Cap.13 - Nothing really matters, nothing really matters at all.

Acordei com meu celular tocando, o nome de Travis piscava no visor.
- Espero que seja uma boa notícia - eu disse entre bocejos o fazendo rir.
- E é! Arranjei um lugar pra gente tocar! - ele dizia empolgado. Preciso dizer que meu sono foi embora?
- Meu, to indo aí AGORA! - Eu gritei de felicidade e desliguei o telefone.

Olha, nunca me troquei tão rápido em toda a minha vida. Passei correndo na sala e gritei um 'Bom dia, família!', eu estava abrindo a porta quando ouvi minha mãe e meu pai tendo um ataque de riso.
- Qual é o problema de vocês? - eu disse rindo também. Afinal, nada ia me fazer perder a paciência.
- Vai sair descalça? - meu pai perguntou e riu mais ainda quando eu olhei pros meus pés e soltei um palavrão.
Peguei um allstar da minha mãe que estava perto do sofá e o coloquei rapidamente.
- Não se preocupem comigo, eu volto ainda hoje - fiz um joinha pros dois que me olhavam e saí às pressas de casa.

Cheguei na casa dos meus avós, parei no meio da sala e dei um grito:
- Quem quer me dar uma carona?É urgente!
- Mas e a sua bicicleta? - tio Emmett apareceu rindo da cara que eu fiz.
- Você pode? - Eu não tinha tempo pra brincadeiras.
- Vou pegar as chaves e te encontro na garagem! - ele piscou pra mim e eu corri até o carro.
- Onde você vai? - Ele quis saber.
- Vai pra La Push - Eu ordenei e ele entortou o nariz - Eu preciso pegar o Josh!
Não demorou muito pra Josh acordar porque eu usei o método da água fria. Não por ela estar fria, mas não é legal acordar desse jeito. Liguei pro Alec e ele nos encontraria na frente da casa do Travis.

Chegamos lá e os dois estavam sentados na calçada conversando animadamente.
- Obrigado, tio! Eu te amo - Falei rápido e saí do carro em direção a eles.
- Nessie, Josh! Consegui um lugar pra gente tocar! - Travis dizia todo animado.
- Onde, cara? - Josh já tinha um sorrisão estampado na cara.
- Meu tio trabalha num pub em Port Angeles, e esse pub sempre abre as portas pra bandas que tão começando, aí eu falei pra ele que a gente tava começando e aí deu certo! - ele disse tudo isso numa velocidade surpreendente pra um humano.
- Quando vai ser? - Alec perguntou.
- No começo de julho, mês que vem - Travis mordeu o lábio.
- Não sei se estou preparada - eu disse com a mão na boca.
- Não é só você - Travis me encarou.
- Qual é gente, não é um bicho de sete cabeças! - Alec estalou os dedos pra chamar atenção - É isso o que todo mundo quer, certo?
- Certo - todo mundo respondeu junto.

Confesso que eu não estava nos meus melhores dias. Faltava uma semana pra nossa primeira apresentação e nós ainda nem tínhamos um nome, o que era totalmente frustrante. O que o cara do pub ia dizer? "A banda ainda não tem nome, mas garanto que é boa!". Faça-me o favor. Não era o repertório que estava me tirando do sério, muito menos (ok, mais ou menos) o nervosismo dos caras, o que me irritava era o simples fato de não ter um nome pra banda e só eu estar perdendo noites de sono por causa disso. Essa Semana estava sendo literalmente um caos. Josh começava a tremer, corria pra longe das vistas do Travis e se transformava. Alec estava com uma sede absurda, ia pras cidades vizinhas todas as noites. E Travis, bem, ele era um caso complicado. Duas semanas antes do show em todo ensaio ele largava a bateria no meio da música e corria pro banheiro vomitar. Resumindo: a coisa tava tensa.

- Hey, gente - eu subi numa caixa de som pra pedir atenção - Eu trouxe meu tio Jasper pra ver nosso ensaio! - foi a única saída que encontrei pra que a gente tivesse progresso em alguma coisa.
- Vocês estão um pouquinho nervosos, hein! - meu tio disse arrancando algumas risadas.
- Por favor, Travis, tente não vomitar! - Josh disse impaciente.
Senti que tio Jasper estava agindo quando uma onda de calma passou por mim.
- Vamos começar com que? - Alec perguntou tocando algumas notas no baixo.
- O que acham de 'Emergency'? - arqueei a sobrancelha.
E então tocamos, Travis parecia não estar enjoado, Josh não estava tremendo e Alec tinha os olhos vermelhos de sempre. O ensaio corria bem, nós já tínhamos tocado sete músicas quando Holly invadiu a garagem de Charlie com os olhos arregalados e disse:
- Jacob está em casa e quer falar com você.
- O que ele quer? - Jacob estava sendo tão infantil esses dias.
- Não sei, Ness. Mas pela cara dele deve ser outra crise de ciúmes - ela terminou a frase entortando o canto da boca.
- Vai começar de novo - sentei no chão e coloquei a cabeça apoiada nos joelhos.
- Quer que eu bata nele? - Alec disse estralando os dedos.
- Deixa eles se resolverem, Alec - Josh tentava acalma-lo.
- Travis, quer uma carona? - meu tio disse na esperança de tirar ele dali.
- Sabe Nessie, se o seu namorado gostasse tanto de você ele não ficaria dando esses showzinhos todos os dias - Travis dizia me encarando.
- O problema dele é gostar demais - Alec apoiou a mão no ombro dele.
- O que foi agora, Jake? - eu sentei no sofá de casa sem olhar pra ele. Minha paciência estava no limite novamente sem tio Jasper por perto.
- Você ainda pergunta? - ele respirava fundo evitando os tremores - Acho que você deveria saber.
- Se quer atenção, veio na hora errada - eu disse com raiva.
- Qual é o seu problema? - Ele agora estava na minha frente apontando o dedo no meu rosto.
- Qual é o SEU problema, Jacob Black?Que parte da impressão que você teve falhou? - agora eu gritava na cara dele e não me importava se toda a minha família escutasse.
- Como assim? - ele segurou meus braços com força.
- Você devia querer me ver feliz - eu gritava entre lágrimas sem me importar se ele estava me machucando ou não.
- Mas eu quero!
- Então pára de atrapalhar a realização do meu sonho! - eu acabei a frase e então ele me soltou e saiu correndo de casa. Pude ouvir as roupas sendo rasgadas e os passos do enorme lobo correndo pra floresta.
- Quer que eu vá falar com ele? - minha mãe passou a mão na minha cabeça e sentou ao meu lado.
Fiz que não com a cabeça ainda chorando.
- Merda, merda, merda! - eu dava socos na almofada que eu segurava.
- Calma, filha. Você sabe que Jacob adora fazer um drama - meu pai sentou ao lado da minha mãe.
- O que ele tava pensando? - eu agarrei as mãos dele - Por favor pai, eu preciso saber.
- Se você prometer ficar calma, eu falo - ele enxugou algumas lágrimas do meu rosto.

Depois de longos minutos tentando inutilmente parar de chorar, decidi que estava pronta pra ter uma conversa sobre os pensamentos de Jake.
- Mãe, ele vai voltar, não vai?
- Claro que vai, Renesmee - ela sorriu - eu conheço Jake mais do que ninguém.
- Jake ta com ciúmes, por você passar mais tempo com três caras do que com ele - meu pai riu do pensamento de Jacob.
- Jacob não tem jeito - minha mãe ria com meu pai.
- E quais são as chances dele esquecer tudo isso e ficar numa boa? - eu arqueei a sobrancelha.
- Digamos que isso é uma coisa passageira, ele só queria que você desse um pouco de atenção - meu pai balançava a cabeça ainda rindo.
- Pode falar pra ele parar de rir? - eu disse pra minha mãe e cruzei os braços.
- Amor, pára de rir - minha mãe deu um tapa em seu braço.