Capítulo 11
POV Edward
Profundamente irritado, bati a porta do meu quarto e me joguei na cama, encarando o teto e tentando me acalmar.
Aquele James não tinha nem dez horas que estava por aqui e já tinha conseguido me tirar do sério.
Era arrogante, metido e auto-suficiente, se achando melhor que todos aqui.
Pelo menos ele obedecia Aro. O "líder".
Grande piada.
Aro nunca foi o líder desse bando de vampiros por aqui. Sempre fui eu! Sempre!
Levantei bruscamente e fui até a varanda, encarando a floresta escura, a cor prateada da lua reluzindo nas folhas das árvores.
Respirei fundo e expirei várias vezes, tentando me acalmar.
Estava com uma necessidade insana de ver Bella logo, e pretendia ir até seu quarto vê-la dormir.
Mas sabia que não poderia fazer isso essa noite e por dois motivos.
O primeiro era que eu estava nervoso e inquieto demais para vê-la. Se eu fizesse a burrada de ir até seu dormitório poderia fazer algo do qual me arrependeria depois.
E o segundo era que James estava excessivamente curioso comigo e estava me rondando pelo castelo. Ele jurava que se escondia bem, mas meu dom de ler mentes me ajudava nessa.
Eu sempre sabia onde ele estava rastreando seus pensamentos.
Ele tinha ficado meio chocado por eu, Jane e Alec freqüentarmos uma escola para humanos e mais chocado ainda pela a dita escola ser tão perto do castelo.
Ele não entendia como era bom saber o que os humanos pensavam, como agiam em determinadas situações.
Eu sei que era doentio de minha parte, mas eu também adorava descobrir suas piores fraquezas pra depois me aproveitar disso.
Fiquei perdido em pensamentos até que o dia nasceu.
Por sorte, o sol não apareceu e eu poderia ir para a aula. Achei irônico o fato de eu querer ir para a aula, mas sabia que o motivo não tinha nada a ver com o aprendizado.
Saí do quarto e encontrei com Jane e Alec nas escadas, já vestidos com o uniforme ridículo da Academia.
Saímos do castelo, mas antes que pudéssemos nos embrenhar pela floresta, James apareceu.
- Boa aula. – ele disse debochado.
O ignorei e continuei meu caminho.
- Se eu fosse você, não o provocaria. – ouvi Alec dizer e logo após me seguir com Jane.
James entrou novamente no castelo e nos deixou em paz.
- Esse cara ta me dando nos nervos. – falei enquanto desviava das árvores na minha corridinha matinal.
- Você não pode mostrar que ele te afeta, Edward. – Alec falou – Ele se vangloria por isso.
- Aposto como ele desconfia que você é um... – Jane começou.
- Não diga. – interrompi Jane antes que ela dissesse meu sobrenome alto demais.
- Desculpe. – ela disse, enquanto diminuíamos a velocidade, chegando à Academia.
- Agora, mais do que nunca, vocês precisam manter meu sobrenome em segredo. Não me chamem mais de príncipe, ou qualquer coisa parecida. Eu não confio nele. E não pretendo me revelar tão cedo. – falei.
- Ok. – os dois disseram.
- Agora, vamos. – eu disse, entrando no prédio na velocidade humana.
POV Bella
Edward não estava no refeitório na manhã de segunda. Isso me deixou meio mal, mas fiz meu caminho normalmente até a sala de aula. Alice matracava sobre as compras do dia anterior e Angela só ouvia. Eu fingia estar andando com elas.
Quando entramos na sala, meu coração pulou na caixa torácica.
Lá estava ele, sentado com a cabeça baixa, mexendo com a caneta distraidamente, com uma expressão pensativa e furiosa.
Pensei em ir até ele e lhe dar um susto, mas quando me aproximei, ele levantou a vista.
Quando me viu, a fúria que eu pensei ter visto não estava lá e ele sorriu.
- Olá, Bella. – ele cumprimentou, os olhos dourados faiscando.
- Olá, Edward. – devolvi, me sentando.
Virei-me para ele e comecei.
- Obrigada pelas flores. São lindas.
- De nada. Que bom que gostou. – ele disse, deixando no ar a pergunta que fizera no cartão.
- E eu vou adorar jantar com você na sexta. – completei, me virando pra frente.
Consegui ver o sorriso torto que ele deu ao ouvir minha resposta, mas o professor já tinha entrado e eu só poderia conversar com ele depois.
Maldita vida acadêmica!
No horário do almoço, Edward deu uma desculpa qualquer que precisava resolver um assunto no telefone e iria rapidinho até o seu dormitório.
Fui para o refeitório encucada e quando cheguei lá comecei a me perguntar se ele sequer comia.
Não me lembrava de tê-lo visto comendo nenhuma única vez.
Talvez ele não gostasse da comida daqui e comesse no próprio dormitório, já que a comida do refeitório não era obrigatória e cada mini-apartamento tinha uma cozinha minúscula à disposição.
A maioria dos alunos preferia comer o que a Academia servia, mas me perguntei se Edward faria o mesmo.
Deixei pra conferir esse detalhe na sexta e almocei com as meninas.
Sentia-me cada vez pior com relação a minha nova posição de candelabro na mesa, mas não havia nada que eu pudesse fazer... Por enquanto.
Alice, Rosalie e Angela percebiam meu desconforto com o trio de casais e faziam o máximo possível para o clima não ficar romântico demais, pra que eu não me sentisse por fora.
Andando de volta à sala de aula, percebi como estava sendo estúpida.
Desde quando eu me importava com isso?
Quando entrei na sala, soube o motivo.
Desde que eu conhecera Edward Volturi. Ou seja lá qual era o nome verdadeiro dele.
Isso era totalmente insano, mas eu não podia negar mais.
Eu estava irrevogavelmente apaixonada por ele.
E eu me odiava por isso.
Sentei na minha cadeira em frente a de Edward e suspirei.
- O que houve? – ele perguntou.
Não me virei para responder e não proferi uma palavra. Apenas balancei a cabeça negativamente.
- Bella, eu te conheço o suficiente pra saber que algo te incomoda. – ele insistiu, a voz um pouco mais autoritária.
- Não é nada, Edward. Deixa pra lá. – eu falei.
Ele começou a retrucar, mas o professor chegou pedindo silêncio. Pensei ter ouvido um praguejar baixo vindo de Edward, mas não tinha certeza.
Na Educação Física, me lembrei de algo que não o tinha perguntado e quando nos posicionamos em dupla para o último dia de tênis, decidi perguntar.
- Edward, posso te fazer uma pergunta?
- Claro.
- Você me responderia sinceramente?
- Depende da pergunta. – ele sorriu torto.
Entortei a cara, mas resolvi arriscar.
- Como você deixou aquelas flores no meu quarto?
Ele me olhou com um sorriso enviesado e respondeu com os olhos brincalhões.
- Não digo.
- Ah, qual é, é meu quarto! – insisti.
- Calma, Bella. Eu não peguei nada do seu quarto e muito menos fucei suas coisas. Apenas entrei e deixei as flores, não precisa se preocupar. – ele piscou.
Continuei emburrada por isso durante as duas primeiras partidas, até que ele suspirou.
- Bella, você está zangada comigo? – perguntou, enquanto nosso adversário mudava.
- Não, mas eu realmente gostaria de saber. – falei, olhando para baixo e numa voz que achei mimada demais.
Ele riu um pouco e puxou meu queixo para que eu o encarasse.
- Não se preocupe com isso. – ele pediu – Apenas confie em mim.
Os olhos dele ardiam e eu não pude fazer outra coisa senão concordar com a cabeça.
Ele sorriu e tirou a mão fria do meu queixo, voltando os olhos para nossos adversários.
No fim da aula, ele se despediu dizendo que me ligava à noite.
Alice veio imediatamente para perto de mim quando ele se afastou.
- Isa! – ela chamou – Uau! Pensei que o Edward não ia deixar você nunca mais.
Ela riu com a própria piada, mas minha mente sorriu com a idéia.
Balancei a cabeça descrente por ter pensado na possibilidade e marchei com Angela e Alice para os dormitórios.
Emmett nos parou no meio do caminho chamando para o primeiro jogo de baseball da temporada, no campo coberto por trás do ginásio, naquela noite.
Achei uma boa sair de dentro do quarto e depois do jantar, nos arrumamos e fomos ver o jogo de baseball.
Já no campo minúsculo de baseball, nos sentamos na última fileira das arquibancadas cobertas.
Suspirei tardiamente por lembrar que não convidara Edward para a partida.
- Chamou o Edward? – Alice me perguntou.
- Não. – confessei.
- Devia chamar. Ainda dá tempo. – ela disse, encorajando-me estendendo seu próprio celular.
Eu olhei o aparelho e pensei nos prós e contras. Derrotada, afastei o celular de Alice.
Ela me olhou confusa, mas entendeu quando peguei meu próprio celular e disquei o número salvo na agenda.
- Bella? – a voz de Edward ecoou do outro lado, surpresa.
- Pela primeira vez é você que atende ao telefone primeiro e não outra garota... – observei.
A risada baixa e rouca dele ecoou.
- Isso é porque não existe outra garota, Bella. As que falaram com você são parentes que ficam me enchendo o saco. – ele disse.
Considerei por um momento.
- Ok.
- Mas me diga, por que ligou?
- Você não queria? Está ocupado? – fiquei anormalmente preocupada.
- Não, eu adorei a surpresa. Mas estou curioso. – ele se apressou em responder.
- Hm. Então... Você vai pro jogo de baseball? – perguntei direto.
- Deveria? – ele riu.
- Hm, não sei. – eu disse insegura – Eu estou aqui e só queria saber.
- Hm, você vai assistir ao jogo? – ele agora parecia mais interessado ou eu que estava alucinando?
- Essa é a idéia. – falei rindo nervosa e me odiando logo depois.
- Hm... Então estarei aí em dez minutos. Onde, exatamente, você está? Não quero ficar procurando o estádio todo, sabe. – ele riu.
Eu sorri involuntariamente com a disposição dele em vir de última hora e me apressei em ver qual arquibancada estava sentada.
- Hm, estou na arquibancada C, com o pessoal. – eu disse.
- Chego já aí. – ele disse e desligamos.
Suspirei e quando percebi, Angela, Alice e Rosalie me olhavam com olhares e sorrisos divertidos.
- Vocês estavam ouvindo? – perguntei.
- Claro. – Alice piscou – Não se preocupe, não falaremos nada.
Eu a olhei incrédula.
- Toma isso – ela me estendeu a bolsa – Coloca do seu lado e guarda o lugar dele.
Não podia negar nada a Alice e nesse caso, eu não queria negar.
Peguei a bolsa e coloquei do meu lado, ignorando as batidas descompassadas do meu coração.
Cinco minutos depois o jogo começou, mas eu não conseguia distinguir muitos lances.
Apesar de adorar baseball, minha mente estava longe.
Reconheci o capitão do nosso time. O tal do Alex que tinha tentado dar em cima de mim e levado um soco meu. Sorri com a lembrança.
O time até que jogava bem, não era nenhuma vergonha. Mas o time adversário era tão bom quanto e ninguém tinha aberto o placar ainda.
Tentei não olhar para a entrada do mini estádio o tempo todo.
Acho que consegui porque quando menos esperei, lá estava ele, subindo as escadas laterais da nossa arquibancada, sem tirar os olhos de mim.
Sorri quando seu olhar encontrou o meu e tirei a bolsa de Alice, colocando no colo.
Ele sorriu mais e sentou do meu lado.
A bolsa foi arrancada de mim e vi pelo canto do olho Alice tentando disfarçar que não estava prestando atenção em nós.
- Oi. – ele disse, a voz rouca e aveludada tão sexy que pensei que ia babar.
- Oi. – falei timidamente.
Recomponha-se, Isabella! Você não é tímida!
- Então, como estamos? – ele perguntou olhando para o campo e se surpreendendo. – Nenhum ponto ainda?
- Não. O time adversário é tão bom quanto o nosso. – eu observei, desviando meus olhos dos dele.
- Isso não é desculpa. Aposto que não estão jogando tão bem assim – vi pelo canto do olho ele contorcer o rosto em desaprovação.
Eu ri um pouco e continuei vendo o jogo. Não prestei atenção a nenhum lance.
Num momento que eu não vi, meu joelho encostou na perna de Edward.
Apesar do tecido de nossas calças jeans, pude sentir o gelo da pele dele. Mas isso não me fez recuar. Eu senti uma descarga elétrica e fiquei momentaneamente sem ar.
Edward não moveu a perna. Moveu o braço. E o colocou no meu ombro, me puxando levemente pra mais perto dele.
Quando consegui mover o rosto para olhá-lo, ele não olhava o jogo mais. Olhava a mim.
Os olhos dourado-hipnóticos dele me encaravam com tanta intensidade que me senti mole. Minhas pálpebras começaram a fechar e eu inclinei o rosto na direção dele, inconscientemente.
- AHHHHHHHHHHHHHH!!!!! – o grito enlouquecido da torcida me deu um susto dos grandes, me fazendo pular pra longe de Edward.
Quando consegui me concentrar o bastante, percebi que o jogo tinha acabado e nosso time tinha ganhado.
Alice era a fonte maior de gritos que eu já vira na vida. Ela gritava e pulava, abraçando qualquer um que a olhasse. Decidi não olhar mais pra ela.
Vi Edward sorrindo pra mim.
- Ganhamos! – eu disse.
- Parece que sim – ele riu. – Vamos.
Ele se levantou e me puxou junto com ele.
- Ei, tenho que avisar as meninas. – eu disse.
- Oh, claro. – ele disse, soltando minha mão.
- Alice, to indo com o Edward, ta? Até depois. – eu disse, meio gritando, no ouvido dela.
- AAAAAAAAH! – ela me abraçou – Ganhaaaaaaaamos! – ela me apertou – Ok, vai lá. Nos falamos depois.
E depois se virou e continuou gritando, se jogando no colo de Jasper.
Eu ri com a mudança súbita e me virei, encontrando um Edward sorridente e muito lindo.
Foco, Isabella.
Descemos a escadas rápido e quando chegamos lá embaixo, vi ao longe uma barraca de cachorro-quente.
- Quer cachorro-quente? – Edward ofereceu.
- Hm. Quero, obrigada. – falei.
- Volto já, me espere aqui. – ele disse e saiu andando em direção à barraquinha.
Quando menos esperei, senti algo muito forte me segurando.
Olhei assustada e vi um dos jogadores do time me segurando. Ele era grande como Emmett (um pouco menor) e não era assustador. Mas tinha uma força desgraçada.
- Ei! Me solta! – eu disse.
Ele me arrastou por um corredor estreito e pouco iluminado, e me soltou, ficando parado bloqueando a passagem de volta.
Olhando pra frente, vi Alex me olhando sorridente.
- Ora, ora. Quem encontramos aqui. – ele disse e me imprensou contra a parede – E agora, quem é a durona?
Os amigos dele riam enquanto eu olhava-o completamente surpresa.
- Me solta, seu idiota. – eu cuspi as palavras.
- Não solto não. Você vai receber na mesma moeda. E ainda pior. – ele disse.
O grandalhão saiu da posição de segurança e me segurou de novo, colocando uma das mãos na minha boca, cobrindo-a.
Eu ia gritar, espernear, bater neles... Mas o cara era grande e forte demais e me segurou de um jeito que eu não tive como mexer um único músculo.
Alex me olhou e mordeu os lábios, se aproximando.
Eu urrava contra a mão grande do idiota musculoso enquanto Alex vinha.
Ele me deu um soco na barriga, igual ao que eu tinha dado.
- Pronto, dívida paga. Agora vem a diversão. – ele disse, abrindo meu casaco e arrancando-o de uma vez só, me deixando só com a blusa de alça fina e semi-transparente.
Percebi tarde demais que ele queria mais do que vingança.
Aterrorizada como nunca e totalmente impotente, me vi como vítima pela primeira vez. E vítima de algo que eu temia mais do que tudo.
Eu esperei ele começar a me estuprar de olhos fechados, mas nada aconteceu.
Quando abri os olhos, Edward segurava Alex pelo pescoço com apenas uma das mãos, suspendendo-o.
- O que você pensa que está fazendo? – ele urrou, a voz totalmente descontrolada.
Eles estavam de lado pra mim e eu consegui ver o medo estampado no rosto de Alex e a fúria insana e homicida nos olhos repentinamente negros de Edward.
Senti o aperto em volta de mim afrouxar e vi que o grandalhão se preparava pra fugir.
Antes que eu me desse conta, Alex estava jogado no chão com o nariz quebrado e Edward olhava por trás de mim para o grandalhão. Ele também bateu no grandalhão, que pra minha surpresa, também caiu no chão com a pancada, levando de brinde o nariz quebrado.
Edward olhou Alex ainda furioso.
- Se você tentar chegar perto dela mais uma única vez, eu juro que mato você. – ele disse.
Naquela hora, não era Edward quem falava. A voz dele tinha um timbre totalmente diferente. Era mais séria, mais autoritária, mais grave, mais furiosa e homicida. Era assustadora do tipo a arrepiar todos os pêlos do corpo e te deixar paralisado de medo.
Alex engoliu seco e Edward pegou meu casaco do chão, me cobrindo e me puxando pra fora do corredor escuro, ainda com a expressão homicida no rosto.
- Você está bem? – ele perguntou, a voz agora do Edward que eu conhecia, suave e preocupada, apesar da expressão furiosa.
Balancei a cabeça fracamente, percebendo só agora que estava travada pelo pânico antecipado.
O estádio já estava praticamente vazio e eu tremia, de frio e de medo.
Edward tirou o casaco dos meus ombros e o vestiu em mim, já que eu não tinha movido um único músculo para isso.
- Vamos sair daqui. – ele disse e praticamente me arrastou pra fora.
Não consegui falar uma palavra.
Até que vi que Edward tinha me levado até a pequena clareira com o riacho de antes.
Ele me sentou na grama e eu suspirei fechando os olhos.
- Bella, você está bem? – ele repetiu a pergunta.
Eu inclinei a cabeça e a encostei no ombro dele, ainda de olhos fechados.
- Agora estou, obrigada. – eu disse fracamente.
Ele não respondeu, mas me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.
Ficamos lá por um bom tempo, sem falar nada, até que eu bocejei.
Ele riu e disse que eu precisava dormir e me acompanhou até a porta do meu dormitório.
Eu entrei no quarto e me despedi dele, dormindo muito rápido logo depois.
POV Edward
Minha vontade era torturar o Finnegan até que ele implorasse a morte e depois continuar torturando-o e matá-lo da pior forma possível, quebrando todos os ossos do corpo dele lentamente, até arrancar sua cabeça fora.
Nunca odiei humano nenhum em particular, mas esse despertara em mim o ódio mais puro e mortal que poderia existir.
O simples fato de ter ouvido seus pensamentos grotescos, nojentos e vitoriosos enquanto eu comprava o lanche de Bella me fez tremer de raiva e eu pensei que explodiria.
Quando a vi presa ao capacho do covarde, apenas com uma blusa fina que não cobria praticamente nada, meu sangue congelado ferveu como se estivesse sendo aquecido por uma fornalha de 10.000 graus.
Não sei como controlei minha força quando o suspendi pelo pescoço. Não sei como não o matei ali mesmo. Não sei como consegui apenas quebrar o nariz dele.
O fato de que Bella ainda estava lá, provavelmente em perigo e em choque, já que ela manteve os olhos fechados, deve ter sido o motivo para não me fazer matar o infeliz naquele momento.
Mas agora aqui estava eu, sozinho após ter deixado Bella segura no seu dormitório.
Eu poderia facilmente encontrar o cretino e seus amigos e aniquilá-los agora mesmo.
Claro que minha vingança só seria completa quando eu os levasse até o castelo e realizasse todos os tipos de tortura possíveis e impossíveis que eles pudessem aguentar. Por que que graça teria eu torturá-los e eles acabarem morrendo na tortura? Eles tinham que aguentar todas elas, sofrer e implorar a morte com cada fibra do seu ser, era isso que eles mereciam.
Mas eu não podia fazer isso.
Levá-los ao castelo implicaria a exposição à minha espécie. E a exposição levaria a morte dos canalhas.
Não que eles não merecessem. Mas a morte deles certamente daria aos humanos o que pensar.
E nós precisávamos ser discretos e não cometer erros.
Respirei fundo, ainda sentindo o aroma de Bella que tinha impregnado meu casaco. A queimação foi bem-vinda, já tinha me acostumado.
Mas eu precisava sair dali antes que enlouquecesse com a idéia tentadora de matar uns humanos nojentos.
Voltei rápido para o castelo e me surpreendi ao ver que todos os vampiros que moravam ali me esperavam no grande saguão de entrada, em um círculo.
- Até que enfim chegou, Edward. – Jane ironizou – Estávamos esperando você.
Na mente de todos eles, percebi que me esperavam para uma reunião comum. Quase bufei de impaciência, mas eu realmente precisava me distrair e aquela era a forma perfeita.
Alec percebeu minha fúria homicida mais rápido que os outros e me lançou um olhar curioso, especulativo. Nada falei.
Apenas andei e me sentei no meu lugar, ao lado de Aro, que fingia ser o verdadeiro líder do grupo.
- Antes eu gostaria de saber... Quem convocou a reunião? – perguntei.
- James. – Aro respondeu – Ele quer saber os pontos exatos de nossa investigação e de nossas atividades. Achei que o correto seria fazer isso com todos presentes, incluindo você – ele me olhou sugestivamente.
Daquele grupo, apenas Aro, Jane, Alec, Tanya, Irina, Kate, Caius, Marcus, Felix e Demetri sabiam minha verdadeira identidade e estavam atentos a cada movimento meu. Qualquer ordem silenciosa minha eles teriam que executar. James e Victoria tinham sido proibidos de saber sobre isso.
Acenei a cabeça concordando e James me olhou curioso. Ele ainda não acreditava na história que eu era apenas um serviçal de Aro, um mero empregado.
Ele estava certo, claro. Mas eu não confiava nele. Ele não podia saber a verdade.
- Antes de tudo – James começou – Eu queria saber quais as informações que vocês tem sobre um boato que eu ouvi nos últimos anos.
- Que boato? – Jane perguntou.
- De que ainda existe um Cullen vivo. – ele disse.
Estremeci internamente. Ele realmente sabia da existência do boato.
Todos nos olhamos e eu resolvi falar.
- Tudo que sabemos é que se existe mesmo um Cullen vivo, ele deve estar muito bem escondido. – eu disse – O que, é claro, são apenas suposições.
Ele acenou a cabeça e aceitou, momentaneamente.
Depois disso Aro começou a explicar como agíamos por aqui. Como caçávamos e todas as perguntas de James e Victoria.
James não aceitou minha resposta sobre os Cullen e por isso voltou a perguntar várias vezes, tirando toda a minha paciência.
Quando, finalmente, Victoria o convenceu de que nossas respostas eram verdadeiras, os dois se retiraram, indo até a cidade escura para caçar.
Quando eles se afastaram do castelo, chamei Felix e Demetri.
- Sigam-nos. E me digam tudo que fizerem depois. Não deixem que eles percebam.
Eles acenaram e saíram.
- Não confio nesses dois. – sibilei.
- Nem eu – Jane acrescentou – Temos que ficar de olho neles.
- E se eles descobrirem a verdade? – Alec especulou.
- Iremos eliminá-los. – eu disse simplesmente, me levantando.
- Mas eles são fortes, Edward. São rápidos e ágeis. Mesmo em maior número nós podemos ter uma certa desvantagem. – Aro observou.
Soltei uma risada de descrença. Tirei meu medalhão de dentro da camiseta e o mostrei.
Aro, Jane e Alec se retraíram ao ver o brilho dourado do medalhão, que eu tinha no pescoço desde que nascera.
- Esqueceu com quem está falando, Aro? – perguntei debochado – Esse medalhão não está no meu pescoço há tanto tempo a toa. Acredite em mim, se James fizer algo para arruinar meus planos, eu o faço virar cinzas.
Coloquei o medalhão de volta no lugar e marchei rumo ao meu quarto.
