Capítulo XI: Os perigos das Montanhas de Sukavia...

Região de Sukavia - ????, era pós-Ragnarök-

Até o começo da estrada, que cortava a região de Sukavia, Cecília levara algumas horas para alcançar seu objetivo. A diferença térmica já era visível: a temperatura local caiu drasticamente, para a casa dos 3°C. A jovem moça colocou seu agasalho grosso, um gorro branco em sua cabeça e o cachecol feito por Leone, envolvendo-lhe o pescoço. Luvas de lã cobriam-lhe as mãos delicadas. A caminhada duraria cerca de uma semana , até chegar ao pé da montanha, perto de Solde.

Cecília já havia passado ali antes, quando levou Johann de volta para seu pai, na região de Gohrla; porém, a viagem foi feita a cavalo e durou bem menos tempo do que duraria a caminhada dela. Ainda era dia e o Sol iluminava a estrada, coberta de neve. Por enquanto, nenhum evento havia ocorrido.

A jovem caminhou durante várias horas, no primeiro dia de viagem. Parou algumas poucas vezes, para descansar, comer algo e aquecer o corpo. Durante uma dessas paradas, ela sentou-se em uma pequena área, que dava para um profundo precipício, e ficou admirando o Sol tingir o céu num tom alaranjado de fim de tarde. Não tardou muito e a jovem procurou por uma caverna, para passar a noite. Achou uma e por lá ficou. O Sol, finalmente, pôs-se entre as montanhas e a Lua começou a dar sua face, juntamente com as primeiras estrelas. Embora fosse uma noite de céu límpido, fazia um frio infernal na cadeia montanhosa. Cecília, precariamente, conseguiu aquecer-se e conciliar o sono. Fez uma fogueira e ficou bem perto do fogo. O chão duro e frio foi sua cama e sua mochila, foi seu travesseiro.

Durante a noite, o vento cortava as montanhas, num sussurro assustador e gélido. Muito longe dali, podia-se ouvir os sons de criaturas caminhando sobre a neve branca. Nos céus, criaturas aladas sobrevoavam e soltavam seus gritos estridentes, parecendo gigantes águias atrás de uma presa. O dia clareou. Era o segundo dia de jornada da moça.

Podia-se dizer que foi mais um dia, sem nenhum evento que atrasasse a viagem da moça. Ela continuou sua caminhada, pela estrada estreita de Sukavia. Poucas pessoas se arriscavam a passar por tais terras. Não muito longe do ponto onde Cecília estava, havia um pequeno vilarejo. A jovem mercenária parou num ponto da estrada e ficou olhando para um vale, no meio das montanhas e avistou a tal vila. Apressou o passo, mas demorou cerca de 5 horas para alcançar o lugar.

Porém, seus olhos apenas viram algo, que a deixou deveras assustada: a vila estava completamente destruída e havia vários corpos de mulheres, crianças, jovens, adultos e idosos estendidos pelo chão; assim como carcaças dilaceradas de animais, com suas entranhas podres à mostra. O cheiro era de morte e podridão. Cecília mal conseguiu agüentar o cheiro pútrido da morte e vomitou aquilo que tinha comido, como café da manhã: duas frutas, um pouco de vinho de Burgundy e um bolinho de caneca.

Percorreu a vila, para ver se achava alguém vivo, mas somente encontrou mais e mais mortes. Seu frágil estômago não agüentou ver a cena se repetir, a cada casa que ela ia, procurando sobreviventes. Procurou sair o mais rápido dali e voltou para a estrada de Sukavia. Porém, o cheiro e a visão aterradores ficaram gravados em sua mente e olfato. Com as pernas trêmulas e com vontade de chorar, Cecília seguiu andando por muito tempo. Sem perceber, adentrou numa floresta congelada; uma espécie de desvio da rota principal, para as regiões secundárias das montanhas.

Quando deu por si, a jovem havia caminhado muito e a noite estava em seu completo esplendor! Tentou encontrar algum lugar pra ficar, mas algo a impediu. Nos céus da região, uma criatura alada avistou a jovem e, em alta velocidade, partiu para um ataque. Suas afiadas garras miravam as costas da jovem. Enfim, descendeu! Cecília sentiu algo lhe atacar e Jörmungand não havia sentido a presença da criatura. O casaco que lhe cobria o corpo ficou com cortes, feitos pelas garras afiadas da criatura, e saiu um pouco de sangue pela ferida provocada pelo ataque. A jovem havia sido jogada contra o chão. Levantou seu rosto e viu, sobre uma rocha afiada, a figura de uma harpia.

A moça levantou-se e encarou o monstro. Tentou se comunicar com a criatura.

- Eu não desejo atacar!!! Só quero continuar minha caminhada , até Solde. Por favor...

- KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHH!!!

A harpia soltou um grito estridente. A criatura não sabia falar a língua humana e partiu para o ataque mais uma vez. Com o bater das asas gigantes, foram levantadas terras e neve do chão. O monstro rapidamente dominou Cecília, que voltou a ficar estendida no chão; com um profundo corte em seu braço, por onde saiu uma quantidade considerável de sangue.

Aquele cheiro de sangue chamou a atenção de lobos, que estavam à espreita. O monstro soltou mais um grito estridente. Agora, não somente os lobos, mas mais 4 harpias surgiram naquela região. Cecília estava encurralada. Seu braço direito estava ferido e suas costas, com um corte superficial. Para piorar a situação, o frio ficou mais intenso. Os lobos atacaram a jovem, que se defendeu como pôde. As presas afiadas dos lupinos rasgavam-lhe o casaco e parte da roupa. Jörmungand sequer reagiu! Estava completamente congelada, pelo clima hostil das montanhas.

As 4 harpias, então, partiram para o ataque final. Os lobos se afastaram, temporariamente. Cecília apenas sentiu as garras afiadas das criaturas rasgarem a sua carne, sem poder fazer nada para reagir. As palavras de Vanessa vieram à mente da moça. Ela devia ter escutado o aviso da amiga, sobre a região de Sukavia; ela deveria ter esperado por Brahms!!!

O sangue saía pelas feridas e tingia de vermelho a branca neve. Pouco a pouco, a jovem ia perdendo os sentidos.

- Eu...não...quero...morrer...assim...Será que...sou tão...imprestá...vel? Será que... mesmo...com uma arma mortal, como Jörmungand...eu irei...morrer? Não sabia...que...ah, sim...agora entendo...aquela vila...deve ter sido...destruída...por ...essas coisas...Pobres...pessoas... – dizia a jovem, com seus lábios trêmulos de frio e sua pele tornando-se pálida, como a morte.

- KYAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH!!!!

A harpia preparou seu ataque mortal e seguiu, para alvejar o corpo delicado da jovem mercenária, com suas garras afiadas. Porém, naquele momento, Brahms surgiu para ajudar a donzela indefesa. Com um poderoso ataque de energia, o vampiro destruiu a harpia algoz. Os pedaços da criatura voaram, perto da alcatéia que iria dividir o banquete Cecília com as criaturas.

O vampiro atacou as outras 3 harpias e as dilacerou, como a primeira. Os lobos, assustados, fugiram para as profundezas da floresta congelada. O vento soprou frio e cruel. Cecília iria entrar em estado de choque, se não parasse com a hemorragia em seu corpo. Brahms a carregou em seus braços fortes. Olhou para moça, que tremia por causa da iminente hipotermia que assolava seu corpo.

- Brahms... –sussurrou Cecília, pois mal conseguia ter forças para falar.

- Por que não me esperou? Ah, esquece!!! Vou te levar para Solde, logo...Se continuar a perder sangue assim, você vai morrer.

- ...obrigada...

Antes de desmaiar, Cecília passou seus delicados braços em volta do pescoço do vampiro e aproximou seu corpo tão perto do dele, como se estivesse procurando o abrigo carinhoso de seu amado esposo. Um pouco do sangue da moça caiu sobre o rosto de Brahms. Por pouco, não conseguiu conter sua vontade de beber do sangue daquela bela jovem.

Usando sua velocidade sobrenatural, Brahms parecia ter se misturado à névoa e ao ar e, como num piscar de olhos, já se encontrava na região de Solde. O vampiro conseguiu ajuda e fez com que sua esposa continuasse viva, apenas adormecida e descansando...