N/A: Este último capítulo foi feito pra vc! É pra vc mesmo. Que deixou review, ou que não deixou mas que sempre lê, que sempre acompanhou e ficava curioso pra saber o que viria pelo próximo capítulo. Ou que simplesmente tá lendo por ler e seja viciado em terminar qualquer coisa que começou, ou porque não tem coisa melhor pra fazer.

Não importa, eu agradeço, agradeço porque se pelo menos consegui fazer com que vc lesse e continuasse a fazê-lo não levando em consideração suas motivações, cumpri o que todo escritor, por mais anônimo que seja, deseja pra si: prender a atenção de v6, leitores.

Tentei corresponder as expectativas de v6 e as minhas. Se puderem e quiserem, me digam se satisfiz a de v6 ok?

Antes de começar, eu fiz um video para a fic, não coloco o link aqui, porque o site não permite, mas o link tá no meu profile, só checarem, garanto que tá legal à la Jaque's production x)

E curtam o último cap de DAD ;)


No capítulo anterior...

Ela não chorava, existia fel em seus olhos da mesma cor que a do filho.

E os dele, eram fielmente o reflexo dos de sua mãe.

O burburinho se alastrou pelos convidados, Bella segurou no braço do marido com a expressão de desdém a dobrar-lhe o rosto, Regulus assistia a tudo estupefato e seu pai se portava friamente altivo o contendo, Narcisa estava chocada e desviou o olhar quando Lucius a censurou silenciosamente para que ela se recompusesse.

A voz de Sirius não assumiu algo mais do que um sussurro, um desabafo, uma confissão.

- Até o momento em que uma simples ida ao médico se transfigurou numa saída permanente de casa – afastou-se, com seus pertences em mãos.

- Agora sei o que sou para ti. E sei além disto, o que és para mim.

A pausa estendeu-se a ponto de engolfar todos os presentes na narrativa de Sirius, fazendo com que eles se calassem para ouvir o que o rapaz tinha a dizer, curiosos, desdenhosos, tocados ou solidários.

- Sou teu maior erro. E tu, meu pior pesadelo.

Dizendo isto, saiu para nunca mais retornar.

Nunca mais, repetia para si como uma oração.


Animal I have become

Muito relutante, Lily começara a arrumar suas malas.

Assim como teve que ver Amos e os outros. Pois no próximo dia já iria embora, o prazo que sua mãe entabulou de cinco dias, se reduzira a três.

Por causa do horário, não pode ficar mais tempo com Sirius, jogando conversa fora, ou perguntando detalhes sobre o passado dele.

Todo relacionamento não é simples e fácil, seres humanos são complicados, seu pai sempre lhe dissera. Mas a família de Sirius era um caso a parte, Lily acreditava que não haviam opções de lidar com Walburga a não ser abandoná-la, ou provavelmente qualquer um enlouqueceria pra valer. Logo, concordava plenamente com a atitude de Sirius.

- Olá gente – cumprimentou não muito alegre e relaxada.

Todos responderam, menos Veronica.

O que era ainda tolerável se comparado com o comportamento de Petúnia. Sabia Deus como sua irmã descobrira que Lily e Amos...

Droga!, não valia nem a pena relembrar.

- Estava pensando em organizar uma festa de despedida – falou empolgadamente Gladys, recebendo um olhar gelado de todos.

Só ela para ter uma idéia dessas.

- Poderíamos... - insistiu e foi cortada abruptamente por Amos.

- Que horas você irá? - ele deixou escapar sutilmente uma inflexão preocupada e para maior tristeza de Lily, certo afeto.

- Amanhã à tarde – disse, se sentindo constrangida.

Era estranho olhar para ele depois de tudo.

Era estranho conversar com ele depois de tudo.

E era estranho estar ali depois de tudo.

Provavelmente ela enlouqueceria... Precisava ir embora o quanto antes.

Esquecer de tudo, de todos. Somente agora se tocava de seu desejo e necessidade, admitiu desconsoladamente.

- Sentiremos a sua falta – Alice a abraçou carinhosamente, passando um sentimento quente e autêntico com o contato promovido, que apaziguou um pouco o coração de Lily – Esqueci completamente que chegaria o dia de sua ida.

- Eu também – suspirou a ruiva.

O clima se amenizou vagarosamente quando Frank trouxe à tona o aniversário de seu filho e de Emelina. Os planos sobre a comemoração, que prometia ser de arrombar e mais do que diversificada para agradar a criançada em tudo, forneceu tempo e certa privacidade à Lily para pensar.

Pensar até perceber que suas reflexões e conclusões, altamente racionais, se moldavam de forma febril e traiçoeira, a transtornando, a deixando afogueada.

O conteúdo delas a atemorizava, consumia suas esperanças até restar o frio e escuro vazio dentro de si, a lhe encarar desdenhoso e tão pavoroso quanto uma assombração.

Em outras palavras, ela estava sozinha.

Assim como quando chegara em Hogsmead.


- Ela irá amanhã – comentou Sirius como se nem ele acreditasse no que lhe saia pela boca.

James permaneceu mudo, observando os contornos das pequenas ondas no lago, produzidas pelas pedrinhas que Pettigrew atirava.

- Não farás nada? - interviu Remus por sua vez, incomodado com a indiferença do amigo.

De novo, o silêncio.

Ou melhor, os "splashes" que Peter provocava com sua brincadeira.

- Nós tivemos que nos expor e tu te acomodas nesta tua neutralidade irritante! - Remus estava zangado, despertando Sirius de sua apatia, que observou o loiro em indagação.

O último "splash" se prolongou mais que os anteriores.

Presenciar Lupin se aborrecendo era o acontecimento do século, literalmente.

Potter comprimiu seus lábios finos e pálidos. Estava sorrindo, um sorriso quase imperceptível, mas um sorriso.

E nenhum dos três viram, interpretando a postura dele com hostilidade.

Sendo o que se mostrava mais inflamado: Remus, avançara possesso e o sorriso nas faces de James se alongou.

- Começo a desconfiar que tens marcação comigo e que isto se deve ao ataque à Lily – sua entonação não dava espaço para a posição sensatamente lógica que ele usualmente possuía, Remus estava realmente enfurecido – Pois resolveremos isto agora!

- Não Moony...! - Peter murmurou em choque, com a voz estrangulada e Sirius estava se erguendo, com a intenção de se interpor entre os dois rapazes.

- Nem tente Sirius – acrescentou Remus não tirando seus olhos das costas de Potter – Tu mais que ninguém sabes o que Lily tem sofrido. E isto não é por mim... - não precisou continuar para se fazer entender.

- Neste caso... - e Black já estava ao lado de Lupin – Aumentarei as nossas chances de dar uma surra em ti Prongs – disse marotamente, como se tivesse acabado de se decidir em qual time entrar num jogo de basebol no quintal da casa do vizinho.

Os dois olharam para Peter questionadoramente.

E este olhava da dupla para Potter e de Potter para a dupla, perdido.

- Aconselharia a te juntares a eles. Probabilidade de sucesso mais vantajosa – comentou James e era impossível estabelecer se estava sendo irônico ou não.

O comentário feito pelo maroto que costumeiramente se mantinha calado, fez todos se entre olharem cautelosos e a discutir quanto a o que fariam por uma língua quase telepática.

- Merda...! - Sirius soltou num sopro (pego pela surpresa) e no segundo seguinte, se ouviu um estrondo ensurdecedor, algo entre um trovão e uma grande explosão.

James rumara, praticamente invisível, com tudo para cima de Black.

A olhos comuns não se via nada, só se ouvia, o que não seria muito confortável ou acolhedor.

Entretanto, os quatro enxergavam os movimentos de outrem nitidamente reais, não tanto quanto os propósitos e fins que instigavam uns ou outros a executarem um golpe.

Sirius conseguiu bloquear a tempo a investida inesperada de James e estava indo bem, sem nenhum arranhão, igual ao seu adversário. Apesar de mais ter que se defender dos ataques do que perpetrá-los.

Para total desespero de Peter que não sabia o que fazer ou onde se enfiar, mais precisamente, Remus, que normalmente os separaria e gritaria para que eles voltassem a si, se impulsionou em direção aos dois.

Agora estava equilibrado.

James rotacionou o corpo cento e oitenta graus a tempo de revidar o golpe, a altura de seu nariz, de Remus e deter o chute que vinha pela esquerda, mais eficiente que uma adaga, de Sirius.

Black mirou Lupin preocupadamente e recebeu um olhar de volta, semelhantemente consternado.

O dia seria longo...


- Filha, você viu o meu equipamento "limpa-tudo-em-dois-tempos" pra piscina? - Allan perguntou para Lily que acabara de entrar na casa.

- Não... - respondeu com um meio sorriso amarelo, devido a pose cômica em que o pai se encontrava para procurar o seu "equipamento".

- Já acabou a reunião com os seus amigos?

- Já.

- Sua irmã então não irá encontrá-los, saiu apressada daqui para vê-los... - comentou aéreo.

- Só falta visitar a senhora Pince... - lembrou, sem relevar o que ele lhe dissera por último.

- Então vá logo, aproveite que o tempo está bom para uma caminhada – sugeriu.

- Caminhada? - absorveu lentamente o que ele lhe aconselhara.

- É Lily. Usar os pés, fazer exercício, deixar de ser sedentária, ... - sua mãe surgiu com uma pilha de roupas lavadas para por na mala e foi enumerando frases explicativas, se esquecendo de continuar a sua trilha para o andar superior da casa.

Essa era a solução!, vibrou a garota.

Enquanto sua mãe continuava a falar, já havia percorrido o caminho de volta.

O caminho de volta para o castelo.


- Ela deve estar confusa, tadinha – Gladys brincava com o cabelo de Mark, enquanto ele tentava se desvencilhar das mãos pegajosas da menina.

- Confusa ou não, algo de muito errado e estranho tá acontecendo – enfatizou Mark desistindo de se manter longe da garota "aderente".

- Sim! Agarrando o Amos como se fosse uma aranha esfomeada e... - Veronica começou muito emburrada e prosseguiu com suas reclamações num volume que tornava as palavras indiscerníveis.

- E ele se deixou ser abusado, mais tadinho ainda – devolveu Alice se mostrando irritada e causando espanto em Gladys e Mark, um sorrisinho satisfeito em Emelina e um divertido em Frank, mais aborrecimento em Veronica e um enrubescer em Amos.

Última reação, a mais cômica.

- Como foi ser violentado Amos? - Frank inquiriu zombando, recebeu um beliscão por debaixo da mesa, às escondidas, de Alice e uma gargalhada cristalina de Vance.

É, hoje ela estava se soltando. Amos era beijado e ela que demonstrava felicidade imensurável. Vai entender esses adolescentes...

- MEU AMMY FOI ESTUPRADO?! - gritou Petúnia, que tinha acabado de chegar ao local e pegou a conversa pela metade.

Agora toda Hogsmead sabia.

Diggory olhou para o outro lado da rua, evitando encarar a todos que lhe dirigiam olhares horrorizados ou de pena, com as maçãs do rosto a queimar de embaraço.

- Papai, olha um estripado! - uma criancinha do outro lado da rua apontou para Amos e foi arrastada para longe, pelo próprio pai.

Ele nem podia mais desviar do olhar indiscreto dos outros, será que teria que se enfiar num buraco ou decorar o formato das nuvens?!

- Amos, precisamos conversar filho – um policial muito alto com feições respeitosas e preocupadas, ouvira tudo pois estava na lanchonete com seu sobrinho, se aproximara do loiro, este estava sentado e acabara de volver sua cabeça para cima afim de escapar de uma vergonha maior.

- Tá tudo bem? - insistiu com zelo como se tivesse lidando com alguém de porcelana.

Amos nunca quis tanto matar alguém...


Evans corria sem medo na estrada aberta, com um mantra fixo na mente: chegar no castelo.

Nunca Hogwarts lhe parecera tão distante, o sentimento de urgência a engolia provocando angústia.

E nunca a vida lhe parecera tão sem sentido, ela abandonara tudo o que acreditava ser correto e o que queria para si. Esquecera a calmaria e o habitual que conhecia para mergulhar de cabeça, e sem volta, em mistérios...

E mais ainda, nunca o tempo lhe parecera tão longo e tão curto, tudo no mesmo segundo, prova de que só poderia estar perdendo a lucidez e capacidade de raciocinar.

Podia sentir a dormência acometer os seus músculos da perna, devido a fadiga e excesso de ácido láctico produzido. Em contrapartida, o formigamento assaltava crescentemente os seus membros superiores.

O suor principiava a escorrer-lhe pela testa, nuca e costas e, o ar passava causando ardência em sua garganta, como se quisesse rasgá-la em duas. Era doloroso respirar, por mais imprescindível que o ato fosse.

Avistou a curva, sinalizadora de que Hogwarts estava pouca coisa adiante, e conseguiu acelerar graças a descarga de adrenalina, que a animação por estar chegando, a imbuiu.

O sol se escondia atrás das pesadas nuvens de inverno, facilitando a corrida de Lily, que abriu os portões aos trancos e barrancos.

- Sirius! - berrou – Remus! - tentou outra vez – Peter!

Cansada, se escorou no imenso portão de madeira afixado no mais interior da construção e fechou os olhos para vencer a exaustão que o exercício lhe causara, quando sentiu a superfície na qual se recostava vibrar firmemente.

Afastou-se trôpega ao perceber pela segunda vez o abalo.

Motivada pela preocupação seguiu as direções em que o estremecimento se tornava mais forte.

Mais forte até se sonorizar num ribombar monstruoso.

Via a paisagem não mais que um borrão e ao se abeirar do lago, o ruído e a vibração estouraram numa detonação estrondosa.

Ela precisou levar as mãos aos ouvidos.

- Contenha-te! - Remus desviou de um soco de James e Sirius aumentou a distância entre eles, denunciando que estava fora da briga.

Era muito ilógico ver que uma simples rixa era a causadora de tudo aquilo e mais ainda que, depois de se envolverem em algo tão violentamente destrutivo, nenhum deles apresentava um hematoma, uma gotícula de sangue a escapar por qualquer lugar que fosse.

O lago refletia as nuvens arredondadas e abundantes que propiciavam uma sombra gigantesca, por encobrirem o astro rei.

Porém, os detalhes passaram despercebidos por Lily, sua atenção rodeava James e ele, alçou os ombros para indicar que o fim da contenda não lhe importava, assim como o início da mesma e a exigência muda de seus amigos.

- Encares o teu real medo e não fiques procurando briga para descontares tuas frustrações! - ralhou Remus e James enrijeceu.

Lily percebeu a temperatura glacial, que emanava dele, lhe atingir em cheio e lhe partir ao meio.

Sem olhar para o amigo, Remus caminhou calma e humanamente na direção de Lily, enquanto Sirius espocou ao seu lado com o mesmo sorrisinho travesso.

- Olá pequena – a abraçou como de costume, espontaneamente.

Nem estava se trucidando como uma fera ainda a pouco com James... Quê isso. Era um joguinho entre amigos. Só. Coisa besta...

- Queres matá-la de hipotermia Pads? - indagou Remus oferecendo um sorriso meigo e tranquilizador para a garota, lhe dando as boas vindas implicitamente.

- Ou enforcá-la – riu baixinho Peter e ao notar que ela o fitava – Olá Lily – cumprimentou.

- Adoraríamos levar-te para passear, almoçar, nadar no lago, explorar a floresta, mas... - Sirius encenava seriedade com pompa nos gestos e no olhar.

- Esqueceste o cortejar – acrescentou Lupin levando a menina a corar.

Era certo que não dava para se acostumar com as besteiras que Sirius cuspia... Mas o REMUS?!

Era o fim dos tempos, pensou Lily com seus botões.

- Mas não podemos – completou Peter entrando na brincadeira.

- Agenda lotada – justificou Black.

- Muitas fãs – Remus fingiu preocupação e tormenta.

É, ele estava revelando o verdadeiro maroto que existia dentro de si.

- Mas a gente se esbarra por aí gata – Black lhe piscou e sumiu.

Esse era o resultado das escapadas de Sirius pelo vilarejo, se atualizar em gírias! Era bem a cara dele mesmo, concluiu Lily.

Remus lhe sorriu não sem antes reprimir Sirius pela falta de respeito com a "donzela alheia", o que provocou uma carreira de vergonha em Lily expressa através do colorir de suas bochechas, e Peter se despediu, seguindo os outros.

E então, ela se deu conta que estava sozinha com James (não que algo do tipo não tivesse ocorrido antes, mas desta vez estava consoante por consoante e vogal por vogal, s-o-z-i-n-h-a com o maroto).

E pior, correra às cegas praticamente se atirando nos braços dele, impondo sua presença a ele sem educação ou tato.

James estava à sua frente e aparentava não ligar para o que bagunçava e revirava confusamente o cérebro de Lily, atrás de si, e ela não lhe podia ver o rosto, o que tornava a situação mais inconveniente para ela.

Talvez devesse pedir desculpas a ele, por mais que não tenha feita o que fizera por mal. Por mais que fizera motivada pelo desespero puro, por mais que o que mais almejasse era ficar aqui, ao lado dele e não ir embora.

- Ponhamos um fim nisto – ele interrompeu-lhe as conjecturas indiferente e no primeiro passo que deu na direção do castelo, as palavras dela o impediram de continuar.

- Lógico, quanto mais cedo melhor! - sua voz saiu histérica e mais aguda do que planejava, mas era melhor do que a mudez que acreditava na qual permaneceria.

Não se calaria para ele, pois se ela errara, ele também não era nenhum príncipe perfeição arrancado dos contos de fadas! Se pisava nela, ela lutaria para sair debaixo e revidaria se possível, admitiu maduramente para si.

E mesmo nervosa e abalada, notou a conturbação que provocou nele.

Apesar de se refazer agilmente.

- Estarás liberta antes que sintas – retornou à indiferença.

Lily não conseguiu assentir ou mexer-se um tantinho se quer, falar ou fazer um ruído qualquer. A ira de Remus era compreensível, por demais compreensível!

James enfim se virou.

E inesperadamente se aproximou.

- A... Ahm? - a interjeição incoerente escapou pelos lábios trêmulos dela e suas feições anteriormente marcadas pela raiva, agora estavam desenhadas pelo lápis da perplexidade.

E lá se ia, escoando mais rápido que um comenta, a determinação de Lily...

Ele lhe sorriu, não o espontâneo de Sirius, ou o bondoso de Remus, ou o engraçado de Peter.

Era diferente. Era único. Era intenso (N/A: by Carol Evans Potter).

Era o sorriso que ele só destinava a ela.

A ela.

Lily não se sentia mais, não se sentia como humana ou pertencente a espécie Homo sapiens. Não era nada, realmente nada.

O olhar dele se intensificou sobre ela, e pode divisar os raios verdes que peraltas entrecortavam e brincavam no dominante marrom de suas íris.

Em seguida, estendeu as mãos e a envolveu num abraço.

Se o sorriso era uma concussão, o abraço foi um trauma cranio encefálico com conseqüências comatosas.

- Perdoe-me... - suavemente suas palavras acariciaram os medos dela, os transformando de tal forma que a fizeram se sentir segura e relaxada nos braços dele, poderia se desfazer e viver para sempre ali.

James era tão vivamente imprevisível.

- James, eu... - a confiança a incentivara a iniciar o seu pedido de desculpas, pois ela também tinha uma grande ofensa desencadeada por si própria a lhe oprimir o peito.

E ele não estava mais com ela.

Confusa e perdida, ela virou velozmente o pescoço para todas as direções, o fazendo estralar com a força que realizara o movimento.

Quando queria se desculpar, quando queria dizer o que sentia, quando queria lhe implorar para deixá-la ficar, não importando o método que utilizaria para conseguir fazê-lo!

Ele ia embora.

Por que sempre agia assim? Por que?! Ela era a única mutilada e perdedora nessa história. Nessa história louca! (N/A: histórinha loka inventada por mim :B N xinga a minha história ruiva ¬¬ Ok, vo me conter u.u I swear u.u/ No more interventions)

Já havia sido engolida pela memória dele. Todavia, nem assimilava do novo ambiente de tão abalada que estava. Sua consciência era de momentos: momentos reconhecia o quão maravilhoso James era e poderia ser com ela, especialmente, e em outros o quão insensível e desumano ele também era e poderia ser.

Limpou o rosto brutalmente das lágrimas que lhe escapavam ousadas e constantes, deixando a região avermelhada devido a intensidade e força empregadas no ato.

- James! James! - começou a chamá-lo pelo nome e seus chamados foram abafados por outros muito mais potentes.

- Potter! Potter! Potter! Potter! Potter! Potter! Potter!

Como um grito de guerra ritmado, o sobrenome era entoado por uma multidão, o que fez Lily esquecer momentaneamente a sua dor.

Aconchegou-se ao som, atravessando a sala enormemente branca e limpa que chegava a lhe ferir os olhos.

A parede se descontinuava para dar existência a uma ampla sacada, bem no centro que parecia ter sido calculado com afinco por um esmerado arquiteto.

O sol resplandecia, aquecendo e dando vida a tudo (o oposto do clima de seu tempo). E lá embaixo, no chão de terra batida, fora erguido um modesto palanque.

As pessoas se amontoavam ao redor, vestidas em trapos ou com roupas humildes. A vista era magnificamente miserável, o número de indivíduos era mais do que significativo. E estes olhavam com admiração e respeito para o único indivíduo do centro.

James Potter.


James se sentia livre e devendo algo àquela gente. Livre porque enfim compreendera o que era ser humano, o que era fazer parte de uma sociedade. A dever porque era meta daqueles que podiam: lutar por igualdade, reconhecer que sem o próximo não se existe, acima de qualquer crença, qualquer religião.

Claro que para a maioria das pessoas, ele era um lunático ou um metidinho a filósofo. A maioria das pessoas que tinham o que comer!, e que não constituíam a grande parte da população britânica, que não constituíam a grande parte dos cidadãos de Hogsmead.

Era chegada a hora das mudanças.

E ele lutaria por elas, nem que isso significasse perder sua vida, perder o que os poderosos taxavam de honra e que para ele possuía outro nome, egoísmo.

If you feel so empty

So used up, so let down

- Moradores de Hogsmead – começou quando Sirius, Remus e Peter conseguiram conter a massa, para que se calassem – Se estamos aqui hoje, não é em nome de uma simples insurreição vândala. Estamos aqui para lutar por nossos direitos, lutar por condições de trabalho dignas e estudo para os nossos filhos!

Urros de concordância ressoaram pelo local causando ondas de arrepio em Lily.

If you feel so angry

So ripped off, so stepped on

- Não importa se há anos estamos sendo tratados desta forma, não importa se nos digam que iremos falhar, não importa se arrancam o pouco que ainda temos – James andava pelo pequeno palco, procurando encarar toda a multidão de frente – Pois estamos lutando por um futuro melhor, estamos lutando por nossos filhos, netos e bisnetos – Lily podia ouvir a respiração carregada de todos, devido ao silêncio inquebrável.

- Fazemos por aquele que não tem coragem de estar aqui, fazemos por nossa nação e fazemos por nós mesmos – ele também respirou fundo e mantinha bizarramente, as mãos longe dos cabelos – Porque eu sei mais do que ninguém. Eu sei o que passa no interior de cada um de vós!

You're not the only one

Refusing to back down

You're not the only one

- Eu sei que não poderia continuar de braços cruzados perante a tudo que nos é imposto. Eu sei que Deus não concorda com nossas condições e sei, que se tiver que estar em Sua sagrada presença e Ele me condenar, poderei dizer que fiz o que acreditava ser o certo e não pensei em mim, não pensei em riquezas e sim!, pensei em dar paz aos meus irmãos, pensei em tornar este país um lugar mais justo, um lugar mais digno, um lugar de Deus.

If you feel so filthy

So dirty, so fucked up

- O que tenho a ganhar estando aqui ao lado de vós? Não sou um deles? - ele voltara a andar, enquanto Remus conversava compenetrado com um senhor de idade, que estava entre a multidão.

If you feel so walked on

So painful, so pissed off

- Sou igual a todos, todos os homens são iguais! Tolo é aquele que se diz superior. E se não nos é dado o que nos pertence por direito, por sermos homens, por sermos cidadãos, pagadores de impostos, trabalhadores e estudantes.

You're not the only one

Refusing to go down

Ele encarou uma jovem tão ruiva quanto Lily, abraçada pelo seu avô, e as pessoas aguardavam ansiosas que ele prosseguisse.

- Nós o tomaremos.

You're not the only one

So get up

A turba brandiu as mãos, chapéis, lenços, panelas, enxadas ou qualquer outra coisa que tivesse segurando.

Ele falava a todos, ele lhes falava ao coração. Inclusive Lily o seguiria cegamente, não importando qual fosse sua causa, não pensando duas vezes.


O local era lúgubre, escuro e parecia funcionar como algum tipo de esconderijo, Lily tentou apanhar mais detalhes do aposento quando enfim percebera onde se encontrava.

Casa dos gritos.

- Marquemos a última reunião, a da concentração para invadirmos o palácio do Lorde, para amanhã. Não podemos delongar isto por mais tempo – James espionava por entre as cortinas manchadas da janela.

Remus escrevia freneticamente algum tipo de carta e franzia o cenho com freqüência, quando pausava para analisar o que escrevera.

Peter não estava muito confortável com a tarefa que lhe fora incumbida e estava prestes a dizer algo, mas foi interrompido por um Sirius alterado.

- Fomos descobertos Prongs!

A voz gravemente preocupada ecoou pelo aposento até todos os rapazes começarem a recolher o máximo de pertences que podiam.

- Quanto tempo temos Pads? - James remexia num baú a procurar armas que guardara ali.

- Não muito, McKinnon foi assassinada no posto em que a colocamos – a culpa aflorava nas feições antes estigmatizadas com beleza e despreocupação de Black.

- Não temos tempo para remorsos – James segurou fortemente o ombro do outro – Vamos embora marotos! - anunciou não dando escolhas aos três a não ser: segui-lo.


- Onde Lily está senhora Potter? - Amos indagou a Rose, enquanto os outros adolescentes aguardavam a sua volta na frente da imensa casa de tijolos vermelhos.

- Pensei que estivesse com você Amos, ela nem veio almoçar – respondeu e em menos de cinco segundos a aflição de mãe lhe acometeu as faces, Diggory além de apreensivo, se sentiu mal pelo que causara.

- Ela deve estar com Madame Pince – tranquilizou, por mais que já tivesse checado com a vendedora e Lily nem passara lá com a mulher.

Despediu-se e correu para o carro.

Só havia um lugar onde a ruiva poderia estar.

- Vamos para o castelo – deliberou para os amigos.


Arbitrariamente ao que Lily imaginava, os marotos organizaram a empreitada de forma que ocorresse discreta e secretamente.

Colocados em postos estratégicos e estudados por grande tempo, os revolucionários batiam a guarda de uma mansão que mais se assemelhava a um castelo.

Comunicavam-se por sinais ou barulhos que copiavam os sons emitidos por animais. E naquele breu total, Lily se perguntava como os seguranças dos castelos não se amedrontavam ou molhavam as calças ao ouvirem um uivar tão assustador quanto ao de um lobo verdadeiro.

Os adversários eram abatidos e seus trajes eram vestidos pelos homens.

Diante do imenso portão, tão característico daquela época, dois rapazes já haviam se disfarçado e cochichavam entre si, Lily pareou com eles e respirou aliviada ao reconhecê-los.

- Eu te disse para esperar! - James estava irreconhecível, deixara a barba por fazer e surtira efeito, parecia mais velho e desleixado.

- Certo chefe – Black retrucou irônico.

- Briguem depois – um terceiro se juntou a eles, Remus – Nos descobriram na ala oeste – informou estressado e também com a aparência mudada.

- Onde está Wormtail? - indagou James espreitando sobre seu ombro esquerdo.

- Não sei... - disse Remus, acompanhando o movimento do amigo – O perdi de vista desde a largada – arrematou e encarou Sirius contrariado.

- Que foi? - o maroto devolveu em defesa e pendendo os braços molemente ao lado do corpo.

- É, ele disse que cabelos curtos e barba por fazer não lhe cairiam bem – respondeu James diante da cobrança muda de Remus e Sirius levantou as mãos como se dissesse que era verdade mesmo.

- Vamos logo! - ordenou James num sussurro e calando uma provável discussão que ocorreria ali, entre os dois amigos.

Avançando com o coração como se estivesse numa montanha russa ou praticando bungee jumping, Lily os acompanhou até eles se separarem diante de um muro de guardas que corriam na direção deles.

Eles haviam sido descobertos e as pernas de Lily ameaçaram se desmontar ali mesmo. Entretanto, as cenas do passado mudaram novamente...

Potter corria a sua frente, corria (o que concluíra Evans) durante longos minutos numa velocidade estupenda para um simples mortal (talvez ele fosse maratonista para se divertir) e a sua respiração já defluía ruidosamente, apesar de sustentar sua arma a postos para um ataque ou defesa.

Ele estava sozinho e Lily se esforçando o que não aguentava, tentou lhe ladear. Pelo menos se sentia útil, dando apoio ao garoto, a lhe proteger a reta guarda.

Já não vestia a roupa usada como disfarce, o rosto continha uma mancha de sangue coagulado do tamanho da metade de um palmo, a blusa estava enegrecida em muitos pontos (tornando coisa de um passado muito longínquo a real cor que tinha) e avermelhada a nível de antebraços e cotovelos, a calça estava num estado lastimável e o cabelo parecia ter sido cortado às pressas como se fosse caso de vida ou morte.

Ele estancou e se fosse de carne e osso, Lily teria chocado contra sua costa. A parede adiante findava num beco escuro e apossado por limo em todos os cantos, bloqueando a fuga de qualquer um que não tivesse uma britadeira ou trator.

Antes que Lily pudesse gritar, James foi preso.


- Me recuso a ir lá! - Veronica berrou do banco de trás da pick up de Diggory, todos a ignoraram, menos o motorista que freou bruscamente.

- Pode sair – destrancou as portas e obteve o silêncio perplexo e ofendido dela como resposta.

- Tem mais alguém que não queira ir? Quero deixar claro que não tô obrigando ninguém a isso! - ele não estava paciente como costumeiramente era.

– Ótimo! - e pisou fundo no acelerador.


- Quem temos aqui... - encostando o cano frio de sua arma no queixo de James, um rapaz magrelo de nariz curvo e cabelos muito lisos, tinha seus olhos brilhando de satisfação a encarar o prisioneiro.

Severus Snape ansiava por esse momento, na escola seu relacionamento com Potter não era nada cordial ou amigável.

Eram inimigos.

Lily observou a cena mal respirando direito. Esquecera de almoçar e não tinha noção de que lá fora o céu começara a escurecer, o tempo correra enquanto estivera no castelo e ela não ligava.

- Sempre suspeitei que tu me amasses doentemente snivellus – James caçoou e recebeu um soco bem no centro das costelas, se enrolando de dor, não pode nem rir de sua própria piada.

- Isto faz bem o tipo de um perdedor como tu – disse Severus nem se abalando, pois o golpe fora desferido por um dos vários guardas que continham Potter.

- É, mas não esperava que fosses me sequestrar somente para ganhares um beijinho – James não perdera o espírito brincalhão e ganhou um brinde pela chacota.

Seu rosto e estômago não foram poupados dessa vez, Lily se encolheu a um canto.

- Repita Potter... - a pressão era maciça contra o pescoço de James, tornando-lhe difícil inclusive a deglutição, era isso ou era a integridade física saudável de sua garganta.

- Pare Severus – uma voz que parecia sibilar congelou Snape e provocou a formação de um sorrisinho vitorioso nos lábios sangrantes de James.

- Tragam nosso ilustre convidado para a sala de recepção – Voldemort exigiu e assim o fizeram.


- Mark! O que você tá fazendo?! Endoidou de vez é?! - Gladys não acreditava nos que seus olhos viam.

O rapaz se limitou a continuar a carregar a arma que seu pai mantinha em casa.

- Não enche Gudgeons – entrou no carro e rumou veloz na mesma rota que Diggory lhe informara, deixando a menina para trás.

Não a levaria em hipótese alguma consigo.

- Meu Deus... - ela conseguiu balbuciar – Ele pretende incendiar o castelo também?! - mencionou ainda atordoada quanto a imagem do garoto a preencher galões com litros de álcool e guardá-los na parte traseira do automóvel.


- O tesouro dos Potter... – começou o homem viperino, admirando a visão que tinha do exterior a partir de uma imensa janela do aposento sombrio, por mais que o alvo de sua frase fosse Prongs – O que acha que teus pais diriam da conduta de seu único filhinho amado?

James não levantou a cabeça, apanhara o suficiente para não ter mais forças em sustentar qualquer parte do seu corpo, se largara completamente nas mãos dos guardas que o continham.

Lily prensou as pálpebras para não se jogar em cima de Voldemort, seria inútil, ela se lembrava constantemente. Por mais que seus olhos lhe dissessem o contrário... Tudo era real demais para não passar de uma memória!, era isso que sua visão lhe dizia, enquanto a lógica lhe afirmava o oposto.

- A princípio esperava que te tocasses que uma reles organização não iria deter meus planos, os planos do ministro – arrematou com um fulgor maldoso nas fendas onde deveriam ser os olhos.

Aquele homem era abjeto e provocava ganas de avançar-lhe sobre o pescoço, Lily torceu a boca não controlando seus pensamentos insultantes.

- Ministro...? - James levantou, confuso e espantado, os olhos para o Lorde.

Claro, somente o parlamento poderia estar por trás de tudo isso!, o rei não governava na Inglaterra, anuiu Lily sentindo mais ódio do homem que mantinha James cativo.

- Não pode ser! - Potter berrou e foi chutado brutalmente.

- Peço-te um insignificante favor – Voldemort se aproximou, como se tivesse o intento de torturar James com suas próprias mãos.

James não se mexeu, sua respiração não era mais que um leve arfar, quase imperceptível.

- Se adivinhares quem te traiu, pouparei a vida dos inocentes. Caso contrário... - sua voz morreu para dar vazão a uma gargalhada nefasta.

Em seguida Remus, Peter e Sirius entraram ladeados por guardas, em estado igual ou menos pior que James.

Voldemort tinha preferências.

- Então Potter? O que me dizes? - ele sorria abertamente.

E James apanhou mais uma vez por ter se mantido calado.

- Do que ele está a falar Prongs? - inquiriu Sirius, não deixando transparecer em seu rosto nada além do mais violento e cru ódio.

- Quem sabe Black? Ele sempre teve o sangue daqueles que são teus adversários... – o homem argumentou, diminuindo um pouco o sorriso ao ver que não surtira a influência desejada sobre seu prisioneiro.

- Ou o que me diz de Lupin? Ele nunca te perdoou por teres deixado sua amada noivinha falecer... - fez uma careta desdenhosa e debochada para Remus.

- Meus amigos nunca me trairiam! - vociferou James, descerrando os dentes e todos os seguidores de Voldemort riram em resposta.

- Esquecemos de um... - cantarolou Voldemort, por mais que tivesse usado um som melodioso, sua voz soou pior que uma mortalha sendo rasgada como agouro.

- Wormtail nunca faria isto! - cortou James enraivecido pelo joquinho que lhe era imposto participar e sua cabeça deu voltas, fora acertado novamente na nuca.

- Nunca? - o fulgor voltara às fendas (orbitárias) do Lorde e seu sorriso se escancarara muito mais do que satisfeito, era triunfante, maleficamente triunfante.

Pettigrew foi liberto e encarou espantado e covardemente os "amigos".

- Eu te mato seu traidor de merda! - esbravejou Sirius, o primeiro a esboçar uma reação dentre os três, sendo dificilmente contido pelos guardas que o rodeavam.

Remus encarava com nojo e cuspiu aos pés do outro.

James estava em choque, acompanhou o menor atravessar-lhe a frente e se juntar a Voldemort como um rato procurando um buraco para se infiltrar.

- Eis o traidor... - Voldemort bateu palmas e sua boca se esticou, rasgando-lhe a pele anormalmente esverdeada – E agora Potter? Pronto para a punição?

- NÃO!!

O clamor não adivira de nenhum dos presentes.

Lily estava tremendo e sem esforço, lágrimas lhe desciam pela face rosada.

- Tens que ir, estás confundindo as coisas – o James de agora, perfeitamente ileso e saudável (tirando a frieza e palidez de sua epiderme) acariciou-lhe o ombro.

Era um trauma se deparar com ele sem aviso prévio, ela o fitou confusa e momentaneamente perdida.

– Vamos Lily.

- Não James! Você não entendeu – ela empurrou-lhe a mão sem paciência, um pouco recomposta e alerta para ações mais urgentes que deveria tomar, sua situação era desesperadora e não dava para se permitir ser levada por ele ou pelo que ele lhe fazia sentir – Eu quero ver isso! Eu quero compreender... - engoliu em seco e a custo.

- Amanhã terminaremos isto e então... - ele a guiou para longe e ela se afastou, o empurrando.

- Não! Quantas vezes vou ter que repetir?! - ela cruzou as mãos a frente do ventre, que oscilavam indicando seu nervosismo e reunindo concentração para pensar, reunindo concentração e determinação para tomar uma decisão, uma atitude.

Cuidando para se manter longe dele, precisava articular palavras importantes, muito importantes.

- James... - o encarou com o peito a subir e descer sofregamente – Eu te amo.

Silêncio.

Ai merda, eu sabia...! Ele não me ama, droga de idiota que eu sou!, gritou consigo e se manteve estática diante dele, mas não mais o encarando.

- Só me deixe terminar de ver okay? Então eu prometo que irei embora... - disse num fiozinho de voz, agora com a vergonha a lhe estorvar.

James recapitulava impetuosamente as palavras dela, que eram poucas, mas significavam muito, além dos gestos e atitudes dela, o olhar, a voz, as feições. Tudo!

- Cla... Cl... - limpou a garganta e não gaguejou mais – Claro.

Quando ela rumou para onde deveria estar desde o começo, passando tão perto que poderia tocar-lhe os fios perfumadamente ruivos, um sorriso tímido que não sintetizava um nanômetro da felicidade de seu dono, gracejou-lhe nos lábios.

Ela o amava.


- Que porra é essa?! - Frank não refreou suas palavras quando chegaram no castelo e uma aura perolada envolvia a construção, e mais concentrada ainda na torre mais alta.

- Não sei... - murmurou estupefata Alice.

- Frank, fique aqui com as garotas, eu vou checar isso – Amos determinou e correu em direção a entrada principal de Hogwarts.


- Greyback – Voldemort sinalizou para que um de seus subordinados se destacasse dos outros – Sabes o que fazer – e gelidamente se sentou na única poltrona do ambiente.

O homem era grande, moreno e parecia ter terra nas unhas extremamente compridas e se dirigiu, expondo os dentes irregulares e estranhamente negros, para Remus.

- Prazer em conhecê-lo, Remus Lupin – não abrandou a careta um centímetro sequer.

- Divirta-se Potter – a sentença do Lorde foi a largada para o ataque de Greyback sobre Remus.

I can't escape this hell

So many times I've tried

E para assombro e desespero de James e logicamente, Sirius, o homem se transformou numa besta enorme e peluda.

Era um lobisomem.


But I'm still caged inside

Remus jazia desfigurado no piso e foi arrastado para uma outra câmara sem o minimo de cuidado ou consideração pelos comensais.

- Bella... - chamou Voldemort depois de apreciar alegremente as lágrimas silenciosas de James e os movimentos bruscos e inúteis de Sirius para se ver livre.

Black estancou e arregalou as orbes.

- Sim mestre – ela despontou da multidão e Rodolphus, seu esposo, também pode ser visto logo a sua direita, em seguida Narcisa e Lucius também foram visualizados por Sirius.

- Fique a vontade – ele virou de costas não sem antes sorrir para James – Acredito que precisarei dar um toque meu ao final – acrescentou sombriamente e tocou em um de seus subordinados, o transformando num réptil em tamanho humano.

Somebody get me through this nightmare

I can't control myself

- NÃÃO!! - mas James foi poupado desta vez, ele deveria estar acordado para ver com seus próprios olhos o que acontecia com seus amigos, o que fora causado por ele.

O que era inteira e completamente sua culpa.

Somente sua culpa.

So what if you can see the dark inside of me?

No one would ever change this animal I have become


- Não consegui entrar – Amos socou o capô do carro, assustando Alice e recebendo um olhar de censura de Longbottom.

Mark acabara de chegar desembestado e freando sem rodeios o carro.

- Vamos arrombar – determinou jogando um machado para Amos e outro para Frank.

Decididos, os dois primeiros correram para o castelo enquanto o último encarava em dúvida a ferramente que segurava.

- Vá Frank! Lily pode estar em perigo! - Alice o incentivou e Emelina acenou em positivo, concordando, enquanto Veronica observava a tudo com medo, muito medo.


Help me believe it's not the real me

Somebody help me tame this animal

- E por fim... - Voldemort se levantou, esquecendo o tédio e desinteresse que esboçara diante da tortura que Sirius sofrera e o que era uma vez o corpo do rapaz, aproximando-se de James.

- O que aqueles pobres cegos e inúteis dirão quando verem seus líderes derrotados? O que dirão quando verem o seu líder desumano? - concluiu sua frase final num sussurro, num sussurro amaldiçoado.

- Pois terão toda a eternidade para pensarem sobre isso, para viverem sobre meu julgamento eterno e divino – falou em voz alta para que todos escutassem, inclusive os que estavam além daquelas paredes inertes.

- Aqueles que te seguiram como cães fiéis, serão ainda fiéis a uma besta? A um monstro domesticado pelo inimigo? A serviço do inimigo? - ele se deliciava com o horror e baque que causava em um James delirante, este beirava a inconsciência.

- Não James Potter! Manter-te-ei acordado, de olhos e consciência alarmados – lhe apontou um pedaço de madeira que assemelhava-se a uma varinha bruxa – É chegada a tua hora – narrou.

I can't escape myself

James não tinha mais voz para usar, não tinha mais energia para se mover.

Estava derrotado.

Estava sozinho.

E era o culpado.

O único.

Era amaldiçoado.


- Puta que pariu...! - exclamou Mark – Isso é muito grande...

- Como vamos achar a Lily? - indagou Frank encarando estupefato os dois amigos.

- A gente se divide. Qualquer coisa, usem o celular ou berrem – instruiu Amos não muito prudentemente e escolheu uma escada qualquer.

- Por que não tenho um bom pressentimento sobre isso? - comentou Longbottom para Topsham e este o ignorou, escolhendo seu caminho com urgência.

- Vai Frank! - se auto incentivou o rapaz a escolher o seu também, tentando conter o medo que lhe fazia fraquejar o aperto em volta de seu machado.


- Onde você vai? - ela segurou-lhe o braço ao notar que ele se afastava sutilmente, a mesma insegurança, a açoitar-lhe os olhos, do dia em que James aparecera naquela fatídica noite, na boate para adolescentes.

- Preciso falar com os marotos, mas eu volto Lily – respondeu docemente, contrastando com a dureza e frieza de sua cútis que mais parecia mármore.

Evans afrouxou a pressão em volta do braço dele, percebendo que agia como se ele lhe tivesse feito uma promessa, ou dependesse emocionalmente dele. Desviou o olhar, encarando um ponto iluminado pela lua que se infiltrara por um fresta qualquer, não poderia passar a idéia de imatura ou sentimental, se censurou.

- Eu volto – assegurou paradoxalmente quente, assim como o sorriso que dirigiu a ela.

- Aham – ela se recompôs, não o encarando por mais que sete segundos.

Aquele sorriso poderia fazer estragos, ela não queria isso.

E notou vozes urrarem na memória.

Um senhor liderava uma grande quantidade de soldados, que invadiram o aposento em que os marotos, comensais e o Lorde estavam.

- Está tudo acabado Tom – era o mesmo homem com quem Lupin conversara durante o pronunciamento de James para a população de Hogsmead, sobre um palanque.

Num amplo movimento ele ordenou para que todos ali fossem amarrados, sua barba longa e prateada impunha deferência e o óculo em meia lua sobre o nariz comprido, lhe proporcionava um ar professoral.

- Dumbledore! - um dos soldados estava aturdido – Encontramos os garotos, pelo menos o que achamos serem os garotos... - e Lily entendia a razão da perturbação que dominava o rapaz.

O velhinho correu, comprovando estar mais em boa forma do que muitos garotões e atravessou a mesma passagem pela qual Remus e Sirius foram levados.

- Que o rei nos guarde... - murmurou diante do horror que afligia os soldados e a qualquer ser humano que visse o que viam.


- Lily! Lily! - Mark chamava pela ruiva, assim como os outros dois garotos.

E por coincidência, os três se reencontraram. A um olhar compreenderam que ninguém obtivera resultado.

- Só existe uma solução... Mark o que você trouxe? - Amos se virou para o moreno.

- Tudo o que você precisa – respondeu de semblante sério.

- Vamos queimar este castelo - decretou Diggory.

- Tá louco?! Queimar com a Lily aqui dentro? Nós viemos resgatá-la, não incinerá-la! - redarguiu Frank em pânico.

- A gente ameaça e os fantasmas aparecem – explicou e correu para fora da construção.

Lily não ficaria na mão daqueles demônios, não ficaria mesmo!, convenceu-se Amos.


Potter alcançara o cume do telhado, ainda encoberto por algum tipo de puxada, se protegendo do luar.

Era lua cheia.

- Eles estão ameaçando por fogo no castelo Prongs – disse Peter esperando a reação do amigo.

- A Lily está aqui, eles não se dizem amigos? - retrucou James descrente.

- Eu não arriscaria, isto pode se tornar uma grande confusão e chamar a atenção de todos em Hogsmead – opinou Remus.

- É aquele loiro pegajoso... É só darmos um susto nesse maricas que tudo se resolve – Sirius estava com um perigoso lampejo nos olhos azuis.

E a voz de Amos soou bem clara e límpida para os quatro, por mais distante que o garoto estivesse, era muito aguçada a percepção dos marotos:

- Ou vocês nos devolvem a Lily, ou pomos fogo nesta habitação amaldiçoada de vocês!

- Ele me parece bem determinado Prongs – concluiu Lupin.

- A mim parece uma bich... - disse por sua vez Sirius e foi calado.

James pediu silêncio.

- Eles são muito apressados não? - Peter rompeu o mutismo.

- Não façam nada, eu cuido da Lily – falou James e sumiu.

Sim, eles eram muito apressados e o incêndio fora iniciado.


- Lily, precisas ir – Potter a fizera pular de susto e simplesmente processando o retorno dele, ela sorriu.

- Ahm? - pensara não ter ouvido direito.

- Teus amigos, estão pondo fogo no castelo – ele se justificou, não querendo em hipótese alguma provocar um desentendimento entre eles.

- A gente foge – respondeu ingenuamente.

- Lily, precisas voltar para a tua família – James insistiu, quase engasgando com a resposta dela.

- Você não pode criar uma cópia minha para dar a eles?

- Lily – ele a encarou sério – Eu não sou um super herói.

- Mas...! - ela pausou e pensou – E se... - estancou de novo, James não desgrudava sua atenção dela, o que dificultava e muito o processo – Então a gente...!

- Lily, nos veremos de novo. É uma promessa – tocou-lhe amenamente a bochecha, assim como sua voz repercutira entre aquelas paredes como a mais bela e harmoniosa canção, seus olhos flamejavam como nunca!, e poderiam queimar devido o calor tão intenso que emanavam.

- E por favor... - se afastou – Vá.


- Tô aqui Amos – a ruiva havia contornado a lateral, xingando das piores coisas Diggory.

Como ele achava que podia estragar sua vida assim? Quanto tempo levaria para ouvir e apreciar uma segunda confissão romântica de James? Mais um século?! Arght!!

Todos suspiraram aliviados e correram para abraçar a garota.

Amos a encarou entre aliviado e prestes a dar-lhe a bronca do ano. Todavia, se manteve calado.

- Frank, vá logo para a casa dos Evans, encontro com você lá – Diggory entregou a chave de seu carro para o rapaz.

- O que cê vai fazer? - inquiriu desconfiado e prestes a ter um ataque de nervos.

- Okay, okay, okay, já entendi e indo! - retrucou em resposta ao olhar do loiro.

- Vamos meninas, Amos vai com Mark – anunciou para as garotas que enchiam Lily de perguntas, até Veronica se deixara dominar pela curiosidade.

Lily estreitou os olhos e não gostou da informação, mas ainda tinha mais um dia para ver James e convencê-lo a deixá-la ficar, pensamento que lhe ocupou instantaneamente a cabeça e empurrou a suspeita que o anúncio de Frank causou nela.


Os minutos transcorriam e verificando seu relógio a todo segundo, já em casa, Evans impacientou-se.

- O que está acontecendo Frank? - Lily encurralou o rapaz diante da ausência longa de Mark e Amos.

- Eu não sei Lily e calma, eles não tão se matando, isso posso garantir – tentou fazer piada e recebeu um olhar duro e feio da ruiva.

- Ou você me leva até lá ou... - ameaçou e Rose ouviu o que sua filha dissera.

Péssima hora.

- Ou o que Lilían Evans? E para onde você quer tanto ir? O mesmo lugar onde esteve e que deixou a todos nós preocupados até a morte? Sou sua mãe e não sou burra para não ter entendido! - ela estava se alterando e Lily começou a ficar pálida.

- E arrume suas malas, estamos indo agora! - bradou a mulher avançando para cima da filha.

Lily obedeceu birrenta. Porém obedeceu, a mão de sua mãe podia ser bem pesada quando estava braba.

Mal chegou no quarto, escancarou a janela e como das outras vezes, fugiu.

Ao ladear a casa, pode ouvir Frank conversando com as meninas.

- Eles tão botando o castelo abaixo... E desta vez é pra valer!

Não precisou ouvir mais nada e disparou sem muito jeito para a estrada.

- Onde vai Lilían? - Allan estava arrumando as malas em cima do carro.

- Amos ficou de me encontrar na via, mais adiante – respondeu e correu, não poderia deixar seu pai criar cismas.

James era invencível, os marotos eram invencíveis, afirmava. Não havia razão para se preocupar, eles eram eternos afinal de contas, Voldemort propalara isso aos quatro ventos.

Não precisava bater cabeça e James a amava e com certeza faria de tudo para se verem amanhã e... Mas por que diabos seu coração não se acalmava com todos esses motivos lógicos?!

- Oh não...! - estancou com os olhos vidrados na imagem adiante.

Hogywarts estava em chamas.

- O QUE VOCÊS FIZERAM?! - só faltou levantar Mark pela gola da blusa e fuzilar Amos usando o olhar.

- A idéia não foi minha – titubeou Topsham e apontou declaradamente para Diggory.

- Não se preocupe Lily, não foi por você – ele disse antes que ela chegasse perto o suficiente para lhe desferir um soco.

Ou algo próximo a um soco.

- E nem que tivesse sido! E se esse fogo se alastrar pela floresta? E muito menos que isso, o castelo é uma obra prima mais antiga e bela que vocês têm nesta cidade, parou pra pensar nisso Amos?

- Existem coisas mais importantes que arquitetura: pessoas! - ele mantinha a mão na lateral do queixo, onde fora acertado pela garota.

- Ora seu... - ela ergueu a mão para executar mais uma bordoada só que sirenes a frearam.

E junto a polícia vieram: os bombeiros e os Evans, prontos para irem embora, notou Lily muito tarde.

- Você nos desobedeceu – disse Allan e de feições duras apontou para o carro, a ruiva não teve outra opção a não ser entrar no veículo.

- Seu namoradinho não tá lá dentro? - perguntou Túnia que usava o vestido de Lily, sim aquele que queria emprestado.

Algo diminuiu e se apertou dentro do peito de Lily até um ponto máximo e enfim, expandir intempestivamente num rugido rouco.

- Cala a boca Petúnia! - gritou e a outra se calou espantada.

- E me dê cobertura ou digo ao Amos que você usa calcinhas sujas e tem uma trança debaixo do braço! - bradou possessa.

Ela voltaria ao castelo a todo custo! Ah se!


As chamas não eram nada na mente de Lily, precisava ver James, precisava dele e lhe avisar que estava indo embora, mas não iria.

Ficaria aqui.

Para sempre...

Entretanto, estava enganada quanto ao acidente não ser nada. pois a fumaça começava a fazer efeito no seu sistemo respiratório e a lhe embaçar a visão.

Colocou as duas mãos formando uma concha sobre o nariz e boca e, correu.

- LILY! - alguém a parou, a segurando pela cintura.

Toque extremamente gélido naquela quentura dos infernos.

- James... - sorriu cintilante – Eu precisava...

- Não fale – ordenou e a tirou de lá com presteza.

- Por que voltaste? - inquiriu num lugar seguro.

- Tô indo embora James! - justificou exasperada – Você não pode deixar isso acontecer, a gente se ama não é? - acrescentou buscando uma confirmação vinda da parte dele.

- Não é...? - repetiu fracamente, o encarando acanhadamente pela ausência de confirmação dele - Ao menos significo algo pra você?

...

- Você quer que eu vá? Mas e a sua promessa?! - ela evadia entre ser efusiva e apática em suas frases e entonação.

- Não posso, Amos é o cara certo para ti – disse nem ao menos piscando.

Sua garganta se estreitou, seu coração batia causando dor de tanta força empregada na ação e no esterno adiante, respirava e não oxigenava seus órgãos, puxava com mais empenho e freqüência o ar, contudo não surtia efeito.

James não se importava?

- Preciso que saias, tudo termina aqui. Não me procures, me esqueça assim como já te esqueci – disse e Lily não tinha mais lágrimas para derramar.

Era um pesadelo e ela acordaria agora!

Agora!

AGORA!

Agora...

James lhe segurou o pulso e delicadamente frio, a colocou no rumo de saída do castelo.

No rumo de saída de sua vida.

- Tudo termina aqui – rumorejou para as costas dela.

Algo molhado e solitário, desceu por sobre a pele marmórea de sua bochecha.


- Ela está a salvo... - balbuciou para os marotos.

Eles assentiram pesadamente, carregavam o mundo sobre os ombros.

Sirius suspirou audivelmente e Remus soltou um estalido peculiar.

- Como estamos nos escondendo? - inquiriu irresoluto para todos e recebeu a atenção destes.

- Como? - Peter repetiu se esforçando para entender.

E James gargalhou, preferindo ter que ignorar o que sentia; o pedaço que lhe fora arrancado com a ida de Lily, os surpreendendo.

- É a hora de pagar por meus pecados, já não pertenço mas a este vilarejo – disse e observou o esforço das autoridades locais em apagar o incêndio.

E voltou seu olhar para os amigos.

- Levaste séculos para concluir isto? - mangou Sirius, bagunçando jovialmente o cabelo de Prongs.

- Deixe-me entender Prongs – Remus fechou os olhos e os abriu compenetrado, e recebeu um aceno positivo de James acompanhado de um sorriso maroto.

E num disparo todos estavam no terraço, desbandado e semi destruído pelo abandono, do castelo.

A lua cheia era a sua única testemunha.

- Eles estavam pedindo por isto... - um lobisomem disse, sua voz não mais que um rugido feroz.

- Anos que não me sentia tão útil – juntou Peter em sua forma bestificada.

- Eu cuido do pegajoso Prongs – assegurou um cão que parecia saído do inferno.

- Já era Pads – o monstro maior retrucou e se alçou em direção a frente de Hogywarts.


Lily não desgrudava sua testa do vidro frio do carro.

A imagem da cidade cada vez mais distante...

Ele tinha razão.

Tudo terminara.

Fim