Depois da Dor II
Disclaimer: Infelizmente Supernatural não me pertence mas eu posso sonhar com o Dean.
Shipper: Logan/Gabe
Avisos: Fic Slash! Sex!+18 Angustia.
Beta: Sem beta
Olá, como vão? Espero que estejam gostando. Temos um pouco de angustia nesse capítulo. Boa Leitura.
Capítulo XI
Quando Gabriel olhou no espelho, viu algo perturbador; a imagem de uma vadia rebolando em cima de um pau grosso e longo. Ah! Tão longo e gostoso como ele nunca tinha pensado em provar. Seus olhos negros estavam dilatados e bem abertos, não querendo perder nenhum segundo; seus lábios escancarados buscavam o ar que parecia nunca chegar e o corpo mole, se deixando ser controlado e levado pelos movimentos de Logan, numa cavalgada atlética, ao se apoiar nos ombros do irmão.
Mordeu os lábios e fechou as pálpebras por um momento, sentindo-se desconcertado pela imagem que fazia de si mesmo, mas não importava; seu corpo cismava em mover-se sem sua permissão. Voltou a observar o irmão orgulhoso e muscular que movimentava os quadris numa cadencia preguiçosa e deslizava as mãos por seu abdômen e costas, apoiando seu peso; ele o olhava com brilho intenso e um sorriso malicioso, quase vulnerável, como se esperasse que, ele, Gabriel mudasse de ideia.
Sentiu vontade de se bater, pois achava que era o único que ainda podia enxergar algum afeto no irmão, especialmente nesse momento. Ele nunca pode ignorar esse lado escuro de Logan, esfregado em seu rosto tão livremente, que todos pareciam não enxergar. O sorriso simpático e atitudes publicamente corretas eram o que as pessoas se focavam, sem mencionar a beleza que escondia cuidadosamente ações calculistas e uma crueldade analítica que ele pouco viu na vida.
Bem, o real Logan se mostrava a ele.
O irmão nunca se escondeu dele, nem mais ou menos do que apresentava agora. Não se lembrava de algum dia Logan ter reservas em relação a ele; Gabriel sabia sobre os remédios que o loiro continuava a tomar e as consultas que desde adolescente, frequentava. Não sabia exatamente o motivo das consultas, mas sabia que tinha a ver com o passado dele, de Jessica, Sam e Dean. Logan se negava a falar sobre o assunto e suspeitava que nem mesmo Sam soubesse da dependência química; há muito que o pai havia perdido a noção de quem Logan realmente era.
Mas, entre ele e Logan, não havia muito a se esconder. Ele entendia o irmão, era ele quem cuidava de Logan. Não sabia quando as coisas haviam se revertido tanto, se antes era Logan quem passava o tempo cuidando dele e certificando que ele não se machucasse, agora era sua vez; era ele quem sabia de tudo, principalmente toda a possessão, desejo e o cuidado, quase maníaco, que Logan tinha sobre ele desde a infância.
Até o momento não tinha se importado com a atenção, até gostava, mas presenciar do ponto de vista de expectador era intimidante; talvez sua mãe estivesse certa sobre Logan, e ainda assim, a vontade de permanecer exatamente onde estava, não mudou e nunca mudaria.
Sentiu nojo de si mesmo.
Tinha esperado tanto tempo pela oportunidade e agora se comportava como uma virgem puritana. Não, por que era errado ou tão bom que o fazia querer fugir e ficar ao mesmo tempo, e sim, porque havia amado cada segundo daquilo sem se importar com as consequências. Havia gostado de seu irmão dominador, dos puxões de cabelo e de sua reação despudorada.
Desviou o olhar para o lado e enfiou o rosto no ombro do irmão. Rebolou junto a Logan e continuou naquele movimento lento que, dentro dele onde estavam conectados, cada toque e gesto feitos disparavam faíscas de dor e prazer, êxtase torturante, paraíso e inferno, e mesmo assim, seus quadris se moviam sozinhos sem que ele pudesse se conter.
"Não seja tímido agora. Não há nada de errado." Logan disse em seu ouvido aumentando ligeiramente seus movimentos. "A não ser que esteja doendo. Você quer que eu pare?" Perguntou, repentinamente preocupado.
Gabriel se negou a responder e quebrar o momento. Se ele dissesse o quanto inchado e dilatado estava, o irmão pararia tudo. Ele não queria isso, queria aproveitar cada segundo, porque, mesmo estando dolorido, seu corpo não parecia querer descanso. Ele precisava de só mais um pouco, por isso se deixou ser manejado, seguiria o ritmo de Logan até não poder mais.
"Me responda, Gabriel. Eu quero ouvir." Logan disse pegando em seus cabelos, o fazendo encara-lo. "Eu não aceito menos do que isso. Quero ouvir cada gemido e sussurro."
Gabriel gemeu. Ele adorava ouvir o irmão o chamando pelo nome inteiro, tinha uma entonação de comando, de autoridade, aquilo o excitava e fazia que ele quisesse acatar tudo o que o irmão mandasse.
"Tinha esse cara... Ele era do tipo vadia, sabe? Fazia qualquer coisa por um pau." disse baixinho tocando nos cabelos de Logan e rebolando. "Ele me fez deitar e rebolou por horas em cima de mim e de um vibrador. Ele gozava e continuava rebolando, gozava e gozava." Falou sem fôlego, se segurando para não acabar com a diversão. "Eu queria saber o que ele sentiu, queria saber como é foder até gozar seco."
"E, o que você sente agora?" Logan perguntou rouco, fincando os dedos em sua cintura.
Gabriel olhou para Logan.
O irmão parecia tenso e contido, poderoso, com seus cabelos desarrumados e olhos azuis tempestuosos. Ele não sabia direito, era como se uma aura negra pairasse sobre o irmão. Não conseguia explicar porque isso apenas o atraia mais ainda.
"Eu me sinto aquecido, desejado. Excitado." Disse sem fôlego ao sentir o impulso forte dos quadris de Logan, escutando o barulho de pele bater em pele. "Sinto seu pau duro pulsando, indo tão fundo. Me faz querer rebolar até não poder mais."
"Desse jeito?" Perguntou segurando na cintura do irmão, marcando sua pele branca. "Você quer gozar? Me diga, você gosta disso?" Perguntou de novo, levantando os quadris. Gabriel concordou avidamente, se moveu no colo do irmão tentando ir o mais fundo possível.
"Sim! P-por favor!" Guinchou sentindo cada movimento acertar sua próstata.
...
Logan fez o que prometeu pela primeira vez na noite. Colocou Gabriel de costa na cama e voltou a penetra-lo, rápido e apressado. Beijou Gabriel e, por uma vez, tomou a iniciativa.
Oh, deus, achava que iria gozar com apenas aquele beijo. Era por isso que tinha evitado tocar nos lábios do irmão, bastou um beijo para que seu controle se destruísse. Precisou se segurar, alcançou a cabeceira da cama e se deixou levar. Grunhiu e beijou Gabriel, gozou e não parou até que gabe gritasse em seus lábios, os mordendo a medida que tremia e se contraria, molhando seus estômagos.
Logan quando enfim pode respirar, se deita em cima de Gabriel e solta o ar, beija os lábios do irmão e o abraça forte enquanto Gabriel fecha os olhos e deita a cabeça no travesseiro com um leve sorriso no rosto.
Logan devia pedir desculpas. Devia se levantar e dizer ser tudo um engano. Não podia ter tratado o irmão dessa forma. Ele ainda era um bebê, tão novo e ingênuo, achando que sabia o que era melhor para si, mas Logan sabia melhor. Quando o irmão acordasse no dia seguinte e não o visse, veria o erro que tinha cometido. Não importava o que o irmão diga e faça, amanha, ao meio dia, ele estará no altar esperando a mãe de seus filhos. Só esperava que Gabriel pudesse o desculpar.
-x-
Você ainda vai se casar?...
Gabriel não disse nada.
Não falou, mas queria.
O medo de falar foi maior, até mesmo o som da respiração deles, o assustava. Tinha medo que uma simples palavra pudesse quebrar o resto do que havia entre eles. Aproveitaria o resto do tempo que tinha com Logan, pois sabia, seriam os primeiros e os últimos momentos. Mas queria confessar, ali, no silencio do quarto; aquela havia sido a melhor noite de sua vida. Seu corpo se aconchegou mais a Logan, tentando gravar a sensação de pele na pele, queria guardar as memórias dos melhores orgasmos de sua vida.
Havia gostado tudo; ser dominado, privado de vontade própria e ser pego firme, sem escolha. Aparentemente, Gabriel gostava quando Logan o controlava. Definitivamente, não era complexo de irmão mais novo. Não havia nada que Logan pedisse que ele não fizesse de olhos fechado. Confiava cem por cento no irmão e até nos dias mais sombrios, sabia que Logan nunca faria nada para magoa-lo, pois apenas o toque sólido e consistente, forte do irmão em sua pele foi o suficiente para deixa-lo sem ar e ereto antes mesmo de tirar a roupa e quando ele o abriu lento e carinhoso, tão devagar, pensou que não fosse aguentar.
O sexo não era novidade para ele, mas experimentar o prazer com o irmão teve um gosto adocicado e intenso. Sexo com Kevin era... normal. Mas com Logan? Deus! Ele se sentiu como uma virgem e uma vadia ao mesmo tempo. Cada segundo era uma nova descoberta para ele.
Por isso, permaneceu quieto, não querendo arruinar o que havia restado entre eles. Não imploraria, e sabia, passaria o resta da vida se arrependendo. Suspirou e passou as mãos pelo abdômen musculoso abaixo de si. Fechou os olhos e os apertou forte, impedindo que lágrimas caíssem, conformado em receber os carinhos de Logan ao se deixar cair no sono à medida que o cansaço o dominasse.
Ele levaria esse momento para o resto de seus dias.
-x-
Gabriel acordou cedo naquela manha de sábado. Abriu os olhos devagar e olhou pela janela; o céu ainda esclarecia com leves tons de azul escuro no horizonte.
Não se moveu ou virou a cabeça para ver o irmão, pois sentia o corpo de Logan entrelaçado ao seu. Mal podia sentir o corpo, dolorido e anestesiado, como se ainda estivesse dormindo. A sensação era de flutuar, tão leve como o vento, mas Logan o segurava forte e possessivo com o rosto enfiado em seu pescoço por trás, pernas e braços enroscados num aperto de ferro. Isso o ajudava a voltar a terra, mas ainda assim, parecia ver o mundo pelos olhos de um observador distante.
Observou o dia vir, respirando com cuidado e quase imóvel, somente voltando a fechar os olhos quando sentiu a respiração do irmão se alterar. Apertando os olhos fortemente e mordendo os lábios para impedir qualquer som, tentou respirar normalmente quando sentiu o exato momento que Logan decidiu de uma vez por todas o futuro deles.
Logan passou as mãos em seu peito e abdômen, numa caricia suave. Beijou seu cabelo e pescoço, apertando levemente o local. Sussurrou "Eu sinto muito. Espero que você entenda" e se levantou da cama, se vestindo rapidamente e saindo do quarto, em seguida.
Gabriel deitou de costas e encarou o teto, franzindo o cenho e sentindo aquele perto no peito. O mundo não parecia certo e ele não sabia o que acontecia exatamente. Sabia que esse momento chegaria.
Ele se virou na cama e viu um bilhete.
"Ainda vai ser meu padrinho?"
Se ele ainda seria o padrinho de Logan? É claro que sim. Afinal, ele era o irmão e deveria apoia-lo, não? Mesmo que a bile quisesse subir por sua garganta e o gosto amargo na boca não o deixasse respirar sem esforço, era a sua obrigação.
Por isso, se levantou ligeiro, passou as mãos pelo rosto e ignorou quando seus dedos voltaram molhados, recuperou a roupa pelo quarto e saiu da suíte já atrasado, ele ainda tinha muito que fazer. Por sorte, havia mandado que entregassem as roupas na igreja e há essa hora a decoração devia estar pronta. Agora só lhe restava os últimos detalhes, o suficiente para ter certeza de que tudo estaria perfeito.
-x-
De barba feita, cabelo alinhado e roupa engomada, Gabriel entrou na igreja ao meio-dia em ponto, sem pestanejar. Pelo caminho viu Jessica que seria a madrinha junto a ele, era ela quem havia cuidado da decoração e bufet, ajudando na maioria dos detalhes. Ela acena de longe e continua a falar com o responsável pela organização. Ele então, se aproxima do altar e sorri ao padre, que oferece a mão, gentilmente, em cumprimento.
"Ficamos felizes que o senhor pode celebrar o casamento do meu irmão."
"É um prazer, meu filho. Ainda posso lembrar-me de Logan quando pequeno. Ele sempre entrava correndo pelas portas, espalhando alegria."
"Claro que sim, senhor."
Gabriel achava difícil essa cena acontecer em qualquer presente, futuro ou passado provável, mas ele gostaria de ver essa pessoa que o Padre descrevia. Podia ser qualquer um, menos o Logan que ele conhecia.
Distraído, trocou mais algumas palavras com o padre. Eles iriam manter os tradicionais votos matrimoniais, repetiriam o padre e jurariam fidelidade até que a morte os separasse.
Pouco provável.
Olhou em volta e percebeu, surpreso, as pessoas chegarem. Havia perdido completamente a noção do tempo, enquanto elas se acomodavam nos lugares indicados, ele se deixava distrair por pensamentos sem importância; Logan já devia ter chegado e ele não estava fazendo seu papel de anfitrião.
Tomou o lugar de Jessica e se desculpou, fingindo vergonha.
"Está tudo bem, querido. Eu sei que está sendo difícil para você." Ela disse em tom baixo.
"Eu não sei do que você está falando." Desviou o olhar e sorriu simpático para as pessoas que entravam.
"Você não precisa fingir comigo."
"Eu não acredito no que falam sobre você." Voltou a encara-la, desafiador.
"O que? Que eu sou uma vadia sem coração?" Jessica deu de ombros. "Isso ficou no passado, mas boa forma de mudar de assunto. Ah, a propósito... vocês dois se merecem." Revirou os olhos, lhe dando um beijo no rosto e se afastou.
Gabriel a seguiu com os olhos, contrariado, mas sorriu entretido. Jessica se sentou na primeira fileira, destinada a família dos noivos e viu Logan. Ele estava parado, sozinho, o observando. Usava um terno preto de corte sob-medida, cabelos loiros longos jogados para trás num penteado perfeito e uma rosa vermelha no paletó engomado. Ele parecia perfeito e intocável, poderoso e dominante como sempre. E ele, o irmão do noivo, ainda dolorido e resentido? Restava a ele o sabor amargo da inveja.
Se Gabriel pudesse se definir em uma palavra, seria idiota. Pensava que nunca teria que se rebaixar dessa forma, se sentiu um inútil, completamente derrotado, e ver Logan andando em sua direção, o fazia querer chorar feito um bebê.
Virou-se para os convidados que chegavam e ignorou o irmão, ele não se humilharia ainda mais. Não que isso fosse impedir que Logan viesse atrás dele. Não impediu, nada nunca impediu e se ele sentisse o corpo do irmão atrás dele, tão perto, tão pouco parecia divertido. De fato, ele gostaria de poder ignorar isso também, mas a respiração suave em seu pescoço e dedos leves tocando em sua nuca tornava a ação impossível.
"Você pode parar e voltar para o seu lugar?" Gabriel disse, ainda cumprimentando os convidados que olhavam para eles com uma expressão engraçada, mas que seguiam as indicações para se sentarem.
"E qual seria a graça disso?" Logan deslizou os dedos para seus ombros e apertou na junção do pescoço e ombro, massageando sua clavícula.
Respirou fundo e prendeu o suspiro, ele não deixaria que Logan continuasse fazendo isso com ele.
"Você já escolheu, Logan." Disse tirando as mãos do irmão sobre ele. "Agora você tem que aguentar as consequências."
Logan apertou a boca fechada e trincou os dentes, contrariado. Mas pela primeira vez na vida ele podia dizer, Gabriel não se importava. Esse tempo havia passado e agora ele faria o seu máximo para seguir em frente.
Não percebeu o momento que Logan desapareceu e tão pouco se aborreceu. Ele queria que aquele dia passasse logo e ele então pudesse dar um rumo definitivo a sua vida.
-x-
Estava na hora.
Assim que todos os convidados chegaram, Gabriel se dirigiu ao altar e se colocou em seu lugar onde Jessica já esperava com o outro par de padrinhos. Manteve-se quieto e observou a multidão, todos conversavam baixo, mas assim que Logan entrou pela porta fizeram silencio, esperando o espetáculo começar.
Observou o irmão andar devagar até o altar e parar a seu lado, na marcação certa. Continuou olhando para frente, com um nó na garganta.
"Gabriel, eu preciso te dizer uma coisa."
Ignorou qualquer tentativa de conversa do irmão e puxou assunto com o casal a seu lado.
"Gabriel, por favor..." Logan pegava em seu pescoço e tentava virar seu rosto na direção dele.
O irmão parecia desesperado, mas felizmente, ele não teve que responder. Com a marcha nupcial tradicional, Grace entrou arrastando a longa calda do vestido a pequenos passos. Ele nunca viu uma noiva tão bonita e tão fúnebre ao mesmo tempo; parecia seria, uma beleza estéril, como se fosse mais um ato social, mas sorria simpática para as câmeras e flashes.
Em seguida, não mais Logan estava ao seu lado. Viu o irmão se mover em direção a noiva com a mascara de seriedade conhecida e tocar no braço dela, delicadamente, pedindo permissão. Logo eles estavam em frente ao padre, escutando o discurso sagrado do matrimonio.
Enfim, era isso. Finalmente podia olhar para Logan sem culpa, em sua despedida. Sua mão tremeu e seus olhos, agora, verdadeiramente se molharam, inchados; lhe era permitido chorar nessa situação. A razão era distorcida, mas nem por isso menos real.
Doía ver tudo o que podiam ter tido, ir pelo ralo.
Parou de respirar ao olhar para as mãos deles, uma pálida e outra num tom um pouco mais corado, quando trocaram as alianças. Não fez nenhum barulho ou exclamação, apenas deixou que as lágrimas escorressem. O Adeus final. Esperou que os noivos saíssem para o salão de festas e os seguiu. Parabenizou os noivos rapidamente e tomou uma taça de champagne e se retirou antes que Logan pudesse o alcançar. Ele tomaria alguma coisa e dormiria até que seu corpo não aguentasse mais.
Era o que restava a fazer.
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Obrigada por ler.
