Título: São Precisos Dois Para Praticar.
Capítulo 11: Sem Amarras
Autora: Rogue in Rouge. Profile: ht*tp:* /w*ww.*fanfiction.*net /u/ 558994/*Rogue_in_Rouge
Disclaimer 1: não possuo as HQs do X-Men, desenhos, filmes ou qualquer outra franquia relacionada – isso parece chocante.
Disclaimer 2: Eu, que estou traduzindo, não possuo as HQs do X-Men, desenhos, filmes ou qualquer outra franquia relacionada E ESSA HISTÓRIA, quero deixar claro. =P
N/T: Bom, vamos lá. Demorou como eu disse que demoraria, dado o tamanho absurdo desse capítulo. Entretanto, devo assumir minha significativa parcela de culpa na coisa; não foi só a falta de tempo que me atrapalhou, mas também o fato de que eu me dei conta de que também não gosto desse capítulo. Como eu disse, esse tipo de narrativa retrógrada, com o perdão da palavra pejorativa, me irrita um bocado. É lenta, confusa - porque muitas vezes não nos lembramos com detalhes das passagens - e traz pouca coisa nova, no geral. Enfim, espero que gostem mais do que eu.
E, tirando o dia para ser portadora de más notícias, não sei quando vai sair o próximo, talvez demore bastante tempo também. Vocês devem ter percebido que não está sendo mais possível copiar textos aqui do site, por alguma política de privacidade que foge do meu entendimento. A questão é que, sem esse recurso, fica MUITO mais difícil e lento para traduzir, porque eu não poderia copiar o texto para o meu pc e teria que ficar olhando a página da história frase por frase. Eu sinto muito, mas não posso fazer muita coisa nesse sentido =(
Ah, para completar meu desconforto, tem uma musiquinha aí no meio do capítulo. "Over my Head", de uma banda chamada The Fray.
Até a próxima e muito, muito, muito obrigada a todas as pessoas que permanecem lendo essa tradução. E me perdoem por eventuais erros, eu não tive tempo de revisar muito bem =)
Três semanas e meia.
23 dias.
X horas. (Ele não estava tão triste a ponto de saber aquilo. De qualquer forma, como deveria contar, para começo de conversa? Só as noites ou os dias também? Ocorreu-lhe que eventualmente ele gostava de matemática. Maldita fosse ela.)
E assim mesmo, os dias tinham simplesmente se extinguidos, como se eles nunca tivesse acontecido, em primeiro lugar.
"Boa noite, senhoritas," Ele disse para a sala de forma geral. Jubileu e as garotas mais novas deram risadinhas de onde estavam lavando a louça. Ele adentrou mais o ambiente e lá estava ela.
Os olhos deles se encontraram e - nada.
O sorriso cínico na boca dele permaneceu estático e gelado; Vampira, por sua vez, simplesmente desviou o olhar.
Ela pegou alguns guardanapos e se dirigiu à sala de jantar. "É hora de comer, galera!"
Ele não a observou sair. Não o fez, mesmo que seus olhos tivessem se virado para aquela direção...
O orgulho exigia que ele desempenhasse aquele papel. Provar para ela que tudo não tinha significado nada. Sua rej-recusa em continuar não fora nada para ele. Menos diversão, talvez, mas ele já havia tido a sua cota. Tinha possuído-a - em mais de uma maneira – e isso era o suficiente. Ele apostou, superou as dificuldades e limpou a mesa - não havia nenhuma razão para ficar reexaminando as apostas, questionando se elas tinham valido a pena.
Naquela noite, ele se encontrou voltando-se para a janela, pousando a mão sobre o batente antes que a realidade se afirmasse friamente: Ele não tinha que usar aquela saída porque o destino habitual já não existia.
Não para ele.
Não mais.
Em vez disso, ele saiu pela porta, examinando suas opções. Não estava com vontade de permanecer no seu quarto; um pegador como ele não deveria ser confinado entre quatro paredes. Não, a energia correndo por seu sangue demandava que ele saísse para caçar e já estivera tempo demais com uma só. Não mais.
A boate 'Inferno' surgiu primeiro na sua mente, mas - sua garota – era muito longe para ele naquela noite.
Ele só precisava sair; não importava para onde.
Recusou-se a pensar no fato de que parecia bizarro estar sozinho - sem ela.
Misturou-se a multidão, piscando para uma loira com seus olhos castanhos, batendo o copo de vodka no balcão - Nada de bourbon, nada de Absolut, nada de Southern Comfort para ele - pediu uma outra dose. (1)
Esse era ele.
E não havia femme que pudesse mudar isso.
Ele era, afinal de contas, o Gambit. Desistir dela (algo dentro dele se contorceu diante do pensamento, mas ele ignorou) era uma coisa pequena diante da sua liberdade.
Eu nunca soube
Eu nunca soube que tudo estava desmoronando
Que todos que eu conheci estavam esperando uma deixa
Para dar as costas e correr quando tudo que eu precisava era a verdade
Mas é assim que tem que ser
Está se resumindo a nada além de apatia
Eu preferiria correr pro outro lado do que ficar pra ver
A fumaça e quem ainda está em pé quando tudo clarear
"Então eu tenho que me comportar e ser uma boa garota para o Jameson-" Ela estava falando com Kitty, caminhando pelo hall, irradiando aborrecimento.
"Vampirinha, une bonne fille?" Teatralmente, sua mão pousou sobre o coração. "Nunca!"
Ela parou de andar para olhar feio para ele, que teve a impressão de que a sombra no olho dela estava mais escura do que o normal. "Rato de Pantâno, não se meta nos meus assuntos."
"Ah, qual é, chérie," o apelido escorregou devido ao hábito e sua garganta se apertou. Mas aquela não era uma novidade e ele simplesmente ignorou a reação. "não é uma crítica." Ele sorriu, estonteante. "Remy gosta de garotas malvadas."
Ela o encarou por um segundo - e naquele segundo, houve um leve relaxar dos ombros dela e ele pensou que tinha visto algo- mas então ela fez uma careta desdenhosa.
"Claro que gosta."
E ele foi deixado sem saber exatamente o que pensou que havia visto.
Ou mesmo o que ele gostaria de ter visto.
Mas não era a mesma coisa...
Orgulho ferido, entretanto, demandava que agir normalmente não era suficiente. Como ela ousava ter desistido tão cedo - se retirado da mesa enquanto ele ainda estava pronto para jogar? Como se as apostas subitamente não valessem mais a pena? E ele realmente tinha que parar de fazer analogias com jogos de cartas.
Repassou suas opções mais uma vez.
Ignorá-la. Ponto positivo: começar a prestar atenção em áreas negligenciadas por muito tempo e basicamente retornar para ela a mesma atitude que ela estava tendo diante dele. Ponto negativo: poderia ser interpretado como ele sendo incapaz de lidar com ela; não prestar atenção nela provavelmente seria um alívio para ela. Sua mandíbula ficou tensa e ele seguiu adiante.
Irritá-la. Ponto positivo: o pensamento causou uma leve onda de satisfação pessoal; Vampira nunca ficava tão inflamada como nas vezes em que ela estava excitada ou com raiva. E isso era alguma coisa, dada suas cartas atuais... Ponto negativo: poderia ser interpretado como se ele estivesse com raiva dela, trazendo a tona questões de gente de fora sobre a razão desse comportamento; podia também sinalizar para Vampira que ele estava mais afetado pelo caso deles do que ela estava. O que não era o caso. Mesmo que ela parecesse completamente indiferente à experiência agora - seus dentes se cerraram e ele repassou os pontos positivos por mais alguns minutos.
Evitá-la. Mesmos problemas de ignorá-la.
Ainda flertar levemente com ela - mantinha o status quo.
Era o curso de ação mais sábio, isso era claro, mas - era como cutucar uma ferida. Ele não tinha se dado conta do quanto ele tinha se acostumado com seus flertes provocantes ou com, pelo menos, o meio sorriso de conspiração, das brincadeiras zombeteiras. Era como se eles tivessem uma piada interna, um conhecimento que era só dos dois.
Mas agora ela levantava o nariz para ele e o deixava na mão.
A necessidade de irritá-la acabava irritando-o mais ainda.
"D'accord."
"O.K."
"Ah, não pronuncie o último 'd'. Em francês, nunca se pronuncia o final, exceto se ele for um 'c', 'r', 'f' ou um 'l'."
"É por isso que você corta tantos finais com consoantes?"
"Um pouco." Seu dar de ombros foi indiferente.
"D'accor-"
"Bien."
"Fille."
"Garota."
"Garçon."
"Garoto."
"Nesse caso, o 'c' tem cedilha – aquela coisa que parece um anzol. Ela significa que o 'c' é mais suave, como um 's' e não como um 'k'. D'accord?"
Em toda sua vida, Remy nunca tinha se imaginado naquela posição - 'professor' para meia dúzia de estudantes de olhos arregalados. Mas, mais uma vez, ele já tinha feito um bocado de coisas que nunca tinha previsto que faria, desde que tinha vindo para o Norte. Aquela, entretanto, definitivamente não tinha sido sua idéia.
"D'accord!" Dessa vez o coro foi uníssono.
"Remy, quando você formalmente aceitou minha oferta de viver aqui, nós discutimos os termos sob os quais esse acordo iria acontecer." Xavier parou de falar e Remy, ainda que seu rosto permanecesse inescrutável, sentiu ondas de desconforto. Ele não tentaria renegociar, não é? "Você seria livre para ir e vir, mas compareceria as sessões de treinamento e estaria disponível para missões de natureza sensitiva. Entretanto, me ocorreu que você poderia querer mais do que simplesmente estar disponível."
"Mais coisas para fazer?"
"Bem, sim. Você tem certas habilidades que poderiam beneficiar os alunos mais jovens. Por enquanto, seu conhecimento em línguas estrangeiras e o seu próprio regime de condicionamento físico."
Ele contemplou a idéia.
"Femme."
"Ah, essa é fácil," Jubileu se prontificou a responder. Ela bateu os cílios um pouco, sorrindo para ele. "Mulher bonita."
"Desculpe, petite." Seu sorriso era bastante simpático, mesmo que ele tivesse que conter mentalmente sua exasperação. Eles só estavam praticando palavras muito básicas para a revisão da primeira prova das crianças. E femme era praticamente uma palavra cognata.
"Pequena," falou Tabitha com um sorriso malicioso, finalmente abrindo mão da sua expressão entediada. Ela não estava nas aulas de francês, mas a pequena sessão de aulas particulares fornecida por Remy para Rahne, Jaime e Jubileu, de alguma forma, tinha rapidamente se transformado numa reunião de todos os Novos Mutantes.
O apelo da coisa parecia ser uma mistura dele mesmo (o rubor de Amara parece indicar isso), a linguagem (Roberto, pelo menos, parecia estar comparando-a com espanhol), ou apenas a possibilidade de ver os companheiros de equipe humilhando-se e tentando se comunicar em uma outra língua (sem dúvida, a última era a causa da presença da Tabitha). (2)
"Mas isso é o que você sempre diz!" Jubileu protestou.
Ele falou por cima do protesto. "Mas isso é belle femme ".
"Belle - como no filme da Disney?" Perguntou Jaime.
"D'accord!" Rahne parecia satisfeita em ser capaz de aplicar seu novo conhecimento.
Remy fez uma careta. O massacre de sua língua materna - ou pelo menos de uma variante dela - por pessoas que só falavam inglês sempre o fazia estremecer. "Na verdade, d'accord é usado para se concordar com uma afirmação, não para responder uma pergunta. A expressão que você quer é c'est vrai".
"O que significa isso?"
"É isso aí."
"Huh?" E ele se perguntou mais uma vez porque tinha concordado com aquilo.
"O que está rolando aqui, Rato de Pântano?"
"E sobre os estudantes mais velhos?" Era uma pergunta capciosa e Remy observou cuidadosamente o telepata, em busca de sinais que permitissem descobrir se o homem mais velho sabia sobre a pequena oferta que ele tinha havia recebido. Ainda assim, não machucaria resolver aquele pequeno problema naquele momento. Ele espalmou as mãos sobre o colo e deu um sorriso arrogante. "Com certeza eu poderia ensinar ao Scott uma ou outra coisa."
Xavier encontrou seus olhos, finalmente. "Eu deixo essa decisão nas mãos deles. Eles tem idade suficiente para decidirem sobre seus próprios compromissos." Ele parou, olhando por cima das mãos unidas em forma de sino. "Estou certo de que você pode acertar esses detalhes com eles pessoalmente."
Ele manteve seu rosto neutro.
Bem, aquilo não era tão interessante então.
"Só estou sendo útil." Imediatamente, seus olhos se desfocaram, olhando de esguelha para Vampira. Seus dedos se fecharam.
"Você?" O tom era hostil e sua mandíbula se cerrou levemente. "E então? Eles estão te pagando com cigarros de chocolate?" Havia um leve desprezo na voz dela e, de alguma forma, aquilo fez a frase ficar mais difícil de engolir.
Ele zombou, se encostando contra sua cadeira. "Como se eu fosse barato assim." Ele a observou atentamente e talvez... Talvez ele gostasse de sofrer.
"Xavier pediu para ele," Bobby cortou a conversa da sua posição encostada contra uma parede. Ele cruzou os braços e pareceu naquele momento menos casual e mais como se estivesse contendo certa raiva. Remy passou os olhos pela sua platéia, notando o olhar afiado que Tabitha estava lançando em direção aos dois. Mas ele não perdeu a pose e passou a avaliar a expressão de Vampira. Então, se virou para a pequena multidão.
"Tempo livre." Sorrisos se espalharam pelo seu grupo de estudo, mas sua atenção não estava neles. Ele olhou desafiante para Vampira.
"Conasse."
Os olhos da Vampira se estreitaram. "Eu conheço essa."
"Sério?" Ele falou, arrastando a palavra.
Ela franziu a sobrancelha. "Você não deveria estar ensinando palavrões a eles."
Ele deu de ombros indolentemente. "É importante que eles conheçam alguns. Garante que eles não insultem alguém acidentalmente."
"Acidentalmente... É claro que não," Ela zombou, dando-lhe um longo olhar. Seus olhos se encontraram como duas espadas afiadas. Finalmente, ela jogou o cabelo para trás. "Então talvez eu possa ajudar." Ela olhou-o com astúcia antes de dizer a palavra, como se estivesse lançando uma isca sangrenta para um tubarão. "Bibette."
Foi a voz dos olhos dele se estreitarem. "Isso é Cajun." Ele disse, cortante.
Ela arregalou os olhos, zombeteiramente. "Sério?"
"Vampira!"
Ela virou-se, registrando a presença de Kitty acenando para ela. Com apenas um único olhar para trás, ela girou nos calcanhares.
"Acho que não posso ajudar mais," As palavras a seguiram e os punhos dele se cerraram incontrolavelmente.
Mas ele não a seguiu. Não outra vez.
Ela havia fugido dele.
Seu primeiro instinto foi fazer um balanço de sua condição. Ele sentiu como se sua pele tivesse sido contaminada com uma espécie de congelamento - ou assim que ele assumiu que um congelamento deveria parecer, embora nunca tivesse realmente experimentado a sensação antes. E ele quase se engasgou diante da evidência assustadora de que ela definitivamente tinha drenado-o. Sem mesmo que ele percebesse.
Sua próxima verificação apavorada tinha sido a checagem dos seus bloqueios mentais. Desde o início do seu treino, ele foi aperfeiçoando a técnica de manter seus muros mentais enquanto deixava seus poderes empáticos livres. Tinha sido difícil manter o paradoxo, mas ele tinha ficado satisfeito com o resultado até agora, até onde podia saber. Mas dessa vez, ele havia sido tão bem sucedido?
Ela havia fugido dele.
Ele olhou para ela e observou seus olhos arregalados, mas não verdes – o vermelho e preto olharam-no de volta e ele sentiu seu estômago se torcer. Ela tinha drenado-o profundamente dessa vez e ele sentiu medo do poder dela, pela primeira vez.
Mas a questão não era o que ela poderia fazer com ele.
Não, era o que ela poderia tirar dele.
Ela havia fugido dele e levou um minuto até que ele percebesse o real motivo. Sua empatia ainda estava entrelaçada com ela e mesmo que ela tivesse fugido pelo corredor, ele podia sentir o eco, a vibração pulsar fortemente dentro dele. O chamado de uma sereia.
O gosto amargo da dor dela, do medo, do desespero.
Era aquilo - o desespero dela - que o assombrava mais. Ele sabia como era perder o controle, a sensação vertiginosa de afundamento, de que mundo tinha saído completamente do seu eixo e que não havia uma maldita coisa que você pudesse fazer para detê-lo ou corrigi-lo; ele não suportaria vê-la daquela forma - ela de todas as pessoas - vencida por aquela sensação.
Ele não podia deixar de ir até ela.
Andando pelo corredor, meio desequilibrado, ele empurrou de lado suas próprias dúvidas, seus próprios medos. Aquilo era sobre ela, não sobre ele. Aparentemente, ela não tinha absorvido tanto de sua mente assim.
No entanto, ele disse a si mesmo que só poderia ir tão longe quanto ela permitisse, e não mais além -
"Me deixa entrar, chérie."
"Me deixa sozinha, Remy! Eu-eu – você não deveria ficar perto de mim!"
O tremor de a voz dela era inconfundível - assim como o arrepio que passou por sua espinha quando ela usou seu nome. Agora ela o conhecia.
"Deixe que eu decida isso, chérie."
- Mas enquanto ele abria a fechadura, podia sentir a profundidade dessa mentira.
"Eu não vou deixar você, Vampira."
Ele não poderia afastar-se dela, não agora, e ele iria usar toda e qualquer vantagem que tivesse para entrar - dentro dela.
"Nós vamos passar por isso, Vampira."
As apostas do jogo tinham sido feitas.
"Isso é uma promessa."
Ele ignorou a voz interior que zombou dele – quais das suas promessas valiam a pena?
Quando ela se cobriu com um exagero de camadas de roupas, ele podia praticamente ver os escudos sendo levantados, um por um, deslizando contra a pele linda e mortal. E enquanto ele aninhava-a ao seu lado, tentando oferecer o conforto que ela se recusava a aceitar, ele sabia que teria que vencê-la e ele iria; aquele não era um jogo que ele ou ela podiam suportar perder.
Ele tinha acabado de se projetar para o telhado e -
"O que aconteceu?"
O rosnado saiu do nada e seus pés escorregaram. Com dedos escorregadios, suas mãos arranharam as telhas - e Wolverine e o agarrou. Puxando-o inteiramente para o telhado com uma mão, ele soltou o homem mais jovem desajeitadamente sobre o telhado.
Com olhos semi-cerrados e astutos, ele perguntou de novo.
"O que aconteceu?"
Remy se posicionou mais confortavelmente, puxando um cigarro ao mesmo tempo, para acalmar seus nervos. Manteve sua mão nas sombras para disfarçar o fato de que elas ainda estavam tremendo um pouco. Por um momento, tinha se esquecido porque fora até ali, para superar a inevitável drenagem de energia que ela havia causado. Mas ele não tinha sentido o outro homem ali em cima. Tragou o cigarro. Maldição, ela tinha quase acabado com ele.
Ele deu de ombros irritantemente. "A chère e o Gambit só se deixaram levar um pouco demais." Ele queria dizer algo mais vulgar, mas - no chão do banheiro, ela agarrou-se sacudindo com tanta força, segurandonas lágrimas - ele não conseguiu reunir a energia para isso. Além disso, Wolverine era bem capaz da estripá-lo por algo muito bruto. Saber sobre o caso deles e deixar o acordo seguir seu rumo não fazia com que o guardião ficasse nada feliz sobre o assunto.
Previsivelmente, os punhos do outro homem se cerraram.
"Senti o cheiro do medo dela."
Remy ficou tenso instintivamente e seu estômago deu um nó. Ele não tinha sentido aquilo, ocupado demais sufocando-a com cada respiração entrecortada. Com demasiada força, ele jogou o cigarro fora. "Não foi nada. Eu cuidei de tudo."
Sua voz saiu estável e, impacientemente, ele não esperou para ver a resposta, apenas se virou para ir embora. Sua perna perdeu o passo, desequilibrando-o no primeiro passo e ele quase não se conteve a tempo. Ignorou o fato de que Wolverine tinha se deslocado para segurá-lo, caso fosse necessário.
Sentiu os olhos de Wolverine pesando sobre suas costas quando ele deslizou para a noite.
Foi só no dia seguinte, quando ele percebeu que Vampira tinha conseguido, de alguma forma, fazer com que a ruiva lutasse com ele ao invés dela, e depois que ela havia saído da Sala de Perigo sem usar o vestiário, saindo de casa sem que ele conseguisse chegar cinqüenta metros dela, que o medo do que ela tinha absorvido retornou.
O quanto ela tinha visto? Ela tinha sonhado com alguma coisa? Ele tinha ouvido o suficiente de Kitty e Kurt para saber que ela poderia sonhar memórias e pesadelos dos outros. O que poderia ter causado tanto medo para que ela não quisesse sequer olhar para ele?
Não saber era como uma coceira infectando seu cérebro. Mas ele não foi capaz de aliviá-la.
Ele tinha acabado de chegar à porta da cozinha - já planejando como exatamente poderia chegar à escola primeiro, pegar Vampira antes que ela entrasse na escola - enquanto sua mente girava com possíveis desculpas que ele poderia oferecer à secretária da escola para tirá-la da classe por alguns minutos.
Tarde demais, ele reconheceu a forma na cadeira de rodas entrando pela porta.
Maldição.
Xavier olhou para ele e Remy parou diante do olhar.
"Remy, justamente com quem eu queria falar."
"É mesmo?" Perguntou ele, inclinando-se contra a porta com uma indiferença que não sentia. Ao longe, ouviu o som de um motor de arranque - e ela se movia ainda mais para fora de alcance.
"Eu não pude deixar notar esta manhã que você parecia," Ele fez uma pausa e Remy poderia preencher o vazio. Descoordenado. Estranho. Incapaz de executar tarefas habituais sem dificuldade. Jeannie tinha sido capaz de encurralá-lo tão facilmente e de forma eficaz. Ela tinha realmente sido capaz de eliminá-lo do jogo - antes, ele só havia sido marcado por acidente e ele estremeceu diante da mancha a sua reputação. Então, havia também o fato de ele quase havia dado de cara numa parede, cujo aparecimento ele não tinha previsto... "Preocupado," Xavier ofereceu generosamente. "Há alguma coisa que você gostaria de discutir comigo?"
Ele resistiu ao impulso de cerrar os pulsos e xingar Wolverine, o maldito fofoqueiro. "Não é nada que eu não possa lidar," Ele descartou, com um pouco mais firmeza do que queria efetivamente transmitir. Xavier escaneou seu rosto cuidadosamente e, fora do velho hábito, Remy fortaleceu seus bloqueios mentais.
Mas Xavier apenas assentiu com a cabeça. "Eu confio no seu julgamento." Remy sentiu o impulso enervante de trocar o pé que sustentava peso do corpo, mas conteve-o. "No entanto, eu gostaria de pedir que você fosse ver o Hank, para minha própria paz de espírito."
Os lábios de Remy se comprimiram, mas ele simplesmente deu de ombros. "Claro, não é como se o Gambit tivesse nada melhor para fazer."
Ele amaldiçoou mentalmente, mas em Cajun, só para garantir.
"Eu assisti o vídeo do treinamento de hoje na Sala de Perigo. Gostaria de descrever as suas dificuldades?"
Não era a primeira vez que ele tinha estado naquela posição. Antes que ele começasse a treinar os alunos, Xavier tinha imposto a condição de check-ups regulares. Remy tinha um conhecido desgosto por médicos e quaisquer coisas ligadas a laboratórios médicos, mas ele também sabia que os outros que praticavam com a Vampira também tinham uma exigência similar. Ele concordou com a demanda.
"É um pouco difícil de se concentrar e usar todos os meus sentidos ao mesmo tempo."
"Todos os seus sentidos?" Hank perguntou curiosamente. "Isso é restrito aos cinco sentidos comuns ou se concentra nas suas capacidades mutantes?"
Remy se moveu, na cadeira revestida de couro. Ele odiava consultórios médicos e perguntas - quase tanto quanto odiava sondagem telepáticas.
"Mutantes principalmente, mais meus olhos estão cansados."
Hank assentiu compreensivelmente, escrevendo em seu bloco de notas, enquanto seus óculos escorregavam ligeiramente para baixo de seu nariz peludo.
"Então, está tendo dificuldades para coordenar sua noção de espaço com suas habilidades físicas – você sente que sua habilidade em si foi comprometida?"
Remy fez uma careta interiormente; ele sabia que aquela parede com a qual havia batido voltaria para assombrá-lo.
No entanto, ele assentiu, odiando o fato de que tinha que responder as perguntas da forma mais completa possível. Hank lhe dera aquele sermão da primeira vez que ele estivera ali.
"Até que ponto?"
Esta foi ainda mais difícil de admitir. "Está apenas começando a voltar agora." Fracamente, ele podia sentir a vibração do lápis roçando contra o bloco de notas que Hank segurava. Ainda estava muito longe de sua percepção normal.
"E suas habilidades bio-cinéticas?"
"Leva mais tempo para energizar e não acho que eu posso fazê-lo em níveis tão altos como de costume." Isto levou à inevitável ligação de cabos e testes para comparar o quanto exatamente seus sentidos estavam funcionando em comparação com o seu 'normal'.
Até este ponto, os efeitos foram controláveis: o aumento de tempo ao tentar usar suas habilidades mutantes, o fato de ele estar cansado quase o tempo todo, ficar desorientado ou mesmo com frio mais facilmente, sendo incapaz de exercer como tarefas rigorosas como ele estava acostumado. Mas ele tinha se ajustado.
O médico nunca perguntou a próxima pergunta óbvia: o porquê. Para Remy, essa era a prova mais óbvia de que Hank já sabia a resposta. Ele estava aliviado por não ter que falar sobre isso; não queria falar com ninguém – exceto Vampira - sobre a noite anterior. Além disso, eles concordaram em não falar de seu acordo para outras pessoas. Remy se perguntou se Xavier tinha antecipado isso.
Então, Hank fez uma pergunta.
"Eu vou continuar a vê-lo novamente no futuro?"
Ele endureceu reflexivamente. "Claro." Deslizou para fora da mesa, ignorando o olhar atento de Hank.
Mas ele teve que se perguntar se a resposta permaneceria a mesma. Ele reprimiu o pensamento, mas a evasão dela durante o dia tinha despertado sombras que não eram fáceis de se por de lado. Ela não podia parar agora; o que poderia convencê-la a fazer isso?
O pior pensamento era de que ele já sabia exatamente a resposta dessa pergunta.
Ele planejou, conspirou - tudo para evitar a voz irritante, que dizia que ele tinha muito a temer - por que diabos ela iria querer continuar com você, Diable?
Mas havia sentido o desejo dela - seu próprio desejo poderia ter confundido seus sentidos assim? Parecia risível, mas…
Vixen.
Ele não estava rindo.
Ela continuou evitando-o e o vazio escuro do quarto dela não fez nada para dissipar essa voz. Ela sempre esteve lá antes, esperando por ele, às vezes até impaciente. Seus dedos embranqueceram da tensão dos seus punhos cerrados. À medida que os minutos se exauriam, o mesmo acontecia com seus nervos. Ele não tinha trazido os seus cigarros, embora ele não pudesse acendê-los, de qualquer maneira. Ele não ia dar a ela munição adicional. Não quando ela certamente não precisava delas.
Seus olhos se desviaram para sacada, desejando-a - e ocorreu-lhe o quão simples seria para ele simplesmente sair por ela. Cessar seu prejuízo e correr. Mas - ela estava se apertando tão forte que ele podia ver a pressão das mãos macular a pele branca e pura - ele não podia.
Ela abriu a porta silenciosamente e ele sentiu o impulso irracional de puxá-la para dentro. Ele deixou o sentimento passar.
"Já era hora de aparecer. Estava começando a achar que você estava evitando essa noite."
"Você não deveria estar aqui, rato de pântano."
Tão calma; a tensão dele apenas aumentou mais.
"Eu disse que eu ia te ajudar a passar por isso. E aquela porta trancada não vai me manter do lado de fora."
Seu estômago se contraiu pela simples memória daquele momento de descoberta. Ele andou para a frente, como se pudesse neutralizar a distância que ela estava forçando entre eles.
"Eu não sei por que eu te absorvi, Remy."
Remy. Seu nome foi expelido dos seus lábios ainda pintados e algo se libertou dentro dele.
E, de repente, havia esperança.
"Eu não posso-"
"Então nós descobriremos. Eu não vou jogar fora todo nosso progresso."
"Eu não estou com medo."
Era uma mentira.
"Sim, claro–"
Mas não como ela pensava que era. Ele não tinha medo do toque dela, não fisicamente.
Então ele a tocou, pondo seus dedos no queixo dela, que estavam enluvados apenas para a proteção dela.
Ele não iria deixá-la correr e se esconder. Se ele não podia fazer isso, ela também não poderia.
"Eu fui pego de surpresa, Vampira. Mas eu não estou com medo. Por que você está?"
"Você deveria estar!"
Ela respondeu à pergunta dele – e a ironia era grande o suficiente para fazê-lo chegar até ela.
"Droga Remy, você deveria estar! Eu sou venenosa - Tudo de mim – Você não vê?"
A dor dela, o medo, o desespero...
Você não é nada além de escória mutante, LeBeau.
Rejeição era insuportavelmente amarga - e por isso ele estendeu a mão, apesar das idéias dela.
"Não faça isso, Remy. Eu-"
Que Deus o ajudasse, mas ele nunca pôde resistir a uma donzela em apuros.
"Você não é um monstro."
Ele saberia se fosse.
E, finalmente, finalmente, os muros de Jericó desabaram.
Ele finalmente liberou sua empatia, lançando-a como um bote salva-vidas, para tirar cada gota de dor dilacerante. Mas -
Exatamente quatro dias antes, Wolverine tinha conseguido aplicar um golpe certeiro de direita em suas costelas, com toda antipatia e desgosto misturados em um único golpe, durante o treino corporal. O soco tinha tirado seu fôlego, fazendo seus sentidos oscilarem. A vertigem desorientadora -
Era como déjà vu e ele quase se dobrou; foram só os braços dela em torno dele – e seu próprios braços em torno de si- que o mantiveram no lugar.
Levou um minuto para que ele percebesse o que tinha acontecido. Sua empatia se recuperara.
Sua mente disparou, se lembrando da sua outra única experiência nesse sentido: quando ele inadvertidamente tentou manipular uma telepata com alguma habilidade empática. Os escudos dela tinham englobado as suas emoções e abertamente repelido sua tentativa de manipulá-los. Não tinha machucado tanto daquela vez, muito provavelmente porque ele costuma usar sua empatia com muito mais cautela.
No piloto automático, ele a abraçou, murmurando frases suaves, independentemente das lágrimas, sal e maquiagem escorrendo e manchando sua camisa.
Aparentemente, ela tinha absorvido um bocado dele.
Entretanto… Ele não podia desistir agora.
Ele tinha perdido um recurso vantajoso, mas isso não significava o fim do jogo. Sua empatia era geralmente apenas um último recurso, uma reserva estratégica. Ele tinha ficado muito cansado ao usá-la, intoxicado com as emoções que consumiram Vampira pela primeira vez.
Na verdade, aquele era um desenvolvimento útil. Sem esse acesso para dentro dela, ele não iria ficar tão perdido nela. Não como na noite anterior. Não outra vez.
Então ele continuou jogando. Ele era o Gambit, afinal. Havia um milhão de maneiras de manobrar a situação e ele conhecia boa parte delas. Esboçou uma piada, continuou tocando-a, manteve o ambiente leve, manteve-a perto, leu a linguagem corporal dela, continuou tocando-a, colocou em ação um plano reserva que ele considerou por muito tempo, observou-a, foi lisonjeiro, flertou, continuou tocando-a, incentivou-a se expor mais, demandou suas calças, suas luvas, continuou tocando-a, persuadiu-a, tranqüilizou-a, continuou tocando-a -
Ele não conseguia parar de tocá-la...
Ela abaixou a cabeça sob o lençol e ele se divertiu com sua timidez, especialmente considerando que o jogo de luz e sombras não era nada para seus olhos. E quando beijou a testa dela, ele sabia que esse toque era muito mais do que desejo, muito mais do que o atrito entre dois corpos.
Mas ele não conseguia parar de tocá-la...
E, finalmente, ela foi até ele.
Ele odiou o lençol naquele momento, mas amou o desejo dela, a afirmação de que sim, ela o queria; estava apenas com medo – dela mesma. Se ele pudesse simplesmente fazer com que ela se concentrasse no toque, no prazer... E ela parecia receptiva, deslizando sobre ele com mais ousadia do que costumava fazer.
E muito timidamente, ele enviou ondas da sua empatia para rastejar em torno da barreira da mutação que ele poderia dizer que estava firmemente no local. A mutação se manteve firme, mas não o repelia como antes - e, quando ele roçou a mão contra ela, pôde sentir os ecos palpitantes do prazer da Vampira. E então soube que conseguiria passar por ela.
Em uma onda de uma euforia e de alívio, ele inverteu suas posições. O repentino gritinho que ela deixou escapar o fez querer rir alto.
"O quê diabos-"
"Só pensei que você poderia querer trocar um pouquinho de posição."
"Ok."
Ela montou e ele teve que se esforçar para não se esfregar contra ela, lembrando à sua libido a importância de ir devagar. Então, ficou imóvel enquanto ela o moldava através do tecido. Com a luz atrás dela, ele poderia enxergá-la bem, apenas a exata expressão de seu rosto escapando da sua observação. Mas sua empatia, ainda se enrolando em torno das defesas dela, pegou o momento em que algo mudou.
Ele estendeu a mão, pousando na lateral do corpo dela, tentando descobrir o que tinha acontecido.
"Vampira?"
Com um estremecimento, ela caiu em cima dele, aproximando-se o mais perto que o lençol permitiria - e ele amaldiçoou o fato de não poder ver o rosto dela, senti-la.
"Eu quero te tocar."
Ele pôde ouvir uma sugestão de lágrimas no tom dela e isso foi o suficiente - Vampira era de partir o coração, por si só.
E ele não podia negar-lhe nada.
"Eu sei."
"Eu odeio isso! Eu não quero ser uma prisioneira para o resto da minha vida! Merda!"
Um prisioneiro de sua mutação, da própria vida. Ela não se enfurecia sozinha.
"Oh chérie, você vai conseguir. Eu sei disso."
Essa empatia não tinha nada a ver com seus poderes, mas ele estendeu a mão mesmo assim, com o seu eco envolvendo-a - e muito devagar, ele se arrastou para além das defesas dela.
"E como exatamente você sabe?"
"Você é muito teimosa para não conseguir."
Era um sentimento honesto, mas uma evasão.
E então ela o colocou contra a parede.
"Você só está dizendo isso porque quer dormir comigo."
Ele apenas reagiu. Não houve uma primeira racionalização, um momento para pensar, planejar - a farpa entrou em linha reta, ganhando força com a certeza de que a frase fora dita de forma completamente honesta. E, da mesma forma, sua reação foi temperada com uma descoberta – de que não era simplesmente por aquilo. Naquele momento, ele desejou que ela estivesse certa.
"Remy!"
Ele queria tirar o lençol de cima de si, fazê-la olhar para ele tão exposto como estava, mas desistiu, vendo como ela começava a se isolar novamente - dele.
"Dieu Vampira, isso não é sobre mim. Eu pensei, vraiment-"
Ele a queria, ansiava demais por tocá-la.
Mas havia mais.
"Isso é sobre você, Vampira, você está obtendo controle. Não é sobre mim e o que eu quero!" -
"Eu sei disso, Gambit. Não precisa ser rude."
Ela recuou para trás friamente e ele percebeu que tinha ferido seus sentimentos. Apesar de tudo que Vampira demonstrava ser, ela ainda era apenas uma garota em alguns aspectos. E ela ainda queria ser desejada, atraente, não importando o quanto negasse isso.
"Não foi isso o que eu quis dizer."
Ele se atrapalhou. Praguejando, tentou descobrir a melhor maneira de sair dessa bagunça. Mas ele não sabia. Não sabia como explicar, para tornar as coisas melhores.
Então, pela primeira vez na sua vida, disse a verdade.
Ele tirou as luvas.
"Você quer saber por que Remy fica de luvas?"
E levantou uma mão.
"Comecei a usar luvas então a energia ia em direção a elas primeiro. Isso me dava tempo para largar as coisas antes de começar a energizar. Mas nem sempre eu tinha tempo o bastante para tirar as luvas."
E mostrou suas cicatrizes.
Ele sabia o que era encontrar-se imprevisivelmente e de repente fora de controle. Ela não vacilou ou demonstrou pena dele, e isso significou mais para ele do que poderia dizer...
"Levei quase dois anos para ter isso totalmente sobre controle. Levei mais tempo para aprender como reabsorver a energia. Mas mantive as luvas, só por precaução."
Não acrescentou que ele tinha feito aquilo durante dois anos vezes dez. Toque havia se tornado sua conquista, sua insígnia da vitória - até...
Ele disse a verdade. Ou pelo menos parte. Mas era o máximo que podia dar.
E ela estendeu a mão para ele - mas parou se dirigindo para as suas luvas primeiro. Ele a frustrou como sempre, sentindo-se vagamente perturbado por sua própria revelação voluntária.
O jogo, a jogada, valeriam a pena - para sentir o toque dela sem proteção.
E valeu a pena.
Não tinha valido até a noite seguinte -
"Eu acho que sei porquê comecei a absorver."
"N'ayez pas peur, hein?"
Sem medo - não tinha certeza de quem ele estava tentando tranqüilizar.
"Te disse que nós íamos conseguir passar por isso."
Ele não tinha percebido o quão verdadeiras aquelas palavras eram.
"Eu quero, queria - ficar mais perto de você. Eu estava excitada e queria mais."
O significado lisonjeiro - de que ela o queria com real intensidade - não foi nada em vista do que a frase traria a tona.
"Se eu soubesse mais sobre você. Se nós ficássemos próximos, como amigos, então minha mutação seria menos provável de se manifestar."
O quanto dele ela teria que saber para matar aquele desejo?
"Segredo por segredo. Quid pro quo."
Impossível.
E ainda assim…
Ele parou seu pedido de desculpas, suas agradecimentos, seu adeus. Aquilo deveria estar certo, mas...
Ela disse 'Gambit'.
Isso era tudo o que ele era?
"Você realmente quer continuar praticando comigo?"
"Se você está disposto a passar por -"
"Não, responda a pergunta. Você, Vampira, quer a mim, Remy?"
"Sim."
"Você tem certeza que quer se arriscar com este rato pântano?"
Ela tinha que estar certa.
Ele tinha que estar.
E ele não lhe deu tempo para se arrepender, empurrando-a mais uma vez, manipulando-a de maneiras que ele estava aprendendo rapidamente que a deixavam louca. Muito, muito cuidadosamente persuadindo a nova barreira a se manter aberta para ele...
E, finalmente, ele se afastou, sentindo o zumbido da mutação dela somada à agitação de uma excitação e à sensação de beliscões em seus dedos – a mutação faminta por sua energia.
E, finalmente, ele pediu um segredo. Podia fazer isso, poderia controlar essa troca.
Mas ela o surpreendeu. Como sempre.
"Eu nunca me senti assim antes."
Ele teve que desviar o olhar, mas as palavras borbulhavam apesar da sua atitude. Quanto mais perto eles poderiam estar? A idéia ficou na parte de trás do seu cérebro.
"Nunca pensei em te dizer não."
-na noite seguinte, ela elevou as apostas e ele percebeu, mesmo enquanto ela pedia, que ele já tinha apostado tudo.
Ele tinha que continuar jogando.
Só ficou mais difícil.
"O que te faz pensar que nós vamos querer comer alguma coisa da culinária Cajun?" Ela encostou-se no balcão, olhando desinteressada na panela que ele estava mexendo.
"Algumas pessoas gostam do tempero," Ele estalou a língua.
Despejou mais tempero na panela, em tom de desafio.
"Não muito." Ela arrebitou o nariz.
"Bem, um homme gosta de trabalhar com as mãos." Ele correu seus olhos quentes sobre ela e sentiu uma sensação quase cruel quando as bochechas dela se tingiram de vermelho. Mas, então, Scott e Alex entraram e ela já tinha se transformado na Vampira normal, pálida e que mal olhou para ele ao sair. Ele, por sua vez, tinha se transformado novamente no lacaio sem sorte que teve seu nome escolhido para preparar o jantar.
Seu bom humor azedou e seus dedos agarraram a concha que mexia na panela com muita força.
Como ela podia ser tão intocável?
No seguinte treino geral, ele reclamou de que tinha mais alunos para supervisionar do que alguns outros.
"Gambit," a voz dela era como gelo para ele, "não seja infantil," Ela disse com seu desdém venenoso.
"Não estou sendo."
Ela tinha esquecido tudo tão rapidamente?
Ele sentiu uma raiva tão crua que teve que cobri-la com um sorriso malicioso, colocando seu polegar enluvado em seu cinto. Mas ela só o olhou e a raiva queimou mais ardentemente.
A carta chiou em suas mãos, como se estivesse lamentando o fato de estar chegando perto da detonação e ele sentiu a onda de vibração como um segundo sentido. Ele a agarrou mais forte, não se atrevendo a remover os olhos de seu alvo. Ciclope se aproximou com cautela, com a mão na sua viseira; ele estava atrasado, fora de tempo. Gambit arremessou o objeto e somente quando a carta ficou branca ele percebeu exatamente o que tinha feito.
A maioria das pessoas considera o fogo cujas brasas são vermelhas como sendo o mais quente. Na verdade, a escala passava de vermelho para laranja, depois amarelo e por fim branco, na sequência de intensidade. E a supernova havia explodido branca.
Ciclope acertou a carta, exatamente como Gambit tinha pretendido, e a explosão resultante sacudiu a sala inteira. Remy foi jogado para trás e só foi parado pela batida em uma parede. Muito dura. Ciclope teve mais sorte: havia se escondido atrás de uma partição bem a tempo.
Ele tossiu ao mesmo tempo que o material queimado da sessão vaporizava rumo a inexistência. Apesar de ter mantido seus olhos fechados, ele piscando rapidamente na esperança de limpar os olhos do clarão abrangente que tinha cegado-o e ficou chocado com a primeira voz que ouviu.
"Tendo problemas, Rato de Pântano?"
Ele estava dolorido, machucado e tinha acabado de subestimar sua arma. A falta de preocupação dela foi um fósforo jogado numa pilha de material inflamável.
"Nenhum, Rata de Rio. As vezes os poderes ficam um pouco fora de controle, causam um pouco mais de dano. Você não sabe nada sobre isso, eu suponho."
As bochechas dela coraram, mas não por qualquer razão divertida que e ele sabia que ele tinha sido muito mordaz...
"Pelo menos eu não estou perdendo para o 'garoto da viseira', Gambit." Ela retornou na mesma moeda com uma pontaria mortal e acertou em cheio.
"Você está bem Scott?" Ela se virou para o outro rapaz, que apenas balançou a cabeça.
E ela se afastou dele.
Wolverine, que agora tinha chegado ao local, olhou para ele quase com -
Ele esperou que o homem o detivesse, demandasse por que ele tinha dispensado a ajuda da Vampira - o pensamento queimou, mas ele tinha certeza de que não seria pior, não seria pior do que aquela merda de olhar quase simpático.
Ele não queria chegar àquela conclusão, mas o fato de Wolverine nem sequer ter tido que perguntar -
(Embora ele tivesse a sensação de que havia algo que estava esquecendo, algo que envolvia ter acordado com uma ressaca inacreditável - em sua cama, mesmo que não lembrasse de ter chegado até ali- no dia seguinte que havia saído do quarto da Vampira ...)
Wolverine ainda queria dar uma surra nele.
Mas foi Ciclope quem falou. "Você está imprudente, Gambit. Precisa ter mais auto-controle".
O menino de ouro perfeito, modelo de irmão; ele não podia suportá-lo, especialmente não agora. Não depois do - "Eu entrei para os X-Men porque... Ele foi legal comigo e me viu como uma pessoa de verdade."
"Bem, nem todos nós podemos ser tão perfeitos como o Líder Destemido, non?" Ele retrucou. Seus dedos formigaram com energia, mas a sessão tinha acabado. Ele procurou um cigarro.
"Você não devia fumar aqui dentro."
"Oh?"
Ele acendeu o cigarro, conseguindo mostrar o dedo do meio ao mesmo tempo. Pôde ver o espasmo do dedo de Ciclope desejando chegar até seu visor.
"Ele ainda está ligado," Wolverine apontou, inesperadamente.
Remy fez uma careta para ele, que rapidamente se suavizou em um sorriso arrogante. "Bem, não é como se o Scooter aqui fosse um grande desafio."
Mas Ciclope estava olhando para ele com preocupação.
"Flutuações de poder e energia," Ele murmurou, mais para si mesmo. "Talvez você devesse visitar o Dr. McCoy para -"
Aquilo já era demais. Ele não tinha ido até o Hank desde seu último check-up bem sucedido, incapaz de suportar as silenciosas perguntas não formuladas, a sondagem, as teorias, o pensamento de que aquela seria a última vez -
"Não!" Ele esmagou o cigarro no chão, recusando-se a reconhecer o volume de sua voz. "Estou perfeitamente bem!"
Ele saiu da sala, deixando para trás um líder de equipe perplexo e um atento Wolverine.
Mas, mesmo que tardiamente, ele não podia negar mais os efeitos que ela causara.
Seus poderes, sua própria energia, pareciam ter se tornado super-carregados e sua atenção começou a se fragmentar diante da pressão de mantê-los sob controle. Concentrar-se ficou mais difícil; frustração, confusão e raiva cresciam e se fundiam em uma bola dentro dele - e a tensão estava se tornando insuportável. O motim que ela tinha criado em seu corpo começou a se espalhar, apesar dos próprios desejos dele. Ele tornou-se intolerante com a menor irritação, pressionando os Novos Mutantes mais duramente nos exercícios que ele tinha que ensinar, seu humor ficou mais ousado e nem cartas nem cigarros podiam realmente acalmá-lo.
Vampira por si só não se afetava pelas suas provocações normais, elas simplesmente resvalavam na armadura impermeável do rosto maquiado dela. Antes, sua indiferença tinha sido divertida, quase intrigante.
Agora era enlouquecedora.
Suas mãos ardiam insanamente, como se ele tivesse treze anos de novo, especialmente cada vez que ele via uma certa franja, certas curvas, a sombra do corpo dela. Não teria sido tão ruim se ele não tivesse que vê-la toda merda de dia.
Mas o que realmente irritava eram as camadas que ele podia ver, sentir. As camadas que ela havia deixado-o remover estavam agora reconstruídas, inexpugnáveis. Ele havia despido-a até o osso e agora não podia sequer se aproximar mais de um metro dela.
Suas réplicas ficaram mais nítidas, suas observações mais obscenas e indecentes. E mesmo se o rubor dela era causado pela raiva, ele poderia pelo menos fingir por um momento que era mais do que isso.
Ela não se afetara.
Ele não se deixou refletir sobre por que isso era tão importante.
Apesar de seus melhores instintos, ele finalmente começou a evitá-la. Mas assim que começou a tentar teve que procurá-la quando a ânsia ficou muito forte – e ele não tinha mais certeza de quem estava punindo.
Os fragmentos de tempo que ele tinha roubado com ela, quando seus corpos se entrelaçaram... Ele era o único que era assombrado com aqueles pensamentos – era o único a não ser deixado em paz?
Mas como ela poderia fingir tão bem, ser tão insanamente não afetada?
Como ela pôde? "Estou apenas usando-" Você. O fantasma da palavra que ela não quis proferir. Aquilo foi diferente do que era antes? Por que o ato foi suficiente para fazê-la desistir? E por que diabos ele queria soltar fogo pelo nariz?
Doía como se houvesse uma lâmina nas pálpebras dela, toda vez que ela olhava para ele. A intocável.
E a necessidade de irritá-la só cresceu.
"É melhor desse jeito."
O caramba que era.
Vamos reorganizar
Eu queria que você fosse um estranho de quem eu pudesse me desprender
Apenas diga que concordamos e então nunca mudaremos
Acalmados de pouquinho, até nós todos nos darmos bem
Mas isso é descaso
Arranje um novo amigo e descarte-o
Enquanto você perde o argumento num teleférico
Pendurados no alto enquanto o precipício passa entre nós
Só ficou melhor.
Remy amava temperos desde que eles tinham modificado suas papilas gustativas irremediavelmente. Eles explodiam em sua boca, se detonando dentro dela como a energia que logo correria através da sua própria pele, cintilante, girando em torno de seus sentidos até que ele sentisse que poderia provar todo o mundo naquele prato simples.
Os segredos da Vampira eram assim – primeiro eram doce, em seguida, se misturavam com um calor que faziam sua garganta doer. Certa vez, ele pensou que ela era como chocolate estrangeiro; tão inebriante que ficava amargo na boca. Ela era assim – só que bem mais encorpada do que ele tinha imaginado.
Era ainda mais intoxicante, com seus pequenos segredos deliciosos, mesmo se a facilidade com que ela admitia as coisas o deixasse nervoso. Ele se guardava, pegando tudo o que ela dava conscientemente ou não, e, em seguida, retribuía com muito tato. Mas, às vezes, às vezes, ele se perguntava o quão bem fazia isso...
"Eu estou pensando em deixar o cavanhaque crescer, mais uma vez." Era uma admissão não planejada e ele dificilmente esperou a explosão dela.
"Você não está falando sério!"
"Quoi"
Sua boca se definiu numa linha teimosa. "Eu não gosto dele." Ele piscou.
"Pourquoi?" Ela deu de ombros.
"É muito, sei lá, domesticado, certinho, sei lá. Simplesmente não combina com você - assim como esse corte de cabelo tigelinha." Ela franziu o rosto, em seguida, com um olhar malicioso, estendeu a mão e mexeu no cabelo dele. Ele poderia ter protestado se o movimento não tivesse colocado seus olhos praticamente ao nível dos seios dela. "Assim é bem melhor."
Ele olhou para ela. "Não sabia que você se importava, chère".
Ela deu de ombros, sem olhar completamente para ele. "Só pensei sobre isso."
E ele ficou extraordinariamente satisfeito. Ela tinha pensado sobre isso.
Foi a primeira vez que ela admitiu qualquer atração, além daquela pelos seus olhos.
Remy sempre se considerou um homem fã de peitos. Eles estavam sempre ali na frente, exigindo atenção, e ele se sentia absolutamente descortês em não cobri-los com intensa consideração.
Mas, com Vampira, não foram seios que o fizeram ficar com vontade de não tirar as mãos de cima dela. Não que eles não tivessem seus méritos; apesar do que os outros possam dizer sobre que os maiores eram os melhores, ele gostava de como podia envolver suas mãos em torno deles e não ser sobrepujado.
A questão eram os quadris dela.
"Acho que você me transformou num fã de quadris."
Ele murmurou contra o pescoço dela, passando as mãos em torno da curva de seus quadris, deslizando sobre as cavidades.
Ela fez um ruído indistinto enquanto ele a acariciava naquela região. "Transformei você?" Ela disse, parecendo divertida.
Ele assentiu, esfregando o nariz contra ela.
"O quê, meus seios não são bons o bastante?"
Ele piscou, finalmente levantando a cabeça. "Remy nunca disse isso!" Uma de suas mãos se arrastou até circundar o seio direito, em desafio à idéia.
Ela deu um sorriso divertido. "Bem, eu posso adivinhar o que você geralmente gosta." Ele bufou, não tendo certeza se estava satisfeito que por ela ter acertado.
"Eu poderia ser um homem que prefere bundas." Ele resmungou bem humorado, sua outra mão deslizando para trás dela.
Ela revirou os olhos. "É, você parece ser um pervertido versátil na maioria das vezes." O beijo que ela colocou em seu peito tirou qualquer potencial venenoso das palavras dela.
Ele fez beicinho, mas voltou as mãos para seus quadris.
"Mas eu estou falando sério, você tem quadris exuberantes."
"Oh, caramba, justamente o que toda garota quer ouvir."
Beijou-a, em seguida, o sarcasmo e os olhos cerrados dela eram simplesmente muito apetitosos.
Mas ele realmente não tinha certeza do que persistentemente chamava sua atenção nos quadris dela. Poderia ser um espelho dos próprios hábitos dela - a mão no quadril empinado era uma das suas posições favoritas. Poderia ser o quão provocante ele sempre achou aquela pequena faixa de pele que ela permitia expor para o mundo, implorando para ser tocada. Poderia ser simplesmente por causa da quantidade de vezes que ele teve que agarrá-los para evitar se mover rápido demais para ela. Poderia ser até mesmo - mas não, ele não tinha necessidade de um gesto tão possessivo - como a mão e o braço ao redor da cintura dela.
Ele simplesmente gostava de seus quadris.
Os dias e as noites se fundiram: a antecipação dia, a gratificação noite. Tentadores aperitivos que acabavam com ela debaixo dele, olhando seu rosto, ouvindo sua voz, vendo seu corpo tornar-se embriagado de toque, dele. Poder. Prazer. A linha que dividia os dois se tornara turva para ele, há muito tempo.
Mas isso era novo. Vendo-a se arquear ao toque dele foi, pela primeira vez, como cruzar um território ainda não conquistado - virgem, a primeira a aprender os segredos de seu próprio corpo. E era tudo verdadeiro, conforme lhe dizia o eco de sua empatia, abrindo a si mesmo para o êxtase dela. Ele começou lentamente a perceber a verdadeira diversão que havia no processo, que não era limitada ao pagamento final. De qualquer forma, não era como se fosse a primeira vez que ele houvesse adiado o sexo num relacion – com uma mulher que havia desejado por muito tempo.
Sentia-se muito completo.
Era estonteante, emocionante, viciante.
Curvando-a, moldando-a na imagem do desejo - e, ainda assim, ele não estava criando-a ou realmente modelando-a. Ocorreu-lhe que estava apenas revelando uma Vampira sem medo. Eles começaram a oscilar entre ter que ser empurrado e puxado em troca; ele não tinha mais certeza de quem estava no controle, mas ela estava lá também, todas as noites, e ele não podia parar para pensar nisso.
E ainda assim...
"Certo, mon petite amie?
"Eu não sou sua petit nada."
Ele endureceu imperceptivelmente quando ela se abaixou para sair debaixo do braço dele, contornando Jubileu e um espinhoso Evan. Ele olhou para a parede e murmurou baixinho: "Eu sei."
Foi estúpido, ele nem sequer sabia porquê havia dito aquilo.
"Isso é como ter um amante?"
Ela parecia confusa e seu cérebro momentaneamente congelou.
"Quoi?"
Ela encolheu os ombros.
"Parece estranho, você sabe. Quer dizer, para mim e depois para você."
Ela hesitou.
"É estranho pensar que eu tenho um amante."
Ele não podia responder, mas a trouxe ainda mais perto dele e selou as perguntas dela com um beijo ardente.
A verdade era muito complicada de ser colocada em palavras...
Era uma novidade vesti-la, o preenchimento de uma ilusão – de que aquele era o lugar dele. Para não só desmontar, mas também para recompor. Não só para colocar na cama, mas também para tirar dali. Não só para cumprimentar na porta, mas para se aninhar durante a noite.
Mas enquanto ele deslizava para fora da janela, ele sabia tratar aquilo pelo que realmente era. Nada além de uma ilusão.
E só se podia apostar na própria ilusão.
No entanto, aquela ilusão só se aprofundou.
Ela havia trapaceado, mas ele não iria criticá-la. Vendo sua própria graça nos movimentos dela tinha sido inebriante por muitas razões; o pensamento de que ele estava dentro dela, tão fortemente, tão -
O brilho desapareceu e ele ficou impressionado com o verde dos olhos dela e com aquele sorriso - ela estava tão feliz.
E a mão dela se aproximou e ele se concentrou em quanta diversão eles poderiam ter naquela posição - ele estava ocupado na segunda fantasia que brotou na sua mente quando ela o tocou. Mas não houve nenhuma reação da mutação, nenhuma sensação de puxão e nenhuma absorção. E, mesmo que ele estivesse acostumado com aquilo, havia ainda o fato de que ela estava esperando absorvê-lo; o estonteante choque no rosto dela foi suficiente para tirá-lo completamente do eixo.
Ela não tinha absorvido-o.
Mesmo que tivesse pretendido.
E ele foi completamente sobrepujado por aquele momento de vitória.
Aquele momento chocante foi o suficiente para fazer com que ele flutuasse através de um check up instantâneo e involuntário, percorrendo seu escudo ampliado de energia, ainda que certamente aquele evento acontecera devido ao controle da Vampira, bem diante da carranca de Wolvernine – obviamente irritado com o fato do controle involuntário da Vampira ter surgido da sua interação com Remy, em vez de se manifestar com o próprio Wolverine ou com outra pessoa.
Mas a bolha estourou com inevitável brusquidão pela tarde. Notícias sempre se espalhavam rapidamente na Mansão e a história do ataque da Vampira e sua absorção não intencional estavam nos lábios de todo mundo. Ele recuou, suas emoções estavam muito inconstantes para verbalizar.
Ele nunca quis tanto destruir alguém, alguém que fez uma mulher que ele sabia que era tão forte quanto o aço se enrolar em uma bola e tentar bloquear o resto do mundo.
A comparação com o seu estado naquele momento com o de apenas um punhado de dias antes foi inevitável - e ele lembrou-se de seu propósito. Ele tinha que ajudá-la a obter controle.
"Não foi sua culpa, Vampira."
"Minha mutação."
"Chère, foi legítima defesa! Você não pode- Esse não é o ponto, de qualquer forma."
Pelo bem dela, pelo menos.
Mas ele não podia ficar sentado lá enquanto ela sofria. Ele não entendia totalmente a mutação dela, a despeito do quanto ele tentava, mas revelar seus segredos para ela agora - sobre Dentes-de-Sabre, Xavier - era simplesmente, impossível. Ele não pôde evitar sua curiosidade, que traduzia a persistência de um medo incômodo – quanto tempo mais levaria até que ela percebesse quem você realmente é, Gambit?
"Ele poderia se perguntar sobre a grande psique de Remy na minha mente."
"É muito grande?"
"É grande o suficiente. Mas não é tão ruim, ela só fica vagando em alguma parte da minha mente, assim como Logan, Kitty e Kurt; todos eles só ficam no segundo plano, a menos que realmente tenham algo a dizer."
"A minha não reclama demais, não é?"
"Menos do que você."
- Mas não era por isso que ele tinha vindo. Ele sabia que ela não iria praticar. E não podia simplesmente sentar lá enquanto ela sofria. Não se podia ajudá-la.
"Talvez je t'aide?"
Mesmo enquanto falava, ele deixou sua empatia se desenrolar, roçando suavemente as barreiras dela, sussurrando uma rendição. Mas era estranho fazer esse pedido. Ele nunca tinha usado sua empatia em alguém que tivesse conhecimento do que ele faria isso, muito menos dado permissão para que ele o fizesse. Ele se perguntou se isso tornaria as coisas mais fáceis ou mais difíceis.
"Eu poderiam conseguir que as psiques te deixem sozinha."
"Eu preciso fazer isso por mim mesma, não depender-"
Resistência - normalmente ele via isso como diversão ou um desafio, mas dessa vez estava longe de ser assim.
"Chère, você não leu o manual dos X-Men ou algo assim? Não é possível fazer tudo sozinho, amoureux."
O apelido que ele nunca tinha usado antes com uma femme parecia escapar ao redor dela, com toda a facilidade casual que fazia parecer que a palavra pertencia a ela.
"Todo mundo precisa de ajuda às vezes. Não é dependência, chérie"
Claro que não; o próprio pensamento era ridículo. Como se alguém pudesse depender do Gambit - só alguém querendo um roubo ousado faria algo assim.
"Você precisa de contato visual para fazer isso?"
Ela fez a pergunta com completa ingenuidade. Ela só queria saber -
"Não muito, mas ajuda. Algo a ver com o vermelho e o preto."
"Eles brilham."
Ele ficou tenso diante da afirmação, feita pela primeira vez, e sustentada pela explicação - uma que ninguém nunca tinha chegado perto o suficiente de dizer.
"Isso é muito bom."
- E sua apreciação inocente o acertou bem em cheio. Ele respirou e então balançou a cabeça.
"Você é única, Vampira. Agora só relaxe."
Sua empatia deslizou através das barreiras dela como se fosse apenas a superfície de um lago e ele se envolveu completamente nela. Quase imediatamente, pôde senti-los - o pulsar que antes era indistinto de raiva e de frustração que emanava dela tornou-se redemoinhos, nós de emoções tumultuadas. Ele podia sentir seu cansaço, sua tristeza (como um salgueiro-chorão que se dobrava diante da gravidade), a sua dor por toda parte, separada dos estouros rápidos e afiados de fúria. Ele concentrou-se sobre eles, jogando todo a empatia que tinha para acalmar, pacificar, suavizar.
"Esses garotos vão ficar amarrados e não vão se meter no que não é da conta deles."
E, em seguida, houve um eco, uma ondulação de calma que se espalhou ainda mais longe. Ele sentiu um nó que não tinha discernido, uma luz difusa que atuava como um centro de tranqüilidade que intensificava o que ele estava induzindo – como se estivesse sincronizando.
Era - poderia ser - sua própria psique?
Mas ele não podia perguntar.
"Shhh…"
Havia sombras nuas na periferia, ele podia sentir suas camadas, destilando fúrias violentas com os sussurros mais viscerais.
Mais psiques? Mas ele não os tocou, vindo a apreciar a complexidade da mutação da Vampira - e lidando com ela de uma forma totalmente nova. Em vez disso, ele se contraiu dentro dela, governando as próprias emoções para solidificar a paz da mente dela - em sincronização com a sua.
Para momentos estonteantes, não poderia dizer onde ele terminava e ela começava.
E, finalmente, ele se afastou.
"Você está legal, chérie?"
"Sim."
Ele detestou sair, ainda viciado nela. Outrora, ele estava não familiarizado com o sentimento. Outrora.
"Obrigada, Remy."
O apelo para retornar à cama era sedutor, ao mesmo tempo em que seus dedos deixavam o despertador.
"Não foi nada."
E ele saiu, ainda assim.
Ele estava se envolvendo muito profundamente -
E então ela o beijou.
Ele estava xingando sua incapacidade de se colocar no lugar dela - mas então ela o beijou, para todo mundo ver - e justamente quando ele achava que não poderia desejá-la mais, um novo mundo se abriu.
O bom senso disse a ele para manter distância, mas - ela simplesmente continuou puxando-o e ele não podia parar.
Se a realidade fosse tão cooperativa assim sempre...
O punho do homem teria acertado-o em cheio se ele não tivesse antecipado o movimento. Ele deu um sorriso que sabia que irritava sobremaneira o outro X-Man, descansando contra a parede.
"Wolvie, o que o Gambit pode fazer por você?"
Wolverine fez uma careta, os olhos passando sobre o resto de batom da Vampira que pairava no canto de sua boca.
"Está ficando desleixado, Gumbo."
Ele sorriu maliciosamente, levantando um dedo para roçar na marca incriminadora. "No mundo de Remy, isso é considerado como ter sorte."
As garras de Wolverine se estenderam até a metade antes que ele pudesse controlá-las, forçando Remy contra a parede. O sorriso não vacilou.
"Ela não é uma das suas cartas, Cajun." Dessa vez, ele tremeu por um instante infinitesimal; o homem feroz conseguiu dar um sorriso triste. "Ela não é sua, de nenhuma forma. Se lembre disso, garoto."
E quando Wolverine virou as costas, o sorriso de desvaneceu.
Ele tinha que tocá-la, tinha que se assegurar de que nada daquilo importava. Ela era sua, na medida em que os dois se queriam e - não importava de qualquer maneira. Mas, ainda assim, ele propôs o clube; não podia negar o desejo de marcá-la, tão certamente como ela havia marcado-o.
Quando chegou ao seu quarto, ela não estava pronta.
"Só me dê um minuto," Ela murmurou para o espelho, vasculhando os itens da sua penteadeira. Ele acenou com a cabeça desnecessariamente, sentando na cama dela simplesmente pelo hábito e olhando-a. Ele sorriu quando percebeu que ela tinha escolhido cores que combinava com as que ele usava. Ela parecia mais bonita do que nunca e pensou em como era estranho o fato de que ela podia se tornar mais atraente para ele.
"Leve o tempo que precisar." Disse ele, vendo-a colocar a maquiagem. Foi interessante observar o espalhar de maquiagem no rosto que uma femme apresentava ao mundo - mas foi desconcertante ver o rosto que ele tinha se acostumado desaparecer sob blush, sombra e batom. "Vá devagar com a maquiagem."
Ela lançou um olhar irritado para trás, com um toque de rebeldia, o batom em mãos. "Por quê?"
"Vai acabar tudo em Remy, non?"
O rubor sob o blush pálido já aplicado não foi metade tão bom como seria na sua pele nua.
Ela terminou com um piscar de olhos- lábios apenas marginalmente menos roxos - e eles fizeram o caminho para a varanda. Ela insistiu em descer primeiro, apesar do protesto dele. Esgueirá-la para fora da Mansão o fez sentir-se como um adolescente, atraindo uma bela vizinha para dançar nas ruas úmidas de Nova Orleans. Espreitar o local onde abaixo por onde ela tinha descido, trouxe a realização de que aquela era primeira vez que ele tinha sido capaz de levá-la junto com ele, a Vampira que só ele conhecia, quando saía pela sua janela.
Dirigir a moto, acenar para o porteiro da boate com o braço em torno da cintura dela, puxá-la para dar uns amassos por pura diversão – ele estava incapaz de manter distância do rosto dela, dela -, tudo era apenas ela, paquerando na frente da bartender, a ilusão voltando, nublando seus sentidos até que...
"Sua garota é bem cabeça quente, não é?"
E de repente ele estava novamente encarando o homem que sabia demais.
"Ela não é sua, de nenhuma forma."
As palavras saíram num eco amargo.
"Ela não é minha garota."
Seu tom de voz foi muito afiado e a resposta muito rápida; ele pôde ver o barman levantar uma sobrancelha. Virou-se para o bar, se concentrando nas variadas garrafas de bebidas coloridas atrás dele.
"Bourbon batido." Foi um pouco duro, mas era uma ordem reflexiva; álcool para se livrar daquela maldita voz na parte de trás de seu crânio.
Que diabos ele sabia?
Relacionamentos eram um aborrecimento, muito trabalho, muita irritação, tudo por um pagamento muito baixo. Não oficialmente, ele tinha renunciado a eles há um tempo – os olhos azuis bebê que ela possuía agora refletiam um novo ódio, um novo nojo – e ele estava perfeitamente bem. Ele não queria um relacionamento e só ficar na diversão caía muito bem.
E Vampira parecia ter a mesma atitude - "Se um dia eu tiver um namorado..." - pelo menos por agora e, enquanto a atitude dela correspondesse com a dele, tudo estaria bem.
Ele olhou para trás em direção a ela. Além disso, não era como se ele fosse o tipo dela, de qualquer maneira - e dificilmente ela era o dele.
Suas mãos coçaram; o barman teve que chamar o seu nome duas vezes antes que ele se virasse para recolher as suas bebidas.
Ela sabia como jogar sinuca e ele não deveria ter ficado desapontado, mas ensiná-la teria proporcionado todos os tipos de possibilidades de diversão. Ele espantou a fantasia para fora de sua mente.
Mas ele poderia dizer que algo estava fora de lugar, mesmo que eles flertassem, mesmo quando voltavam para casa, mesmo quando caíiam sobre a cama dela interligados. As paredes dela rechaçaram suas tentativas de aprender e compreender aquela dissonância que ele havia sentido por intuição.
Era incapaz de lê-la, mas ele sabia como consertar aquilo; o dedo passando pela beirada da calcinha cor de esmeralda que ele havia descoberto – e então ela estava novamente com ele, "Remy." Aquele suspiro ofegante foi suficiente para deixá-lo absurdamente excitado.
E ainda assim...
"Você tem certeza de que está pronta, chère?"
"Eu estou certa de que é mais fácil manter o foco quando não sou eu que estou chegando no limite. Pode acreditar."
Ele a encarou enquanto essas duas pequenas palavras saíam da boca dela.
E ele acreditou.
Ele se recusou a examinar mais.
E, finalmente, finalmente, sua frieza cedeu, até que finalmente ocorreu algo genuíno e ela sorriu para ele. Aquilo não tinha sido treinado (muito tímida, então variou muito a pressão exercida ou exagerou na fricção, deixando muito irregular). Também não foi o melhor que ele já teve, mas ela tinha feito - e que aquilo parecia fazer com o gesto significasse muito mais. Uma vez que tudo estava acabado, os olhos dela pareciam diferentes e ela o beijou, seus pensamentos foram desvanecendo e ela apenas sorriu.
"Melhor me limpar," E ela deslizou para longe dele.
E ele se questionou por que ele ficou se questionando.
Eles estavam acelerando o tempo todo, acelerando frente ao inexorável fim. Mas agora ela estava determinando o ritmo. Ele tentou desacelerar, desfrutando a sensação de sentir um ao outro por completo (oral realmente nunca tinha sido sua praia, mas com ela...). Agora, ela resistia a ele de novo.
Com a experiência de um ladrão, ele poderia dizer que algo tinha sido perdido, mas não se atreveu a perguntar o quê. Eles estavam ficando muito perto e perder aquilo seria intolerável. Ela ainda dava a ele seus segredos, com a facilidade que podiam aterrorizá-lo -
"Meu nome é-"
Ele não podia deixá-la dizer aquilo. Não aquele pedacinho de conhecimento que ela guardava tão firmemente. Ele era um ladrão, mas até ele sabia que há algumas coisas que não deveria pegar. Especialmente quando eram tão 'livremente' oferecidas.
"Isso não é importante, hein?"
Ele não podia apostar naquela ilusão.
- E ela ainda o deixou despejar sobre ela seus dedos, sua boca, ele mesmo, devolvendo o favor. O que mais ele poderia realmente pedir?
Ele seguraria aquele blefe por muito mais tempo.
Naquela noite, ele planejou voltar à boate. Talvez até tivesse pensado, em algum recesso distante de sua mente, que de alguma forma ele poderia recuperar o que havia escapado naquela outra noite.
"Chère, pensei que nós poderíamos voltar para a boate. A menos que você não esteja confortável-"
"Eu estou pronta."
Ela não quis encontrar seus olhos e ele sentiu uma onda de inquietação.
"Sério? Eu sei que a moda feminina é estranha, mas-"
"Não, Remy. Eu estou pronta."
"Oh."
Sua mente acelerou e ele se chocou com o fato de que tinha parado de ansiar esta noite.
"D'accord."
Ele estava prestes a sugerir que ele voltaria depois e se esgueiraria para quarto como de costume, quando ela tomou sua mão. Foi a primeira vez que eles ficaram de mãos dadas e tudo o que ele pode pensar estupidamente é que nunca tinha entrado no quarto dela pela porta da frente, em vez de deslizar para dentro como - como um ladrão.
Ele parou de fantasiar sobre o sexo. Era tudo que esteve sua mente nos primeiros treinamentos, mas, aos poucos, aquilo lentamente tinha sido drenado para ser substituído pelo nervosismo dela, pelos planos para persuadi-la, as formas de fazer com que ela ficasse confortável e obter prazer ao mesmo tempo. A idéia de que ele tinha esquecido o ponto culminante dos treinamentos era risível, mas ele se tornou focado no que eles estavam fazendo, concentrando-se em cada noite individualmente como se fosse tudo o que havia.
Mas de alguma forma, lá estavam eles, desembrulhando um ao outro em nítido contraste com os gestos habituais de uma simples dança do desejo. O sentimento de exposição sacudiu seus nervos, mas ele se focou nela, agarrando-se nos seus quadris para ancorá-lo à terra e, e -
Ela era a mulher mais linda que ele já tinha visto. E admirou-se com o fato de que só agora estava percebendo.
E então ela o beijou. Eles estavam juntos, sem barreiras e ele pôde sentir o sangue em suas veias acelerando enquanto ele cobria o corpo dela com o seu. Sua empatia, sem ser convidada, tentava alcançá-la também, para abraçar e aninhar as emoções dela, assim como ele fazia com o corpo. E é por isso que ele sentiu o formigamento da sua mutação dela chegar, apenas para ser desviado na seqüência.
"Vampira?"
Ele descansou sua testa contra a dela, se questionando se ele poderia perguntar, se questionando se ela daria aquilo como um segredo seu.
Mas, como sempre, ela o surpreendeu.
"Eu nunca pensei em fazer isso com mais ninguém."
E ele não pôde mais se conter. Ele a puxou para mais perto, guiando ambos até a cama, tentando tocar em todos os lugares, revestir cada célula dela que pudesse eventualmente alcançar. E ele permitiu que o segredo do seu próprio fascínio por ela passasse através dos seus lábios.
"Quando eu te vi pela primeira vez, pensei que era uma tragédia que você não pudesse tocar. Não podia ser tocada." Em muitas maneiras diferentes. "E disse para mim mesmo, se houvesse alguma coisa que eu pudesse fazer para te ajudar, eu faria."
"Eu estou pronta."
E então, e então ele manteve sua promessa.
Ele queria que fosse perfeito para ela, mas a realidade fez isso ser tão impossível - e ela resistia às suas tentativas, esforçando-se para se mover em vez de se ajustar, mas ele ainda tentava posicioná-la para se certificar de que ele não estaria sozinho quando o momento chegasse; estava olhando para os lindos verdes e nunca mais queria desviar o olhar, mas ela o beijou e ele não pôde continuar olhando enquanto o céu se aproxi...
Ele não estava pronto.
Ele acha que deveria ter se sentido mais do que pronto, mas - ele não estava pronto, não pronto para que aquilo acabasse. Mas não tinha acabado, não é? Ele tinha muito mais a ensinar, mais para fazer com ela... não, aquilo não acabaria, não por um longo tempo. Então, ele permanece naquela noite - ele não consegue sair, não iria ser tão cruel na manhã seguinte. Não com ela. Ele se veste, sabendo que ainda teria que fazer uma fuga rápida, de preferência antes do amanhecer, em nome da discrição. Mas aquilo, aquilo não terminaria.
Não podia acabar - e ele pensa que ela sabe disso.
E assim, ele aguarda o amanhecer.
Mas, então, o capítulo- "acabou o tempo" - deu um tapa na cara dele.
Remy descansava do lado de fora do quarto temporário da Kitty. Tinha se oferecido para ajudá-la a se movimentar, mas só ficou lá até que Vampira entrou no quarto. Ele pediu uma pausa para o cigarro. Masoquista ou não, só havia uma certa quantidade do veneno dela que ele poderia agüentar. Mas permaneceu ao lado da porta -
"Vocês dois brigaram ou algo assim?"
"Não. Por que você acha isso?"
Ele fechou os olhos, imaginando a delicada X-girl dar de ombros. "Bem, vocês dois pareciam estar, tipo, se dando bem. E agora-"
A voz ríspida da Vampira a cortou. "Ele é apenas um idiota - e eu sou uma vadia. Nada mudou." Seu tom foi categoricamente resignado.
Ele não pôde ficar mais ali.
E ele não viu Kitty morder o lábio enquanto Vampira, cansada, jogava uma das bolsas da amiga sobre os ombros com um olhar retraído no rosto.
Ela é apenas uma femme, como inúmeras outras em sua vida.
Só uma femme.
E ele, ele é o Gambit.
Aquele tom suplicante na voz dela, "Remy".
Seu punho bateu no espelho.
E ele olhou para as rachaduras que se formaram.
Ele era.
E de repente eu me torno parte do seu passado
Eu estou me tornando a parte que não permanece
Eu estou perdendo você sem sacrifício algum
Sem um som, nós perdemos a vista do solo
Nunca pensei que você quisesse terminar
Não vou deixar terminar até que nós estivermos exauridos.
Exceto que ele realmente não tinha pensado que sua 'liberdade' ou a dela estivessem na mesa de negociação - e estava começando a perceber que o jogo que ele pensou que estava jogando não era um jogo, de forma alguma.
Todo mundo sabe que estou a fim
Além do meu limite
Além do meu limite
Com oito segundos para o fim da prorrogação
Ela está na sua mente
Ela está na sua mente
Tradução Francês para o Português:
Conasse: Algo como 'puta idiota'
Bibette: Palavra vulgar para uma parte da anatomia masculina.
Petite Amie: Namorada
Tradução Inglês para o Português:
1 – Southern Confort: é um licor feito com frutas, especiarias e uísque, criado por um barman em Nova Orleans. Também podemos encarar como um trocadilho interessante, uma vez que pode significar 'conforto do sul'. E o pobre Gambit perdeu o dele, não é? =P
2 – Vale a pena uma nota nesse caso, porque eu fiquei levemente incomodada, haha. A autora, como já fizeram muitos outros estrangeiros (incluindo a própria Marvel), deixou implícito que a língua nativa de Roberto era o espanhol. Ora, o Macha Solar é brasileiro – e foi descoberto jogando futebol, vejam só –, então porque infernos fazem com tanta freqüência essa associação dele com o espanhol? Tenho medo da resposta, haha
