foto. Abraçado com a mestra, lá estava ele. Um homem de cabelos um pouco longos e loiros, olhos azuis escuros.
Gabriela: -Você é loiro dos olhos azuis? –o homem gargalhou.
Tony: -Sim! Como sabe?!
Gabriela: -Você... está nessa foto!
Com a mão na boca para abafar um grito de euforia, ele exclamou:
Tony: -SIM! Há, eu me lembro dessa foto! Acho que ainda tenho guardada em algum lugar!! Nossa!!
Gabriela: -Eu me lembro de você.
Tony: -Jura?!
Gabriela: -Claro!! Tony, o adulto amigo da tia Íris, como me disse a Dorinha depois.
Tony: -Que incrível! Puxa, que bom que vocês lembram de mim!
E a conversa foi correndo naturalmente, como se eles fossem amigos de longa data. Até que Felicidade resolveu perguntar o que mais queria saber.
Gabriela: -Tony...
Tony: -Sim?
Gabriela: -O que é esse tal de 'Campo de Treinamento de Reservas'?
O loiro suspirou. Devia uma explicação à ela.
Tony: -Você sabe... Íris era uma mulher muito devotada ao que fazia, e super prevenida. Ela resolveu pegar mais quatro garotas ao redor do mundo e treiná-las para que, um dia, em algum caso desesperador, elas pudessem ajudar vocês.
Gabriela: -Minha mãe era incrível, não é? –disse ela, com a vez embargada e os olhos sonhadores.
Tony: -Certamente...
Foi quando Felicidade decidiu contar tudo o que acontecera ao homem. Seus olhos marejaram por um segundo quando teve de rememorar-se da história da destruição da sede, da morte da Mestra, da possível magia lançada nelas e nos cavaleiros. E como elas foram felizes naquele pouco tempo em que passaram lá.
Tony: -Meu Deus, eu sinto muito... Não consigo entender como alguém tão jovem quanto você já agüentou passar por tudo isso.
Gabriela: -Nem eu sei... –ela engoliu em seco, e resolveu expor a idéia que tivera assim que pusera os olhos naquela possibilidade. –Tony?
Tony: -Pois não?
Gabriela: -...Será que nós podemos montar a nova sede das R.S.H. aí no Campo de Treinamento?
As palavras lhe fugiram. Ele realmente não sabia o que responder. Intimamente, convocou a presença de Íris naquela situação. Ele precisava saber o que deveria ser feito...
Tony: -Claro! –os olhos azuis claros da loira brilharam profundamente. –Seria um prazer!
Gabriela: -Não sabe como eu fico feliz em saber disso! Vou me comunicar com as minhas companheiras logo em breve e assim que pudermos, estaremos aí!
Tony: -Exato! Jamais perca a esperança, Gabi!
Os dois sorriram largamente. E Felicidade sentiu que arranjou um amigo pra vida toda!
.:.. Beijing, China – Dia Seguinte ..:.
O telefone não parava de tocar. Quanto mais Hay Lin afundava a cabeça no travesseiro, mais alto ele soava. Deve ser algo muito importante, visto que é tão tarde!, meditou a chinesinha. Apanhou o celular e olhou para o número que piscava na telinha. Por que diabos Dora-chan estaria ligando para ela às 4 da manhã de uma madrugada de sábado?!
Hay Lin: -Cacete, viu... Alô? –enquanto respondia, ela ajeitava os cabelos bagunçados.
Isadora: -Hay! –a voz soava chorosa do outro lado, fazendo o coração de Amizade sobressaltar. –É a Dora! Por Zeus, preciso de vocês o mais rápido possível!
Hay Lin: -Calma! Onde você ta?! –ela apertava o aparelho, visivelmente nervosa.
Isadora: -S. Petersburgo, Rússia.
Hay Lin: -Mas você não mora no Brasil?!
Isadora: -Exatamente!
E, embargada pelas emoções do presente, Paixão relatou tudo o que aconteceu desde que ela chegara para ajudar Agatha. Mas, como repetia seu coração...
'Era tarde demais.'
.:.. S. Petersburgo, Rússia ..:.
O táxi demorara a chegar no aeroporto. Com um espelhinho e um lápis preto em mãos, Kurayko retocava a maquiagem nervosa. Pelo menos, fingia retocar. Quando a buzina ressoou e uma velha conhecida entrou no táxi juntamente com ela, ambas assustaram-se.
Sophie: -Kuray! Quanto tempo! –seus olhos escuros marejaram.
Kurayko: -Tanto tempo sem ver qualquer uma das minhas melhores amigas! To até chorando!!
Sophie: -Eu também...
Elas se olharam profundamente, enquanto o táxi dava a partida. E foi no meio dessa troca de olhares que ambas repartiram suas dores pela perda da amiga.
.:.. Santiago, Chile ..:.
Tudo indicava que aquele seria um dia como qualquer outro. O sol brilhando, os pássaros cantando, as flores desabrochando... parecia o dia perfeito típico das historinhas infantis. E aquilo já acontecia há... hum, quanto mesmo? Uma semana? Era tudo muito estranho...
Jéssica: -Ô se é!- a garota reclamava, escutando com atenção os relatos de sua amiga Nathana.
Nathana: -Ah sei lá, mow tédio... pena que por aqui não têm muita praia.
Jéssica: -Nada pra fazer... –disse ela, distraída, enquanto passava geléia em um pedaço de pão.
E foi quando Camila entrou na cozinha da sede que as duas rolaram no chão de tanto gargalhar. A morena fitou-as sem entender.
Camila: -Que foi?! Ta escrito 'palhaça' na minha testa?!
Jéssica: -Quase... huahauhauahauha!
Nathana: -É que... hehe... tem alguma coisa... hehe, na sua cara, meu bem. –ela corre pro banheiro e explode em risadas junto com as outras duas. Mas, de repente, sua expressão altera-se.
Camila: -Mas quem foi a responsável pela putaria!?
Ângela: -Foi a Jé.
A outra amazona adentrava a sala tranqüilamente, quando o cenho de Jéssica fechou-se.
Jéssica: -Pô, nem dá mais pra brincar nessa casa. Sempre tem alguém pra caguetar!
Camila: -Ah cê ta ferrada!
Logo, as duas estavam rolando no carpete, metralhando-se de cócegas. Foi quando um súbito ar carregado entrou na sala. Nathana espremeu os olhos e fez uma careta de desagrado.
Ângela: -Que foi, Nath? Quem peidou? –ela ainda solta uma risadinha.
Nathana: -Pelo contrário... olhem.
Com todos os olhares voltados para a porta, Tony esboçou um sorriso amarelo. Estava com o cabelo desgrenhado e o celular na mão. Olheiras profundas, e uma pele tão pálida quanto as nuvens lá fora.
Nathana: -Eu sabia... –balbuciou.
Com os olhos azuis fixos na sobrinha, que o observava preocupada, ele largou o aparelho na mesa de tampão de vidro e passou os olhos por todas. Realmente, já não tinha mais por que esconder.
Tony: -Uma das R.S.H.'s foi morta...
Camila arregalou os olhos, não acreditando no que ouvia. Ângela murmurou algo e fechou os olhos, como que em meditação. Enquanto Jéssica aproximava-se de Tony e Nathana abanava a cabeça, afirmando que sabia que algo estava errado.
Jéssica: -O que aconteceu, mestre? –os olhos da jovem brilhavam.
Tony: -Foram os japoneses. Malditos japoneses!! –esbravejou ele, batendo uma das mãos na sua própria perna.
Camila: -Então uma delas foi atacada...
Ângela: -Quem?
O homem suspirou fundo. Talvez pudesse lembrar do rostinho dela se fechasse os olhos. Os cabelinhos curtos e ruivos, a cara de mais velha, sardas pelo rosto inteiro. Podia até lembrar que ela usava um par de sandálias azuis naquele dia...
Tony: -Agatha dos Ciúmes.
Os olhares das demais amazonas voltaram-se para Camila. Então era isso. Será que eles precisarão de uma substituta?, pensou cada uma delas. Por dentro, a amazona queria explodir de felicidade! Imagine!! Lutar contra os japoneses lado a lado das verdadeiras Representantes dos Sentimentos Humanos!
Tony: -Se bem que... –o coração de Ciúmes disparou. -...vocês não sabem de metade da história.
E, com os olhos apagados, mestre Tony do Sol contou às suas amazonas... suas filhas, o que aconteceu nos últimos meses à todas as outras guerreiras. E finalizou com um gemido de dor, e uma lágrima singela que brotara de seus olhos claros.
Camila: -Como podemos ajudá-las? –perguntou de supetão, a mais interessada das amazonas.
Tony: -Não faço a menor idéia, por enquanto...
Ângela: -Nós poderíamos ir até lá!
Jéssica: -Rússia? –a guerreira fitou com olhos apreensivos a amiga.
Nathana: -Por que não? Poderemos ajudá-las se estivermos por lá! E se o inimigo ataca-las enquanto estiverem fragilizadas?
Jéssica: -É uma possibilidade... –considerou Ódio.
Ângela: -Eu sempre quis conhecer a mestra Íris... mas, agora que ela já se foi, gostaria de conhecer a filha dela. E suas alunas!
Quando Felicidade sorriu abertamente, todos concordaram. Até mestre Tony, que estava mais opaco aquele dia, teve os olhos faiscando com essa possibilidade. Rever as garotas... quem diria!
:.. S. Petersburgo, Rússia ..:.
Foi meio difícil estacionar a moto naquele dia chuvoso e lamacento. As ruas em volta do Cemitério Flores Vermelhas estavam encharcadas. Mas, logo viu uma vaga debaixo de uma árvore. 'Deve servir', pensou Lucye. Esse era apenas um dos milhares de problemas que ela colocava na cabeça pra tentar esquecer tamanha tragédia que lhe aconteceu. Agatha, sua irmãzinha... morta...
Garota: -Com licença...
A loira sobressaltou-se. Mal terminou de descer da moto, e ao virar-se, viu à sua frente uma morena de beleza exuberante. Pele escura como café e olhos grandes e brilhantes. Sabrina sorriu com doçura.
Sabrina: -Você é a Lucye?
Lucye: -Sim. Muito prazer, senhorita...
Sabrina: -Sabrina! –disse ela espontaneamente, estendendo a mão à colega. –Fui uma das companheiras de treino da Agatha.
Lucye: -Ah, sim... –balbuciou ela, sentindo uma pontada no peito.
Sabrina: -A Dora pediu pra eu vir te buscar.
Lucye: -Dora? Aquela baixinha de cabelos pretos que chegou primeiro?
Sabrina: -Ela mesma! Puxa, foi uma surpresa quando nós a vimos de cabelo tingido! Ela tinha os cabelos castanhos antes, sabe? Cheios de mechas loiras!
Lucye: -Ah sei...
Distraindo-se com a voz amigável da amazona da Inveja, Lucye sentiu-se mais confortável. Apesar daquele dia triste que fazia.
Caroline: -Aqui! Aqui!
Vanessa: -Brigada, moço! –disse ela, com pressa, jogando uma nota de 50 pro taxista.
Taxista: -Peraê, dona! O troco!
Ambas as gêmeas trajavam vestidos curtos de seda preta, com os cabelos presos em trança e óculos escuros. Olhando para toda aquela energia negativa em volta, Caroline percebeu que nem parecia que há algumas horas atrás, ela e a gêmea estavam na Califórnia com os pais e o recém-descoberto meio-irmão.
Vanessa: -Já vi a Hay Lin. Vem logo, besta!
Despertando de seus devaneios, Ying correu para acompanhar a irmã. Fazia meses que não viam as companheiras!
Hay Lin: -Gêmeas! Quanto tempo!!
Kurayko: -Aiii! Até que enfim! Ta todo mundo aqui, agora?!
Caroline: -Cara, vocês estão tão animadas! Nem parece que isso é um enterro!
Hay Lin: -Cala a boca e dá logo um abraço na gente!!
Apesar de estar com a garganta coçando devido à dúvida, Cilena resolveu não falar nada antes do enterro. Ela gostaria de saber como foi que tudo acontecera. Mas, ao ver o estado de Isadora, nada saía de sua garganta. A amazona estava inconformada. E Ódio sabia como ela se sentia. Aquela sensação de que poderia ter feito algo, mas não conseguiu. Sensação de incapacidade. Como quando um médico cirurgião perde um paciente na mesa. A frustração é tanta que parece que as cordas vocais desaparecem e as lágrimas tomam o lugar de toda e qualquer palavra. E de todo o ato.
Gabriela: -Esse é meu plano. Assim que todo mundo estiver mais 'alto-astral', eu revelo.
Sophie: -Parece-me uma idéia fantástica, Gabi! Não é à toa que você é a atual mestra das R.S.H.!
Gabriela: -Nha! Qué isso...
Sophie: -Alá! As gêmeas chegaram. A cerimônia vai começar.
Tudo estava escuro, mesmo com os olhos abertos. As narinas pareciam infestadas com o cheiro da morte, mesmo com o esforço de respirar o ar puro. Quando Isadora levantou do banco de pedra, sendo amparada pelas amigas Kuray e Gabi, ela sentia-se sem forças. Por que tudo que lhe aparecia na mente era o visor do celular piscando, e o número da Agatha aparecendo. Será que ela poderia ter realmente feito algo? Ou o destino foi tão cruel ao brincar com ela, a ponto de esfregar na cara da pobre amazona da Paixão: 'Você não pôde salva-la. E agora, ninguém pode salvar você.'
Padre: -E se ela estivesse aqui entre nós, ela estaria orgulhosa...
As palavras do padre entravam e saíam como ar de seus pensamentos. Claro, ela estaria muito orgulhosa da perdedora que deixou ela morrer. Esse padre não sabe o que fala. Nunca perdeu alguém dessa forma. Ninguém jamais perdeu. Ninguém mais sabe o que ela sente. Por que as coisas tinham de ser daquele jeito?
Padre: -Todos a quem ela amou sofrem muito com sua perda...
Não, padre estúpido. Só eu estou sofrendo desse jeito. Só eu.
Padre: -Mas o amor de Deus é grande, e Ele vai ajudar-nos a desejar toda a paz...
Isadora: -PADRE IDIOTA!!
O silêncio caiu como uma mortalha por todos os presentes. Lucye abafou um gemido de desespero, enquanto Kurayko fitava Isadora sem entender.
Kurayko: -Dora, o que você...
Isadora: -Não, padre imbecil! Ninguém ta sentindo o que eu to sentindo! NINGUÉM!! Ela morreu por minha causa! Por minha causa!! Nem Deus pôde interferir nisso, nem eu!! Ninguém pôde!! Nada do que o senhor fale pode mudar isso! Ela está morta!! MORTA!!
O estalo bruto do tapa de Lucye no rosto de Isadora fez com que o padre desse um pulo para trás. A loira olhou profundamente nos olhos da amazona. Isadora deixou as lágrimas correrem mais livres pela marca dos dedos da irmã de Agatha. Quando Paixão levantou o pulso, uma mão morena amparou-o no ar. Sabrina fuzilava a companheira com os olhos.
Lucye: -Você é a única que não sabe o que está acontecendo aqui, Isadora. –sussurrou ela. –Não foi você que perdeu uma irmã depois de acha-la. Não foi você que procurou por ela por 12 anos e, 5 meses depois de te-la achado, perde-a para o sono infinito da Morte. –virando-se na direção do portão, ela ainda balbuciou. –Você realmente não sabe o que é dor.
Com o fim da cerimônia, Isadora cambaleou até o portão e sentou-se no meio-fio da rua asfaltada. Já não sabia mais o que eram lágrimas ou gotas de chuva. Tudo era uma coisa só. Assim como a dor no seu coração e o dilaceramento na sua alma. Foi quando uma mão macia agarrou a sua, e por um momento, ela sentiu o doce perfume de Milo, e seus olhos brilharam. Ela sentiu o cheiro dele, a pele dele. Era como se ele estivesse ali!! E...
Gabriela: -Cê tá melhor, amiga?
Quando os olhos castanhos de Paixão pairaram sobre o infinito azul do olhar de Gabriela, a amazona não se conteve. Soltou um choro tão contido, mas tão contido, que seu corpo sacudia-se violentamente a cada soluço. Os braços quentes da amiga foram como uma libertação de toda a dor que guardava em seu peito há 6 meses.
Felicidade tirava as mechas loiras que grudavam em suas bochechas molhadas a todo instante. Ela sentia o desespero da amiga na própria pele. Já não agüentava mais tudo aquilo. Fosse ou não fosse magia, ela ainda o amava como no primeiro dia em que se tocaram. E a sensação única do primeiro beijo de Shura foi ficando cada vez mais forte. E a chuva também.
Mesmo embaixo do velho carvalho, as gotas ainda insistiam em molhar as páginas brancas de um pequeno caderno que jazia no colo de Kurayko. A cada página, seu coração enchia-se de saudade. Nelas, Amor escrevia todos os pensamentos que tinha por Camus. Todo e qualquer sentimento que envolvia o cavaleiro de Aquário.
Sophie: -O que é isso, amiga? Um diário? Que foi, ta com síndrome dos 12 anos?
Kuray disfarçou um sorriso amarelo e entregou o caderno à amiga, sem dizer uma palavra. Tristeza franziu o cenho e abriu o caderno. Logo na primeira página, nada. Ela já estava pensando que era uma piada da amiga, quando, na segunda folha, encontrou as letras suaves da amiga.
"Segunda-feira, 15 de agosto de 2007
14:32. Hoje, eu me lembrei dos olhos dele. Aquele azul tão escuro que arrepiava até os meus instintos adormecidos. E eu fiquei pensando nos olhos dele a tarde toda.
18:40. Desta vez, eu lembrei do sorriso dele. É tão perfeito! Os dentes pequeninos e bem alinhados. Um sorriso tão sincero que me dá até vontade de chorar. E eu pensei no sorriso dele até adormecer."
"Terça-feira, 16 de agosto de 2007
09:02. Logo que eu acordei, eu fiquei pensando na voz dele. Tão grave e sensual, ao mesmo tempo! Sempre combinada com as expressões sérias que ele fazia quando queria me impressionar. E eu escutei a voz dele até o chá da tarde.
17:22. Agora, eu não sei por quê, mas eu me lembrei do beijo dele. Acho que foi aquele doce que a vovó fez pra mim. Seria maravilhoso poder beijá-lo mais uma vez, sentindo o gosto desse doce na boca dele. Foi aí que eu fiquei com vontade de beijá-lo o resto do dia..."
Sophie estava impressionada. Kurayko simplesmente não esquecera Camus durante todo aquele tempo. Sim, porque ela deu uma folheada no caderno e tinha anotação todo o santo dia. Aliás, ela tinha feito uma anotação ali mesmo, naquele instante! "16:54. Agora, eu tava pensando no nosso primeiro encontro de verdade. Quando a gente se beijou no meio daquele sorvete. Foi tão gostoso! Eu sinto tanta falta dele... E é assim que eu vou pensar no nosso primeiro encontro até a noite cair."
Sophie: -Kuray, eu... –a amazona fez um movimento com uma das mãos.
Kurayko: -Relaxa, amiga. Eu não sou a única. Sabia que a Hay Lin fez um fotolog que ela postava uma foto do Shaka por dia? Todo dia?!
Sophie: -Eu não sei o que eu ainda faço no meio de vocês, suas loucas... Mas, escuta. Você ta bem? Apesar de toda essa saudade?
Kurayko: -Vou te contar uma coisa... –disse ela, diminuindo o volume da sua voz e aproximando-se da amiga. –É essa saudade que me dá vontade de viver. Todos os dias. Cada vez mais, com uma esperança mais forte. De que eu vou voltar a vê-lo. –ao terminar a frase, ela deu uma piscadinha e soltou um leve sorriso, que tranqüilizou Tristeza.
E, todo aquele drama fez Sophie pensar na carta que escrevera à Afrodite. Talvez, um dia, ela fosse mandar essa carta pro seu amado. De longos cabelos azul-piscina e lábios brilhantes. A pinta, que sempre a chamava, todas as noites. O cheiro de rosas. E agora, as lágrimas que brotavam quentes de seus olhos. Mas, ela sabia que já era hora de acabar com aquele drama. Bola pra frente, amiga!
Com os olhos fixos no carpete do quarto do hotel, Cilena pensava sobre o passado. O passado que passou ao lado de Máscara da Morte. O seu serial killer predileto, como ela gostava de chamá-lo. Por um momento, ela sorriu. Lembrando-se do dia em que ganhara Ohana, o beagle de estimação. Mas, logo, ela perdeu-se de novo na tristeza eterna que é não estar ao lado de quem ama. Lembrou-se dos cabelos curtos e rebeldes do amado. Do sorriso sacana que ele soltava sempre que Ódio bancava a teimosa com ele. Da voz que ele fazia quando queria chantagea-la. A voz que podia derreter até um iceberg dentro de seu coração...
Quando o clic da porta se abrindo despertou-a, junto com os latidos de Ohana, que pulava na direção da maçaneta. Pela fresta, pôde ver que era Vanessa.
Vanessa: -Apronte-se! Temos visita!
Cilena: -?
Descendo as escadas da hospedaria como um furacão, Hay Lin encontrou todas as amazonas no hall. Franzindo o cenho, ela também constatou a presença de mais 5 pessoas ali: um homem alto e loiro de olhos claros, uma ruiva baixinha de pele morena, uma branquela de cabelo encaracolado, uma peituda de cabelo grande e uma morena de cabelo preso e olhos verdes.
Gabriela: -Eu não esperava que vocês viessem tão rápido! Vem logo, Hay! Só falta você!!
Amizade estranhou quando percebeu que só Gabriela conhecia os visitantes. Olhou para Isadora, que parecia ter os olhos opacos pousados em algum lugar da sala, enquanto as outras amazonas analisavam as garotas com curiosidade.
Camila não estranhou o ambiente e as expressões das amazonas. Ela interessou-se pela fisionomia de todas. Tão lindas! Mas... uma delas parecia a mais perdida de todas. Uma baixinha de cabelos pretos, que estava no canto do último sofá. A mestra das R.S.H. a chamou de Dora. Que nome estranho! Mas, mesmo assim. As mãos pálidas e inertes preocuparam Ciúmes.
Gabriela: -Agora que já estão todas aqui... –a amazona levantou-se. –Garotas, deixe-me apresentar-lhes nossos novos amigos. Este é Tony. E essa são Camila, Jéssica, Nathana e Ângela. Meninas, essas são Hay Lin, Kurayko, Sabrina, Caroline, Vanessa, Sophie, Cilena e Isadora.
Todas sorriram, cumprimentando umas às outras. Menos Isadora, que ainda tinha a expressão apagada. Ângela franziu as sobrancelhas e voltou a prestar atenção ao que Gabriela dizia.
Gabriela: -Amazonas... tenho algo importante pra contar a todas vocês.
Com uma expressão curiosa, Kurayko foi absorvendo tudo que a mestra dizia. Reservas?! Que idéia genial! Mestra Íris era mesmo demais!
Gabriela: -Bem, agora que vocês já sabem da verdade... tem algo a dizer? Querem xingar a mim ou ao mestre Tony?
Kurayko: -Foi uma idéia genial da mestra.
Hay Lin: -Sem dúvida! Ela realmente sabe como nos impressionar! –disse ela, com a voz embargada. Falar da mestra ainda era muito emocionante para todas as amazonas.
Isadora: -Então... o que eles querem?
A voz grave de Isadora ecoou pelo hall. Fazia horas que ela não dizia uma palavra. Seus olhos escuros pairavam sobre Tony, que a fitava com uma expressão preocupada. Pobre Isadora... sofreu tanto...
Gabriela: -Co-como assim, Dora?
Isadora: -Eu perguntei o que eles querem. –repetiu ela, tossindo levemente logo em seguida. –Sim, claro! Porque pra eles aparecerem logo depois da morte da Agatha, algum interesse tem!
Tony: -Eu entendo como se sente, senhorita..
Gabriela: -Ssh!! Nunca diga isso!
Isadora: -Ninguém sabe como eu me sinto, ô loiro! Nós existimos há mais de 10 anos. E vocês nunca deram as caras! Nunca nem quiseram saber de nós!! Aposto que faz somente alguns dias que souberam que a nossa sede foi destruída! Nunca apareceram para nos ajudar. O que querem de nós, afinal?
Camila: -Ajudar!
Tony levantou-se, num espanto. Camila fitava Isadora com faíscas saltando dos olhos. Paixão retribuía o olhar, com um sorriso sarcástico nos lábios.
Tony: -Camila, não...
Camila: -Não seja ingrata, amazona. Nós só viemos ajudar no que vocês quiserem. Afinal, vocês irão morar com a gente dentro de alguns dias.
Isadora: -Ah, mas não vamos mesmo!!
Gabriela: -Do que você ta falando, Dora?!
Paixão sorriu melancolicamente. Essa era a chance que queria.
Isadora: -Nós já temos um lar, Gabi.
Gabriela: -Não temos não... No-nossa sede foi destruída, e... –de repente, um frio na espinha assolou Felicidade.
Ela não poderia estar pensando realmente nisso.
Isadora: -Claro que temos! Ou será que não se lembra de um lindo e aconchegante lar que nós achamos há 6 meses atrás?
Gabriela: -Isadora, não...
Isadora: -O Santuário é o nosso lar, Gabi!
Cilena: -Santo Deus, Dora! Você não pode ta falando sério!! –assustou-se a amazona, levantando-se de supetão.
Isadora: -Qual o problema, Cissa?! Vai me dizer que você não quer realmente voltar pra lá?!
Cilena: -Eu...! –a amazona não conseguiu responder. Estava entre o coração e a razão.
Gabriela: -Dora... –começou ela, respirando fundo. –Você lembra-se do que aconteceu lá, não lembra?
Isadora: -Perfeitamente.
Gabriela: -ENTÃO POR QUE QUER VOLTAR?! –gritou ela, com lágrimas nos olhos.
As quatro amazonas olhavam aquilo tudo, confusas. Já tinham ouvido falar no Santuário, mas não sabiam o que as R.S.H. podiam ter a ver com aquele lugar. Isadora estava boquiaberta com a reação da mestra.
Gabriela: -Quer sofrer mais do que VOCÊ já está sofrendo?! É?! Gosta de viver na mentira, na ilusão?! Pois eu não vou levar a nós todas aonde isso tudo começou! Essas coisas estão acontecendo por causa DELES!! –ela arfava, respirava com dificuldade. –Ok, quem está comigo?!
Kurayko estava tremendo. Ela agarrava o caderno entre os braços, como num abraço desesperado. Não podia deixar aquela chance escapar. Nunca!
Kurayko: -Não, Gabi!
Quando Amor levantou-se, Felicidade arregalou os olhos. Não podia acreditar no que estava vendo.
Kurayko: -O Santuário é o nosso lar!
Gabriela: -Não viaja, Kuray! Se vocês querem sofrer, que sofram longe daquele lugar!!
Hay Lin: -Nãão! Eu também quero ver o Shaka de novo! –disse a chinesinha, balançando os cabelos escuros e as lágrimas pelo aposento.
Gabriela: -Hay Lin...
Sophie: -Você se lembra que nós nem tivemos chance de nos despedir? –grunhiu Tristeza, apertando os punhos.
Cilena: -Ou de pedirmos explicações?!
Caroline: -Vai saber se aquilo que aquele velho japonês falou não era uma mentira deslavada!
Vanessa: -Concordo!! Não agüento mais uma vida sem Kanon!
Sabrina: -E eu prefiro morrer do ficar longe do Aiolia por mais um dia!
Gabriela não acreditava no que ouvia. Todas as suas amazonas, ali, na frente dela, quase de joelhos, implorando para voltarem. Quando ela ouviu um baque no carpete, e avistou o caderno de capa preta da Kurayko.
Kurayko: -Será que você nunca se sentiu assim, Gabi?
Com os dedos tremendo, ela apanhou o caderno, e virou as páginas. Os olhos. O sorriso. A voz. O beijo. O abraço. Sim, como era maravilhoso pensar no seu amado cavaleiro de Capricórnio!
Gabriela: -ISSO É PASSADO, MENINAS!!
Isadora: -NÃO É NÃO!!
Isadora reapareceu na frente de todas, com os olhos vermelhos e inchados. Os lábios roxos e tremendo. Os cabelos desgrenhados, molhados pelas lágrimas. Ela apanhou o caderno e abraçou-o. Fechando os olhos por um segundo, a amazona viu todos os seus últimos meses sem Milo passarem na sua mente. Quando abriu os olhos, Felicidade estava de joelhos.
Isadora: -Eu, mais do que tudo, sei que isso não é passado. No Brasil, eu reencontrei uma antiga paixão do colégio, Matheus. Nós ficamos juntos por todo esse tempo. E, apesar de eu sentir um carinho imenso por ele... –a amazona engoliu em seco, lembrando-se do ex-namorado que abandonou em São Paulo. –Eu sei que eu ainda amo o Milo.
Gabriela: -Eu também amo o meu cavaleiro, Isadora... –balbuciou ela, entre soluços. –Eu o amo mais do que a minha vida. Mas ele não me ama!
Hay Lin: -Como você sabe, amiga?!
Cilena: -Ele, alguma vez, disse isso a você?
Felicidade sabia que não. Mas, não conseguia acreditar em um retorno.
Gabriela: -Eu... acho que não consigo...
Sophie: -Claro que conseguimos, meu anjo! A vida é feita para buscarmos a felicidade nela!
Caroline: -E eu sei que a nossa felicidade ta na Grécia.
Vanessa: -Mais precisamente, na terceira casa do Santuário.
Gabriela levantou os olhos azuis, e deixou-se mergulhar nos olhos castanhos bem claros de Paixão. Não havia outra escolha.
Gabriela: -Bem... –disse ela, levantando-se. –Já que vocês insistem...
Todas se espantaram. Isadora abriu um sorriso como não fazia há dias. Uma lágrima escorreu no rosto de Tony. Ele sabia que Gabi fez a escolha certa.
Sabrina: -Aii! Não acredito que vamos voltar!!
E, alegres, todas abraçaram-se. Uma felicidade infinita percorreu o cômodo, fazendo até com que Camila, Jéssica, Nathana e Ângela sorrissem com naturalidade. Foi quando Gabriela afastou-se delas para dar uma última notícia.
Gabriela: -Bom, tem mais uma coisa... Nós já conversamos sobre isso. Eu, realmente, achei a idéia do mestre Tony ótima, então, resolvi aceitar. –disse ela, com os olhos brilhando. –Quero apresentar a todas vocês... –ao aproximar-se das amazonas, Gabriela não se conteve e soltou um belo sorriso. –Camila! A nova amazona do Ciúmes!!
Parecia que ninguém acreditava! As gêmeas pularam em cima da amazona, enquanto todas as outras comemoravam, soltando gritinhos de alegria. Menos Isadora, que ainda fechou um pouco a expressão, lembrando-se da afronta de Camila.
Mas, Gabriela nem notou isso. Ela notava somente uma coisa: Finalmente, elas iriam voltar! Foi quando ela sentiu uma leve pontada na testa, e olhou instintivamente para um dos cantos do hall. Ao constatar que não havia nada ali, ela voltou para abraçar as amigas. Mal sabiam elas que Mestra Íris também estava ali, orgulhosa de suas filhas, da decisão que elas fizeram. Foi quando um grito de guerra irrompeu do salão.
Todas: -O Santuário é o nosso lar!!
C.O.N.T.I.N.U.A...
N.A.: Depois desta decisão emocionante das amazonas e a morte de Agatha, tudo mudará bruscamente. Como será que as Representantes dos Sentimentos Humanos serão recebidas no Santuário? Aguardemm! Comentem!
P.S.:
Interrompemos a nossa programação para um
boletim especial...
o Perfil das novas amazonas!
.:.. Camila do Ciúmes ..:.
Nome: Camila Fernández
Sentimento: Ciúmes
Classificação: Limbo
Armadura: Roxa, detalhes pretos
Idade: 18 anos
Data de Nascimento: 18 de março de 1987
Signo: Peixes
Cidade Natal: Santiago, Chile
Mestre: Tony do Sol
Arma: Pa-Sin, leque
Golpes:
-Sopro Polar #1ª Fase#: Agitando seu leque, a amazona consegue um efeito impressionante, ao congelar seus inimigos atingidos.
-A Ilusão #2ª Fase#: Cria-se uma cópia ilusória da guerreira, porém tão forte quanto ela e com a capacidade de soltar os mesmos golpes. Dura 6hs.
-Morte Precisa #3ª Fase#: Uma lança de gelo brota da mão da amazona, fazendo com que ela jogue-a contra apenas um oponente, matando-o ao atingir algum ponto vital.
Par: Shiryu de Dragão
História: Odeia seus pais. Sua mãe, porque nunca se importava com ela como deveria, estava sempre fumando por aí. Seu pai, porque batia nela e a humilhava. Fugiu de casa ao quatro anos, quando esbarrou-se com seu atual mestre, Tony do Sol. Desde os seis anos, foi treinada para, quem sabe um dia, abandonar o famigerado banco de reservas e ficar junto das tão famosas R.S.H.'s.
Personalidade: Falante e alegre, parece que nunca se intimida a bela Camila. Adora fazer amigos, fazer 'roda-punk' e escrever algumas cartas. Toca violão e canta muito bem. Também é muito sonhadora e apaixonada. Acredita que um dia será tão importante quanto qualquer um que estiver ao seu lado.
Aparência Física: Morena, cabelos ondulados até os ombros, rubros. Média, de 1.59m, pesa 60kg. Olhos castanhos-mel.
.:.. Nathana da Amizade ..:.
Nome: Nathana Macquarie
Sentimento: Amizade
Classificação: Paraíso
Armadura: Verde, detalhes brancos.
Idade: 18 anos
Data de Nascimento: 01 de Novembro de 1987
Signo: Escorpião
Cidade Natal: Sidney, Austrália
Mestre: Tony do Sol
Arma: Kan Van Tou, facão de nove argolas
Golpes:
-Algemas #1ª fase#: As nove argolas do facão se desprendem, atando o inimigo desejado ao melhor lugar possível. Dura 3hs.
-Deslizamento #2ª fase#: Com um único movimento da arma, a amazona invoca um Golem de 6m de altura para lutar por ela. Dura 6hs.
-A Queda #3ª fase#: Ao golpear seu facão na terra, forma-se uma imensa fenda, que levará os inimigos ao redor da guerreira para os confins do Mundo Subterrâneo.
Par: --
História: Não se lembra de seu passado, posto que teve uma leve fratura craniana aos 8 anos e não lembra-se de nada antes desse período. Mas, de acordo com seu mestre, seus pais estão bem e vivendo felizes em algum lugar da Tailândia.
Personalidade: Teimosa e esquentada, ninguém tira algo da cabeça dessa amazona quando ela realmente quer alguma coisa. Gosta de lutar por quem ama e de provar seu valor. É muito inteligente e adora conversar! Gosta também de assistir TV e ler livros de culinária. Acredita que u dmia irá reecontrar seus pais e talvez um irmão perdido em algum lugar do mundo.
Aparência Física: Branca, cabelos ondulados até a cintura, castanho claro. Média, de 1.64m, pesa 68kg. Olhos castanhos escuros.
.:.. Jéssica do Ódio ..:.
Nome: Jéssica Sallas
Sentimento: Ódio
Classificação: Limbo
Armadura: Laranja, detalhes pretos
Idade: 19 anos
Data de Nascimento: 11 de abril de 1986
Signo: Áries
Cidade Natal: Madri, Espanha
Mestre: Tony do Sol
Arma: Am Rei, arma escondida shuriken
Golpes:
-Faíscas #1ª fase#: Com os olhos faíscando de um vermelho alaranjado, a amazona consegue soltar pequenos, porém mortais, lasers pelas órbitas.
-Drenar! #2ª fase#: Ao ativar este golpe, se alguma das Am Reis da guerreira tocar um inimigo, este terá sua energia sugada, que servirá para recuperar ferimentos da amazona.
-Papoulas #3ª fase#: Se a guerreira lançar 5 Am Reis ao executar este golpe, um intenso aroma de campo de papoulas permanecerá no ambiente, fazendo com que todos os presentes morram intoxicados.
Par: --
História: Seu pai morreu no dia em que Jéssica nasceu, vítima de um atropelamento. Sua mãe criou-a até os 7, quando foi enviada para a proteção e os cuidados de seu tio Tony do Sol. Tem um sotaque forte de sua terra.
Personalidade: Fanática por futebol e karatê, Jéssica adora uma briga e sempre quer defender todo mundo! Adora álbuns de figurinhas e jogos de computador. Tem uma leve afeição por bruxas e todas essas coisas 'das trevas'!
Aparência Física: Branca, cabelos longos e bem encaracolados, castanho escuro. Alta, de 1.75m, pesa 69kg. Olhos azuis cintilantes.
.:.. Ângela da Felicidade ..:.
Nome: Ângela Brunswick
Sentimento: Felicidade
Classificação: Paraíso
Armadura: Azul, detalhes brancos
Idade: 18 anos
Data de Nascimento: 18 de setembro de 1987
Signo: Virgem
Cidade Natal: Toronto, Canadá
Mestre: Tony do Sol
Arma: Fu Tao Ngau, gancho cabeça-de-tigre
Golpes:
-A Ordem! #1ª fase#: Movimentando um círculo no ar com seu gancho, a amazona pode fazer o tempo parar por uma breve fração de minutos. Dura 5min.
-Saliva de Tigre #2ª fase#: Ao executar o golpe, a arma da guerreira toma um tom levemente esverdeado, que é um veneno poderoso. Tem probabilidade de matar um inimigo instantâneamente, se pego no lugar certo.
-Rainha #3ª fase#: Combinado com 'A Ordem!', a amazona poderá parar o tempo por mais tempo. Dura 15m.
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História: Sua origem é metade brasileira e metade canadense. Por isso a pele morena e os olhos verdes. Seus pais abandonaram-na em um orfanato, antes de fugirem para o Rio de Janeiro, Brasil. Foi encontrada por Tony quando tinha 6 anos, e assim conheceu as Reservas das R.S.H.'s.
Personalidade: Sorridente e prestativa, Ângela adora cozinhar e contar piadas. Gosta muito de crianças e sempre quis conhecer a tal da Mestra Íris, que seu mestre Tony tanto fala! A única coisa que ela não gosta é quando ninguém está prestando atenção nela.
Aparência Física: Morena, cabelos curtos encrespados, sempre presos num coque. Baixa, 1.58m, pesa 65kg. Olhos verdes bem profundos.
