Oi, oi povo!

Preparados para mais uma dose do nosso Draco encantador?

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Guest: Vai fazendo suas teorias aí, logo, logo veremos se você acerta.

Carla Balsinha: Homens, sempre se achando invencíveis e heróis... Já falei que gosto das suas teorias?rsrs

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Lembre-se, comentar nunca é demais!

Bjs e boa leitura!


Hermione despertou com o rítmico balanço do cavalo, e encontrou-se nos braços de seu marido. A princípio pensou que era ainda o primeiro dia de sua viagem. Ao menos até que ergueu os olhos, viu o hematoma e o corte em sua fronte e lembrou-se de tudo o que tinha acontecido. Ergueu-se imediatamente e lançou um olhar furioso e acusador sobre seu marido.

— O que está fazendo?

— Cavalgando — respondeu o loiro de maneira bastante razoável, mas ela percebeu o rictus de seus lábios e soube que estava fazendo força para não rir. Isso somente a zangou mais.

— Não deveria estar em pé depois da dura experiência que atravessou ontem.

Desta vez ele não se incomodou em esconder sua diversão, mas sorriu de uma maneira que parecia quase carinhosa e disse:

— É adorável quando finge ser uma harpia, Hermione Granger.

— Hermione Malfoy agora — recordou ela, colocando um pouco mais de força em sua voz. Logo advertiu — E eu sou uma harpia, e como tal, eu gosto de te fazer sentir miserável, assim porque não me explica…

— Sinto-me bem — interrompeu com paciência — De fato, muito bem. Deve ter sido essa mistura asquerosa que me fez beber, sem dúvida é um remédio milagroso. Dormi uma ou duas horas, despertei sem dor e decidi que estava bem para viajar hoje. Assim, aqui estamos, há um dia e meio de Donnachaidh.

A castanha estava certa de que mentia. Embora não duvidasse de que o tônico que lhe tinha dado tivesse ajudado a sentir-se um pouco melhor, dificilmente o faria sentir-se tão bem. Não tinha dúvidas de que a cabeça do homem continuava doendo ao menos um pouco e o ombro estaria muito sensível. No entanto, parecia não querer admiti-lo. Não sabia o que pensar disso. Ela estava acostumada aos homens que se queixavam por qualquer dor ou desconforto… e logo usavam isso como uma desculpa para beber em excesso.

— Estava exausta por cuidar de mim ontem à noite — continuou ele — Assim a deixei dormir enquanto levantávamos o acampamento e a coloquei no meu cavalo, para que pudesse continuar recuperando as horas de sono que perdeu.

Hermione fez uma careta. Somente o completo esgotamento teria feito com que dormisse tão profundamente, mas imaginava que deveria estar muito esgotada. Seu marido a tinha mantido acordada a maior parte da noite anterior à viagem, na cama… ou com as atividades na cama. As poucas horas de sono em seu colo na tarde de ontem mal tinham compensado e depois ficou acordada para cuidar dele durante toda a noite. Aye, supôs que não deveria se surpreender por ter dormido todo o tempo no qual os homens levantaram o acampamento.

Levantando a cabeça, de repente perguntou:

— Blaise e os homens descobriram quem empurrou a rocha?

Draco ficou em silencio durante muito tempo e ela acreditou que não responderia, mas então ele disse:

— Não. Ele fez com que os homens revistassem a área. Possivelmente foram alguns bandidos que me viram sozinho e pensaram que ia ser uma presa fácil. Sua chegada deve tê-los afugentado — a castanha o olhou de maneira dúbia diante da sugestão. Difícil acreditar que sua presença pudesse afugentar alguém. Entretanto, era possível que tivessem acreditado que estava sozinho e sua chegada os tivesse feito perceber que não, e temer que outros estivessem com eles e pudessem persegui-los.

— Já passou há muito do meio-dia — anunciou Draco, distraindo-a de tais pensamentos — Tem fome?

Hermione lançou-lhe um olhar, começou a abrir a boca para responder, mas se deteve quando seu estômago deixou escapar um ruído forte ao pensar em comida. Ela ruborizou-se de vergonha, mas seu marido sorriu abertamente e tirou uma pequena bolsa da sela.

— Há comida aqui dentro para você — disse em voz baixa.

A jovem conseguiu não rasgar a bolsa de tecido, mas com muita dificuldade. Não tinha comido nada na noite anterior enquanto cuidava de Draco e estava faminta. Entretanto se deteve surpresa quando conseguiu abrir a bolsa e começou a tirar coisa atrás de coisa. Havia um pouquinho de pão, queijo, uma maçã e inclusive o que, a princípio acreditou, era o coelho assado restante da noite anterior.

— É codorna — disse o loiro em voz baixa enquanto desembrulhava o tecido que rodeava a carne e ela via que efetivamente se tratava de uma pequena e rechonchuda ave — Levantei-me antes de todos os outros, apanhei-a e a limpei, logo a pus sobre o fogo para assar, enquanto os homens levantavam o acampamento esta manhã, pensando que poderia gostar de comer algo, quando se levantasse.

Hermione engoliu o nó que, de repente, se alojou em sua garganta pelos esforços que ele fez por ela, e então não sabendo o que mais fazer, ofereceu a ave a Draco.

O mesmo negou com a cabeça.

— É para você. Coma.

Ela hesitou, mas logo começou a fazer precisamente isso. Entretanto, não poderia comer tudo o que ele tinha empacotado e quando isso se fez evidente, o loiro aceitou uma das pernas da ave. Uma vez que ambos terminaram e os restos tinham sido guardados novamente, Draco começou a lhe fazer perguntas sobre sua infância de novo.

Hermione respondeu de boa vontade, mas fez perguntas sobre ele também e a tarde transcorreu de maneira surpreendentemente agradável, com a conversa de ambos passando a outros temas. Mesmo enquanto falavam a castanha não pôde deixar de notar que era uma viagem muito diferente do que ela tinha empreendido para chegar à Inglaterra. Tinha permanecido silenciosa, incômoda e carrancuda com seu pai e irmãos evitando falar e muito menos demonstrar qualquer preocupação por seu bem-estar ou comodidade. Uma vez mais se viu obrigada a reconhecer que Draco era diferente dos homens de sua família. Talvez, apesar de tudo, se casou com alguém mais compreensivo.

De repente, seu marido ergueu a mão e ela lançou um olhar a seu redor para ver Blaise apressando seu cavalo para alcançá-los. O homem estava cavalgando atrás deles desde que despertou, seus olhos sobre seu marido cada vez que ela olhou em sua direção. Nessa tarde, Draco tinha falado um pouco de seu tempo nas Cruzadas e tinha contado como o homem tinha salvado sua vida uma ou duas vezes na Tunísia e cuidado dele. Era óbvio, pelo olhar do homem mais velho, que apesar de estar de novo na Inglaterra, Zabini ainda sentia necessidade de cuidar de seu senhor.

— Fique alerta, precisamos de um bom lugar para acampar — disse o loiro uma vez que Blaise os alcançou — Estamos nos aproximando da fronteira e prefiro passar esta última noite na Inglaterra e cruzar a fronteira amanhã.

Zabini assentiu com a cabeça.

— Adiantar-me-ei e verei o que posso encontrar — o soldado esperou o tempo suficiente para que Draco aprovasse, assentindo e se afastou.

— Blaise estava preocupado com você ontem à noite — murmurou Hermione enquanto o outro homem desaparecia depois de uma curva do caminho — Deve ter vindo à tenda para averiguar sua condição ao menos umas vinte vezes. Inclusive se ofereceu para sentar-se contigo, assim eu poderia descansar.

— Não havia necessidade de que nenhum dos dois perdesse seu sono só para me observar roncar toda a noite — disse ele com brutalidade.

— Feridas na cabeça são preocupantes — disse com firmeza — Alguém tinha que velar por você.

— Então deveria ter deixado que Blás ficasse a metade da noite, assim ao menos os dois teriam dormido um pouco.

Hermione bufou diante da sugestão.

— Oh, aye. Como se eu pudesse dormir enquanto estava preocupada com você. Além disso, estaria deitada ao seu lado e de todos os modos, nunca teria conseguido dormir com ele sentado ali, olhando.

— Sim, e também poderia ter me ouvido roncar — disse Draco de maneira solene.

A castanha lançou um olhar furioso contra seu marido, mas este se transformou em um sorriso relutante quando viu o brilho zombador em seus olhos. Imediatamente ela reprimiu o sorriso e disse de maneira afetada:

— Odeio ser eu a dizer, meu laird, mas se está tentando ser gracioso, está fracassando miseravelmente.

Enquanto ele arqueava uma sobrancelha diante da frase, ela acrescentou:

— Os ingleses não são conhecidos por seu senso de humor.

— É mesmo? — perguntou mordaz.

— Aye. Todo mundo sabe que os ingleses são pessoas odiosas e resmungonas, que andam de mau humor, queixando-se de tudo e agindo como se acabassem de sepultar seu irmão.

— O que? — perguntou ele com incredulidade.

Hermione encolheu os ombros.

— Negue, se quiser, mas é a verdade. Os ingleses não têm nem ideia de como se divertir ou desfrutar a vida.

— Ora! — exclamou com um sorriso — Isso parece os escoceses para mim. Eles são ariscos e sérios, os que estão se queixando sempre. Nós, os ingleses, somos célebres por nosso senso de humor.

— Em suas mentes, possivelmente, mas para o mundo sabe que são aborrecidos — disse com um bufar e levantou o nariz no ar numa atitude de superioridade que era difícil de sustentar enquanto Draco ficava de boca aberta com sua declaração.

— Por que você…? — começou ele, mas se deteve quando Blaise apareceu de repente na estrada diante deles.

— Encontrei um lugar não muito longe — disse o soldado quando os alcançou — Passando o rio, é grande o suficiente para o nosso grupo.

— Bem — o loiro assentiu com a cabeça — Leve-nos lá.

Esperou até que Zabini desse a volta, para mostrar o caminho para o lugar que tinha encontrado, antes de baixar o olhar para sua esposa e dizer:

— Mais tarde a castigarei por insultar meus compatriotas, esposa e mostrarei quem é aborrecido.

O brilho em seus olhos e a promessa em sua voz fez descer um pequeno calafrio pelas costas da castanha.

O homem não estava se referindo a um castigo comum, como bater em seu traseiro nu. Seu fingido desgosto foi em tom de brincadeira, e enquanto ele prometia castigos e isso poderia incluir traseiros nus, ela soube que seria um "castigo" que a deixaria satisfeita e sorridente.

Chegaram logo ao lugar que Blaise tinha encontrado e Draco desmontou e a ajudou a apear. Depois de avaliar rapidamente o local, ele assentiu com a cabeça e deu algumas ordens, então tomou a mão da castanha para levá-la em busca de privacidade. Era começo da tarde, mas o céu estava nublado e ameaçava chuva, assim apressaram-se a limpar-se. Os homens acabavam de levantar a tenda quando retornaram. Enquanto Draco ajudava os homens a terminar tudo o que precisavam fazer, Hermione se dirigiu imediatamente a tenda para ajudar Ginevra a acomodar as coisas em seu interior para a noite. Acabava de chegar à porta da tenda quando a primeira gota de chuva começou a cair.

A castanha olhou para trás para ver os homens movendo-se rapidamente, ignorando a chuva. Fez uma careta, com um encolher de ombros. Não havia nada que pudesse fazer sobre a chuva. Caísse quanto caísse, eles, como os pássaros e as criaturas do bosque, teriam que tolerá-la.

Entretanto, sentiu pena dos homens. Os Granger tinham sido assediados pela chuva duas vezes durante a viagem da Escócia a Inglaterra, mas eles tinham seus tartames engordurados e com eles se protegeram do clima. Entretanto, os ingleses não os usavam. Por sorte, a chuva nunca caía muito forte ou durava muito na Inglaterra. Possivelmente essa fosse a razão pela qual chovia com tanta frequência. Passaria muito em breve e então os homens não teriam mais que lutar com a umidade, um problema sempre presente por aquelas bandas.

*.*.*.*.*

— Está linda à luz das velas.

Hermione ergueu o olhar com surpresa diante das palavras de seu marido. Estavam no interior da tenda, a comida colocada diante deles. Apesar da chuva, os homens tinham conseguido divertir-se um pouco.

No momento em que a chuva parou, tinham acendido uma fogueira para assar os alimentos. Entretanto, quando a castanha tinha se unido a eles junto ao fogo para comer, Draco disse que parecia que iria chover novamente e sugeriu que deveriam comer na tenda. Ela concordou imediatamente. Agora estavam sentados sobre uma pele junto ao seu leito; a carne assada, o queijo, o pão e o vinho colocados diante deles.

— Obrigada — murmurou ela, notando a maneira como a luz dançava pelo rosto masculino.

A luz das velas era comum no castelo, mas normalmente também havia uma lareira e tochas ao redor, ajudando a afastar à escuridão. Ali somente havia duas pequenas velas que foram colocadas sobre o baú junto a eles para combatê-la por completo, e a escuridão brincava com a luz, ameaçando consumi-la.

Suavizava os traços de Draco e acrescentava um brilho a tudo ao redor. Gostaria de vê-lo nu nessa luz, observar o modo como esta dançaria por sua pele, mas sabia que não era provável, apesar de sua promessa anterior. Depois dos ferimentos que tinha recebido na noite anterior, seguiria dolorido e querendo tempo para curar-se antes de permitir-se algo tão enérgico como o que sua mente estava pensando.

— Por que o cenho franzido?

Hermione olhou-o com ar culpado, mas não disse onde sua maliciosa mente a tinha guiado. Em vez disso, disse:

— Estava pensando no incidente de ontem na clareira — isso provocou uma leve sombra no rosto de seu marido também e ela se apressou a dizer — Não tive a oportunidade de perguntar se tinha visto quem empurrou a rocha do escarpado.

— Oh — ele encolheu os ombros e bebeu um gole de vinho antes de murmurar — Não. Tudo o que vi foi a rocha caindo sobre mim. Tentei sair do caminho, mas… — fez uma careta ao recordar o fracasso.

A castanha o olhava em silêncio, mordiscando pensativamente os lábios com os dentes. Gostaria de ter visto a pessoa que a empurrou. Não tinha a menor ideia de por que, provavelmente tinha sido um bandido que os avistou, mas…

— Coma — disse o loiro, de repente.

Hermione vacilou, mas logo esqueceu o assunto. Colocou um pedaço de pão na boca e o mastigou, voltando o olhar para seu marido, suas sobrancelhas se arqueando quando notou que, enquanto tinha ordenado que comesse, ele mesmo não estava fazendo.

— Não tem fome? — perguntou ela com curiosidade, depois de mastigar seu pedaço de queijo.

— Sim, mas minha fome pode esperar até depois que comermos — explicou com um sorriso lento.

Os olhos da castanha se arregalaram e ela sentiu que o rubor cobria suas faces. Pensava que seu braço e sua cabeça deveriam estar doendo. Ela baixou o olhar e notou o vulto pressionando com insistência contra o tecido entre suas pernas cruzadas. Seu braço e seu ombro poderiam doer, mas não parecia afetar a suas outras partes. Ela mastigou a carne em sua boca e rapidamente alcançou seu vinho, sorvendo um pouco para ajudar a baixar a carne por sua garganta, repentinamente seca, enquanto pensava na noite que viria.

Suas meditações foram interrompidas quando um forte pigarro atraiu seu olhar para a porta da tenda.

— Adiante — grunhiu Draco.

Tanto ele como Hermione se voltaram para olhar, com curiosidade, para a entrada enquanto esta se erguia para deixar ver Zabini. O olhar do soldado percorreu levemente o local e logo aterrissou sobre o loiro antes de anunciar.

— Allan diz que há um problema com a égua.

— Beauty? —perguntou a castanha alarmada enquanto ficava de pé.

— Fique aqui e termine sua comida — disse Draco com doçura, levantando-se junto a ela — Vou ver isso.

Hermione bufou diante da sugestão. Beauty era seu bebê. Ela esteve nos estábulos quando a égua tinha saído de sua mãe e chegado a este mundo. Tinha sido um parto difícil tanto para a mãe como para a égua e houve dúvidas quanto a sua sobreviveria. Depois de perder sua mãe, a castanha não estava disposta a aceitar tais notícias do chefe das cavalariças e esteve presente para ajudar a lutar por ambos os cavalos. O potro sobreviveu e era uma fêmea, Hermione a tinha reclamado para si. Tinha cuidado dela, para pô-la forte, tinha treinado a pequena égua e não tinha ido a nenhum lugar sem o animal desde que este tinha crescido o suficiente para poder montá-la. Se a égua estava doente, então estaria ali para cuidar dela de novo.

Draco só meneou a cabeça diante da determinação da esposa, enquanto ela se dirigia para a entrada da tenda e logo a seguiu. Estavam atravessando o acampamento frio e úmido quando um dos homens junto à fogueira chamou Blaise.

— Veja — sugeriu o loiro — Allan pode nos dizer o que está acontecendo.

— Allan foi… er… dar um passeio pelo bosque — finalizou Zabini com uma careta de desgosto e Hermione meneou a cabeça diante da consternação dos homens por admitir simplesmente que um companheiro precisava fazer suas necessidades. Ela sabia que não se considerava uma conversa educada diante das damas, mas seu pai e seus irmãos nunca se incomodaram em cuidar de sua linguagem diante dela e era absurdo sentir-se tão consternado por uma função natural.

Fazendo um esforço para ignorar o assunto, Blaise acrescentou:

— Entretanto, deveria poder ver por si mesmo. Ela tem um corte pequeno justamente aqui — Fez um gesto para seu próprio ombro — Não está infectado, mas Allan queria permissão para pôr um bálsamo e evitar uma potencial infecção.

Draco assentiu.

— Vamos encontrá-lo.

Assentindo com a cabeça, Zabini partiu, e o casal seguiram para onde os cavalos estavam reunidos ao final da clareira.

Como Blaise havia dito, Beauty não estava exatamente doente. Somente tinha um corte pequeno em forma de cruz no flanco direito. E realmente, era tão pequeno que os dois tiveram problemas para encontrá-lo. Ela franziu o cenho quando finalmente o localizaram. Era pequeno. Quase se podia pensar que foi uma folha em vez de um ramo. Ela estava verdadeiramente assombrada de que Allan o tivesse visto, mas ao mesmo tempo, estava agradecida. Os animais eram tão propensos a infectar-se quanto às pessoas e a lesão tinha que ser atendida para evitá-lo.

— Uma pomada deve bastar — murmurou Draco enquanto olhavam com atenção a lesão.

— Aye — acordou Hermione passando uma mão tranquilizadora pelo flanco de sua égua — Mas preferiria usar os meus remédios. Vou procurá-los e volto em seguida.

— Retornará à tenda, encontrará seu unguento e esperará que Arthur vá buscá-lo — rebateu o loiro com firmeza.

— Mas…

— Mas nada — interrompeu com firmeza — Está começando a chover de novo e não vou deixá-la resfriar-se. Allan pode aplicar o unguento tão bem quanto você. Somente tem que enviá-lo com Arthur.

Hermione fez uma careta irritada, mas se voltou para retornar à tenda. Preferiria aplicar a pomada ela mesma, mas não valia a pena discutir por isso. O fato de que Allan, o rapaz que estava cuidando dos animais nesta viagem, tivesse detectado o diminuto machucado sugeria que era capaz e se importava com o bem-estar dos animais. Ele poderia aplicar a pomada tão bem quanto ela. Entretanto, isso não a impediu de ressentir-se pela ordem de seu marido. O que fez surgir sua preocupação por seu bem-estar? Estava ordenando isso porque estava preocupado que se resfriasse sob a chuva e ela pensou que era incrivelmente doce. A castanha não estava acostumada que outras pessoas cuidassem de seu bem-estar. Geralmente era ela quem cuidava de todos. Era bom, para variar, ter alguém que se preocupasse com ela.

No momento em que chegou à tenda, Hermione foi para o baú pegar sua bolsa de remédios. Tinha dosado a quantidade que parecia precisar e estava esperando, um pouco impaciente, quando Arthur anunciou sua chegada com uma tossidinha infantil do lado de fora da entrada da tenda. Preocupada com o som profundo e úmido desta, a castanha foi até a pele que fechava a tenda e a elevou, mas em vez de dar o bálsamo ao homem, arrastou-o para dentro.

— Meu senhor me enviou… — se deteve para tossir de forma longa e profunda antes de terminar, de maneira ofegante — para levar seu bálsamo.

Hermione se inclinou para levantar uma vela e obter uma melhor visão dele, apertando a boca quando observou a falta de cor no rosto do rapaz e a cor quase azulada de seus lábios.

— Pegou um resfriado e agora tem uma enfermidade pulmonar.

Arthur fez uma careta diante de seu tom acusador, mas encolheu os ombros com cansaço.

— Estou bem, minha senhora. Um pouco de sono e estarei perfeitamente bem.

— Oh, aye — murmurou seca, e se afastou para pegar sua bolsa de remédios.

— E meu marido estava preocupado por mim...

— O que disse? — perguntou Arthur e logo começou a tossir de novo.

Hermione não se incomodou em responder, mas escolheu vários artigos de sua bolsa e logo jogou um breve olhar ao seu redor, antes de agachar-se para pegar a taça de vinho mais próxima das peles. Rapidamente misturou ervas e entregou ao rapaz.

— Beba — ordenou com firmeza — Tem gosto asqueroso, mas o ajudará a fortalecer-se para combater este resfriado.

Arthur começou a negar com a cabeça, mas se deteve para dobrar-se quando foi acometido por outro ataque de tosse e logo se endireitou e aceitou a bebida. Fez uma pausa, depois de apenas um gole, e abriu a boca, mas qualquer que tivesse sido o protesto que esteve a ponto de fazer morreu em seus lábios assim que viu a expressão sombriamente decidida de sua senhora.

Cedendo, usou o índice e o polegar de sua mão livre para tapar o nariz e logo, com estoicismo, bebeu o líquido.

Hermione relaxou e assentiu sua satisfação uma vez que ele acabou e lhe devolveu a taça.

— Agora, vá deitar-se e tente dormir.

— Oh, não — exclamou por sua vez, retrocedendo para a entrada da tenda — Meu senhor me enviou para buscar o bálsamo para sua égua. Eu…

— Eu levarei o bálsamo — replicou ela imediatamente, voltando-se para colocar no chão a taça e pegar o unguento que tinha colocado sobre um pedaço de tecido — Mas você não deve ficar sob a chuva, doente como está e sem dúvida não pode dormir ao ar livre.

— Bom, não posso dormir aqui — grasnou ele.

— Aye, pode — disse com firmeza e logo teve piedade de seu pânico e disse — Explicarei a situação ao meu marido e ele concordará. Somente…

A castanha se deteve bruscamente quando Arthur, com um gesto de pânico no rosto, de repente arrebatou-lhe o unguento e fugiu da tenda.

— Bem, diabos — resmungou ela, indo para a entrada para vê-lo correndo sob a chuva para os cavalos ao final do acampamento. Ela não estava absolutamente acostumada a que a desobedecessem e simplesmente olhava, com o cenho franzido, enquanto ele ia depressa para onde Draco estava falando com Allan. No momento em que o rapaz teve a atenção de seu senhor, pareceu balbuciar uma série de palavras. Ela viu as sobrancelhas de seu marido erguerem-se, e logo estendeu uma mão para pressionar a palma sobre a cabeça de Arthur. A preocupação que, de repente, observou em seus traços a fez relaxar um pouco.

Hermione deixou cair à pele que vedava a entrada da tenda e retornou às peles. Estava certa de que Draco concordaria com ela e insistiria que o rapaz dormisse na tenda com eles. E uma vez que ele enviasse Arthur de volta, daria ao rapaz uma advertência por desobedecer a sua ordem e sair correndo daquele jeito. Ninguém em Lùchairt Granger teria se atrevido a desobedecê-la dessa maneira e ela não ia permiti-lo em Malfoy Fortress. O bom funcionamento e a própria segurança do castelo e seu povo dependiam do respeito ao seu senhor e a sua senhora e à obediência quando davam uma ordem. A castanha sabia que ela ainda era considerada uma estranha e teria que ganhar o respeito, mas não ia admitir desobediência.

Andando pra cá e pra lá, ruminava, furiosa, o que diria ao rapaz. Ela não gostava de repreender ninguém, em especial alguém que gostasse e gostava de Arthur. Parecia um bom rapaz, bem, exceto por ignorar sua ordem. Estava lançando faíscas pelos olhos por isso quando a entrada da tenda ergueu-se, anunciando a chegada de alguém. Apertando a mão sobre a tigela vazia que ainda segurava, Hermione se voltou, mas seu marido entrou sozinho.

— Onde está Arthur?

— Mandei-o dormir.

A jovem franziu o cenho diante da notícia.

— Disse-lhe que ia dormir aqui com…

— Sei. Ele me contou — assegurou seu marido com um leve sorriso — Mas não parecia sentir-se confortável com a ideia, assim ordenei que fosse dormir na parte traseira da carreta com Ginevra.

A expressão de Hermione clareou imediatamente. Tinha esquecido por completo que a ruiva lhe disse que os homens tinham erguido a lona que cobria as mercadorias durante o dia e a colocaram sobre a parte traseira da carreta, para que ela tivesse um pouco de privacidade à noite. Nesta tenda improvisada, deveria ter espaço suficiente na parte de trás da carreta para Ginevra e Arthur, sem que ambos ficassem desconfortáveis.

Ao perceber que Draco estava esperando seu comentário, ela assentiu com a cabeça e murmurou:

— Essa foi uma boa ideia.

— Também confessou que a desobedeceu e saiu correndo para mim depois que ordenou que deitasse aqui e dormisse. Eu não o repreendi — disse e quando ela enrijeceu, acrescentou — Sua ordem contradizia a minha.

Quando Hermione não ocultou sua confusão, recordou-lhe:

— Enviei-o para buscar o unguento. Para obedecê-la, tinha que me desobedecer. Para me obedecer, tinha que te desobedecer. Estava um pouco confuso.

— Oh, aye — concordou ao notar a verdade nas palavras de seu marido — Suponho que a carreta é tão boa quanto a tenda. Pelo menos estará a salvo da chuva.

— Sim — assentiu ele e tomou a mão para aproximá-la dele — E não me impede de fazer isto.

Os olhos de Hermione arregalaram-se, mas logo se fecharam quando o loiro baixou a cabeça e a beijou.

O beijo começou doce e tranquilo, mas logo se tornou apaixonado e ela deixou deslizar a tigela vazia de seus dedos e estendeu a mão para ajudar seu marido a tirar suas roupas, a castanha pensava que seu braço e sua cabeça não deveriam incomodar tanto quanto temia… e certamente era bom que o rapaz não a tivesse obedecido.